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quinta-feira, 7 de junho de 2007

origem da doutrina espírita


Origem da Doutrina Espírita

"E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós. ''Mas, aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" - (João, cap. 14 - 15 a 26).

3.0 - A GÊNESE DA DOUTRINA ESPÍRITA

A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, apareceu no cenário terreno no século XIX, por volta do ano de 1850. Suas raízes encontram-se nos princípios do Cristianismo, doutrina implantada por Jesus e seus seguidores, há quase dois mil anos. A Doutrina Espírita é o cumprimento da promessa do Senhor, na qual afirmou que enviaria ao mundo, no devido tempo, um Consolador, O Espírito de Verdade, que relembraria seus ensinamentos e faria novas revelações a respeito dos mistérios da vida. Em um de seus muitos discursos, Jesus disse que não poderia dizer todas as coisas, pois os homens ainda não tinham condições de entendimento para compreendê-las. No tempo certo, enviou o Espiritismo, que retirou o véu dos "mistérios" de Seus ensinamentos e ampliou sobremaneira o campo do conhecimento humano, despertando o Ser para um novo mundo. Nos séculos XVI e XVII, depois que a Reforma Protestante havia libertado a humanidade dos domínios da Igreja, formou-se um clima muito propício à fermentação de ideais renovadores. Foi neste período que iniciaram-se as primeiras manifestações de Espíritos, chamando a atenção do homem de então e preparando o terreno para o advento do Consolador. No século XIX, nascia o Espiritismo, considerada a terceira revelação. Com ele vieram as novas lições acerca do sentido da vida, da dor, da justiça e sobre o destino dos homens depois da morte. Allan Kardec afirmou que: "Partindo o Espiritismo das próprias palavras do Cristo, assim como o Cristo partiu de Moisés, é um sequência directa de sua doutrina" - (Revista Espírita, Setembro, 1867).

3.1 - ASPECTOS HISTÓRICOS

a) Emmanuel Swedenborg

Embora oficialmente os espíritas tomem o ano de 1848, com o fenómeno de Hydesville, como o marco do aparecimento do Espiritismo no mundo, precisamos saber que, antes disso, existiram algumas pessoas que, pela sua capacidade de produzir fenómenos ligados às coisas espirituais, devem ser citadas como de importância para o surgimento desta Doutrina entre os homens. A história do extraordinário vidente sueco Emmanuel Swedenborg merece atenção e estudo de nossa parte. Swedenborg, educado entre a nobreza sueca, era católico e profundo estudioso da Bíblia. Era grande autoridade em Física e Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre as marés e determinação das latitudes. Zoologista, anatomista, financista e político, era ainda engenheiro de minas, com grande conhecimento em metalurgia. O desabrochar de seu potencial mediúnico deu-se em Abril de 1744, em Londres, onde desenvolveu seu trabalho por vinte e sete anos e esteve em constante contacto com "o outro mundo". Deixou em suas obras, relatos extraordinários de suas experiências com o mundo espiritual. Diz ele sobre sua primeira visão:"Na mesma noite, o mundo dos Espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições. Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu Espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos". Afirmava Swedenborg que uma densa nuvem havia se formado em redor da Terra, devido ao psiquismo grosseiro da humanidade, numa clara antecipação aos ensinos sobre a atmosfera fluídica que a Doutrina Espírita nos trouxe. Dizia também que, de tempos em tempos, haveria uma limpeza, assim como a trovoada aclara a atmosfera material. Deixou ensinos importantes nas seguintes obras: "O Céu e Inferno", "A Nova Jerusalém" e "Arcana Celestia".

b) Andrew Jackson Davis

Nascido em 1826, em New York, era um jovem sem cultura, nascido em meio pobre, mãe com tendências visionárias aliadas à superstição e o pai trabalhava com couros. Nos últimos anos de infância, começaram a se desenvolver os poderes psíquicos de Davis. Com o auxílio de um magnetizador, Davis fazia verdadeiras "viagens" pelo mundo dos Espíritos, trazendo informações as mais surpreendentes. Tinha extraordinária clarividência que, a princípio, foi usado como divertimento e mais tarde o seu magnetizador utilizou para diagnóstico de doenças. Aos 19 anos de idade, Davis manifestou o desejo de escrever um livro e o fazia através de transes mediúnicos, submetidos por um magnetizador. Um secretário anotava fielmente as palavras que jorravam da boca do médium, como se fora o mais douto em conhecimento e sabedoria, porém tratava-se de um jovem ignorante e sem cultura. Esse foi o começo do trabalho mediúnico desse jovem, que continuou por muitos livros, todos reunidos com o nome de "Filosofia Harmónica". Nessa fase, ele dizia estar sob a influência directa de uma entidade, que posteriormente identificou como sendo Swedenborg. O desenvolvimento de sua faculdade continuou e aos vinte e um anos já não necessitava mais de quem o induzisse ao transe. Começou aí nova fase, onde passou a ter as mais impressionantes experiências de clarividência. Descreveu com clareza o fenómeno da morte, visto por ele à beira do leito de uma senhora agonizante. Teve muitas visões do mundo espiritual, fez muitas previsões como o aparecimento do automóvel, da máquina de escrever e do próprio Espiritismo. Davis representou um importante papel no começo da revelação espírita, preparando o terreno antes que se iniciasse o trabalho dos Espíritos superiores. Quando explodiu o acontecimento de Hydesville, ele já o conhecia desde o início, através de revelações mediúnicas. Morreu em 1910, aos oitenta e quatro anos de idade.

c) Fenômeno de Hydesville

No ano de 1848, na América do Norte, surgiram alguns acontecimentos inusitados que assombraram o mundo. Na casa de uma família americana chamada Fox, que morava num vilarejo de nome Hydesville, no Estado de New York, começaram a manifestar-se forças sobrenaturais que pareciam vir do invisível. Aconteciam estranhos ruídos nas paredes, com indícios de serem provenientes de uma inteligência oculta desejando se comunicar. Tudo indicava que as irmãs Kate e Margaret Fox, duas meninas de 11 e 14 anos, eram o centro do fenómeno paranormal, que acabou transformando a casa em ponto de atracção para curiosos. As pessoas se divertiam vendo as jovens ordenarem a uma suposta inteligência invisível, que fizesse barulhos e produzisse pancadas nas tábuas da parede. Através dos ruídos na madeira, convencionou-se um código pelo qual algumas pessoas comunicavam-se regularmente com o Além. Uma pancada significava "sim"; duas, significavam "não", enquanto outros sinais simbolizavam letras ou palavras. A inteligência invisível, que produzia os fenómenos de Hydesville, dizia ser um Espírito que tinha animado uma personagem que vivera na Terra em outros tempos. O Espírito foi apelidado pelas meninas de "Sr. Perneta". Suas comunicações revelaram que ele animara o corpo de um homem que havia sido morto a facadas naquela casa, tempos atrás. Seus restos mortais foram enterrados no porão da residência. Algumas pessoas escavaram o local e encontraram cabelos e ossos humanos. Pesquisas feitas mais tarde, revelaram que o Sr. Perneta era um homem chamado Charles Rosma, que fora morto na casa cinco anos antes. O fenómeno atraiu a atenção do mundo e por muito tempo as irmãs Fox fizeram demonstrações de sua capacidade de comunicar-se com os "mortos", apresentando-se em salões, submetendo-se à cobiça de empresários e sendo alvo de muitas polémicas. Por desconhecerem completamente os mecanismos do maravilhoso dom da mediunidade, envolveram-se com influências perniciosas que a levaram a ter um fim triste e obscuro.

d) Daniel Dunglas Home

Quase concomitante às irmãs Fox, um outro fenómeno mediúnico despertou a atenção das massas. Tratava-se dos feitos do médium Daniel Dunglas Home, que ficou conhecido mundialmente pelos fenómenos paranormais que provocava à sua volta. Forças invisíveis se manifestavam, chegando em algumas ocasiões a levantá-lo do chão. Home chamou a atenção de sábios e estudiosos em todo o mundo. Home nasceu em uma pequena aldeia na Escócia e viveu de 1833 a 1886. Desde cedo demonstrou sua prodigiosa faculdade e jamais envolveu-se com dinheiro em suas fantásticas demonstrações de vidência, efeitos físicos, levitação, desdobramento etc. Embora contemporâneo do Codificador do Espiritismo, eles nunca se conheceram. Entretanto Allan Kardec faz comentários sobre ele em sua obra, analisando os fenómenos, que para ele, eram autênticas provas da existência de imortalidade da alma. Daniel Dunglas Home foi considerado o mais surpreendente médium de todos os tempos. Embora não fosse espírita, atribuía a responsabilidade dos fenómenos aos Espíritos, o que contribuiu para popularização do Espiritismo nos nobres salões da América e da Europa.

