domingo, 27 de julho de 2008

Da obsessão


Da Obsessão


Obsessão Simples - Fascinação - Subjugação - Causas da Obsessão - Meios de Combatê-la


237. No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança.


A obsessão apresenta características diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenómenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.


238. A obsessão simples verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados.


Não se está obsedado pelo simples facto de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, pois, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar.


Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição.


Podemos incluir nesta categoria os casos de obsessão física, que consistem nas manifestações barulhentas e obstinadas de certos Espíritos que espontaneamente produzem pancadas e outros ruídos. Quanto a este fenómeno, remetemos o leitor ao capítulo Manifestações Físicas Espontâneas, nº 82.


239. A fascinação tem consequências muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada directamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga.


Dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a acções ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.(1)


Compreende-se facilmente toda a diferença entre obsessão simples e a fascinação. Compreende-se também que os Espíritos provocadores de ambas devem ser diferentes quanto ao carácter. Na primeira, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na segunda, é muito diferente, pois para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas através de tudo isso deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme, mais do que tudo, as pessoas que vêem as coisas com clareza. Sua táctica é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição, está certo de ter sempre razão.


(1) A fascinação é mais comum do que se pensa. No meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a Doutrina e reformularem os seus princípios. (N. do T.)

240. A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro jugo.


A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. No médium escrevente produz uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. Vimos subjugados que, na falta de caneta ou lápis, fingiam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, escrevendo em portas e paredes.


A subjugação corpórea vai às vezes mais longe, podendo levar a vítima aos actos mais ridículos. Conhecemos um homem que, não sendo jovem nem belo, dominado por uma obsessão dessa natureza, foi constrangido por uma força irresistível a cair de joelhos diante de uma jovem que não lhe interessava e pedi-la em casamento. De outras vezes sentia nas costas e nas curvas das pernas uma forte pressão que obrigava, apesar de sua resistência, a ajoelhar-se e beijar a terra nos lugares públicos, diante da multidão. Para os seus conhecidos passava por louco (2), mas estamos convencidos de que absolutamente não o era, pois tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria vontade, e sofria com isso horrivelmente.


241. Dava-se antigamente o nome de possessão ao domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. A possessão corresponderia, para nós, à subjugação. Se não adoptamos esse termo, é por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles susceptíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a ideia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, quando só existe constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não existem possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e fascinados.(3)


242. A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É também um dos mais frequentes. Assim, nunca serão demais as providências para combatê-la. Mesmo porque, além dos prejuízos pessoais que dela resultam, constitui um obstáculo absoluto à pureza, à veracidade das comunicações. A obsessão, em qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, e não podendo jamais esse constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança. Se, por vezes, se encontrar nela algo de bom, é necessário restringir-se a isso e rejeitar tudo o que apresentar o menor motivo de dúvida.


243. Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:


1) Insistência de um Espírito em comunicar-se queira ou não o médium, pela escrita, pela audição, pela tiptologia etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam.


2) Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas.


3) Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem falsidades ou absurdos.


4) Aceitação pelo médium dos elogios que lhe fazem os Espíritos que se comunicam por seu intermédio.


5) Disposição para se afastar das pessoas que podem esclarecê-lo.


6) Levar a mal a crítica das comunicações que recebe.


7) Necessidade incessante e inoportuna de escrever.


8) Qualquer forma de constrangimento físico, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar sem querer.


9) Ruídos e transtornos contínuos em redor do médium, causados por ele ou tendo-o por alvo.


(2) Manias, trejeitos, esgares, tiques nervosos e estados permanentes de irritação provêm em geral de subjugações corpóreas. Contam-se por milhares os casos de curas obtidas em sessões espíritas. Os médicos espíritas, hoje numerosos, geralmente conhecem essa causa e encaminham os clientes a trabalhos apropriados. Os médicos não-espíritas continuam a dar de ombros e a rir do que não conhecem, como faziam os seus colegas do tempo de Pasteur a respeito das infecções. (N. do T.)


(3) A terminologia espírita como se vê, é específica e perfeitamente ajustada aos novos conceitos decorrentes das pesquisas mediúnicas. Alguns confrades costumam substituir essa terminologia por outra derivada das Ciências contemporâneas. Não vemos razão para isso nos quadros doutrinários. Cada Ciência possui a sua linguagem própria, e a Ciência Espírita se encontra bem aparelhada nesse sentido. Por outro lado, os conceitos espíritas nem sempre encontram expressão adequada na terminologia científica actual. (N. do T.)

244. Em face do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é inconveniente ser médium, se não é essa faculdade que a provoca, enfim, se não é isso uma prova da inconveniência das comunicações espíritas. Nossa resposta é fácil e pedimos que a meditem cuidadosamente.


Não tendo sido os médiuns nem os espíritas que criaram os Espíritos, mas sim os Espíritos que deram origem aos espíritas e aos médiuns, e sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, é evidente que sempre exerceram sua influência benéfica ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica é para eles apenas um meio de se comunicarem, e na falta dessa faculdade eles se comunicam por mil outras maneiras mais ou menos ocultas. Seria erróneo, pois, acreditar que os Espíritos só exercem sua influência através das comunicações escritas ou verbais. Essa influência é permanente e os que não se preocupam com os Espíritos, ou nem mesmo crêem na sua existência, estão expostos a ela como os outros, e até mais do que os outros, por não disporem de meios de defesa. É pela mediunidade que o Espírito se dá a conhecer. Se ele for mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja. Pode-se dizer, portanto, que a mediunidade permite ao homem ver o seu inimigo face a face, se assim se pode dizer, e combatê-lo com suas próprias armas. Sem essa faculdade ele age na sombra, e contando com a invisibilidade pode fazer e faz realmente muito mal.(4)


A quantos actos não é o homem impelido, para sua desgraça, e que seriam evitados se ele tivesse um meio de se esclarecer. Os incrédulos não supõem dizer uma verdade quando afirmam de um homem que se obstina no erro: "É o seu mau génio que o impele a perder-se". É assim que o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o domínio dos maus Espíritos, deve ter como resultado, num tempo mais ou menos próximo, quando se achar divulgado, destruir esse domínio, dando a cada um os meios de se manter vigilante contra as suas sugestões. E aquele que então sucumbir só poderá queixar-se de si mesmo.


Regra geral: quem quer que receba más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob má influência; essa influência se exerce sobre ele, quer escreva ou não, isto é, seja ou não médium, creia ou não creia. A escrita oferece-lhe um meio de se assegurar da natureza dos Espíritos em acção e de os combater, se forem maus, o que se consegue com maior êxito quando se chega a conhecer os motivos da sua actividade. Se a sua cegueira é bastante para não lhe permitir a compreensão, outros poderão lhe abrir os olhos.


Em resumo: o perigo não está no Espiritismo, desde que este pode, pelo contrário, servir-nos de controle e preservar-nos do risco incessante a que nos expomos sem saber. Ele está na orgulhosa propensão de certos médiuns a se considerarem muito levianamente instrumentos exclusivos dos Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes permite compreender as tolices de que são intérpretes. Mas mesmo os que não são médiuns podem se deixar envolver.


Façamos uma comparação. Um homem tem um inimigo secreto que ele não conhece e que espalha contra ele, às ocultas, a calúnia e tudo o que a mais negra maldade possa engendrar. Vê a sua fortuna se perder, os amigos se afastarem, perturbar-se a sua tranquilidade interior. Não podendo descobrir a mão que o fere, não pode se defender e acaba vencido. Mas um dia o inimigo secreto lhe escreve e se trai, apesar da sua astúcia. Eis descoberto o inimigo, que ele agora pode fazer calar e com isso se reabilitar. Esse o papel dos maus Espíritos, que o Espiritismo nos dá a possibilidade de descobrir e anular.


245. Os motivos da obsessão variam segundo o carácter do Espírito. Às vezes é a prática de uma vingança contra a pessoa que o magoou na sua vida ou numa existência anterior. Frequentemente é apenas o desejo de fazer o mal, pois como sofre, deseja fazer os outros sofrerem, sentindo uma espécie de prazer em atormentá-los e humilhá-los. A impaciência das vítimas também influi, porque ele vê atingido o seu objectivo, enquanto a paciência acaba por cansá-lo. Ao se irritar, mostrando-se zangado, a vítima faz precisamente o que ele quer. Esses Espíritos agem às vezes pelo ódio que lhes desperta a inveja do bem, e é por isso que lançam a sua maldade sobre criaturas honestas.


Um deles se apegou como verdadeira tinha (5) a uma boa família nossa conhecida, que não teve aliás, a satisfação de enganar. Interrogado sobre o motivo do ataque a essa boa gente, ao invés de apegar-se a homens da sua espécie, respondeu: esses não me dão inveja. Outros são levados por simples covardia, aproveitando-se da fraqueza moral de certas pessoas, que sabem incapazes de lhes oferecer resistência. Um destes, que subjugava um rapaz de inteligência muito curta, respondeu-nos sobre o motivo da sua escolha: Tenho muito necessidade de atormentar alguém: uma pessoa capaz me repeliria; apego-me a um idiota que não pode resistir.


(4) Perguntam algumas pessoas como Deus deixou a Humanidade tanto tempo sem recursos diante desse inimigo invisível. Mas a verdade é que a mediunidade sempre existiu e que as suas manifestações vêm de todos os tempos, como Kardec já explicou. Assim como sempre houve meios empíricos de combater os micróbios, mesmo quando não eram conhecidos, houve-os também de controlar a influência dos Espíritos, desde os tempos primitivos. O Espiritismo veio oferecer os meios racionais e portanto científicos de que a Humanidade necessitava. (N. do T.)


