sexta-feira, 3 de abril de 2009

Noticias do Brasil


3º Ato Público em Defesa da Vida, em São Paulo

- Lançamentos nas reuniões das Comissões Regionais

- III Fórum do ESDE

- 50 Anos da Casa Espírita André Luiz

- Começou a Semana Chico Xavier em Fortaleza - Feira do livro espírita em Niterói - Jesus, Modelo e Guia na Comunicação Social - Encontro conjunto em São Paulo da AJE e OAB

3º Ato Público em Defesa da Vida, em São Paulo
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A Praça da Sé, em São Paulo, foi palco do 3º Ato Público em Defesa da Vida, no dia 28 de março, último sábado. Perto de cinco mil pessoas acompanharam as alocuções e apresentações artísticas. O evento foi organizado pela dra. Marília de Castro, coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional em Defesa da Vida. Estiveram presentes vários representantes da sociedade civil. Entre outros, usaram da palavra Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo; deputado federal Jorge Tadeu; Antonio Cesar Perri de Carvalho como diretor e representante da Federação Espírita Brasileira; a ex-Senadora Heloísa Helena; Lenise Garcia, presidente do Movimento Nacional em Defesa da Vida e Marlene Rossi S. Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil.
Também esteve presente José Antonio Luiz Balieiro, presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, e Jaime Ferreira Lopes, iniciador deste Movimento Nacional. Cantaram no evento o Padre Marcelo Rossi e a artista Paula Zamp. As tradicionais manifestações do Movimento Nacional em Defesa da Vida, em São Paulo, Brasília e algumas capitais brasileiras, têm assegurado grandes vitórias na Câmara dos Deputados, em defesa da vida e contra a descriminalização do aborto. A Federação Espírita Brasileira integra a diretoria do Movimento Nacional em Defesa da Vida.

Lançamentos nas reuniões das Comissões Regionais
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Entre abril e junho deste ano, serão realizadas as Reuniões das Comissões Regionais do Conselho Federativo Nacional da FEB, oportunidade em que será apresentado o “Projeto Centenário de Chico Xavier”, e serão lançados os materiais de divulgação do 3º Congresso Espírita Brasileiro (Brasília, 16 a 18 de abril de 2010) e o opúsculo da Campanha “Evangelho no Lar e no Coração”.
A primeira Reunião é da Comissão Regional Nordeste, que ocorre nos dias 3, 4 e 5 de abril, em Aracaju tendo como anfitriã a Federação Espírita do Estado de Sergipe. Representantes de nove Estados do Nordeste atuarão em Reuniões dos Dirigentes e das Áreas das Comissões Regionais do CFN: Atendimento Espiritual no Centro Espírita, Atividade Mediúnica, Comunicação Social Espírita, Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, Infância e Juventude, e Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita. Informações: telefone (61) 2101-6188 e cfn@febnet.org.br
III Fórum do ESDE
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A Federação Espírita do Distrito Federal promove, no dia 5 de abril, o III Fórum do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Das 9h às 12h40, a FEDF, situada na SQS 408-Asa Sul, receberá interessados na abordagem do tema “A contribuição do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita na Edificação de um Mundo Melhor”. Informações pelo e-mail: ddd@fedf.org.br

50 Anos da Casa Espírita André Luiz
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A Casa Espírita André Luiz em Rondonópolis (MT) completou 50 anos de atividades e para comemorar será realizada palestra aberta ao público, no dia 24 de abril, com o tema "Autotransformação" e, nos dias 25 e 26 de abril, o Seminário “Como lidar com as emoções". O facilitador para estas atividades será Lacordaire Abrahão Faiad, vice-presidente da Federação Espírita de Mato Grosso. Mais informações: www.feemt.org.br

Começou a Semana Chico Xavier em Fortaleza
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Começou no dia 21 de março a IV Semana Chico Xavier, em Fortaleza (CE) com a abertura da exposição “Um Homem Chamado Amor”, no Shopping Aldeota. Documentos históricos, obras literárias, fotos, e objetos pessoais do médium ficam à disposição do público para visitação gratuita que se estende até o dia 5 de abril. Além disso, no dia 2, a presidente da Associação Médico- -Espírita Internacional, Marlene Nobre faz palestra com o tema “Além Dessa Vida”, no auditório das Faculdades Integradas do Ceará (FIC), às 19h.
Já nos dias 4 e 5 de abril, a peça “E a Vida Continua...”, baseada na obra homônima de Chico Xavier, fica em cartaz no Centro de Convenções, sempre às 19h. Os ingressos podem ser adquiridos na sede da FEEC, nos GEPEs da Piedade e da Água Fria e no stand do Shopping Aldeota. A realização é da Estação da Luz, com apoio da Federação Espírita do Estado do Ceará. Mais informações no site www.semanachicoxavier.com.br

Feira do livro espírita em Niterói
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O esperanto será um dos destaques na 26ª Feira do Livro Espírita de Niterói. Será montada uma barraca na Praça Araribóia, em frente à Estação das Barcas, de 12 e 18 de abril. A direção do Niterói Esperanto Clube está traçando estratégias de divulgação da língua internacional neutra.

Jesus, Modelo e Guia na Comunicação Social
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Sob a coordenação da vice-presidente da Federação Espírita do Paraná, Maria Helena Marcon, o Centro Espírita Caminho do Evangelho, localizado em São José dos Pinhais (PR) recebe, no dia 4 de abril, o Seminário “Jesus, modelo e guia na Comunicação Social”. Serão abordados aspectos como Jesus e os fatos momentosos; os nichos e segmentos – a criança, o jovem, o homem, a massa popular. Informações: (41) 3376-4990 / 9677-8310

Encontro conjunto em São Paulo da AJE e OAB
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A Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo e a Seção Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil realizarão, no dia 16 de abril, no auditório da OAB (Praça da Sé, n° 385, centro da capital paulista), o I Encontro OAB/SP - AJE/SP. Os advogados espíritas Maria Odete Duque Bertasi, Francisco Aranda Gabilán e Genildo Lacerda Cavalcante vão expor ao público o tema "O advogado e sua responsabilidade ético-moral", numa abordagem espírita do exercício profissional da advocacia. Informações: e-mail eventos@ajesaopaulo.com.br www.ajesaopaulo.com.br

quinta-feira, 26 de março de 2009

Bem-aventurados os que são brandos e pacificos


BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS
Injúrias e violências. - Instruções dos Espíritos: A afabilidade e a doçura. - A
paciência. - Obediência e resignação. - A cólera.

