domingo, 1 de março de 2009

NOTICIAS DO BRASIL



- Seminário e Confraternização na Região de Araçatuba
- A Tarefa e o Tarefeiro- Curso sobre Gestão de Centros
- Múltiplos Eventos em Pernambuco
- Congresso Espírita de Goiás atinge alto índice de transmissão

- Curso para monitores e coordenadores do ESDE

- Seminário Herculano, Tempo e Espírito

- Conferência Estadual


Seminário e Confraternização na Região de Araçatuba


A USE Intermunicipal de Araçatuba (SP) realiza no dia 15 de março, no Centro Espírita Varas da Videira, o seminário “Centro Espírita: finalidades e atividades” desenvolvido por Antonio Cesar Perri de Carvalho e Célia Maria Rey de Carvalho, dentro do Projeto Interiorização do Movimento Espírita, da Secretaria-Geral do CFN. No dia 29 de março será realizada a já tradicional Confraternização Espírita da Alta Noroeste, CONEAN, um encontro dos espíritas no âmbito da USE Regional de Araçatuba que abrange as instituições de Araçatuba, Auriflama, Biriguí, Guararapes e Penápolis. Neste ano será em Buritama, que integra a USE Intermunicipal de Birigui, nas dependências do Centro Educacional "Benedita Fernandes", que estará comemorando vinte anos de atividades, sendo expositores Luiz Carlos Barros Costa e Jamiro dos Santos Filho. Informações: http://www.guiata.com.br/use

A Tarefa e o Tarefeiro


“A Tarefa e o Tarefeiro” será o tema a ser desenvolvido em seminário promovido pela Federação Espírita Roraimense, nos dias 14 e 15 de março. O evento contará com a atuação de Marco Leite, da equipe da Secretaria-Geral do CFN. Informações: http://www.fer-roraima.org/

Curso sobre Gestão de Centros


A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realiza na sede da USE Municipal de Bauru, reunião para esclarecimentos e preparativos para implantação do Curso “Gestão de Centros Espíritas”. Esta reunião será coordenada pelo secretário-geral da USE, Paschoal Bovino e contará com a atuação de Roberto Fuina Versiani e Edmar Cabral Júnior, da equipe da Secretaria- Geral do CFN. Informações: bovino@superig.com.br

Múltiplos Eventos em Pernambuco


Vários eventos serão produzidos pela Federação Espírita de Pernambuco, em sua sede, em março: no dia 7, inicia cursos sobre “Tribuna Espírita” e sobre Esperanto. Nos dias 7 e 8, Maria Euny Herrera Masotti (FEB) desenvolve curso sobre passe. No dia 15, ocorre o “Encontro Estadual sobre o Idoso na Casa Espírita”. Dentro do programa do INTECEPE – Integração dos Centros Espíritas de Pernambuco, será desenvolvido o seminário “Dimensões Espirituais do Centro Espírita”, em Nazaré da Mata, nos dias 21 e 22 de março. Mais informações: http://www.federacaoespiritape.org/

Congresso Espírita de Goiás atinge alto índice de transmissão


O 25º Congresso Espírita Estadual, em Goiânia (GO), teve acesso ampliado com transmissão ao vivo, tendo sido registrados, ao todo, 11.726 acessos pela internet. O evento ocorreu nos dias 21, 22, 23 e 24 de fevereiro e contou com participação dos oradores Divaldo Pereira Franco, Suely Caldas Schubert e Alberto Almeida. Todas as palestras e estudos partiram do tema central “A Era do Espírito”. A FEB esteve representada pelo seu diretor João Pinto Rabelo.O objetivo do Conselho Espírita Internacional (CEI) é viabilizar a transmissão de palestras e congressos espíritas de várias partes do Brasil e do mundo. É possível assistir os eventos no site da TV do Conselho Espírita Internacional (TVCEI): http://www.tvcei.com/

Curso para monitores e coordenadores do ESDE


Com realização por parte da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, ocorrerá no dia 1º de março, das 8h30 às 17h30, o Curso de preparação de monitores e coordenadores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Coordenador por Julia Nezu, o curso tem como objetivo apresentar o programa do ESDE e preparar monitores e Coordenadores para implantação do curso na casa espírita que milita; troca de experiências com aqueles que já implantaram o ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. São aguardados expositores, dirigentes e trabalhadores de instituições espíritas. O Curso acontecerá na Sede da USE - Rua Dr. Gabriel Piza, 433 - Santana (na rua do Metrô Santana) - São Paulo, SP. Inscrição pelo e-mail: use@use-sp.com.br e julianezu@terra.com.br

Seminário Herculano, Tempo e Espírito


A Associação Brasileira de Pedagogia Espírita promove, no dia 7 de março, o Seminário “Herculano, Tempo e Espírito”, com o lançamento do livro inédito de José Herculano Pires "Relação Corpo-Espírito". Como parte da programação serão apresentadas palestras diversas com temas como: “Herculano, o homem, a vida” - Heloísa Pires, “Abrangências e diálogos: o literato, o filósofo, o jornalista e o educador” - Dora Incontri; “Filosofia em Herculano” - Alysson Leandro Mascaro; “O Centro Espírita” - Mauro Spínola; “Herculano e Kardec” - Francisco Cajazeiras. O evento ocorrerá no Centro de Convenções Rebouças (Av. Rebouças, 600). Informações e inscrições: Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (11) 4032-8515 e abpe@uol.com.br