(5) Micose antigamente muito difundida. Em francês se usa para designar pessoas más. Em português aplicamos ao Diabo: o Tinhoso. (N. do T.)

246. Há Espíritos obsessores sem maldade, que são até mesmo bons, mas dominados pelo orgulho do falso saber: têm suas ideias, seus sistemas sobre as Ciências, a Economia Social, a Moral, a Religião, a Filosofia. Querem impor a sua opinião e para isso procuram médiuns suficientemente crédulos para aceitá-las de olhos fechados, fascinando-os para impedir qualquer discernimento do verdadeiro e do falso. São os mais perigosos porque não vacilam em sofismar e podem impor as mais ridículas utopias. Conhecendo o prestígio dos nomes famosos não têm escrúpulo em enfeitar-se com eles e nem mesmo recuam ante o sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria ou um santo venerado.(6)


Procuram fascinar por uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda, cheia de termos técnicos e enfeitada de palavras grandiosas, como Caridade e Moral. Evitam os maus conselhos, porque sabem que seriam repelidos, de maneira que os enganados os defendem sempre, afirmando: bem vês que nada dizem de mau. Mas a moral é para eles apenas um passaporte, é o de que menos cuidam. O que desejam antes de mais nada é dominar e impor as suas ideias, por mais absurdas que sejam.(7)


247. Os Espíritos sistemáticos são quase sempre escrevinhadores. É por isso que procuram os médiuns que escrevem com facilidade, tratando de fazê-los seus instrumentos dóceis e sobretudo entusiastas, por meio da fascinação. Esses Espíritos são geralmente verbosos, muito prolixos, procurando compensar pela quantidade a falta de qualidade. Gostam de ditar aos seus intérpretes volumosos escritos, indigestos e muitas vezes pouco inteligíveis, que trazem felizmente como contraveneno a impossibilidade material de ser lidos pelas massas. Os Espíritos realmente superiores são sóbrios nas palavras, dizem muita coisa em poucas linhas, de maneira que essa fecundidade prodigiosa deve ser sempre considerada suspeita.


Nunca será demais a prudência, quando se tratar da publicação de semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que são neles frequentemente abundantes e chocam o bom senso, provocam impressão muito desagradável nas pessoas que se iniciam, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem contar ainda que servem de armas aos adversários para ridicularizá-lo. Entre essas publicações há as que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas e inábeis.(8)


248. Acontece com muita frequência que um médium só pode comunicar-se com um Espírito que se ligou a ele e responde pelos que são evocados. Nem sempre se trata de obsessão, porque isso pode decorrer de uma falta de flexibilidade do médium e de uma afinidade especial de sua parte com este ou aquele Espírito. A obsessão propriamente dita só existe quando o Espírito se impõe e afasta voluntariamente os outros, o que jamais é feito por um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apossa do médium para dominá-lo não suporta o exame crítico das suas comunicações. Quando vê que elas não são aceitas, mas submetidas à discussão, não deixa o médium mas lhe sugere o pensamento de se afastar, e muitas vezes mesmo lhe ordena que se afaste. Todo médium que se aborrece com as críticas das suas comunicações faz-se eco do Espírito que o domina, e esse Espírito não pode ser bom, desde que lhe inspira o pensamento ilógico de recusar o exame.


O isolamento do médium é sempre prejudicial para ele, que fica sem a possibilidade de controle de suas comunicações. Ele deve não somente esclarecer-se através de terceiros, mas também estudar todos os géneros de comunicações, para aprender a compará-las. Limitando-se às que recebe, por melhores que lhe pareçam, fica exposto a enganar-se quanto ao seu valor, devendo-se ainda considerar que ele não pode conhecer tudo e que elas giram sempre num mesmo círculo de ideias. (Ver no número 192: Médiuns exclusivos).


(6) Muitas pessoas aceitam com facilidade as comunicações assinadas por Jesus, Maria, João, Paulo e outras figuras exponenciais da Religião e da História, esquecidas das advertências doutrinárias. Mensagens com assinaturas dessa espécie são sempre suspeitas, pois os Espíritos que habitualmente se comunicam connosco são, pela própria lei de afinidade, mais próximos de nós. (N. do T.)


(7) O argumento citado é hoje frequentemente usado pelos defensores de obras psicográficas dotadas de todas as características mencionadas acima. Claro que o mistificador tem de misturar joio e trigo, pois do contrário ninguém o aceitaria. (N. do T.)


(8) Muito comum este facto, que vem ocorrendo com espantosa intensidade no Brasil, em virtude da propagação da prática espírita sem o desenvolvimento paralelo do conhecimento doutrinário. Por toda parte aparecem publicações inoportunas, desviando a atenção do público dos problemas fundamentais do Espiritismo, excitando a imaginação e o orgulho de médiuns incultos que, ainda em desenvolvimento, se deixam empolgar pela vaidade pessoal, dando atenção aos elogios de companheiros menos avisados e sendo envolvidos por Espíritos pseudo-sábios, sistemáticos, imaginosos. Todo cuidado é pouco nesse terreno. (N. do T.)

249. Os meios de combater a obsessão variam, segundo as características de que ela se reveste. Não existe um perigo real para todo médium que esteja bem convencido de lidar com um Espírito mentiroso, como acontece na obsessão simples. Esta não será para ele mais do que um facto desagradável. Mas precisamente por lhe ser desagradável, o Espírito tem mais uma razão para insistir em aborrecê-lo. Duas medidas essenciais devem ser tomadas pelo médium nesse caso: provar ao Espírito que não foi enganado por ele e que será impossível deixar-se enganar; segundo, cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente do que ele. Quando se convencer de que perde o seu tempo, acabará por se retirar, como o fazem os importunos a quem não se escuta.


Mas isso nem sempre é suficiente e pode demorar bastante, porque existem os teimosos, para os quais os meses e os anos pouco significam. O médium deve, além disso, apelar fervorosamente ao seu bom anjo e aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, suplicando-lhes assistência. No tocante ao Espírito obsessor, por mau que ele seja, é necessário tratá-lo com severidade mas ao mesmo tempo com benevolência, vencendo-o pelo bom procedimento, orando por ele. Se for realmente um Espírito perverso, a princípio se divertirá com isso, mas submetido com perseverança a um processo de moralização, acabará por emendar-se. É uma conversão que se empreende, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mas cujo mérito está na própria dificuldade, e que uma vez bem realizada traz sempre a satisfação de se haver cumprido um dever de caridade, e frequentemente a de haver reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.(9)


É também conveniente interromper as comunicações escritas quando se reconhece que procedem de um Espírito mau, que nada quer ouvir, para não se lhe dar o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode mesmo ser útil deixar de escrever por algum tempo, regulando-se isso de acordo com as circunstâncias. Mas se o médium escrevente pode evitar essas conversações abstendo-se de escrever, não se dá o mesmo com o médium audiente, que o Espírito obsessor persegue às vezes a todo instante com seu palavreado grosseiro e obsceno, e que não tem nem mesmo o recurso de fechar os ouvidos. De resto, devemos reconhecer que certas pessoas se divertem com a linguagem trivial dessa espécie de Espíritos, que os encorajam e provocam o rir das suas tolices, ao invés de lhes impor silêncio e orientá-los moralmente. Nossos conselhos não podem aplicar-se a esses que desejam afogar-se.


250. Só há, portanto, aborrecimento e não perigo para todo médium que não se deixa enganar, de vez que ele não pode ser confundido. Exactamente o contrário se verifica na fascinação, porque então o domínio do Espírito sobre a vítima não tem limites. A única coisa a fazer é convencê-la de que foi enganada e reverter a sua obsessão ao grau de obsessão simples. Mas isso nem sempre é fácil, se não for algumas vezes impossível. O ascendente do Espírito sobre o fascinado é tal que o torna surdo a todo raciocínio. Pode mesmo chegar ao ponto de fazê-lo duvidar do acerto da Ciência, quando o Espírito comete alguma grossa heresia científica.


Como já dissemos, o fascinado recebe geralmente muito mal os conselhos. A crítica o aborrece, irrita e faz embirrar com as pessoas que não participam da sua admiração. Suspeitar do seu obsessor é quase uma profanação, e é isso o que o Espírito deseja, que se ponham de joelhos ante as suas palavras.


Um desses Espíritos exercia extraordinária fascinação sobre pessoa nossa conhecida. Evocamo-lo e após algumas fanfarronices, vendo que não podia lograr-nos quanto à sua identidade, acabou confessando que tomara um nome falso. Perguntamos porque abusava tanto daquela pessoa, e ele nos respondeu com estas palavras que revelam nitidamente o carácter dessa espécie de Espíritos: Eu procurava um homem que pudesse manejar, encontrei-o e ficarei com ele. — Mas se o esclarecermos ele o expulsará. — É o que veremos!


Como não há pior cego do que o que não quer ver, quando se reconhece a inutilidade de todas as tentativas para abrir os olhos do fascinado o melhor que se tem a fazer é deixá-lo com as suas ilusões. Não se pode curar um doente que se obstina na doença e nela se compraz.(10)


(9) As instruções dadas neste item devem ser bem examinadas pelo leitor, pois ao mesmo tempo que apresentam uma técnica de afastamento dos obsessores, mostram que tudo depende da vontade e persistência do médium. Psiquiatras, psicólogos e parapsicólogos endossariam hoje essas instruções, se quisessem dar-se ao trabalho de examiná-las, embora com restrições à intervenção de um Espírito. Trata-se do caso de obsessão simples, em que o paciente não se apresenta subjugado. A "conversão" se assemelha bastante aos processos de "sublimação" psicanalítica, ao "caminho da cura" de Jung, à busca da "ressonância" de Kunkel e assim por diante. E a verdade é que esse método tem dado resultados plenamente satisfatórios, o que mostra não ser prejudicial a presença do Espírito obsessor no tratamento. Nos casos mais graves essa presença, como veremos, não pode ser esquecida, sob pena de não se obter a cura. (N. do T.)


