Mostrando postagens com marcador aflições. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aflições. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de junho de 2007

o bem e o mal


O bem e o mal

autor desconhecido


Os males de toda sorte, físicos ou morais, que afligem a humanidade se apresentam em duas categorias que importa distinguir: são os males que o homem pode evitar e os que são independentes de sua vontade. Entre esses últimos é preciso colocar os flagelos naturais.
O homem recebeu como dote uma inteligência com a ajuda da qual pode afastar, ou pelo menos atenuar grandemente os efeitos de todos os flagelos naturais; quanto mais adquire saber e avança em civilização, menos esses flagelos são desastrosos; com uma organização social sabiamente previdente, poderá mesmo neutralizar as consequências, ainda que não possam ser evitadas inteiramente. Assim mesmo esses flagelos que terão sua utilidade na ordem geral da natureza no futuro, mas que também afligem no presente, Deus deu ao homem meios de paralisar seus efeitos, pelas faculdades das quais tem sido dotado seu Espírito.


Devendo o homem progredir, os males aos quais está exposto são um estimulante para o exercício de sua inteligência, de todas suas faculdades físicas e morais, incitando-o à busca dos meios de se sustentar. Se não tivesse nada a temer, nenhuma necessidade, não iria à procura do melhor; seu espírito se embotaria na inactividade; não inventaria nada e não descobriria nada. A dor é o aguilhão que impulsiona o homem para adiante na via do progresso.


Mas os males mais numerosos são aqueles que o homem cria por seus próprios vícios, aqueles que provém de seu orgulho, de seu egoísmo, de sua ambição, de sua cupidez e de seus excessos em todas as coisas: aí está a causa das guerras e das calamidades que acarretam, das dissensões, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte e enfim da maior parte das doenças.


Deus estabeleceu leis plenas de sabedoria que não têm por objectivo senão o bem; o homem encontra nele mesmo tudo o que precisa para as seguir; seu caminho está traçado por sua consciência; a lei divina está gravada no seu coração; e, além disso, Deus o faz recordá-la sem cessar, por seus Messias e profetas, por todos os Espíritos encarnados que têm recebido a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nesses últimos tempos, pela multidão de Espíritos desencarnados que se manifestam de todas as partes. Se o homem se conformasse rigorosamente às leis divinas, não há dúvida que evitaria os males mais pungentes e que viveria feliz sobre a Terra. Se não o faz, é em virtude de seu livre arbítrio, e disso sofre as consequências.


Mas Deus, pleno de bondade, colocou o remédio ao lado do mal, isto quer dizer que mesmo do mal ele faz sair o bem. Chega um momento em que o excesso do mal moral se torna intolerável e faz ao homem sentir a necessidade de mudar de vida; instruído pela experiência, é impulsionado a procurar um remédio no bem, sempre por efeito de seu livre arbítrio; quando entra em um caminho melhor, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro caminho. A necessidade o constrange então a se melhorar moralmente visando ser mais feliz, da mesma forma como esta mesma necessidade o tem constrangido a melhorar as condições materiais de sua existência.


Pode-se dizer que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. O mal não é um atributo distinto tanto quanto o frio não é um fluido especial; um é o negativo do outro. Aí onde o bem não existe, existe forçosamente o mal; não fazer o mal já é o começo do bem. Deus não quer senão o bem; apenas do homem vem o mal. Se houvesse, na criação, um ser predisposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas sendo o homem ELE MESMO a causa do mal, e tendo ao mesmo tempo seu livre arbítrio e por guia as leis divinas, ele o evitará quando quiser.
Se estudarmos todas as paixões, e mesmo todos os vícios, vemos que eles têm seu princípio no instinto de conservação. Este instinto existe em toda sua força nos animais e nos seres primitivos que se aproximam mais da animalidade; aí domina sozinho, porque, entre eles, não há ainda por contrapeso o senso moral; o ser ainda não nasceu para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, ao contrário, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.


