terça-feira, 29 de maio de 2007

A visão espirita da cremação


A visão Espírita da cremação
Maria Aparecida Romano

O espírito desencarnado sofre quando seu corpo é queimado?
Quais são os motivos que estão levando um número cada vez maior de pessoas a optar pela cremação? O que o Espiritismo aconselha?

Quando se estuda o comportamento da Humanidade ao longo dos milénios, observa-se a nítida preocupação do homem com seu futuro após a morte. Um indivíduo é declarado oficialmente morto no momento que cessam suas funções vitais. Como cada grupo recebe a herança social e religiosa das tradições cultivadas pelas gerações anteriores, cabe aos membros do grupo que o indivíduo pertence cumprir os ritos tradicionais até a instalação definitiva do corpo em sua morada.

INUMAÇÃO E CREMAÇÃO

A Inumação é o ritual mais praticado. Consiste no sepultamento do cadáver em campas, geralmente no cemitério da comunidade. Cremação, acto de queimar o cadáver reduzindo-o as cinzas colocadas em urnas e em seguidas sepultadas ou esparzidas em local previamente determinada. Embora conhecida e praticada desde a mais remota antiguidade pelos povos primitivos da Terra não é muito utilizada.

O fogo passou a ser utilizado pelo homem na Idade da Pedra Lascada e, pela sua pureza e actividade, era considerado pelos Antigos como o mais nobre dos elementos, aquele que mais se aproximava da Divindade. Com a eclosão da religiosidade, o ser humano foi descobrindo que havia algo entre o Céu e a Terra e o fogo passou a ser utilizado em rituais religiosos.

Predominava a crença que ao queimar o cadáver, com ele seriam queimados todos os seus defeitos e ao mesmo tempo a alma se libertaria definitivamente do corpo, chegando ao céu purificada e não retornaria à Terra em forma de "aparições" assustando os vivos.

A cremação teve como base a força purificadora do fogo. Nos últimos tempos, em todo o continente europeu têm sido encontradas vasilhas do Período Neolítico (Idade da Pedra Polida) cheias de cinzas dos indivíduos. Esses indícios revelam que a cremação já era praticada nos primórdios da Civilização Terrena.

Com o decorrer dos séculos a cremação foi se tornando prática consagrada no oriente (Índia, Japão, etc), regiões da Grécia e Antiga Rosa onde viviam civilizações adiantadas que utilizavam o processo graças ao "status". Entre os povos ibéricos tornou-se um rito generalizado, precedido de músicas, bailes e até banquetes. Com estas cerimónias esperava-se obter atitudes benévolas dos deuses, visando conduzir as almas ao Reino dos Mortos e lá chegando seria recebida e cuidada com carinho.

A INFLUÊNCIA DO CRISTIANISMO

A evolução natural da Humanidade e o ciclo iniciado com Jesus há 2000 anos modelando uma nova mentalidade, influenciavam sensivelmente nos costumes culturais e religiosos dos povos. Com a expansão do cristianismo, na tentativa de se solidificar a fé, foram se estabelecendo dogmas, entre eles, o da Ressurreição. Jesus, como descendente de uma das doze tribos de Judá, foi sepultado conforme as tradições da Lei Mosaica. A Igreja proclamou como Dogma de fé que o Messias ressuscitou de corpo e alma.

Com excepção dos países orientais onde a prática é normal, o rito da cremação ficou esquecido até o ano de 1876, quando em Washington, nos Estados Unidos, na tentativa de revificar o processo, foi estabelecido o primeiro forno crematório dos dias actuais, provocando polémicas e controvérsias, sobretudo da Igreja que se posicionou contra a destruição voluntária do cadáver.

Só a partir de 1963, mediante a propagação do processo em diversos países do planeta, o Vaticano através do Papa Paulo VI apresentou uma abertura, mas não se posicionando claramente quando se expressou que não proibia a cremação, mas recomendava aos cristãos o piedoso e tradicional costume do enterro. A Igreja teve suas razões para defender a Inumação. Aprovar plenamente a cremação seria negar o dogma por ela estabelecido.

Nessas sequências histórica observa-se que na cultura religiosa de todos os povos sempre pairou uma nebulosa noção de espiritualidade e nela a preocupação do homem com seu destino após a morte. Até que nos meados do século XIX, o francês Allan Kardec, codificador da doutrina espírita, lançou uma nova luz nos horizontes mentais do homem quando entreviu um mundo de inteligências incorpóreas.

