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domingo, 27 de julho de 2008

Da obsessão


Da Obsessão


Obsessão Simples - Fascinação - Subjugação - Causas da Obsessão - Meios de Combatê-la


237. No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança.


A obsessão apresenta características diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenómenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.


238. A obsessão simples verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados.


Não se está obsedado pelo simples facto de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, pois, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar.


Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição.


Podemos incluir nesta categoria os casos de obsessão física, que consistem nas manifestações barulhentas e obstinadas de certos Espíritos que espontaneamente produzem pancadas e outros ruídos. Quanto a este fenómeno, remetemos o leitor ao capítulo Manifestações Físicas Espontâneas, nº 82.


239. A fascinação tem consequências muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada directamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga.


Dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a acções ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.(1)


Compreende-se facilmente toda a diferença entre obsessão simples e a fascinação. Compreende-se também que os Espíritos provocadores de ambas devem ser diferentes quanto ao carácter. Na primeira, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na segunda, é muito diferente, pois para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas através de tudo isso deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme, mais do que tudo, as pessoas que vêem as coisas com clareza. Sua táctica é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição, está certo de ter sempre razão.


(1) A fascinação é mais comum do que se pensa. No meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a Doutrina e reformularem os seus princípios. (N. do T.)

240. A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro jugo.


A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. No médium escrevente produz uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. Vimos subjugados que, na falta de caneta ou lápis, fingiam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, escrevendo em portas e paredes.


A subjugação corpórea vai às vezes mais longe, podendo levar a vítima aos actos mais ridículos. Conhecemos um homem que, não sendo jovem nem belo, dominado por uma obsessão dessa natureza, foi constrangido por uma força irresistível a cair de joelhos diante de uma jovem que não lhe interessava e pedi-la em casamento. De outras vezes sentia nas costas e nas curvas das pernas uma forte pressão que obrigava, apesar de sua resistência, a ajoelhar-se e beijar a terra nos lugares públicos, diante da multidão. Para os seus conhecidos passava por louco (2), mas estamos convencidos de que absolutamente não o era, pois tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria vontade, e sofria com isso horrivelmente.


241. Dava-se antigamente o nome de possessão ao domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. A possessão corresponderia, para nós, à subjugação. Se não adoptamos esse termo, é por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles susceptíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a ideia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, quando só existe constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não existem possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e fascinados.(3)


242. A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É também um dos mais frequentes. Assim, nunca serão demais as providências para combatê-la. Mesmo porque, além dos prejuízos pessoais que dela resultam, constitui um obstáculo absoluto à pureza, à veracidade das comunicações. A obsessão, em qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, e não podendo jamais esse constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança. Se, por vezes, se encontrar nela algo de bom, é necessário restringir-se a isso e rejeitar tudo o que apresentar o menor motivo de dúvida.


243. Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:


1) Insistência de um Espírito em comunicar-se queira ou não o médium, pela escrita, pela audição, pela tiptologia etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam.


2) Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas.


3) Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem falsidades ou absurdos.


4) Aceitação pelo médium dos elogios que lhe fazem os Espíritos que se comunicam por seu intermédio.


5) Disposição para se afastar das pessoas que podem esclarecê-lo.


6) Levar a mal a crítica das comunicações que recebe.


7) Necessidade incessante e inoportuna de escrever.


8) Qualquer forma de constrangimento físico, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar sem querer.


9) Ruídos e transtornos contínuos em redor do médium, causados por ele ou tendo-o por alvo.


(2) Manias, trejeitos, esgares, tiques nervosos e estados permanentes de irritação provêm em geral de subjugações corpóreas. Contam-se por milhares os casos de curas obtidas em sessões espíritas. Os médicos espíritas, hoje numerosos, geralmente conhecem essa causa e encaminham os clientes a trabalhos apropriados. Os médicos não-espíritas continuam a dar de ombros e a rir do que não conhecem, como faziam os seus colegas do tempo de Pasteur a respeito das infecções. (N. do T.)


(3) A terminologia espírita como se vê, é específica e perfeitamente ajustada aos novos conceitos decorrentes das pesquisas mediúnicas. Alguns confrades costumam substituir essa terminologia por outra derivada das Ciências contemporâneas. Não vemos razão para isso nos quadros doutrinários. Cada Ciência possui a sua linguagem própria, e a Ciência Espírita se encontra bem aparelhada nesse sentido. Por outro lado, os conceitos espíritas nem sempre encontram expressão adequada na terminologia científica actual. (N. do T.)

244. Em face do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é inconveniente ser médium, se não é essa faculdade que a provoca, enfim, se não é isso uma prova da inconveniência das comunicações espíritas. Nossa resposta é fácil e pedimos que a meditem cuidadosamente.


Não tendo sido os médiuns nem os espíritas que criaram os Espíritos, mas sim os Espíritos que deram origem aos espíritas e aos médiuns, e sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, é evidente que sempre exerceram sua influência benéfica ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica é para eles apenas um meio de se comunicarem, e na falta dessa faculdade eles se comunicam por mil outras maneiras mais ou menos ocultas. Seria erróneo, pois, acreditar que os Espíritos só exercem sua influência através das comunicações escritas ou verbais. Essa influência é permanente e os que não se preocupam com os Espíritos, ou nem mesmo crêem na sua existência, estão expostos a ela como os outros, e até mais do que os outros, por não disporem de meios de defesa. É pela mediunidade que o Espírito se dá a conhecer. Se ele for mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja. Pode-se dizer, portanto, que a mediunidade permite ao homem ver o seu inimigo face a face, se assim se pode dizer, e combatê-lo com suas próprias armas. Sem essa faculdade ele age na sombra, e contando com a invisibilidade pode fazer e faz realmente muito mal.(4)


A quantos actos não é o homem impelido, para sua desgraça, e que seriam evitados se ele tivesse um meio de se esclarecer. Os incrédulos não supõem dizer uma verdade quando afirmam de um homem que se obstina no erro: "É o seu mau génio que o impele a perder-se". É assim que o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o domínio dos maus Espíritos, deve ter como resultado, num tempo mais ou menos próximo, quando se achar divulgado, destruir esse domínio, dando a cada um os meios de se manter vigilante contra as suas sugestões. E aquele que então sucumbir só poderá queixar-se de si mesmo.


Regra geral: quem quer que receba más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob má influência; essa influência se exerce sobre ele, quer escreva ou não, isto é, seja ou não médium, creia ou não creia. A escrita oferece-lhe um meio de se assegurar da natureza dos Espíritos em acção e de os combater, se forem maus, o que se consegue com maior êxito quando se chega a conhecer os motivos da sua actividade. Se a sua cegueira é bastante para não lhe permitir a compreensão, outros poderão lhe abrir os olhos.


Em resumo: o perigo não está no Espiritismo, desde que este pode, pelo contrário, servir-nos de controle e preservar-nos do risco incessante a que nos expomos sem saber. Ele está na orgulhosa propensão de certos médiuns a se considerarem muito levianamente instrumentos exclusivos dos Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes permite compreender as tolices de que são intérpretes. Mas mesmo os que não são médiuns podem se deixar envolver.


Façamos uma comparação. Um homem tem um inimigo secreto que ele não conhece e que espalha contra ele, às ocultas, a calúnia e tudo o que a mais negra maldade possa engendrar. Vê a sua fortuna se perder, os amigos se afastarem, perturbar-se a sua tranquilidade interior. Não podendo descobrir a mão que o fere, não pode se defender e acaba vencido. Mas um dia o inimigo secreto lhe escreve e se trai, apesar da sua astúcia. Eis descoberto o inimigo, que ele agora pode fazer calar e com isso se reabilitar. Esse o papel dos maus Espíritos, que o Espiritismo nos dá a possibilidade de descobrir e anular.


245. Os motivos da obsessão variam segundo o carácter do Espírito. Às vezes é a prática de uma vingança contra a pessoa que o magoou na sua vida ou numa existência anterior. Frequentemente é apenas o desejo de fazer o mal, pois como sofre, deseja fazer os outros sofrerem, sentindo uma espécie de prazer em atormentá-los e humilhá-los. A impaciência das vítimas também influi, porque ele vê atingido o seu objectivo, enquanto a paciência acaba por cansá-lo. Ao se irritar, mostrando-se zangado, a vítima faz precisamente o que ele quer. Esses Espíritos agem às vezes pelo ódio que lhes desperta a inveja do bem, e é por isso que lançam a sua maldade sobre criaturas honestas.


Um deles se apegou como verdadeira tinha (5) a uma boa família nossa conhecida, que não teve aliás, a satisfação de enganar. Interrogado sobre o motivo do ataque a essa boa gente, ao invés de apegar-se a homens da sua espécie, respondeu: esses não me dão inveja. Outros são levados por simples covardia, aproveitando-se da fraqueza moral de certas pessoas, que sabem incapazes de lhes oferecer resistência. Um destes, que subjugava um rapaz de inteligência muito curta, respondeu-nos sobre o motivo da sua escolha: Tenho muito necessidade de atormentar alguém: uma pessoa capaz me repeliria; apego-me a um idiota que não pode resistir.


