sexta-feira, 29 de junho de 2007

Médiuns sonâmbulos


Médiuns Sonâmbulos


172. O sonambulismo pode ser considerado como uma variedade da faculdade mediúnica, ou melhor, trata-se de duas ordens de fenómenos que se encontram frequentemente reunidos. O sonâmbulo age por influência do seu próprio Espírito. É a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe além dos limites dos sentidos. O que ele diz procede dele mesmo. Em geral, suas ideias são mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos são mais amplos porque sua alma está livre. Numa palavra, ele vive por antecipação a vida dos Espíritos. (15)


O médium, pelo contrário, serve de instrumento a outra inteligência. É passivo e o que diz não é dele. (16) Em resumo: o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento e o médium exprime o pensamento de outro. Mas o Espírito que se comunica através de um médium comum pode também fazê-lo por um sonâmbulo. Frequentemente mesmo o estado de emancipação da alma, no estado sonambúlico, torna fácil essa comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com a mesma precisão dos médiuns videntes. Podem conversar com eles e transmitir-nos o seu pensamento. Assim, o que eles dizem além do círculo de seus conhecimentos pessoais lhe é quase sempre sugerido por outros Espíritos.


Eis, a seguir, um exemplo notável da acção simultânea do Espírito do sonâmbulo e do outro Espírito, que se revelam de maneira inequívoca.


173. Um dos nossos amigos usava como sonâmbulo um rapazinho de 14 para 15 anos, de inteligência bastante curta e de instrução extremamente limitada. Em estado sonambúlico, porém, dava provas de extraordinária lucidez e grande perspicácia. Isso principalmente no tratamento de doenças, tendo feito numerosas curas consideradas impossíveis.


Certo dia, atendendo a um doente, descreveu a sua moléstia com absoluta exactidão — Isso não basta, lhe disseram, agora é necessário indicar o remédio — Não posso, respondeu ele, meu anjo doutor não está aqui — A quem chama você de anjo doutor? — Aquele que dita os remédios — Então não é você mesmo que vê os remédios? — Oh! não, pois não estou dizendo que é o meu anjo doutor quem os indica?
Assim, nesse sonâmbulo, quem via a doença era o seu próprio Espírito, que para isso não precisava de assistência. Mas a indicação dos remédios era feita por outro Espírito. Se esse não estivesse presente, ele nada podia dizer. Sozinho, ele era apenas sonâmbulo; assistido pelo que ele chamava de seu anjo doutor, era médium-sonâmbulo.


174. A faculdade sonambúlica é uma faculdade que depende do organismo e nada tem que ver com a elevação, o adiantamento e a condição moral do sujeito. Um sonâmbulo pode, pois, ser muito lúcido e incapaz de resolver certas questões, se o seu Espírito for pouco adiantado. O sonâmbulo que fala por si mesmo pode dizer, portanto, coisas boas e más, certas ou falsas, usar de maior ou menor delicadeza e escrúpulo no seu procedimento, segundo o grau de elevação ou de inferioridade do seu próprio Espírito. É nesse caso que a assistência de outro Espírito pode suprir as suas deficiências.


Mas um sonâmbulo pode ser assistido por um Espírito mentiroso, leviano, ou até mesmo mau, como acontece com os médiuns. Nisto, sobretudo, é que as qualidades morais têm grande influência, por atraírem os Espíritos bons. (Ver O Livro dos Espíritos, tópico Sonambulismo, nº 125; e neste livro o capítulo sobre Influência Moral do Médium.)


(15) A hipótese de projecção do eu, hoje sustentada por alguns psicólogos e parapsicólogos, é uma evidente aproximação deste princípio espírita. A independência da alma vai aos poucos se confirmando. (N. do T.)


(16) Não confundir a passividade voluntária do médium, que presta serviço ao Espírito comunicante, com a passividade hipnótica, por sujeição, de que alguns adversários do Espiritismo acusam a mediunidade. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

Médiuns curadores


. Médiuns Curadores


175. Somente para mencioná-la trataremos aqui desta variedade de médiuns, porque o assunto exigiria demasiado desenvolvimento para o nosso esquema. Estamos aliás informados de que um médico nosso amigo se propõe a tratá-la numa obra especial sobre a medicina intuitiva. Diremos apenas que esse género de mediunidade consiste principalmente no dom de curar por simples toque, pelo olhar ou mesmo por um gesto, sem nenhuma medicação. Certamente dirão que se trata simplesmente de magnetismo. É evidente que o fluido magnético exerce um grande papel no caso. Mas, quando se examina o fenómeno com o devido cuidado, facilmente se reconhece a presença de mais alguma coisa.


A magnetização comum é uma verdadeira forma de tratamento, com a devida sequência, regular e metódica. No caso referido as coisas se passam de maneira inteiramente diversa. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, se souberem cuidar do assunto convenientemente. Mas entre os médiuns curadores a faculdade é espontânea, e às vezes a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que caracteriza a mediunidade, torna-se evidente em certas circunstâncias. E o é, sobretudo, quando consideramos que a maioria das pessoas qualificáveis como médiuns curadores recorrem à prece, que é uma verdadeira evocação. (Ver o nº 131).


176. Eis as respostas que obtivemos dos Espíritos, a perguntas feitas a respeito:


1. Podemos considerar as pessoas dotadas de poder magnético como formando uma variedade mediúnica?


— Não podes ter dúvida alguma.


2. Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e os homens, mas o magnetizador, tirando sua força de si mesmo, não parece servir de intermediário a nenhuma potência estranha.


— É uma suposição errónea. A força magnética pertence ao homem, mas é aumentada pela ajuda dos Espíritos a que ele apela. Se magnetizas para curar, por exemplo, e evocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo doente, ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige os teus fluidos e lhes dá as qualidades necessárias. (17)


3. Há, porém, excelentes magnetizadores que não acreditam nos Espíritos.


— Pensas então que os Espíritos só agem sobre os que crêem neles? Os que magnetizam para o bem são auxiliados pelos Espíritos bons. Todo homem que aspira ao bem os chama sem o perceber, da mesma maneira que, pelo desejo do mal e pelas más intenções chamará os maus.


4. O magnetizador que acreditasse na intervenção dos Espíritos agiria com maior eficiência?


— Faria coisas que seriam consideradas milagres.


5. Algumas pessoas têm realmente o dom de curar por simples toque, sem o emprego dos passes magnéticos?


— Seguramente. Não tens tantos exemplos?


6. Nesses casos trata-se de acção magnética ou somente de influência dos Espíritos?


— Uma e outra. Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois agem sob a influência dos Espíritos, mas isso não quer dizer que sejam médiuns escreventes, como o entendes.


(17) A acção dos Espíritos é que realmente dá eficácia curadora ao magnetismo humano. Preste-se atenção à dinâmica do auxílio espiritual, revelada nessa esclarecedora resposta. (N. do T.)


7. Esse poder é transmissível?


— O poder, não, mas sim o conhecimento do que se necessita para exercê-lo, quando se o possui. Há pessoas que nem suspeitariam ter esse poder se não pensarem que ele lhe foi transmitido. (18)


8. Podem-se obter curas apenas pela prece?


— Sim, às vezes Deus o permite. Mas talvez o bem do doente esteja em continuar sofrendo, e então se pensa que a prece não foi ouvida.


9. Existem fórmulas de preces mais eficazes do que outras, para esse caso?


— Só a superstição pode atribuir virtudes a certas palavras. E somente os Espíritos ignorantes ou mentirosos podem entreter essas ideias, prescrevendo fórmulas. Entretanto, pode acontecer que para pessoas pouco esclarecidas e incapazes de entender as coisas puramente espirituais, o emprego de uma fórmula contribua para lhes infundir confiança. Nesse caso, a eficácia não é da fórmula, mas da fé que foi aumentada pela crença no uso da fórmula.


(18) Os Espíritos colocam aqui um problema comum de psicologia. Há magnetizadores e médiuns hipnotizadores e sujeitos paranormais que só acreditam em suas faculdades e as desenvolvem sob a acção de outras pessoas. Trata-se de falta de confiança em si mesmas e não de poder das outras pessoas, que muitas vezes se julgam poderosas. Ilusão muito frequente dos que se dizem capazes de desenvolver a mediunidade dos outros. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A prece


A Prece
João Batista Armani


Ao iniciarmos uma doutrinária fazemos uma prece, ao encerrarmos fazemos uma prece, para os trabalhos de passe fazemos uma prece, ao deitarmos fazemos uma prece, ao levantarmos fazemos uma prece, fazemos uma prece nos momentos alegres; e oramos também nos momentos de aflição.


Muito se tem dito a respeito da prece, mas muito pouco ainda conhecemos do seu mecanismo de funcionamento, Por isso mesmo, pouco a valorizamos, e por vezes até a esquecemos.


Já o dissemos em outras ocasiões, que o Espiritismo é uma Doutrina de Tríplice aspecto, Ciência – Filosofia – Religião, mas é comum vermos trabalhos, palestras, cursos e etc, enfocarem quase que essencialmente as partes filosóficas e religiosas, deixando um pouco de lado o seu aspecto científico. É até um procedimento normal, uma vez que o Espiritismo é uma Doutrina relativamente jovem com aproximadamente 150 anos, e a análise de seus aspectos científicos requer conhecimentos básicos, sem os quais não entenderíamos as suas explicações, precisaríamos então ter noções de física, ciências, biologia, fluidos, magnetismo, electromagnetismo, electricidade, telecomunicações, etc. Mas nesse trabalho, passaremos uma pequena noção do seu aspecto científico.


Mas afinal, o que é a prece?


