terça-feira, 16 de junho de 2009


Nada de Coitadinho

Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007

Nascido em Ituiutaba (MG) a vida do médium Jerônimo Mendonça (1939-1989) foi um exemplo de superação de limites. Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas pelo Brasil afora, para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado "O Gigante Deitado" pelos amigos e pela imprensa.

Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.

- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.
- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.

Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela hora ele não estava, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.

Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse o Chico:
- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não "despetalar".

Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.

Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida veio a explicação:
- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?
- Não, Chico.
- Foi porque você aceitou o "coitadinho". Coitadinho do Jerônimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.

Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.

Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia "fatal". Venceu o "coitadinho".

Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.

Gentilmente enviada pela minha querida amiga Marisa

A caravela da vida


A CARAVELA DA VIDA

Lá vai a caravela

No meio da tormenta

Oh timoneiro

Vê lá s’ ela s’ aguenta


Ai, meu Capitão

Ela dá cada safanão…

Não vejo a hora de

Pisar firme chão…


Cala-te Homem de Deus

Com tamanha desilusão

Arriba-me esse ânimo

Hás-de pisar firme chão.


Nunca um marinheiro

Perde a confiança

em dobrar com êxito

O cabo da boa esperança



Assim é na vida

Somos naus no mar

Sofrendo ventos e tormentas

Mas temos de continuar


O nosso objectivo

É o porto de abrigo

Após a jornada

Após tanto perigo


Mas a jornada,

tem seus encantos

As ondas, as nuvens,

Os peixes, os recantos…


Pega pois no leme

E segue, Caravela,

Imune a toda dificuldade

Ergue a tua vela


O vento da esperança

Logo a encherá

Levando-te com alegria

Ao porto que te receberá


Após deitar as amarras

Alegre ancião t’interroga:

Que trazes marinheiro?

Nessa grande piroga?


Sou marinheiro de Deus

Trago alegrias, sofrimentos,

Passei por mil mares,

E pelo cabo dos tormentos


Trago-te a mais bela notícia

Que pude aprender:

Marinheiro que não ame

Não pára de sofrer…


Por isso estou feliz

Por ao porto chegar

Sofri, lutei na vida

Mas consegui amar…


Sejas então bem-vindo

Descansa um pouco, irmão

Chegaste à Pátria de Deus

Que t’aconchega o coração.


Um navegante da vida



Psicografia recebida por JC, na reunião mediúnica do CCE, Caldas da Rainha, Portugal, em 9 de Junho de 2009.


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Noticias do Brasil




- Lançamento do Projeto Centenário de Chico Xavier, em Brasília

- Reunião com os Estados do Norte do País

- Reunião Internacional na Bélgica

- CEI em Feira de Livros nos EUA

- ADE-SE promove seminário

- A Caminho da Paz


- 60 anos do “Varas da Videira”

- Ciência e Espiritualidade

- Fórum de Arte Espírita

- TVCEI lança DVD sobre Chico Xavier

- A Missão e os Missionários




Lançamento do Projeto Centenário de Chico Xavier, em Brasília


A Federação Espírita do Distrito Federal, como anfitriã da Reunião da Comissão Regional Centro do Conselho Federativo Nacional da FEB, foi o local do lançamento do Projeto Centenário de Chico Xavier, na noite do dia 15 de maio, em Brasília, contando com a presença do presidente e vários diretores da FEB e de dirigentes de Federações Espíritas de sete Estados. Nos dias 16 e 17, prosseguiram as Reuniões com dirigentes de Federações Estaduais.

A apresentação do Projeto foi realizada por integrantes da Comissão Central Organizadora do Projeto: Aston Brian (secretário da Comissão Regional Centro), Antonio Cesar Perri de Carvalho (diretor da FEB e coordenador do Projeto) e João Pinto Rabelo (diretor da FEB e coordenador do 3º Congresso). No mesmo dia, o jornal Correio Braziliense (de Brasília) publicou entrevista com o coordenador do Projeto. O evento foi transmitido ao vivo pela web TVCEI (www.tvcei.com). Mais informações sobre o Congresso no site www.100anoschicoxavier.com.br