(4) Perguntam algumas pessoas como Deus deixou a Humanidade tanto tempo sem recursos diante desse inimigo invisível. Mas a verdade é que a mediunidade sempre existiu e que as suas manifestações vêm de todos os tempos, como Kardec já explicou. Assim como sempre houve meios empíricos de combater os micróbios, mesmo quando não eram conhecidos, houve-os também de controlar a influência dos Espíritos, desde os tempos primitivos. O Espiritismo veio oferecer os meios racionais e portanto científicos de que a Humanidade necessitava. (N. do T.)


(5) Micose antigamente muito difundida. Em francês se usa para designar pessoas más. Em português aplicamos ao Diabo: o Tinhoso. (N. do T.)

246. Há Espíritos obsessores sem maldade, que são até mesmo bons, mas dominados pelo orgulho do falso saber: têm suas ideias, seus sistemas sobre as Ciências, a Economia Social, a Moral, a Religião, a Filosofia. Querem impor a sua opinião e para isso procuram médiuns suficientemente crédulos para aceitá-las de olhos fechados, fascinando-os para impedir qualquer discernimento do verdadeiro e do falso. São os mais perigosos porque não vacilam em sofismar e podem impor as mais ridículas utopias. Conhecendo o prestígio dos nomes famosos não têm escrúpulo em enfeitar-se com eles e nem mesmo recuam ante o sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria ou um santo venerado.(6)


Procuram fascinar por uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda, cheia de termos técnicos e enfeitada de palavras grandiosas, como Caridade e Moral. Evitam os maus conselhos, porque sabem que seriam repelidos, de maneira que os enganados os defendem sempre, afirmando: bem vês que nada dizem de mau. Mas a moral é para eles apenas um passaporte, é o de que menos cuidam. O que desejam antes de mais nada é dominar e impor as suas ideias, por mais absurdas que sejam.(7)


247. Os Espíritos sistemáticos são quase sempre escrevinhadores. É por isso que procuram os médiuns que escrevem com facilidade, tratando de fazê-los seus instrumentos dóceis e sobretudo entusiastas, por meio da fascinação. Esses Espíritos são geralmente verbosos, muito prolixos, procurando compensar pela quantidade a falta de qualidade. Gostam de ditar aos seus intérpretes volumosos escritos, indigestos e muitas vezes pouco inteligíveis, que trazem felizmente como contraveneno a impossibilidade material de ser lidos pelas massas. Os Espíritos realmente superiores são sóbrios nas palavras, dizem muita coisa em poucas linhas, de maneira que essa fecundidade prodigiosa deve ser sempre considerada suspeita.


Nunca será demais a prudência, quando se tratar da publicação de semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que são neles frequentemente abundantes e chocam o bom senso, provocam impressão muito desagradável nas pessoas que se iniciam, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem contar ainda que servem de armas aos adversários para ridicularizá-lo. Entre essas publicações há as que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas e inábeis.(8)


248. Acontece com muita frequência que um médium só pode comunicar-se com um Espírito que se ligou a ele e responde pelos que são evocados. Nem sempre se trata de obsessão, porque isso pode decorrer de uma falta de flexibilidade do médium e de uma afinidade especial de sua parte com este ou aquele Espírito. A obsessão propriamente dita só existe quando o Espírito se impõe e afasta voluntariamente os outros, o que jamais é feito por um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apossa do médium para dominá-lo não suporta o exame crítico das suas comunicações. Quando vê que elas não são aceitas, mas submetidas à discussão, não deixa o médium mas lhe sugere o pensamento de se afastar, e muitas vezes mesmo lhe ordena que se afaste. Todo médium que se aborrece com as críticas das suas comunicações faz-se eco do Espírito que o domina, e esse Espírito não pode ser bom, desde que lhe inspira o pensamento ilógico de recusar o exame.


O isolamento do médium é sempre prejudicial para ele, que fica sem a possibilidade de controle de suas comunicações. Ele deve não somente esclarecer-se através de terceiros, mas também estudar todos os géneros de comunicações, para aprender a compará-las. Limitando-se às que recebe, por melhores que lhe pareçam, fica exposto a enganar-se quanto ao seu valor, devendo-se ainda considerar que ele não pode conhecer tudo e que elas giram sempre num mesmo círculo de ideias. (Ver no número 192: Médiuns exclusivos).


(6) Muitas pessoas aceitam com facilidade as comunicações assinadas por Jesus, Maria, João, Paulo e outras figuras exponenciais da Religião e da História, esquecidas das advertências doutrinárias. Mensagens com assinaturas dessa espécie são sempre suspeitas, pois os Espíritos que habitualmente se comunicam connosco são, pela própria lei de afinidade, mais próximos de nós. (N. do T.)


(7) O argumento citado é hoje frequentemente usado pelos defensores de obras psicográficas dotadas de todas as características mencionadas acima. Claro que o mistificador tem de misturar joio e trigo, pois do contrário ninguém o aceitaria. (N. do T.)


(8) Muito comum este facto, que vem ocorrendo com espantosa intensidade no Brasil, em virtude da propagação da prática espírita sem o desenvolvimento paralelo do conhecimento doutrinário. Por toda parte aparecem publicações inoportunas, desviando a atenção do público dos problemas fundamentais do Espiritismo, excitando a imaginação e o orgulho de médiuns incultos que, ainda em desenvolvimento, se deixam empolgar pela vaidade pessoal, dando atenção aos elogios de companheiros menos avisados e sendo envolvidos por Espíritos pseudo-sábios, sistemáticos, imaginosos. Todo cuidado é pouco nesse terreno. (N. do T.)

249. Os meios de combater a obsessão variam, segundo as características de que ela se reveste. Não existe um perigo real para todo médium que esteja bem convencido de lidar com um Espírito mentiroso, como acontece na obsessão simples. Esta não será para ele mais do que um facto desagradável. Mas precisamente por lhe ser desagradável, o Espírito tem mais uma razão para insistir em aborrecê-lo. Duas medidas essenciais devem ser tomadas pelo médium nesse caso: provar ao Espírito que não foi enganado por ele e que será impossível deixar-se enganar; segundo, cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente do que ele. Quando se convencer de que perde o seu tempo, acabará por se retirar, como o fazem os importunos a quem não se escuta.


Mas isso nem sempre é suficiente e pode demorar bastante, porque existem os teimosos, para os quais os meses e os anos pouco significam. O médium deve, além disso, apelar fervorosamente ao seu bom anjo e aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, suplicando-lhes assistência. No tocante ao Espírito obsessor, por mau que ele seja, é necessário tratá-lo com severidade mas ao mesmo tempo com benevolência, vencendo-o pelo bom procedimento, orando por ele. Se for realmente um Espírito perverso, a princípio se divertirá com isso, mas submetido com perseverança a um processo de moralização, acabará por emendar-se. É uma conversão que se empreende, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mas cujo mérito está na própria dificuldade, e que uma vez bem realizada traz sempre a satisfação de se haver cumprido um dever de caridade, e frequentemente a de haver reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.(9)


É também conveniente interromper as comunicações escritas quando se reconhece que procedem de um Espírito mau, que nada quer ouvir, para não se lhe dar o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode mesmo ser útil deixar de escrever por algum tempo, regulando-se isso de acordo com as circunstâncias. Mas se o médium escrevente pode evitar essas conversações abstendo-se de escrever, não se dá o mesmo com o médium audiente, que o Espírito obsessor persegue às vezes a todo instante com seu palavreado grosseiro e obsceno, e que não tem nem mesmo o recurso de fechar os ouvidos. De resto, devemos reconhecer que certas pessoas se divertem com a linguagem trivial dessa espécie de Espíritos, que os encorajam e provocam o rir das suas tolices, ao invés de lhes impor silêncio e orientá-los moralmente. Nossos conselhos não podem aplicar-se a esses que desejam afogar-se.


250. Só há, portanto, aborrecimento e não perigo para todo médium que não se deixa enganar, de vez que ele não pode ser confundido. Exactamente o contrário se verifica na fascinação, porque então o domínio do Espírito sobre a vítima não tem limites. A única coisa a fazer é convencê-la de que foi enganada e reverter a sua obsessão ao grau de obsessão simples. Mas isso nem sempre é fácil, se não for algumas vezes impossível. O ascendente do Espírito sobre o fascinado é tal que o torna surdo a todo raciocínio. Pode mesmo chegar ao ponto de fazê-lo duvidar do acerto da Ciência, quando o Espírito comete alguma grossa heresia científica.


Como já dissemos, o fascinado recebe geralmente muito mal os conselhos. A crítica o aborrece, irrita e faz embirrar com as pessoas que não participam da sua admiração. Suspeitar do seu obsessor é quase uma profanação, e é isso o que o Espírito deseja, que se ponham de joelhos ante as suas palavras.


Um desses Espíritos exercia extraordinária fascinação sobre pessoa nossa conhecida. Evocamo-lo e após algumas fanfarronices, vendo que não podia lograr-nos quanto à sua identidade, acabou confessando que tomara um nome falso. Perguntamos porque abusava tanto daquela pessoa, e ele nos respondeu com estas palavras que revelam nitidamente o carácter dessa espécie de Espíritos: Eu procurava um homem que pudesse manejar, encontrei-o e ficarei com ele. — Mas se o esclarecermos ele o expulsará. — É o que veremos!