Injúrias e violências

1. Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S.
MATEUS, cap. V, v. 4.)

2. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.
9.)

3. Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá
condenação pelo juízo. - Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

4. Por estas máximas, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da
afabilidade e da paciência, uma lei. Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda expressão descortês de que alguém possa usar para com seus semelhantes. Raca, entre os hebreus, era um termo desdenhoso que significava homem que não vale nada, e se pronunciava cuspindo e virando para o lado a cabeça. Vai mesmo mais longe, pois que ameaça com o fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.
Evidente se torna que aqui, como em todas as circunstâncias, a intenção agrava ou
atenua a falta; mas, em que pode uma simples palavra revestir-se de tanta gravidade que
mereça tão severa reprovação? E que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na fraternidade que entretém o ódio e a animosidade; é' enfim, que, depois da humildade para com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.

5. Mas, que queria Jesus dizer por estas palavras: "Bem-aventurados os que são
brandos, porque possuirão a Terra", tendo recomendado aos homens que renunciassem aos bens deste mundo e havendo-lhes prometido os do céu?
Enquanto aguarda os bens do céu, tem o homem necessidade dos da Terra para viver.
Apenas, o que ele lhe recomenda é que não ligue a estes últimos mais importância do que aos primeiros.
Por aquelas palavras quis dizer que até agora os bens da Terra são açambarcados pelos
violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o
necessário, ao passo que outros têm o supérfluo. Promete que justiça lhes será feita, assim na Terra como no céu, porque serão chamados filhos de Deus. Quando a Humanidade se submeter à lei de amor e de caridade, deixará de haver egoísmo; o fraco e o pacífico já não serão explorados, nem esmagados pelo forte e pelo violento. Tal a condição da Terra, quando, de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, se houver tornado mundo ditoso, por efeito do afastamento dos maus.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A afabilidade e a doçura

6. A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a
afabilidade e a doçura, que lhe são as formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que fiar nas aparências. A educação e a frequentação do mundo podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que são brandas, desde que nada as agaste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando estão por detrás.
A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos
domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: "Aqui mando e sou obedecido", sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: "E sou detestado."
Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está
associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se
desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana. - Lázaro. (Paris, 1861.)

A paciência

7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando
sofrerdes; antes, bendizei de Deus omnipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade
ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, consequentemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.
A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de
alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.
Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu ele do que qualquer
de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado e de vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume tudo. - Um Espírito amigo. (Havre, 1862.)
Obediência e resignação

8. A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação,
duas virtudes companheiras da doçura e muito activas, se bem os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças activas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime não pode ser resignado, do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a encarnação dessas virtudes que a antiguidade material desprezava. Ele veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção. Veio fazer que, no seio da Humanidade deprimida, brilhassem os triunfos do sacrifico e da renúncia carnal.
Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar
ou perder. A virtude da vossa geração é a actividade intelectual; seu vicio é a indiferença moral. Digo, apenas, actividade, porque o génio se eleva de repente e descobre, por si só, horizontes que a multidão somente mais tarde verá, enquanto que a actividade é a reunião dos esforços de todos para atingir um fim menos brilhante, mas que prova a elevação intelectual de uma época. Submetei-vos à impulsão que vimos dar aos vossos espíritos; obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do espírito preguiçoso, ai daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! porquanto nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego e lhe submeteremos a vontade rebelde, por meio da dupla acção do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa terá de, cedo ou tarde, ser vencida. Bem-aventurados, no entanto, os que são brandos, pois prestarão dócil ouvido aos ensinos. - Lázaro. (Paris, 1863.)

A cólera

9. O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma
comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? - Entregais-vos à cólera.
Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao
bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.
Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objectos
inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objecto de piedade.
Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a
vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!
Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito
bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. - Um Espírito protector. (Bordéus, 1863.)

10. Segundo a ideia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria
natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.
E assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. E ainda uma consequência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.
Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a actos violentos,
como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos actos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro carácter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.
O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros
vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode actuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. - Hahnemann. (Paris, 1863.)

Referencia: O evangelho segundo o espiritismo

domingo, 1 de março de 2009

Amor além da vida


AMOR ALÉM da VIDA
O filme mostra vários fundamentos da doutrina espírita, tais como: as conseqüências do suicídio, o poder do pensamento, os diferentes planos espirituais, a psicografia, e a influenciação dos espíritos sobre as pessoas encarnadas. Chris Nielsen (Robin Williams) e Annie (Annabella Sciorra) viviam muito felizes até que seus dois filhos morreram em um acidente. Agora o casal bastante afetado tenta superar a morte dos filhos e levar a vida adiante. Mas quatro anos depois Chris morre também em um acidente e vai para o Paraíso. Lá descobre que tudo pode acontecer e que Annie desiludida comete suicídio e por isso não poderão se encontrar, uma vez que quem comete suicídio é enviado para outro lugar. Mas mesmo assim Chris fará de tudo para que eles se reencontrem, mesmo sabendo que Annie não o reconhecerá caso isso aconteça.