Poderíamos dizer que a prece é uma projecção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora, e nisto reside o seu poder e o seu alcance, pois nesta relação fluídica o homem atrai para si a ajuda dos Espíritos Superiores a lhe inspirar bons pensamentos. Por que pensamentos? Porque são a origem da quase totalidade de nossas acções.(Primeiro pensamos depois agimos).
Poderíamos dizer também que a prece é uma invocação e que por meio dela pomos o pensamento em contacto com o ente a quem nos dirigimos.
A prece é a expressão de um sentimento que sempre alcança a Deus, quando ditada pelo coração de quem ora.


Pode-se orar para si ou para outrem.


O Espiritismo faz compreender a acção da prece explicando o processo da transmissão do pensamento: quer o ser por quem se ora venha ao nosso chamado, quer o nosso pensamento chegue até ele.
Para compreender o que se passa nessa circunstância, convêm considerar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no mesmo fluido universal que ocupa o espaço, como neste planeta estamos nós na atmosfera. O ar é o veículo do som com a diferença que as vibrações do ar são circunscritas ao planeta Terra, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito.


Então, logo que o pensamento é dirigido para um ser qualquer na Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um para o outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão da energia do pensamento e da vontade. É por esse meio que a prece é ouvida pelos espíritos onde quer que estejam; que eles se comunicam entre si; que nos transmitem as suas inspirações; que as relações se estabelecem a distância, etc.
Esta é sua visão científica.


Pela prece podemos fazer três coisas louvar, pedir e agradecer (LE, 659).


Mas o que isso significa exactamente?


Louvar é enaltecer os desígnios de Deus sobre todas as coisas, aceitando-o como Ser Supremo, causa primária de tudo o que existe, bendizendo-lhe o nome.
Pedir é recorrer ao Pai Todo-Poderoso em busca de luz, equilíbrio, forças, paciência, discernimento e coragem para lutar contra as forças do mal; enfim, tudo, desde que não se contrarie a lei de amor que rege e sustenta a Harmonia Universal.
Agradecer é reconhecer as inúmeras bênçãos recebidas, ainda que em diferentes graus de entendimento e aceitação: a alegria, a fé, a bênção do trabalho, a oportunidade de servir, a esperança, a família, os amigos, a dádiva da vida.


As preces devem ser feitas directamente ao Criador, mas também pode ser-lhe endereçada por intermédio dos bons Espíritos, que são os Seus mensageiros e executores da Sua vontade. Quando se ora a outros seres além de Deus, é simplesmente como a intermediários ou intercessores, pois nada se pode obter sem a vontade de Deus.


A prece torna o homem melhor porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir (LE 660).
O essencial é orar com sinceridade e aceitar os próprios defeitos, porque a prece não redime as faltas cometidas; aqueles que pede a Deus perdão pelos seus erros, só o obtêm mudando sua conduta na prática do bem. Deste modo, as boas acções são a melhor prece, e por isso os actos valem mais do que as palavras.


Através da prece pode-se ainda fazer o bem aos semelhantes, porque o Espírito que ora, actuando pela vontade de praticar o bem, atrai a influência de Espíritos mais evoluídos que se associam ao bem que se deseja fazer.


Entretanto, a prece não pode mudar a natureza das provas pelas quais o homem tem que passar, ou até mesmo desviar-lhe seu curso, e isto porque elas (..) estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação.
Deve-se considerar, também, que nem sempre aquilo que o homem implora corresponde ao que realmente lhe convém, tendo em vista sua felicidade futura. Deus, em Sua omnisciência e suprema bondade, deixa de atender ao que lhe seria prejudicial.


Todavia, as súplicas justas são atendidas mais vezes do que supomos, podendo a resposta a uma prece vir por meios indirectos ou por meios de ideias com as quais saímos das dificuldades.
A prece em favor dos desencarnados não muda os desígnios de Deus a seu respeito; contudo, o Espírito pelo qual se ora experimenta alívio e conforto ao receber o influxo amoroso dos entes que compartilham de suas dores. Além do mais, o efeito benéfico da prece sobre o desencarnado é tal, que pode levá-lo à tomar consciência das faltas cometidas e ao desejo de fazer o bem:
É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena, se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças (LE, 664).


Qual a importância da prece?


Lembremo-nos de um exemplo prático. Se não limparmos periodicamente o nosso quintal, a sujeira se acumula, o mato cresce, e há a proliferação de bichos. No campo espiritual, se não limparmos o nosso psiquismo, os espíritos luminosos se afastam (mesmo que temporariamente), as trevas tomam conta favorecendo a acção de espíritos endurecidos.


Deus atende àqueles que oram com fé e fervor?


Deus envia-lhes sempre bons Espíritos para os auxiliarem. Não existem fórmulas especiais de orações. A bondade de Deus não está voltada para as fórmulas e o número de palavras, mas sim para as intenções de quem ora.


O que dizer das orações repetidas inúmeras vezes?


As intermináveis ladainhas e “PAI NOSSOS”, repetidos algumas vezes, as rezas pronunciadas com os lábios apenas, que o coração não sente e a inteligência não compreende, não têm valor perante Deus. Jesus disse: “Não vos assemelheis aos hipócritas que pensam que pelo muito falar serão ouvidos” (Mateus C6:V7).


O essencial é orar bem e não muito.
Por que existe então, mesmo no espiritismo, orações ditadas por espíritos e publicadas em livros?


Para ensinar aos homens a raciocinar quando se dirigem a Deus e fazê-lo não só por meio de palavras, como também pelo sentimento e com inteligência. Estas orações não constituem rituais, uma vez que, no espiritismo não existem rituais de nenhuma espécie, nem formalismo.


Por quem devemos orar?


Primeiramente por nós mesmos, por nossos parentes, pelos nossos amigos e inimigos, deste e do outro mundo; devemos orar pelos que sofrem e por aqueles por quem ninguém ora.


O que pedir?


Em Mateus C26:V39, há a passagem amarga do Cristo, que antecedia as suas dores supremas no calvário, onde Ele nos diz: “ Pai, se quiserdes, afasta de mim este cálice, mas acima de tudo faça-se a Tua vontade e não a minha”. Demonstrava-nos o Mestre que as Leis Naturais são sábias e justas e que são aplicadas indistintamente. Assim, não peçamos “milagres ou prodígios”, mas tão-somente forças para suportar aquilo que não está ao nosso alcance mudar, paciência, resignação, fé e coragem.


Formas da Prece


A prece deve ser curta e feita em segredo, no recôndito da consciência e em profunda meditação. Preces prolongadas ou repetidas, tornam-se cansativas, sonolentas e, muitas vezes, delas não participam o pensamento e o coração.
Assim, a condição da prece está no pensamento recto, podendo-se orar em qualquer lugar, a qualquer hora, a sós ou em conjunto, em pé, deitado, de luz acesa ou apagada, de olhos abertos ou fechado; desde que haja o recolhimento íntimo necessário para se estabelecer a sintonia harmoniosa. Por isto a importância do sentimento amoroso, humilde, piedoso, livre de qualquer ressentimento ou mágoa, dessa maneira o homem irá absorver a força moral necessária para vencer as dificuldades com seus próprios méritos.


Eficácia da Prece


Existem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. No entanto, o ensinamento de Jesus vem esclarecer que a justiça divina não é inflexível a ponto de não atender os que lhe fazem súplicas. Ocorre que existem determinadas leis naturais e imutáveis que não se alteram segundo os caprichos de cada um. Porém, isso não deve levar à crença de que tudo esteja submetido à fatalidade. O homem desfruta do livre-arbítrio para compor a trajectória de sua encarnação, pois Deus não lhe concedeu a inteligência e o entendimento para que não os utilizasse.


Existem acontecimentos na vida actual aos quais o homem não pode furtar-se; são consequências de falhas e deslizes de passado que necessitam de reajustes; é a aplicação da Lei de Causa e Efeito e isto explica porque alguns alegam que pedem benefícios a Deus, mas que nunca são concedidos; o que parece, a princípio, contrariar o ensinamento de Jesus citado em Marcos C11:V24 “O que quer que seja que pedirdes na prece, crede que obtereis, e vos será concedido”.


Muitas coisas que na vida presente parecem úteis e essenciais para a felicidade do homem, poderão ser-lhe prejudiciais e esta é a razão por que elas não lhe são concedidas. Contudo, o egoísmo e o imediatismo não permitem que ele perceba com exactidão a eficácia da prece.
Porém, seus efeitos ocorrem segundo os desígnios divinos: A curto prazo na medida em que consola, alivia os sofrimentos, reanima e encoraja; a médio e longo prazo porque pelo pensamento edificante dá-se a aproximação das forças do bem a restaurar as energias de quem ora.


Àquele que pede, Deus está sempre pronto a conceder-lhe a coragem, a paciência, a resignação para enfrentar as dificuldades e os dissabores inerentes à natureza humana, com ideias que lhes são sugeridas pelos Espíritos benfeitores, deixando-nos contudo o mérito da acção, e isto porque não se deve ficar ocioso à espera de um milagre, pois a Providencia Divina sempre ampara os que se ajudam a si mesmos, como asseverou o Mestre: “Ajuda-te e o céu te ajudará” (ESE, Cap. 27, item 7).


Portanto, de tudo o que foi dito anteriormente, podemos concluir que a eficácia da prece está na dependência da renovação íntima do homem, em que deve prevalecer a linguagem do amor, do perdão e da humildade para que ele possa assim, de coração liberto de sentimentos negativos, agradecer a Deus a dádiva da vida.


“Vigiai e Orai” nos recomendou o Mestre (Mateus C26:V41).


