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domingo, 13 de janeiro de 2008

Panteísmo


Panteísmo

14. Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.
“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além.
Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”

15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

“Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.”

16. Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, Ele dá a todos os fenómenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?

“A razão. Reflecti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.”
Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia
sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria à ideia de Deus, sem que Ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá subtilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da Sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos o que Ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exactamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.
A inteligência de Deus se revela em Suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Referencia: O livro dos espíritos

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Atributos da divindade


Atributos da divindade


10. Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?

“Não; falta-lhe para isso o sentido.”

11. Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a
criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da
Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.

12. Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar ideia de algumas de Suas perfeições?

“De algumas, sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.”

13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, omnipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa de Seus atributos?

“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas ideias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”
Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.
É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.
É omnipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas.
As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

Referencia: O livro dos espíritos

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Provas da existência de Deus


Provas da existência de Deus

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a
causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo
existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem
em si, da existência de Deus?
“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma
base? É ainda uma consequência do princípio - não há efeito sem causa.”

6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da
educação, resultado de ideias adquiridas?
“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”
Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um
ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse
ensino, conforme se dá com as noções científicas.

7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da
formação das coisas?
“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma
causa primária.”
Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria
tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa.

8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma
combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser
inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”
A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios
determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior
a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a
obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada
admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
Do poder de uma inteligência se julga pelas obras. Não podendo nenhum ser
humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, consequentemente, uma
inteligência superior à Humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela
própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa
primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem.

Referencia: O livro dos espíritos

sábado, 8 de setembro de 2007

Deus e o infinito


Deus e o Infinito


1. O que é Deus?
— Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. (1)


2. O que devemos entender por infinito?
— Aquilo que não tem começo nem fim; o desconhecido; todo o desconhecido é infinito. (2)


3. Poderíamos dizer que Deus é o infinito?
— Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.


Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstracção; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.


(1) As frases que se seguem às perguntas são as respostas dadas pelos Espíritos. Suprimimos as aspas nesta edição, por considerá-las desnecessárias. As notas e explicações de Kardec, intercaladas no texto, e a partir deste capítulo até a questão nº 1018, são compostas com fonte e alinhamento diferentes, de maneira que não há possibilidade de confusão. (N. do T.)
(2) Os Espíritos se referem ao Universo. Tudo quanto nele conhecemos tem começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no infinito. Aplicação da expressão francesa: passer du connu a l'inconnu. (N. do T.)
referência: O livro dos espíritos

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Deus não perdoa


Deus não Perdoa

José Reis ChavesA frase "Deus não perdoa" parece estranha, à primeira vista. Mas, como veremos, de facto Deus não perdoa, pois só perdoa quem é ofendido. E ninguém consegue ofender a Deus, pois Ele é um ser infinito, e que, por isso mesmo, jamais poderia ser atingido ou molestado por nós, seres finitos, limitados. Se pudéssemos ser capazes de prejudicarmos Deus, não seria Ele Deus.


Com efeito, só um outro ser infinito – outro Deus – poderia ofender a Deus. E, ao admitirmos essa hipótese, estaríamos enveredando-nos pelo caminho do Politeísmo, ou seja, o da doutrina que aceita mais de um Deus.


Destarte, podemos afirmar que o chamado pecado, de que falam as religiões, está para as Leis de Deus, assim como o crime está para as Leis dos Homens. Note-se que nem Deus nem a autoridade civil sofrem, pois, quando cometemos um pecado, estamos praticando uma acção que infringe as Leis de Deus, do mesmo modo que infringimos as leis humanas, quando praticamos um crime. Entretanto, em ambos os casos – pecados e crimes – sempre quem sofre as consequências deles, directa ou indirectamente, são as suas vítimas, que são, também, inclusive, os próprios autores desses actos, pois um infractor das Leis – quer sejam elas divinas ou humanas – está sujeito a problemas e a penas. Realmente, o responsável por um pecado ou crime sempre sofrerá, também, as consequências dos seus actos, podendo ser ele, inclusive, o único prejudicado directamente, como no caso de suicídio ou tentativa de suicídio.