e) As Mesas Girantes

Em 1850, na França, surgiu um tipo de brincadeira chamada "mesa falante" ou "mesa girante", que tomou conta dos salões festivos da época. A mesa girante era uma mesinha redonda, de três pés, em torno da qual se ajuntavam as pessoas para provocar manifestações de forças sobrenaturais. As mãos dos presentes eram colocadas sobre a superfície da mesa que, através de um fenómeno de efeitos físicos, dava saltos sobre seus pés, girando e dando pancadas. Por meio de um código alfabético semelhante ao usado pelas irmãs Fox, na cidade de Hydesville, era possível conversar com o "invisível". A sociedade francesa divertia-se em perguntar amenidades à mesa. Houve uma espécie de febre em torno dessa brincadeira. Uma senhora, chamada Emília de Girardim, desenvolveu uma sofisticada mesa que girava livre e facilmente em torno de um eixo à maneira de roleta. Na superfície e em circunferência eram colocadas as letras do alfabeto, os números e as palavras sim e não. No centro, um ponteiro metálico ou agulha fixa. O médium punha os dedos na borda da mesa que girava e parava sob a agulha, na letra desejada pelas forças invisíveis para fazerem seus ditados. Com isso, tornou-se possível conseguir, regularmente, mensagens vindas do Além. As mesas girantes eram a grande sensação dos salões da Europa e América. Por meio delas as pessoas passaram a ter contacto com o mundo invisível, realizando sessões de comunicação espiritual, onde reinava a frivolidade e a brincadeira.

c) Tiptologia

Os fenómenos de ruídos provocados por Espíritos em paredes, mesas ou outros objectos, e que serviram de meios de comunicação com o invisível, foram mais tarde classificados pelo nome de Tiptologia. Foi desta forma que iniciaram as primeiras comunicações, que depois foram aperfeiçoadas, passando por várias fases.

3.2 - ALLAN KARDEC

Allan Kardec foi um professor francês que se interessou pelo estudo das manifestações espirituais e foi atraído pela novidade das mesas girantes. Em 1854, ele ouviu falar pela primeira vez do fenómeno, através de um amigo seu chamado Fortier. No ano seguinte, se interessou mais pelo assunto, pois soube tratar-se de intervenção dos Espíritos, informação dada pelo Sr. Carlotti, seu amigo há 25 anos. Depois de algum tempo, em Maio de 1855, ele foi convidado para participar de uma dessas reuniões, pelo Sr. Pâtier, um homem muito sério e instruído. O professor era um grande estudioso do magnetismo e aceitou participar, pensando tratar-se de fenómenos ligados ao assunto. Após algumas sessões, começou a questionar para descobrir uma resposta lógica que pudesse explicar o fato de objetos inertes emitirem mensagens inteligentes. Admirava-se com as manifestações, pois parecia-lhe que por detrás delas havia uma causa inteligente responsável pelos movimentos. Resolveu investigar, pois desconfiou que atrás daqueles fenómenos estava como que a revelação de uma nova lei. As "forças invisíveis" que se manifestavam nas sessões de mesas falantes diziam que eram as almas de homens que já haviam vivido na Terra. O Codificador intrigava-se mais e mais. Num desses trabalhos, uma mensagem foi destinada especificamente a ele. Um Espírito chamado Verdade disse-lhe que tinha uma importante missão a desenvolver. Daria vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa. Kardec afirmou que não se achava um homem digno de uma tarefa de tal envergadura, mas que sendo o escolhido, tudo faria para desempenhar com sucesso as obrigações de que fora incumbido. Com suas pesquisas, organizou e codificou a Doutrina Espírita. Seu verdadeiro nome era Hippolyte Léon Denizard Rivail. Usava o pseudónimo de Allan Kardec, para evitar que sua personalidade ficasse em evidência, pois era um educador conhecido e tinha muitas obras publicadas nesse campo. O Codificador nasceu no dia 3 de Outubro de 1804, na cidade de Lyon, na França, e desencarnou em 31 de Março de 1869, aos 65 anos de idade. Era casado com a professora Amélie Gabrielle Boudet. Falava quatro idiomas, estudava astronomia e os fenómenos ligados ao magnetismo. Foi discípulo de Pestalozzi, considerado o pai da pedagogia moderna.

3.3 - A CODIFICAÇÃO ESPÍRITA

a) O início

O desenvolvimento da Codificação Espírita basicamente teve início na residência da família Baudin, no ano de 1855. Na casa havia duas moças que eram médiuns. Tratava-se de Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, respectivamente. Através da "cesta-pião", um mecanismo parecido com as mesas girantes, Kardec fazia perguntas aos Espíritos desencarnados, que as respondiam por meio da escrita mediúnica. À medida que as perguntas do professor iam sendo respondidas, ele percebia que ali se desenhava o corpo de uma doutrina e se preparou para publicar o que mais tarde se transformou na primeira obra da Codificação Espírita. Todo o trabalho da revelação era revisado várias vezes, de modo a se evitar erros ou interpretações dúbias. Na fase de revisão, o professor contou com a preciosa ajuda de outra médium, que era sonâmbula, a srta. Japhet. Depois dela, o Codificador ainda submeteu as questões a outros médiuns. Assim, o trabalho contou com ajuda de pelo menos dez médiuns, nesta primeira fase. A forma pela qual os Espíritos se comunicavam no princípio era através da cesta-pião que tinha um lápis em seu centro. As mãos das médiuns eram colocadas nas bordas, de forma que os movimentos involuntários, provocados pelos Espíritos, produzissem a escrita. Com o tempo, a cesta foi substituída pelas mãos dos médiuns, dando origem à conhecida psicografia. Das consultas feitas aos Espíritos, nasceu "O Livro dos Espíritos", lançado em 18 de Abril de 1857, descortinando para o mundo todo um horizonte de possibilidades no campo do conhecimento. A partir daí, Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho de expansão e divulgação da Boa Nova. Viajou 693 léguas, visitou vinte cidades e assistiu mais de 50 reuniões doutrinárias de Espiritismo. Em Janeiro de 1858, o Codificador abraçou uma nova actividade. Inaugurou a Revista Espírita, um mensário cujo objectivo era o de informar os adeptos do Espiritismo sobre o crescimento do movimento e debater questões ligadas à prática doutrinária. Assim, teve início a imprensa espírita. A Revista foi editada por 12 anos. Em Abril de 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, entidade que se destinava a estudar, entender e explicar a fenomenologia espírita. Foi a primeira sociedade espírita a constituir-se regular e legalmente, tendo exercido grande influência moral entre os outros grupos, por ter sido a sociedade iniciadora e central.

b) Obras da Codificação

Para a orientação dos seguidores do Espiritismo, Allan Kardec editou cinco livros básicos, conhecidos como Pentateuco Kardequiano. São eles: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Génese. Neles, reuniu os ensinamentos da Espiritualidade superior, analisando-os e codificando-os, de forma a ficarem claros e interessantes.

O Livro dos Espíritos (1857): É uma obra de carácter filosófico, que procura explicar de forma racional o porquê da vida. Divide-se em quatro tópicos: "As causas primárias"; "Mundo espírita ou dos Espíritos"; "As leis morais"; e "Esperanças e consolações". É tido como a espinha dorsal do Espiritismo, pois todas as outras obras partem de seus princípios.

O Livro dos Médiuns (1861): Orienta a conduta prática das pessoas que exercem a função de intermediar o mundo espiritual com o material. Mostra aos médiuns os inconvenientes da mediunidade, suas virtudes e os perigos provindos de uma faculdade descontrolada. Ensina a forma de se obter contactos proveitosos e edificantes junto à Espiritualidade. A obra demonstra ainda as consequências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o invisível e o visível.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864): Trata-se da parte moral e religiosa da Doutrina Espírita. Ensina a teoria e a prática do Cristianismo, através de comentários sobre as principais passagens da vida de Jesus, feitos por Allan Kardec e pelos Espíritos superiores. Mostra que as parábolas existentes no Evangelho, que aos olhos humanos parecem fantasias, na verdade exprimem o mais profundo código de conduta moral de que se tem notícia.

O Céu e o Inferno (1865): Neste livro, através da evocação dos Espíritos, Allan Kardec apresenta a verdadeira face do desejado "céu", do temido "inferno", como também do chamado "purgatório". Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo no Universo evolui e que as teorias sobre o sofrimento no fogo do inferno nada mais são do que uma ilusão. Comunicações de Espíritos desencarnados, de cultura e hábitos diversos, são analisadas e comentadas pelo Codificador, mostrando a situação de felicidade, de arrependimento ou sofrimento dos que habitam o mundo espiritual.