Bibliografia:

Curso Básico do Espiritismo 1º Ano – FEESP.
Curso Básico do Espiritismo 2º Ano – FEESP.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Para pedir um conselho


Para Pedir um Conselho


24. _ Quando ficamos indecisos quanto a alguma coisa que temos por fazer, devemos propor-nos, antes de tudo, as seguintes questões: 1º) O que pretendo fazer pode causar algum prejuízo a outra pessoa? 2º) Pode ser útil a alguém? 3º) Se alguém fizesse o mesmo para mim, eu ficaria satisfeito? Se o que temos de fazer só interessa a nós mesmos, é conveniente pesar as vantagens e desvantagens pessoais que nos podem advir. Se interessa a outros, e se fazendo bem a um pode resultar em mal para outro, é igualmente de conveniência pesar as vantagens e desvantagens. Afinal, mesmo para as melhores coisas, é necessário considerar a oportunidade e as circunstâncias, porquanto uma coisa boa por si mesma pode dar maus resultados em mãos inábeis, ou se não for conduzida com prudência e circunspecção. Em todo caso, pode-se sempre pedir a assistência dos Espíritos protectores, lembrando-nos desta máxima de sabedoria: Na dúvida, abstém-te! (Cap. XXVIII, nº 38).


25. Prece _ Em nome de Deus Todo-Poderoso, vós, Bons Espíritos que me protegeis, inspirai-me a melhor decisão a tomar, na incerteza em que me encontro. Dirigi o meu pensamento para o bem, e desviai a influência dos que tentam enganar-me.

terça-feira, 26 de junho de 2007

O futuro e o nada


O Futuro e o Nada


1 — Nós vivemos, nós pensamos, nós agimos — eis o que é positivo. E nós morremos — o que não é menos certo. Mas ao deixar a Terra para onde vamos? No que nos transformamos? Estaremos melhor ou pior? Seremos ainda nós mesmos ou não mais o seremos? Ser ou não ser — essa é a alternativa. Ser para todo o sempre ou nunca mais ser. Tudo ou nada. Viveremos eternamente ou tudo estará acabado para sempre. Vale a pena pensarmos em tudo isso?
Toda criatura humana sente a necessidade de viver, de gozar, de amar, de ser feliz. Diga-se àquele que sabe que vai morrer que ele ainda viverá ou que a sua hora foi adiada. Diga-se sobretudo que ele será mais feliz do que já foi — e o seu coração palpitará de alegria. Mas de que serviriam essas aspirações de felicidade, se basta um sopro para dissipá-las?


Haverá alguma coisa mais desesperadora do que essa ideia de destruição absoluta?(1)


Sagradas afeições, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria destruído, tudo estaria perdido! Que necessidade teríamos de esforçar-nos para ser melhores, de nos constrangermos na repressão das paixões, de nos fatigarmos no aprimoramento do espírito, se de tudo isso não iremos colher nenhum fruto? E, sobretudo, diante da ideia de que amanhã, talvez, tudo isso não nos sirva para nada? Mas, se assim fosse, a sorte do homem seria cem vezes pior que a do bruto. Porque este vive inteiramente no presente, na plena satisfação de seus apetites materiais, nada aspirando para o futuro. Uma secreta intuição nos diz que isso é absurdo.


2 — Acreditando que o fim de tudo é o nada, o homem concentra forçosamente todo o seu pensamento na vida presente. Com efeito, não seria lógico preocupar-se com um futuro que não se espera. Essa preocupação exclusiva com o presente o leva naturalmente a pensar em si antes de tudo. É portanto, o mais poderoso estimulante do egoísmo, e a incredulidade é consequente consigo mesma quando chega a esta conclusão: gozemos enquanto vivemos, gozemos o mais possível, desde que após a morte tudo está acabado, gozemos logo, pois não sabemos quanto tempo isso vai durar. E também quando chega a esta outra conclusão, bastante grave para a sociedade: gozemos de qualquer maneira, cada qual por si, que a felicidade neste mundo cabe sempre ao mais esperto.


Se o respeito humano consegue deter alguns, que freio poderia segurar aqueles que nada tem? Eles dizem que a lei humana só protege os males intencionados, e por isso aplicam todo o seu talento aos meios de fraudá-la. Se existe uma doutrina malsã e anti-social é seguramente essa do nada, pois que rompe os verdadeiros laços da sociedade e da fraternidade, fundamentos das relações sociais.


3 — Suponhamos que, em alguma circunstância, todo um povo se convença de que dentro de oito dias, um mês ou um ano ele será aniquilado, que nenhum indivíduo sobreviverá, que não restará mais nenhum traço de cada um após a morte. O que faria esse povo durante este tempo? Trabalharia para se melhorar, para se instruir, se esforçaria para viver? Respeitaria os direitos, os bens, a vida de seus semelhantes? Se submeteria às leis, a alguma autoridade, qualquer que seja, mesmo a mais legítima: a autoridade paterna? Haveria para ele qualquer espécie de dever? Seguramente não.


Pois bem: isso que não acontece para um povo que a doutrina do nada realiza isoladamente a cada dia. Se as consequências não são tão desastrosas como poderiam ser, é primeiro porque na maior parte dos incrédulos há mais fanfarronice do que verdadeira incredulidade, mais dúvida do que convicção, e porque eles são mais temerosos do nada do que podem parecer. O epíteto de espírito forte alenta-lhes o amor-próprio. Em segundo lugar, os verdadeiros incrédulos constituem uma ínfima minoria, que sofrem a contra-gosto a pressão da opinião contrária e são contidos pelas forças sociais. Mas que a verdadeira incredulidade se torne um dia a opinião da maioria e a sociedade estará em dissolução. É ao que leva a propagação da doutrina do niilismo. (2)


Seja quais forem as consequências, se o niilismo fosse uma doutrina verdadeira teríamos de aceitá-la, e não seriam os sistemas contrários, nem a ideia do mal que ela pudesse produzir, que poderiam eliminá-la. Ora, não se pode negar que o cepticismo, a dúvida, a indiferença ganham terreno cada dia, apesar dos esforços da religião em contrário. Isso, é positivo. Se a religião é impotente contra a incredulidade é que lhe falta alguma coisa para combatê-la, de tal maneira que, se ela se imobilizasse, em pouco tempo estaria inevitavelmente superada. O que lhe falta neste século de positivismo, onde se quer compreender para crer, é a sanção das suas doutrinas pelos factos positivos. E é também a concordância de algumas doutrinas com os dados positivos da ciência. Se ela diz branco e os factos dizem negro, temos forçosamente de optar entre a evidência e a fé cega. (3)


(1) Cem anos depois de Kardec a Filosofia em França quase se desfez nos sofismas do nada, com Jean Paul Sartre e sua escola. Mas Simone de Beauvoir, companheira e discípula de Sartre, confirma e ilustra as considerações de Kardec ao escrever "...detesto pensar no meu aniquilamento. Penso com melancolia nos livros lidos, nos lugares visitados, no saber acumulado e que não mais existirá. Toda a música, toda a pintura, tantos lugares percorridos — e de repente mais nada!" — La Force des Choses, final do último capítulo. — A aproximação da morte, sob a ideia do nada, acarreta às criaturas mais cultas essa desesperança amarga. (N. do T.)


(2) Um jovem de dezoito anos sofria de uma doença cardíaca que foi declarada incurável. O veredicto da ciência havia sido: pode morrer dentro de oito dias ou de dois anos, mas não passará disso. O jovem ficou sabendo e logo abandonou todo o estudo e se entregou aos excessos de toda a espécie. Quando lhe mostravam quanto essa vida era perniciosa para a sua situação, ele respondia: "Que me importa, desde que só tenho dois anos de vida? De que me valeria cansar a mente? Gozo o tempo que me resta e quero me divertir até o fim." Eis a consequência lógica no niilismo. Mas se esse jovem fosse espírita poderia responder: "A morte só destruirá o meu corpo que abandonarei como uma roupa usada, mas meu espírito continuará a viver. Eu serei, numa vida futura, o que fizer de mim mesmo nesta vida. Nada do que tenha adquirido em qualidades morais e intelectuais se perderá, porque isso representa uma conquista para o meu adiantamento. Toda a imperfeição de que me houver livrado será um passo no caminho da felicidade, minha ventura ou minha desgraça futura dependem da utilização de minha existência presente. É pois de meu interesse aproveitar o pouco tempo que me resta, evitando tudo o que pudesse diminuir as minhas forças." Qual dessas duas doutrinas será preferível? (Nota de Kardec).


(3) Muitos esforços se fazem ainda hoje, particularmente no campo da Cibernética e do Estruturalismo, para demonstrar que o homem não tem liberdade. O Espiritismo é, por excelência, a doutrina da liberdade e da responsabilidade individuais. Mas o conceito de liberdade, no Espiritismo, não é absoluto. A liberdade humana é condicionada pelas condições corporais (hereditariedade, constituição etc.) pelo meio físico, pelas características raciais, pela cultura e pelas normas sociais e morais, bem como pela constituição psíquica de cada indivíduo e pelo determinismo do seu passado espiritual, do seu karma. Dentro de todas essas limitações, entretanto, subsiste a capacidade de optar, de escolher e de agir segundo a vontade. Essa capacidade permite mesmo à criatura abrandar ou romper algumas das limitações que lhe são impostas, até mesmo no plano kármico, onde a lei do amor lhe serve de instrumento para remover ou atenuar consequências nefastas. Assim, o determinismo está na facticidade (no conjunto de condições com que o homem apareceu feito no mundo) e a liberdade ou livre-arbítrio está na ipseidade (na individualização ou na essência do ser condicionado pela forma). É bom lembrar que não estamos no absoluto, mas no relativo, e que neste não existe liberdade onde não houver condições para que ela se exerça. Para melhor compreensão deste problema ler O Ser e a Serenidade, de J. H. Pires, edição "Paidéia". (N. do T.)