O destino do Espírito é a vida espiritual; mas nas primeiras fases de sua existência corporal, ele tem apenas as necessidades materiais a satisfazer, e para este fim o exercício das paixões é uma necessidade para a conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas saído deste período, tem outras necessidades, necessidades de início semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito domina a matéria; se conseguir sacudir o jugo, avança na sua via providencial e aproxima-se de seu destino final. Se, ao contrário, se deixa dominar por ela, retarda-se continuando assemelhado ao bruto. Nesta situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade de sua natureza, se torna um mal, não somente por não ser mais uma necessidade, mas porque se torna nocivo à espiritualização do ser. O que é qualidade entre as crianças, se torna defeito entre os adultos. O mal é assim relativo, e a responsabilidade é proporcional ao grau de adiantamento.


Todas as paixões têm, então, sua utilidade providencial. É o abuso que constitui o mal, e o homem abusa em virtude de seu livre arbítrio. Mais tarde, esclarecido por seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.


Vale a pena anotar:
- O mal não tem existência própria. Ele é o estado de inferioridade e de ignorância do ser em via de evolução.


Para saber mais :
O Problema do ser e do destino de Léon Denis (2ª parte, Cap. XVIII, O problema do mal)
A Génese, os milagres e as predições de Allan Kardec (Cap. III, O bem e o mal)
O ser subconsciente do Dr Gustave Geley (2ª parte, Cap. I, Explicação do mal)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

função e necessidade do sofrimento


Função e necessidade do sofrimento

autor desconhecido

O sofrimento é um fenómeno de tal amplitude e gravidade que é extremamente delicado abordá-lo, tanto por aqueles que não experimentando alguma sensação de sofrimento o receiam e assim o descartam, quanto por aqueles que vitimados pela dor, têm como único desejo obter um apaziguamento.


A dor física é, mais frequentemente, um aviso da natureza que procura nos preservar dos excessos. Sem ela abusaríamos de nossos órgãos a ponto de os destruir antes da hora. Quando um mal perigoso penetra em nós que ocorreria se não lhe sentíssemos logo os efeitos desagradáveis? Ele avançaria pouco a pouco, nos invadindo e exauriria em nós as fontes da vida.
E mesmo quando, persistindo em desconhecer os avisos repetidos da natureza, deixamos a doença se desenvolver em nós, ela pode ser ainda um benefício se, causada por nossos abusos e vícios, nos ensinar a detestá-los e a nos corrigirmos. É preciso sofrer para se conhecer e para bem conhecer a vida. Epicteto dizia: «É uma falsa ideia pretender que a saúde é um bem e a doença um mal. Usar bem a saúde é um bem; e usar mal é um mal. Usar bem a doença é um bem; e usar mal é um mal. Tira-se o bem de tudo, mesmo da morte».


A dor, sob suas múltiplas formas, é o remédio supremo para as imperfeições e as enfermidades da alma. Sem ela nenhuma cura seria possível. Da mesma forma que as doenças orgânicas são com frequência o resultado de nossos excessos, as experiências morais que nos atingem são resultantes de nossas faltas passadas. Cedo ou tarde, essas faltas recaem sobre nós com suas consequências lógicas. É a lei da justiça e do equilíbrio moral. Saibamos aceitar os efeitos como aceitamos os remédios amargos e as operações dolorosas que devem restituir a saúde e a agilidade ao nosso corpo. Ainda mesmo que o desgosto, as humilhações e a ruína nos oprimam, suportemo-las com paciência. O trabalhador dilacera o seio da terra para fazer brotar a colheita dourada. Assim, de nossa alma dilacerada surgirá uma abundante colheita moral. Então, não é por vingança que a lei nos atinge, mas porque é bom e proveitoso sofrer.


O primeiro movimento do homem infeliz é se revoltar sob os golpes da sorte. Mas, mais tarde, quando o espírito já escalou os declives e contempla o áspero caminho percorrido, o desfilar de suas existências, é com um enternecimento alegre que recordará as provas e tribulações com ajuda das quais pode galgar os mais altos cumes.


