sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Papel da ciêcia na Génese


PAPEL DA CIÊNCIA NA GÊNESE

1. - A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da religião deles, donde o terem sido religiosos os seus primeiros livros. E como todas as religiões se ligam ao princípio das coisas, que é também o da Humanidade, elas deram, sobre a formação e o arranjo do Universo, explicações em concordância com o estado dos conhecimentos da época e de
seus fundadores. Daí resultou que os primeiros livros sagrados foram ao mesmo tempo os primeiros livros de ciência, como foram, durante largo período, o código único das leis civis.

2. - Nas eras primitivas, sendo necessariamente muito imperfeitos os meios de observação, muito eivadas de erros grosseiros haviam de ser as primeiras teorias sobre o sistema do mundo. Mas, ainda quando esses meios fossem tão completos quanto o são hoje, os homens não teriam sabido utilizá-los.
Aliás, tais meios não podiam ser senão fruto do desenvolvimento da inteligência e do consequente conhecimento das leis da Natureza. À medida que o homem se foi adiantando no conhecimento dessas leis, também foi penetrando os mistérios da criação e rectificando as ideias que formara acerca da origem das coisas.

3. - Impotente se mostrou ele para resolver o problema da criação, até ao momento em que a Ciência lhe forneceu para isso a chave. Teve de esperar que a Astronomia lhe abrisse as portas do espaço infinito e lhe permitisse mergulhar aí o olhar; que, pelo poder do cálculo, possível se lhe tornasse determinar com rigorosa exactidão o movimento, a posição, o volume, a natureza e o papel dos corpos celestes; que a Física lhe revelasse as leis da gravitação, do calor, da luz e da electricidade; que a Química lhe mostrasse as transformações da matéria e a Mineralogia os materiais que formam a superfície do globo; que a Geologia lhe ensinasse a ler, nas camadas terrestres, a formação gradual desse mesmo globo. À Botânica, à Zoologia, à Paleontologia, à Antropologia coube iniciá-lo na filiação e sucessão dos seres organizados. Com a Arqueologia pode ele acompanhar os traços que a Humanidade deixou através das idades. Numa palavra, completando-se umas às outras, todas as ciências houveram de contribuir com o que era indispensável para o conhecimento da história do mundo. Em falta dessas contribuições, teve o homem como guia as suas primeiras hipóteses.
Por isso, antes que ele entrasse na posse daqueles elementos de apreciação, todos os comentadores da Génese, cuja razão esbarrava em impossibilidades materiais, giravam dentro de um círculo, sem conseguirem dele sair. Só o lograram, quando a Ciência abriu caminho, fendendo o velho edifício das crenças. Tudo então mudou de aspecto. Uma vez achado o fio condutor, as dificuldades prontamente se aplanaram. Em vez de uma Génese imaginária, surgiu uma Génese positiva e, de certo modo, experimental. O campo do Universo se distendeu ao infinito. Acompanhou-se a formação gradual da Terra e dos astros, segundo leis eternas e imutáveis, que demonstram muito melhor a grandeza e a sabedoria de Deus, do que uma criação miraculosa, tirada repentinamente do nada, qual mutação à vista, por efeito de súbita ideia da Divindade, após uma eternidade de inacção.
Pois que é impossível se conceba a Génese sem os dados que a Ciência fornece, pode dizer-se com inteira verdade que: a Ciência é chamada a constituir a verdadeira Génese, segundo a lei da Natureza.

4. - No ponto a que chegou em o século dezanove, venceu a Ciência todas as dificuldades do problema da Génese?
Não, decerto; mas, não há contestar que destruiu, sem remissão, todos os erros capitais e lhe lançou os fundamentos essenciais sobre dados irrecusáveis. Os pontos ainda duvidosos não passam, a bem dizer, de questões de minúcias, cuja solução, qualquer que venha a ser no futuro, não poderá prejudicar o conjunto. Ao demais, mau grado aos recursos que ela há tido à sua disposição, faltou-lhe, até agora, um elemento importante, sem o qual jamais a obra poderia completar-se.

5. - De todas as Géneses antigas, a que mais se aproxima dos modernos dados científicos, sem embargo dos erros que contém, postos hoje em evidência, é incontestavelmente a de Moisés. Alguns desses erros são mesmo mais aparentes do que reais e provêm, ou de falsa interpretação atribuída a certos termos, cuja primitiva significação se perdeu, ao passarem de língua em
língua pela tradução, ou cuja acepção mudou com os costumes dos povos, ou, também, decorrem da forma alegórica peculiar ao estilo oriental e que foi tomada ao pé da letra, em vez de se lhe procurar o espírito.

6. - A Bíblia, evidentemente, encerra factos que a razão, desenvolvida pela Ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos. Mas, a par disso, haveria parcialidade em se não reconhecer que ela guarda grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o seu véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo.
Por que então não se lhe ergueu mais cedo o véu? De um lado, por falta de luzes que só a Ciência e uma sã filosofia podiam fornecer e, de outro lado, por efeito do principio da imutabilidade absoluta da fé, consequência de um respeito ultra cego à letra, e, assim, pelo temor de comprometer a estrutura das crenças, erguida sobre o sentido literal.
Partindo, tais crenças, de um ponto primitivo, houve o receio de que, se se rompesse o primeiro anel da cadeia, todas as malhas da rede acabassem separando-se. Fecharam-se então os olhos obstinadamente. Mas, fechar os olhos ao perigo não é evitá-lo. Quando uma construção se afasta do prumo, não manda a prudência que se substituam imediatamente as pedras ruins por
pedras boas, em vez de se esperar, pelo respeito que infunda a vetustez do edifício, que o mal se torne irremediável e que se faça preciso reconstruí-lo de cima a baixo?

7. - Levando suas investigações às entranhas da Terra e às profundezas dos céus, demonstrou a Ciência, de maneira irrefragável, os erros da Génese moisaica tomada ao pé da letra e a impossibilidade material de se terem as coisas passado como são ali textualmente referidas. Ora, assim procedendo, a Ciência, do mesmo passo, fundo golpe desferiu em crenças seculares. A fé
ortodoxa se sobressaltou, porque julgou que lhe tiravam a pedra fundamental.
Mas, com quem havia de estar a razão: com a Ciência, que caminhava prudente e progressivamente pelos terrenos sólidos dos algarismos e da observação, sem nada afirmar antes de ter em mãos as provas, ou com uma narrativa escrita quando faltavam absolutamente os meios de observação? No fim de contas, quem há de levar a melhor: aquele que diz 2 e 2 fazem 5 e se nega a verificar, ou aquele que diz que 2 e 2 fazem 4 e o prova?

8. - Mas, objectam, se a Bíblia é uma revelação divina, então Deus se enganou. Se não é uma revelação divina, carece de autoridade e a religião desmorona, a falta de base.
Uma de duas: ou a Ciência está em erro, ou tem razão. Se tem razão, não pode fazer seja verdadeira uma opinião que lhe é contrária. Não há revelação que se possa sobrepor à autoridade dos factos.
Incontestavelmente, não é possível que Deus, sendo todo verdade, induza os homens em erro, nem ciente, nem inscientemente, pois, do contrário, não seria Deus. Logo, se os factos contradizem as palavras que lhe são atribuídas, o que se deve logicamente concluir é que ele não as pronunciou, ou que tais palavras foram entendidas em sentido oposto ao que lhes é próprio.
Se, com semelhantes contradições, a religião sofre dano, a culpa não é da Ciência, que não pode fazer que o que é deixe de ser; mas, dos homens, por haverem, prematuramente, estabelecido dogmas absolutos, de cujo prevalecimento hão feito questão de vida ou de morte, sobre hipóteses
susceptíveis de serem desmentidas pela experiência.
Há coisas com cujo sacrifício temos de resignar-nos, bom. ou mau grado, quando não consigamos evitá-lo. Desde que o mundo marcha, sem que a vontade de alguns possa detê-lo, o mais sensato é que o acompanhemos e nos acomodemos com o novo estado de coisas, em vez de nos agarrarmos ao passado que se esboroa, com o risco de sermos arrastados na queda.

9. - Por guardar respeito aos Textos Sagrados, dever-se-ia obrigar a Ciência a calar-se? Fora tão impossível isso, como impedir que a Terra gire. As religiões, sejam quais forem, jamais ganharam coisa alguma em sustentar erros manifestos. A Ciência tem por missão descobrir as leis da Natureza. Ora, sendo essas leis obra de Deus, não podem ser contrárias a religiões que se baseiem na verdade. Lançar anátema ao progresso, por atentatório à religião, é lançá-lo à própria obra de Deus. É ao demais, trabalho inútil, porquanto nem todos os anátemas do mundo seriam capazes de obstar a que a Ciência avance e a que a verdade abra caminho. Se a Religião se nega a avançar com a Ciência, esta avançará sozinha.