Reunião com os Estados do Norte do País


A Federação Espírita Roraimense sediará, em Boa Vista (RR), a Reunião da Comissão Regional Norte do Conselho Federativo Nacional da FEB, no período de 11 a 14 de junho. O tema da reunião dos Dirigentes será “O Dirigente Espírita como multiplicador nos diversos níveis do Movimento Espírita – Ações Práticas”. Serão realizadas, concomitantemente, Reuniões das Áreas das Comissões Regionais do CFN: Atendimento Espiritual no Centro Espírita, Atividade Mediúnica, Comunicação Social Espírita, Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, Infância e Juventude, e, Serviço e Assistência Social Espírita. No evento será lançado o “Projeto Centenário de Chico Xavier” para os seis Estados da Região Norte. Informações: cfn@febnet.org.br


Reunião Internacional na Bélgica


A cidade de Liège, na Bélgica, será a sede da Reunião Ordinária do Conselho Espírita Internacional e do Curso “Centro Espírita – Base do Movimento Espírita: Finalidades e Atividades”, que contará com expositores de vários países. O evento se desenvolve entre os dias 4 e 7 de junho e conta com o apoio da União Espírita Belga. Informações: spiritist@spiritist.org

CEI em Feira de Livros nos EUA

O Conselho Espírita Internacional manteve stand na Feira de Livros “BookExpo America”, em Nova York, de 28 a 31 de maio. O CEI edita livros de Allan Kardec e obras psicográficas de Chico Xavier em inglês, espanhol, francês, alemão e russo. Informações: (61) 3404-5700; e-mail: spiritist@spiritist.org


ADE-SE promove seminário


A Vida no Mundo Espiritual será o tema do seminário promovido pela Associação de Divulgadores do Espiritismo de Sergipe (ADE-SE), no dia 7 de junho, de 8h30 as 112h30. O evento, a ser realizado no Centro Espírita Filantrópico Bezerra de Menezes, em Aracaju, contará com exposição do tema pelo conferencista João Cabral, presidente da ADE-SE. Informações: www.ade-sergipe.com.br


A Caminho da Paz

Este é o evento que a Associação Jurídico Espírita de São Paulo, em parceria com a Fundação Eurípides Soares da Rocha, realizará no sábado, 6 de junho, às 19h30 horas, no salão Aniz Badra da Fundação-Univem, à Avenida Hygino Muzzi Filho, 529. Izaias Claro, expositor espírita e conselheiro da AJE será o palestrante no evento que terá também a participação do Coral Harmonia, da cidade de Birigui. O evento tem o apoio da União das Sociedades Espíritas e do IASP-Instituto dos Advogados de São Paulo. Contato: www.ajesaopaulo.com.br


60 anos do “Varas da Videira”


No mês de junho, a Aliança Espírita “Varas da Videira”, sediada em Araçatuba (SP), comemora 60 anos de existência e promove, nos dias 5, 12, 13, 19 e 26 de junho, palestras com Pedro Bonilha, Viviane Módena e Nilza Teresa Rotter. Serão abordados temas ligados à arte e contarão com harmonização de Lúcia Bonilha e Evelyn Spinola, nos dias 5 e 26 de junho. Informações na própria Aliança, na Rua Bernardino de Campos, 363, Araçatuba, SP. Informações: igobi@uol.com.br



Ciência e Espiritualidade


De 8 a 13 de junho, no Salão de Atos e Campus Central da UFRGS, ocorre a 1ª Semana Ciência e Espirtualidade, uma parceria entre a UFRGS e a AME-Brasil por meio da AME-RS. Como parte da Semana ocorrerão o Fórum Universidade e Espiritualidade 2009: “Saberes Transdisciplinares em Construção” e o VII MEDNESP - Congresso Nacional de Associação Médico-Espírita do Brasil, com o tema central “Consciência, Espiritualidade e Saúde: Desafios na Prática Profissional”. Informações: www.ufrgs.br/iete


Fórum de Arte Espírita


O 6º Fórum Nacional de Arte Espírita acontecerá entre os dias 11 e 13 de junho, em Aracaju (SE). O Fórum Nacional de Arte Espírita é um evento promovido pela Associação Brasileira de Artistas Espíritas que reúne associados e lideranças do movimento artístico espírita nacional. É realizado anualmente. Durante o Fórum ocorrerá mais uma assembleia geral de associados da Abrarte. Nesta haverá ainda a eleição e posse dos novos membros da Diretoria, do Conselho Doutrinário e do Conselho Fiscal. Informações: www.abrarte.org.br


TVCEI lança DVD sobre Chico Xavier


A TVCEI acaba de lançar o DVD “Vida e Obra de Chico Xavier”. É um especial de 67'que conta sobre detalhes da obra do médium desde seu nascimento até sua desencarnação. Informações na página eletrônica: www.tvcei.com/loja; e-mail: loja@tvcei.com