A Génese (1868): Este livro é um estudo a respeito de como foi criado o mundo, como apareceram as criaturas e como é o Universo em suas faces material e espiritual. É a parte científica da Doutrina Espírita. Explica a Criação, colocando Ciência e Religião face a face. A Génesis bíblica é estudada e vista como uma realidade científica, disfarçada por alegorias e lendas. Os sete dias narrados nas Escrituras Sagradas são mostrados como o tempo que o Criador teria gasto com a formação do Universo e da Terra; eras geológicas, que seguem a ordem cronológica comprovada pela Ciência em suas pesquisas. Os "milagres", realizados por Jesus, são explicados como sendo produto da modificação dos elementos da natureza, sob a ação de sua poderosa mediunidade.

3.4 - O TRÍPLICE ASPECTO

Desde as primeiras manifestações dos Espíritos superiores em torno da Codificação da Doutrina, eles deixaram claro que o Espiritismo tinha em si três linhas de acção: Ciência, Filosofia e Religião (moral). É do espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, a afirmativa que esclarece perfeitamente o significado tríplice do Consolador:
"Em Espiritismo a Ciência indaga, a Filosofia conclui e o Evangelho ilumina".

a) Princípios fundamentais da Doutrina Espírita

São considerados princípios básicos da Doutrina Espírita: a crença em Deus como princípio criativo; a existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte; a reencarnação; a lei de causa e efeito; a influência do mundo invisível sobre o visível; a comunicação entre esses dois mundos e a evolução moral e intelectual progressivas. O Espiritismo em suas práticas caracteriza-se pela realização do culto interior. Nele, o homem procura conhecer-se e trabalhar para seu adiantamento moral e intelectual. Nada há de exterior em seus costumes. Para os Espíritos superiores tudo depende do pensamento, para o qual o fundo é tudo e a forma nada significa.
"Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque sofre temporariamente e vê por toda a parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride sem cessar, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que pode aproximá-la de Deus" - (Allan Kardec - A Génese, cap. I, item 30).

(Versão 03.98)Grupo Espírita Bezerra de MenezesSão José do Rio Preto - SP

sábado, 19 de maio de 2007

o casamento religioso e o espiritismo



O Casamento Religioso e o Espiritismo

Carlos Augusto Parchen


Vamos abordar aqui a questão do casamento, mais especificamente do casamento religioso. Para esta abordagem, devemos que nos lembrar que o Espiritismo não tem nenhum ritual. Nenhum, absolutamente. Não só do casamento, mas nenhum outro.

A prática religiosa Espírita é baseada exclusivamente no Amor a Deus e na Fé raciocinada. Para o Espírita , ter religião significa "estar ligado a Deus, pois a palavra "religião" significa exactamente isso: ligar-se a Deus.

Se analisarmos o Evangelho do Mestre Jesus, veremos que não está instituído, em nenhum momento dele, o casamento como acto de ligação a Deus (acto religioso) ou de fé. Veremos que o Cristo fala, a respeito da união de Homem e Mulher "....não separe o Homem o que Deus uniu....", que foi tomado como base teológica para o ritual (sacramento) do casamento e da indissolubilidade eterna do casamento religioso.

Em verdade, o que o Cristo pretendeu nos dizer, é que o amor verdadeiro entre Homem e Mulher, é consequência do Amor Divino que é, assim, verdadeiramente abençoado por Deus, e que o Homem (ser humano), não deve tentar separar as pessoas que se unem pelo amor verdadeiro, pois a esses, Deus (AMOR) uniu.

Na verdade, o casamento religioso foi, durante muitos séculos, a única forma de "legalizar", de "oficializar" a ligação estável entre Homem e Mulher, de estabelecer regras de conduta e de responsabilidade para o "casamento", para a vida familiar. Devemos nos lembrar que a época, não havia registros, não havia cartórios, sistemas de documentações, certidões, leis, etc.

Inicialmente, apenas o poder moral da Religião e o medo da "punição Divina" garantia os direitos e deveres no casamento. O Sacerdote ou o Pastor ou o Curandeiro ou o Monge, exerciam o papel de "fiador" do compromisso, em nome da Divindade, do Ser Superior.

Mais tarde, as Igrejas, as Ordens Religiosas, os Templos, quando já existia a escrita, mantida apenas em grupos herméticos e de iniciados, passaram também a proceder e manter o registro formal das uniões (casamento), ampliando a estabilidade das mesmas, pela possibilidade de encontrar-se registro de quem era ou não casado.

Em muitas culturas e religiões, antigamente e mesmo hoje em dia, o casamento não é um ritual religioso, mas sim uma cerimónia familiar, onde o compromisso de Homem e Mulher é assumido, pelos noivos, perante a comunidade, perante a família e perante o representante da Religião, sendo o casamento celebrado pelo Patriarca ou Matriarca da família, e não pelo Sacerdote ou representante religioso. Mas também desse modo cumpre seu efeito de "fiador" e estabilizador da união.

Também é importante lembrar uma realidade estatística: - todas as Religiões Judaico-Cristãs do mundo, somados todos os seus adeptos declarados, constituem cerca de 1/3 (33%) da população mundial. Portanto, cerca de 2/3 da população mundial não segue o Cristianismo, e têm outros conceitos a respeito do casamento e da forma de celebrá-lo.

Com a evolução da sociedade, com a criação das Constituições dos países, das Leis, do avanço e aperfeiçoamento do registro público, o casamento civil passou a ser o controlador da estabilidade, dos direitos e dos deveres do casamento, da protecção da mulher e dos filhos, da garantia de herança e sucessão.

O casamento religioso ficou como o rito ou Sacramento específico das Religiões, especialmente as Judaico-Cristãs. Mais modernamente, veio se transformando muito mais numa ocasião social do que num acto de fé verdadeira, o que está sobejamente demonstrado pelo enorme número de separações que ocorre entre uniões com menos de 5 anos de duração, quase todos casados também em cerimónia religiosa.

Quando o Espiritismo surgiu, o casamento civil já era uma realidade. Não havia mais necessidade do casamento religioso como "regulador". O Espiritismo, baseado na fé raciocinada, na fé verdadeira, na lógica e na razão, não trouxe para seu seio nenhum ritual. A sociedade já podia dispensá-los. A ligação com Deus (Religião) nunca precisou deles. O Evangelho do Cristo era para ser praticado no dia-a-dia, e não transformado em rituais.

Não estamos aqui falando mal do casamento religioso. Muito pelo contrário. O extremo respeito que o Espiritismo tem pelas Religiões, já nos impediria disso. Cada um deve seguir o que preceitua sua crença religiosa. Só estamos explicando porque o Espiritismo não tem a cerimónia ou ritual de casamento, e porque os Espíritas formalizam sua união no civil, não necessitando do casamento religioso enquanto ritual, cerimónia ou preceito religioso.

Para os espíritas, existe um guia seguro para que os casais aprenderem a consolidar sua união no dia-a-dia. É a prática da própria Doutrina Espírita, em sua integralidade. E tudo pode ser resumido em três palavras: Amor, Tolerância e Perdão. E num exercício diário: o do aprendizado constante.

Ao decidir pelo casamento, Homem e Mulher estão assumindo uma grande responsabilidade, um grande compromisso. Estão iniciando uma nova família. A família é, e sempre será, a grande escola de evolução, de aprendizado, de crescimento espiritual, se bem aproveitada. Cabe a cada casal fazer com que sua família seja a melhor das escolas, a que ensina o caminho de apreender-se a felicidade.

Para isso, devem ter em mente que sua nova família deve ensinar amor e caridade. Para ensinar, é necessário praticar. Praticar diariamente. Aprender com os erros. Aprender a não mais errar. Aprender a acertar cada dia mais. Aprender a ser feliz.

Esse é o casamento verdadeiramente abençoado por Deus. E ele independe das religiões.
(Artigo escrito em Outubro de 2002 e reproduzido do site do Centro Espírita Luz Eterna - CELE - )

domingo, 29 de abril de 2007

o espiritismo é uma religião?


O ESPIRITISMO E' UMA RELIGIAO?