Como não há pior cego do que o que não quer ver, quando se reconhece a inutilidade de todas as tentativas para abrir os olhos do fascinado o melhor que se tem a fazer é deixá-lo com as suas ilusões. Não se pode curar um doente que se obstina na doença e nela se compraz.(10)


(9) As instruções dadas neste item devem ser bem examinadas pelo leitor, pois ao mesmo tempo que apresentam uma técnica de afastamento dos obsessores, mostram que tudo depende da vontade e persistência do médium. Psiquiatras, psicólogos e parapsicólogos endossariam hoje essas instruções, se quisessem dar-se ao trabalho de examiná-las, embora com restrições à intervenção de um Espírito. Trata-se do caso de obsessão simples, em que o paciente não se apresenta subjugado. A "conversão" se assemelha bastante aos processos de "sublimação" psicanalítica, ao "caminho da cura" de Jung, à busca da "ressonância" de Kunkel e assim por diante. E a verdade é que esse método tem dado resultados plenamente satisfatórios, o que mostra não ser prejudicial a presença do Espírito obsessor no tratamento. Nos casos mais graves essa presença, como veremos, não pode ser esquecida, sob pena de não se obter a cura. (N. do T.)


(10) Estes casos são conhecidos de todos os clínicos como irrecuperáveis. Trata-se de ligações profundas entre o encarnado e o desencarnado, restando-nos orar por ambos, o que sempre é útil. (N. do T.)

251. A subjugação corpórea tira quase sempre ao obsedado as energias necessárias para dominar o mau Espírito. É por isso necessária a intervenção de uma terceira pessoa, agindo por meio do magnetismo ou pela força da sua própria vontade. Na falta do concurso do obsedado, essa pessoa deve conseguir ascendente sobre o Espírito. Mas como essa ascendência só pode ser moral, só pode ser exercida por uma pessoa moralmente superior ao Espírito, e seu poder será tanto maior quanto o for a sua superioridade moral, porque então se impõe ao Espírito, que se vê obrigado a inclinar-se ante ela. Era por isso que Jesus possuía tamanho poder de expulsar os que então se chamavam demónios, ou seja, os maus Espíritos obsessores.


Só podemos dar aqui alguns conselhos gerais, porque não há nenhum processo material, nenhuma fórmula, sobretudo, nem qualquer palavra sacramental que tenham o poder de expulsar os Espíritos obsessores. O que falta em geral ao obsedado é força fluídica suficiente. Nesse caso a ação magnética de um bom magnetizador pode dar-lhe uma ajuda eficiente. Além disso, é sempre bom obter, por um médium de confiança, os conselhos de um Espírito superior ou do seu anjo da guarda.(11)


252. As imperfeições morais do obsedado são frequentemente um obstáculo à sua libertação. Eis um notável exemplo, que pode servir para a instrução de todos.


Desde alguns anos que várias irmãs vinham sendo vítimas de actos estranhos de depredação. Suas roupas eram continuamente espalha das por todos os cantos da casa e até mesmo pelo telhado. Eram rasgadas, cortadas e crivadas de furos, por mais cuidados que tivessem em guardá-las sob chaves. Essas senhoras, isoladas numa pequena cidade provinciana, jamais tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que tiveram foi, naturalmente, a de estarem sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto. Mas a persistência dos factos e as precauções que tomavam afastaram essa ideia.
Só muito tempo depois, graças a algumas indicações, acharam que deviam dirigir-se a nós, procurando saber a causa desses transtornos e os meios, se possível, de lhes dar um fim. A causa estava bem clara, mas o remédio era mais difícil. O Espírito que assim se manifestava era evidentemente malfazejo. Mostrou-se, na evocação, de grande perversidade e inacessível aos bons sentimentos. A prece, porém, parecia exercer sobre ele uma boa influência. Mas após algum tempo de descanso, as depredações recomeçaram. Eis a respeito o conselho dado por um Espírito superior:


O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos seus Espíritos protectores que não as abandonem. E eu não tenho melhor conselho a lhes dar do que o de mergulharem na própria consciência para se confessarem consigo mesmas, examinando se praticaram sempre o amor ao próximo e a caridade. Não me refiro à caridade que dá e distribui, mas à caridade da língua. Porque infelizmente elas não sabem contê-la, e por outro lado não justificam, por seus actos piedosos, o desejo de se livrarem de quem as atormenta. Gostam bastante de falar mal do próximo e o Espírito que as obseda tira a sua desforra, porque em vida foi para elas um bode expiatório. Basta-lhes sondar a memória para logo descobrirem com quem estão lidando.


Entretanto, se chegarem a melhorar, seus anjos da guarda voltarão para elas e sua presença será suficiente para afastar o Espírito mau, que se apegou sobretudo a uma delas porque o seu anjo da guarda teve de afastar-se, diante dos seus actos repreensíveis ou dos seus maus pensamentos. O que elas precisam é de fazer preces fervorosas pelos que sofrem, e acima de tudo praticar as virtudes que Deus recomenda a cada um, segundo a sua condição.


À observação de que essas palavras nos pareciam um pouco severas, e que talvez se devesse abrandá-las para as transmitir, o Espírito acrescentou:
Eu tenho a dizer isso que disse e como disse, porque as pessoas em causa acostumaram-se a pensar que não fazem nenhum mal pela língua, quando na verdade o fazem e muito. Eis porque é necessário chocar-lhes o espírito de maneira que isso lhes sirva de séria advertência.


(11) A acção magnética é hoje reconhecida e utilizada pela Ciência com outro rótulo: Hipnotismo. O conceito de força fluídica é cientificamente rejeitado, mas os Espíritos o sustentam e nada até hoje provou o contrário, apesar das hipóteses em curso. (N. do T.)

Disso resulta um ensinamento de grande alcance, o de que as imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas àqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para se melhorarem. Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.


253. Mas é necessário evitar atribuir à acção directa dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são consequência da nossa própria incúria ou imprevidência. Certo dia um lavrador nos mandou escrever que há doze anos todas as desgraças caíam sobre os seu animais. Ora morriam as vacas e deixavam de dar leite, ora morriam os cavalos, os carneiros ou os porcos. Fez muitas novenas que não remediaram o mal, o mesmo se dando com as missas que mandou rezar e com os exorcismos que mandou fazer. Acreditou, então, segundo as superstições do campo, que haviam feito algum mal para os seus animais. Julgando-nos sem dúvida com maior poder de conjurar que o padre da sua aldeia, pediu-nos um conselho. Eis a resposta que obtivemos:


"A mortandade ou as doenças dos animais desse homem provêm dos seus currais infectados, que ele não manda limpar porque isso custa".


254. Encerraremos este capítulo com as respostas dos Espíritos a algumas perguntas, vindo em apoio do que dissemos:


1. Por que certos médiuns não podem livrar-se de Espíritos maus que a eles se ligam, e como os Espíritos bons que eles chamam não têm força suficiente para afastar os outros e comunicar-se por seu intermédio?


— Não falta poder ao Espírito bom. É o médium que quase sempre não está em condições de auxiliá-lo. Sua natureza é mais adequada a outras relações, seu fluido se identifica mais com um Espírito do que com outro. É isso o que dá tamanha força aos que querem enganá-lo.


2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas bastante meritórias, de moralidade irrepreensível, e não obstante impedidas de comunicar-se com os Espíritos bons.
— Não é uma prova. E quem te pode dizer que não trazem o coração um tanto manchado de mal? Que o orgulho não controla um pouco essa aparência de bondade? Essas provas revelam ao obsedado a sua fraqueza e devem incliná-lo para a humildade. Há alguém na Terra que se possa dizer perfeito? Aquele mesmo que tem todas as aparências da virtude pode ter ainda muitos defeitos ocultos, um velho fermento de imperfeição. Assim, por exemplo, dizes daquele que não pratica o mal, que é leal nas suas relações sociais: É um homem bom e digno! Mas sabes se essas qualidades não estão manchadas pelo orgulho? Se não há nele um fundo de egoísmo? Se ele não é avarento, invejoso, rancoroso, maledicente e muitas outras coisas que não percebes, porque as tuas relações com ele não te deram motivo a descobri-las? O meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.

3. A obsessão que impede um médium de receber as comunicações que deseja é sempre um sinal de indignidade de sua parte?
— Eu não disse que se trata de um sinal de indignidade, mas que pode haver obstáculos a certas comunicações. Ele deve empenhar-se em vencer os obstáculos, que estão nele mesmo. Sem isso, suas preces e suas súplicas nada farão. Não basta a um doente dizer ao médico: Dá-me a saúde, quero passar bem. O médico nada pode, se o doente não faz o necessário.


4. A privação de comunicar-se com certos Espíritos seria uma espécie de punição?
— Em certos casos pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de comunicar-se com eles é uma recompensa que deves procurar merecer. (Ver Perda e suspensão da mediunidade, nº 220).


5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos orientando-os moralmente?
— Sim, mas é o que não se faz e não se pode deixar de fazer. Porque é frequentemente uma tarefa que foi dada e que devias cumprir caridosa e religiosamente. Por meio de bons conselhos pode-se levá-los ao arrependimento e apressar-lhes o adiantamento.