A Missão e os Missionários


Na sede da Sociedade Espírita Paz e Amor, em Porto Alegre, Cecília Rocha, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, foi homenageada com o lançamento do livro “A Missão e os Missionários”, que resgata a história de evangelização infanto-juvenil no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo, impulsionada pelo seu trabalho ao longo de décadas. Gládis Pedersen de Oliveira, que também é presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, ressalta que Cecília supervisionou pessoalmente toda a pesquisa, recuperando fatos e nomes de confrades que foram verdadeiros missionários nesse árduo trabalho. O livro é uma publicação da Editora Espírita Francisco Spinelli e contou com a colaboração de Divaldo Franco, sendo prefaciado pelo espírito Amélia Rodrigues. Informações: www.fergs.org.br

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito.






Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito.


A vida de nosso personagem começa em 1831 na localidade de Riacho do Sangue, Ceará.

No universo sertanejo forjou seu caráter e aos dezoito anos inicia no Rio de Janeiro seus estudos de medicina. Na Capital da República foi um grande abolicionista e elegeu-se vereador e deputado em várias legislaturas. Porém, o trabalho anônimo em favor dos mais humildes foi que lhe trouxe o maior reconhecimento de seu povo, que o chamava Médico dos Pobres.

Sua trajetória foi marcada pelo amor e pela caridade. Seja como o político devotado às causas humanitárias ou como o médico conhecido por jamais negar socorro a quem batesse à sua porta. Um exemplo de homem que fez da sua vida um meio de servir ao próximo e à sua pátria.

Contar a vida desse ilustre Cearense é um projeto que ambiciona, mais do que prestar tributo à um grande homem, possibilitar, através do audiovisual, o contato do grande público com as minúcias do seu pensamento e conhecer passagens relevantes de sua vida para melhor compreender a magnitude da sua obra.

"O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida".

Bezerra de Menezes

sábado, 9 de maio de 2009

Teoria sobre a formação da terra


TEORIAS SOBRE A FORMAÇÃO DA TERRA

Teoria da projecção. - Teoria da condensação. - Teoria da incrustação. -

Alma da Terra.


Teoria da projecção

1. - De todas as teorias concernentes à origem da Terra, a que alcançou maior voga, nestes últimos tempos, é a de Buffon, quer pela posição que ele desfrutava no mundo sábio, quer pela razão de não se saber mais do que ele disse naquela época.

Vendo que todos os planetas se movem na mesma direcção, do ocidente para o oriente, e no mesmo plano, a percorrer órbitas cuja inclinação não passa de 7 graus e meio, concluiu Buffon, dessa uniformidade, que eles hão de ter sido postos em movimento pela mesma causa.

De igual ponto de vista, formulou a suposição de que, sendo o Sol uma massa incandescente em fusão, um cometa se haja chocado com ele e, raspando-lhe a superfície, tenha destacado desta uma porção que, projectada no espaço pela violência do choque, se dividiu em muitos fragmentos, formando esses fragmentos os planetas, que continuaram a mover-se circularmente, pela combinação das forças centrífuga e centrípeta, no sentido dado pela direcção do choque primitivo, isto é, no plano da elíptica.

Os planetas seriam assim partes da substância incandescente do Sol e, por conseguinte, também teriam sido incandescentes, em sua origem. Levaram para se resfriar e consolidar tempo proporcionado aos seus volumes respectivos e, quando a temperatura o permitiu a vida lhes despontou na superfície.

Em virtude do gradual abaixamento do calor central, a Terra chegaria, ao cabo de certo tempo, a um estado de resfriamento completo; a massa líquida se congelaria inteiramente e o ar, cada vez mais condensado, acabaria por desaparecer. o abaixamento da temperatura, tornando impossível a vida, acarretaria a diminuição, depois o desaparecimento de todos os seres

organizados. Tendo começado pelos pólos, o resfriamento ganharia pouco a pouco todas as regiões, até ao Equador.

Tal, segundo Buffon, o estado actual da Lua que, menor do que a Terra, seria hoje um mundo extinto, do qual a vida se acha para sempre excluída. O próprio Sol viria a ter, afinal, a mesma sorte. De acordo com os seus cálculos, a Terra teria gasto cerca de 74.000 anos para chegar à sua temperatura actual e dentro de 93.000 anos veria o termo da existência da Natureza organizada.