E continuemos as nossas elucubrações sobre esta matéria: Deus não perdoa.


Alguém poderia objectar dizendo que a Bíblia afirma o contrário disso. E é verdade. Porém, não podemos interpretar tudo que ela diz, literalmente. São Paulo até nos advertiu dizendo que a letra mata. E a Bíblia teria mesmo que falar que Deus perdoa, para que O tivéssemos como sendo o nosso modelo de bondade e de amor, além do que as pessoas daqueles longínquos tempos somente poderiam entender esse tipo de linguagem.


Na verdade, entretanto, Deus é inofendível. E o que tem esse estado de inofendibilidade, nada tem que perdoar, pois só perdoa quem é ofendido. E é para esse estado que estamos caminhando, à proporção que, espiritualmente, vamos evoluindo.


No final da vida de Gandhi, essa grande alma de escol indiana, perguntaram-lhe se ele perdoou todos os seus inimigos. E ele respondeu que não perdoou ninguém, pois que ninguém o havia ofendido.


E eis algumas das muitas máximas conhecidas do Homem de Nazaré, que nos deixam clara essa questão de quem já está na fase de inofendibilidade: "Se alguém tomar-lhe a capa, dê-lhe, também, a túnica." "Se alguém lhe bater numa das faces, apresente-lhe a outra". "Se alguém obrigá-lo a andar uma milha, ande duas". E esta última: "Não resistais ao maligno".


Ora, se nós, com nossa perfeição relativa, podemos atingir esse estado de inofendíveis, e, consequentemente, de não termos que perdoar, com mais razão, com sua perfeição absoluta, Deus não perdoa!


sexta-feira, 4 de maio de 2007

deus e a criação


DEUS E A Criação
Grupo Espírita Bezerra de Menezes

"No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas" - (Gênesis, cap. 1 - 1 e 2).

- A OBRA DE DEUS

Desde os tempos em que a humanidade vivia em cavernas o homem admira-se perante a grandiosidade do Universo.
Ernest Renan, um historiador e filólogo francês do século XIX, em sua magnífica obra A Vida de Jesus, afirma: "Desde que o homem se diferenciou do animal, tornou-se religioso, ou seja, ele percebeu que na natureza havia algo além da realidade e, em si mesmo, algo que estava além da morte". Por isso, o ser humano sempre buscou respostas sobre a origem das coisas e quis saber a respeito de quem teria sido o supremo arquiteto dos céus, dos montes, dos mares, da natureza etc. A Doutrina Espírita, como veremos, nos oferece seguras respostas a esses questionamentos.

a) Que é Deus

Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Criou tudo o que há. É o único princípio não criado. Sempre existiu.

As leis da Física demonstram que um determinado efeito nunca é anterior à causa. No caso da Criação, pode-se concluir que ela é consequência da acção de um princípio lógico, que se encadeia de forma inteligente. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.

O homem, observando o mundo que o cerca, pode deduzir através da razão, que aquilo que o criou deve ser inteligente e superior a tudo o que existe. A essa causa primária denominou-se "Deus". Podemos reconhecer Deus observando e estudando suas obras.

"Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, observando a previdência, a sabedoria, a harmonia que preside a todas as coisas, reconhecemos que nenhuma há que não ultrapasse o mais alto alcance da inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são o produto de uma inteligência superior à humanidade, a não ser que admitamos haver efeito sem causa" - (Allan Kardec - A Gênese, cap. II, item 5).

b) Atributos da Divindade

Não é dado ao homem, dentro da impotência em que se encontra, atingir toda a magnitude da natureza íntima de Deus. Por muito tempo, o homem julgou Deus à sua imagem e semelhança, dando a ele a aparência humana, bem como suas imperfeições, moldando um Deus colérico, vingativo e ciumento. Entretanto a Divindade possui atributos próprios de sua natureza suprema. Deus não se mostra, mas afirma-se mediante suas obras, diz Kardec. Diante disso, pode-se afirmar que:
Deus é eterno: Ou seja, não teve começo e não terá fim. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. O nada, sabemos, não existe. Deus é o ser absoluto, eterno, a própria eternidade.
Deus é imutável: Se Ele fosse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam estabilidade. Sua imutabilidade é o alicerce das leis físicas e morais.