10. - Somente as religiões estacionárias podem temer as descobertas da Ciência, as quais funestas só o são às que se deixam distanciar pelas ideias progressistas, imobilizando-se no absolutismo de suas crenças. Elas, em geral, fazem tão mesquinha ideia da Divindade, que não compreendem que assimilar as leis da Natureza, que a Ciência revela, é glorificar a Deus em suas obras. Na sua cegueira, porém, preferem render homenagem ao Espírito do mal, atribuindo-lhe essas leis. Uma religião que não estivesse, por nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria que temer do progresso e seria invulnerável.

11. - A Génese se divide em duas partes: a história da formação do mundo material e da Humanidade considerada em seu duplo princípio, corporal e espiritual. A Ciência se tem limitado à pesquisa das leis que regem a matéria.
No próprio homem, ela apenas há estudado o envoltório carnal. Por esse lado, chegou a inteirar-se, com exactidão, das partes principais do mecanismo do Universo e do organismo humano. Assim, sobre esse ponto capital, pode completar a Génese de Moisés e rectificar-lhe as partes defeituosas.
Mas a história do homem, considerado como ser espiritual, se prende a uma ordem especial de ideias, que não são do domínio da Ciência propriamente dita e das quais, por este motivo, não tem ela feito objecto de suas investigações.
A Filosofia, a cujas atribuições pertence, de modo mais particular, esse género de estudos, apenas há formulado, sobre o ponto em questão, sistemas contraditórios, que vão desde a mais pura espiritualidade, até a negação do principio espiritual e mesmo de Deus, sem outras bases, afora as ideias pessoais de seus autores. Tem, pois, deixado sem decisão o assunto, por falta
de verificação suficiente.

12. - Esta questão, no entanto, é a mais importante para o homem, por isso que envolve o problema do seu passado e do seu futuro. A do mundo material apenas indirectamente o afecta. O que lhe importa saber, antes de tudo, é donde ele veio e para onde vai, se já viveu e se ainda viverá, qual a sorte que lhe está reservada.
Sobre todos esses pontos, a Ciência se conserva muda. A Filosofia apenas emite opiniões que concluem em sentido diametralmente oposto, mas que, pelo menos, permitem se discuta, o que faz com que muitas pessoas se lhe coloquem do lado, de preferência a seguirem a religião, que não discute.

13. - Todas as religiões são acordes quanto ao princípio da existência da alma, sem, contudo, o demonstrarem. Não o são, porém, nem quanto a sua origem, nem com relação ao seu passado e ao seu futuro, nem, principalmente, e isso é o essencial, quanto às condições de que depende a sua sorte vindoura.
Em sua maioria, elas apresentam, do futuro da alma, e o impõem à crença de seus adeptos, um quadro que somente a fé cega pode aceitar, visto que não suporta exame sério. Ligado aos seus dogmas, às ideias que nos tempos primitivos se faziam do mundo material e do mecanismo do Universo, o destino que elas atribuem à alma não se concilia com o estado actual dos conhecimentos. Não podendo, pois, senão perder com o exame e a discussão, as religiões acham mais simples proscrever uma e outro.

14. - Dessas divergências no tocante ao futuro do homem nasceram a dúvida e a incredulidade. Entretanto, a incredulidade dá lugar a um penoso vácuo. O homem encara com ansiedade o desconhecido em que tem fatalmente de penetrar. Gela-o a ideia do nada. Diz-lhe a consciência que alguma coisa lhe esta reservada para além do presente. Que será? Sua razão, com o desenvolvimento que alcançou, já lhe não permite admitir as histórias com que o acalentaram na infância, nem aceitar como realidade a alegoria. Qual o sentido dessa alegoria? A Ciência lhe rasgou um canto do véu; não lhe revelou, porém, o que mais lhe importa saber. Ele interroga em vão, nada lhe responde ela de maneira peremptória e apropriada a lhe acalmar as apreensões. Por toda parte depara com a afirmação a se chocar com a negação, sem que de um lado ou de outro se apresentem provas positivas. Daí a incerteza e a incerteza sobre o que concerne à vida futura faz que o homem se atire, tomado de uma espécie de frenesi, para as coisas da vida
material.
Esse o inevitável efeito das épocas de transição: rui o edifício do passado, sem que ainda o do futuro se ache construído. O homem se assemelha ao adolescente que, já não tendo a crença ingénua dos seus primeiros anos, ainda não possui os conhecimentos próprios da maturidade.
Apenas sente vagas aspirações, que não sabe definir.

15. - Se a questão do homem espiritual permaneceu, até aos dias actuais, em estado de teoria, é que faltavam os meios de observação directa, existentes para comprovar o estado do mundo material, conservando-se, portanto, aberto o campo às concepções do espírito humano. Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria e não pôde aplicar o método experimental, andou a errar de sistema em sistema, no tocante ao mecanismo do Universo e à formação da Terra. O que se deu na ordem física, deu-se também na ordem moral. Para fixar as ideias, faltou o elemento essencial: o conhecimento das leis a que se acha sujeito o princípio espiritual. Estava reservado à nossa época esse conhecimento, como o esteve aos dois últimos séculos o das leis da matéria.

16. - Até ao presente, o estudo do princípio espiritual, compreendido na Metafísica, foi puramente especulativo e teórico. No Espiritismo, é inteiramente experimental. Com o auxílio da faculdade mediúnica, mais desenvolvida presentemente e, sobretudo, generalizada e mais bem estudada, o homem se achou de posse de um novo instrumento de observação. A mediunidade foi, para o mundo espiritual, o que o telescópio foi para o mundo astral e o microscópio para o dos infinitamente pequenos. Permitiu se explorassem, estudassem, por assim dizer, de visu, as relações daquele mundo com o mundo corpóreo; que, no homem vivo, se destacasse do ser material o ser inteligente e que se observassem os dois a actuar separadamente. Uma vez estabelecidas relações com os habitantes do mundo espiritual, possível se tornou ao homem seguir a alma em sua marcha ascendente, em suas migrações, em suas transformações.
Pode-se, enfim, estudar o elemento espiritual. Eis aí o de que careciam os anteriores comentadores da Génese, para a compreenderem e lhe rectificarem os erros.

17. - Estando o mundo espiritual e o mundo material em incessante contacto, os dois são solidários; ambos têm a sua parcela de acção na Génese.
Sem o conhecimento das leis que regem o primeiro, tão impossível seria constituir-se uma Génese completa, quanto a um estatuário dar vida a uma estátua. Somente agora, conquanto nem a Ciência material, nem a Ciência espiritual hajam dito a última palavra, possui o homem os dois elementos próprios a lançar luz sobre esse imenso problema. Eram-lhe absolutamente
indispensáveis essas duas chaves para chegar a uma solução, embora aproximativa.

Referencia: A génese

domingo, 21 de setembro de 2008

Do charlatanismo e do embuste



DO CHARLATANISMO E DO EMBUSTE

Médiuns interesseiros. - Fraudes espíritas
Médiuns interesseiros

304. Como tudo pode tornar-se objecto de exploração, nada de surpreendente haveria em que também quisessem explorar os Espíritos. Resta saber como receberiam eles a coisa, dado que tal especulação viesse a ser tentada. Diremos desde logo que nada se prestaria melhor ao charlatanismo e à trapaça do que semelhante ofício. Muito mais numerosos do que os falsos sonâmbulos, que já se conhecem, seriam os falsos médiuns e este simples facto constituiria fundado motivo de desconfiança. O desinteresse, ao contrário, é a mais peremptória resposta que se pode dar aos que nos fenómenos só vêem trampolinices Não há charlatanismo desinteressado. Qual, pois, o fim que objectivariam os que usassem de embuste sem proveito, sobretudo quando a honorabilidade os colocasse acima de toda suspeita?
Se é de constituir motivo de suspeição o ganho que um médium possa tirar da sua faculdade, jamais essa circunstância constituirá uma prova de que tal suspeição seja fundada. Quem quer, pois, que seja poderia ter real aptidão e agir de muito boa-fé, fazendo-se retribuir. Vejamos se, neste caso, é razoavelmente possível esperar-se algum resultado satisfatório.

305. Quem haja compreendido bem o que dissemos das condições necessárias para que uma pessoa sirva de intérprete dos bons Espíritos, das múltiplas causas que os podem afastar, das circunstâncias que, independentemente da vontade deles, lhes sejam obstáculos à vinda, enfim de todas as condições morais capazes de exercer influências sobre a natureza das comunicações, como poderia supor que um Espírito, por menos elevado que fosse, estivesse, a todas as horas do dia, às ordens de um empresário de sessão e submisso às suas exigências, para satisfazer à curiosidade do primeiro que aparecesse? Sabe-se que aversão infunde aos Espíritos tudo o que cheira a cobiça e a egoísmo, o pouco caso que fazem das coisas materiais; como, então, admitir-se que se prestem a ajudar quem queira traficar com a presença deles? Repugna pensar isso e seria preciso conhecer muito pouco a natureza do mundo espírita, para acreditar-se que tal coisa seja possível. Mas, como os Espíritos levianos são menos escrupulosos e só procuram ocasião de se divertirem à nossa custa, segue-se que, quando não se seja mistificado por um falso médium, tem-se toda a probabilidade de o ser por alguns de tais Espíritos. Estas sós reflexões dão a ver o grau de confiança que se deve dispensar às comunicações deste género. Ao demais, para que serviriam hoje médiuns pagos, desde que qualquer pessoa, se não possui faculdade mediúnica, pode tê-la nalgum membro da sua família, entre seus amigos, ou no círculo de suas relações?