Este é o tema de um dos mais belos textos deixados por Allan Kardec no século passado. O codificador prevendo os rumos que o espiritismo tenderia no futuro já se preocupou em avançar no assunto Religião e Espiritismo.
Esse trabalho foi proferido por Kardec em discurso de abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, da Sociedade de Paris no dia 1.de Novembro de 1868. E' importante observar o forte enfoque que ele faz da expressão "comunhão de pensamentos", utilizando-a como ponto central de seu discurso.
O homem em sua saga evolutiva necessita viver em sociedade e, portanto, todos nos dependemos de alguma forma uns dos outros. Kardec fala do poder da união de pensamentos capaz de gerar reacções extraordinárias de efeitos morais e físicos. Ao imaginarmos o Espírito fora do corpo material, concluímos que o pensamento é sua característica inata e essencial, marcando a individualidade do ser humano. O Espírito não poderia existir sem o pensamento. E praticamente impossível ao homem viver em total isolamento e ele possui no seu intimo a necessidade da convivência em comunidade.
O espiritismo vem nos esclarecer a verdadeira importância da comunhão de pensamentos. Ao isolarmos e emitir palavras pelo pensamento estamos também promovendo uma reunião com outros pensamentos em comum. Engana-se assim, aquele que acredita que só sabe e consegue viver isolado. Provavelmente, ele deve possuir maior afinidade com outras pessoas que não estão encarnadas ao seu redor.
Da comunhão de pensamentos surgem as mais diversas sensações (efeitos) que podemos sentir em nossa caminhada eterna evolutiva. Unidos a uma comunidade de pensamentos benéficos e positivos receberemos fluidos agradáveis e gratificantes e, inversamente, obteremos a desarmonia e suas
consequências negativas. Kardec ressalta que as Religiões são formadas com base na comunhão de pensamentos, mas cada uma segue os requisitos que lhe convém para manter sua estrutura. Muitas persistem por longo tempo, outras surgem e extinguem-se rapidamente. Como facto inevitável, não se pode parar a
evolução do Espírito, ou seja, a evolução do pensamento. Com o tempo tudo passa por transformação para melhor, não havendo retrocesso, caso contrario, não haveria evolução no sentido amplo da palavra. Sempre nesse caminho, as transformações são seguidas de fases de adaptação. As religiões como instituições organizadas, talvez sejam, as mais sujeitas as adaptações
evolutivas em virtude do forte exercício da comunhão de pensamentos da comunidade a que estão sujeitas. As transformações são mais rápidas quanto mais evoluída for a comunidade. Dado a isso, surgiu a Doutrina Espírita,
como fonte renovadora da união de pensamentos na Terra para o bem comum. Vamos a um trecho do discurso: "...Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é ai, com efeito, que esta deve e pode exercer toda a sua forca, porque o objectivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria.
Infelizmente, em sua maioria, afastam-se desse princípio, a medida que fazem da religião uma questão de forma. Disso resulta que cada um, fazendo consistir seu dever na realização da forma, julga-se quite com Deus e com os homens, quando haja praticado a forma. Resulta ainda que cada um vai aos
lugares de reuniões religiosas com um pensamento pessoal, de seu próprio interesse e o mais das vezes sem nenhum sentimento de fraternidade em relação aos outros assistentes; fica isolado no meio da multidão, e não pensa no céu senão para si mesmo...".
..."Se as assembleias religiosas - falamos em geral, sem fazer alusão a culto algum - muitas vezes se tem desviado do alvo primitivo principal, que é a comunhão fraterna do pensamento; se o ensino que nelas é dado não tem seguido sempre o movimento progressivo da Humanidade, é porque os homens não realizam todos os progressos a um tempo; o que eles não fazem em um
período, fazem em outro; `a medida que se esclarecem, eles vêem as lacunas que existem em suas instituições e as preenchem; compreendem que o que era bom em uma época, de acordo com o grau de civilização, se torna insuficiente em um estado mais adiantado e restabelecem o nível. Nos sabemos que o espiritismo, é a grande alavanca do progresso em todas as coisas; ele marca uma era de renovação. Saibamos pois, aguardar o porvir, e
não pecamos a uma época mais do que ela pode dar. Como as plantas as ideias precisam amadurecer para que se lhes possam colher os frutos. Saibamos, alem disso, fazer as necessárias concessões as épocas de transição, porque nada na Natureza se opera de maneira brusca e instantânea..."
A revelação da existência do plano espiritual e da sua comunicação com o nosso plano terreno, abriu definitivamente, uma nova realidade filosófica e religiosa no planeta. Com base na ciência espírita, capaz de trazer um novo horizonte na relação da vida, conceitos e dogmas erróneos, muitos deles devido á interpretações e traduções incoerentes e egoístas de Livros
Sagrados, foram desmantelados e vão ficar apenas como parte da história da humanidade.
O aspecto científico do espiritismo é primordial e essencial para o conhecimento da vida e adiantamento da humanidade. Com ele, a fé cega é substituída pela fé inabalável, sólida, com base na razão e com isso há ampliação da Verdade para o homem, pois o pensamento tem o poder de ir muito alem do que a ciência pode comprovar num determinado tempo. No caminhar da própria ciência a comunhão de pensamentos é também essencial.
As reuniões científicas, as grandes discussões, etc. fazem parte dos conhecimentos disponíveis ao homem, tanto do aspecto material como no aspecto moral, ou seja, no comportamento humano no desenvolvimento da vida.
Kardec prossegue: "... Se assim é, dirão, o Espiritismo então é uma religião? - Perfeitamente! Sem duvida; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nos ufamos disso, porque ele é a doutrina que funda os laços de fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as leis da própria Natureza.
Porque então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Por isso que só temos uma palavra para exprimir duas ideias diferentes e que na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto: revela exclusivamente uma ideia de forma, e o Espiritismo não é isso. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o publico só veria nele uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; o publico não o separaria das
Ideias de misticismo e dos abusos, contra os quais sua opinião tem-se elevado tantas vezes. Não possuindo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, o Espiritismo não poderia nem deveria ornar-se com um titulo sobre
o valor do qual inevitavelmente se estabeleceria a incompreensão; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral..."

No livro "O que é o Espiritismo" Kardec define-o assim: "O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência pratica, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que
decorrem dessas relações".
É interessante notarmos que tal definição é pormenorizada nesse texto, ampliando o seu entendimento.
Observamos a preocupação do Codificador com a conotação que se poderia, no futuro, fazer do Espiritismo como aspecto religioso. A Doutrina Espírita como elo de união de pensamentos em torno da solidariedade e fraternidade universal, promovendo a evolução moral dos indivíduos, acha-se perfeitamente enquadrado na palavra Religião. Devemos reconhecer, entretanto, que entre as Religiões como Instituições existentes actualmente na Terra, o Espiritismo não se define. Há muito que se evoluir na Terra,
não só em termos de Religião como em geral, para que o Espiritismo possa a ter uma definição mais adequada ao que ele de fato é, longe dos padrões religiosos que conhecemos hoje, e isso, certamente, acontecera. Devido ainda a nossa ignorância de conhecimento da grandeza da Vida, parece que o
Espiritismo é algo palpável, rígido, fixo e com regras definidas. Na realidade, a Doutrina Espírita é infinita e eterna pois tudo o que estiver ao alcance do Homem no conhecimento da Vida faz parte do seu princípio básico maior, que é o uso da RAZAO em comunhão de pensamento. Basta darmos tempo ao tempo para ele se adequar a nova era do nosso planeta. As diversas visões que surgem do Espiritismo são próprias da sua evolução, tendo em vista se tratar de uma doutrina progressista. Devemos trabalhar
com seriedade e humildade para compreende-lo adequadamente no tempo em que se encontra, evitando pensamentos egoístas e vaidosos que são vícios do fanatismo, colocando-o a serviço do bem comum. Para isso, a unificação como movimento organizacional é a mais completa forma de se promover uma ampla e positiva comunhão de pensamentos.

Raul Franzolin Neto
rfranzol@spider.usp.br
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Referencias:
ALLAN KARDEC O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, Dezembro de 1968, EDICEL, p.351-360

ALLAN KARDEC E' o Espiritismo uma Religião? Revista Espírita - Jornal de
Estudos Psicológicos, Dezembro de 1968, O Reformador, v.94, n.1764, p. 22-26, 1976.