Os espíritos são os seres inteligentes da Criação que habitam esse mundo. Simples e ignorantes no seu ponto de partida, caminham para o progresso indefinido reencarnando sucessivamente. Na encarnação, a ligação entre o perispírito e o corpo é feita através de um cordão fluídico. Sendo a existência terrena uma fase temporária, após o cumprimento da missão moral, com a morte do corpo físico o espírito retorna ao seu lado de origem conservando a individualidade.

O DESLIGAMENTO NÃO É SÚBITO

Os laços que unem o espírito ao corpo se desfazem lentamente. De uma forma geral todos sentem essa transição que se converte num período de perturbações variando de acordo com o estágio evolutivo de cada um. Para alguns se apresenta como um bálsamo de libertação, enquanto que para outros são momentos de terríveis convulsões. O desligamento só ocorre quando o laço fluídico se rompe definitivamente.

Diante da Nova Revelação apresentada pela doutrina dos espíritos e levando-se em consideração a perturbação que envolve o período de transição, questionou-se: cremando o corpo como fica a situação do espírito? Consultado, o mundo espiritual assim se expressou: "É um processo legítimo. Como espírito e corpo físico estiveram ligados muito tempo, permanecem elos de sensibilidade que precisam ser respeitados". Essas palavras revelam que embora o corpo morto não transmita nenhuma sensação física ao espírito, porém, a impressão do acontecido é percebida por este, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos. Recomenda-se aos adeptos da doutrina espírita que desejam optar pelo processo crematório prolongar a operação por um prazo de 72 horas após o desenlace.

Embora a Inumação continue sendo o processo mais utilizado, a milenar cremação, por muito tempo esquecida, voltou a ser praticada nos tempos modernos. Este procedimento vem se difundindo amplamente até em função da falta de espaço nas grandes cidades. Com o crescimento da população as áreas que outrora seriam destinadas a cemitérios tornaram escassas.

CREMAÇÃO: UMA QUESTÃO DE ECONOMIA

Adeptos de todas as seitas estão optando pela operação crematória. Seus partidários fundam-se em diversas considerações. Para alguns está ligada a factores sanitários, sendo que alguns cemitérios podem estar causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população, enquanto que para muitos usuários do crematório o processo diminui os encargos básicos económicos, entre eles, a manutenção da tumba.
Actualmente, o Brasil conta com quatro áreas crematórias e está em fase de expansão. A área da Vila Alpina, na cidade de São Paulo, foi fundada em 1974. É a primeira área crematória do país e conta com quatro fornos importados da Inglaterra. Pertence à Prefeitura Municipal e leva o nome do seu idealizador, dr. Jayme Augusto Lopes. As outras três áreas são particulares e estão localizadas na cidade de Santos, no Estado do Rio de Janeiro e no Estado do Rio Grande do Sul.

Segundo a Lei, a cremação só será efectuada após o decurso de 24 horas, contadas a partir do falecimento e, desde que sejam atendidas as exigências prescritas. A prova relativa à manifestação do falecido em ser cremado deve estar consistente de Declaração de documento público ou particular.

As cinzas resultantes da cremação do corpo serão recolhidas em urna individual e a família dará o destino que o falecido determinou. Muitos países já contam com Jardins Memoriais e edifícios chamados "Columbários", com gavetas para serem depositadas as urnas com as cinzas dos falecidos podendo ser visitadas por parentes.
Kardec, o codificador disse: "O homem não tem medo da morte mas da transição".

À medida que houver amadurecimento e compreensão para a extensão da vida, o ser humano saberá valorizar cada momento da vida terrena e devotará ao corpo o devido valor que ele merece. Através do corpo, o espírito se ilumina. Resgata-se o passado, vive-se o presente e prepara-se o futuro. No desencarne é restituída a liberdade relativa ao espírito enquanto o corpo permanece na Terra com outros bens materiais.

O espírito preexiste e sobrevive ao corpo. Tanto inumação como cremação são formas de acomodar o cadáver. Expressam o livre arbítrio de cada um. Os dois processos destroem o corpo. Para se optar pela cremação é necessário haver um certo desapego aos laços materiais e mesmo com a inumação, caso o espírito não estiver devidamente preparado, poderá sofrer os horrores da decomposição. Quanto mais o espírito estiver preparado moralmente, menos dolorosa será a separação.