306. Médiuns interesseiros não são apenas os que porventura exijam uma retribuição fixa; o interesse nem sempre se traduz pela esperança de um ganho material, mas também pelas ambições de toda sorte, sobre as quais se fundem esperanças pessoais. E esse um dos defeitos de que os Espíritos zombeteiros sabem muito bem tirar partido e de que se aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notáveis, embalando com falaciosas ilusões os que desse modo se lhes colocam sob a dependência. Em resumo, a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretenda fazer dela um degrau para chegar ao que quer que seja, que não corresponda às vistas da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os bens Espíritos a combatem; a ninguém, portanto, assiste o direito de supor que eles o venham servir. Isto é tão racional, que inútil fora insistir mais sobre este ponto.

307. Não estão na mesma categoria os médiuns de efeitos físicos, pois que estes geralmente são produzidos por Espíritos inferiores, menos escrupulosos. Não dizemos que tais Espíritos sejam por isso necessariamente maus. Pode-se ser um simples carregador e ao mesmo tempo homem muito honesto. Um médium, pois, desta categoria, que quisesse explorar a sua faculdade, muitos Espíritos talvez encontraria, que sem grande repugnância o assistissem. Mas, ainda aí outro inconveniente se apresenta. O médium de efeitos físicos, do mesmo modo que o de comunicações inteligentes, não recebeu para seu gozo a faculdade que possui. Teve-a sob a condição de fazer dela bom uso; se, portanto, abusa, pode dar-se que lhe seja retirada, ou que redunde em detrimento seu, por que, afinal, os Espíritos inferiores estão subordinados aos Espíritos superiores.
Aqueles gostam muito de mistificar, porém, não de ser mistificados; se se prestam de boa vontade ao gracejo, às coisas de mera curiosidade, porque lhes apraz divertirem-se, também é certo que, como aos outros, lhes repugna ser explorados, ou servir de comparsas, para que a receita aumente, e a todo instante provam que têm vontade própria, que agem quando e como bem lhes parece, donde resulta que o médium de efeitos físicos ainda menos certeza pode ter da regularidade das manifestações, do que o médium escrevente. Pretender produzi-los em dias e horas determinados, fora dar prova da mais profunda ignorância. Que há de ele então, fazer para ganhar seu dinheiro? Simular os fenómenos. E o a que naturalmente recorrerão, não só os que disso façam um ofício declarado, como igualmente pessoas aparentemente simples, que acham mais fácil e mais cómodo esse meio de ganhar a vida, do que trabalhando. Desde que o Espírito não dá coisa alguma, supre-se a falta: a imaginação é tão fecunda, quando se trata de ganhar dinheiro! Constituindo um motivo legítimo de suspeita, o interesse dá direito a rigoroso exame, com o qual ninguém poderá ofender-se, sem justificar as suspeitas. Mas, tanto estas são legítimas neste caso, como ofensivas em se tratando de pessoas honradas e desinteressadas.

308. A faculdade mediúnica, mesmo restrita às manifestações físicas, não foi dada ao homem para ostentá-la nos teatros de feira e quem quer que pretenda ter às suas ordens os Espíritos, para exibir em público, está no caso de ser, com justiça, suspeitado de charlatanismo, ou de mais ou menos hábil prestidigitação. Assim se entenda todas as vezes que apareçam anúncios de pretendidas sessões de Espiritismo, ou de Espiritualismo, a tanto por cabeça. Lembrem-se todos do direito que compram ao entrar.
De tudo o que precede, concluímos que o mais absoluto desinteresse é a melhor garantia contra o charlatanismo. Se ele nem sempre assegura a excelência das comunicações inteligentes, priva, contudo, os maus Espíritos de um poderoso meio de acção e fecha a boca a certos detractores.

309. Resta o que se poderia chamar as tramóias do amador, isto é, as fraudes inocentes de alguns gracejadores de mau gosto. Podem sem dúvida ser praticadas, à guisa de passatempo, em reuniões levianas e frívolas, porém, jamais, em assembleias sérias, onde só se admitam pessoas sérias. Aliás, a quem quer que seja é possível dar-se a si mesmo o prazer de uma mistificação momentânea, mas, seria preciso que uma pessoa fosse dotada de singular paciência, para representar esse papel por meses e anos e, de cada vez durante horas consecutivas. Só um interesse qualquer facultaria essa perseverança, mas o interesse, repetimo-lo, dá lugar a que se suspeite de tudo.

310. Dir-se-á, talvez, que um médium, que consagra todo o seu tempo ao público, no interesse da causa, não o pode fazer de graça, porque tem que viver. Mas, é no interesse da causa, ou no seu próprio, que ele o emprega? Não será, antes, porque vê nisso um ofício lucrativo? A tal preço, sempre haverá gente dedicada. Não tem então ao seu dispor senão essa indústria? Não esqueçamos que os Espíritos, seja qual for a sua superioridade, ou inferioridade, são as almas dos mortos e que, quando a moral e a religião prescrevem como um dever que se lhes respeitem os restos mortais, maior é ainda a obrigação, para todos, de lhes respeitarem o Espírito.
Que diriam daquele que, para ganhar dinheiro, tirasse um corpo do túmulo e o exibisse por ser esse corpo de natureza a provocar a curiosidade? Será menos desrespeitoso, do que exibir o corpo, exibir o Espírito, sob pretexto de que é curioso ver-se como age um Espírito? E note-se que o preço dos lugares será na razão directa do que ele faça e do atractivo do espectáculo. Certamente, embora houvesse sido um comediante em vida, ele não suspeitaria que, depois de morto, encontraria um empresário que, em seu proveito exclusivo, o fizesse representar de graça.
Cumpre não olvidar que as manifestações físicas, tanto quanto as inteligentes, Deus só as permite para nossa instrução.

311. Postas de parte estas considerações morais, de nenhum modo contestamos a possibilidade de haver médiuns interesseiros, se bem que honrados e conscienciosos, porquanto há gente honesta em todos os ofícios. Apenas falamos do abuso. Mas, é preciso convir, pelos motivos que expusemos, em que mais razão há para o abuso entre os médiuns retribuídos, do que entre os que, considerando uma graça a faculdade mediúnica, não a utilizam, senão para prestar serviço.
O grau da confiança ou desconfiança que se deve dispensar a um médium retribuído depende, antes de tudo, da estima que infundam seu carácter e sua moralidade, além das circunstâncias. O médium que, com um fim eminentemente sério e útil, se achasse impedido de empregar o seu tempo de outra maneira e, em consequência, se visse exonerado, não deve ser confundido com o médium especulador, com aquele que, premeditadamente, faça da sua mediunidade uma indústria. Conforme o motivo e o fim, podem, pois, os Espíritos condenar, absolver e, até, auxiliar. Eles julgam mais a intenção do que o facto material.

312. Não estão no mesmo caso os sonâmbulos que empregam sua faculdade de modo lucrativo. Conquanto essa exploração esteja sujeita a abusos e o desinteresse constitua a maior garantia de sinceridade, a posição é diferente, tendo-se em vista que são seus próprios Espíritos que agem. Estes, por conseguinte, lhes estão sempre à disposição e, em realidade, eles só exploram a si mesmos, porque lhes assiste o direito de disporem de suas pessoas como o entenderem, ao passo que os médiuns especuladores exploram as almas dos mortos. (Veja-se o n. 172, Médiuns sonambúlicos.)

313. Não ignoramos que a nossa severidade para com os médiuns interesseiros levanta contra nós todos os que exploram, ou se vêem tentados a explorar essa nova indústria, fazendo-os, bem como de seus amigos. que naturalmente lhes esposam a opinião, encarniçados inimigos nossos. Consolamo-nos com o nos lembrarmos de que os mercadores expulsos do templo por Jesus também não o viam com bons olhos. Temos igualmente contra nós os que não consideram a coisa com a mesma gravidade. Entretanto, julgamo-nos no direito de ter uma opinião e de a emitir. A ninguém obrigamos que a adopte. Se uma imensa maioria a esposou, é que aparentemente a acharam justa; porquanto, não vemos, com efeito, como se provaria que não há mais facilidade de se encontrarem a fraude e os abusos na especulação, do que no desinteresse. Quanto a nós, se os nossos escritos hão contribuído para desacreditar, assim na França, como em outros países, a mediunidade interesseira, entendemos que esse não será dos menores serviços que tenhamos prestado ao Espiritismo sério.