ALLAN KARDEC. O que é o Espiritismo, IDE, 223p.1994.
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CARIDADE E FRATERNIDADE


Quando Cristo Nosso Mestre esteve aqui no nosso amado Mundo, muitos queriam que Ele cuidasse de todos sem nada oferecer em troca. Não se trata disso! Tudo é muito complicado e nada deve ser feito sem a participação de nos mesmos. O trabalho é uma constante na nossa vida e devemos nos ater em tudo o que nos for permitido realizar. O sucesso não depende dos outros, mas sim de nos mesmos.
Quando um homem não consegue desenvolver sua missão pessoal, há que se propor outra de menor valor, mas algo sempre tem que ser produzido. Isso é a evolução. Isso é a vida e a vida não é um acto impensado. Não se pode fugir da realidade Verdadeira, ou seja, tudo esta em franco desenvolvimento. Estamos certos de que um dia iremos todos viver em total
harmonia, mas para que isso aconteça o mais cedo possível, devemos trabalhar muito em favor dos menos favorecidos. Não pensem que somente trabalhando honestamente para o sustento próprio, seja a chave do mundo feliz. Não. Muito mais tem que ser produzido. O sustento próprio faz parte de um dos pontos a ser desenvolvido na longa estrada da vida. Porem, o trabalho na prática da caridade é muito mais importante e necessário.
Nunca chegaremos ao estágio da felicidade pura se não passarmos pela depuração do nosso ser, que se faz com a ajuda ao próximo. Toda a infelicidade que nos acompanha é fruto de nossa ociosidade nessa área.
Estamos acostumados a seguir por um caminho mais fácil. Estamos sempre prontos a nos sustentar através do nosso conforto pessoal. Os bens materiais são importantes, mas somente devem servir como apoio em nossa caminhada. Nada mais do que isso. Procuremos nos manter longe da matéria quando ela não for importante e procuremos ficar próximos dos nossos irmãos
necessitados. Aí esta a verdadeira ponte que une os mundos atrasados aos mundos superiores. Nesses locais de paz e harmonia, todos vivem em união de pensamento. Todos buscam o trabalho em função de todos. Servem como meio de vida. O conforto pessoal é uma simples consequência. Viveremos em estado de total alegria. Mas quanto ainda teremos que percorrer! Quanto ainda teremos que buscar! O tempo não é inimigo de ninguém. Para uns ele só trás problemas, enquanto para outros, só alegrias. O tempo somos nos quem determinamos. Se queremos seguir na estrada da felicidade constante ao nosso avanço, devemos então, procurar o melhor meio de encontra-la.
Devemos, como sabemos, utilizar nosso próximo como nosso meio de crescimento e não buscar no conforto total da matéria. Pensemos sempre nos nossos irmãos. Trabalhemos nos nossos planos espirituais. Trabalhemos em benefício de todos. Pensemos em tudo o que fizermos em benefício do bem comum. O nosso trabalho profissional, material, espiritual... Tudo deve servir ao próximo. De pouco adianta o bem pessoal em relação ao bem comum.
Se queremos subir a escada eterna de elevador, devemos procurar auxiliar o próximo, caso contrário, subiremos a escada a pé de degrau em degrau.
Estamos todos no mesmo campo de trabalho. Amigos encarnados de hoje, são os mesmos de ontem. Porem, o distanciamento varia muito em função de cada um. Enquanto procuramos a nossa vida comum, distanciamos de muitos de
nossos amigos de outrora. Novas amizades se formam, com muito maior sinceridade, a medida que avançamos na evolução. Os laços de fraternidade são mais fortes e as comunicações mais fáceis e sinceras. Há um acumulo de bem-estar. Conhecemos mundos assim, mas existem muito mais ainda, que não podemos imaginar no momento. Então o que estamos fazendo agora? Perder tempo em supérfluos é se lamentar num futuro breve. Estender a mão hoje, ou começar a simplesmente pensar na fraternidade geral, é começar a sentir a paz e amor ensinados por nosso Mestre Jesus.
Que todos nos tenhamos sempre momentos de reflexão no bem comum. Que todos sintam a verdadeira caridade em seus corações e que todos aguardem a alegria e a paz brotarem em seus corações dia a dia...



Mensagem psicografada por Raul Franzolin Neto em 10/04/96.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

espiritismo e filosofia


Espiritismo e Filosofia.


A origem do conceito de filosofia está na sua própria estrutura verbal, ou seja, na junção das palavras gregas philos e sophia, que significam "amor à sabedoria". Filósofo é, pois, o amante da sabedoria. Mas o que é a sabedoria? É um termo que significa erudição, saber, ciência, prudência, moderação, temperança, sensatez, enfim um grande conhecimento.

Na própria Grécia Antiga o termo filosofia passou a designar não apenas o amor ou a procura da sabedoria, mas um tipo especial de sabedoria. Aquela que nasce do uso metódico da razão, da investigação racional em busca do conhecimento. Platão distingue a doxa, opinião, ou seja, o saber que temos sem tê-lo procurado, e a episteme, a ciência, que é o saber que temos porque o procuramos. Então, a filosofia já não significa "amor à sabedoria", nem tampouco significa o saber em geral, qualquer saber; senão que significa esse saber especial que temos, que adquirimos depois de tê-lo procurado e de tê-lo procurado metodicamente.


Durante a Idade Média o saber humano dividiu-se em dois grandes sectores: teologia e filosofia. A teologia é o conhecimento acerca de Deus. A filosofia são os conhecimentos humanos acerca das coisas e da Natureza e até mesmo de Deus por via racional. Nesta situação a palavra "filosofia" continua designando todo o conhecimento, menos o de Deus. E assim adentrou muito o século XVII. (Garcia Morente, 1970, p. 26 a 29)

A partir do século XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Saem do seio da filosofia as ciências particulares: as matemáticas, física, química etc. Assim, actualmente, a filosofia é uma ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do pensamento, do conhecimento e da acção. É uma concepção científica do mundo como um todo, da qual se pode deduzir certa forma de conduta. (Bazarian, s. d. p., p. 37)

A Filosofia Espírita é a interpretação dos fenómenos verificados e estudados pela Ciência Espírita. Esses fenómenos revelam ao homem a estrutura do Universo, que é a seguinte, como vemos em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: Deus, Espírito e Matéria. Uma vez constatada essa realidade, e descoberto o mecanismo pelo qual o Espírito se manifesta através da matéria, cessa o trabalho da ciência, para começar a da filosofia”. (Allan Kardec) O carácter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo que faz do Homem, sobretudo Espírito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinação. Esse estudo leva ao conhecimento do mecanismo das relações dos Homens, que vivem na Terra, com aqueles que já se despediram dela, temporariamente, pela morte, estabelecendo as bases desse permanente relacionamento, e demonstra a existência, inquestionável, de algo que tudo ria e tudo comanda, inteligentemente - Deus. (Pedro Franco) O Espiritismo tem um aspecto filosófico porque, a partir dos fenómenos, dá uma interpretação da vida, isto é, responde àquelas perguntas que apresentamos (...) sobre o porquê da vida. De onde você veio e para onde você vai. A razão das desigualdades que observamos entre as criaturas. Trata-se de uma filosofia espiritualista porque admite, repito, com base nos factos mediúnicos e anímicos, a existência de um princípio espiritual no Universo, além do princípio material. Equivale dizer que o Espiritismo vê no ser humano, não apenas o corpo material, de carne e osso, de vísceras e sangue, de nervos e hormonas, mas também aquilo a que as religiões, há séculos, deram o nome de alma.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

ciência e espiritismo


Ciência e Espiritismo

SENTIDOS DA PALAVRA CIÊNCIA

A palavra ciência é usada com diversas significações. Em sentido amplo, ciência significa simplesmente conhecimento, como na expressão tomar ciência disto ou daquilo; em sentido restrito, ciência não significa um conhecimento qualquer, e sim um conhecimento que não só apreende ou registra factos, mas os demonstra pelas suas causas determinantes ou constitutivas. (Ruiz, 1979, p. 123)

CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA

Cumpre observar que as definições de ciência são numerosas. Seria mais coerente enumerar algumas de suas características, ou seja:

Conhecimento pelas causas , ao contrário do conhecimento vulgar, o conhecimento científico implica em conhecer pelas causas. Se o cientista observa a chuva, ele quer saber porque chove, dispensando a influência dos deuses. Age da mesma forma com relação a um fato político. Com respeito ao aparecimento de Napoleão Bonaparte no quadro político internacional, o cientista não dirá simplesmente que Napoleão fora um génio militar, mas procurará as causas políticas e económicas que o fizeram emergir no cenário mundial.

Profundidade e generalidade de suas condições .

O conhecimento pelas causas é o modo mais íntimo e profundo de se atingir o real. A ciência não se contenta em registrar factos, quer também verificar a sua regularidade, a sua coerência lógica, a sua previsão etc. A ciência generaliza porque atinge a constituição íntima e a causa comum a todos os fenómenos da mesma espécie. A validade universal dos enunciados científicos confere à ciência a prerrogativa de fazer prognósticos seguros.

Objecto formal .

A finalidade da ciência é manifestar a evidência dos fatos e não das ideias. Procede por via experimental, indutiva, objectiva; suas demonstrações consistem na apresentação das causas físicas determinantes ou constitutivas das realidades experimentalmente controladas. Não se submete a argumentos de autoridade, mas tão-somente à evidência dos factos.