4 — Em face desta situação o Espiritismo vem opor um dique à invenção da incredulidade, servindo-se não somente da razão e da perspectiva dos perigos a que ela arrasta, mas também dos factos materiais, ao permitir que se toque com o dedo e se veja com o olho a alma e a vida futura.
Cada qual é livre sem dúvida no tocante à crença, podendo crer em alguma coisa ou não crer em nada. Mas os que procuram fazer prevalecer no espírito das massas, e sobretudo da juventude, a negação do futuro, apoiando-se na autoridade, seu saber e na ascendência da sua posição, semeiam na sociedade os germes da perturbação e da dissolução, incorrendo numa grande responsabilidade.


5 — Há uma outra doutrina que se defende da acusação de materialista porque admite a existência de um princípio inteligente além da matéria. É a doutrina da absorção no todo universal. Segundo esta doutrina cada indivíduo absorve ao nascer uma parcela do princípio que lhe dá a vida, constituindo a sua alma, a sua inteligência e os seus sentimentos. Com a morte, essa alma retorna ao elemento comum e se perde no infinito como uma gota d'água no oceano.
Essa doutrina é sem dúvida um passo adiante em relação ao puro materialismo, pois admite alguma coisa, enquanto o outro não admite nada. Mas as consequências de ambas são exactamente as mesmas. Que o homem seja mergulhado no nada ou num reservatório comum, é a mesma coisa. Se no primeiro caso ele é transformado em nada, no segundo perde a sua individualidade, o que equivale a perder a sua existência. As relações sociais são igualmente rompidas. O essencial para o homem é a conservação do seu eu. Sem isso, que lhe importa ser ou não ser? O futuro para ele não existe, num e noutro caso, e a vida presente é a única coisa que lhe interessa e o preocupa. Do ponto de vista das consequências morais essas duas doutrinas são perniciosas, igualmente desesperadoras, esta última excitando o egoísmo da mesma maneira que o materialismo.


6 — Além disso, pode-se fazer a essa doutrina a seguinte objecção: todas as gotas d'água de um oceano se assemelham e têm as mesmas propriedades, como partes que são de um mesmo todo. Porque as almas, se foram tiradas de um grande oceano de inteligência universal se assemelham tão pouco entre si? Como explicar a presença do génio ao lado do idiota? As mais sublimes virtudes junto aos vícios mais ignóbeis? A bondade, a doçura, a mansidão ao lado da maldade, da crueldade e da barbárie? Como as partes de um todo homogéneo podem ser diferentes umas das outras? Poderão dizer que é a educação que as modifica? Mas então de onde procedem as qualidades inatas, as inteligências precoces, os bons e os maus instintos que independem de qualquer educação e frequentemente não estão em harmonia com o meio em que as criaturas se desenvolvem?
A educação, não há dúvida, modifica as qualidades intelectuais e morais da alma, mas neste ponto outra dificuldade se apresenta. Quem deu à alma a educação que a fez progredir? Outras almas que por sua origem comum não devem ser mais adiantadas? Por outro lado, a alma, voltando ao todo universal de que sairá, após haver progredido durante a vida, leva a ele um elemento de perfeição, de onde se segue que esse todo deve ser profundamente modificado e melhorado com o tempo. Como se explica que dele saiam incessantemente almas ignorantes e perversas?


7 — Nessa doutrina a fonte universal da inteligência que produz as almas humanas é independente da Divindade. Não se trata, pois, do panteísmo. A doutrina panteísta propriamente dita difere dela ao considerar o princípio universal da vida e da inteligência como integrando a Divindade. Assim, Deus é ao mesmo tempo espírito e matéria. Todos os seres, todos os corpos da natureza constituem a Divindade, da qual representam as moléculas e demais elementos componentes. Deus é o conjunto de todas as inteligências reunidas. Cada indivíduo, sendo uma parte do todo, é em si mesmo Deus. Nenhum ser superior e independente comanda o conjunto. O universo é uma imensa república sem presidente, onde todos ou cada um é o seu próprio chefe com poder absoluto.


8 — Podemos opor numerosas objecções a esses sistemas. As principais são as seguintes:
Não se podendo conceber a Divindade sem perfeições infinitas, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de parcelas tão imperfeitas que necessitam de progredir? Cada parcela estando submetida à lei do progresso, disso resulta que o próprio Deus deve progredir, e se ele progride sem cessar, deve ter sido muito imperfeito na origem dos tempos. Como um ser imperfeito, formado de vontades e ideias tão divergentes, pode conceber as leis harmoniosas, tão admiráveis, de unidade, de sabedoria e de previdência que regem o universo? Se todas as almas são parcelas da divindade, todas concorreram para a criação das leis da natureza, como se explica que elas mesmas protestem continuamente contra essas leis, que são a sua própria obra? Uma teoria só pode ser aceita como verdadeira sob a condição de satisfazer à razão e explicar todos os fenómenos que abrange. Se um só facto puder desmenti-la é que ela não possui a verdade absoluta.


9 — Do ponto de vista moral as consequências são também inteiramente ilógicas. A princípio, temos para as almas, como no sistema precedente, a absorção num todo e a perda da individualidade. Se admitirmos, segundo a opinião de alguns panteístas, que elas conservem a sua individualidade, Deus não terá mais uma vontade única, pois será um composto de miríades de vontades divergentes. Depois, sendo cada alma parte integrante da divindade, nenhuma será dominada por um poder superior. Em consequência, não haverá nenhuma responsabilidade individual pelos actos bons ou maus, como nenhum interesse em fazer o bem, podendo fazer impunemente o mal, desde que ela é o soberano senhor de si mesma.


10 — Além desses sistemas não satisfazerem à razão nem às aspirações do homem, apresentam-se, como se vê, cheios de dificuldades insuperáveis, de maneira que são incapazes de resolver todas as questões de facto que levantamos. O homem tem, portanto, três alternativas: o nada, a absorção ou a individualidade da alma antes e após a morte. É a esta última crença que a lógica nos leva insensivelmente. É ela também que constitui o fundo de todas as religiões desde que o mundo existe.
Se a lógica nos leva à individualidade da alma, nos leva também a outra consequência, a de que a sorte de cada alma deve depender de suas qualidades pessoais, pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem e a do homem perverso estivessem no mesmo nível que o do homem de bem e do sábio. Segundo a justiça, as almas devem ter a responsabilidade dos seus actos, mas para que sejam responsáveis é necessário que sejam livres para escolher entre o bem e o mal. Sem o livre-arbítrio haverá fatalidade e com esta a alma não poderia ter responsabilidade.


11 — Todas as religiões admitiram igualmente o princípio do destino feliz ou infeliz das almas após a morte, ou seja, das penas e dos gozos futuros que se resumem na doutrina do céu e do inferno, que encontramos por toda a parte. Mas no que elas diferem essencialmente é quanto à natureza das penas e dos gozos e sobretudo quanto às condições que podem levar as almas a merecerem umas e outros. Daí resultam os pontos de fé contraditórios que deram origem aos diferentes cultos e os deveres particulares impostos por todos eles para reverenciar a Deus, por meio dos quais se pode ganhar o céu e escapar ao inferno.


12 — Todas as religiões deviam estar, em sua origem, em relação com o grau de adiantamento moral e intelectual dos homens. Estes, ainda muito materiais para compreender o valor das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maioria dos deveres religiosos na prática de fórmulas exteriores. Durante algum tempo essas fórmulas satisfizeram à sua razão. Mais tarde, esclarecendo-se os seus espíritos, sentiram o vazio dessas fórmulas, e como a religião não mais os satisfazem eles a abandonam e se tornam filósofos.


13 — Se a religião, a princípio apropriada aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre seguido o desenvolvimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos porque a necessidade de crer está na própria natureza do homem e ele sempre crerá desde que lhe dêem o alimento espiritual em harmonia com as suas exigências intelectuais. Ele quer saber de onde vem e para onde vai.
Se lhe mostrarem um alvo que não corresponde às suas aspirações nem à ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a ciência lhe fornece, se além disso lhe impõem, para atingir a Deus, condições que a sua razão considera inúteis, ele repele a tudo. Então o materialismo e o panteísmo lhe parecem mais racionais, porque neles se discute e raciocina, e embora o raciocínio seja falso, ele prefere raciocinar falso a ser impedido de fazê-lo.(4)
Mas se lhe apresentarem um futuro em condições lógicas, digno em tudo da grandeza, da justiça e da infinita bondade de Deus, ele abandonará o materialismo e o panteísmo, dos quais sente o vazio em seu próprio íntimo e que só havia aceitado na falta de coisa melhor. O Espiritismo lhe oferece o melhor e é por isso que se vê acolhido ansiosamente por todos os que se atormentam com a incerteza pungente da dúvida, não encontrando nas crenças e nas filosofias vulgares aquilo que procuram. Ele tem a seu favor a lógica do raciocínio e a prova dos factos. É por isso que inutilmente tem sido combatido.


14 — O homem tem a convicção instintiva do futuro, mas não tendo até então nenhuma base certa para a sua definição, criou pela imaginação os sistemas que o levaram à diversidade das crenças. A doutrina espírita sobre o futuro, não sendo obra de imaginação concebida de maneira engenhosa, mas sim o resultado da observação dos factos materiais que hoje ocorrem aos nossos olhos, ligará, como já está fazendo actualmente, as opiniões divergentes ou incertas, e conduzirá pouco a pouco, pela própria força das circunstâncias, a crença a uma unidade baseada na certeza e não mais na hipótese. Realizada a unificação no tocante ao destino das almas, será este o primeiro ponto de aproximação dos diferentes cultos, um passo considerável para a tolerância religiosa, a princípio, e mais tarde para a fusão. (5)


(4) O materialismo e a descrença são flores de estufa, criações artificiais das fases de desenvolvimento cultural. Nessas fases, o desequilíbrio entre as estruturas religiosas, que vêm do passado, e as exigências novas da evolução cultural provoca a defecção religiosa. Por isso os ateus e materialistas constituem sempre minorias. Essas minorias correspondem ao número de pessoas que puderam acompanhar a evolução cultural. A massa da população permanece apegada às fórmulas religiosas tradicionais, mas, na proporção em que a cultura se divulga, a descrença e o materialismo florescem. Kardec colocou o problema numa síntese admirável, como se vê na parte grifada do período acima. (N. do T.)