Fraudes espíritas


314. Os que não admitem a realidade das manifestações físicas geralmente atribuem à fraude os efeitos produzidos. Fundam-se em que os prestidigitadores hábeis fazem coisas que parecem prodígios, para quem não lhes conhece os segredos; donde concluem que os médiuns não passam de escamoteadores. Já refutamos este argumento, ou, antes, esta opinião, notadamente nós nossos artigos sobre o Sr. Home e nos números da Revue de Janeiro e Fevereiro de 1858. Aqui, pois, não diremos mais do que algumas palavras, antes de falarmos de coisa mais séria.
Há, em suma, uma consideração que não escapará a quem quer que reflicta um pouco. Existem, sem dúvida, prestidigitadores de prodigiosa habilidade, mas são raros.
Se todos os médiuns praticassem a escamoteação, forçoso seria reconhecer que esta arte fez, em pouco tempo, inauditos progressos e se tornou de súbito vulgaríssima, apresentando-se inata em pessoas que dela nem suspeitavam e, até, em crianças.
Do facto de haver charlatães que preconizam drogas nas praças públicas, mesmo de haver médicos que, sem irem à praça pública, iludem a confiança dos seus clientes, seguir-se-á que todos os médicos são charlatães e que a classe médica haja perdido a consideração que merece?
De haver indivíduos que vendem tintura por vinho, segue-se que todos os negociantes de vinho são falsificadores e que não há vinho puro? De tudo se abusa, mesmo das coisas mais respeitáveis e bem se pode dizer que também a fraude tem o seu génio. Mas, a fraude sempre visa a um fim, a um interesse material qualquer; onde nada haja a ganhar, nenhum interesse há em enganar. Por isso foi que dissemos, falando dos médiuns mercenários, que a melhor de todas as garantias é o desinteresse absoluto.

315. De todos os fenómenos espíritas, os que mais se prestam à fraude são os fenómenos físicos, por motivos que convém considerar. Primeiramente, porque impressionam mais a vista do que a inteligência, são, para prestidigitação, os mais facilmente imitáveis. Em segundo lugar, porque, despertando, mais do que os outros, a curiosidade, são mais apropriados a atrair as multidões; são, por conseguinte, os mais produtivos. Desse duplo ponto de vista, portanto, os charlatães têm todo interesse em simular as manifestações desta espécie; os espectadores, na sua maioria estranhos à ciência, acorrem, geralmente, em busca muito mais de uma distracção do que de instrução séria e é sabido que se paga melhor o que diverte do que o que instrui. Porém, posto isto de lado, outro motivo há, não menos peremptório. Se a prestidigitação pode imitar efeitos materiais, para o que só de destreza se há mister, não lhe conhecemos, todavia, até ao presente, o dom de improvisação, que exige uma dose pouco vulgar de inteligência, nem o produzir esses belos e sublimes ditados, frequentemente tão cheios de a-propósito, com que os Espíritos matizam suas comunicações. Isto nos faz lembrar o facto seguinte:
Certo dia, um homem de letras bastante conhecido veio ter connosco e nos disse que era muito bom médium escrevente intuitivo e que se punha à disposição da Sociedade espírita. Como temos por hábito não admitir na Sociedade senão médiuns cujas faculdades nos são conhecidas, pedimos ao nosso visitante assentisse em dar antes provas de sua faculdade numa reunião particular. Ele, efectivamente, compareceu a esta, na qual muitos médiuns experimentados deram ou dissertações, ou respostas de notável precisão, sobre questões propostas e assuntos que lhes eram desconhecidos. Quando chegou a vez daquele senhor, ele escreveu algumas palavras insignificantes, disse que nesse dia estava indisposto e nunca mais o vimos. Achou sem dúvida que o papel de médium de efeitos inteligentes é mais difícil de representar do que o supusera.

316. Em tudo, as pessoas mais facilmente enganáveis são as que não pertencem ao ofício. O mesmo se dá com o Espiritismo. As que não o conhecem se deixam facilmente iludir pelas aparências, ao passo que um prévio estudo atento as inicia, não só nas causas dos fenómenos, como também nas condições normais em que eles costumam produzir-se e lhes ministra, assim, os meios de descobrirem a fraude, se existir.

317. Os médiuns trapaceiros são estigmatizados, como merecem, na seguinte carta que publicamos em a Revue do mês de Agosto de 1861:


"Paris, 21 de Julho de 1861.


"Senhor.
"Pode-se estar em desacordo sobre certos pontos e de perfeito acordo sobre outros. Acabo de ler, à página 213 do último número do vosso jornal, algumas reflexões acerca da fraude em matéria de experiências espiritualistas (ou espíritas), reflexões a que tenho a satisfação de me associar com todas as minhas forças. Aí, quaisquer dissidências, a propósito de teorias e doutrinas, desaparecem como por encanto.
"Não sou talvez tão severo quanto o sois, com relação aos médiuns que, sob forma digna e decente, aceitam uma paga, como indemnização do tempo que consagram a experiências muitas vezes longas e fatigantes. Sou, porém, tanto quanto o sois - e ninguém o seria demais - com relação aos que, em tal caso, suprem, quando se lhes oferece ocasião, pelo embuste e pela fraude, a falta ou a insuficiência dos resultados prometidos e esperados. (Veja-se o n. 311.)
"Misturar o falso com o verdadeiro, quando se trata de fenómenos obtidos pela intervenção dos Espíritos, é simplesmente uma infâmia e haveria obliteração do senso moral no médium que julgasse poder fazê-lo sem escrúpulo. Conforme o observastes com perfeita exactidão - é lançar a coisa em descrédito no Espírito dos indecisos, desde que a fraude seja reconhecida. Acrescentarei que é comprometer do modo mais deplorável os homens honrados, que prestam aos médiuns o apoio desinteressado de seus conhecimentos e de suas luzes, que se constituem fiadores da boa-fé que neles deve existir e os patrocinam de alguma forma. E cometer para com eles uma verdadeira prevaricação.
"Todo médium que fosse apanhado em manejos fraudulentos; que fosse apanhado, para me servir de uma expressão um tanto trivial, com a boca na botija, mereceria ser proscrito por todos os espiritualistas ou espíritas do mundo, para os quais constituiria rigoroso dever desmascará-los ou infamá-los.
"Se vos convier, Senhor, inserir estas breves linhas no vosso jornal, ficam elas à vossa disposição.
"Aceitai, etc. - Mateus."

318. A imitação de todos os fenómenos espíritas não é igualmente fácil. Alguns há que evidentemente desafiam a habilidade da prestidigitação: tais, notadamente, o movimento dos objectos sem contacto, a suspensão dos corpos pesados no ar, as pancadas de diferentes lados, as aparições, etc., salvo o emprego das tramóias e do compadrio. Por isso dizemos que o que necessário se faz em tal caso é observar atentamente as circunstâncias e,
sobretudo, ter muito em conta o carácter e a posição das pessoas, o objectivo e o interesse que possam ter em enganar. Essa a melhor de todas as fiscalizações, porquanto circunstâncias há que fazem desaparecer todos os motivos de suspeita. Julgamos, pois, em princípio, que se deve desconfiar de quem quer que faça desses fenómenos um espectáculo, ou objecto de curiosidade e de divertimento, e que pretenda produzi-los à sua vontade e da maneira exigida, conforme já explicamos. Nunca será demais repetir que as inteligências ocultas que se nos manifestam têm suas susceptibilidades e fazem questão de nos provar que também gozam de livre arbítrio e não se submetem aos nossos caprichos. (N. 38.)
Será suficiente assinalemos alguns subterfúgios, que costumam empregar-se, ou que o podem ser em certos casos, para premunirmos contra a fraude os observadores de boa-fé. Quanto aos que se obstinam em julgar, sem aprofundarem as coisas, fora tempo perdido procurar desiludi-los.

319. Um dos fenómenos mais comuns é o das pancadas no interior mesmo da substância da madeira, com ou sem movimento da mesa, ou do objecto de que se faça uso. Esse efeito é um dos mais fáceis de ser imitado, quer pelo contacto dos pés, quer provocando-se pequenos estalidos no móvel. Há, porém, uma artimanhazinha especial, que convém desvendar. Basta que uma pessoa coloque as duas mãos espalmadas sobre a mesa e tão aproximadas que as unhas dos polegares se apoiem fortemente uma contra a outra; então, por meio de um movimento muscular inteiramente imperceptível, produzes nelas um atrito que dá um ruído seco, apresentando grande analogia com o da tiptologia íntima. Esse ruído repercute na madeira e produz completa ilusão. Nada mais fácil do que fazer que se ouçam tantas pancadas quantas se queiram, o rufo do tambor, etc., do que responder a certas perguntas, por um sim, ou um não, por números, ou mesmo pela indicação das letras do alfabeto.
Estando-se prevenido, é muito simples o modo de descobrir a fraude. Ela se torna impossível, desde que as mãos sejam afastadas urna da outra e desde que se tenha a certeza de que nenhum outro contacto poderá produzir o ruído. Além disso, as pancadas reais apresentam esta característica: mudam de lugar e de timbre, à vontade, o que não pode dar-se quando devidas à causa que assinalamos, ou a qualquer outra análoga. Assim é que deixam a mesa, para se fazerem ouvir noutro móvel qualquer, com o qual ninguém se acha em contacto, nas paredes, no forro, etc., e respondem a questões não previstas. (Veja--se o n. 41.)