Controle dos factos

Ao utilizar a observação, a experiência e os testes estatísticos tenta dar um carácter de exactidão aos factos. Embora os enunciados científicos possam ser passíveis de revisões pela sua natureza “tentativa”, no seu estado actual de desenvolvimento, a ciência fixa degraus sólidos na subida para o integral conhecimento da realidade. (Ruiz, 1979, p. 124 a 126)

ALGUMAS DEFINIÇÕES

· Conhecimento certo do real pelas suas causas.
· Conjunto orgânico de conclusões certas e gerais metodicamente
· demonstradas e relacionadas com objecto determinado.
· Actividade que se propõe demonstrar a verdade dos factos experimentais e suas aplicações práticas.
. Estudo de problemas solúveis, mediante método científico.
· Conjunto de conhecimentos organizados relativos a uma determinada matéria, comprovados empiricamente. (Ruiz, 1979, p. 126)

HISTÓRICO

Garcia Morente, em Fundamentos de Filosofia, ao analisar o conceito de filosofia através dos tempos, conduz-nos à origem da ciência. Diz-nos ele que todo o conhecimento desde a Antiguidade clássica até a Idade Média era entendido como sendo filosófico. Somente a partir do século XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Começam a sair do seio da filosofia as ciências particulares, não somente porque essas ciências vão se constituindo com seu objecto próprio, seus métodos próprios e seus progressos próprios, como também porque pouco a pouco os cultivadores vão igualmente se especializando. (1970, p. 28)

Devemos deixar claro que as ciências, por essa mesma razão se completam e uma necessita da outra. Observe que a Astronomia, a primeira das ciências, só atingiu a maioridade, depois que a Física veio revelar a lei de forças dos agentes naturais.

O Espiritismo entra nesse processo histórico dentro de uma característica sui generis, ou seja, enquanto a ciência propicia a revolução material, o Espiritismo deve propiciar a revolução moral. É que Espiritismo e Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenómenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha que preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto surge antes do tempo. (Kardec, 1975, p. 21)

RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO

A estrutura do pensamento na Idade Média estava condicionada à Escolástica, movimento filosófico religioso, que submetia a razão à fé. Havia tamanha ingerência da Igreja nas questões sociais, políticas e económicas, que por qualquer desvio da ordem preestabelecida, muitos acabavam pagando com a própria vida por tal heresia. Acontece que as coisas se modificam e a verdade acaba por vencer os erros da ignorância.

Galileu, em 1609, constrói o telescópio e, com isso, muda radicalmente a visão do homem quanto ao Universo e à própria vida. Porém, o Santo Ofício contrapunha: o telescópio poderia, com efeito, revelar coisas inacessíveis à vista desarmada. Mas revelava-as, no dizer dos críticos, por mediação do demónio: era uma forma de magia e, por isso, fundamentalmente uma ilusão. Copérnico, Kepler e Galileu estavam a transformar o mundo visível num jogo de sombras. O Sol não se movia, a Terra sim, o céu tinha fantasmas escondidos. (Bronowski, 1988, p. 138)

Dizia Galileu acerca do uso de citações bíblicas nos assuntos da Ciência: “Parece-me que na discussão de problemas naturais, não devemos começar pela autoridade de passagens da Escritura, mas por experiências sensíveis e demonstrações necessárias. Pois, quer a Sagrada Escritura, quer a natureza, procedem ambas da Palavra Divina. (Bronowski, 1988, p. 140)

A consciência religiosa impregna-se de tal maneira em nosso psiquismo que não somos capazes de mudá-la a contento. Observe a perseguição que Calvino imputou a Serveto, médico e cientista que vivia em França, e que escreveu um livro atacando a doutrina ortodoxa da Trindade. A fúria de Calvino foi a ponto de, sendo ele mesmo herético da Igreja Católica, ter secretamente acusado Serveto de heresia junto da Inquisição católica da França. Embora o seu livro não tivesse sido escrito nem publicado em Genebra, Calvino prendeu Serveto e queimou-o na Fogueira. (Bronowski, 1988, p. 110)

Essa divergência entre ciência e religião continua ainda nos dias que correm. Contudo, de acordo com Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a Ciência e a Religião não puderam se entender até hoje, porque, cada uma examinando as coisas sob seu ponto de vista exclusivo, se repeliam mutuamente. Seria preciso alguma coisa para preencher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse; esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Essas relações, uma vez constatadas pela experiência, uma luz nova se fez: a fé se dirigiu à razão e a razão não tendo encontrado nada de ilógico na fé, o materialismo foi vencido. (1984, p. 37)

CIÊNCIA ESPÍRITA

CIÊNCIA NATURAL E CIÊNCIA ESPÍRITA

As Ciências Naturais, com o passar do tempo, deixaram de ser dogmáticas para serem teóricas experimentais. Elas tornam-se positivas, ou seja, baseiam-se em factos. Uma determinada teoria só existirá como lei se comprovada pelos factos. O Espiritismo não foge a essa regra e age da mesma sorte.


Ciência Espírita:

O conhecimento é fundamentado na observação e experiência. Formulam-se HIPÓTESES baseadas na mediunidade. Sobre as hipóteses estabelecem-se, dedutivamente CONSEQUÊNCIAS. As consequências serão aceitas como verdadeiras, se confirmadas pela observação e experiência mediúnicas — pela mediunidade.
O procedimento é idêntico. A diferença consiste na natureza das percepções consideradas. Desde que fique certificado que as percepções sensoriais e as percepções mediúnicas têm a mesma validade, o conhecimento é igualmente válido. (Curti, 1981, p. 17)

NOMES ESPÍRITAS

Embora o Espiritismo tenha feito muitos adeptos e conversões durante o próprio séc. XIX e início do séc. XX em diferentes meios sociais, chama a atenção o fascínio que a nova doutrina parece ter exercido no meio intelectual, artístico e científico da época, gerando tanto fervorosos adeptos como tenazes adversários. Arthur Conan Doyle, Victorien Sardou, Victor Hugo, Robert Owen, Cesare Lombroso, William Crookes, Oliver Lodge, Camille Flammarion, Charles Richet, entre outros, dedicaram-se a estudar o “outro lado”, recuperando o passado, revendo a religião à luz da ciência e encarando a morte sob novos aspectos. Grupos de cientistas reuniam-se em torno de médiuns, investigavam, eliminavam possibilidade de fraudes. Muitas dessas reuniões de estudos realizavam-se em centros de pesquisas e laboratórios e os convidados eram pessoas credenciadas pela comunidade intelectual e científica.
Um exemplo foram as 43 sessões organizadas pelo Instituto Geral Psicológico de Paris nos anos 1905, 1906 e 1907, com a médium Eusápia Paladino, que incluíram, na sua assistência, Bergson, o casal Curie e Debierne, o reitor da Sorbonne. Embora muitos dos assistentes do meio científico não ficassem convencidos, um grande número confessou a sua adesão.

Um dos mais importantes convertidos às novas descobertas propostas pelo Espiritismo foi Camille Flammarion ( 1842 - 1925 ), o eminente astrónomo e cientista do séc. XIX. Tornou-se espírita, amigo pessoal de Allan Kardec, e pronunciou o discurso fúnebre à beira de seu túmulo, imbuído pelas convicções doutrinárias espíritas, sobretudo a imortalidade da alma e a visão de que a morte era uma libertação, uma continuidade para uma nova existência espiritual.

Os fenómenos espíritas também repercutiram fora da França. Um dos cientistas mais importantes a dedicar-se ao estudo dos fenómenos foi o inglês William Crookes, cuja história está relacionada com a da médium Florence Cook e a materialização do espírito Katie King. Químico e astrónomo, a partir de 1856 fez parte da Sociedade Real de Londres dedicando-se a trabalhos fotográficos sobre a lua. Descobriu um processo, a amalgamação do sódio e pela análise espectral tornou conhecido um novo corpo metálico simples, o tálio. Através de uma série de experiências bem sucedidas demonstrou com exactidão um quarto estado da matéria, além do sólido, líquido e gasoso : O da matéria radiante. Com essa posição intelectual e científica, anunciou que iria se ocupar dos chamados fenómenos espíritas, com o rigor de um experimentador científico. Em 1874, publicou os primeiros resultados de suas pesquisa no “Quarterly Journal of Science”. Em Fevereiro de 1897 publicou suas observações sobre os fatos espíritas.

(...) Os fenómenos observados : Levitações, psicografia, telecinesia, materializações e aparições luminosas de objectos foram colocados como factos incontestáveis, que mereceriam uma laboriosa série de experiências e elaborações teóricas de acordo com as mais recentes descobertas científicas.