Deus é imaterial: A natureza de Deus difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável e suas leis estariam sujeitas às transformações da matéria.
Deus é único: Se existissem muitos deuses, não haveria unidade de vistas, nem de poder na organização do Universo. Se existisse um outro Deus, teria que ser igualmente infinito em todas as coisas, caso contrário nem um nem outro teria a soberana autoridade. Os povos antigos, por ignorância, acreditavam na existência de muitas divindades e associavam-nas às forças da natureza, às montanhas, aos mares, às matas, aos astros etc.

Deus é todo poderoso: Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria a supremacia sobre a Criação, deixando de ser Deus. Aquelas obras que Ele não tivesse feito, seriam obrigatoriamente feitas por outro deus. Portanto Deus é todo poderoso porque é único.

Deus é soberanamente justo e bom: A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas que cercam o ser humano, e esta sabedoria não permite que se duvide de Sua justiça nem da Sua bondade.

Deus é infinitamente perfeito: Conceber Deus sem essa perfeição infinita é ter que admitir que exista algo ainda mais perfeito. Se retirássemos a menor parcela de um de seus atributos, já não teríamos Deus, pois poderia existir um ser mais perfeito.

"Deus é, pois, a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, omnipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode deixar de ser assim. Tal é o eixo sobre o qual repousa todo o edifício universal; é o farol do qual os raios se estendem sobre o universo inteiro, o único que pode guiar o homem em sua pesquisa da verdade; ao segui-lo, não se extraviará nunca; e se tem se desencaminhado com tanta frequência, é por não ter seguido o caminho que lhe é indicado" - (Allan Kardec - A Gênese, cap. II, item 19).

Se é possível crermos na existência de um Ser superior que criou o mundo onde vivemos e o Universo que nos cerca, e que nos concedeu oportunidade de vida e progresso, seria lógico e racional nos esforçarmos no sentido de compreendê-lo. Esta é a meta do aprendizado espírita.
A Religião deveria se configurar numa instituição de grande importância para a humanidade, porém, seu sentido acabou sendo desvirtuado pelos homens. Sua função seria a de transmitir os ensinamentos divinos aos seres humanos, libertando-os da escravidão das ideias materialistas, que o atrelam a um mundo de ilusões transitórias, sem compreender o verdadeiro sentido da vida.

Não existe ainda na linguagem humana, palavras que possam definir a verdadeira natureza de Deus. O Espiritismo nos faz analisar isso com muito mais racionalidade, porém ainda não é o ideal. Quando o Espírito atinge o estágio de Espírito Puro, ele compreende o Criador de modo mais amplo. Até lá, sua ideia a respeito do Pai é apenas relativa ao seu grau de adiantamento.

- O ESPÍRITO

O Espírito é o princípio inteligente da Criação. No plano material, ele está presente em todo elemento vivo. Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Todos estão sujeitos à Lei da Evolução. Em fases primitivas, não pensam, mas movem-se por sensações. Mais tarde, são dirigidos pelo instinto; depois, pela inteligência; e, por fim, chegam à razão e à angelitude.
Os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Habitam o Universo em variados estágios de desenvolvimento e diversas categorias de mundos. Foram criados simples e ignorantes, isto é, sem sabedoria e sem a consciência do bem e do mal. São dotados de aptidões para adquirir o conhecimento intelectual e moral através de encarnações.

No princípio, o Espírito é como uma criança, sem vontade própria definida. Depois, aos poucos, vai se tornando livre através das experiências reencarnatórias. Não é divisível, nem tem sexo. Não é palpável, embora não seja o nada, pois o nada não existe. É errado confundi-lo com a inteligência. Os dois se interagem, mas, na verdade, a inteligência é um atributo do Espírito.
Quando encarnado, o Espírito recebe a definição de Alma. Desencarnado e habitando o plano espiritual à espera de uma nova encarnação, diz-se que está "errante". Apenas os Espíritos puros não são errantes, pois não necessitam mais da experiência reencarnatória.