NOTICIAS DO BRASIL



- Seminário e Confraternização na Região de Araçatuba
- A Tarefa e o Tarefeiro- Curso sobre Gestão de Centros
- Múltiplos Eventos em Pernambuco
- Congresso Espírita de Goiás atinge alto índice de transmissão

- Curso para monitores e coordenadores do ESDE

- Seminário Herculano, Tempo e Espírito

- Conferência Estadual


Seminário e Confraternização na Região de Araçatuba


A USE Intermunicipal de Araçatuba (SP) realiza no dia 15 de março, no Centro Espírita Varas da Videira, o seminário “Centro Espírita: finalidades e atividades” desenvolvido por Antonio Cesar Perri de Carvalho e Célia Maria Rey de Carvalho, dentro do Projeto Interiorização do Movimento Espírita, da Secretaria-Geral do CFN. No dia 29 de março será realizada a já tradicional Confraternização Espírita da Alta Noroeste, CONEAN, um encontro dos espíritas no âmbito da USE Regional de Araçatuba que abrange as instituições de Araçatuba, Auriflama, Biriguí, Guararapes e Penápolis. Neste ano será em Buritama, que integra a USE Intermunicipal de Birigui, nas dependências do Centro Educacional "Benedita Fernandes", que estará comemorando vinte anos de atividades, sendo expositores Luiz Carlos Barros Costa e Jamiro dos Santos Filho. Informações: http://www.guiata.com.br/use

A Tarefa e o Tarefeiro


“A Tarefa e o Tarefeiro” será o tema a ser desenvolvido em seminário promovido pela Federação Espírita Roraimense, nos dias 14 e 15 de março. O evento contará com a atuação de Marco Leite, da equipe da Secretaria-Geral do CFN. Informações: http://www.fer-roraima.org/

Curso sobre Gestão de Centros


A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realiza na sede da USE Municipal de Bauru, reunião para esclarecimentos e preparativos para implantação do Curso “Gestão de Centros Espíritas”. Esta reunião será coordenada pelo secretário-geral da USE, Paschoal Bovino e contará com a atuação de Roberto Fuina Versiani e Edmar Cabral Júnior, da equipe da Secretaria- Geral do CFN. Informações: bovino@superig.com.br

Múltiplos Eventos em Pernambuco


Vários eventos serão produzidos pela Federação Espírita de Pernambuco, em sua sede, em março: no dia 7, inicia cursos sobre “Tribuna Espírita” e sobre Esperanto. Nos dias 7 e 8, Maria Euny Herrera Masotti (FEB) desenvolve curso sobre passe. No dia 15, ocorre o “Encontro Estadual sobre o Idoso na Casa Espírita”. Dentro do programa do INTECEPE – Integração dos Centros Espíritas de Pernambuco, será desenvolvido o seminário “Dimensões Espirituais do Centro Espírita”, em Nazaré da Mata, nos dias 21 e 22 de março. Mais informações: http://www.federacaoespiritape.org/

Congresso Espírita de Goiás atinge alto índice de transmissão


O 25º Congresso Espírita Estadual, em Goiânia (GO), teve acesso ampliado com transmissão ao vivo, tendo sido registrados, ao todo, 11.726 acessos pela internet. O evento ocorreu nos dias 21, 22, 23 e 24 de fevereiro e contou com participação dos oradores Divaldo Pereira Franco, Suely Caldas Schubert e Alberto Almeida. Todas as palestras e estudos partiram do tema central “A Era do Espírito”. A FEB esteve representada pelo seu diretor João Pinto Rabelo.O objetivo do Conselho Espírita Internacional (CEI) é viabilizar a transmissão de palestras e congressos espíritas de várias partes do Brasil e do mundo. É possível assistir os eventos no site da TV do Conselho Espírita Internacional (TVCEI): http://www.tvcei.com/

Curso para monitores e coordenadores do ESDE


Com realização por parte da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, ocorrerá no dia 1º de março, das 8h30 às 17h30, o Curso de preparação de monitores e coordenadores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Coordenador por Julia Nezu, o curso tem como objetivo apresentar o programa do ESDE e preparar monitores e Coordenadores para implantação do curso na casa espírita que milita; troca de experiências com aqueles que já implantaram o ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. São aguardados expositores, dirigentes e trabalhadores de instituições espíritas. O Curso acontecerá na Sede da USE - Rua Dr. Gabriel Piza, 433 - Santana (na rua do Metrô Santana) - São Paulo, SP. Inscrição pelo e-mail: use@use-sp.com.br e julianezu@terra.com.br

Seminário Herculano, Tempo e Espírito


A Associação Brasileira de Pedagogia Espírita promove, no dia 7 de março, o Seminário “Herculano, Tempo e Espírito”, com o lançamento do livro inédito de José Herculano Pires "Relação Corpo-Espírito". Como parte da programação serão apresentadas palestras diversas com temas como: “Herculano, o homem, a vida” - Heloísa Pires, “Abrangências e diálogos: o literato, o filósofo, o jornalista e o educador” - Dora Incontri; “Filosofia em Herculano” - Alysson Leandro Mascaro; “O Centro Espírita” - Mauro Spínola; “Herculano e Kardec” - Francisco Cajazeiras. O evento ocorrerá no Centro de Convenções Rebouças (Av. Rebouças, 600). Informações e inscrições: Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (11) 4032-8515 e abpe@uol.com.br

Conferência Estadual


Com a coordenação de Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira, Cosme Massi, Alberto Almeida e Sandra Borba Pereira, acontece, de 13 a 15 de março, a 11ª Conferência Estadual Espírita, promovida pela Federação Espírita do Paraná, com o tema geral "Família". O presidente da FEB, Nestor João Masotti comparecerá ao evento que será realizado nas dependências da Expotrade, na cidade de Pinhais. Diversas temáticas serão abordadas, como “Vida: desafios e soluções”, “Primeiras lições de moral da infância”, “Relações pais e filhos: um exercício de amor e crescimento”, “Em torno de uma ética familiar” e “Uma proposta de educação espírita”. Informações: http://www.feparana.com.br/



terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Obsedados e subjugados


Obsedados e subjugados

Frequentemente, se tem falado dos perigos do Espiritismo, e é de notar-se que aqueles que
mais protestam a esse respeito são precisamente os que o conhecem pouco, quase só de
nome. Já refutamos os principais argumentos que lhe são opostos, e não voltaremos a eles;
acrescentaremos somente que querendo-se proscrever da sociedade tudo o que pode
oferecer perigo e dar lugar a abusos, não sabemos o que restaria, mesmo das coisas de
primeira necessidade, a começar pelo fogo, causa de tantas infelicidades, depois as estradas
de ferro, etc., etc. Crendo-se que as vantagens compensam os inconvenientes, deve ser a
mesma coisa em tudo; a experiência indica, sucessivamente, as precauções a tomar para se
garantir quanto ao perigo das coisas que não se podem evitar.