(10) Estes casos são conhecidos de todos os clínicos como irrecuperáveis. Trata-se de ligações profundas entre o encarnado e o desencarnado, restando-nos orar por ambos, o que sempre é útil. (N. do T.)

251. A subjugação corpórea tira quase sempre ao obsedado as energias necessárias para dominar o mau Espírito. É por isso necessária a intervenção de uma terceira pessoa, agindo por meio do magnetismo ou pela força da sua própria vontade. Na falta do concurso do obsedado, essa pessoa deve conseguir ascendente sobre o Espírito. Mas como essa ascendência só pode ser moral, só pode ser exercida por uma pessoa moralmente superior ao Espírito, e seu poder será tanto maior quanto o for a sua superioridade moral, porque então se impõe ao Espírito, que se vê obrigado a inclinar-se ante ela. Era por isso que Jesus possuía tamanho poder de expulsar os que então se chamavam demónios, ou seja, os maus Espíritos obsessores.


Só podemos dar aqui alguns conselhos gerais, porque não há nenhum processo material, nenhuma fórmula, sobretudo, nem qualquer palavra sacramental que tenham o poder de expulsar os Espíritos obsessores. O que falta em geral ao obsedado é força fluídica suficiente. Nesse caso a ação magnética de um bom magnetizador pode dar-lhe uma ajuda eficiente. Além disso, é sempre bom obter, por um médium de confiança, os conselhos de um Espírito superior ou do seu anjo da guarda.(11)


252. As imperfeições morais do obsedado são frequentemente um obstáculo à sua libertação. Eis um notável exemplo, que pode servir para a instrução de todos.


Desde alguns anos que várias irmãs vinham sendo vítimas de actos estranhos de depredação. Suas roupas eram continuamente espalha das por todos os cantos da casa e até mesmo pelo telhado. Eram rasgadas, cortadas e crivadas de furos, por mais cuidados que tivessem em guardá-las sob chaves. Essas senhoras, isoladas numa pequena cidade provinciana, jamais tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que tiveram foi, naturalmente, a de estarem sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto. Mas a persistência dos factos e as precauções que tomavam afastaram essa ideia.
Só muito tempo depois, graças a algumas indicações, acharam que deviam dirigir-se a nós, procurando saber a causa desses transtornos e os meios, se possível, de lhes dar um fim. A causa estava bem clara, mas o remédio era mais difícil. O Espírito que assim se manifestava era evidentemente malfazejo. Mostrou-se, na evocação, de grande perversidade e inacessível aos bons sentimentos. A prece, porém, parecia exercer sobre ele uma boa influência. Mas após algum tempo de descanso, as depredações recomeçaram. Eis a respeito o conselho dado por um Espírito superior:


O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos seus Espíritos protectores que não as abandonem. E eu não tenho melhor conselho a lhes dar do que o de mergulharem na própria consciência para se confessarem consigo mesmas, examinando se praticaram sempre o amor ao próximo e a caridade. Não me refiro à caridade que dá e distribui, mas à caridade da língua. Porque infelizmente elas não sabem contê-la, e por outro lado não justificam, por seus actos piedosos, o desejo de se livrarem de quem as atormenta. Gostam bastante de falar mal do próximo e o Espírito que as obseda tira a sua desforra, porque em vida foi para elas um bode expiatório. Basta-lhes sondar a memória para logo descobrirem com quem estão lidando.


Entretanto, se chegarem a melhorar, seus anjos da guarda voltarão para elas e sua presença será suficiente para afastar o Espírito mau, que se apegou sobretudo a uma delas porque o seu anjo da guarda teve de afastar-se, diante dos seus actos repreensíveis ou dos seus maus pensamentos. O que elas precisam é de fazer preces fervorosas pelos que sofrem, e acima de tudo praticar as virtudes que Deus recomenda a cada um, segundo a sua condição.


À observação de que essas palavras nos pareciam um pouco severas, e que talvez se devesse abrandá-las para as transmitir, o Espírito acrescentou:
Eu tenho a dizer isso que disse e como disse, porque as pessoas em causa acostumaram-se a pensar que não fazem nenhum mal pela língua, quando na verdade o fazem e muito. Eis porque é necessário chocar-lhes o espírito de maneira que isso lhes sirva de séria advertência.


(11) A acção magnética é hoje reconhecida e utilizada pela Ciência com outro rótulo: Hipnotismo. O conceito de força fluídica é cientificamente rejeitado, mas os Espíritos o sustentam e nada até hoje provou o contrário, apesar das hipóteses em curso. (N. do T.)

Disso resulta um ensinamento de grande alcance, o de que as imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas àqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para se melhorarem. Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.


253. Mas é necessário evitar atribuir à acção directa dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são consequência da nossa própria incúria ou imprevidência. Certo dia um lavrador nos mandou escrever que há doze anos todas as desgraças caíam sobre os seu animais. Ora morriam as vacas e deixavam de dar leite, ora morriam os cavalos, os carneiros ou os porcos. Fez muitas novenas que não remediaram o mal, o mesmo se dando com as missas que mandou rezar e com os exorcismos que mandou fazer. Acreditou, então, segundo as superstições do campo, que haviam feito algum mal para os seus animais. Julgando-nos sem dúvida com maior poder de conjurar que o padre da sua aldeia, pediu-nos um conselho. Eis a resposta que obtivemos:


"A mortandade ou as doenças dos animais desse homem provêm dos seus currais infectados, que ele não manda limpar porque isso custa".


254. Encerraremos este capítulo com as respostas dos Espíritos a algumas perguntas, vindo em apoio do que dissemos:


1. Por que certos médiuns não podem livrar-se de Espíritos maus que a eles se ligam, e como os Espíritos bons que eles chamam não têm força suficiente para afastar os outros e comunicar-se por seu intermédio?


— Não falta poder ao Espírito bom. É o médium que quase sempre não está em condições de auxiliá-lo. Sua natureza é mais adequada a outras relações, seu fluido se identifica mais com um Espírito do que com outro. É isso o que dá tamanha força aos que querem enganá-lo.


2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas bastante meritórias, de moralidade irrepreensível, e não obstante impedidas de comunicar-se com os Espíritos bons.
— Não é uma prova. E quem te pode dizer que não trazem o coração um tanto manchado de mal? Que o orgulho não controla um pouco essa aparência de bondade? Essas provas revelam ao obsedado a sua fraqueza e devem incliná-lo para a humildade. Há alguém na Terra que se possa dizer perfeito? Aquele mesmo que tem todas as aparências da virtude pode ter ainda muitos defeitos ocultos, um velho fermento de imperfeição. Assim, por exemplo, dizes daquele que não pratica o mal, que é leal nas suas relações sociais: É um homem bom e digno! Mas sabes se essas qualidades não estão manchadas pelo orgulho? Se não há nele um fundo de egoísmo? Se ele não é avarento, invejoso, rancoroso, maledicente e muitas outras coisas que não percebes, porque as tuas relações com ele não te deram motivo a descobri-las? O meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.

3. A obsessão que impede um médium de receber as comunicações que deseja é sempre um sinal de indignidade de sua parte?
— Eu não disse que se trata de um sinal de indignidade, mas que pode haver obstáculos a certas comunicações. Ele deve empenhar-se em vencer os obstáculos, que estão nele mesmo. Sem isso, suas preces e suas súplicas nada farão. Não basta a um doente dizer ao médico: Dá-me a saúde, quero passar bem. O médico nada pode, se o doente não faz o necessário.


4. A privação de comunicar-se com certos Espíritos seria uma espécie de punição?
— Em certos casos pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de comunicar-se com eles é uma recompensa que deves procurar merecer. (Ver Perda e suspensão da mediunidade, nº 220).


5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos orientando-os moralmente?
— Sim, mas é o que não se faz e não se pode deixar de fazer. Porque é frequentemente uma tarefa que foi dada e que devias cumprir caridosa e religiosamente. Por meio de bons conselhos pode-se levá-los ao arrependimento e apressar-lhes o adiantamento.


5. a. Como pode um homem ter mais influência, nesse caso, do que os próprios Espíritos?
— Os Espíritos perversos se aproximam mais dos homens, que procuram atormentar, do que dos Espíritos, pois destes se afastam o mais possível. Nessa aproximação aos humanos, quando encontram quem os tenta moralizar, a princípio não lhe dão ouvidos e até riem-se dele, mas depois, se este soube prendê-los, acabam por sentir-se tocados. Os Espíritos elevados só podem falar-lhes em nome de Deus, e isso os apavora. O homem não tem, é evidente, mais poder que os Espíritos superiores, mas a sua linguagem é mais acessível à natureza inferior, e vendo a influência que podem exercer os Espíritos inferiores, compreende melhor a solidariedade existente entre o Céu e a Terra. Além disso, o ascendente que o homem pode ter sobre os Espíritos está na razão de sua superioridade moral. Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem serem superiores, são bons e benevolentes. Mas pode dominar os Espíritos que lhe forem moralmente inferiores. (Ver nº 279).