5. a. Como pode um homem ter mais influência, nesse caso, do que os próprios Espíritos?
— Os Espíritos perversos se aproximam mais dos homens, que procuram atormentar, do que dos Espíritos, pois destes se afastam o mais possível. Nessa aproximação aos humanos, quando encontram quem os tenta moralizar, a princípio não lhe dão ouvidos e até riem-se dele, mas depois, se este soube prendê-los, acabam por sentir-se tocados. Os Espíritos elevados só podem falar-lhes em nome de Deus, e isso os apavora. O homem não tem, é evidente, mais poder que os Espíritos superiores, mas a sua linguagem é mais acessível à natureza inferior, e vendo a influência que podem exercer os Espíritos inferiores, compreende melhor a solidariedade existente entre o Céu e a Terra. Além disso, o ascendente que o homem pode ter sobre os Espíritos está na razão de sua superioridade moral. Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem serem superiores, são bons e benevolentes. Mas pode dominar os Espíritos que lhe forem moralmente inferiores. (Ver nº 279).


6. A subjugação corpórea, em seu desenvolvimento, poderia levar à loucura?
— Sim, a uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura ordinária. Entre os que são tratados como loucos há muitos que são apenas subjugados. Necessitariam de um tratamento moral, enquanto os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão maior número de doentes do que o fazem com as duches.(Ver nº 221).(12)


7. O que se deve pensar dos que, vendo algum perigo no Espiritismo, julgam que o meio de evitá-lo seria proibir as comunicações espíritas?
— Se eles podem proibir a certas pessoas de se comunicarem com os Espíritos, não podem impedir as comunicações espontâneas a essas mesmas pessoas, pois não podem suprimir os Espíritos nem impedir que exerçam a sua influência oculta. Essa atitude se assemelha à das crianças que fecham os olhos e pensam que a gente não as vê. Seria loucura, só porque os imprudentes podem cometer abusos, querer suprimir uma coisa que proporciona grandes vantagens. O meio de prevenir os inconvenientes é, pelo contrário, fazer que a conheçam a fundo.(13)


(12) Existe uma teoria psiquiátrica espírita que ressalta claramente deste livro. A falta de sua formulação precisa, e a rejeição do Espiritismo a grosso modo pelos psiquiatras e cientistas preconceituosos são responsáveis pelo atraso da Medicina nesse campo e pelos sofrimentos inenarráveis de milhares de vítimas. O médico Bezerra de Menezes, em A Loucura Sob Novo Prisma; o médico Ignácio Ferreira (Sanatório Espírita de Uberaba), com Novos Rumos à Medicina; e o médico Karl Wikland, da Faculdade de Medicina de Chicago (EUA), com Trinta Anos Entre os Mortos, provam, entre outros, a importância do tratamento psiquiátrico espírita. A parapsicologia favorece, actualmente, a compreensão do problema, pelos menos em termos anímicos. Vejam-se os livros de Jan Ehrenwald, J. Eisenbud, A. Ellis e outros a respeito das influências parapsíquicas nas doenças mentais. (N do T.)


(13) Em seu livro O Novo Mundo da Mente (publicado em português como O Novo Mundo do Espírito, o prof. Joseph Banks Rhine declara: "Da colecção existente na Universidade de Duke, de mais de três mil casos de ocorrências psi espontâneas, seleccionou-se uma centena de casos que sugerem a ação de certo agente espiritual, com muito maior força que qualquer outra explicação". A profa. Louise Rhine, em seu livro Os Canais Ocultos da Mente, esclarece melhor esse problema. O prof. Jan Ehrenwald propõe em seu livro já citado o aprofundamento das pesquisas sobre infiltrações telepáticas nas sessões psicoanalíticas (aliás já verificadas e referidas pelo próprio Freud), e cita vários casos de sua experiência clínica, mencionando estudos de M. Ullman, Paderson-Krag, J. Merloo, G. Booth, Hans Bender, H. J. Urbain e outros a respeito. A influência espírita, como vemos neste livro, é da mesma natureza e já está sendo admitida pelos parapsicólogos como necessária para explicação de muitos casos, pois oferece a única explicação possível. Os próprios cientistas já estão compreendendo, portanto que é preciso conhecer a fundo o problema colocado pelo Espiritismo. (N. do T.)


Referencia: O livro dos Médiuns

domingo, 10 de junho de 2007

situações obsessivas


5 – Situações Obsessivas


As obsessões, de modo geral, não apresentam gravidade e podem ser tratadas de maneira relativamente fácil pela metodologia espírita. Só em um número pequeno de casos há factores que predispõem à degeneração do processo, culminando em subjugação ou fascinação.


Nas obsessões mais graves, quase sempre encontram-se situações em que o enfermo tem um alto índice de endividamento frente às leis de Deus. Nesses casos, verifica-se ainda a presença marcante, ostensiva, de um Espírito obsessor e de circunstâncias morais no paciente que facilitam a evolução do estado mórbido.


Em todos os casos de obsessão há sempre dois lados envolvidos. Em um deles, está o obsedado, aquele que sofre a agressão do obsessor. No outro, está o obsessor, que provoca a agressão, dando origem à obsessão.


Na patologia obsessiva há várias condições de domínio espiritual, que precisam ser bem compreendidas a fim de contribuírem para o sucesso da terapia espírita. Citaremos as situações possíveis de acontecer, tendo em vista facilitar o trabalho de médiuns e doutrinadores, pois, como veremos, será preciso agir nas duas vertentes do processo, para solucioná-lo de forma conveniente. Pode-se ter as seguintes situações obsessivas:


- De desencarnado para encarnado
- De encarnado para desencarnado
- De desencarnado para desencarnado
- De encarnado para encarnado
- Auto-obsessão
- Obsessão recíproca


De desencarnado para encarnado – Trata-se da obsessão convencional, conforme Allan Kardec nos apresenta nas Obras Básicas, onde um Espírito livre atormenta um outro que está encarnado. É o processo obsessivo mais comum e de maior incidência. Todas as pessoas possuem a faixa psíquica com a qual sintonizam. Quando a predominância dessa influência situa-se no campo de acção dos Espíritos atrasados, aparece aí o fenómeno obsessivo. As razões da obsessão são diversas, conforme já tivemos oportunidade de verificar.


De encarnado para desencarnado – Embora essa situação obsessiva não seja muito comum, ela é observada em casos nos quais pessoas encarnadas podem exercer uma influência magnética muito grande sobre Espíritos desencarnados. Tais ocorrências podem se dar quando alguém perde um ente querido (ou detestado) e nutre por ele um sentimento de amor (ou ódio) possessivo.


O desejo de quem está do lado material em permanecer ligado àquele que partiu, o lamento desmedido, o desejo de vingança etc., podem estabelecer por um tempo mais ou menos longo, laços fluídicos bastante poderosos entre ambos. Casos entre pais e filhos; entre amantes; entre inimigos; situações que envolvem disputas por herança etc., já foram detectados e classificados como sendo obsessão entre "encarnados e desencarnados".


De desencarnado para desencarnado - Espíritos que atormentam Espíritos são um drama que se desenrola tanto na Terra quando no plano espiritual. Nas sessões práticas de Espiritismo é muito comuns os médiuns terem contacto com entidades desencarnadas que se queixam de estar sendo perseguidas por algozes invisíveis. Na Revista Espírita, número de Junho de 1860, no artigo ‘’Palestras familiares do Além Túmulo, Allan Kardec evoca o espírito da Sra. Duret e propõe a seguinte questão:


Pergunta: O Espírito que obcecou um médium em vida, pode obsediá-lo após a morte?


Resposta: "A morte não liberta o homem da obsessão dos maus Espíritos: é a figura dos demónios, atormentando as almas sofredoras. Sim, esses Espíritos os perseguem após a morte e lhes causam sofrimentos horríveis, porque o Espírito atormentado se sente num abraço de que não se pode libertar".


De encarnado para encarnado – Pessoas obsediando pessoas existem em grande número. A obsessão entre vivos pode se manifestar através de sentimentos de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho e ódio de um indivíduo encarnado sobre outro. Temos como exemplo situações do relacionamento interpessoal, como o marido que limita a liberdade da esposa; a esposa que submete o marido aos seus caprichos; pais que se julgam no direito de cercear a liberdade dos filhos; paixões que terminam em dramas dolorosos, pactos de suicídio, assassínio etc.


Auto-obsessão - Na auto-obsessão, como já vimos, a mente do enfermo encontra-se numa condição doentia, onde ele atormenta a si mesmo. As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do próprio paciente, ou seja, nos seus próprios dramas pessoais, vividos nessa ou noutras encarnações.


"O homem, não raramente é obsessor de si mesmo" - (Allan Kardec, em Obras Póstumas, item 58).