2. - A teoria de Buffon, contraditada pelas novas descobertas da Ciência, está presentemente abandonada, quase de todo, pelas razões seguintes:


1º Durante longo tempo, acreditou-se que os cometas eram corpos sólidos, cujo encontro com um planeta podia ocasionar a destruição deste último. Nessa hipótese, a suposição de Buffon nada tinha de improvável. Sabe-se, porém, agora, que os cometas são formados de uma matéria gasosa, bastante rarefeita, entretanto, para que se possam perceber estrelas de grandeza média através de seus núcleos. Nessas condições, oferecendo menos resistência do que o Sol, impossível é que, num choque violento com este, eles sejam capazes de arremessar ao longe qualquer porção da massa solar.


2º A natureza incandescente do Sol é também uma hipótese, que nada, até ao presente, confirma, que, ao contrário, as observações parecem desmentir. Se bem ainda não haja certeza quanto à sua natureza, os poderosos meios de observação de que hoje dispõe a Ciência hão permitido que ele seja melhor estudado, de modo a admitir-se, em geral, que é um globo composto de matéria sólida, cercada de uma atmosfera luminosa, ou fotosfera, que não se acha em contacto com a sua superfície. (1)


3º Ao tempo de Buffon, somente se conheciam os seis planetas de que

os antigos eram conhecedores: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno. Descobriram-se depois outros em grande número, três dos quais, principalmente, Juno, Ceres e Palas, têm suas órbitas inclinadas de 13, 10 e 34 graus, o que não concorda com um movimento único de projecção. (2)


4º Reconheceram-se absolutamente inexactos os cálculos de Buffon acerca do resfriamento, desde que Fourier descobriu a lei do decrescimento do calor. A Terra não precisou apenas de 74.000 anos para chegar à sua temperatura actual, mas de alguns milhões de anos.


5º Buffon unicamente considerou o calor central da Terra, sem levar em conta o dos raios solares. Ora, é sabido hoje, em presença de dados científicos de rigorosa precisão, obtidos pela experiência, que, em virtude da espessura da crosta terrestre, o calor interno do globo não contribui, de há muito, senão em parcela insignificante, para a temperatura da superfície exterior. São periódicas as variações que essa temperatura sofre e devidas à acção preponderante do calor solar (cap. VII, nº 25). Permanente que é o efeito dessa causa, ao passo que o do calor central é nulo, ou quase nulo, a diminuição deste não pode trazer à superfície da Terra sensíveis modificações. Para que a Terra se tornasse inabitável pelo resfriamento, fora necessária a extinção do Sol. (1)

__________

(1) Completa dissertação, à altura da ciência moderna, sobre a natureza do Sol e dos

cometas, se encontra nos Estudos e leituras sobre a Astronomia, de Camilo Flammarion.

(2) Nota da Editora: Os planetóides Juno, Ceres e Palas, bem como centenas de outros,

estão localizados entre as órbitas de Júpiter e Marte.

Teoria da condensação


3. - A teoria da formação da Terra pela condensação da matéria cósmica é a que hoje prevalece na Ciência, como sendo a que a observação melhor justifica, a que resolve maior número de dificuldades e que se apoia, mais do que todas as outras, no grande princípio da unidade universal. É a que deixamos exposta , no Cap. VI: Uranografia geral.

Estas duas teorias, como se vê, conduzem ao mesmo resultado: estado primitivo, de incandescência, do globo; formação de uma crosta sólida pelo resfriamento; existência do fogo central e aparecimento da vida orgânica, logo que a temperatura a tornou possível. Diferem, no entanto, em pontos essenciais e é provável que, se Buffon vivesse actualmente, adoptaria outras ideias. A Geologia toma a Terra no ponto em que é possível a observação directa. Seu estado anterior, por escapar à observação, só pode ser conjectural. Ora, entre duas hipóteses, o bom-senso diz que se deve preferir a que a lógica sanciona e que mais acorde se mostra com os factos observados.


Teoria da incrustação


4. - Apenas por não deixar de menciona-la, falamos desta teoria, que nada tem de científica, mas, que, entretanto, conseguiu certa repercussão nos últimos tempos e seduziu algumas pessoas. Acha-se resumida na carta seguinte:

«Deus, segundo a Bíblia, criou o mundo em seis dias, quatro mil anos antes da era cristã. Essa afirmativa os geólogos a contestam, firmados no estudo dos fósseis e dos milhares de caracteres incontestáveis de vetustez que transportam a origem da Terra a milhões de anos. Entretanto, a Escritura disse a verdade e também os geólogos. E foi um simples campónio (1) quem os pôs de acordo ensinando que o nosso globo não é mais do que um planeta embutido, muito moderno, composto de materiais muito antigos.