O Espiritismo apresenta, com efeito, um perigo real, mas não é aquele que se crê, é preciso
estar iniciado nos princípios da ciência para bem compreender. Não é somente àqueles que
lhe são estranhos que nos dirigimos; é aos próprios adeptos, aqueles que o praticam, porque
o perigo é para eles. Importa que o conheçam, a fim que se mantenham em guarda: perigo
previsto, sabe-se, é a metade evitada. Diremos mais: aqui, para quem está bem
compenetrado da ciência, ele não existe; não existe senão para aqueles que crêem saber e
não sabem; quer dizer, como em todas as coisas, para aqueles a quem falta a experiência
necessária.

Um desejo bem natural, em todos aqueles que começam a se ocupar do Espiritismo, é de ser
médium, mas sobretudo, médium escrevente. Com efeito, é o género que oferece mais
atractivo pela facilidade das comunicações, e que pode melhor se desenvolver pelo exercício.
Compreende-se a satisfação que deve experimentar aquele que, pela primeira vez, vê serem
formadas, sob sua mão, as letras, depois as palavras, depois as frases que respondem ao seu
pensamento.

Essas respostas que traça maquinalmente, sem saber o que faz, que estão, o mais
frequentemente, fora de todas as suas ideias pessoais, não podem deixar-lhe nenhuma
dúvida sobre a intervenção de uma inteligência oculta; também sua alegria é grande em
poder conversar com os seres de além-túmulo, com esses seres misteriosos e invisíveis que
povoam os espaços; seus parentes e seus amigos não estão mais ausentes; se não os vê
pelos olhos, não deixam de estar ali; falam com ele, os vê pelo pensamento; pode saber se
são felizes, o que fazem, o que desejam, trocar com eles boas palavras; compreende que sua
separação não é eterna, e acelera com seus votos o instante em que poderá reunir-se a eles
num mundo melhor. Isso não é tudo; quanto não vai saber por meio dos Espíritos que se
comunicam por ele! Não vão levantar o véu de todas as coisas? Desde logo, nada mais de
mistérios; não tem senão de interrogar, vai tudo conhecer. Já vê a antiguidade sacudir,
diante dele, a poeira dos tempos, remexer as ruínas, interpretar as escrituras simbólicas e
fazer reviver, aos seus olhos, os séculos passados. Este, mais prosaico, e pouco cuidadoso
em sondar o infinito onde seu pensamento se perde, sonha, muito simplesmente, explorar os
Espíritos para fazer fortuna. Os Espíritos que devem tudo ver, tudo saber, não podem recusar
fazer-lhe descobrir algum tesouro oculto ou algum segredo maravilhoso. Quem se deu ao
trabalho de estudar a ciência espírita, jamais se deixará seduzir por esses belos sonhos; sabe
a que se prender sobre o poder dos Espíritos, sobre sua natureza e sobre o objectivo das
relações que o homem pode estabelecer com eles. Lembraremos, primeiro, em poucas
palavras, os pontos principais que não é preciso jamais perder de vista, porque são como a
chave da abóbada do edifício.

1º Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em saber, nem em sabedoria. Não sendo
outra coisa senão as almas humanas desembaraçadas de seu envoltório corpóreo,
apresentam ainda mais variedade do que não as encontramos entre os homens na Terra,
porque vêm de todos os mundos; e que entre os mundos, a Terra não é nem o mais atrasado
nem o mais avançado. Há, pois, Espíritos muito superiores, e outros muito inferiores; muito
bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes; há levianos, malignos, mentirosos,
velhacos, hipócritas, engraçados, espirituosos, zombadores, etc.

2º Estamos, sem cessar, cercados de um enxame de Espíritos que, por estarem invisíveis aos
nossos olhos materiais, não deixam de estar no espaço, ao redor de nós, ao nosso lado,
espiando nossas acções, lendo em nossos pensamentos, uns para nos fazerem o bem, outros
para nos fazerem o mal, segundo sejam mais ou menos bons.

3º Pela inferioridade, física e moral, de nosso globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos
inferiores neles são mais numerosos que os Espíritos superiores.

4º Entre os Espíritos que nos cercam, há os que se ligam a nós, que agem mais
particularmente sobre o nosso pensamento, nos aconselham, e dos quais seguimos o
impulso, com o nosso desconhecimento; felizes se escutamos a voz daqueles que são bons.

5º Os Espíritos inferiores não se ligam senão àqueles que os escutam, junto aos quais têm
acesso, e aos quais se prendem. Se chegam a imperar sobre alguém, se identificam com o
seu próprio Espírito, o fascinam, o obsedam, o subjugam e o conduzem como uma verdadeira
criança.

6º A obsessão jamais se dá senão pelos Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não fazem
experimentar nenhum constrangimento; eles aconselham, combatem a influência dos maus,
e se não são escutados, afastam-se.

7º O grau do constrangimento e a natureza dos efeitos que ela produz marcam a diferença
entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.

A obsessão é a acção, quase que permanente, de um Espírito estranho que faz que se seja
solicitado, por uma necessidade incessante, a agir em tal ou tal sentido, a fazer tal ou tal
coisa.

A subjugação é uma ligação moral que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o impele aos
actos mais insensatos e, frequentemente, mais contrários aos seus interesses.

A fascinação é uma espécie de ilusão produzida, seja pela acção directa de um Espírito
estranho, seja por seus raciocínios capciosos, ilusão que engana sobre as coisas morais,
falseia o julgamento e faz tomar o mal pelo bem.

8º O homem pode sempre, pela sua vontade, sacudir o jugo dos Espíritos imperfeitos,
porque, em virtude de seu livre arbítrio, tem a escolha entre o bem e o mal. Se o
constrangimento chegou ao ponto de paralisar sua vontade, e se a fascinação é muito grande
para obliterar o seu julgamento, a vontade de uma outra pessoa pode substituí-la.