(5) Foi necessário mais de um século para que esta previsão de Kardec, não profética mas formulada em termos da moderna Futurologia, começasse a realizar-se. O actual Ecumenismo, que significativamente deixa de lado o Espiritismo, é um passo, apesar das dificuldades que o entravam, para a futura fusão do pensamento religioso na Terra. Nos mundos superiores, segundo informam os Espíritos mais elevados, os cultos religiosos se fundem numa forma única, simplificada e racional. As tentativas de criação de teorias ecléticas e de construção de templos comuns para diversas religiões, em nosso tempo, são outros sinais da evolução religiosa do planeta. (N. do T.)


Referência: O ceú e o inferno

Formação do Mundos


Formação dos Mundos


O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.


37. O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade como Deus?


— Ele não pode ter sido feito por si mesmo; e se existisse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.


A razão nos diz que o Universo não poderia fazer-se por si mesmo, e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.


38. Como criou Deus o Universo?


— Para me servir de uma expressão corrente: por sua Vontade. Nada exprime melhor essa vontade todo-poderosa do que estas belas palavras do Génese: "Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita".


39. Podemos conhecer o modo de formação dos mundos?


— Tudo o que se pode dizer, e que podeis compreender, é que os mundos se formam pela condensação da matéria espalhada no espaço.


40. Os cometas seriam, como agora se pensa, um começo de condensação da matéria, mundos em vias de formação?


— Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar na sua influência. Quero dizer, a influência que vulgarmente lhe atribuem; porque todos os corpos celestes têm a sua parte de influência em certos fenómenos físicos.


41. Um mundo completamente formado pode desaparecer, e a matéria que o compõe espalhar-se de novo no espaço?


— Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.


42. Saberemos a duração da formação dos mundos; da Terra, por exemplo?


— Nada te posso dizer, porque somente o Criador o sabe; e bem louco seria quem pretendesse sabê-lo, ou conhecer o número de séculos dessa formação.


Referência: o livro dos espíritos

Sexo nos espíritos


- Sexo nos Espíritos


200. Os Espíritos têm sexo?


— Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos.


201. O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher, numa nova existência, e vice-versa?


— Sim, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.


202. Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?


— Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.


Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.

Referência: o livro dos Espíritos

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Mensagem da criança



Mensagem da Criança


Dizes que sou o futuro.
Não me desampares o presente.
Dizes que sou a esperança da paz.
Não me induzas à guerra.
Dizes que sou a promessa do bem.
Não me confies ao mal.
Dizes que sou a luz dos teus olhos.
Não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão.
Dá-me luz e entendimento.
Não desejo tão só a festa de teu carinho.
Suplico-te amor com que me eduques.
Não te rogo apenas brinquedos.
Peço-te bons exemplos e boas palavras.
Não sou simples ornamento de teu caminho.
Sou alguém que bate à porta em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo...
Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Antologia da criança. Ditado pelo Espírito Meimei. IDEAL.

Médiuns Videntes


Médiuns Videntes


167. Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Há os que gozam dessa faculdade em estado normal, perfeitamente acordados, guardando lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambulico ou aproximado do sonambulismo. É raro que esta faculdade seja permanente, sendo quase sempre o resultado de uma crise súbita e passageira.


Podemos incluir na categoria de médiuns videntes todas as pessoas dotadas de segunda vista. A possibilidade de ver os Espíritos em sonho é também uma espécie de mediunidade, mas não constitui propriamente a mediunidade de vidência. Explicaremos esse fenómeno no capítulo VI, Manifestações Visuais.


O médium vidente acredita ver pelos olhos, como os que têm a dupla vista, mas na realidade é a alma que vê, e por essa razão eles tanto vêem com os olhos abertos ou fechados. (11) Dessa maneira, um cego pode ver os Espíritos como os que têm visão normal.


Seria interessante fazer um estudo sobre esta questão, verificando se essa faculdade é mais frequente nos cegos. Espíritos que viveram na Terra como cegos nos disseram que tinham, pela alma, a percepção de alguns objectos e que não estavam mergulhados numa escuridão completa.
168. Devemos distinguir as aparições acidentais e espontâneas da faculdade propriamente dita de ver os Espíritos. As primeiras ocorrem com mais frequência no momento da morte de pessoas amadas ou conhecidas, que vêm advertir-nos de sua passagem para o outro mundo. Há numerosos exemplos de casos dessa espécie, sem falar das ocorrências de visões durante o sono. De outras vezes são parentes ou amigos que, embora mortos há muito tempo, aparecem para nos avisar de um perigo, dar um conselho ou pedir uma ajuda. Essa ajuda é sempre a execução de um serviço que ele não pôde fazer em vida ou o socorro das preces.


Essas aparições constituem factos isolados, tendo um carácter individual e pessoal. Não constituem, pois, uma faculdade propriamente dita. A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo menos frequente, de ver os Espíritos que se aproximam, mesmo que estranhos. É essa faculdade que define o médium vidente. (12)


Entre os médiuns videntes há os que vêem somente os Espíritos evocados, podendo descrevê-los nos menores detalhes dos seus gestos, da expressão fisionómica, os traços característicos do rosto, as roupas e até mesmo os sentimentos que revelam. Há outros que possuem a faculdade em sentido mais geral, vendo toda a população espírita do ambiente ir e vir e, poderíamos dizer, entregue a seus afazeres.


169. Assistimos certa noite à representação da ópera Obéron ao lado de um excelente médium vidente. Havia no salão grande número de lugares vazios, mas muitos estavam ocupados por Espíritos que pareciam acompanhar o espectáculo. Alguns se aproximavam de certos espectadores e pareciam escutar as suas conversas. No palco se passava outra cena: por trás dos actores muitos Espíritos joviais se divertiam em contracená-los, imitando-lhes os gestos de maneira grotesca. Outros, mais sérios, pareciam inspirar os cantores, esforçando-se por lhes dar mais energia. Um desses mantinha-se junto a uma das principais cantoras. Julgamos as suas intenções um tanto levianas e o evocamos após o baixar da cortina. Atendeu-nos e reprovou com severidade o nosso julgamento temerário. "Não sou o que pensas, — disse — sou o seu guia, o seu Espírito protector, cabe-me dirigi-la". Após alguns minutos de conversação bastante séria, deixou-nos dizendo: "Adeus. Ela está no seu camarim e preciso velar por ela."


Evocamos depois o Espírito de Weber, autor da ópera, e lhe perguntamos o que achava da representação. "Não foi muito má — respondeu — mas fraca. Os actores cantam, eis tudo. Faltou inspiração. Espera — acrescentou — vou tentar insuflar-lhes um pouco do fogo sagrado!" Vimo-lo então sobre o palco, pairando acima dos actores. Um eflúvio parecia se derramar dele para os intérpretes, espalhando-se sobre eles. Nesse momento verificou-se entre eles uma visível recrudescência da energia.


(11) Note-se a razão da expressão segunda vista ou dupla vista, que ressalta claramente dessa explicação de Kardec. A evidência propriamente dita independe dos olhos materiais, porque é uma visão anímica, a alma vê fora do corpo. É o que a Parapsicologia chama hoje de percepção extra-sensorial. A dupla-vista se manifesta sempre como um desdobramento da visão normal. Um cego não tem dupla-vista, mas apenas vidência. (N. do T.)


(12) Ernesto Bozzano publicou um livro especial sobre o problema das manifestações espíritas no momento da morte, relacionando numerosos casos bastante significativos.
170. Eis outro facto que prova a influência dos Espíritos sobre os homens, sem que estes o percebam. Assistimos a uma representação teatral com outro médium vidente. Conversando com um Espírito espectador, disse-nos ele: Estás vendo aquelas duas senhoras sozinhas num camarote de primeira? Pois bem, vou me esforçar para tirá-las do salão. Dito isso, foi colocar-se no camarote das senhoras e começou a falar-lhes. Súbito as duas, que estavam muito atentas ao espectáculo, se entreolharam, parecendo consultar-se e a seguir se foram, não voltando mais. O Espírito nos fez então um gesto gaiato, significando que cumprira a palavra. Mas não o pudemos rever para pedir-lhe maiores explicações.


Na moderna Parapsicologia esses factos foram também considerados em vários livros. Veja-se o trabalho recente da profa. Louise Rhine Os Canais Ocultos da Mente, no capítulo Efeitos físicos enigmáticos, que também relata curiosas ocorrências. Há uma tradução brasileira de Jacy Monteiro, lançada pela Editora Bestseller, São Paulo, 1966 (N. do T.)


Muitas vezes fomos assim testemunhas do papel que os Espíritos exercem entre os vivos. Observamo-los em diversos lugares de reunião: em bailes, concertos, sermões, funerais, núpcias, etc., e em toda parte os encontramos atiçando as más paixões, insuflando a discórdia, excitando as rixas e regozijando-se com suas proezas. Outros, pelo contrário, combatem essa influência perniciosa, mas só raramente são ouvidos.


171. A faculdade de ver os Espíritos pode sem dúvida se desenvolver, mas é uma dessas faculdades cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que o provoque, se não se quiser expor-se às ilusões da imaginação. Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesma. Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível. Porque então, querendo ter demais, arrisca-se a perder o que se tem. (13)


Quando dissemos que os casos de aparições espontâneas são frequentes (nº 107), não quisemos dizer que sejam comuns. Quanto aos médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e temos muitas razões para desconfiar dos que pretendem ter essa faculdade. É prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Não nos referimos aos que alimentam a ridícula ilusão dos Espíritos-glóbulos, de que tratamos no nº 108, mas aos que pretendem ver os Espíritos de maneira racional.