Para alguns outros convertidos, como Arthur Conan Doyle, o desabar da muralha entre o mundo dos mortos e dos vivos; os fatos que comprovam de forma cabal a sobrevivência após a morte e a comunicação entre mortos e vivos deveriam conduzir a uma grande transformação e esperança para o género humano pela formação de uma nova e actual expressão religiosa que levasse os homens a uma existência mais espiritualizada.

Cientistas de renome na Itália também passaram a integrar o conjunto de estudiosos dos chamados fenómenos psíquicos. Shiaparelli, Chiaia, Brotasi, Lombroso e Bozzano fizeram parte dessa galeria. Ernesto Bozzano destacou-se nesse grupo dedicando trinta anos às pesquisas psíquicas. Publicou inúmeros trabalhos científicos sobre o assunto, expondo os princípios básicos que o levaram a aderir à hipótese espírita por ser uma “necessidade lógica”.

Uma das conversões mais intrigantes do final do séc. XIX foi a de Cesare Lombroso, médico, higienista, psiquiatra e antropólogo. Seus famosos estudos estavam na área da Antropologia Criminal, nos quais revelava sua incondicional adesão aos de investigação científica positiva de sua época. Estudava homens e factos numa mesma perspectiva, como ponto de partida do método experimental. Estabeleceu uma teoria em que expunha a Génese Natural do Delito e as bases do sistema penal positivo, associando Direito Penal e Antropologia Criminal.

(...) Durante muitos anos, negou os fenómenos psíquicos e espirituais como charlatanice e credulidade simplória. Porém, após assistir a algumas sessões mediúnicas realizadas por Eusápia Paladino, e verificando a veracidade e autenticidade da produção dos fenómenos e das manifestações espirituais, Lombroso começou suas pesquisas.

Em 15 de Julho de 1891 foi publicada uma carta onde declarou sua rendição aos factos espirituais : Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos factos chamados espiríticos; digo factos, porque continuo ainda contrário à teoria. Mas os factos existem, e deles me orgulho de ser escravo.

No desenvolvimento de suas observações e estudos, Lombroso caminhou na direcção de aceitar a interferência e influência de seres espirituais sobre as manifestações e os fenómenos produzidos. Em 1909 publicou “Hipnotismo e Mediunidade”, onde descreveu, de forma categórica e imbuída do mais ortodoxo espírito científico, os resultados de seus estudos, diante das hipóteses espíritas e de sua veracidade e lógica.

(...) Também na Alemanha foram realizadas experiências científicas da sobrevivência após a morte. Faziam parte do grupo de especialistas, entre outros, Johann Karl Friedrich Zöllner, professor de física e astronomia da Universidade de Leipzig e elaborador da hipótese da teoria sobre a quarta dimensão do espaço; professor Wilhelm Edward Weber, de física e autor da doutrina da Vibração das Forças; Schneiber, matemático de renome na Universidade de Leipzig; Gustav Friedrich Fechner, físico e filósofo na mesma Universidade. Este grupo publicou em 1879 o resultado de suas pesquisas. Para eles tratava-se de uma Nova Ciência baseada em outra classe de Fenómenos Físicos, provando a existência e um outro mundo de seres inteligentes. Liderados por Zöllner, realizaram experiências com o famoso médium americano Henry Slade. Ocorreram materializações, levitações, aparições, psicografia de mensagens, que foram meticulosamente observadas, descritas e estudadas. Submetidos a considerações teóricas, os fenómenos observados revelavam uma dimensão científica e verdadeira, como um dos elementos fundamentais para a construção da teoria do espaço em quarta dimensão e da sobrevivência espiritual.

(...) É muito grande a galeria de cientistas ilustres dessa época seduzidos pelos fenómenos espíritas, realizando estudos, pesquisas, construindo teorias e revelando sua adesão, em maior ou menor grau, às novas crenças. Em vários países europeus e do continente americano, esses estudos apontam um mesmo caminho, que marcou a história do pensamento contemporâneo : A necessidade de comprovar pelos argumentos científicos aquilo que antes estava no domínio da fé religiosa”.

Artigo obtido da FEB.

Einstein, um dos maiores Cientistas de todos os tempos, disse certa vez : "A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso, passará pela vida sem ver nada". É dele também a frase : "Estamos começando a conceber a relação entre a ciência e a religião de um modo totalmente diferente da concepção clássica. Afirmo com todo o vigor que a religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa científica".

O Espiritismo, por sua vez, caracteriza-se por abordar, ao mesmo tempo, o factor Religioso, Científico e Filosófico, tornando-se assim uma Doutrina completa e bem fundamentada. Os factos a seguir têm como maior finalidade, examinar o relacionamento do Espiritismo com a Ciência, e mostrar que, já em nossos dias, eles caminham muito próximos e apenas um fino véu os separa diante dos nossos olhos.

O objectivo é mostrar que a Teoria Espírita não parte de ideias preconcebidas e imaginárias ; é fruto de um árduo trabalho de Pesquisa das inter-relações entre matéria e Espírito. Para tanto, procede da mesma forma que as Ciências Naturais..

A Ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão-de-obra para actuar na área de serviços e Pesquisas Científicas. À medida que a Ciência avança, o indivíduo fica com mais tempo livre. Os Princípios Espíritas auxiliam não só a dar uma direcção ao tempo livre do homem como também na criação e na utilização da nova tecnologia. Sem uma clara distinção entre o bem e o mal, podemos enveredar todo o nosso progresso Científico para a destruição do nosso Planeta.

O Espiritismo surgiu no momento oportuno, quando as Ciências já tinham desenvolvido o método teórico-experimental, facilitando a sua aceitação com mais naturalidade. Sabe-se que cada um deve progredir por si mesmo, descobrindo as suas próprias verdades. Porém, a presença de um Professor diminui o tempo que levaríamos, caso quiséssemos descobrir tudo por nós mesmos. O Espiritismo é esse Professor que nos estimula o pensamento na busca da verdade e na prática da caridade como meio de salvação de nossas alma

Por oportuno, vale lembrar aqui as pesquisas do Dr. Ian Stevenson, Psiquiatra americano, respeitadíssimo do ponto de vista de rigor científico e credibilidade a nível mundial, o qual tem se dedicado, praticamente toda a sua vida, às investigações relativas à Reencarnação. São quase 40 anos de pesquisas científicas com milhares de casos identificados em todo o mundo, relativas a crianças que se lembram de suas vidas passadas. Não sendo Espírita nem crente na Reencarnação, os fatos começaram a despertar nele a curiosidade e vontade de pesquisar.

Stevenson acha que se pode acreditar na Reencarnação com base em provas. Com mais de meia vida à procura de crianças que recordam vidas anteriores, estudou perto de 3 mil casos, alguns impressionantes.
Stevenson sabe que é ignorado por alguns dos seus pares, mas o seu trabalho é espantoso. Dos 14 livros publicados, as demonstrações para que os mais racionais acreditem na Reencarnação são fantásticas.

Um dia, quando as pessoas se consciencializarem desta realidade, haverá profunda alteração no tecido social do planeta, já que o homem sabendo que o seu futuro dependerá do seu agir de agora, não mais fará a guerra, deixará de ser xenófobo, racista, deixará de desprezar o pobre ou o marginal ou a pessoa do outro sexo, deixará de poluir a natureza, pois saberá que na próxima existência ele poderá passar pelas situações até então desprezadas para aprender a valorizá-las dentro da vida como experiências importantes para todos nós.

Parte dos Textos acima foi obtida de : Notícias Magazine, 02 Junho 2002, Portugal, «A reencarnação com base em provas».

CULTIVO DA CIÊNCIA ESPÍRITA

· A conquista dos segredos da natureza exige pesquisa paciente e metódica. Ninguém pretenda alcançar o conhecimento das leis naturais, agindo atabalhoadamente, sem um roteiro, sem um sistema racional, sem um método.

· O método não significa exclusivamente ordem. Faz, também, parte integrante dele a honestidade, o amor à verdade, o equilíbrio emocional, a ausência de prejuízos doutrinários e muitas outras atitudes positivas devem aureolar o verdadeiro investigador.

· Lembremo-nos de que o maior inimigo do pesquisador espírita é, sem dúvida, o seu emocional, carregado muitas vezes do pensamento mágico.

· Toda experiência carece ser cuidadosamente planejada e seus resultados submetidos a rigorosa análise. Ao legítimo pesquisador não interessa seja confirmada este ou aquele ponto vista, e sim revelado qual o que está certo. Para ele só há um objectivo: a verdade.

·Toda experimentação precisa ser repetida um grande número de vezes, e seus resultados convém anotados cuidadosamente para posterior tratamento estatístico.