Dava-se, outrora, o nome de possessão ao império exercido pelo maus Espíritos, quando sua
influência ia até à aberração das faculdades; mas a ignorância e os preconceitos,
frequentemente, fizeram tomar por uma possessão o que não era senão o resultado de um
estado patológico. A possessão seria, para nós, sinónimo da subjugação. Se não adoptamos
esse termo, foi por dois motivos: o primeiro porque implica a crença em seres criados para o
mal e perpetuamente votados ao mal, ao passo que não há senão seres mais ou menos
imperfeitos, que todos podem melhorar-se; o segundo porque implica, igualmente, a ideia de
uma presa de possessão do corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação,
ao passo que não há senão constrangimento. A palavra subjugação reflecte perfeitamente o
pensamento. Assim, para nós, não há possessos no sentido vulgar da palavra, não há senão
obsedados, subjugados e fascinados.

Foi por um motivo semelhante que não adoptamos a palavra demónio para designar os
Espíritos imperfeitos, embora esses Espíritos, frequentemente, não valham mais que aqueles
que se chamam demónios; foi unicamente por causa da ideia de especialidade e de
perpetuidade que se liga a essa palavra. Assim, quando dizemos que não há demónios, não
pretendemos dizer que não há senão bons Espíritos, longe disso; convenientemente,
sabemos que há maus e muito maus, que nos solicitam para o mal, nos estendem
armadilhas, e isso nada tem de admirar, uma vez que foram homens; queremos dizer que
não formam uma classe à parte, na ordem da criação, e que Deus deixa a todas as suas
criaturas o poder de se melhorarem.

Isto estando bem entendido, voltemos aos médiuns. Em alguns, os progressos são lentos,
muito lentos mesmo, e, frequentemente, colocam a paciência em uma rude prova. Em outros
são rápidos, e, em pouco tempo, o médium chega a escrever com tanta facilidade e, algumas
vezes, mais prontidão do que não o faria em seu estado comum. É então que ele pode se
tomar de entusiasmo, e aí está o perigo, porque o entusiasmo enfraquece, e com os Espíritos
é preciso ser forte. Dizer que o entusiasmo enfraquece, parece um paradoxo; e, todavia,
nada de mais verdadeiro. O entusiasmo, dir-se-á, caminha com uma convicção e uma
confiança que o faz superar todos os obstáculos, tem, pois, mais força. Sem dúvida; mas
entusiasma-se pelo falso tão bem quanto pelo verdadeiro; aferrai-vos às mais absurdas
ideias do entusiasta e delas fareis tudo o que quiserdes; o objecto de seu entusiasmo tem,
pois, seu lado fraco, e por aí podereis sempre dominá-lo. O homem frio e impassível, ao
contrário, vê as coisas sem brilho; combina-as, pesa-as, amadurece-a e não é seduzido por
nenhum subterfúgio: é o que lhe dá a força. Os Espíritos malignos, que sabem disso tão bem
e melhor do que nós, sabem também aproveitá-lo para subjugar aqueles que querem ter sob
sua dependência, e a faculdade de escrever como médium lhes serve maravilhosamente,
porque é um meio poderoso de captar a confiança, também não se lhes falta se o médium
não souber colocar-se em guarda contra eles; felizmente, como veremos mais tarde, o mal
traz em si o remédio.

Seja entusiasmo, seja fascinação dos Espíritos, seja amor próprio, o médium psicógrafo,
geralmente, é levado a crer que os Espíritos que se comunicam consigo são Espíritos
superiores, e isso tanto melhor que esses Espíritos vendo sua propensão não deixam de se
enfeitar com títulos pomposos, se for preciso e segundo as circunstâncias, tomam nomes de
santos, de sábios, de anjos, da Virgem Maria mesmo e desempenham seu papel, como
comediantes vestidos com as roupas dos personagens que representam; arrancai-lhes a
máscara e eles se tornarão Gros-Jean como antes; é aí que é preciso saber fazer com os
Espíritos como com os homens.

Da crença cega e irreflectida na superioridade dos Espíritos que se comunicam, à confiança em
suas palavras, não há senão um passo, sempre como entre os homens. Se chegam a inspirar
essa confiança, a conservam pelos sofismas e os mais capciosos raciocínios, os quais,
frequentemente, são aceitos sem reflectir. Os Espíritos grosseiros são menos perigosos; são
reconhecidos logo e não inspiram senão a repugnância; aqueles que são os mais temíveis,
em seu mundo como no nosso, são os Espíritos hipócritas; não falam jamais senão com
doçura, lisonjeiam as inclinações; são carinhosos, insinuantes, pródigos de palavras e de
ternura, de protestos de devotamente. É preciso ser verdadeiramente forte para resistir a
semelhantes seduções. Mas onde está o perigo, dir-se-á, com Espíritos impalpáveis? O perigo
está nos conselhos perniciosos que dão, sob a aparência da benevolência, nas providências
ridículas, intempestivas ou funestas que fazem empreender. Vimo-los fazer, certos
indivíduos, correrem de país em país à procura das mais fantásticas coisas, com risco de
comprometerem a saúde, a fortuna e a própria vida. Vimo-los ditarem, com todas as
aparências da gravidade, as coisas mais burlescas, as máximas mais estranhas. Como é bom
colocar o exemplo ao lado da teoria, vamos narrar a história de uma pessoa, de nosso
conhecimento, que se achou sob o império de uma fascinação semelhante.

O senhor F..., jovem instruído, de esmerada educação, de um carácter doce e benevolente,
mas um pouco fraco e sem resolução pronunciada, havia se tornado, prontamente, médium
escrevente muito hábil. Obsedado pelo Espírito que se apossou dele e não lhe dava nenhum
repouso, ele escrevia sem cessar, desde que uma caneta, um lápis lhe caísse na mão, os
tomava por um movimento convulsivo e se punha a encher páginas inteiras, em alguns
minutos. Na falta do instrumento, simulava escrever com o dedo, por toda a parte que se
encontrasse, nas ruas, nas paredes, nas portas, etc., entre outras coisas que lhe ditava, esta
era uma: "O homem é composto de três coisas: o homem, o mau Espírito e o bom Espírito.
Tendes todos vosso mau Espírito que está ligado ao corpo por laços materiais. Para expulsar
o mau Espírito, é preciso quebrar esses laços, e para isso é preciso enfraquecer o corpo.
Quando o corpo está suficientemente enfraquecido, o laço se rompe, o mau Espírito se vai, e
não fica senão o bom." Em consequência dessa bela teoria, fizeram-no jejuar durante cinco
dias consecutivos e vigiar à noite. Quando estava extenuado, disseram-lhe: "Agora o negócio
está feito, o laço está rompido; teu mau Espírito partiu, não resta mais senão nós, que é
preciso acreditar sem reservas." E ele, persuadido de que seu mau Espírito havia fugido,
acrescentava uma fé cega a todas as suas palavras. A subjugação chegada a esse ponto, que
se lhe tivesse dito para lançar-se às águas ou partir para os antípodas, tê-lo-ia feito. Quando
queriam levá-lo a fazer alguma coisa que lhe repugnava, sentia-se empurrado por uma força
invisível. Damos uma amostra de sua moral; por ela se julgará o resto.