É importante destacar que é na matéria que o Espírito é testado em suas potencialidades, embora continue progredindo na dimensão espiritual. No plano invisível, pode estudar em cursos ministrados nas colónias transitórias e ter uma visão mais ampla dos conhecimentos, mas terá que colocar em prática, na matéria, as lições aprendidas. A Terra é uma grande escola onde todos os homens e seres vivos crescem para Deus.

"O Espírito progride igualmente na erraticidade. Nela adquire conhecimentos especiais que não poderia adquirir na Terra. Suas ideias então se modificam. O estado corpóreo e o estado espiritual são para ele as fontes de duas formas de progresso que se desenvolvem solidárias. É por isso que ele passa alternativamente por esses dois modos de existência" - (Allan Kardec - O Céu e O Inferno, cap. III, item 10).

a) Natureza dos Espíritos

"Dizemos que os Espíritos são imateriais porque a sua essência difere de tudo o conhecemos pelo nome de matéria" - (Allan Kardec - O Livro dos Espíritos, item 82).

Os Espíritos são de natureza etérea. Pode-se afirmar que são uma chama, uma centelha ou um clarão. A linguagem humana é muito limitada para exprimir sua verdadeira essência. Não se deve defini-lo como imaterial, pois que é algo. Quando nos referirmos ao Espírito, seria mais apropriado usarmos o termo "incorpóreos.

Os Espíritos foram criados por Deus. São, pois, constituídos de alguma coisa. Como e quando foram criados constituem-se em mistérios não revelados. Existem algumas teorias que tentam explicar a origem dos Espíritos, mas não o fazem com clareza, por falta de referenciais que possam exprimir certas ideias abstractas.

Qual seria o destino final do Espírito, depois que atingem a condição de Espíritos puros? Esta pergunta foi feita por Allan Kardec ao Espírito de Verdade, que deu a seguinte resposta:
"Há muitas coisas que não compreendeis, porque a vossa inteligência é limitada; mas não é isso razão para as repelirdes. O filho não compreende tudo o que o pai compreende, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende. Nós te dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim; é tudo quanto podemos dizer, por enquanto" - (O Livro dos Espíritos, questão 83).

- A MATÉRIA

A matéria é uma das variações de um elemento básico primitivo chamado "fluido universal", que estudaremos mais adiante. Ela existe em diversos estados na natureza variando infinitamente da ponderabilidade à imponderabilidade ou eterização. Não podemos defini-la apenas como aquilo que tem extensão, impenetrabilidade e que impressiona os sentidos físicos, como afirma a Ciência. A matéria também pode existir numa condição tão etérea e subtil, a ponto de não ser percebida pelos sentidos convencionais.

A matéria é o meio através do qual os Espíritos desenvolvem suas potencialidades e manifestam suas obras. Kardec diz que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual e sobre o qual o Espírito actua.

a) O Universo

Com o progresso da Ciência, descobriu-se certas leis e princípios que vieram explicar muitos mistérios existentes, quanto à origem do mundo e do Universo. Ficou demonstrado, por exemplo, que a Criação não se resumia na região circunvizinha à Terra, como a princípio se pensava. Havia no espaço distante muito mais. Planetas, cometas, estrelas, nebulosas e galáxias formam esse majestoso conjunto chamado Universo.

A humanidade progride constantemente no campo científico, facilitando a evolução do homem e da própria sociedade. Aos poucos, os véus dos mistérios vão sendo levantados e o homem vai se consciencializando do quanto é pequeno, frente a grandiosa obra do Criador. Porém, algumas questões a respeito da origem e destino das criaturas nunca tiveram explicações convincentes. Com o advento do Espiritismo, os Espíritos superiores, através de revelações mediúnicas, transmitiram ideias mais completas sobre o ser humano e tudo que o cerca.