6. A subjugação corpórea, em seu desenvolvimento, poderia levar à loucura?
— Sim, a uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura ordinária. Entre os que são tratados como loucos há muitos que são apenas subjugados. Necessitariam de um tratamento moral, enquanto os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão maior número de doentes do que o fazem com as duches.(Ver nº 221).(12)


7. O que se deve pensar dos que, vendo algum perigo no Espiritismo, julgam que o meio de evitá-lo seria proibir as comunicações espíritas?
— Se eles podem proibir a certas pessoas de se comunicarem com os Espíritos, não podem impedir as comunicações espontâneas a essas mesmas pessoas, pois não podem suprimir os Espíritos nem impedir que exerçam a sua influência oculta. Essa atitude se assemelha à das crianças que fecham os olhos e pensam que a gente não as vê. Seria loucura, só porque os imprudentes podem cometer abusos, querer suprimir uma coisa que proporciona grandes vantagens. O meio de prevenir os inconvenientes é, pelo contrário, fazer que a conheçam a fundo.(13)


(12) Existe uma teoria psiquiátrica espírita que ressalta claramente deste livro. A falta de sua formulação precisa, e a rejeição do Espiritismo a grosso modo pelos psiquiatras e cientistas preconceituosos são responsáveis pelo atraso da Medicina nesse campo e pelos sofrimentos inenarráveis de milhares de vítimas. O médico Bezerra de Menezes, em A Loucura Sob Novo Prisma; o médico Ignácio Ferreira (Sanatório Espírita de Uberaba), com Novos Rumos à Medicina; e o médico Karl Wikland, da Faculdade de Medicina de Chicago (EUA), com Trinta Anos Entre os Mortos, provam, entre outros, a importância do tratamento psiquiátrico espírita. A parapsicologia favorece, actualmente, a compreensão do problema, pelos menos em termos anímicos. Vejam-se os livros de Jan Ehrenwald, J. Eisenbud, A. Ellis e outros a respeito das influências parapsíquicas nas doenças mentais. (N do T.)


(13) Em seu livro O Novo Mundo da Mente (publicado em português como O Novo Mundo do Espírito, o prof. Joseph Banks Rhine declara: "Da colecção existente na Universidade de Duke, de mais de três mil casos de ocorrências psi espontâneas, seleccionou-se uma centena de casos que sugerem a ação de certo agente espiritual, com muito maior força que qualquer outra explicação". A profa. Louise Rhine, em seu livro Os Canais Ocultos da Mente, esclarece melhor esse problema. O prof. Jan Ehrenwald propõe em seu livro já citado o aprofundamento das pesquisas sobre infiltrações telepáticas nas sessões psicoanalíticas (aliás já verificadas e referidas pelo próprio Freud), e cita vários casos de sua experiência clínica, mencionando estudos de M. Ullman, Paderson-Krag, J. Merloo, G. Booth, Hans Bender, H. J. Urbain e outros a respeito. A influência espírita, como vemos neste livro, é da mesma natureza e já está sendo admitida pelos parapsicólogos como necessária para explicação de muitos casos, pois oferece a única explicação possível. Os próprios cientistas já estão compreendendo, portanto que é preciso conhecer a fundo o problema colocado pelo Espiritismo. (N. do T.)


Referencia: O livro dos Médiuns

sábado, 26 de julho de 2008

Árvores humanas


Árvores Humanas

O texto evangélico, ante a luz da Doutrina Espírita, não se refere aos médiuns
categorizando-os por fachos ou estrelas, anjos ou santos.

Com muita propriedade, reporta-se a eles como sendo árvores frutíferas.

E sabemos, à saciedade, que as árvores produzem segundo a própria
espécie.

Não vivem sem irrigação e sem adubo; entretanto, o excesso de uma e
outro pode perdê-las.

Em verdade, não prescindem do cuidado e do carinho de cultivadores
atentos; contudo, se obrigam a tolerar vento e chuva, canícula e tempestade.

São abençoadas por ninhos e melodias de pássaros amigos; todavia,
suportam pragas que por vezes lhes carcomem as orças e pancadas de
criaturas irresponsáveis que lhes furtam lascas e flores.

Registam a gratidão das almas boas que lhes recolhem o favor e a
utilidade, mas aguentam o assalto de quantos lhes tomam a golpes de
violência ramos e frutos.

E, conquanto estimáveis aos pomicultores, que lhes garantem a existência,
são submetidas por eles mesmos à poda criteriosa e providencial, com vistas
ao rendimento e melhoria da produção.

Assim também são os médiuns da Terra, postos no solo da experiência
para a extensão do bem de todos. E anotemos que, semelhantes às árvores
preciosas, todos eles, por muito dignos, como sucede a qualquer criatura
humana, se elevam em pensamento no rumo do Céu, conservando, porém, os
próprios pés nas dificuldades e deficiências do chão.

Referencia: Mediunidade e sintonia

A senhora de Stael


A senhora de Staël

Na sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de 28 de Setembro de 1858, o
Espírito da senhora de Staël se comunica espontaneamente e sem ser chamado, sob a mão
da senhorita E..., médium escrevente; dita a passagem seguinte:
Viver é sofrer; sim, mas a esperança não segue o sofrimento? Deus não colocou no coração
dos mais infelizes a maior dose de esperança? Criança, o desgosto e a decepção seguem o
nascimento; mas diante dele marcha a esperança que lhe diz: Avance, o objectivo é a
felicidade: Deus é clemente.
Por que, dizem os espíritos fortes, vir-nos ensinar uma nova religião, quando o Cristo pôs as
bases de uma caridade tão grandiosa, de uma felicidade tão certa? Não temos a intenção de
mudar o que o grande reformador ensinou. Não: somente viemos reafirmar nossa confiança,
aumentar nossas esperanças. Quanto mais o mundo se civilize, mais deverá ter confiança, e
mais também teremos necessidade de sustentá-lo. Não queremos mudar a face do Universo,
viemos ajudar a tomá-lo melhor; e se, neste século, não se vier em ajuda ao homem, será
muito infeliz pela falta de confiança e de esperança. Sim, homem sábio que lês nos outros,
que procuras conhecer o que pouco te importa, e atiras longe de ti o que te concerne, abre os
olhos, não desesperes; não digas mais: O nada pode ser possível, quando, em teu coração,
deveria sentir o contrário. Vem assentar-te a esta mesa e espera: tu te instruirás de teu
futuro, serás feliz. Aqui, há pão para todo o mundo: espíritos, vos desenvolvereis; corpos,
vos nutrireis; sofrimentos, vos acalmareis; esperanças, florireis e embelezareis a vida para
fazê-la suportar.

Staël.

Nota. O Espírito faz alusão à mesa onde estavam os médiuns.

Perguntai-me, responderei às vossas perguntas.

1. Não estando prevenidos de vossa visita, não preparamos nada do assunto.

- R. Sei muito bem que perguntas particulares não podem ser resolvidas por mim; mas de coisas gerais
pode-se perguntar, mesmo a uma mulher que teve um pouco de espírito e tem agora muito de coração!

Nesse momento, uma senhora que assistia à sessão, pareceu desfalecer; mas não era senão
uma espécie de êxtase que, longe de ser penoso, lhe era antes agradável. Oferece-se para
magnetizá-la: então o Espírito da senhora Staël disse espontaneamente: Não, deixai-a
tranquila, é preciso deixar a influência agir. - Depois, dirigindo-se à senhora: Tende
confiança, um coração vela junto de vós; quer vos falar; um dia virá... Não precipitemos as
emoções.

O Espírito que se comunicava com essa senhora, e que era o de sua irmã, escreveu então
espontaneamente: Eu retornarei

A senhora de Staël, dirigindo-se de novo, ela mesma, a essa senhora, escreveu: Uma palavra
de consolação a um coração sofredor. Por que essas lágrimas de mulher para a irmã? Esses
retornos ao passado, quando todos os vossos pensamentos, não deveriam ir .senão para o
futuro? Vosso coração sofre, vossa alma tem necessidade de se dilatar. Pois bem! que essas
lágrimas sejam um alívio e não produzidas pelos remorsos! Aquela que vos ama e que
chorais está feliz com a sua felicidade! E esperai reencontrá-la um dia: não a vedes; mas
para ela não há separação, porque constantemente pode estar junto de vós.

2. Gostaríeis de nos dizer o que pensais actualmente de vossos escritos?

- R. Uma única palavra esclarecer-vos-á. Se eu voltasse e pudesse recomeçar, mudaria as duas terças partes e não guardaria senão a outra terça parte.

3. Poderíeis assinalar as coisas que desaprovais?

- R. Não é muita exigência, porque o que não está justo, outros escritores o mudarão: fui muito homem para uma mulher.

4. Qual era a causa primeira do carácter viril que mostrastes durante a vida?

- R. Isso depende da fase da existência em que se está Na sessão seguinte, em 12 de Outubro, se lhe dirigem as perguntas seguintes, por intermédio do senhor D..., médium escrevente.

5. Outro dia, viestes espontaneamente entre nós, por intermédia da senhorita E... Teríeis a
bondade de nos dizer qual motivo pôde vos levar a nos favorecer com vossa presença, sem
que vos tivéssemos chamado?

- R. A simpatia que tenho por todos; ao mesmo tempo, o cumprimento de um dever que me impus em minha existência actual, ou antes em minha existência passageira, uma vez que estou chamada a reviver: de resto, é o destino de todos os Espíritos.

6. Como vos é mais agradável: vir espontaneamente ou ser evocada?

- R. Gosto mais de ser evocada, porque é uma prova que se pensa em mim; mas sabeis, também, que é agradável para o Espírito livre poder conversar com o Espírito do homem; por isso, não deveis vos
admirar ao me verdes chegar, de repente, entre vós.