Algumas pessoas podem sem dúvida enganar-se de boa fé, mas outras podem simular essa faculdade por amor-próprio ou por interesse. Nesse caso, deve-se particularmente levar em conta o carácter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa. Mas é sobretudo nas questões circunstanciais que se pode encontrar o mais seguro meio de controlo. Porque há circunstâncias que não podem deixar dúvidas, como nos casos de exacta descrição de Espíritos que o médium jamais teve ocasião de conhecer quando encarnados.(14)


O caso seguinte pertence a essa categoria.


Uma senhora viúva, cujo marido se comunica frequentemente com ela, encontrou-se um dia com um médium vidente que não a conhecia, nem à sua família, e o médium lhe disse: "Vejo um Espírito ao vosso lado." — "Ah, disse a senhora, é sem dúvida o meu marido, que quase nunca me deixa." — "Não, respondeu o médium, é uma senhora de certa idade, que está penteada de maneira estranha, com uma fita branca na testa."
Por esta particularidade e outros detalhes descritos, a viúva reconheceu sua avó, sem perigo de erro, e na qual nem sequer pensava nesse momento. Se o médium quisesse simular a faculdade, seria mais fácil aproveitar o pensamento da senhora. Mas ao invés do marido que a preocupava ele viu uma mulher, com um penteado especial de que nada lhe poderia dar ideia. Este caso prova ainda que a visão do médium não era o reflexo de qualquer pensamento alheio. (Ver nº 102)


(13) Esta é uma característica do Espiritismo, para a qual devemos sempre chamar a atenção de adeptos e adversários. A Doutrina é contrária a todos os meios artificiais de desenvolvimento psíquico, mantendo o mais rigoroso respeito às leis naturais que presidem a esses processos, como a todos os demais na condição humana. Os que acusam o Espiritismo de excessos psíquicos ou místicos simplesmente ignoram os seus princípios, não sabem o que dizem. (N. do T.)
(14) O rigor da observação espírita não está nos meios materiais de controlo, sempre ingénuos e até mesmo infantis, quando se trata de questões espirituais. Este é um dos muitos casos que fogem a todas as explicações telepáticas, a menos que aceitemos o absurdo, jamais experimentalmente provado, das interferências mais fantásticas, como a das lembranças inconscientes da viúva remontando aos tempos da avó. Isso é o que Kardec considerava, muito justamente, querer substituir o suposto fantástico da presença do Espírito por uma explicação engenhosa e ainda muito mais fantástica. O estudo e a pesquisa espírita mostram, por mil detalhes valiosos, o ridículo dessas hipóteses apressadas e sempre geradas pela prevenção e a ignorância do assunto. (N. do T.)


Referência: o livro dos médiuns

Médiuns Falantes


Médiuns Falantes


166. Os médiuns audientes, que apenas transmitem o que ouvem, não são propriamente médiuns falantes. Estes, na maioria das vezes, não ouvem nada. Ao servir-se deles, os Espíritos agem sobre os órgãos vocais, como agem sobre as mãos nos médiuns escreventes. O Espírito se serve para a comunicação dos órgãos mais flexíveis que encontra no médium. De um empresta as mãos, de outros as cordas vocais e de um terceiro os ouvidos. O médium falante em geral se exprime sem ter consciência do que diz, e quase sempre tratando de assuntos estranhos às suas preocupações habituais, fora de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência. (9


Embora esteja perfeitamente desperto e em condições normais, raramente se lembra do que disse. Numa palavra, a voz do médium é apenas um instrumento de que o Espírito se serve e com o qual outra pessoa pode conversar com este, como o faz no caso de médium audiente.
Mas nem sempre a passividade do médium falante é assim completa. Há os que têm intuição do que estão dizendo, no momento em que pronunciam as palavras. Voltaremos a tratar desta variedade quando nos referirmos aos médiuns intuitivos. (10)


(9) Além dessas provas da independência do Espírito comunicante, assinaladas por Kardec, devemos lembrar que numerosos casos da bibliografia mediúnica e das experiências cotidianas com a mediunidade nos mostram que o Espírito pode tratar, através do médium, de assuntos a que este se furta e muitas vezes acusando-o e chamando-lhe a atenção. (N. do T.)


(10) Os médiuns falantes, chamados entre nós médiuns de incorporação, dividem-se assim nas duas classes bem conhecidas: médiuns conscientes e médiuns inconscientes. Aos conscientes é que Kardec dava, acertadamente, a designação de intuitivos. Aliás, essa divisão existe em todas as modalidades mediúnicas. (N. do T.)


Referência: o livro dos médiuns

Médiuns Audientes


Médiuns Audientes


165. São os que ouvem a voz dos Espíritos. Como já dissemos ao tratar da Pneumatofonia, é algumas vezes uma voz interna que se faz ouvir no foro íntimo. De outras vezes é uma voz externa, clara e distinta


Como a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem assim conversar com os Espíritos. Quando adquirem o hábito de comunicar-se com certos Espíritos, os reconhecem imediatamente pelo timbre da voz. Quando não se possui essa faculdade, pode-se também comunicar com um Espírito através de um médium audiente, que exerce o papel de intérprete. (8)


Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons ou somente aqueles que ele chama. Mas não se dá o mesmo quando um Espírito mau se apega a ele, fazendo-lhe ouvir a cada minuto as coisas mais desagradáveis e algumas vezes mais inconvenientes. É necessário então tratar de desembaraçar-se, pelos meios que indicaremos no capítulo da Obsessão.


(8) O problema da voz dos Espíritos, com timbre característico, a ponto de se reconhecer a voz de pessoa falecida há tempos, tem provocado críticas dos anti espíritas religiosos e científicos, que alegam o desaparecimento dos órgãos vocais no túmulo. Explica-se o caso pelas propriedades do perispírito. Mas é bom lembrar que nas experiências parapsicológicas de telepatia à distância o fenómeno se confirma, sem que as objecções acima tenham sido levantadas. A realidade, portanto, da voz dos Espíritos está hoje cientificamente confirmada. (N. do T.)


referência: o livro dos médiuns

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pneumatofonia


Pneumatofonia


150. Os Espíritos, podendo produzir ruídos e pancadas, podem naturalmente fazer ouvir gritos de toda espécie e sons vocais imitando a voz humana, ao nosso lado ou no ar. É esse fenómeno que designamos pelo nome de Pneumatofonia. Segundo o que conhecemos da natureza dos Espíritos, podemos supor que alguns deles, quando de ordem inferior, iludem-se com isso e acreditam falar como quando viviam. (Ver na Revista Espírita de Fevereiro de 1858, a História do Fantasma da Srta. Clairon.)


Devemos evitar, entretanto, de tomar por vozes ocultas todos os sons de causa desconhecida ou os simples zunidos do ouvido, e sobretudo de aceitar a crença vulgar de que o ouvido que zune está nos avisando de que falam de nós em algum lugar. Esses zunidos, de causa puramente fisiológica, não têm aliás nenhum sentido, enquanto os sons da Pneumatofonia exprimem pensamentos e somente por isso podemos reconhecer que têm uma causa inteligente e não acidental. Podemos estabelecer, como princípio, que apenas os efeitos notoriamente inteligentes podem atestar a intervenção dos Espíritos. Quanto aos outros, há pelo menos cem possibilidades contra uma de serem produzidos por causas fortuitas.


151. Acontece muito frequentemente ouvirmos, meio adormecido pronunciarem distintamente palavras, nomes, às vezes até mesmo frases inteiras, e isso de maneira tão forte que acordamos sobressaltados. Embora possa acontecer que em certas ocasiões sejam realmente uma manifestação, nada há de tão positivo nesse fenómeno que não o possamos atribuir a uma causa semelhante à que expusemos na teoria da alucinação (Cap. VI, nº 111 e seguintes). De resto, o que se ouve nesse estado não tem nenhuma consequência. Já o mesmo não acontece quando estamos realmente acordados, pois nesse caso, se for um Espírito que se faz ouvir, podemos quase sempre trocar ideias com ele e estabelecer uma conversa regular.


Os sons espíritas ou pneumatofônicos manifestam-se por duas maneiras bem distintas: é às vezes uma voz interna que ressoa em nosso foro íntimo, e embora as palavras sejam claras e distintas, nada têm de material; de outras vezes as palavras são exteriores e tão distintamente articuladas como se proviessem de uma pessoa ao nosso lado.
De qualquer maneira que se produza, o fenómeno de Pneumatofonia é quase sempre espontâneo e só muito raramente pode ser provocado. (5)


(5) Nas sessões de voz directa temos o fenómeno de Pneumatofonia exterior provocado. Mas, como Kardec acentua, essas sessões são bastante raras. Por modernos parapsicólogos este fenómeno foi algumas vezes observado. O prof. S. G. Soal, da Universidade de Londres, realizou várias experiências com a médium Blanche Cooper, obtendo curiosos fenómenos de voz directa, entre as quais a manifestação perfeitamente autenticada de um seu ex-colega, Gordon Davis, envolvendo curiosos efeitos de precognição ou visão do futuro, mais tarde também constatados pelo experimentador. Em São Paulo esses fenómenos foram observados com a médium dona Hilda Negrão e amplamente divulgados. Em Marília (Estado de São Paulo) tivemos ocasião de observá-los com o médium Urbano de Assis Xavier. Para o caso Soal ver Proceedings of Society for Psychical Research de Londres, Dezembro de 1925, ou En 105 Limites de La Psicologia do prof. Ricardo Musso, Editorial Periplo, Buenos Aires, 1954, pág.180 a 182, com explicações anti-espíritas. O importante é o fato, a comprovação actual do fenómeno. Para casos em São Paulo e Curitiba ver "Fenomenologia Supranormal", em "O Revelador", nºs 3 e 4 de 1942, pelo Dr. Osório César, anatomopatologista do Hospital do Juqueri, relato de pesquisas científicas. (N. do T.)