" Para ter as melhores comunicações, é preciso: 1º Orar e jejuar durante vários dias, uns
mais, outros menos; esse jejum relaxa os laços que existem entre o eu e um demónio
particular ligado a cada eu humano. Esse demónio está ligado a cada pessoa pelo envoltório
que une o corpo e a alma. Esse envoltório, enfraquecido pela falta de alimentação, permite
aos Espíritos arrancar esse demónio. Jesus desce, então, no coração da pessoa possuída, .no
lugar do mau Espírito. Esse estado de possuir Jesus em si é único meio de chegar a toda a
verdade, e muitas outras coisas.

" Quando a pessoa conseguiu substituir o demónio por Jesus, não tem ainda a verdade. Para
ter a verdade, é preciso crer, Deus não dá jamais a verdade àqueles que duvidam: seria fazer
alguma coisa de inútil, e Deus não faz nada em vão. Como a maioria dos médiuns novos
duvida do que diz ou escreve, os bons Espíritos são forçados, com seu pesar, pela ordem
formal de Deus, a mentir, e não podem senão mentir enquanto o médium não está
convencido', mas vindo a crer firmemente numa destas mentiras, logo os Espíritos elevados
se apressam em lhe revelar os segredos do céu: a verdade completa dissipa, num instante,
essa nuvem de erros da qual foram forçados para cobrir seu protegido.

" O médium chegado a esse ponto nada tem mais a temer, os bons Espíritos jamais o
deixarão. Que não creia, entretanto, ter sempre a verdade, e nada senão a verdade. Os bons
Espíritos, seja para prová-lo, seja para puni-lo por suas faltas passadas, seja para castigar
questões egoísticas ou curiosas, lhe infligem correcções físicas e morais, vêm atormentá-lo da
parte de Deus. Esses Espíritos elevados, frequentemente, se lamentam pela triste missão que
cumprem: um pai persegue seu filho semanas inteiras, um amigo seu amigo, tudo para
maior felicidade do médium. Os nobres Espíritos, então, dizem loucuras, blasfémias e mesmo
torpezas. E preciso que o médium se firme e diga: Vós me tentais; sei que estou nas mãos
caridosas de Espíritos bons e afectuosos; que os maus não podem mais se aproximar de mim.
Boas almas que me atormentais, não me impedireis de crer no que me dissestes e no que me
direis ainda.

" Os católicos expulsam mais facilmente o demónio (esse jovem era protestante), porque
afastam um instante o dia do baptismo. Os católicos são julgados pelo Cristo, e os outros por
Deus; vale mais ser julgado pelo Cristo. Os protestantes erram em não admitir isso: também
é preciso fazer-te católico o mais cedo possível; à espera disso vai tomar água benta: esse
será teu baptismo."

Nota. - O jovem em questão, estando curado mais tarde da obsessão da qual era objecto,
pelos meios que relataremos, lhe havíamos pedido para nos escrever a história e dar-nos os
próprios textos dos preceitos que lhe foram ditados. Transcrevendo-os, acrescentou na cópia
que nos remeteu: eu me pergunto se não ofendo a Deus e os bons Espíritos transcrevendo
semelhantes tolices. A isso nós lhe respondemos: Não, não ofendeis a Deus; longe disso,
uma vez que reconheceis agora a armadilha na qual havíeis caído. Se vos pedi a cópia dessas
máximas perversas, foi para desonrá-las como o merecem, desmascarar os Espíritos
hipócritas, e colocar em guarda quem receber semelhante coisa.

Um dia lhe fizeram escrever Morrerás esta noite; a que ele respondeu: Estou muito entediado
deste mundo; morramos se for preciso, não peço nada melhor; que eu não sofra mais, é tudo
o que desejo. - À noite adormeceu, crendo firmemente não mais despertar na Terra. No dia
seguinte, ficou todo surpreso, e mesmo desapontado, em se encontrar em seu leito
costumeiro. Durante o dia, escreveu: "Agora que passaste pela prova da morte, que creste
firmemente morrer, estás como morto para nós; podemos dizer-te toda a verdade; saberás
tudo; não há nada oculto para nós; não haverá nada mais oculto para ti. Tu és Shakespeare
reencarnado. Shakespeare não é tua bíblia para ti?" (O senhor F... sabia perfeitamente o
inglês, e se comprazia na leitura das obras-primas dessa língua).

No dia seguinte escreveu: Tu és Satã. - Isto começa a ficar muito forte, respondeu o senhor
F... - Não fizeste... Não, devoraste o paraíso perdido? Aprisionaste a Filha do diabo de
Bérangen sabias que Satã se converteria: Não o acreditaste sempre, dito sempre, escrito
sempre? Para se converter ele se reencarna. Eu gostaria de ter sido um anjo rebelde
qualquer; mas o rei dos anjos...! - Sim, eras o anjo da nobreza; não eras mau, confiaste eu
teu coração; é essa altivez que é preciso abater; eras o anjo do orgulho, e os homens o
chamam Satã, que importa o nome! Tu foste o mau génio da Terra... Eis-te humilhado... Os
homens vão progredir... Verás maravilhas. Enganaste os homens; enganaste a mulher na
personificação de Eva, a mulher pecadora. Está dito que Maria, a personificação da mulher
sem mácula, esmagar-te-á a cabeça; Maria virá. - Um instante depois ele escreveu
lentamente e com doçura: "Maria vem te ver; Maria, que foi te procurar no fundo de teu
reino de trevas, não te abandonará Eleva-te, Satã, e Deus está pronto a te estender os
braços. Leia o Filho pródigo. Adeus."