· O Pesquisador científico do Espiritismo deve ter conhecimento das Ciências Naturais e da matemática. (Andrade, 1960, cap. II)

· Não se aprende a ciência espírita sem tempo para reflexão. Por isso, nada de precipitação. O correcto é aplicar-se de maneira exaustiva, excluir toda a influência material, e observar criteriosamente os fenómenos, tanto os bons quanto os maus.



8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDRADE, H. G. Novos Rumos à Experimentação Espirítica. São Paulo, Livraria Batuíra,1960. BRONOWSKI, J. e MAZLICHE, ___. A Tradição Intelectual do Ocidente. Lisboa, Edições 70, 1988.CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3. ed., São Paulo, FEESP, 1981.DELANNE, G. O Fenómeno Espírita. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1990.FREIRE, J. Ciência e Espiritismo (Da Sabedoria Antiga à Época Contemporânea). 2 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1955. GARCIA MORENTE, M. Fundamentos de Filosofia - Lições Preliminares. 4. ed., São Paulo, Mestre Jou, 1970.KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.RUIZ, J. A. Metodologia Científica - Guia para Eficiência nos Estudos. São Paulo, Atlas, 1979.

sábado, 14 de abril de 2007

o que é o espiritismo?


O QUE É O ESPIRITISMO OU DOUTRINA ESPÍRITA?

"Nascer, morrer, renascer de novo e progredir sempre. É esta a lei."Allan Kardec (vide
biografia)

O vocábulo espiritismo costuma ser associado a casas assombradas, superstições, rituais africanos, fantasias e, até, a terapias alternativas.....

O Espiritismo (com e maiúsculo) ainda é pouco e muito mal conhecido. Na realidade, é uma Doutrina que trata da origem e natureza dos Espíritos e das suas relações com o mundo material, através de um conjunto de princípios e de leis, revelados por diversos Espíritos Superiores, que estão contidos nas obras que Allan Kardec recebeu e coordenou e que constituem a chamada Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, o Céu e o Inferno e A Génese.

O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de Abril de 1857, em Paris, é a obra básica do Espiritismo (já que todas as outras partem dela) e contém os princípios de uma filosofia espiritualista sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e as suas relações com os homens, as leis morais, a presente vida, a vida futura e o futuro da Humanidade, segundo os ensinamentos transmitidos por Espíritos Superiores através de vários médiuns e que, como acima se diz, foram recebidos e coordenados por Kardec. Não se trata, portanto, da obra de um homem mas sim da de vários espíritos desencarnados que inauguraram uma nova era na humanidade: a Era do Espírito. E, neste sentido, é errado dizer-se que Kardec fundou o Espiritismo. Antes dele, já este existia; mesmo na Bíblia, no Antigo Testamento, deparamo-nos muitas vezes com casos mediúnicos relatados nos seus diversos livros. Mas foi ele que adoptou os termos “Espírita” e “Espiritismo” e, através da Doutrina Espírita, explicou os factos que os espíritos apresentavam ao mundo.

Embora tenha publicado outras obras (O que é o Espiritismo, Revista Espírita, A Prece, etc.) as cinco que acima se mencionam são as principais e as que constituem o ABC da doutrina. Mas o Espiritismo é, também, o Consolador prometido por Jesus (cf. Evangelho segundo S. João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26) que veio, na altura devida, relembrar e completar o que Jesus nos ensinou, trazendo assim à Humanidade as bases reais para a sua espiritualização. Tendo como fundamento a moral Cristã, a Doutrina Espírita é a revivência do Evangelho de Jesus e revela conceitos novos e mais profundos sobre Deus, o Universo, os homens, os espíritos, e as leis que regem a vida. Explica ainda o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual é o objectivo da nossa existência e, também, qual é a razão da dor e do sofrimento.

Jesus é o guia e modelo de toda a Humanidade. A moral que Ele nos ensinou e exemplificou é a expressão mais pura das Leis de Deus e o roteiro seguro para a evolução de todos os homens. Assim, a sua aplicação é a solução para todos os problemas e também o objectivo a ser atingido por toda a Humanidade. E a oração, a prece, é uma grande ajuda, porque se for feita com sinceridade, fervor e fé, Deus envia ao homem Espíritos para o auxiliar e tornar mais forte na sua luta contra o mal.

Os princípios básicos do Espiritismo são:
A existência de Deus como Primeira Causa de todas as coisas, único, imaterial, eterno, imutável, omnipotente e soberanamente justo e bom.

A existência dos espíritos como seres imateriais e imortais, que conservam a sua individualidade após a morte do corpo físico.

A evolução incessante dos espíritos, em direcção à perfeição divina, que é o único determinismo da vida.

A reencarnação, como mecanismo fundamental para a evolução dos espíritos, através da qual se manifesta a Justiça Divina que os educa, a fim de compreenderem as Leis de Deus.

A mediunidade, como um meio natural de comunicação com os espíritos desencarnados e, também, como uma faculdade igualmente natural que é inerente a todos os seres humanos. O Espiritismo difere das doutrinas mediúnicas porque se utiliza desta faculdade como um meio de aprendizagem e de evolução e apenas com base nos princípios da doutrina e dentro da moral cristã. A prática da mediunidade não é a espinha dorsal do Espiritismo, mas uma via por onde ele procura ajudar o próximo e conhecer a verdade.Praticar a mediunidade não torna ninguém espírita.

A moral cristã, sobre a qual se apoia a conduta do verdadeira espírita. Kardec diz a este respeito: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as suas más tendências.”

A pluralidade dos mundos habitados e não apenas a Terra; além do mundo material, moradia dos espíritos encarnados, existe também o mundo espiritual, moradia dos espíritos desencarnados. O Universo está plenamente ocupado com diversos tipos de mundos em que habitam seres que se encontram em diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos, e menos evoluídos do que o homem.

O Espiritismo penetra em pontos fundamentais do conhecimento humano. Aborda questões morais, filosóficas, científicas e religiosas; daí o dizer-se que é Ciência, Filosofia e Religião. É Ciência porque, tendo método e objecto próprios, usa a observação e a experimentação para procurar o seu próprio desenvolvimento; é Filosofia porque responde às questões básicas do conhecimento humano: estuda as origens do homem, de onde veio, para onde vai e quem é; e é Religião (embora não tenha cultos ou rituais externos nem sacerdotes) porque procura a integração do homem com Deus.
O homem é um espírito encarnado num corpo material e perecedouro. Os espíritos (que são seres inteligentes e imortais) são criados por Deus simples e ignorantes e irão reencarnar tantas vezes como se demonstre serem necessárias para a sua evolução moral e intelectual. Eles evoluem sempre. Nas suas múltiplas existências podem parar na sua evolução, mas nunca retrocedem. E a rapidez da sua evolução é directamente proporcional ao esforço que para tal empreguem.
Os espíritos existem em diferentes ordens de perfeição moral, segundo o progresso que já atingiram: Espíritos Puros, Espíritos Bons e Espíritos Imperfeitos. As suas relações com os homens são constantes: os Espíritos Bons atraem-nos para o bem; os Espíritos Imperfeitos instigam-nos ao mal, ao erro. Mas o homem é criado por Deus com o livre arbítrio, ou seja, com a liberdade de decisão para agir. E assim, a sua vida futura será a consequência das suas acções de hoje ou de ontem, proporcionando-lhe dores e alegrias, segundo o comportamento que tenha tido de respeitar, ou não, as Leis de Deus.

O Espiritismo tem ainda como regra outro ensinamento de Jesus: “Dá de graça o que de graça recebeste” (cf. Evangelho segundo S. Mateus, cap. X, v: 8). Por isso, todos os actos praticados na Casa Espírita são grátis. Além disso, nas suas reuniões não utiliza altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões ou indulgências, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinogénias, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopo, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios ou quaisquer outros objectos ou rituais.

O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, dando valor a todos os esforços que se fazem para a prática do bem, e trabalha para que haja paz e convivência fraternal entre todos os homens, seja qual for a sua raça, cor, nacionalidade, crença religiosa e nível cultural ou social.
A Doutrina Espírita veio ainda mostrar que o egoísmo e o orgulho (também chamado às vezes “amor-próprio”) são as verdadeiras chagas da Humanidade, porque são eles que a prendem ao materialismo, tirando-lhe a alegria de viver e a esperança no futuro...

O Espiritismo diz-nos que o verdadeiro homem de bem é aquele que “cumpre a Lei de Justiça, Amor e Caridade, na sua maior pureza” e ensina-nos ainda que
“Fora da Caridade não há Salvação”(Allan Kardec)