Obsessão recíproca - São situações de perseguição em que dois Espíritos nutrem ódio um pelo outro ou são escravos das mesmas paixões. Alguns casos podem ser classificados como verdadeira simbiose, onde um se alimenta dos desequilíbrios do outro. Tais casos podem ocorrer entre Espíritos encarnados e desencarnados.


autor desconhecido

graus de obsessão


4 – Graus da obsessão


A obsessão possui causas, consequências e sinais diversificados. Allan Kardec ordenou o fenómeno obsessivo segundo certas características e graus de intensidade que lhe são próprios e que facilita entender a gravidade de cada caso. A obsessão foi classificada pelo Mestre em três categorias distintas, segundo seu grau de manifestação: Obsessão simples, Fascinação e Subjugação.


Obsessão simples – Na obsessão simples, ocorre um grau de constrangimento que se limita a perturbar a vontade, emoção e psiquismo do paciente obsedado. O Espírito inferior incomoda o indivíduo, mas não domina em profundidade seu psiquismo. Alguém que tenha o sono perturbado por pesadelos, pode estar sendo vítima de uma obsessão simples. Se, no entanto, os efeitos provocados por esses sonhos ruins permanecem por significativa parte do dia incomodando o enfermo, o caso pode ser classificado como uma subjugação moral.


Pacientes portadores de depressões de carácter leve até mediano, podem ser vítimas de obsessões simples. Porém, se a condição psicológica degenerar na predominância de maus pensamentos no trânsito mental, a situação também pode ser colocada na classe de subjugação moral.


Pequenos tiques nervosos e manias esporádicas, também podem ser classificados como obsessão simples. Caso esses cacoetes se tornem constantes, o fenómeno obsessivo poderá ser classificado como subjugação física. Em resumo, a obsessão simples é, como o próprio nome o diz, uma interferência espiritual não grave. Mas, é importante citar que algumas obsessões simples, se não forem cuidadas adequadamente, poderão se degenerar em formas mais graves, tais como a subjugação e a fascinação. Portanto, todos os casos de obsessão merecem a maior atenção por parte da equipe responsável por esta área de actuação.


Fascinação – A fascinação é o processo de obsessão mais grave. É Allan Kardec ainda quem assim se refere, falando dessa condição obsessiva:


"A tarefa (de desobsessão) se torna mais fácil, quando o obsedado, compreendendo a sua situação, oferece o concurso da sua vontade e das suas preces. Dá-se o contrário quando, seduzido pelo Espírito embusteiro, ele se mantém iludido quanto às qualidades da entidade que o domina, e se compraz nas suas mistificações, porque então, em vez de ajudar, ele mesmo repele qualquer assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar da acção contra o Espírito obsessor" - (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 28:81).
Na fascinação, existe um mecanismo de ilusão profunda, instalada na mente enferma do paciente. Ele afecta as faculdades intelectuais, distorcendo o raciocínio, a capacidade de julgamento e a razão. O Espírito obsessor engana o doente explorando suas fraquezas morais, iludindo-o com falsas promessas. Um fascinado não admite que está obsedado. O defeito moral que provoca a fascinação é o orgulho. Infelizmente todos nós seres humanos ainda temos essa erva daninha na intimidade da alma. Bons valores mediúnicos já se perderam por causa da super valorização que algumas pessoas deram ao seu amor próprio.


Os Espíritos fascinadores são hipócritas. Não possuem qualquer receio de se enfeitar com nomes honrados e, mesmo assim, levarem suas vítimas a tomarem atitudes ridículas perante a comunidade. A fascinação é mais comum do que se pensa. Actualmente, atinge o Movimento Espírita como uma doença moral muito séria. É ela a responsável pela edição de livros anti doutrinários e comprometedores, existentes no mercado da literatura espírita em bom número. Essas obras são escritas por médiuns e escritores vaidosos, que sob o império da fascinação, não se dão conta do ridículo a que se submetem.


Também é a fascinação a responsável por inúmeras condutas esdrúxulas observadas em centros espíritas, tais como a entoação de cânticos, utilização de roupas e paramentos nas sessões, uso de cromoterapia, transformação da tribuna em anedotário etc.


Os intelectuais, embora instruídos, não estão livres da fascinação. Alguns desses indivíduos, por confiarem excessivamente no seu pretenso saber, tornaram-se instrumentos de Espíritos fascinadores e passaram a divulgar no Movimento Espírita conceitos erróneos, nocivos à fé espírita.


Allan Kardec alerta para outro grave perigo: o da fascinação de grupos. Iniciantes afoitos e inexperientes podem cair vítimas de Espíritos embusteiros que se comprazem em exercer domínio sob todos aqueles que lhes dão ouvidos, manifestando-se algumas vezes como guias e em outras ocasiões, como Espíritos de outra natureza.


A fascinação também pode afectar grupos experientes, que se julguem maduros o suficiente para ficarem livres de sua danosa influência. O orgulho e o sentimento de superioridade é a porta larga para a entrada dos Espíritos fascinadores. Portanto, deve-se tomar todo o cuidado quando se estiver na direcção de centros espíritas e ou de sessões mediúnicas. Os dirigentes são alvos preferidos dos Espíritos hipócritas que, dominando-os, podem mais facilmente dominar o grupo.


Nos processos de fascinação, frequentemente os obsedado se comprazem nos processos obsessivos a que estão envolvidos.


Subjugação – A subjugação é um tipo de obsessão que apresenta elevado grau de domínio do aspecto corporal e às vezes moral do paciente. Quanto a subjugação é moral, diferencia-se da fascinação, porque o paciente sabe que está obsedado. Na fascinação ele nega que o esteja.
Na subjugação ocorre um intenso domínio do Espírito obsessor no plano fluídico. Em alguns momentos, o obsessor chega a se imantar ao corpo espiritual do doente, provocando-lhe crises de movimentação muscular involuntária.


As crises provocadas por esta categoria de obsessão são conhecidas na linguagem popular como "possessão". Esse termo é inadequado, pois não ocorre a posse do corpo físico pelo Espírito desencarnado. O correcto é afirmar que alguém está subjugado por um Espírito, isto é, sob seu domínio, seu jugo.


O desenvolvimento dos processos de subjugação se inicia primeiro no plano moral. Depois de encontrada a sintonia adequada, evolui para homogeneização fluídica, que mais tarde levará ao domínio do perispírito do doente. A seguir, começam a aparecer as crises que afectam o corpo físico, com tiques nervosos constantes, trejeitos, agressões e quedas semelhantes a convulsões.


autor desconhecido

causas de obsessão


3 – Causas da obsessão


É de importância vital aos que lidam com o tratamento da obsessão, descobrir as causas que levaram o paciente a cair sob o domínio do Espírito obsessor que o atormenta. Sabemos, através dos ensinamentos de Allan Kardec, que no fundo de todas as perturbações espirituais residem as fraquezas morais do perturbado, as imperfeições da sua alma, que são as portas de entrada para a influência estranha. Algo parecido acontece com as doenças do corpo físico: quando elas se instalam no organismo, a causa está geralmente nas fraquezas da estrutura orgânica.


Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, na cidade de São José do Rio Preto, SP, onde foram examinados mais de 7 mil casos de anormalidades comportamentais, causadas por Espíritos ou não, se classificou as causas da obsessão como sendo provenientes de quatro fontes distintas:


- Causa moral
- Causa cármica
- Contaminações
- Auto-obsessão


Causa moral - Há duas situações que podem levar um paciente a ser vítima da obsessão por razões morais: o Espírito imaturo e o Espírito mal orientado. No primeiro caso, o da imaturidade espiritual, encontram-se pacientes poucos adiantados moralmente, com o psiquismo ainda dominado por pensamentos inferiores. A conduta dessas pessoas em torno de acções e pensamentos infelizes atrai Espíritos imperfeitos que com elas se afinizam. No começo da relação, verifica-se tão-somente uma interferência nas atitudes do indivíduo. Mais tarde, aparece um delicado mecanismo de inter influência, onde as vontades e os desejos são trocados entre perturbado e perturbador.


A seguir, a vontade do obsedado vai aos poucos sendo substituída pela do obsessor, instalando-se o fenómeno obsessivo. Este tipo de obsessão é comum e há situações em que seus portadores nem percebem que dividem sua vida mental com um Espírito inferior. Nesse tipo de obsessão não há grande chance de sucesso no tratamento. O que se pode conseguir é uma melhoria relativa, pois não há como mudar bruscamente o estado evolutivo de uma pessoa, fazendo-a entender conceitos que ainda não tem condições de conceber.


Na segunda situação, a do Espírito mal orientado, encontram-se os pacientes que tiveram educação deficitária no lar, na religião ou na escola. A inferioridade do mundo terreno, seus costumes e sistemas educativos estimulam no ser humano o desenvolvimento das paixões e o afastam de Deus. Estruturas psicológicas mal orientadas provocam nas pessoas condutas desregradas, levando-as a sintonizar com Espíritos inferiores. Pelo mesmo mecanismo citado acima, forma-se o processo obsessivo de fundo moral. Nesses casos, o tratamento será mais fácil, pois trata-se de um problema que uma simples orientação bem conduzida pode resolver.
Causa cármica – Classificam-se como obsessões cármica os casos de perturbações relacionados com as vidas passadas de um paciente em desequilíbrio. Carma é um termo que se refere à bagagem histórica do Espírito. É o produto de todas as encarnações vividas pela entidade. A palavra "Carma" é de origem sânscrita (uma das mais antigas línguas da Índia), e significa "acção". Pode-se dizer, a grosso modo, que o Carma é a acção do Espírito em toda sua trajectória evolutiva, desde sua primeira encarnação.