Os Espíritos disseram que o Universo abrange a infinidade de mundos que vemos e que não vemos, o espaço que há por toda parte, todos os seres animados e inanimados, os astros que se movem, assim como os fluidos e as energias da natureza.
A Ciência explica que o Universo é formado por dois elementos básicos: matéria e energia. A matéria seria uma forma condensada da energia, conforme demonstram as experiências atómicas.

Os Espíritos revelaram que a Criação na verdade se assenta em três princípios fundamentais: Deus, Espírito e Matéria. A matéria e a energia, segundo eles, seriam uma forma condensada e activa do fluido universal respectivamente.

b) Os mundos

Os mundos são formados pela condensação da matéria disseminada no espaço universal. São as estrelas, os planetas, os cometas, as nebulosas etc. Jesus Cristo, referindo-se à pluralidade dos mundos habitados, afirmou:
"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar" - (João, 14:2).

De uma maneira geral, os mundos habitados podem ser classificados em cinco categorias distintas:

Mundos primitivos: Os mundos primitivos são planetas onde os Espíritos realizam suas primeiras experiências encarnatórias. A Terra, no passado distante, já esteve neste estágio primário.

Mundos de expiação e provas: Mundos de expiação e provas são planetas mais adiantados que os mundos primitivos. Mas, por causa do pouco adiantamento moral de seus habitantes, o mal e o sofrimento ainda predominam na sociedade. É um lugar onde os Espíritos resgatam dívidas contraídas perante a Lei Divina e passam por provas destinadas ao seu aperfeiçoamento moral e intelectual. O mundo terreno actualmente está nesta categoria.

Mundos regeneradores: Os mundos regeneradores são orbes onde não há mais expiações, mas existem provas pelas quais o Espírito encarnado ainda tem que passar para adiantar-se. São os mundos de transição entre os de expiação e provas e os felizes.

Mundos felizes: Os mundos felizes são os planetas onde predominam o bem e a justiça na vida social. Nessas sociedades não há mais injustiças de nenhuma natureza e os povos são fraternos uns com os outros, ajudando-se reciprocamente.

Mundos divinos: São aqueles onde reina absolutamente o bem, sem qualquer mistura com o mal. Constituem-se em moradas de Espíritos superiores e da felicidade dos eleitos.

- OS SERES VIVOS

Os seres vivos são produto da união do Espírito com a matéria, através da vontade de Deus. O corpo material dos elementos vivos é formado por agrupamentos orgânicos chamados células que, por sua vez, são formadas por grupos moleculares e átomos, animados pelo fluido vital, de que falaremos adiante. Toda essa complexa organização é dirigida pelo princípio inteligente.

a) Reino vegetal

O reino vegetal compreende o reino das plantas. É composto de variadas espécies, onde as formas espirituais primitivas sofrem o primeiro processo de aperfeiçoamento no ambiente material. De modo geral, pode-se dizer que a vida no reino vegetal é caracterizada pela fotossíntese, um processo onde as plantas, aproveitando a energia solar, fazem a síntese da matéria orgânica para sua sobrevivência na superfície do planeta.

b) Reino animal

O Reino animal agrupa os seres animados. São os insectos, os peixes, as aves, os animais irracionais, o homem etc. Nessas criaturas, o processo de alimentação e o sistema nervoso são mais aperfeiçoados, segundo a necessidade de cada uma delas. O reino animal abriga Espíritos num estágio superior ao reino dos vegetais. A espécie humana é a classe mais adiantada das entidades espirituais que o compõem.

- A TRINDADE UNIVERSAL

Vimos que matéria e fluido são uma só grandeza, ou seja, o princípio material. Além dela, existe o princípio inteligente, ou espiritual, constituindo-se na segunda grandeza da Criação. Acima deles está a causa de ambos: Deus.
Eles formam a Trindade Universal: Deus, Espírito e Matéria. Portanto, existe a matéria como Princípio Material, fluido universal; o Espírito, como Princípio Espiritual e inteligente; e acima de tudo Deus, o Criador e conservador de todas as coisas. Esses três fundamentos são o princípio de tudo o que existe.