320. A escrita directa ainda é mais facilmente imitável. Sem falar dos agentes químicos bem conhecidos, para fazerem que em dado tempo a escrita apareça no papel branco, o que se consegue impedir com as mais vulgares precauções, pode acontecer que, por meio de hábil escamoteação, se substitua um papel por outro. Pode dar-se também que aquele que queira fraudar tenha a arte de desviar as atenções, enquanto escreva com destreza algumas palavras. Alguém nos disse ter visto uma pessoa escrever assim com um pedaço de ponta de lápis escondido debaixo da unha.

321. O fenómeno do transporte de objectos, de fora para o lugar onde se efectua a reunião, não se presta menos à trapaça e facilmente se pode ser enganado por um escamoteador mais ou menos destro, sem que haja mister se trate de um prestidigitador profissional. No parágrafo especial que acima inserimos (n. 96), os próprios Espíritos determinaram as condições excepcionais em que ele se produz, donde lícito é concluir-se que a sua obtenção facultativa e fácil deve, quando nada, ser tida por suspeita. A escrita directa está no mesmo caso.

322. No capítulo Dos médiuns especiais, mencionamos, segundo os Espíritos, as aptidões mediúnicas comuns e as que são raras. Cumpre, pois, desconfiar dos médiuns que pretendam possuir estas últimas com muita facilidade, ou que ambicionem dispor de múltiplas faculdades, pretensão que só muito raramente se justifica.

323. As manifestações inteligentes são, conforme as circunstâncias, as que oferecem mais garantias; entretanto, nem mesmo essas escapam à imitação, pelo menos no que toca às comunicações banais e vulgares. Pensam alguns que, com os médiuns mecânicos, estão mais seguros, não só pelo que respeita à independência das ideias, como também contra os embustes; daí o preferirem os intermediários materiais. Pois bem! é um erro. A fraude se insinua por toda parte e sabemos que, com habilidade, até mesmo uma cesta, ou uma prancheta que escreve pode ser dirigida à vontade, com todas as aparências dos movimentos espontâneos. Só os pensamentos expressos, quer venham de um médium mecânico, quer de um intuitivo, audiente, falante ou vidente, afastam todas as dúvidas. Há comunicações, tão fora das ideias, dos conhecimentos e mesmo do alcance intelectual do médium, que só por efeito de estranha obliteração se poderia atribui-las a este último. Reconhecemos que o charlatanismo dispõe de grande habilidade e vastos recursos, mas ainda lhe não descobrimos o dom de dar saber a um ignorante, nem espírito a quem não o tenha.
Em resumo, repetimos, a melhor garantia está na moralidade notória dos médiuns e na ausência de todas as causas de interesse material, ou de amor-próprio, capazes de estimular-lhes o exercício das faculdades mediúnicas que possuam, porquanto essas mesmas causas poderiam induzi-los a simular as de que não dispõem.

Referencia: O livro dos médiuns

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Noticias do Brasil



•Marcha pela vida
•Seminário FEB e CEERJ
•Passe – um ato de amor
•Palestra e seminário em Cuiabá
•Plano de Trabalho e Centro Espírita
•Semana Espírita de São Bernardo
•Homenagem a Cairbar Schutel
•Congresso Espírita em Sergipe
•Liga de historiadores e pesquisadores
•Reuniões Mediúnicas



Marcha pela vida
Na tarde do dia 10 de setembro, realizou-se a Marcha Nacional da Cidadania pela Vida - Brasil Sem Aborto, em frente à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, saindo do Museu e Biblioteca Nacional em direção ao Congresso Nacional, onde ocorreram várias manifestações. Usaram da palavra vários deputados federais, entre eles, o deputado Luiz Carlos Bassuma, o Arcebispo de Brasília Dom João de Aviz, o representante da CNBB, o diretor da FEB Antonio Cesar Perri de Carvalho, representando o seu presidente, Marília de Castro, pela REBRATES, representante da FEDF e vários oradores. A TVCEI (www.tvcei.com) realizou as filmagens do evento e entrevistas para uma oportuna transmissão.


Seminário FEB e CEERJ
Será realizado na sede histórica da FEB, no dia 20 de setembro, das 9h às 16h, mais um Seminário FEB e CEERJ, em fraterna parceria, buscando a consolidação da união e unificação no Estado do Rio de Janeiro.
A apresentação objetiva atingir os trabalhadores e dirigentes espíritas que integram e se interessam pela atuação no Movimento Espírita de unificação. Conduzindo o Seminário estarão Cesar Perri, diretor da FEB e secretário-geral do CFN e Aloisio Ghighino, diretor da Área de Unificação do CEERJ. O evento será transmitido em tempo real pela TVCEI com gravação de DVD. Informações: http://www.ceerj.org.br/


Passe – um ato de amor
Sob a coordenação de Maria da Graça Rozetti, ocorrerá, em Curitiba, nos dias 16 e 17 de setembro, a partir das 19h30, o Seminário “Passe - um ato de amor”, no Teatro da Federação Espírita do Paraná. Serão abordados os seguintes aspectos: Os fluidos: conceito e qualidade; Requisitos do aplicador de passe; Mecanismos da ação curativa; postura física e mental no momento do passe; água fluidificada. Aguardam-se grupos de estudos e trabalhadores espíritas. O Teatro funciona na Alameda Cabral, 300. Inscrições pelo telefone 3223-6174.


Palestra e seminário em Cuiabá
O orador espírita Divaldo Pereira Franco estará em Cuiabá, nos dias 19 e 20 de setembro, para a realização de 2 eventos distintos. A realização é da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT), que todos os anos promove pelo menos um evento com a presença de Divaldo.
A conferência, com entrada franca, será no dia 19 de setembro (sexta-feira), às 20h no Hotel Fazenda Mato Grosso. O Seminário “Constelação Familiar” será realizado no dia 20 (sábado), das 14h ás 20h, no Centro de Eventos do Pantanal. As inscrições para o seminário podem ser feitas na Livraria Espírita Renascer, no Pantanal Shopping, ou pelo site da FEEMT (www.feemt.org.br) e dá direito ao livro tema do seminário.


Plano de Trabalho e Centro Espírita
A Federação Espírita Catarinense promove, nos dias 27 e 28 de setembro, um encontro com os centros espíritas da região de Criciúma sobre o assunto "Plano de Trabalho e Centro Espírita", contando com participação da Secretaria-Geral do CFN da FEB, representada por Cesar Perri e João Pinto Rabelo. Informações: www.fec.org.brAtendimento Espiritual

Semana Espírita de São Bernardo
De 21 a 28 de setembro, será realizada a Semana Espírita de São Bernardo. Promovida pelo Centro Espírita de São Bernardo e contando com o apoio da Associação Médico-Espírita local, serão debatidos temas como “A contribuição do Espiritismo para saúde integral”, “A missão do médico espírita”, “Terapia complementar espírita” e “Saúde e espiritualidade”. A Semana ocorre no Centro Espírita Bezerra de Menezes, SP. Informações: http://www.conselhoespiritasbc.com.br/


Homenagem a Cairbar Schutel
Em comemoração aos 140 anos de nascimento do pioneiro Cairbar de Souza Schutel, chamado “O Bandeirante do Espiritismo”, a USE Municipal de Matão (SP) promove, no dia 21 de setembro, o Encontro de Estudos Espíritas Cairbar Schutel. O evento contará com apresentação de coral, exposição de temas ligados ao pioneiro com palestrantes como Aparecido e Laudicéia Belvedere, nas dependências da Comunidade Espírita Cairbar Schutel, localizada na Av. Saldanha da Gama, 748.