Denominam-se obsessões de "causa cármica", aquelas em que as perseguições observadas são oriundas do relacionamento entre obsedado e obsessor, ocorridas em vidas passadas, neste ou noutros mundos.


É um tipo de obsessão provocada pela desarmonia de conduta entre duas ou mais criaturas, gerando ódios, ressentimentos e vinganças que podem se estender às vidas futuras. A lei de acção e reacção, ou causa e efeito, regula estes processos de ajuste entre as partes envolvidas, permitindo que as consequências deste plantio mal feito, dêem seus frutos com vistas ao aprendizado de todos.


O comprometimento no passado, através das ligações vibratórias, atrai o desafecto desencarnado que, vendo consumida a fase de infância de seu inimigo, inicia sua influência maléfica sobre ele. No passar dos anos instala-se a obsessão, apresentando maior ou menor gravidade, segundo as circunstâncias que cercam cada caso.


Contaminações - Em A Génese, Capítulo XIV, Allan Kardec fez um importante estudo sobre os fluidos espirituais. Examinando suas colocações, pode-se concluir que os ambientes materiais possuem uma espécie de atmosfera espiritual criada pelas pessoas que vivem em relação com eles. Entende-se daí, que os centros espíritas, os terreiros de Umbanda, as Igrejas, os lares, os locais de trabalho e de diversões, constituem-se em verdadeiros núcleos de magnetismo espiritual, criados pelos pensamentos dos que os frequentam. Aprendemos que nesses ambientes, constituídos por pessoas mais ou menos imperfeitas, associam-se Espíritos desencarnados com tendências afins.


Nas investigações em torno da obsessão, realizadas no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, verificou-se que frequentadores de ambientes espirituais onde predominam a presença de Espíritos inferiores (terreiros primitivos, centros espíritas desajustados ou templos de seitas estranhas), podem ficar contaminados com sua influência magnética. Tal domínio se forma em virtude da sintonia mental dos frequentadores, com os Espíritos que habitualmente vão nesses lugares. Denominou-se essas obsessões de "contaminações".


Nos casos dos terreiros ditos de Umbanda, os "consulentes" – como são chamados ali os necessitados – quase sempre vão solicitar ajuda para a solução de seus problemas materiais e amorosos. Nesses ambientes, geralmente predominam os interesses imediatistas, ligados à vida material e ninguém costuma tratar das questões morais, relativas ao futuro do indivíduo como Espírito imortal.


Os Espíritos inferiores que frequentam esses ambientes ajudam as pessoas a seu modo, interferindo em suas vidas, causando-lhes contrariedades ou provocando certos efeitos materiais, com que iludem os que não possuem conhecimento da verdade ensinada pelo Consolador. Quando um frequentador se afasta desses lugares, a influência dos maus Espíritos nem sempre cessa. Ao notarem que estão perdendo suas vítimas, podem instalar a desarmonia emocional e mesmo material na vida dos envolvidos.


As obsessões causadas por contaminações são mais frequentes do que se imagina. Na região de São José do Rio Preto, SP, por exemplo, perfazem 40% do total dos casos examinados. As contaminações também podem ocorrer através das actividades de centros espíritas mal orientados. Quando pessoas novatas, sem estudo ou preparo, são colocadas em reuniões mediúnicas para exercitar suas faculdades, é muito comum caírem sob o domínio de Espíritos inferiores, terminando como vítimas da obsessão. Grupos espíritas dominados por entidades ignorantes e malévolas são verdadeiros focos de contaminação espiritual e psíquica, que prejudicam os que vão buscar ajuda e orientação para suas vidas.


Auto-obsessão – Na auto-obsessão, a mente da pessoa enferma encontra-se numa condição doentia semelhante às neuroses. É uma situação onde ela atormenta a si mesmo com pensamentos dos quais não consegue se livrar. Há casos mais graves em que o paciente não aceita que seu mal resida nele mesmo.


As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente, ou seja, nos seus dramas pessoais, dessa ou de outras encarnações. São traumas, remorsos, culpas e situações provindas da intimidade do seu ser, que prejudicam-lhe a normalidade psicológica.
Quando se examina esses casos através de médiuns educados, pode-se encontrar Espíritos atrasados ou sofredores associados à vida mental dos doentes. Mas, as comunicações indicam que eles estão ali por causa da sintonia mental com o obsedado. Agravam seu mal, mas não são os causadores dele.


A causa central desse tipo de obsessão reside no paciente, que se auto-atormenta, numa espécie de punição a si mesmo. A mente de um auto-obsedado é fechada em si mesma e é preciso abri-la para a vida exterior, se quisermos ajudá-lo a livrar-se de sua prisão.


A psicoterapia convencional pode e deve ser utilizada no tratamento da auto-obsessão. Juntando-se a ela a terapia espírita, fundamentada na evangelização e no ascendente moral, pode-se obter resultados satisfatórios. O tratamento abrirá a cadeia psíquica em que o indivíduo se colocou, libertando-o da escravidão mental.


autor desconhecido

Definição clássica da obsessão


2 - Definição clássica
Allan Kardec, o codificador, assim define a obsessão:


"A obsessão é a acção persistente de um Espírito inferior sobre uma pessoa. Apresenta características muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais" – (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 28:81).


"Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. ...Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança" – (O Livro dos Médiuns, capítulo 28:237).


A obsessão é o domínio que os Espíritos inferiores adquirem sobre alguns indivíduos, provocando-lhes desequilíbrios psíquicos, emocionais e orgânicos. Esta é a definição básica que Allan Kardec deu a ela. Como causa fundamental da obsessão, o Codificador apontou as fraquezas do organismo moral dos pacientes.


A Doutrina Espírita ensina que todos nós recebemos a influência dos bons e dos maus Espíritos, explicando que trata-se de um processo natural, por meio do qual a criatura é estimulada à experiência evolutiva quando está encarnada. No entanto, quando um Espírito atrasado se apega a uma pessoa e sua influência perniciosa torna-se constante, então pode-se classificá-la como obsessão.


Os sintomas que caracterizam a obsessão variam de caso para caso, desde simples efeitos morais, passando por manias, fobias, alterações emocionais acentuadas, mudanças na estrutura psíquica, subjugação do corpo físico, até a completa desagregação da normalidade psicológica, produzindo a loucura.


No tratamento da obsessão é preciso saber distinguir seus efeitos, daqueles outros causados pelas influências naturais (mais ou menos passageiras) e das alterações emocionais oriundas do próprio psiquismo do paciente.


Existem pessoas que procuram o centro espírita portando desequilíbrios psicológicos que, embora possam se beneficiar dos ensinamentos da Espiritualidade, também necessitam do apoio de terapeutas. A relação com a vida actual, a própria educação que recebeu ou seu passado reencarnatório trouxeram-lhes traumas e condicionamentos que os fazem sofrer.


O estudo da Doutrina Espírita e as palestras públicas poderão ajudar esses indivíduos na recuperação da normalidade almejada, mas o entrevistador ou orientador não deve dispensar a competente orientação profissional, quando achar isso necessário.


É evidente que o entrevistador ou dirigente do centro espírita têm de saber diferenciar a obsessão das outras anomalias psíquicas. Existem algumas regras gerais que podem ser observadas, mas o que vai ajudá-los em profundidade, será a experiência em torno dos casos examinados, que adquirirá com o tempo.


O fenómeno obsessivo apresenta sinais morais, psicológicos ou físicos característicos, que o trabalhador deve aprender a identificar. Na obsessão, observa-se um constrangimento da vontade do paciente, um incómodo que parece não ceder a nenhuma providência. Na simples influência de sofredores, isso não ocorre. Nela, só se observa a tristeza apática, a melancolia, às vezes crises de choro, sem maior gravidade. Alguém pode estar alterado emocionalmente, influenciado por um Espírito sofredor, sem com isso estar obsedado.


Os sintomas relacionados abaixo podem ser indicadores de processos obsessivos já desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento. Se permanecerem constantes em uma pessoa, pode-se suspeitar com grande margem de acerto que esteja sob o império da obsessão. São eles:


- Depressão, angústia e tristeza.
- Pesadelos constantes.
- Tendência ao vício.
- Práticas mundanas.
- Agressividade além do normal.
- Abandono da vida social ou familiar.
- Ruídos estranhos à própria volta.
- Visão frequente ou esporádica de vultos.
- Impressão de ouvir vozes.
- Manias e tiques nervosos


Uma pessoa, vez por outra, pode ter um pesadelo, entrar num estado de tristeza ou sentir qualquer dos sintomas citados, sem que esteja sendo vítima da obsessão. O que caracterizará a fenomenologia obsessiva é a insistência desses estados mórbidos em incomodar a pessoa desajustada.