Se nas horas de provação soubermos observar o trabalho interior, a acção misteriosa da dor em nós, em nosso eu, em nossa consciência, compreenderemos melhor sua sublime obra de educação e de aperfeiçoamento. Veremos que ela atinge sempre o ponto sensível. A mão que dirige o cinzel é a de um artista incomparável; não deixa de agir até que os ângulos de nosso carácter estejam aparados, polidos e gastos. Para isso, ela volta à carga tantas vezes quantas sejam necessárias. E por seus golpes repetidos, a arrogância e a personalidade excessiva de alguns deverão cair; a fraqueza, a apatia e a indiferença deverão desaparecer de outros; a dureza, a cólera e o furor de outros ainda. Para todos haverá diferentes procedimentos, variados ao infinito, conforme os indivíduos, mas em todos agirá com eficácia, de maneira a fazer nascer ou desenvolver a sensibilidade, a delicadeza, a bondade, a ternura e a fazer sair das dilacerações e das lágrimas qualquer qualidade desconhecida que dormia silenciosa no fundo do ser, ou aquela nobreza nova, adorno da alma, adquirida espontaneamente.


E quanto mais sobe, engrandece e se faz bela, mais a dor se espiritualiza e se torna subtil. Aos malvados são precisas provas numerosas, como a árvore precisa de muitas flores para produzir algum fruto. Mas quanto mais o ser humano se aperfeiçoa, mais os frutos da dor se tornam admiráveis nele. Às almas impolidas, mal desbastadas, incumbem os sofrimentos físicos e as dores violentas; aos egoístas e aos avaros caberão as perdas de fortuna, as negras inquietudes e os tormentos do espírito. Depois aos seres delicados, às mães, aos amantes e às esposas, as torturas escondidas e as mágoas do coração. Aos nobres pensadores e aos inspirados, a dor subtil e profunda que faz brotar o gemido sublime, o clarão do génio!


Por muito tempo ainda, a humanidade terrestre, ignorante das leis superiores e inconsciente do porvir e do dever, terá necessidade da dor, para estimulá-la na sua vida e para transformar o que predomina nela, os instintos primitivos e grosseiros em sentimentos puros e generosos. Por muito tempo o homem deverá passar pela iniciação amarga para chegar ao conhecimento de si mesmo e de seu objectivo. Ele sonha presentemente apenas em aplicar suas faculdades e sua energia em combater o sofrimento sobre o plano físico, em aumentar o bem-estar e a riqueza e em tornar mais agradáveis as condições da vida material. Mas isso será em vão. Os sofrimentos poderão variar, se deslocar, mudar de aspecto, mas a dor persistirá enquanto o egoísmo e o interesse regerem as sociedades terrestres, o pensamento se esquivar das coisas profundas e enquanto a flor da alma não tiver desabrochado.


Todas as doutrinas económicas e sociais serão impotentes para reformar o mundo e para aliviar os males da Humanidade, porque sua base é muito estreita e porque colocaram na vida presente unicamente a razão de existir, o objectivo de viver e de todos os nossos esforços. Para extinguir o mal social é preciso elevar a alma humana à consciência de sua função, fazê-la compreender que sua sorte depende somente dela, e que sua felicidade será sempre proporcional à extensão de seus triunfos sobre si mesma e de seu desenvolvimento em direcção aos outros.


Deve-se colocar um termo às provas de seu próximo quando se o pode, ou é preciso, por respeito aos desígnios de Deus, deixá-los seguir seu curso?


Nós temos dito e repetido bastante frequentemente que vocês estão sobre esta terra de expiação para terminar suas provas, e que tudo o que lhes chega é uma consequência de suas existências anteriores, o juro da dívida que vocês têm de pagar. Mas este pensamento provoca entre certas pessoas reflexões que é necessário impedir, porque poderiam ter consequências funestas.
Qualquer um pensa que desde o momento que se está sobre a terra para expiar, é preciso que as provas tenham seu curso. Alguns mesmo chegam até a acreditar que, não é preciso apenas nada fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, deve-se contribuir para torná-las mais proveitosas fazendo-as mais vivas. É um grande erro. Sim, suas provas devem seguir o curso que Deus lhe traçou, mas vocês conhecem esse curso? Sabem até que ponto elas devem ir, e se seu Pai misericordioso não disse ao sofrimento de tal ou qual de seus irmãos: «Você não irá mais longe»? Sabem se a providência não os escolheu, não como um instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo de consolação que deve cicatrizar as chagas que sua justiça tinha aberto? Não digam então, quando virem um de seus irmãos aflitos: É a justiça de Deus, é preciso que ela tenha seu curso; mas digam, ao contrário: Vejamos que meio nosso Pai misericordioso colocou em meu poder para suavizar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se minhas consolações morais, meu apoio material, meus conselhos, não poderão ajudá-lo a transpor esta prova com mais força, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não colocou em minhas mãos o meio de fazer cessar esse sofrimento; se não me foi dado, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substitui-lo pela paz.