Congresso Espírita em Sergipe
De 26 a 28 de setembro, a Federação Espírita do Estado de Sergipe promoverá o 4º Congresso Espírita de Sergipe, em Aracaju, tendo como tema central: “Espiritismo: conheça suas propostas”, desdobrado nos temas: “Psicologia do Evangelho”, “Jesus de Nazaré: uma análise espírita”, “Evangelho em família”, “Possibilidades Evolutivas”, “A Medicina da Alma”. O evento contará com a presença de Divaldo Pereira Franco. Informações: telefone (79) 3249-2896 e no site http://www.fees.org.br/


Liga de historiadores e pesquisadores
O 4º Encontro Nacional dos Historiadores, a ser realizado nos dias 27 e 28 de setembro, em São Paulo, será uma oportunidade para os pesquisadores e historiadores espíritas apresentarem os trabalhos mais recentes no campo da pesquisa espírita e também abrir novos horizontes e inspirar novas realizações. O evento é realizado pela Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas e pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo C. Monteiro.
Será trabalhado o tema central “A Construção de estratégias para a memória e a pesquisa espírita” e participarão expositores de São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Informações: http://www.ccdpe.org.br/


Reuniões Mediúnicas
Com o apoio das federativas da região Nordeste, a Federação Espírita Paraibana realizará o seminário "Organização e Funcionamento das Reuniões Mediúnicas Espíritas", dias 31 de outubro e 1º de novembro. Além de expositores locais, o evento terá a participação especial de Marta Antunes e Zara Carloni, ambas da Federação Espírita Brasileira, que ministrarão o estudo da apostila, tema do evento.
Serão apresentados temas como Responsabilidade Mediúnica, Organização e Funcionamento da Reunião Mediúnica Espírita, Reuniões Mediúnicas Sérias: com Jesus e Kardec. Este evento culminará com a campanha "Divulgando a Imortalidade": distribuição de mensagens nos cemitérios e pontos estratégicos da cidade. Informações: http://www.fepb.org.br/



Dica de Leitura

Volta às Aulas
Autor: Adeilson Salles
“– A vida é uma escola?” É a pergunta feita pela menina Ciça à sua mãe, após ouvir dela que deveria aproveitar as oportunidades que surgiam e estudar com amor, pois a vida é uma grande escola. A dúvida de Ciça dá início a interessantes comparações que sua mãe faz entre a vivência escolar e a existência do Espírito, despertando o interesse da menina sobre questões explicativas pela Doutrina Espírita. De maneira criativa e original, o pequeno leitor entenderá a necessidade dos cuidados com o corpo físico, a pratica da caridade e bondade de deus ao nos conceder novas oportunidades de progresso por meio da reencarnação. Informações: (21) 2101-8268 ou http://www.feblivraria.com.br/


Assessoria de Comunicação Social da FEB - Mayara Paz
Tel.: (61) 3224-5575 - imprensa@febnet.org.br

domingo, 14 de setembro de 2008

Noticias de Portugal


1 - CALDAS DA RAINHA: PORQUE IR AO CENTRO ESPÍRITA? OS ESPÍRITOS CURAM?

2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA

3 - NOVO CENTRO ESPÍRITA EM ÍLHAVO


1 - CALDAS DA RAINHA: PORQUE IR AO CENTRO ESPÍRITA? OS ESPÍRITOS CURAM?


Na sexta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema "Porque ir ao Centro Espírita? Os Espíritos curam?".Perante a diversidade de situações difíceis com que somos confrontados, a Doutrina Espírita aponta-nos rumos e abre-nos novos caminhos para o entendimento dos nossos problemas. Quantos de nós não encontrámos alguém que, por nos querer ajudar, nos indicou o Centro Espírita como lugar de conforto?


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em www.caldasrainha.net/cce e e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.

Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


Realiza-se este sábado, dia 13 de Setembro, pelas 21H30, uma conferência espírita, na Associação de Estudos Espirituais Messe de Amor, na Rua das Oliveiras Lote G, Loja 1, Gualtar - Braga, subordinada ao tema: "Conceito de Oração em Espiritismo". Esta conferência será proferida por João Xavier de Almeida


Actividades habituais: Segunda-feira

- 21H30 - Estudo da DoutrinaSexta-feira

- 21H45 - Estudo do EvangelhoSábado

- 15H30 - Escola de Evangelho (DIJ)Sábado

- 20H00 - Atendimento Individual Sábado

- 21H30 - Palestra Pública


Fonte: Sérgio Cunha (Braga) - (Telemóvel 91 977 77 29) ( smoac54@yahoo.com.br )


3- NOVO CENTRO ESPÍRITA EM ÍLHAVO


O Centro de Cultura Espírita “Mar de Esperança” é uma nova Associação sem fins lucrativos, localizada na Rua João de Deus, nº 17 – 3830 Ílhavo (junto ao CASCI). O estacionamento recomendado fica a cerca de 100 metros, na Rua Samuel Maia (junto ao edifício da Segurança Social).


A abertura oficial deste Centro será no próximo dia 25 de Setembro, quinta-feira e terá como palestrante Alexandre Ramalho.


A gestão deste espaço está distribuída como a seguir se indica:Coordenadora: Lurdes Brito de AlmeidaContacto: telefone: 234 326309 - E-mail: fernando.almeida@vaa.pt


Secretariado: Isabel FeioContacto: telemóvel: 962887320


Entrada livre e gratuita

Fonte: Fernando Almeida (Ílhavo)

Noticias de Portugal


1 – NOVO CENTRO ESPÍRITA EM AVEIRO

2 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB

3 – CALDAS DA RAINHA: COMPREENDENDO A MEDIUNIDADE

4 – II JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA DO PORTO

5 – LEIRIA: XV FORUM ESPÍRITA NACIONAL

6 – JOSÉ CID EM CONCERTO DE BENEFICÊNCIA

7 – LISBOA: WORKSHOP’S NO CEPC


1 - NOVO CENTRO ESPÍRITA EM AVEIRO O Centro de Cultura Espírita “Mar de Esperança” é uma nova Associação sem fins lucrativos, localizada na Rua João de Deus, nº 17 – 3830 Ílhavo (junto ao CASCI). O estacionamento recomendado fica a cerca de 100 metros, na Rua Samuel Maia (junto ao edifício da Segurança Social).


A abertura oficial deste Centro será no próximo dia 25 de Setembro, quinta-feira e terá como palestrante Alexandre Ramalho.


A gestão deste espaço está distribuída como a seguir se indica:Coordenadora: Lurdes Brito de AlmeidaContacto: telefone: 234 326309 - E-mail: fernando.almeida@vaa.pt Secretariado: Isabel FeioContacto: telemóvel: 962887320 - E-mail: isabelfeiopedro@sapo.pt


Entrada livre e gratuita


Fonte: Fernando Almeida (Ílhavo)


2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB


Na sexta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Lei de Liberdade”, baseada no Cap. X de “O Livro dos Espíritos”.


O evento terá lugar na sede da ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga, na Rua do Espírito Santo nº 38, em Braga. Este centro tem página na Internet em http://www.aseb.com.pt/




As entradas são livres e gratuitas.


Fonte: ASEB (Site)


3 - CALDAS DA RAINHA: COMPREENDENDO A MEDIUNIDADE


Na sexta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema "Porque ir ao Centro Espírita? Os Espíritos curam?".Perante a diversidade de situações difíceis com que somos confrontados, a Doutrina Espírita aponta-nos rumos e abre-nos novos caminhos para o entendimento dos nossos problemas. Quantos de nós não encontrámos alguém que, por nos querer ajudar, nos indicou o Centro Espírita como lugar de conforto?


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em www.caldasrainha.net/cce e e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.

Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


4 - II JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA DO PORTO


As Associações Espíritas da Região do Porto levam a efeito, nos próximos dias 13 e 14 de Setembro de 2008, as II Jornadas de Cultura Espírita do Porto.O evento decorrerá no Fórum da Maia e terá como tema central “A Génese”, a quinta obra literária da codificação espírita que este ano comemora 140 anos da sua primeira edição.Na perspectiva da vossa presença que estamos certos trará ao evento um maior enriquecimento espiritual e afectivo para consolidação do espírito de União no seio do Movimento desta Região.


O programa das Jornadas de Cultura Espírita do Porto pode ser consultado aqui.


Comissão OrganizadoraAlexandre Ramalho


5 - LEIRIA: XV FORUM ESPÍRITA NACIONALO


habitual Fórum Espírita Nacional, organizado pela Associação Espírita de Leiria, terá lugar nos dias 13 e 14 de Setembro de 2008.Este ano, a temática será Perispírito e Mediunidade e será convidado o Dr. Zalmino Zimmermann, Juiz Desembargador, aposentado, presidente da ABRAME - Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas.


Este evento terá início cerca das 09H15 de 13 de Setembro, sábado, encerrando cerca das 18H30, com intervalos para almoço e a meio da manhã e tarde. No dia seguinte reinicia pelas 09H00, terminando cerca das 16H30.


Os interessados deverão contactar a associação organizadora, sita na Rua das Cervas, 135, Barosa, 2400-013 Leiria, ou pelo telefone 244 - 831 524 / 815 934 ou ainda pelo telemóvel 962 984 388.


Fonte: Circular nº 3/2008 da Associação Espírita de Leiria


6 - JOSÉ CID EM CONCERTO DE BENEFICÊNCIAO


Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec informa de que José Cid & Amigos vão realizar um Concerto de Beneficência no próximo mês de Setembro, dia 19, na Geria, Coimbra, na "Quinta das Janelas" (onde Divaldo palestrou em Outubro do ano passado).