7. Há vantagem em evocar os Espíritos antes que esperar a seu bel-prazer?

- R. Evocando, tem-se um objectivo; deixando-os vir, corre-se grande risco de ter comunicações imperfeitas, sob muitos pontos de vista, porque os maus vêm tão bem quanto os bons.

8. Já vos comunicastes em outros círculos?

- R. Sim; mas, frequentemente, têm-me feito aparecer mais que eu não teria querido; quer dizer: frequentemente, tomaram meu nome.

9. Teríeis a bondade de vir, algumas vezes, entre nós, para nos ditar alguns dos vossos belos
pensamentos, que estaremos felizes em reproduzir para a instrução geral?

- R. Bem voluntariamente: vou com prazer entre aqueles que trabalham seriamente para se
instruírem: minha chegada de outro dia, disso é uma prova.

Revista Espírita, Novembro de 1858

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Noticias do Brasil



•Seminário FEB e CEERJ
•Ciclo de palestras no Rio
•FEB na 20ª Bienal do Livro de SP
•Encontro de Coordenadores do ESDE
•WebTV em esperanto
•Encontro de Comunicação prepara manual
•Tardes Juvenis Espíritas
•Biblioteca Espírita Virtual de Obras Raras
•Semana Regional em Franca
•CCJ considera inconstitucional PL 1.135/91


Seminário FEB e CEERJ


Será realizado em 19 de julho, na sede histórica da FEB, das 9h às 16h, mais um Seminário FEB e CEERJ, em fraterna parceria, buscando a consolidação da união e unificação no Estado do Rio de Janeiro. O tema “Preparação de Trabalhadores para a Divulgação do Espiritismo - Capacitação de Comunicadores e Divulgadores dos Centros Espíritas” objetiva atender os trabalhadores espíritas que integram e se interessam pela Comunicação e Divulgação.
Ao todo, serão desenvolvidos 6 painéis: “Mídias e Tecnologia da Informação”, “Editora e Distribuidora”, “Como Preparar os livreiros e a Livraria do Centro Espírita”, “Biblioteca Espírita”, “A Divulgação no Centro Espírita” e “Como Escrever e Falar Fácil”. Na oportunidade ocorrerá o momento para perguntas e respostas aos painelistas. O evento será transmitido ao vivo pela TVCEI com gravação de DVD. Informações: www.ceerj.org.br
Ciclo de palestras no Rio
Ocorre nos dias 25, 26 e 27 de julho, no Rio de Janeiro, um ciclo de palestras sobre a Revista Espírita e os Centros Espíritas, proferidas por Antonio Cesar Perri, diretor da FEB. No dia 25, a exposição do tema "Revista Espírita 1864 - Informações Iniciais sobre a Difusão do Espiritismo" acontece no Lar de Tereza, em Copacabana.
Revista Espírita: “Há 150 anos, marco de esclarecimento e unificação” será o tema debatido no dia 26, às 17h, no C.E."Consolador", Copacabana. Já no dia 27 será exposta a temática "Atividades e Finalidades do Centro Espírita", pela manhã, no Lar de Tereza, em Copacabana. Informações pelo telefone (21) 3208-5264
FEB na 20ª Bienal do Livro de SP
A Federação Espírita Brasileira estará pela sexta vez presente na Bienal Internacional do Livro. O evento, que este ano ocorre em São Paulo, de 14 a 24 de agosto no Anhembi, está em sua 20ª edição, e celebra o encontro de grandes editoras.
No ano de 2008, a FEB participa do evento com mais de 400 títulos, em um estande de 250 m² com lançamentos, relançamentos e com um espaço literário com autógrafos, bate-papo sobre obras, atividades com crianças e muito mais. Mais informações sobre a Bienal no site www.bienaldolivrosp.com.br/2008


Encontro de Coordenadores do ESDE


No período de 25 a 27 de julho de 2008, a Federação Espírita Brasileira sediará em sua sede em Brasília, o III Encontro Nacional de Coordenadores do ESDE. O eixo temático está baseado em: 1) Atos dos Apóstolos (8:31) Como poderei entender se alguém não me ensinar?; 2) Paulo (Romanos, 2:21) Tu, pois, que ensinas a outro não te ensinas a ti mesmo?. As vagas foram destinadas a representantes das Entidades Federativas Estaduais. São aguardados coordenadores e monitores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE) e do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita (EADE).

WebTV em esperanto


Os esperantistas de Bialystok criaram uma Web TV com 24 horas de programação na Língua Internacional Neutra. No ar há poucos dias, a TV Esperanto é uma das iniciativas para comemorar os 150 anos de nascimento de Lázaro Luiz Zamenhof, a serem completados em 2009, quando também será realizado naquela cidade polonesa o Congresso Universal de esperanto. O endereço da TV Esperanto é http://www.itvc.pl/


Encontro de Comunicação Social prepara manual


Ocorreu em Goiânia, nos dias 11, 12 e 13 de Julho, nas dependências do Bristol Evidence Hotel, o 1º. Encontro Nacional de Comunicação Social Espírita, promovido pela Área de Comunicação Social Espírita das Comissões Regionais do Conselho Federativo Nacional da FEB, tendo como anfitriã a Federação Espírita do Estado de Goiás. Contou com a presença do vice-presidente da FEB Altivo Ferreira e do secretário-geral do CFN da FEB Antonio Cesar Perri de Carvalho, que proferiu a palestra de abertura sobre o tema: “O papel da Comunicação Social Espírita em relação ao Plano de Trabalho Para o Movimento Espírita Brasileiro”.
O Encontro contou com a presença de equipe do Conselho Espírita Internacional e alguns momentos foram transmitidos ao vivo pela TVCEI (http://www.tvcei.com/)


Tardes Juvenis Espíritas


O Departamento de Infância e Juventude da Federação Espírita do Rio Grande do Sul realiza, desde junho até setembro deste ano, as “Tardes Juvenis”, em cada uma das 14 regiões federativas do Estado. É destinado a todos os jovens freqüentadores das escolas de evangelização espírita, com idade entre 13 e 21 anos, e tem por objetivo proporcionar a dinamização do Movimento Espírita Juvenil, oferecendo-se mais uma oportunidade de integração e de confraternização das juventudes espíritas. Informações: www.fergs.com.br
Biblioteca Espírita Virtual de Obras Raras

A Biblioteca Espírita Virtual de Obras Raras da Federação Espírita do Paraná (FEP) disponibiliza ao público obras espíritas raras, digitalizadas em idioma original, principalmente de livros do século 19 e do início do século 20. As publicações podem ser baixadas na íntegra, facilitando o estudo, pois o usuário pode manter a cópia digitalizada da obra em seu computador pessoal e consultar a qualquer momento. Informações: http://www.bibliotecaespirita.com/


Semana Regional em Franca


A USE Regional de Franca (União das Sociedades Espíritas Regional de Franca) realizou, de 19 a 25 de julho, a 38ª Semana Regional Espírita, um dos eventos mais tradicionais entre a comunidade espírita.
O objetivo do evento foi promover as visitas de unificação, aproximação e união dos espíritas da região, fazendo o intercâmbio entre oradores das Casas Espíritas, com a troca de experiências sobre as ações desenvolvidas por essas entidades e o estudo das obras de Allan Kardec. A “Semana” foi realizada simultaneamente nas 16 cidades da região. Aproximadamente 30 expositores da USE visitaram os Centros Espíritas para trocar experiências entre os participantes e fizeram mais de 100 palestras sobre vários assuntos. Informações: usefranca@usefranca.org.br


CCJ considera inconstitucional o PL 1.135/91


Votada no dia 9 de julho, na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ, no Plenário 1 do Anexo II da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1.135/91, que defende a descriminalização do aborto no Brasil. Após longo debate, foi votado o parecer do relator Eduardo Cunha, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que é pela inconstituicionalidade do PL 1.135/91, ou seja, defende que o projeto fere o que reza a Constituição, que garante no artigo 5° o direito à vida.
Diferentemente do que aconteceu quando este PL foi votado na Comissão de Seguridade Social e Família, onde a votação foi nominal, desta vez, foi simbólica, o que não possibilita a identificação dos parlamentares.
Apesar disso, o resultado da votação foi pela rejeição do Projeto de Lei que pretende descriminalizar o aborto no Brasil.



Dica de leitura do Boletim

Almas Crucificadas
Zilda Gama, pelo espírito Victor Hugo
Nesta novela, ambientada no final do século das Cruzadas, o autor espiritual leva sua emoção pelos caminhos da insensatez humana, na apresentação da história de uma condenável paixão. Narra o drama do conde Cláudio Solano, que se apaixona pela esposa do seu melhor amigo e o mata na esperança de ficar com o fruto de seu descontrolado sentimento. Porém, o remorso e as amargas conseqüências do crime cometido lhe trazem uma vida inteira de sofrimentos. Demonstra que a Justiça Divina dá a cada um segundo as suas obras, mas concede ao coração arrependido o amparo necessário para que prossiga na sua luta redentora.
Informações no site http://www.feblivraria.com.br/

sábado, 12 de julho de 2008

Noticias de Portugal


1 – MALVEIRA: PALESTRA ESPÍRITA

2 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA

3 – S. JOÃO DE VER: PALESTRA ESPÍRITA NA ECBE

4 – ÁGUEDA: CONFERÊNCIA SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL

5 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB

6 – CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA: OUÇO OS ESPÍRITOS: QUE FAZER?