Ajudem-se então sempre nas suas provas respectivas, e não se considerem jamais como instrumentos de tortura; este pensamento deve revoltar todo homem de coração, todo espírita sobretudo; porque o espírita, melhor que qualquer outro, deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus. O espírita deve pensar que sua vida inteira deve ser um acto de amor e de devotamente; que o quer que se possa fazer para contrariar as decisões do Senhor, sua justiça seguirá seu curso. Ele pode então, sem medo, fazer todos seus esforços para adoçar a amargura da expiação, mas é Deus somente quem poderá detê-la ou prolongá-la conforme seu julgamento a respeito.


Não seria um grande orgulho da parte do homem, se acreditar no direito de revolver, por assim dizer, a arma na ferida? De aumentar a dose de veneno no peito daquele que sofre, sob pretexto de que tal é sua expiação? Oh! Considerem-se sempre como um instrumento escolhido para cessar o sofrimento. Resumamo-nos aqui: vocês estão todos sobre a Terra para expiar; mas todos, sem excepção, devem fazer todos os esforços para suavizar a expiação de seus irmãos, segundo a lei de amor e de caridade.

Para saber mais:

O Problema do ser e do destino de Léon Denis (3ª parte, Cap. XXVI, A dor)
O Problema do ser e do destino de Léon Denis (3ª parte, Cap. XXVII, Revelação pela dor)
O Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec (Cap. V, Bem-aventurados os aflitos)
Após a morte de Léon Denis (5ª parte, Cap. L, Resignação na adversidade)
O Espiritismo, que sabemos? de USFF (Cap. XXVI, A quem corresponde o sofrimento)
Espiritualismo versus a luz de Louis Serré (Cap. VI, O mal, o bem, o sofrimento)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

causa das aflições




Causa das Aflições
Sérgio Biagi Gregório

RESUMO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. Dor e Sofrimento: 4.1. Especificando os Termos; 4.2. Necessidade da Dor; 4.3. Tipos de Dor. 5. Lei de Acção e Reacção: 5.1. Tempo; 5.2. O Merecimento. 6. Causas das Aflições: 6.1. Causas Actuais das Aflições; 6.2. Causas Anteriores das Aflições; 6.3. Justiça das Aflições. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Por que tanto sofrimento ao redor de nossos passos? Por que uns nascem na miséria e outros na opulência? Por que para uns tudo dá certo e para outros não? Estas são algumas dentre as muitas questões que ficam sem resposta lógica, quando analisamos a vida do ponto de vista de uma única encarnação. Olhemos a vida numa perspectiva mais ampla e obteremos respostas para todas essas dúvidas.

2. CONCEITO

Aflição - do latim afflictione. 1. Agonia, atribulação, angústia, sofrimento. 2. Tristeza, mágoa, pesar, dor. 3. Cuidado, preocupação, inquietação, ansiedade. 4. Padecimento físico; tormento, tortura. (Dicionário Aurélio)

Aflição, na essência, é o reflexo intangível do mal forjado pela criatura que o experimenta, e todo mal representa vírus de alma susceptível de alastrar-se ao modo de epidemia mental devastadora.

Frequentemente, aflição é a nossa própria ansiedade, respeitável mas inútil, projectada no futuro, mentalizando ocorrências menos felizes que, em muitos casos, não se verificam como supomos e, por vezes, nem chegam a surgir. (Equipe FEB, 1997)

3. HISTÓRICO

O ser humano, premido pela necessidade, sempre buscou inventar aparelhos que lhe possibilitassem viver melhor. No que tange à dor, os antropólogos descobriram, já na Antiguidade, diversos instrumentos de cura. De lá para cá, as descobertas de novas técnicas se incrementaram. Foram inventados os raios-X, a anestesia, o laser e outros. Tudo para melhorar a saúde dos habitantes deste planeta.