Este concerto reverterá a favor da obra de assistência social "O Ninho da Mariazinha", gerida pelo GEAK.


Informações:Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec Rua Cidade Santos, N.º 63, Cave, Monte Formoso 3000 - 112 COIMBRA Tel. 239491391 – Tm. 917424862E-mail: geeak@msn.com - site: http://www.geeak.pt/


Fonte: GEAK (Coimbra)


7 - LISBOA: WORKSHOP’S NO CEPCO CEPC


– Centro Espírita Perdão e Caridade (às Janelas Verdes), na Rua Presidente Arriaga, 124/125 em Lisboa – (Telefone 21/3975219), vai promover os seguintes Workshop’s


Dia 24 de Setembro – 4ª Feira – das 19H30 às 21H30

Tema: "Os Aspectos Fundamentais do Passe Magnético”Expositor: Carlos Alberto Ferreira e Antero Ricardo


Dia 28 de Setembro – Domingo – das 15H00 às 18H00Tema: “Técnicas de Comunicação para Expositores”Expositores: Antero Ricardo e Filipa FerreiraEntradas


livres e gratuitasInformamos ainda de que se encontram abertas as inscrições para os cursos a iniciar em Outubro.


Novo site do CEPC: http://www.ceperdaoecaridade.pt/
Fonte: M. Elisa Viegas (Lisboa)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Independência sonambúlica


Independência sonambúlica
Factos notáveis de lucidez


Muitas pessoas, que hoje aceitam perfeitamente o magnetismo, contestaram durante muito tempo a lucidez sonambúlica; é que, com efeito, essa faculdade veio confundir todas as noções que tínhamos sobre a percepção das coisas do mundo exterior, e, todavia, desde há muito tempo tinha-se o exemplo dos sonâmbulos naturais, que gozam de faculdades análogas e que, por um contraste bizarro, jamais se procurou aprofundar. Hoje, a clarividência sonambúlica é um facto adquirido, e, se ainda é contestado por algumas pessoas, é porque as ideias novas demoram para se enraizar, sobretudo quando é preciso renunciar àquelas por longo tempo nutridas; é também porque muitas pessoas acreditaram, como
ocorre ainda com as manifestações espíritas, que o sonambulismo podia ser experimentado como máquina, sem levar em conta as condições especiais do fenómeno; foi por isso que, não tendo obtido à vontade, e a propósito resultados sempre satisfatórios, disso se concluiu
pela negativa. Fenómenos tão delicados exigem uma observação longa, assídua e perseverante, a fim de apreender-lhes as nuances frequentemente fugitivas. É igualmente em consequência de uma observação incompleta dos factos que certas pessoas, mesmo
admitindo a clarividência dos sonâmbulos, contestam sua independência; segundo elas, sua visão não se estende além do pensamento daquele que os interroga; alguns pretendem mesmo que não há visão, mas simplesmente intuição e transmissão de pensamento, e citam exemplos em apoio. Ninguém duvida que o sonâmbulo, vendo o pensamento, algumas vezes pode traduzi-lo e ser dele o eco; não contestamos mesmo que não possa, em certos casos, influenciá-lo: não ocorresse senão isso no fenómeno, já não seria um facto bem curioso e bem digno de observação? A questão, portanto, não é saber se o sonâmbulo é ou pode ser influenciado por um pensamento estranho, isso não é duvidoso, mas bem saber se é sempre
influenciado: isso é um resultado da experiência. Se o sonâmbulo não diz jamais senão o que sabeis, é incontestável que é o vosso pensamento que ele traduz; mas se, em certos casos, ele diz o que não sabeis, se contradiz vossa opinião, vossa maneira de ver, é evidente que é independente e não segue senão seu próprio impulso. Um único facto desse género, bem caracterizado, bastaria para provar que a sujeição do sonâmbulo ao pensamento de outrem não é uma coisa absoluta; ora, eles existem aos milhares; entre os que são de nosso conhecimento pessoal, citaremos os dois seguintes:
O senhor Marillon, morando em Bercy, rua de Charenton, n9 43, havia desaparecido no dia 13 de Janeiro último. Todas as pesquisas para descobrir seus vestígios foram infrutíferas, nenhuma das pessoas na casa das quais estavam habituado ir, não o haviam visto; nenhum
negócio podia motivar uma ausência prolongada; por outro lado, seu carácter, sua posição pecuniária, seu estado mental descartavam toda ideia de suicídio. Estava-se reduzido a pensar que ele perecera vítima de um crime ou de um acidente; mas, nesta última hipótese, poderia ser facilmente reconhecido e conduzido ao seu domicílio, ou, pelo menos, levado ao Necrotério. Todas as possibilidades eram, pois, para o crime; foi nesse pensamento que se
fixou, tanto melhor porque se pensou que saíra para fazer um pagamento; mas onde e como o crime havia sido cometido? Era o que se ignorava. Sua filha, então, recorreu a uma sonâmbula, a senhora Roger, que em muitas outras circunstâncias semelhantes dera provas de uma lucidez notável, que pudemos constatar por nós mesmos. A senhora Roger seguiu o senhor Morillon desde a sua saída, de sua casa, às 3 horas depois de meio-dia, até lá pelas 7
horas da tarde, no momento em que se dispunha a reentrar, vi-o, então, descer pela margem do Sena por um motivo premente; ali, disse ela, teve um ataque de apoplexia, e o vejo cair sobre uma pedra, fazer-se uma fenda na testa, depois deslizar na água; portanto, isso não foi nem suicídio, nem crime; vejo ainda seu dinheiro e uma chave no bolso de seu paletó. Ela indica o lugar do acidente, mas, acrescenta ela, não é ali que ele está agora, foi facilmente arrastado pela corrente e será encontrado em tal lugar. Foi, com efeito, o que ocorreu; ele tinha a ferida indicada na fronte; a chave e o dinheiro estavam em seu bolso e a posição de suas vestes indicavam, suficientemente, que a sonâmbula não se enganara sobre o motivo que o conduzira às margens do rio. Perguntamos onde, com todos esses detalhes, pode-se ver a transmissão de um pensamento qualquer. Eis um outro facto onde a independência sonambúlica não é menos evidente.

O senhor e a senhora Belhomme, agricultores em Rueil, rua Saint-Denis, nº 19, tinham reservado uma soma ao redor de 8 a 900 francos. Para maior segurança, a senhora
Belhomme colocou-a em um armário, do qual uma parte estava reservada para roupa branca velha, a outra para roupa branca nova, e foi nesta última que o dinheiro foi colocado; nesse momento alguém entrou e a senhora Belhomme se apressou em fechar o armário. Algum
tempo depois, tendo necessidade do dinheiro, ela se persuadiu de tê-lo colocado na roupa velha, porque essa fora sua intenção, na ideia de que o velho tentaria menos os ladrões; mas, em sua precipitação, com a chegada do visitante, ela o havia colocado no outro compartimento. Estava de tal modo convencida de tê-lo colocado na roupa branca velha, que a ideia de procurá-lo alhures não lhe ocorreu; encontrando o lugar vazio, e lembrando-se da visita, ela acreditou ter sido notada e roubada, e nessa persuasão, suas suposições, naturalmente, se dirigiam sobre o visitante.

A senhora Belhomme conhecia a senhorita Marillon, da qual falamos mais acima, e lhe contou sua desventura. Esta tendo-lhe ensinado o meio pelo qual seu pai fora encontrado, a exortou dirigir-se à mesma sonâmbula, antes de tomar alguma providência. O senhor e a senhora
Belhomme seguiram para a casa da senhora Roger, bem convencidos de terem sido roubados, e na esperança de que se indicaria o ladrão que, em sua opinião, não podia ser senão o visitante. Tal era, pois, seu pensamento exclusivo; ora, a sonâmbula, depois de uma descrição minuciosa do local, lhes disse: não fostes roubados; vosso dinheiro está intacto em vosso outro armário, somente credes tê-lo colocado no de roupa velha, ao passo que o
colocastes no de nova; retornai para vossa casa e aí o encontrareis; com efeito, foi o que ocorreu.

Nosso objectivo, narrando esses dois factos, e poderíamos deles citar muitos outros também concludentes, foi de provar que a clarividência sonambúlica não é sempre o reflexo de um pensamento estranho; que o sonâmbulo pode ter, assim, uma lucidez própria, inteiramente
independente. Disso resulta consequências de alta gravidade do ponto de vista psicológico; aí encontramos a chave de mais de um problema, que examinaremos ulteriormente, tratando das relações que existem entre o sonambulismo e o Espiritismo, relações que lançam uma luz toda nova sobre a questão.