Ainda no campo dos sintomas, pode-se afirmar que nas influências espirituais comuns, as entidades envolvidas normalmente são Espíritos sofredores ou ignorantes, que podem ser afastados facilmente do campo psíquico do paciente através de passes e evangelização. Nas obsessões provocadas por Espíritos maus é diferente. Os sintomas apresentam-se com tendências agravantes e doentias. Observa-se uma insistência da entidade desencarnada em agredir o obsedado ou interferir na sua mente, afectando a normalidade.


Com o tempo, o responsável pelo atendimento na casa espírita adquirirá a experiência suficiente para detectar a obsessão e providenciar seu tratamento com relativa segurança.


autor desconhecido

quarta-feira, 16 de maio de 2007

o tratamento da obsessão


O tratamento da obsessão
Autor: José Queid Tufaile Huaixan

Sabemos que a obsessão sempre esteve presente na vida do homem na Terra. Hoje, dado ao crescimento da humanidade e aos inúmeros problemas sociais que enfrenta o mundo, a obsessão torna-se verdadeiro flagelo. A ciência humana ainda reluta em aceitar os princípios espíritas e, por isso, deixa de curar inúmeros pacientes que a procuram, vitimados por desequilíbrios emocionais e psicológicos.

O Espiritismo ainda continua sendo a principal saída para a cura desta patologia. Em face disso, nós trabalhadores da causa espírita, temos que nos esforçar para termos um melhor conhecimento das causas da obsessão e dos métodos que poderão levar ao alívio e cura daqueles que batem às nossas portas.A prática do Espiritismo passa por um período onde sua produtividade, a nível espiritual, deixa muito a desejar. Sabemos ser custoso reconhecer isto, mas é uma realidade difícil de ser questionada. Nunca estamos dispostos a avaliar nossos métodos de trabalho para termos ideia se estamos produzindo bem.Na maioria das vezes, achamos que tudo o que fazemos está de acordo com a vontade do Alto. Um simples controlo dos tratamentos na casa espírita pode deixar às claras sua verdadeira situação produtiva. Se o rendimento for baixo é preciso mudar, aperfeiçoar as actividades mediúnicas para que cumpram com sua finalidade.

Muito se tem escrito sobre a obsessão, mas a maioria destes trabalhos quase pouco tem a ver com a prática da casa espírita. De modo geral, as obras são repetitivas, compiladas umas das outras, não trazendo nada de novo. Um dos mais constantes obstáculos para a cura da obsessão é a dificuldade que se tem para identificá-la. Frequentemente, a obsessão é confundida com uma simples influência ou com mediunidade a ser desenvolvida. É mais ou menos como confundir resfriado com tuberculose, ou prescrever para a cura de uma enfermidade, que o paciente estude medicina. Tudo isso é agravado por causa da ausência de métodos de tratamento. O que temos são orientações em linhas gerais. A maioria dos centros desenvolve sua própria metodologia, segundo a interpretação que cada um dá aos livros. Isso enfraquece sobremaneira os resultados e deixa as práticas envoltas numa miscelânea.

Definindo a obsessão - A obsessão é o domínio que alguns Espíritos inferiores adquirem sobre certos tipos de pessoas. Esta é uma definição básica daquilo que é a obsessão. Quando a influência de um espírito inferior sobre alguém se torna constante, podemos classificá-la como obsessão.Os sintomas podem ir desde simples defeitos morais e alterações emocionais, passar pela dominação física, chegando até a completa desagregação da normalidade psíquica.Na obsessão há sempre um constrangimento; na influência natural, não. Esta última é passageira, a obsessão é insistente.

Nos processos de desajustes considerados obsessão, sempre vamos encontrar sinais que podem caracterizar o fenómeno:

- sonhos ruins,
- pesadelos frequentes,
- indução ao vício,- mundanismo,
- instintos de agressividade além do normal,
- ideia de abandono da vida social ou familiar,
- ideias de suicídio,- ruídos estranhos à volta do paciente,
- frequente visão de vultos,- impressão de ouvir vozes.

Os Espíritos envolvidos são sempre Espíritos ignorantes.
Nas influências naturais, geralmente as entidades envolvidas são Espíritos sofredores ou ignorantes. Na obsessão sempre existe uma insistência de um espírito em fazer algo de ruim com o paciente. Há uma pressão quase que constante de uma criatura sobre a outra.

Características da obsessão
- A obsessão, como veremos adiante, possui diversas causas. Kardec, além de nos dar clara explicação sobre isso, classificou este fenómeno segundo certas características que nos facilita entender a gravidade do caso em exame.Ensinava o Codificador, que a obsessão poderia se manifestar de diversas formas, classificando-as assim:

- Obsessão simples
- subjugação
- fascinação

É mais ou menos como ter o simples resfriado, uma gripe e uma tuberculose.
Na obsessão simples: há um constrangimento bem limitado da vontade do obsedado. O Espírito mau não domina as faculdades psíquicas em profundidade. É uma espécie de incomodo para a pessoa obsedada.

Na subjugação:
ocorre um domínio muito intenso das faculdades morais e do próprio corpo físico, provocando as crises conhecidas popularmente como possessão. A influência inicia-se à nível moral, depois evolui para o domínio fluídico perispiritual e por extensão chega ao corpo físico. Então, temos as crises.

Na fascinação:
há uma ilusão profunda que afecta as faculdades mentais, fazendo com que o obsedado não se julgue como tal. O Espírito o engana e a fraqueza do doente é explorada. O orgulho é sua perdição. Todos os fascinados são muito orgulhosos.

Allan Kardec diz no Evangelho Segundo o Espiritismo que a fascinação é bem mais grave do que a pior das subjugações. Quem já teve a oportunidade de lidar com um fascinado, sabe o que o Mestre lionês queria dizer.

Fascinação em grupos
- Chamamos a atenção para o facto de que um grupo espírita pode cair por completo sob o domínio de Espíritos fascinadores. Daí, a necessidade da vigilância e de se ter na vida administrativa da casa, normas bem definidas de trabalho e conduta. A obsessão pode se desenvolver de forma epidémica, junto a um grupo, a uma família ou uma sociedade. Pode ser desenvolvida por mais de um Espírito mau.

Os envolvidos na obsessão
- Em todos os casos de obsessão, temos o obsedado e o obsessor. Existe uma variedade de situações de dominação na patologia obsessiva. Vamos citá-las para que o método de tratamento a ser desenvolvido se dirija directamente ao alvo, ou seja, ao causador do mal e ao prejudicado. Sem identificar com clareza os envolvidos, não há como curar a obsessão de forma definitiva.

Podemos ter os seguintes casos de envolvimento obsessivo:
- Desencarnado para encarnado
- encarnado para desencarnado
- desencarnado para desencarnado
- encarnado para encarnado
- auto-obsessão

Causas da obsessão
- É de vital importância para a cura da obsessão, descobrirmos as causas que levaram o obsedado a cair sob o domínio do Espírito obsessor. Sabemos, através de Kardec, que no pano de fundo de todas as obsessões está a fraqueza moral, ou seja, as imperfeições da alma.Assim também o é com as enfermidades do corpo físico: quando as doenças se instalam no organismo de alguém, isto se dá em face de uma fraqueza orgânica. É necessário que o médico examine o caso de modo a descobrir o que facilitou a presença da enfermidade. Na obsessão, temos que proceder com metodologia semelhante.As causas dos distúrbios obsessivos são variadas. Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, classificamos as causas da obsessão como sendo originárias de quatro fontes distintas:

- Moral
- cármica
- contaminações
- auto-obsessão

Causa moral
- Na causa moral, encontramos as imperfeições morais do Espírito encarnado dominando sua vida psíquica. A má conduta atrai maus Espíritos que se afinizam com o encarnado.Depois da fase de sintonia, inicia-se um delicado processo de interinfluencia, onde as vontades e desejos são trocados. Mais tarde, a vontade do encarnado será gradualmente substituída pela do desencarnado, instalando-se a obsessão moral, também denominada vampirismo.

Causa cármica
- Na causa cármica, há o comprometimento do encarnado com criaturas com a quem fez mal em outras vidas, gerando ódio e desejos de vingança. A lei de causa e efeito regula estes processos de ajustes entre os envolvidos. O comprometimento do passado facilita os laços que unem o Espírito desencarnado ao paciente. Em linhas gerais, sua acção têm início com uma subtil influencia sobre o encarnado. Logo após a fase da infância, começa a complicar-se, vindo com os anos a instalar-se a obsessão. Varia de intensidade, segundo a gravidade dos dramas.

Contaminações
- Nas contaminações, encontramos perturbações que são produto do envolvimento de pessoas com os entidades atrasadas que trabalham em terreiros primitivos e seitas estranhas. Estas entidades do baixo mundo espiritual envolvem psicologicamente aqueles que se põem sob suas orientações, acabando por obsediá-las ou fasciná-las. Nos terreiros primitivos, há quem solicite ao invisível ajuda material e que atenda todo tipo de interesses terrenos.Não tarda a se formarem entre o encarnado e as entidades atrasadas poderosos vínculos magnéticos. Instalam profunda desarmonia na vida emocional e mesmo material dos envolvidos. Esta influência nem sempre cessa pelo simples afastamento do ambiente em questão. Achamos importante citar que as contaminações são mais frequentes do que se imagina. Em nossa região, são quase 40% dos casos examinados.Queremos deixar claro que as contaminações ocorrem também junto aos centros espíritas mal orientados, onde adeptos sem nenhum preparo são colocados no relacionamento com os Espíritos.Grupos dominados por Espíritos inferiores são verdadeiros focos de contaminação espiritual, de onde deve-se afastar.