4. DOR E SOFRIMENTO

4.1. ESPECIFICANDO OS TERMOS

Dor e Sofrimento — a simples reflexão sobre a dor e o sofrimento basta para evidenciar que eles têm uma razão de ser muito profunda. A dor é um alerta da natureza, que anuncia algum mal que está nos atingindo e que precisamos enfrentar.

Se não fosse a dor sucumbiríamos a muitas doenças sem sequer nos dar conta do perigo. O sofrimento, mais profundo do que a simples dor sensível e que afecta toda a existência, também tem a sua razão de ser. É através dele que o homem se insere na vida mística e religiosa. (Idígoras, 1983)

4.2. NECESSIDADE DA DOR

A dor física anuncia que algo em nós não vai bem e precisa de melhora. Embora sempre queiramos fugir dela, ela nos oferece a oportunidade de reflexão — volta para o nosso interior —, objectivando o conhecimento de nós mesmos.

Dada a grande coerência da dor, tanto sofrem os grandes génios e como as pessoas mais apagadas. Nesse sentido, observe o sofrimento anónimo daqueles que dão exemplo de santidade aos que lhe sentem os efeitos, mesmos ocultos e sigilosos.

4.3. TIPOS DE DOR

O processo de crescimento espiritual está associado à dor e ao sofrimento. De acordo com o Espírito André Luiz, a dor pode ser vista sob três aspectos:

1) Dor-expiação — que vem de dentro para fora, marcando a criatura no caminho dos séculos, detendo-a em complicados labirintos de aflição, para regenerá-la, perante a justiça. É consequência de nosso desequilíbrio mental, ou proceder desviado da rota ascensional do espírito. Podemos associá-la às encarnações passadas. Muitas vezes é o resgate devido ao mau uso de nosso livre-arbítrio.

2) Dor-evolução — que actua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não existiria progresso. Na dor-expiação estão associados o remorso, o arrependimento, o sentimento de culpa etc. Na dor-evolução estão associados o esforço e a resistência ao meio hostil. Enquanto a primeira é consequência de um acto mau, a segunda é um fortalecimento para o futuro.

3) Dor-Auxílio — são as prolongadas e dolorosas enfermidades no envoltório físico, seja para evitar-nos a queda no abismo da criminalidade, seja, mais frequentemente, para o serviço preparatório da desencarnação, a fim de que não sejamos colhidos por surpresas arrasadoras, na transição para a morte. O enfarte, a trombose, a hemiplegia, o câncer penosamente suportado, a senilidade prematura e outras calamidades da vida orgânica constituem, por vezes, dores-auxílio, para que a alma se recupere de certos enganos em que haja incorrido na existência do corpo denso, habilitando-se, através de longas reflexões e benéficas disciplinas, para o ingresso respeitável na vida espiritual (Xavier, 1976, p. 261 e 262)

5. LEI DA AÇÃO E REAÇÃO

O que é uma causa? É algo que origina um efeito. Por exemplo: qual a causa do leite? A vaca. Qual a causa da manteiga? O leite. Mas todas essas causas estão sujeitas a um princípio. Quando estamos falando de causa e efeito, estamos falando de tempo.

5.1. TEMPO

Que é o tempo? Sucessão de coisas ou de acontecimentos, que se expressam em termos de presente, passado e futuro. Embora na sua concepção infinita de tempo, o passado, o presente e o futuro se confundem, não há dúvida de que o ontem foi passado, o hoje é o presente e o amanhã o futuro.

Axioma: dada uma causa, o efeito se realiza necessariamente.
Importante: passagem do tempo, ou seja, podemos modificar a causa e concomitantemente o efeito.

5.2. O MERECIMENTO

Um exemplo clássico da Doutrina está na história da pessoa que perdeu o dedo, mas deveria ter perdido o braço.