Revista Espírita, Novembro de 1858

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Noticias de Portugal


1 – ACE: ESPIRITISMO EM AVEIRO

2 – LEÇA DA PALMEIRA: PALESTRAS ESPÍRITAS

3 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB

4 – CALDAS DA RAINHA: COMPREENDENDO A MEDIUNIDADE

5 – MALVEIRA: PALESTRA ESPÍRITA

6 – LOURES: ENCONTROS ESPÍRITAS



1 - ACE: ESPIRITISMO EM AVEIRO


A Associação Cultural Espírita de Aveiro, sita na Rua Ciudad Rodrigo, nº 12 r/c, 3800-083 Aveiro (Bairro do Liceu). Tel. 96 271 4000, leva a efeito as seguintes iniciativas no decorrer do mês de Setembro:


Dia 01 – 2ª feira- 20H00 – Atendimento fraterno - 21H00 – Palestra – “O Espírito e a violência” - Manuel Santos- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 05 – 6ª feira- 21H00 – Estudo da Doutrina – O Livro dos Espíritos


Dia 08 – 2ª feira- 20H00 – Atendimento fraterno- 21H00 – Palestra – Tema Livre – Paulo Fonseca- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 12 – 6ª feira- 21H00 – Estudo da Doutrina – Curso de Mediunidade


Dia 15 – 2ª feira- 20H00 – Atendimento fraterno- 21H00 – Palestra –- Tema Livre – Luténio Faria- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 19 – 6ª feira- 21H00 – Estudo da Doutrina – O Livro dos EspíritosDia 22 – 2ª feira- 20H00 – Atendimento fraterno- 21H00 – Palestra musicada – Moacyr Camargo- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 26 – 6ª feira- 21H00 – Estudo da Doutrina – Curso de Mediunidade


Dia 29 – 2ª feira- 20H00 – Atendimento fraterno- 21H00 – Palestra – “O Ser Humano e as Doenças” – Manuel Santos- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritual


Mais informações:Associação Cultural Espírita de AveiroRua Ciudad Rodrigo, nº 12 r/c, (Bairro do Liceu)3810 – 083 Aveiro(Tel. 96 271 4000)(E-mail: aceaveiro@mail.com e msantuz@mail.telepac.pt )


Fonte: Manuel Santos (Aveiro)


2 - LEÇA DA PALMEIRA: PALESTRAS ESPÍRITAS


O N.E.R.V. – Núcleo Espírita Rosa dos Ventos, com sede na Travessa Fonte da Muda, 26, 4450 -672 Leça da Palmeira, convida-vos a estarem presente às sextas-feiras do mês de Setembro, pelas 21H00, para o seguinte ciclo de palestras, baseado no Livro “Obras Póstumas”


Dia 05 – Tema: “Profissão de Fé Espírita Raciocinada)” – Conferencista: Maria Áurea Rodrigues


Dia 09 – Tema: “Estudo sobre a Natureza do Cristo” – Conferencista: Francisco Assis


Dia 19 – Tema: “Regeneração das Artes pelo Espiritismo” – Conferencista: António Augusto Fonseca


Dia 26 – Tema: “Alternativas da Humanidade)” – Conferencista: José António Luz


Entrada livre e gratuita.


Mais informações em:NERV – Núcleo Espírita Rosa-dos-VentosTravessa Fonte da Muda, nº 264450-672 Leça da Palmeira E-mail nervespiritismo@yahoo.comSite: http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=14&L=1&F=H / Blog espírita: http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=14&L=9&F=H Telf. 229962395 - 965384111


Fonte: José António Luz


3 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB


Na sexta-feira, dia 5 de Setembro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Lei de Igualdade”, baseada no Cap. IX (parte terceira) de “O Livro dos Espíritos”.


O evento terá lugar na sede da ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga, na Rua do Espírito Santo nº 38, em Braga. Este centro tem página na Internet em http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=14&L=4&F=H e-mail info@aseb.com.pt


As entradas são livres e gratuitas.
Fonte: ASEB (Site)


4 - CALDAS DA RAINHA: COMPREENDENDO A MEDIUNIDADE


Na sexta-feira, dia 5 de Setembro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema "Compreendendo a Mediunidade".A Doutrina Espírita (ou Espiritismo) vem esclarecer o conceito sobre mediunidade, demonstrando ser uma faculdade inerente ao Ser Humano como qualquer outra, não havendo por isso razão para qualquer tipo de receios. Venha saber mais.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=14&L=3&F=He e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.


Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


5 - MALVEIRA: PALESTRA ESPÍRITA


À semelhança do que tem acontecido desde há meses, e sempre na 2ª sexta-feira de cada mês, às 20H30, vai realizar-se uma palestra no próximo dia 12 de Setembro, desta vez subordinada ao tema "A Depressão", na Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665 – 277 Malveira.


Mais informações através dos telemóveis 96 536 28 55 e/ou 91 771 37 44.


Fonte: Marcelo Oliveira (Tm: 91 771 37 44)


6 - LOURES: ENCONTROS ESPÍRITAS


Como vem acontecendo sempre no segundo domingo de cada mês, pelas 17H00, a Associação de Cultura Espírita Fernando de Lacerda, sita na Rua da República, 116, 2670-471 Loures, comunica que, no próximo dia 14 de Setembro, o tema para reflexão será a “Reencarnação”.



Contacto: 911009524 (Associação) / 919229046 (Elda Silva)


Fonte: Elda Silva (Loures)




A “Contribuição Espiritual na Medicina do Século XXI” é o tema das III Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade, que acontecem dias 18 e 19 de Outubro, no Auditório da Faculdade de Medicina Dentária, da Universidade de Lisboa.Para informações e/ou inscrições, consulte o site do Grupo Espírita Batuíra em Portugal (http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=14&L=35&F=H) ou envie e-mail para jornadas@verdadeluz.pt. Informações também pelos telefones: 214121062 – 214123337 e 916943625 – 962315659 – 934300778.


Programação:


Sábado – Dia 18/1008H30 – Cerimónia de Abertura


09H10 – Palestra de abertura: A Visão Integral do Ser: um Novo Paradigma para a Medicina no Século XXI – Dra. Marlene Nobre


10H00 – O Papel das Associações Médico-Espíritas (AMEs) na Construção da Espiritualidade na Medicina – Dr. Francisco José Viana Ganhão


10H50 – Do Átomo ao Arcanjo – a trajectória do ser espiritual – Dra. Irvénia Di Santis Prada


11H30 – Da Alma ao Corpo Físico - os mecanismos de gestação das doenças – Dr. Décio Iandoli Jr.


12H15 – Perguntas e Respostas (se houver tempo)


12H30 – Intervalo – Almoço


14H00 – Painel: A Alma no Limiar de Uma Nova Vidaa)


14H00 – O Desligar da Alma: Anátomofisiologia da Desencarnação – Dra. Marlene Nobre)


14H40 – Repercussões Espirituais no Coma e na Eutanásia – Dr. José Roberto Pereira dos Santos c)


15H20 – Consequências Espirituais das Drogas – Dr. Carlos Roberto de Souza


16H00 – Intervalo16h20 – Painel: Transtornos Mentais e Espiritualidade


a) 16H20 – A Depressão sob a óptica espiritual – Dra. Sara Vieira Repolho


b) 16H55 – Transtornos Alimentares na Visão Espírita – Dr. Roberto Lúcio V. de Souza


c) 17H35 – Sindroma do Pânico: Aspectos Clínicos, Emocionais e Espirituais – Dr. Sérgio Lopes


18H15 – Perguntas e Respostas


18H25 – A Influência da Espiritualidade no dia a dia de um cirurgião – Dr. João A. Duarte Jacinto


19H05 – O auto-perdão como caminho para a saúde – Dr. Alberto Almeida


19H45 – Encerramento


Domingo – Dia 19/10


08H30 – A Dor: sua Percepção e Modelagem – Dra. Paula Costa e Silva


09H10 – Painel: Genética e Espiritualidade


a) 09H10 – A Mente, a Célula e o Genoma – Dr. Carlos Roberto de Souza


b) 09H50 – O Fim da Ditadura dos Genes – Dr. Décio Iandoli Jr.


10H30 – Intervalo


10H50 – O Cérebro como Órgão de Expressão da Mente: funções não locais da consciência – Dra. Irvénia Di Santis Prada


11H35 – Esquizofrenia e Transtornos Espirituais: como entender e tratar – Dr. Roberto Lúcio V. de Souza


12H15 – Suicídio e Transtornos Depressivos – Dr. Sérgio Lopes


13H00 – Intervalo – Almoço


14H30 – O Espiritismo e a Interface TVP/Agente Teta/Obsessão – Dr. Alberto Almeida


15H10 – O Valor Terapêutico da Prece – Dr. Décio Iandoli Jr.


15H45 – Doença de Alzheimer, Leis Morais e Saúde Mental – Dr. Sérgio Lopes


16H30 – Intervalo


16H50 – A Missão do Médico – Dr. José Roberto Pereira dos Santos e Dr. Alberto Almeida


18H00 – Perguntas e respostas


18H40 – Cerimónia de Encerramento das III Jornadas


Fonte: Nuno Emanuel