7 – CONFERÊNCIA EM BARCELOS

8 – LEÇA DA PALMEIRA: PALESTRAS ESPÍRITAS


1 - MALVEIRA: PALESTRA ESPÍRITA

Contrariando o que tem vindo a acontecer desde há meses, na Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na Rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665-277 Malveira, a palestra prevista para a 2ª sexta-feira do mês realizou-se no passado dia 4 de Julho, às 20H30, sendo subordinada ao tema "A Obsessão".


Mais informações através dos telemóveis 965362855 e/ou 917713744 ou pelo e-mail: afmbmalveira@gmail.com
Fonte: Marcelo Oliveira (tm 917713744)


2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


Realizou-se no sábado, dia 5 de Julho, pelas 21H30, uma conferência espírita, na Associação de Estudos Espirituais Messe de Amor, na Rua das Oliveiras Lote G, Loja 1, Gualtar - Braga, subordinada ao tema: " Lei de Causa e Efeito".


Actividades habituais:

Segunda-feira - 21H30 - Estudo da Doutrina

Sexta-feira - 21H45 - Estudo do Evangelho

Sábado - 15H30 - Escola de Evangelho (DIJ)

Sábado - 20H00 - Atendimento Individual

Sábado - 21H30 - Palestra Pública


Fonte: Sérgio Cunha (Braga) - (Telemóvel 91 977 77 29) (mailto:smoac54@yahoo.com.br )


3 - S. JOÃO DE VER: PALESTRA ESPÍRITA NA ECBE


No passado domingo dia 6 de Julho, pelas 10H00, no Auditório da Escola de Beneficência Caridade Espírita, sita na Rua Quinta da Vinha – Areeiro – 4520 – 619 S. João de Ver, realizou-se uma palestra pública, subordinada ao tema: “O Consolador Prometido”, e que foi proferida por José Augusto Pinto Silva


Mais informações:Escola de Beneficência Caridade Espírita Rua Quinta da Vinha - Areeiro 4520 - 619 S. João de Ver(Tel. 912475972 - José Augusto E-mail: centroebce@gmail.com



4 - ÁGUEDA: CONFERÊNCIA SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL


A Associação Espírita Consolação e Vida, situada na Rua 15 de Agosto, n.º 30, traseiras, 3750 – 115 Águeda, leva a efeito na próxima quarta-feira, dia 9 de Julho, pelas 20H30 uma conferência, subordinada ao tema “Rainha Santa Isabel”.Esta conferência vai ser conduzida pelo Dr. Carlos Ferreira, na altura em que se celebra mais um aniversário (4 de Julho) da desencarnação de Isabel de Aragão, justamente considerada como Santa Isabel, Rainha de Portugal.


A entrada é livre e gratuita.
Fonte: Sílvia Antunes – Águeda (Tm. 93 432 56 48 – E-mail: silviantunes@netvisao.pt )


5 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB


Na sexta-feira, dia 11 de Julho, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Lei da Reprodução”, baseada no Cap. IV de “O Livro dos Espíritos”.


O evento terá lugar na sede da ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga, na Rua do Espírito Santo nº 38, em Braga.



As entradas são livres e gratuitas.
Fonte: ASEB (Site)


6 - CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA: OUÇO OS ESPÍRITOS: QUE FAZER?


Na sexta-feira, dia 11 de Julho, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema "Ouço os Espíritos: Que fazer?".Cada vez mais aparecem pessoas com capacidades paranormais, bem como com percepção extra-sensorial. Nestes casos, muitas vezes as pessoas deambulam de médico em médico em busca da cura de uma doença que não existe. A Doutrina Espírita explica como funciona essa faculdade do ser humano, como lidar com ela, sendo uma característica normal, um sexto sentido, à semelhança dos demais cinco sentidos.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=3&L=3&F=He e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.
Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


7 - CONFERÊNCIA EM BARCELOS

Realiza-se no próximo sábado, dia 12 de Julho, pelas 21H00, uma conferência subordinada ao tema: “Conceito Espírita de Oração”, que terá como expositor João Xavier de Almeida.
João Xavier de Almeida é aposentado da Função Pública, desenvolve actividades espíritas na região do Porto. Foi Presidente da Federação Espírita Portuguesa.
Esta conferência encerra o Ciclo de Conferências Espíritas organizado pela Associação Momentos de Sabedoria – Núcleo de Estudos Espíritas de Barcelos.Irá ter lugar, tal como todas as outras, nas instalações da sede da associação, sita à Rua Fernando de Magalhães, n.º 53, Barcelos (na rua ao fundo da Câmara Municipal, junto ao Museu de Olaria – Estacionar no Largo da escadaria do D. António Barroso / Igreja Matriz).


A entrada é livre e gratuita.
Contacto para informações: 96 121 84 94 (António Teixeira).
Fonte: António Teixeira (Barcelos)


8 - LEÇA DA PALMEIRA: PALESTRAS ESPÍRITAS


O N.E.R.V. – Núcleo Espírita Rosa dos Ventos, com sede na Travessa Fonte da Muda, 26, 4450 -672 Leça da Palmeira, convida-vos a estarem presente às sextas-feiras do mês de Julho, pelas 21H00, para o seguinte ciclo de palestras:


Dia 04 – Tema: “Reencarnação, Dádiva de Amor – Conferencista: Maria Áurea Rodrigues *

Dia 11 – Tema: Reuniões Mediúnicas de Caridade – Conferencista: Francisco Assis

Dia 18 – Tema: Desencarnação, Perda de Pessoas Amadas – Conferencista: José António LuzDia 25 – Tema Livre – Conferencista: António Augusto Fonseca
*(Já realizada)


Entrada livre e gratuita.
Mais informações em:NERV – Núcleo Espírita Rosa-dos-VentosTravessa Fonte da Muda, nº 264450-672 Leça da Palmeira E-mail nervespiritismo@yahoo.comSite: http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=3&L=1&F=H / Blog espírita: http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=3&L=9&F=H Telf. 229962395 - 965384111


Fonte: José António Luz

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Destruição dos seres vivos uns pelos outros


Destruição dos Seres Vivos uns Pelos Outros


20. A destruição recíproca dos seres vivos é uma das leis da Natureza, a qual, à primeira vista, menos parece conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se o porquê da necessidade de entre destruição, para que uns se nutram à custa dos outros.
Para aquele que não considera senão a matéria, que limita sua visão à vida presente, isso parecerá com efeito uma imperfeição na obra divina. É que em geral os homens julgam a perfeição de Deus por seu próprio ponto de vista; sua própria opinião é a medida de sua sabedoria, e pensam que Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fariam. Sua visão curta não lhes permite julgar o conjunto, e eles não compreendem que um bem real pode resultar de um mal aparente. O conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e da grande lei de unidade que constitui a harmonia da criação é o único que pode dar ao homem a chave desse mistério e lhe mostrar a sabedoria providencial e a harmonia, exactamente onde ele não enxergava senão uma anomalia e uma contradição.


21. A verdadeira vida, do animal, tal como a do homem, não se encontra no envoltório corporal, como também não se encontra em seu vestuário; ela está no princípio inteligente, que preexiste, e que sobrevive ao corpo. Este princípio tem necessidade do corpo para se desenvolver pelo trabalho que deve realizar sobre a matéria bruta; o corpo se gasta neste trabalho, mas o Espírito não se gasta; ao contrário, dele sai cada vez mais forte, mais lúcido e mais capaz. Que importa, pois, que o Espírito mude mais ou menos de envoltório! Nem por isso, ele será menos Espírito; é exactamente como se um homem renovasse cem vezes suas roupas no decurso de um ano; nem por isso, seria menos homem.
Pelo incessante espectáculo da destruição, Deus ensina aos homens o pouco apreço que devem dar a seu veículo material, e suscita neles a ideia da vida espiritual, fazendo com que eles a desejem como compensação.
Dir-se-á: e Deus não poderia chegar ao mesmo resultado por outros meios, sem obrigar os seres vivos a se entre destruírem? Se tudo é sabedoria em sua obra, devemos supor que esta sabedoria não deve apresentar falha neste ponto, assim como nos demais; se não a compreendemos, devemos experimentar procurar a justificativa, tomando por bússola este princípio: Deus deve ser infinitamente justo e sábio; procuremos pois, em tudo, sua justiça e sua sabedoria, e inclinemo-nos diante do que ultrapassa nosso conhecimento.