Referência: o livro dos médiuns

Pneumatografia ou escrita directa


Escrita Directa


146. A Pneumatografia é a escrita produzida directamente pelo Espírito, sem nenhum intermediário. Difere da psicografia porque esta é a transmissão do pensamento do Espírito pela mão do médium.


O fenómeno da escrita directa é indiscutivelmente um dos mais extraordinários do Espiritismo. Por mais estranho que possa parecer à primeira vista, é hoje um facto averiguado e incontestável. Se a teoria é necessária para se compreender a possibilidade dos fenómenos espíritas em geral, mais ainda se torna neste caso, um dos mais chocantes até agora apresentados, mas que deixa de parecer sobrenatural quando compreendemos o princípio em que se funda.


À primeira manifestação desse fenómeno o sentimento dominante foi de desconfiança: a ideia de trapaça ocorreu logo. Porque todos conhecem as tintas chamadas simpáticas, cujos traços invisíveis aparecem algum tempo depois da escrita. Era possível, pois, um abuso da credulidade, e não afirmamos que jamais tenha isso acontecido. Estamos mesmo convencidos de que algumas pessoas, por interesse mercenário, por amor próprio ou para impor a crença nos seus poderes, tenham usado subterfúgios. (Ver o capítulo sobre as Fraudes.)


Mas por se poder imitar alguma coisa é absurdo concluir que ela não exista. Não se conseguiu, nos últimos tempos, encontrar o meio de imitar a lucidez sonambúlica, a ponto de causar ilusão? E por ter esse processo habilidoso corrido mundo, devemos concluir que não há sonâmbulos verdadeiros? Porque alguns comerciantes vendem vinho alterado devemos dizer que não existe o vinho puro? Acontece o mesmo com a escrita directa. Entretanto, as precauções para assegurar a realidade do facto são muito simples e fáceis. Graças a elas, hoje não se pode ter a menor dúvida a respeito. (1)


147. Desde que a possibilidade de escrever sem intermediário é um dos atributos dos Espíritos, que estes sempre existiram e em todos os tempos produziram os diversos fenómenos que conhecemos, devem ter produzido a escrita directa na Antiguidade tão bem como hoje. E é assim que se pode explicar a aparição das três palavras no festim de Baltazar. A Idade Média, tão fecunda em prodígios ocultos que as fogueiras abafavam, deve ter conhecido também a escrita directa. Talvez mesmo se pudesse encontrar na teoria das modificações que os Espíritos produzem na matéria que desenvolvemos no capítulo VIII, o princípio da crença medieval na transmutação dos metais.


Mas quaisquer que tenham sido os resultados obtidos nas épocas anteriores, foi somente depois da vulgarização das manifestações espíritas que se tomou a sério o problema da escrita directa. O primeiro que o deu a conhecer em Paris, nos últimos anos, parece que foi o Barão de Guldenstubbe, ao publicar uma obra muito interessante sobre o assunto, com grande número de fascículos de escritas obtidas. (2) O fenómeno já era conhecido na América há algum tempo. A posição social do Sr. de Guldenstubbe, sua independência, a consideração que desfruta no alto mundo afastam incontestavelmente qualquer suspeita voluntária, pois nenhum motivo interesseiro poderia movê-lo. Poder-se-ia admitir a sua própria ilusão, mas a isso responde decisivamente um facto: a obtenção do mesmo fenómeno por outras pessoas que se cercaram de todas as precauções necessárias para evitar qualquer trapaça ou motivo de engano.
148. A escrita directa é obtida, como a maioria das manifestações espíritas não espontâneas, pelo recolhimento, a prece e a evocação. Muitas vezes foi obtida nas igrejas, sobre os túmulos, junto às estátuas e imagens de personagens evocadas. Mas é evidente que o local só influi por favorecer o recolhimento e a maior concentração mental, pois está provado que é obtida igualmente sem esses acessórios e nos lugares mais comuns, como sobre um simples móvel caseiro, desde que se esteja nas condições morais exigidas e se disponha da necessária faculdade mediúnica (3).


A escrita directa, como a fotografia psíquica e a tiptologia têm sido desprezadas e ridicularizadas por causa de algumas fraudes, como se a fraude não fosse uma constante da espécie humana. Mas de Kardec até hoje as pesquisas sérias sempre confirmam a realidade desses fenómenos. Veja-se o debate sobre psicocinesia na Parapsicologia actual. (N. do T.)


Achava-se a princípio que era necessário colocar um lápis com o papel. O facto, então, poderia ser mais facilmente explicado. Sabe-se que os Espíritos movem e deslocam objectos, que pegam e retiram à distância, podendo assim pegar o lápis e escrever. Desde que o fazem por intermédio da mão dos médiuns ou de uma prancheta, poderiam também fazê-lo de maneira directa. Mas logo se verificou que a presença do lápis era desnecessária, que bastava um simples pedaço de papel, dobrado ou não, para em breves minutos aparecerem as letras. Com isso o fenómeno mudou completamente de aspecto e nos lançou em outra ordem de ideias. As letras são escritas com uma certa substância, e desde que não se forneceu ao Espírito nenhuma substância, ele a teve de produzir, de compô-la por si mesmo. De onde a tirou? Esse o problema.


Reportando-nos às explicações do Cap. VIII, nºs 127 e 128, encontraremos a teoria completa desse fenómeno. O Espírito não se serve de substâncias e instrumentos nossos. Ele mesmo os produz, tirando os seus materiais do elemento primitivo universal, que submete, por sua vontade, às modificações necessárias para atingir o efeito desejado. Assim, tanto pode produzir a grafite do lápis vermelho, a tinta de impressão tipográfica ou a tinta comum de escrever, como a do lápis preto e até mesmo caracteres tipográficos suficientemente duros para deixarem no papel o rebaixo da impressão, como tivemos ocasião de ver (4). A filha de um nosso conhecido, menina de 12 a 13 anos, obteve páginas semelhantes ao pastel.


149. Esse o resultado a que nos conduziu o fenómeno da tabaqueira, relatado no Cap. VII, nº 116, sobre o qual nos estendemos bastante, porque percebemos a oportunidade de sondar uma das leis mais importantes do Espiritismo, cujo conhecimento pode esclarecer diversos mistérios do mundo invisível. É assim que de um facto aparentemente vulgar pode sair a luz. Basta observar com atenção, e é o que todos podem fazer, como nós, quando não se limitarem a ver os efeitos sem procurar as causas. Se a nossa fé se firma dia a dia é porque compreendemos; fazei pois compreender, se quiserdes conquistar adeptos sérios. A compreensão das causas tem ainda outro resultado, que é o de estabelecer uma linha divisória entre a verdade e a superstição.
Se considerarmos a escrita directa quanto às vantagens que pode oferecer, diremos que até o presente a sua principal utilidade consiste na constatação material de um facto importante: a intervenção de um poder oculto que encontra nesse processo um novo meio de se manifestar. Mas as comunicações assim obtidas são raramente de alguma extensão. Em geral são espontâneas e se limitam a palavras, sentenças, frequentemente sinais ininteligíveis. São obtidas em todas as línguas: em grego, em latim, em siríaco, em caracteres hieroglíficos, etc., mas ainda não serviram às conversações contínuas e rápidas que a psicografia ou escrita pela mão do médium permite.


(1) A tendência das pessoas é sempre de generalizar a fraude, mormente em se tratando de Espiritismo. E isso tanto ocorre entre o povo como nos meios científicos. Nesse ponto, como Kardec acentua em várias ocasiões, os sábios preferem ficar no nível do vulgo.


(2) A realidade dos Espíritos e de suas manifestações, demonstrada pelo fenómeno da escrita directa. Pelo Sr. Barão de Guldenstubbe. Volume 8º, com 15 estampas e 93 facsímiles Franck, rua Richelieu, Paris.


(3) As expressões sobre os túmulos, junto a imagens, sobre móveis decorrem das primeiras experiências feitas pelo Sr. Didier Filho e outros membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, como se pode ver pelos relatos publicados na Revista Espírita. (N. do T.)


(4) Curioso caso de impressão tipográfica directa vem relatado no vol. III da Revista Espírita, tendo o Espírito ordenado a queima do papel assim impresso e a colocação de outro no lugar em que se obtivera o fenómeno. Obedecido, produziu de novo o mesmo efeito e em condições que excluem a menor suposição de fraude. Esses fenómenos são considerados absurdos por aqueles que jamais os obtiveram, mas basta essa condição negativa para invalidar as suas opiniões. A pesquisa espírita e metapsíquica posterior a Kardec têm comprovado os factos. (N. do T.)

Referência: o livro dos médiuns

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Existem espíritos?



Existem Espíritos?


1. A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só conhecem os Espíritos através das histórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas histórias, desprovidas do pitoresco, podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. Não se dão ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a amêndoa. Assim, rejeitam toda a história, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religião.


Seja qual for a ideia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do facto de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstracção das manifestações propriamente dita, e raciocinemos por indução. Vejamos a que consequências chegaremos.


2. Admitindo a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também: 1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais; 2º) Que ela possui consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência. Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e que é feito dela? Segundo a crença comum, ela vai para o Céu ou para o Inferno. Mas onde estão o Céu e o Inferno? Dizia-se antigamente que o Céu estava no alto e o Inferno em baixo. Mas que é o alto e o baixo no Universo, desde que sabemos que a Terra é redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para nós; e conhecemos o infinito do espaço, no qual podemos mergulhar a distâncias incomensuráveis?


É verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas que são hoje essas profundezas, depois das escavações geológicas? Que são, também, essas esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu de estrelas, depois que aprendemos não ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso próprio Sol nada mais é do que um entre milhões de sóis que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilhão planetário? Que foi feito da antiga importância da Terra, agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este imperceptível grão-de-areia, que não se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posição, nem por qualquer papel particular no cosmo, seria o único povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do Infinito, e tudo nos diz que esses mundos também são habitados. E se assim é eles também fornecem os seus contingentes para o mundo das almas. Então, voltamos à pergunta: em que se tornam as almas, depois da morte do corpo, e para onde vão? A Astronomia e a Geologia destruíram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.


Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a ideia dessas penas e recompensas é absurda, e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro.


Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e têm visões inacessíveis, às mais grosseiras; que somente pelos esforços que fazem para se melhorarem, e depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos são as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar até lá, através da boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, sendo felizes com essa missão gloriosa; e a felicidade de após morte será uma condição útil e aceitável, mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna. E os demónios? Compreendamos que são almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justiça e a bondade de Deus se tornarão racionais, ao contrário do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevogável. Eis, afinal, o que a mais exigente razão, a lógica mais rigorosa, o bom senso, numa palavra, podem admitir.


Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. Se os Espíritos fossem seres à parte na Criação, sua existência seria mais hipotética. Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.


3. Tudo isto não passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas já não é bastante ser uma teoria que a razão e a ciência não contradizem? Além disso, ela é corroborada pelos factos e tem a sanção da lógica e da experiência. Encontramos os factos nos fenómenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. São pessoas que acreditam na existência da alma, e consequentemente na dos Espíritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma ideia falsa, considerando-os seres abstractos, vagos e indefinidos, que não é verdade.


Consideremos o Espírito, antes de tudo, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semi-material, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semi- material que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria. (1)


(1) O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o perispírito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia tiveram também de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a existência desse corpo semi-material. (N. do T.)


Não podemos, pois, considerar o Espírito como uma simples abstracção, mas como um ser limitado e circunscrito, a que só falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas. Por que não poderia ele agir sobre a matéria? Pelo facto de ser fluídico o seu corpo? Mas não é entre os fluidos mais rarefeitos, como a electricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponderáveis, que encontramos as mais poderosas forças motoras? A luz imponderável não exerce acção química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituído de substância eléctrica, ou de outra espécie de matéria tão subtil como essa. Por que, separado, não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)


4. A existência de Deus e da alma, consequência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: "Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte?" ou se responder simplesmente: "Não sei; desejava que fosse assim, mas não estou certo" que geralmente equivale a uma negação delicada, disfarçada para não chocar bruscamente o que ele considera preconceitos respeitáveis, seria inútil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz. As manifestações espíritas são os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se não quisermos perder tempo, só nos resta seguir outra ordem de ideias. Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.


5. Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encarnados. Mas por que não? Que é o homem, senão um Espírito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Espírito livre não poderia comunicar-se com um Espírito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobrevivência da alma, seria racional negar-se a sobrevivência das suas afeições? Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se connosco, e se utilize dos meios que estão ao seu dispor? Quando viva na Terra, não agia ela sobre a matéria do seu corpo? Não era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, não poderia ela, após a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?


6. Afastemos por um instante os factos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível. Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos factos espíritas através das leis materiais. Que eles assim possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:


1º) Ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;
2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou;
3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;
4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;
5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se connosco;
6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;
7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;
8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;
9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe às perguntas nem lhe transmitir pensamento.


Quando os adversários do Espiritismo nos demonstrarem que isso tudo não é possível, através de razões tão evidentes como as de Galileu para provar que o Sol não girava em torno da Terra, então poderemos dizer que as suas dúvidas são fundadas. Mas até hoje, infelizmente, toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não creio nisso, porque é impossível. Eles retrucarão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Já lhes demos as provas, pelos factos e pelo raciocínio; se recusam umas e outras, e se negam até mesmo o que vêem, cabe a eles provar que os factos são impossíveis e que o nosso raciocínio é falso.


(2) Além das acções químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a acção da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas age por via-extrafísica, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos, materialistas, comprovaram a acção mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir uma energia material ainda não conhecida pelas ciências. (N. do T.)


referência: O livro dos médiuns

Locais assombrados


Locais Assombrados


152. As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares, são a origem da crença nos locais assombrados. As respostas seguintes foram dadas a perguntas feitas a respeito:


1. Os Espíritos se apegam somente a pessoas ou também a coisas?


— Isso depende da sua elevação. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as suas riquezas e não estão suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e guardá-los.


2. Os Espíritos errantes têm predilecção por alguns lugares?


— Trata-se ainda do mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objectos materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.


3. Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade, será também de que são maus espíritos?


— Claro que não. Um Espírito pode ser pouco adiantado sem que por isso seja mau. Não acontece o mesmo entre os homens?


4. A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas tem algum fundamento?


— Não. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não fez tomar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal ou o sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso preferem os lugares habitados aos abandonados.


4.a. Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos Espíritos, deve haver misantropos entre eles, que podem preferir a solidão.


— Por isso não respondi à pergunta de maneira absoluta. Disse que eles podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo dos bosques.


5. As crenças populares, em geral, têm um fundo de verdade. Qual a origem da crença em lugares assombrados?


— O fundo de verdade, nesse caso, é a manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto, desde todos os tempos. Mas, como já disse, o aspecto dos lugares lúgubres toca-lhe a imaginação e ele os povoa naturalmente com os seres que considera sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância. (1)


6. Os Espíritos que se reúnem escolhem para isso dias e horas de sua predilecção?


— Não. Os dias e as horas são usados pelo homem para controlo do tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a respeito.


7. Qual a origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite?


— A impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O mesmo se dá com a crença em dias e horas propícias. Acreditai que a influência da meia-noite jamais existiu, a não ser nos contos.


7.a. Se é assim, porque certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para aquela hora e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo?


— São Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela mesma razão que uns se dizem o Diabo ou se dão nomes infernais. Mostrai-lhes que não sois tolos e eles não voltarão.


(1) O instinto a que o Espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra. Ver, no capítulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número 522, na edição da LAKE, a nota do tradutor no fim do capítulo. Deve-se ainda observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural. (N. do T.)


8. Os Espíritos visitam de preferência os túmulos em que repousam os seus corpos?


— O corpo não era mais que uma veste. Eles não ligam mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor.


8.a. As preces que se fazem sobre os seus túmulos são mais agradáveis para eles, e os atraem mais do que as feitas em outros lugares?


— A prece é uma evocação que atrai os Espíritos, como o sabeis. A prece tem tanto maior acção, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o pensamento que age sobre o Espírito e não os objectos materiais. Esses objectos influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o Espírito.


9. Diante disso, a crença em locais assombrados não pareceria absolutamente falsa?


— Dissemos que certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais: podem sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as razões que os levaram a isso.


9.a. Quais as razões que podem levá-los a isso?


— Sua simpatia por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais têm queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram um crime, para que tenham constantemente esse crime diante dos olhos. (2)


10. Os locais assombrados sempre o são por seus antigos moradores?


— Algumas vezes, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho, a menos que sejam atraídos pela simpatia por alguma pessoa.


10.a. Podem eles fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família?


— Seguramente, se são Espíritos bons. Mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.


11. Há alguma coisa de real na história da Dama Branca?


— É um conto extraído de mil factos que realmente se verificaram.(3)


(2) Ver Revista Espírita de Fevereiro de 1860: História de um danado (N. de Kardec). O caso mencionado não só confirma a explicação acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa espírita realizada por Kardec. Indispensável a sua leitura para a boa compreensão do problema tratado neste capítulo. (N. do T.)


(3) A Dama Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em lendas populares. (N. do T.)


12. É racional temer os lugares assombrados por Espíritos?


— Não. Os Espíritos que assombram certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Lembrai-vos de que há Espíritos por toda parte e de que onde estiverdes tereis Espíritos ao vosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas habitações porque encontram nelas a oportunidade de manifestar a sua presença. (4)


13. Há um meio de os expulsar?


— Sim, mas quase sempre o que se faz para afastá-los serve mais para atrai-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atrair os bons. Portanto, atrai os bons Espíritos, fazendo o maior bem possível, que os maus fugirão, pois o bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e só tereis bons Espíritos ao vosso lado.


13.a. Mas há pessoas muito boas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos.


— Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser uma prova para exercitar-lhes a paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas não acrediteis que os que mais falam da virtude é que a possuem. Os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada falam a respeito.


14. Que pensar da eficácia do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais assombrados?


— Vistes muitas vezes esse meio dar resultados? Não vistes, pelo contrário, redobrar-se a tropelia após as cerimónias de exorcismo? É que eles se divertem ao serem tomados pelo Diabo. Os Espíritos que não têm más intenções podem também manifestar a sua presença por meio de ruídos ou mesmo tornar-se visíveis, mas não fazem jamais tropelias incomodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podeis aliviar fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos benevolentes que desejam provar a sua presença junto a vós, ou, por fim, Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que fazem. Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou impacientar. (Ver o Cap. V: Manifestações Físicas Espontâneas.)


Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos locais e neles permanecem de preferência, mas não têm necessidade de manifestar a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais haja produzido alguma manifestação.


Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são superiores, mas por não serem superiores não têm de ser maus ou de alimentar más intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que prejudiciais, pois caso se interessem pelas pessoas podem protegê-las.


(4) O filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. Os deuses antigos eram Espíritos, segundo explica o Espiritismo. A afirmação de Tales concorda com a resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em O Livro dos Espíritos o Cap. IX da segunda parte: Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo. (N. do T.)


Referência: o livro dos médiuns