Numa outra vez escreveu: "A serpente disse a Eva: Vossos olhos estarão abertos e sereis
como deuses. O demónio disse a Jesus: Eu te darei todo o poder. A ti o disse uma vez que
creste em nossas palavras: Nós te amamos; saberás tudo... Tu serás rei da Polónia."

"Perseverarás nas boas disposições onde te colocamos. Esta lição dá um grande passo à
ciência espírita. Ver-se-á que os bons Espíritos podem dizer futilidades e mentiras para se
divertirem com os sábios. Allan Kardec disse que esse era um meio mau para reconhecer os
Espíritos, em fazê-los confessar Jesus em carne. Eu digo que só os bons Espíritos confessam
Jesus em carne e eu o confesso. Diga isso a Kardec."

Todavia o Espírito teve o pudor de não aconselhar o senhor F... para imprimir essas belas
máximas; se o tivesse dito tê-lo-ia feito, sem nenhuma dúvida e seria uma ação má, porque
deu-as como uma coisa séria.

Encheríamos um volume com todas as tolices que lhe foram ditadas e com todas as
circunstâncias que a seguiram. Fizeram-no, entre outras coisas, desenhar um edifício cujas
dimensões eram tais que as folhas de papel necessárias, coladas em conjunto, ocuparam a
altura de dois andares.

Notar-se-á que, em tudo isso, não há nada de grosseiro, nada de trivial; é uma sequência de
raciocínios sofísticos que se encadeiam com uma aparência de lógica. Há, nos meios
empregados para enganar, uma arte verdadeiramente infernal e se pudéssemos narrar todas
essas conversas, ver-se-ia até que ponto se estendia a astúcia e com que agilidade as
palavras melosas eram prodigalizadas oportunamente. O Espírito que desempenhava o
principal papel, nesse assunto, tomava o nome de François Dillois, quando não se cobria com
a máscara de um nome respeitado. Soubemos mais tarde o que esse Dillois fora quando vivo,
e então nada nos admirou mais em sua linguagem. Mas, no meio de todas essas
extravagâncias, era fácil reconhecer um bom Espírito que lutava por fazer ouvir, de tempo
em tempo, algumas boas palavras para desmentir os absurdos dos outros; havia um combate
evidente, mas a luta era desigual; o jovem estava de tal modo subjugado, que a voz da razão
era impotente sobre ele. O Espírito de seu pai, particularmente, fê-lo escrever isto: "Sim,
meu filho, coragem! Sofres uma rude prova, que é para o teu bem futuro; infelizmente nada
posso, neste momento, para dela te livrar, isso me custa muito. Vai ver Allan Kardec; escuta-o
e ele te salvará."

O senhor F..., com efeito, veio me procurar contou-me sua história; fi-lo escrever em minha
presença, e, desde o início, reconheci, sem dificuldade, a influência perniciosa sob a qual se
encontrava, seja pelas palavras, seja por certos sinais materiais que a experiência faz
reconhecer e que não podem enganar. Retornou várias vezes; empreguei toda a força de
minha vontade para chamar os bons Espíritos por seu intermédio, toda a minha retórica, para
provar-lhe que era o joguete de Espíritos detestáveis; o que ele escrevia não tinha o senso
comum, e além disso era profundamente imoral; associei-me, para esta obra caridosa, a um
dos meus colegas mais devotados, o senhor T..., e, por nós dois, pouco a pouco, chegamos a
fazê-lo escrever coisas sensatas. Tomou aversão pelo seu mau génio, repelia-o, por sua
vontade, cada vez que tentava se manifestar, e, pouco a pouco, só os bons Espíritos
sobressaíam. Para desviar suas idéias, se entregava, da manhã à noite, segundo o conselho
dos Espíritos, a um trabalho rude que não lhe deixava tempo para escutar as más sugestões.
O próprio Dillois acabou por se confessar vencido e por exprimir o desejo de se melhorar em
uma nova existência; confessou o mal que havia querido fazer, e disso testemunhou seu
arrependimento. A luta foi longa, penosa, e ofereceu particularidades verdadeiramente
curiosas para o observador. Hoje que o senhor F... se sente livre, está feliz; parece-lhe estar
aliviado de um fardo; retomou sua alegria, e nos agradece pelo serviço que lhe prestamos.

Certas pessoas deploram que haja Espíritos maus. Com efeito, não é sem um certo
desencantamento que se encontra a perversidade nesse mundo, onde não se gostaria de
encontrar senão seres perfeitos. Uma vez que as coisas são assim, nada podemos: é preciso
tomá-las tais como são. É nossa própria inferioridade que faz com que os Espíritos
imperfeitos pululem ao nosso redor; as coisas mudarão quando formos melhores, assim como
ocorre nos mundos mais avançados. À espera disso, enquanto estamos ainda no fundo do
universo moral, somos advertidos: compete a nós colocarmo-nos em guarda e não aceitar,
sem controle, tudo o que se nos diz. A experiência, esclarecendo-nos, deve tornar-nos
circunspectos. Ver e compreender o mal é um meio de se preservar dele. Não haveria cem
vezes mais perigo em se iludir sobre a natureza dos seres invisíveis que nos cercam? Ocorre
o mesmo nesse mundo, onde, cada dia, estamos expostos à malevolência e às sugestões
pérfidas: essas são tantas outras provas às quais nossa razão, nossa consciência e nosso
julgamento nos dão os meios para resistir. Quanto mais a luta for difícil, maior será o mérito
pelo sucesso: "Vencendo sem perigo, triunfa-se sem glória."

Essa história que, infelizmente, não é a única do nosso conhecimento, levanta uma questão
muito grave. Não foi, para esse homem jovem, dir-se-á, uma coisa deplorável ser médium?
Não foi essa faculdade que lhe causou a obsessão da qual era objecto? Em uma palavra, não é
uma prova do perigo das comunicações espíritas?

Nossa resposta é fácil, e pedimos meditá-la com cuidado.