(Revista Cristã de Espiritismo - Nº 06 - Ano 01)

4 comentários:

Nelson Camacho D'Magoito disse...

Hoje estou mais triste que em qualquer dos setenta e três anos já vividos. Fui a um enterro de um jovem de dez anos. Por imposção da avó, e aceitação dos pais,foi creado. Sinto-me mal, sinto-me queimado, certamente também o espirito daquele jovem dedez anos que não autorizou tal feito. Procurei por todo o lado legislação portuguesa sobre o assunto e não encontro. Será que esta actitudo da avó e dos pais está certa? Estou triste e sinto as queimaduras de um forno.

Joana disse...

Amigo Nelson

Acerca da legislação não sei lhe dizer exactamente o que a lei diz,mas poderei tentar informar.

O que nos dizem os benfeitores espirituais acerca da cremação.

O homem é constituído, essencialmente em três partes: O corpo físico; o perispírito que une o corpo com o Espírito, e o próprio Espírito que é o ser pensante.

Com o desencarne, os laços que unem o corpo físico com o perispírito se desfazem lentamente, a começar pelas extremidade e termina nos órgãos principais, cérebro e coração.Ora o desligamento total somente ocorre com o rompimento definitivo do último cordão fluidico que ainda liga ao corpo.

Relativamente a sensação de dor e de sofrimento pelo espírito desencarnante:

O espírito Emmanuel nos traz algumas recomendações a respeito dessa prática, no livro "O consolador" (Questão 151); Na cremação,faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o acto de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre Espírito desencarnado e o corpo onde extingui o " tonus vital" nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material"

Emmanuel ainda nos diz que no mínimo devemos esperar cerca de 72 horas antes de se iniciar o processo de cremação.

É claro que nada disto é taxativo, pois se uns se desprendem rapidamente do corpo, outros poderão demorar-se bastante tempo ainda com sensações corporais.

Se o individuo ainda não está muito espiritualizado e viveu na terra muito agarrado aos bens materiais e ao corpo físico,o espírito fica como algemado a carne que o envolveu na Terra e no caso da cremação, vê com angustia as labaredas a queimarem os seus restos mortais.

Se o espírito for muito evoluído espiritualmente, o corpo material desses Espíritos podem ser cremados a vontade, porque isso nada ira afectar a sua sensibilidade, visto que vivem muito mais ligado a espiritualidade do que a matéria.

Nos casos em que o cadaver não é cremado mas sim sepultado, se o Espirito tiver sido muito agarrado a tudo o que seja material, pode também ficar no cemitério junto á sua sepultura e assistir,desesperado a decomposição gradual do seu corpo, sentindo inclusivamente os vermes corroerem a sua carne e devido a isto, sofrer também muito.

No entanto, há uma diferença capital entre a cremação e o enterramento.

Na cremação, tudo se processa muito rapidamente, em poucos minutos, enquanto que no sepultamento,a decomposição do cadáver é lenta, permitindo assim que o Espírito possa ser devidamente socorrido, orientado e esclarecido, para, a pouco e pouco, desviar o pensamento para as coisas mais importantes.

O irmão X adverte-nos de que a atitude da cremação é um tanto ou quanto precipitada, podendo vir a ter consequências desagradáveis para o espírito que desencarne:".... morrer, não é libertar-se facilmente"

Léon Denis, na sua obra "O problema do ser e da dor, comenta que ao consultar os Espíritos sobre cremação concluiu que, regra geral, a cremação provoca um desligar mais rápido, mas que no entanto é brusco, violento e até mesmo doloroso, para as almas que estão agarradas a terra pelos hábitos, gostos e paixões.

Concluindo: Antes de optar pela cremação reflicta muito sobre o assunto antes de tomar uma decisão para si ou seus entes queridos.

Amigo Nelson

se achar que a criança não tinha as características adequadas para ser cremada, A oração é um balsamo para sua Alma.

Espero ter ajudado, qualquer esclarecimento estou a sua inteira disposição.

Quanto aos pais da criança provavelmente agiram conforme os seus conhecimentos e suas querença.

Bem haja

Joana

Aninha disse...

Joana,

Adorei sua explicação e suas indicações literárias. Moro no Brasil, frequento o Paltalk, na salinha da Fiorella.
Adoro seu nome, acho lindo!
Apareça na sala...meu nick é Aninha07.
Fica com Deus.
Beijos.

Aninha disse...

Que DEus envolva a Terra em muito AMOR.