«Após o arrebatamento do planeta desconhecido, que chegara à maturidade, ou de harmonia com o que existiu no lugar que hoje ocupamos, a alma da Terra recebeu ordem de reunir seus satélites, para formar a Terra actual, segundo as regras do progresso em tudo e por tudo. Quatro apenas desses astros concordaram com a associação que lhes era proposta. Só a Lua persistiu na sua autonomia, visto que também os globos têm o seu livre-arbítrio. Para proceder a essa fusão, a alma da Terra dirigiu aos satélites um raio magnético atractivo, que pôs em estado cataléptico todo o mobiliário vegetal, animal e hominal que eles possuíam e que trouxeram para a comunidade. A operação teve por únicas testemunhas a alma da Terra e os grandes mensageiros celestes que a ajudaram nessa grande obra, abrindo aqueles globos para lhes dar entranhas comuns. Praticada a soldadura, as águas se escoaram para os vazios que a ausência da Lua deixara. As atmosferas se confundiram e começou o despertar ou a ressurreição dos germens que estavam em catalepsia. O homem foi o último a ser tirado do estado de hipnotismo e se viu cercado da luxuriante vegetação do paraíso terrestre e dos animais que pastavam em paz ao seu derredor. Tudo isto se podia fazer em seis dias, com obreiros tão poderosos como os que Deus encarregara da tarefa. O planeta Ásia trouxe a raça amarela, a de civilização mais antiga; o África a raça negra; o Europa a raça branca e o América a raça vermelha.

«Assim, certos animais, de que apenas os despojos são encontrados, nunca teriam vivido na Terra actual, mas teriam sido transportados de outros mundos desmanchados pela velhice. Os fósseis, que se encontram em climas sob os quais não teriam podido existir neste mundo, viviam sem dúvida em zonas muito diferentes nos globos onde nasceram. Tais despojos na Terra se

encontram nos pólos, ao passo que os animais viviam no Equador dos globos a que pertenciam.»


5. - Esta teoria tem contra si os mais positivos dados da ciência experimental, além de que deixa intacta a questão mesma que ela pretende resolver, a questão da origem. Diz, é certo, como a Terra se teria formado, mas não diz como se formaram os quatro mundos que se reuniram para constituí-la.

Se as coisas se houvessem passado assim, como se explicaria a inexistência absoluta de quaisquer vestígios daquelas imensas soldaduras, não obstante terem ido até às entranhas do globo? Cada um daqueles mundos, o Ásia, o África, o Europa e o América, que se pretende haverem trazido os materiais que lhes eram próprios, teria uma geologia particular, diferente da dos demais, o que não é exacto. Ao contrário, vê-se, primeiramente, que o núcleo granítico é uniforme, de composição homogénea em todas as partes do globo, sem solução de continuidade. Depois, as camadas geológicas se apresentam de formação igual, idênticas quanto à constituição, sobrepostas, em toda parte, na mesma ordem, continuas, sem interrupção, de um lado a outro dos mares, da Europa à Ásia, à África, à América, e reciprocamente. Essas camadas que dão testemunho das transformações do globo, atestam que tais transformações se operaram em toda a sua superfície e não, apenas, numa porção desta; mostram os períodos de aparecimento, existência, e desaparecimento das mesmas espécies animais e vegetais, nas diferentes partes do mundo, igualmente; mostram a fauna e a flora desses períodos recuados a marcharem simultaneamente por toda parte, sob a influência de uma temperatura uniforme, e a mudar por toda parte de carácter, à medida que a temperatura se modifica. Semelhante estado de coisas não se concilia com a formação da Terra por adjunção de muitos mundos diferentes.

Ao demais, é de perguntar-se o que teria sido feito do mar, que ocupa o vazio deixado pela Lua, se esta não se houvesse recusado a reunir-se às suas irmãs. Que aconteceria à Terra actual, se um dia a Lua tivesse a fantasia de vir tomar o seu lugar, expulsando deste o mar?


6. - Semelhante sistema seduziu algumas pessoas, porque parecia explicar a presença das diferentes raças de homens na Terra e a localização delas. Mas, uma vez que essas raças puderam proliferar em mundos distintos, por que não teriam podido desenvolver-se em pontos diversos do mesmo globo? É querer resolver uma dificuldade por meio de outra dificuldade maior.