22. Uma primeira utilidade que se apresenta nesta destruição, utilidade puramente física, certamente, é esta: os corpos orgânicos não se alimentam senão com a ajuda de matérias orgânicas, uma vez que estas matérias são as únicas que contêm os elementos nutritivos necessários à sua transformação. Os corpos, instrumentos de acção do princípio inteligente, têm necessidade de ser incessantemente renovados; a Providência os faz servir a seu mútuo alimento; é por isso que os seres se nutrem uns dos outros; então, é o corpo que se nutre do corpo, porém o Espírito não se aniquilou, nem se alterou; apenas, despojou-se de seu invólucro. (2)


23. Além disso, há considerações morais de ordem mais elevada.
A luta é necessária ao desenvolvimento do Espírito; é na luta que ele exerce suas faculdades. Aquele que ataca a fim de obter seu alimento, e aquele que se defende para conservar sua vida, fazem uso da habilidade e da inteligência, e por isso mesmo, aumentam suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas o que é que, na realidade, o mais forte ou o mais hábil levou do mais fraco? Seu vestuário de carne, nada mais; o Espírito, que não morre, mais tarde retomará outra vestimenta.
Nos seres inferiores da criação, naqueles em que não existe o senso moral, nos quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não teria por móvel senão a satisfação de uma necessidade material; ora, uma das necessidades materiais mais imperiosas é a da nutrição; lutam, pois, unicamente para viver, isto é, para tomar ou defender uma presa, pois não seriam estimulados por um móvel mais elevado. É neste primeiro período que a alma se elabora e se ensaia na vida. No homem, há um período de transição no qual mal ele se distingue do bruto; nas primeiras idades, o instinto animal domina e a luta tem ainda por móvel, a satisfação das necessidades materiais; mais tarde, o instinto animal e o sentimento moral se contrabalançam, o homem então luta, não mais para se nutrir, mas para satisfazer sua ambição, seu orgulho, a necessidade de dominar; para isso, ainda lhe é necessário destruir. Porém, à medida que o senso moral predomina, a sensibilidade se desenvolve, a necessidade da destruição diminui; termina mesmo por se extinguir e por tornar-se odiosa; então, o homem passa a ter horror ao sangue.
Entretanto, a luta é sempre necessária ao desenvolvimento do Espírito, pois, mesmo chegado a este ponto que nos parece culminante, está longe de ser perfeito; não é senão à custa de sua actividade que ele adquire conhecimentos, experiência e que se despoja dos derradeiros vestígios da animalidade; mas a partir desse momento, a luta, que era sangrenta e brutal, torna-se puramente intelectual; o homem luta contra as dificuldades e não mais contra seus semelhantes. (3)


As doutrinas materialistas trazem em si, o princípio de sua destruição; contra elas, têm não somente seu antagonismo com as aspirações da universalidade dos homens e suas consequências morais, que as tornarão repulsivas, como dissolventes da sociedade, mas ainda a necessidade que se experimenta, de tomar em consideração tudo o que nasce do progresso. O desenvolvimento intelectual leva o homem à pesquisa das causas; ora, por pouco que ele reflicta, não demora a reconhecer a impotência do materialismo, a tudo explicar. Como jamais poderiam prevalecer doutrinas que não satisfazem o coração, nem a razão, nem a inteligência, que conservam problemáticas as questões mais vitais? O progresso das ideias matará o materialismo, como já extinguiu o fanatismo.


(2) Ver a (Revue Spirite, Agosto, 1864, pág. 241, "Extinção das raças").


(3) Sem nada pré-julgar a respeito das consequências que se poderiam extrair deste princípio, unicamente temos pretendido demonstrar, mediante esta explicação, que a destruição dos seres vivos, uns pelos outros, em nada enfraquece a sabedoria divina, e que tudo se encadeia nas leis da natureza. Este entrelaçamento é necessariamente rompido se fizermos abstracção do princípio espiritual; devido a isto é que tantas perguntas ficam sem resposta, se apenas considerarmos a matéria.


Referencia: A génese

O instinto e a inteligência



O Instinto e a Inteligência


11. Que diferença existe entre o instinto e a inteligência? Onde termina um e começa a outra? Será o instinto uma inteligência rudimentar, ou uma faculdade distinta, um atributo exclusivo da matéria?
O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos à realização de actos espontâneos e involuntários, em vista à sua conservação. Nos actos instintivos, não há reflexão, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, gira em direcção à luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutritiva; que a flor se abre e se fecha alternativamente, segundo sua necessidade; que as plantas trepadeiras se enrolam em torno de seu apoio; ou se enroscam com suas gavinhas. É pelo instinto que os animais são advertidos do que lhes é útil ou prejudicial; que, nas estações propícias, se movimentam em direcção aos climas propícios; que, sem lições preliminares, constroem, com mais ou menos arte, segundo as espécies, acomodações macias e abrigos para sua descendência, ou armadilhas para prender a presa de que se nutrem; que manejam com habilidade as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que a mãe incuba seus filhotes e que estes procuram o seio materno. Quanto ao homem, o instinto domina com exclusividade, no começo da vida; é pelo instinto que o infante faz seus primeiros movimentos, que agarra seu sustento, que chora para exprimir suas necessidades, que imita o som da voz, que ensaia a fala e o andar. Mesmo no adulto, certos actos são instintivos: os movimentos espontâneos para evitar um perigo, para se livrar de um desastre, para manter o equilíbrio; tais são ainda, o piscar das pálpebras para diminuir o brilho da luz, a abertura maquinal da boca para respirar, etc.


12. A inteligência se revela por actos voluntários, deflectidos, premeditados, combinados, segundo a oportunidade das circunstâncias. Incontestavelmente, isto é um atributo exclusivo da alma.
Todo acto maquinal é instintivo; o que denota reflexão, combinação, uma deliberação, é intelectivo; um é livre o outro não o é.
O instinto é um guia seguro, que jamais se engana; a inteligência, pelo facto de ser livre, é por vezes sujeita a erro.
Se o acto instintivo não tem o carácter do acto inteligente, não obstante, revela uma causa inteligente, essencialmente previdente. Admitindo que o instinto tem sua fonte na matéria será preciso admitir que a matéria é inteligente, e mesmo mais seguramente inteligente e previdente que a alma, eis que o instinto não se engana jamais, ao passo que a inteligência se engana.
Se considerarmos o instinto como uma inteligência rudimentar, como é que assim poderá ser, quando, em certos casos, ele se demonstra superior à inteligência racional? Como é que proporciona a possibilidade de executar coisa que a razão não pode produzir?
Se ele é o atributo de um princípio espiritual especial, o que é feito deste princípio? Depois que o instinto se apaga, esse princípio seria pois anulado? Se os animais apenas são dotados de instinto, seu futuro não tem saída; seus sofrimentos não teriam nenhuma compensação. Tal não seria conforme à justiça e à bondade de Deus. (Cap. II, Nº 19).


13. Segundo um outro sistema, o instinto e a inteligência teriam um único e mesmo princípio; chegado a um certo grau de desenvolvimento, este princípio, que começaria apenas com as qualidades do instinto, sofreria uma transformação que lhe conferiria as qualidades da inteligência livre.
Sendo assim, no homem inteligente que perde a razão, e apenas é guiado pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo; e, desde que recupere a razão, o instinto voltaria a ser inteligência, e assim alternativamente em cada acesso, o que não é admissível.
Além disso, a inteligência e o instinto se apresentam frequentemente ao mesmo tempo, no mesmo acto. Com o andar, por exemplo, as pernas se movem de modo instintivo; o homem coloca um pé adiante do outro, maquinalmente, sem nada considerar; porém, quando quer diminuir ou acelerar sua marcha, erguer o pé ou desviar-se para evitar um obstáculo, aí há cálculo, combinação; ele age de modo deliberado. O impulsionamento involuntário do movimento é o acto instintivo; a direcção calculada do movimento é o acto inteligente. O animal carniceiro é impelido pelo instinto a nutrir-se de carne; porém, as precauções que ele toma, as quais variam segundo a circunstâncias, a fim de agarrar sua presa, sua previsão com relação às eventualidades, são actos de inteligência.


14. Uma outra hipótese que, por fim, alia-se perfeitamente à ideia da unidade de princípio, ressalta do carácter essencialmente previdente do instinto, e concorda com o que o Espiritismo nos ensina, a respeito das relações do mundo espiritual e do mundo corporal.
Actualmente, sabe-se que há Espíritos desencarnados que têm por missão velar sobre os encarnados, de quem são protectores e guias; que eles os rodeiam com seus eflúvios fluídicos; que o homem age de maneira inconsciente sob a acção de tais eflúvios.
Por outro lado, sabe-se que o instinto, que por si próprio produz actos inconscientes, predomina nas crianças, e em geral nas criaturas cuja razão é fraca. Ora, segundo esta hipótese, o instinto não seria um atributo da alma, nem da matéria; não pertenceria propriamente ao ser vivo, mas sim, seria um efeito da acção directa dos protectores invisíveis que supririam a imperfeição da inteligência, provocando eles mesmos os actos inconscientes necessários à conservação do ser. Seria como os suspensórios com as quais se sustenta a criança que ainda não sabe andar. No entanto, da mesma forma que se suprime gradualmente o uso dos suspensórios, à medida que a criança se sustenta por si, os Espíritos protectores deixam seus protegidos entregues a si mesmos, à medida em que eles possam se guiar por sua própria inteligência.
Assim, o instinto, longe de ser o produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, seria o efeito de uma inteligência estranha na plenitude de sua força; seria uma inteligência protectora, que supriria a insuficiência, seja de uma inteligência mais jovem, que ela impediria à realização inconsciente de seu bem, que ainda seria incapaz de obter por si própria, seja de uma inteligência madura, mas momentaneamente entravada no uso de suas faculdades, o que ocorre no homem em sua infância, e no caso de idiotia, ou de afecções mentais.
Proverbialmente se diz que há um deus para as crianças, os loucos e os bêbados; este ditado é mais certo do que por vezes se crê; este deus não é senão o Espírito protector que vela sobre o ser, incapaz de se proteger por sua própria razão.