Esta história foi retratada pelo Espírito Hilário Silva, no capítulo 20 do livro A Vida Escreve, psicografada por F. C. Xavier e Waldo Vieira, no qual descreve o facto de Saturnino Pereira que, ao perder o dedo junto à máquina de que era condutor, se fizera centro das atenções: como Saturnino, sendo espírita e benévolo para com todas as pessoas, pode perder o dedo? Parecia um facto que ia de encontro com a justiça divina. Contudo, à noite, em reunião íntima no Centro Espírita que frequentava, o orientador espiritual revelou-lhe que numa encarnação passada havia triturado o braço do seu escravo num engenho rústico. O orientador espiritual assim lhe falou: "Por muito tempo, no Plano Espiritual, você andou perturbado, contemplando mentalmente o caldo de cana enrubescido pelo sangue da vítima, cujos gritos lhe ecoavam no coração. Por muito tempo, por muito tempo... E você implorou existência humilde em que viesse a perder no trabalho o braço mais útil. Mas, você, Saturnino, desde a primeira mocidade, ao conhecer a Doutrina Espírita, tem os pés no caminho do bem aos outros. Você tem trabalhado, esmerando-se no dever... Regozije-se, meu amigo! Você está pagando, em amor, seu empenho à justiça..."

6. CAUSAS DAS AFLIÇÕES

Faz parte do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cujo título é Bem-Aventurados os Aflitos, e abrange os itens de 3 a 10.
As causas das aflições devem ser procuradas tanto no presente (actual encarnação) como numa existência passada. Devemos partir do princípio de que elas são justas. Se assim não pensarmos, poderemos cair no erro de jogar a culpa nos outros ou em Deus. Quer dizer, tudo o que se nos acontece tem um motivo, embora nem sempre o saibamos explicar com clareza.

Assim sendo, toda vicissitude pode ser vista sob dois ângulos:

6.1. CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES

Aqui devemos reflectir sobre o sofrimento que nos visita, fazendo algumas indagações a respeito. Em caso de anemia — será que me descuidei da alimentação? No caso do filho escolher o caminho do vício — dei-lhe a devida educação, os cuidados necessários? No caso de uma querela familiar — será que não fui injusto para com tal pessoa?

"Que todos aqueles que são atingidos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida, interroguem friamente sua consciência; que remontem progressivamente à fonte dos males que os afligem, e verão se, o mais frequentemente, não podem dizer: Se eu tivesse, ou não tivesse, feito tal coisa eu não estaria em tal situação". (Kardec, 1984, p. 72)

6.2. CAUSAS ANTERIORES

Não encontrando uma resposta satisfatória na presente encarnação, devemos nos reportar à encarnação passada. "Os sofrimentos por causas anteriores são, frequentemente, como o das causas actuais, a consequência natural da falta cometida; quer dizer, por uma justiça distributiva rigorosa, o homem suporta o que fez os outros suportarem; se foi duro e desumano, ele poderá ser, a se turno, tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em uma condição humilhante; se foi avarento, egoísta, ou se fez mal uso da fortuna, poderá ser privado do necessário; se foi mal filho, poderá sofrer com os próprios filhos etc." (Kardec, 1984, p. 74)

A regra é básica: devemos procurar a origem dos males nesta mesma encarnação. Não encontrando indícios, retornemos a uma outra. Mesmo tendo o esquecimento do passado, fica-nos uma lembrança, uma intuição.

6.3. JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES

A dor não é castigo: é contingência inerente à vida, cuja actuação visa a restauração e o progresso.

A dor-expiação é cármica, de restauração, é libertação de carga que nos entrava a caminhada; é reajuste perante a vida, reposição da alma no roteiro certo. Passageira, nunca perene.

A dor-evolução, tem existência permanente, embora variável segundo as experiências vividas pelo espírito. Ela acompanha o desenvolvimento, é sua indicação, é sinal de dinamização, inevitável manifestação de crescimento. É a dor, na sua essência, uma vez que as outras são passageiras e evitáveis, mesmo que o Espírito se envolva em suas malhas, por séculos, às vezes.

Jesus, quando falava de dor, sede e fome, referia-se à dor-evolução, à dor ínsita no crescimento do Espírito impulsionado pela fome de aprender e pela sede de saber. (Curti, 1982, p. 39)

7. CONCLUSÃO

"Saibamos sofrer e sofreremos menos". Eis o dístico que devemos nos lembrar em todos os estados depressivos de nossa alma, a fim de nos fortalecermos para o futuro.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

• CURTI, R. Bem-Aventuranças e Parábolas. São Paulo, FEESP, 1982.
• EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
• FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.
• IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.
• KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
• XAVIER, F. C. Acção e Ração, pelo Espírito André Luiz. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.
• XAVIER, F. C., VIEIRA, W. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1978.