Auto-obsessão
- Na auto-obsessão, encontramos uma condição doentia da mente, onde o encarnado atormenta a si próprio. As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente. Espíritos atrasados ou doentios podem ser vistos associados a esses casos, mas estão ali devido à sintonia mental com o enfermo. Não são causa, mas sim efeitos. Na auto-obsessão, a mente se fecha em si mesma e a psicoterapia terrena pode ser utilizada associada à terapia espírita.

Método de tratamento
- O tratamento da obsessão vem sendo prejudicado pela interpretação errónea dos conhecimentos espíritas. Um conceito que tem contribuído para o fracasso do combate à obsessão é a ideia de que a Doutrina Espírita é uma espécie de panaceia, remédio capaz de por si só resolver os problemas alheios. Hoje, temos casas espíritas que, ao depararem-se com um obsedado, tomam como primeira medida colocá-lo num curso de estudo doutrinário. Afirmam que o estudo da doutrina modificará o encarnado e, por consequência, o desencarnado dele se afastará. Teoricamente o raciocínio é certo, só que na variedade dos casos encontrados, tal método resolve tão só as obsessões mais simples. Não pode ser aplicado como regra geral.
Muitos enfermos são incapazes de compreenderem os princípios da Doutrina Espírita. Ficam confusos, ou porque ainda são Espíritos pouco adiantados ou porque não possuem esclarecimento suficiente para o aprendizado. Prosseguem obsediados por anos a fio, cheios de esperanças de que um dia ficarão curados. E a cura pode acabar não acontecendo, simplesmente por causa da equipe responsável pelo centro, que não fez sua parte de agir sobre o obsessor.Kardec quem ensina: obsessão se trata agindo sobre o encarnado e o desencarnado.Podemos ficar em nossos agrupamentos espíritas, certos de que tudo vai bem com os tratamentos.

Realmente tudo pode estar correndo às mil maravilhas, porém, sempre existe a possibilidade de estarmos enganados, e de nos termos colocado na improdutividade sem nos darmos conta disso. Na prática do Espiritismo as ilusões acontecem com maior frequência do que se supõe. Assim, convém que, vez por outra, coloquemos nossas práticas ao exame da razão.O que vamos descrever abaixo, em termos de tratamento, nada tem de rígido. É um método que, em nossa experiência espírita, vem apresentando bons resultados. A finalidade de sua exposição é a de oferecer ideias que poderão ser modificadas e adaptadas de acordo com as condições de cada sociedade.

O método
- Fazer as coisas com método significa utilizar-se de princípios lógicos e racionais para se chegar a resultados desejados. No caso da obsessão, se é que não temos um método de tratamento, devemos trabalhar para criarmos um. De outro modo, sempre estaremos esperando que os obsediados fiquem bons, de acordo com a vontade divina.Uma vez mais, citaremos o caso das doenças físicas. Quando alguém está enfermo e procura a ajuda de um médico, sabemos que este profissional, num primeiro plano, colecta as informações primárias do caso, dialogando com seu paciente. Com isso, começa a se posicionar racionalmente para o diagnóstico final.Depois, realiza uma série de exames visando confirmar suas suspeitas clínicas.Mais adiante, prescreve a medicação destinada a fazer desaparecer a enfermidade.

- Colecta de informações
- Pesquisa
- Tratamento

A princípio, parece que se trata de um procedimento simples. Mas, quem esta habituado com o assunto, sabe que existem inúmeras particularidades que podem alterar a direcção de um tratamento e fazer com que, de um paciente para outro, sigam-se condutas um pouco diferentes entre si. O estudo de todas estas particularidades constitui-se na ciência médica.No tratamento da obsessão, temos toda uma ciência particular, regida por leis espirituais que governam a metodologia de cura. Infelizmente, os trabalhadores de centros espíritas quase não levam nada disso em consideração. Acham que para se curar um obsedado, basta que este seja colocado a frequentar o centro; que leia o Evangelho e receba passes. Tudo parece simples, como a princípio achamos simples o médico curar o enfermo.A cura da obsessão só parece simples, mas se formos nos dedicar a este ministério, estudando-o profundamente, vamos ver que a ciência espiritual apresenta detalhes que devem ser observados para o sucesso do tratamento.Na diagnose e tratamento das doenças do corpo, temos quatro fases a seguir:

- Sintomas
- exames
- remédios
- resultados

No tratamento da obsessão, podemos desenvolver um método semelhante, visto que o do corpo físico obedece à lógica inquestionável da ciência.

Sintomas
- É a primeira fase do tratamento. Devemos saber quais os sintomas que o paciente apresenta, pois de outra forma não poderemos saber se têm um problema de ordem física, que esteja sendo confundido com obsessão. Existem perguntas básicas (como na ciência médica) que devem ser feitas:
quando começou o problema? O paciente já teve crises convulsivas? Fez eletroencefalograma? Bebe? É viciado em drogas? Já esteve envolvido com terreiros primitivos ou desenvolvendo mediunidade? Qual a idade do paciente, seu endereço etc.Tudo isso deve ser anotado numa ficha. Não se deve confiar na nossa capacidade de lembrar, nem deixar nas mãos dos nossos guias o problema do obsedado, para que eles o solucionem. Em desobsessão, cada um faz a parte que lhe cabe.

Exames mediúnicos Trata-se da segunda fase. Devemos examinar o paciente. Em ciência espírita isso significa submetê-lo à influência de um médium, para que este possa emitir um parecer sobre o caso. O médium é o aparelho de exames.Este exame pode ser feito de duas formas:

- Através de evocações particulares, feitas em nome do paciente,- Por meio de um vidente de faculdade comprovada.
É importante que os médiuns usados nestes exames saibam o mínimo possível a respeito do caso. Isto dará ao responsável pelos tratamentos a possibilidade de aferir o rendimento mediúnico da equipe, confrontando-o com apontamentos feitos na entrevista.

Tratamento
- É a terceira fase. Se os efeitos apresentados na obsessão são intensos e o caso tem caracteres de gravidade, convém que o trabalho de evocação seja desenvolvido por algumas semanas seguidas, em reuniões particulares, de modo a pesquisar causas e agir moralmente sobre o obsessor.Em todos estes procedimentos, o paciente não precisa estar presente, a não ser na entrevista para a colecta de informações e no exame do médium vidente.Caso os efeitos sejam os de uma obsessão simples, actuando mais como um incómodo, basta que o paciente seja submetido às sessões de passes nas reuniões públicas, recebendo ali a fluidoterapia normal e a doutrinação feita pela explanação evangélica. Isso, geralmente, é suficiente para que os sintomas desapareçam.

Resultados
- Quarta e última fase. Por último, uma nova entrevista fornecerá os resultados a respeito da situação do paciente. Se os sintomas regrediram, é sinal que se está a caminho da cura. Se não houver melhora ou mesmo houver piora, devemos empreender nova pesquisa para colectar mais informações: novo diálogo; novo exame; novo tratamento e nova aferição de resultados.Na desobsessão, devemos levar em conta que desobsediar alguém é lutar contra um espírito inferior e precisamos estar convenientemente preparados para isso. Se não procedermos com cautela, poderemos estar correndo o risco de perder a luta e, inclusive, ficarmos obsedado, tentando fazer desobsessão.

A reunião mediúnica
- A reunião mediúnica é a base na qual se fundamenta a recuperação do obsedado. Ele não deve participar dela, nem ser usado como médium de seu obsessor, como se faz em alguns núcleos. Nesses trabalhos íntimos, reúnem-se pessoas sérias, dispostas a trabalharem pelo alívio das misérias dos que caíram presas da obsessão. Estão ali homens e Espíritos, unidos pelo amor ao bem comum, desenvolvendo seus métodos de trabalho com o intento de auxiliarem os sofredores. O Livro dos Médiuns é um poderoso guia capaz de fornecer informações seguras de como se lidar com as evocações para tratamento de obsessões.Alguns factores devem ser considerados quando vamos formar uma equipe para desobsessão.

- O número de participantes, que nunca deve ser excessivo. Os grupos pequenos realizam os melhores trabalhos; as condições morais do grupo devem ser acima da média comum.- Vícios e hábitos grosseiros devem ser combatidos.

- A mediunidade em desobsessão tem que ser praticada de forma religiosa, como instruiu o Codificador.
- Os pensamentos devem estar em uníssono, falando uma só língua, desejando um só fim. A desarmonia entre os membros da equipe prejudica a desobsessão e atrai para os participantes a obsessão;
- Devemos contar com passistas e doutrinadores.
- Por fim, a colaboração de um eficiente secretário, que à baixa luz anotará a evolução da situação espiritual em cada caso.

Certamente, cada casa espírita possui uma estrutura humana, e mesmo material, que nem sempre permite que um trabalho de desobsessão possa ser realizado na sua plenitude. Porém, quando a boa vontade e a seriedade estão presentes, bons resultados não faltarão.