Não foram os médiuns que criaram os Espíritos, estes existem de todos os tempos, e em
todos os tempos exerceram sua influência, salutar ou perniciosa, sobre os homens. Não há,
pois, a necessidade de ser médium para isso. A faculdade medianímica, para eles, não é
senão um meio de se manifestarem; à falta dessa faculdade, fazem-no de mil outras
maneiras. Se esse jovem não fosse médium, não estaria menos sobre a influência desse mau
Espírito que, sem dúvida, tê-lo-ia feito cometer extravagâncias que não se poderiam atribuir
a qualquer outra causa. Felizmente para ele, a sua faculdade de médium, permitindo ao
Espírito se comunicar por palavras, foi por essas palavras que o Espírito se traiu; elas
permitiram conhecer a causa do mal que poderia ter sido, para ele, de consequências
funestas, e que destruímos, como se viu, por meios bem simples, bem racionais, e sem
exorcismo. A faculdade mediúnica permitiu ver o inimigo, se assim se pode dizer, face a face,
e combatê-lo com as suas próprias armas. Pode-se, pois, com inteira certeza, dizer que ela o
salvou; quanto a nós, não fomos senão os médicos que, julgando a causa do mal, aplicamos
o remédio. Seria um grave erro crer que os Espíritos não exercem sua influência senão pelas
comunicações escritas ou verbais; essa influência é de todos os instantes, e aqueles que não
crêem nos Espíritos a ela estão expostos como os outros, e mesmo mais expostos que os
outros, porque não têm contrapeso. A quantos actos não se é compelido, para sua infelicidade,
e que se teria evitado tendo um meio de se esclarecer! Os mais incrédulos não crêem ser tão
verdadeiros quando dizem, de um homem, que se engana com obstinação: São maus génios
que o empurram para a sua perdição.

Regra geral. Quem tem más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob uma
influência má; essa influência se exerce sobre ele, quer escreva ou não escreva, quer dizer,
quer seja ou não médium. A escrita dá um meio de se assegurar da natureza dos Espíritos
que actuam sobre ele, e de combatê-los, o que se faz, ainda, com mais sucesso, quando se
chega a conhecer o motivo que os faz agir. Se é bastante cego para não compreendê-lo,
outros podem abrir-lhe os olhos. Aliás, é necessário ser médium para escrever absurdos? E
quem diz que, entre todas as elocuções ridículas ou perigosas, não há aquelas cujos
autores são impelidos por algum Espírito malevolente? As três quartas partes de nossas más
acções e de nossos maus pensamentos são o fruto dessa sugestão oculta.

Se o senhor F... não fosse médium, perguntar-se-á, poderia ele mesmo fazer essa obsessão
cessar? Seguramente; somente os meios teriam diferido, segundo as circunstâncias; mas,
então, os Espíritos não podendo nos dirigir, como o fizeram, provavelmente, ter-se-ia
desprezado a causa, se não houvera manifestação espírita ostensiva. Todo homem que disso
tem vontade, e que é simpático aos bons Espíritos, pode sempre, com a ajuda destes,
paralisar a influência dos maus. Dizemos que deve ser simpático aos bons Espíritos, porque
se atrai, ele mesmo, inferiores, é evidente que é querer caçar lobos com lobos.
Em resumo, o perigo não está no próprio Espiritismo, uma vez que ele pode, ao contrário,
servir de controle, e preservar daquele que corremos, sem cessar, com o nosso
desconhecimento; está na propensão de certos médiuns crerem-se, muito levianamente, os
instrumentos exclusivos de Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes
permite compreender as tolices das quais são os intérpretes. Aqueles mesmos que não são
médiuns, nisso podem se deixar prender. Terminaremos este capítulo com as considerações
seguintes:

1º Todo médium deve desconfiar do arrastamento irresistível que o leva a escrever sem
cessar e em momentos inoportunos; deve ser senhor de si mesmo, e não escrever senão
quando quiser

2º Não são dominados os Espíritos superiores, nem mesmo aqueles que, sem serem
superiores, são bons e benevolentes, mas podem-se dirigir e domar os Espíritos inferiores.
Quem não é senhor de si mesmo não pode sê-lo dos Espíritos;

3º Não há outro critério para discernir sobre o valor dos Espíritos, senão o bom senso. Toda
fórmula dada, para esse efeito, pelos próprios Espíritos é absurda, e não pode emanar de
Espíritos superiores;

4º Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Toda expressão, todo
pensamento, toda máxima, toda teoria moral ou científica que se choque com o bom senso,
ou não responde à ideia que se faz de um Espírito puro e elevado, emana de um Espírito mais
ou menos inferior,

5º Os Espíritos superiores têm, sempre, a mesma linguagem com a
mesma pessoa e não se contradizem nunca;

6º Os Espíritos superiores são, sempre, bons e benevolentes; não há jamais, em sua
linguagem, nem acrimónia, nem arrogância, nem amargor, nem fanfarrice, nem tola
presunção. Falam simplesmente, aconselham, e se retiram se não são escutados;

7º Não é preciso julgar os Espíritos quanto à forma material e a correcção de sua linguagem,
mas sondá-la em seu sentido íntimo, escrutar suas palavras, pesá-las friamente,
maduramente e sem prevenção. Todo desvio do bom senso, da razão e da sabedoria, não
podem deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome com o qual se vista o
Espírito;

8º Os Espíritos inferiores temem aqueles que escrutam suas palavras, desmascaram suas
torpezas e não se deixam prender pelos seus sofismas. Algumas vezes, podem ensaiar
resistir, mas acabam sempre por deixar a vítima quando se vêem os mais fracos;
9º Quem age, em todas as coisas, tendo em vista o bem, se eleva pelo pensamento acima
das vaidades humanas, expulsa do seu coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme, o
ódio, perdoa os seus inimigos e põe em prática esta máxima do Cristo: "Fazer aos outros o
que se gostaria que fizessem a si mesmo," simpatiza com os bons Espíritos; os maus o
temem e se afastam dele.
Seguindo esses preceitos, proteger-se-á dás más comunicações, da dominação de Espíritos
impuros, e aproveitando tudo o que nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores,
contribuir-se-á, cada um por sua parte, para o progresso moral da Humanidade.

Revista Espírita, Outubro de 1858