Efectivamente, quaisquer que fossem a rapidez e a destreza com que a operação se praticasse, aquela junção não se houvera podido realizar sem violentos abalos. Quanto mais rápida ela fosse, tanto mais desastrosos haviam de ser os cataclismos. Parece, pois, impossível que seres apenas mergulhados em sono cataléptico hajam podido resistir-lhes, para, em seguida, despertarem

tranquilamente. Se fossem unicamente germens, em que consistiriam? Como é que seres inteiramente formados se reduziriam ao estado de germens? Restaria sempre a questão de saber-se como esses germens novamente se desenvolveram. Ainda aí, teríamos a Terra a formar-se por processo miraculoso, processo, porém, menos poético e menos grandioso do que o da Génese bíblica, enquanto que as leis naturais dão, da sua formação, uma explicação muito mais completa e, sobretudo, mais racional, deduzida da observação. (1)

__________

(1) Quando tal sistema se liga a toda uma cosmogonia, é de perguntar-se sobre que

base racional pode o resto assentar.

A concordância que, por meio desse sistema, se pretende estabelecer, entre a Gênese

bíblica e a Ciência, é inteiramente ilusória, pois que a própria Ciência o contradiz.

(1) Miguel de Figagnères (Var), autor da Chave da Vida.

(1) Vejam-se, para maiores esclarecimentos sobre este assunto e sobre a lei do

decrescimento do calor: Cartas acerca das revoluções do globo, pelo Dr. Bertrand, ex-aluno

da Escola Politécnica de Paris, carta II. - Esta obra, à altura da ciência moderna, escrita com

simplicidade e sem espírito de sistema, encerra um estudo geológico de grande interesse.


ALMA DA TERRA


7. - A alma da Terra desempenhou papel principal na teoria da incrustação. Vejamos se esta ideia tem melhor fundamento.

O desenvolvimento orgânico está sempre em relação com o desenvolvimento do princípio intelectual. O organismo se completa à medida que se multiplicam as faculdades da alma. A escala orgânica acompanha constantemente, em todos os seres, a progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem, e não podia ser de outro modo, pois que a alma precisa de um instrumento apropriado à importância das funções que lhe compete desempenhar. De que serviria à ostra possuir a inteligência do macaco, sem os órgãos necessários à sua manifestação? Se, portanto, a Terra fosse um ser animado, servindo de corpo a uma alma especial, essa alma, por efeito mesmo da sua constituição, teria de ser ainda mais rudimentar do que a do pólipo, visto que a Terra não tem, sequer, a vitalidade da planta, ao passo que, pelo papel que lhe atribuíram à alma, fizeram dela um ser dotado de razão e do mais completo livre-arbítrio, em resumo: um como Espírito superior, o que não é racional, porquanto nunca nenhum Espírito se achou menos bem aquinhoado, nem mais aprisionado. Ampliada neste sentido, a ideia da alma da Terra tem, então, de ser arrolada entre as concepções sistemáticas e quiméricas.

Por alma da Terra, pode entender-se, mais racionalmente, a colectividade dos Espíritos incumbidos da elaboração e da direcção de seus elementos constitutivos, o que já supõe certo grau de desenvolvimento intelectual; ou, melhor ainda: o Espírito a quem esta confiada a alta direcção dos destinos morais e do progresso de seus habitantes, missão que somente pode ser

atribuída a um ser eminentemente superior em saber e em sabedoria. Em tal caso, esse Espírito não é, propriamente falando, a alma da Terra, porquanto não se acha encarnado nela, nem subordinado ao seu estado material. É um chefe nomeado ao seu governo, como um general o é ao comando de um exército.

Um Espírito, incumbido de missão tão importante qual a do governo de um mundo, não poderia ter caprichos, ou, então, teríamos de reconhecer em Deus a imprevidência de confiar a execução de suas leis a seres capazes de as infringir, a seu belo-prazer. Ora, segundo a doutrina da incrustação, a má vontade da alma da Lua é que houvera dado causa a que a Terra ficasse incompleta. Há ideias que a si mesmas se refutam.

O autor da carta acima, homem de grande saber, seduzido, um instante, por essa teoria,

logo lhe descobriu os lados vulneráveis e não tardou a combatê-la com as armas da Ciência.


(Revue de Setembro de1868, pág. 261.)

A Génese