15. Nesta ordem de ideias, pode-se ir mais longe. Esta teoria, embora seja racional, não resolve todas as dificuldades da questão.
Se observarmos os efeitos do instintivo, nota-se a princípio uma unidade de vista e de conjunto, uma segurança de resultados que não existem mais, desde que o instinto seja substituído pela inteligência livre; além disso, na adequação tão perfeita e tão constante das faculdades instintivas às necessidades de cada espécie, reconhecemos uma profunda sabedoria. Esta unidade de vistas não poderia existir sem a unidade de pensamento, e a unidade de pensamento é incompatível com a diversidade das aptidões individuais; somente ela poderia produzir este conjunto tão perfeitamente harmonioso que se estende desde a origem dos tempos e em todos os climas, com regularidade e precisão matemáticas, sem falhar jamais. A uniformidade no resultado das faculdades instintivas é um traço característico, que implica necessariamente na unicidade da causa; se esta causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instinto quantos indivíduos há, desde a planta até o homem. Um efeito geral, uniforme e constante, deve ter uma causa geral, uniforme e constante; um efeito que demonstra a sabedoria e a previdência deve ter uma causa sábia e previdente. Ora, uma causa sábia e previdente será necessariamente inteligente, e não pode ser exclusivamente material.
Não se encontrando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessárias para produzir tal resultado, é preciso subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportarmos à explicação que foi dada sobre a maneira pela qual se pode conceber a acção providencial (Cap. II, nº 24), se figurarmos todos os seres como penetrados pelo fluido divino, soberanamente inteligente, logo se compreenderá a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos para o bem de cada indivíduo. Essa solicitude é tanto mais activa quanto o indivíduo tenha menos recursos em si mesmo e em sua própria inteligência; é por isso que ela se mostra maior e mais absoluta com os animais e com os seres inferiores do que com o homem.
Conforme esta teoria, compreende-se que o instinto seja um guia certo e seguro. O instinto material, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atractivas da matéria, acha-se novamente elevado e enobrecido. Em razão de suas consequências, não seria preciso que ele fosse entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre-arbítrio. Através do órgão da mãe, o próprio Deus vela sobre suas criaturas nascentes.


16. Esta teoria não destrói de modo nenhum o papel dos Espíritos protectores, cujo concurso é um facto verificado e provado pela experiência; porém, deve-se notar que a acção deles é essencialmente individual, que ela se modifica segundo as qualidades próprias do protector e do protegido, e que não tem parte alguma na uniformidade e na generalidade do instinto. Deus, em sua sabedoria, conduz os cegos, mas confia à inteligência livre o cuidado de conduzir os que enxergam, para deixar a cada um a responsabilidade de seus actos. A missão dos Espíritos protectores é um dever que eles aceitam voluntariamente, e que para eles é um meio de progresso, segundo a maneira pela qual a executam.


17. Todas essas maneiras de considerar o instinto são necessariamente hipotéticas, e nenhuma delas tem um carácter suficiente de autenticidade para ser dada como solução definitiva. A questão será certamente resolvida algum dia, quando se houver reunido os elementos de observação que agora ainda faltam; até então, é preciso que nos limitemos a apresentar as opiniões diversas ao cadinho da razão e da lógica e aguardar que se faça a luz; a solução que mais se aproxima da verdade será necessariamente aquela que melhor corresponda aos atributos de Deus, isto é, à sua soberana bondade e à sua soberana justiça (Cap. II, nº 19).


18. O instinto é o guia e as paixões são as molas das almas no primeiro período de seu desenvolvimento, e por isso são por vezes confundidos em seus efeitos. No entanto, há entre estes dois princípios diferenças que é preciso considerar.
O instinto é um guia seguro, sempre bom; num certo tempo, pode tornar-se inútil, porém jamais nocivo; enfraquece, pela predominância da inteligência.
As paixões, nas primeiras idades da alma, têm isso de comum com o instinto, que os seres são por elas solicitados por uma força igualmente inconsciente. Elas nascem mais particularmente das necessidades do corpo, e mais que o instinto, se prendem ao organismo. O que as distingue do instinto, sobretudo, é que são individuais e não produzem efeitos gerais e uniformes, como este; ao contrário, vemos que elas variam de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. Elas são úteis, como estimulantes, até que se dê a eclosão do senso moral, o qual, de um ente passivo, faz um ser razoável; nesse momento, elas se tornam não só inúteis, mas também prejudiciais ao progresso do Espírito de quem retardam a desmaterialização; elas se enfraquecem com o desenvolvimento da razão.


19. O homem que não agisse senão pelo instinto, de modo constante, poderia ser bom, mas deixaria dormir sua inteligência; seria como o menino que não abandonasse os suspensórios e não saberia servir-se de seus membros. Aquele que não se assenhoreia de suas paixões pode ser muito inteligente, mas ao mesmo tempo, poderá ser muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões não são domadas senão pelo esforço da vontade.


Referencia: A génese

sábado, 5 de julho de 2008

O cristo consolador


O cristo consolador


O Jugo Leve


1. Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI:28-30).


2. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei".
Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele ensina: seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade.
Consolador Prometido


3. Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, por que ele ficará convosco e estará em vós. _ Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17; 26).


4. Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pôde dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo. O Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: "que ouçam os que têm ouvidos para ouvir". O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositadamente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objectivo útil a todas as dores.
Disse o Cristo: "Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados". Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?
O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objectivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem para ir até o fim do caminho.
Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.


Espírito da Verdade Paris, 1860


5. Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis!"
Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e recta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.
Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.
Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.
Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além-túmulo, que acreditáveis vazio, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!


Espírito da Verdade
Paris, 1861


6. Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor estava presente no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.
Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objectivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são frequentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.


Espírito da Verdade
Bourdeaux, 1861


7. Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos predilectos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo, através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dóceis aos Espíritos do Senhor. Invocai-O do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!


Espírito da Verdade
Havre, 1861


8. Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamente e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender esta verdade, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos morais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque eles resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranquilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.


Referencia: O evangelho segundo o espiritismo

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Doutor Muhr


O doutor Muhr


Morto do Cairo, em 4 de Junho de 1857. - Evocado a pedido do senhor Jobard. Era, disse ele, um Espírito muito elevado em sua vida; médico homeopata; um verdadeiro apóstolo espírita; deve estar pelo menos em Júpiter.

1. Evocação. - R. Estou aqui.

2. Teríeis a bondade de nos dizer onde estais?

- R. Eu estou errante.

3. Foi no dia 4 de Junho deste ano que morrestes?

- R. Foi no ano passado.

4. Lembrai-vos do vosso amigo, o senhor Jobard?

- R. Sim, estou frequentemente perto dele.

5. Quando eu lhe transmitir essa resposta, isso o fará feliz,
porque ele tem sempre uma grande afeição por vós?

- R. Eu o sei; esse Espírito me é dos mais simpáticos.

6. Que entendeis, em vossa vida, pelos gnomos?

- R. Entendia por seres que podiam se materializar e tomar formas fantásticas.

7. Credes nisso sempre?
- R. Mais do que nunca; disso tenho agora a certeza; mas gnomo é uma palavra que pode parecer ter muito da magia; gosto melhor de dizer agora Espírito em
vez de gnomo.

Nota. - Durante a sua vida, ele acreditava nos Espíritos e em suas manifestações; somente que os designava sob o nome de gnomos, ao passo que agora ele se serve da expressão mais genérica de Espírito.

8. Credes ainda que esses Espíritos, que chamáveis gnomos durante vossa vida, possam tomar formas materiais fantásticas?

-R. Sim, mas sei que isso não se faz frequentemente,
porque há pessoas que poderiam se tornar loucas se vissem as aparências que esses Espíritos podem tomar.

9. Quais aparências podem tomar?

- R. Animais: diabos.

10. É uma aparência material tangível, ou uma pura aparência como nos sonhos ou nas visões?

- R. Um pouco mais material do que nos sonhos; as aparições que poderiam muito amedrontar não podem ser tangíveis; Deus não o permite.

11. A aparição do Espírito de Bergzabem, sob forma de homem ou de animal, era dessa natureza?

- R. Sim, e desse género.

Nota. - Não sabemos se, em sua vida, ele acreditava que os Espíritos podiam tomar uma forma tangível; mas é evidente que agora ele entende falar da forma vaporosa e impalpável das aparições.

12. Credes que quando reencarnardes, ireis a Júpiter?

- R. Irei para um mundo que não se iguala ainda com Júpiter.

13. Será por vossa própria escolha que ireis para um mundo inferior a Júpiter, ou por que não mereceis ainda ir para esse planeta?

- R. Prefiro acreditar não merecê-lo, e cumprir uma
missão em um mundo menos avançado. Sei que chegarei à perfeição, é o que faz com que eu goste mais de ser modesto.

Nota. - Essa resposta é uma prova da superioridade desse Espírito; ela concorda com que nos disse o padre Ambroise: que há mais mérito em pedir uma missão num mundo inferior, que querer avançar muito depressa num mundo superior.

14. O senhor Jobard nos pede vos perguntar se estais satisfeito com o artigo necrológico que escreveu sobre vós?

- R. Jobard me deu uma nova prova de simpatia, escrevendo isso; eu lhe agradeço muito, e desejo que o quadro, um pouco exagerado de virtudes e de talentos
que ele fez, possa servir de exemplo àqueles que, dentre vós, seguem o rastro do progresso.

15. Uma vez que, em vossa vida, eras homeopata, que pensais agora da homeopatia?

- R. Homeopatia é o começo das descobertas de fluidos latentes. Muitas outras descobertas tão preciosas se farão e formarão um todo harmonioso, que conduzirá vosso globo à perfeição.

16. Que mérito dais ao vosso livro intitulado: O Médium c/o povo?

- R. E a pedra do obreiro que dei à obra.

Nota. - A resposta desse Espírito sobre a homeopatia vem em apoio da ideia dos fluidos latentes que já nos foi dada pelo Espírito do senhor Badel, com respeito à sua imagem
fotografada. Disso resulta que há fluidos cujas propriedades nos são desconhecidas ou passam desapercebidas, porque sua acção não é ostensiva, mas nem por isso menos real; a
Humanidade se enriquece de conhecimentos novos, à medida que as circunstâncias lhe fazem conhecer suas propriedades.

Revista Espírita, Novembro de 1858