Conferência Estadual


Com a coordenação de Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira, Cosme Massi, Alberto Almeida e Sandra Borba Pereira, acontece, de 13 a 15 de março, a 11ª Conferência Estadual Espírita, promovida pela Federação Espírita do Paraná, com o tema geral "Família". O presidente da FEB, Nestor João Masotti comparecerá ao evento que será realizado nas dependências da Expotrade, na cidade de Pinhais. Diversas temáticas serão abordadas, como “Vida: desafios e soluções”, “Primeiras lições de moral da infância”, “Relações pais e filhos: um exercício de amor e crescimento”, “Em torno de uma ética familiar” e “Uma proposta de educação espírita”. Informações: http://www.feparana.com.br/



terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Obsedados e subjugados


Obsedados e subjugados

Frequentemente, se tem falado dos perigos do Espiritismo, e é de notar-se que aqueles que
mais protestam a esse respeito são precisamente os que o conhecem pouco, quase só de
nome. Já refutamos os principais argumentos que lhe são opostos, e não voltaremos a eles;
acrescentaremos somente que querendo-se proscrever da sociedade tudo o que pode
oferecer perigo e dar lugar a abusos, não sabemos o que restaria, mesmo das coisas de
primeira necessidade, a começar pelo fogo, causa de tantas infelicidades, depois as estradas
de ferro, etc., etc. Crendo-se que as vantagens compensam os inconvenientes, deve ser a
mesma coisa em tudo; a experiência indica, sucessivamente, as precauções a tomar para se
garantir quanto ao perigo das coisas que não se podem evitar.

O Espiritismo apresenta, com efeito, um perigo real, mas não é aquele que se crê, é preciso
estar iniciado nos princípios da ciência para bem compreender. Não é somente àqueles que
lhe são estranhos que nos dirigimos; é aos próprios adeptos, aqueles que o praticam, porque
o perigo é para eles. Importa que o conheçam, a fim que se mantenham em guarda: perigo
previsto, sabe-se, é a metade evitada. Diremos mais: aqui, para quem está bem
compenetrado da ciência, ele não existe; não existe senão para aqueles que crêem saber e
não sabem; quer dizer, como em todas as coisas, para aqueles a quem falta a experiência
necessária.

Um desejo bem natural, em todos aqueles que começam a se ocupar do Espiritismo, é de ser
médium, mas sobretudo, médium escrevente. Com efeito, é o género que oferece mais
atractivo pela facilidade das comunicações, e que pode melhor se desenvolver pelo exercício.
Compreende-se a satisfação que deve experimentar aquele que, pela primeira vez, vê serem
formadas, sob sua mão, as letras, depois as palavras, depois as frases que respondem ao seu
pensamento.

Essas respostas que traça maquinalmente, sem saber o que faz, que estão, o mais
frequentemente, fora de todas as suas ideias pessoais, não podem deixar-lhe nenhuma
dúvida sobre a intervenção de uma inteligência oculta; também sua alegria é grande em
poder conversar com os seres de além-túmulo, com esses seres misteriosos e invisíveis que
povoam os espaços; seus parentes e seus amigos não estão mais ausentes; se não os vê
pelos olhos, não deixam de estar ali; falam com ele, os vê pelo pensamento; pode saber se
são felizes, o que fazem, o que desejam, trocar com eles boas palavras; compreende que sua
separação não é eterna, e acelera com seus votos o instante em que poderá reunir-se a eles
num mundo melhor. Isso não é tudo; quanto não vai saber por meio dos Espíritos que se
comunicam por ele! Não vão levantar o véu de todas as coisas? Desde logo, nada mais de
mistérios; não tem senão de interrogar, vai tudo conhecer. Já vê a antiguidade sacudir,
diante dele, a poeira dos tempos, remexer as ruínas, interpretar as escrituras simbólicas e
fazer reviver, aos seus olhos, os séculos passados. Este, mais prosaico, e pouco cuidadoso
em sondar o infinito onde seu pensamento se perde, sonha, muito simplesmente, explorar os
Espíritos para fazer fortuna. Os Espíritos que devem tudo ver, tudo saber, não podem recusar
fazer-lhe descobrir algum tesouro oculto ou algum segredo maravilhoso. Quem se deu ao
trabalho de estudar a ciência espírita, jamais se deixará seduzir por esses belos sonhos; sabe
a que se prender sobre o poder dos Espíritos, sobre sua natureza e sobre o objectivo das
relações que o homem pode estabelecer com eles. Lembraremos, primeiro, em poucas
palavras, os pontos principais que não é preciso jamais perder de vista, porque são como a
chave da abóbada do edifício.

1º Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em saber, nem em sabedoria. Não sendo
outra coisa senão as almas humanas desembaraçadas de seu envoltório corpóreo,
apresentam ainda mais variedade do que não as encontramos entre os homens na Terra,
porque vêm de todos os mundos; e que entre os mundos, a Terra não é nem o mais atrasado
nem o mais avançado. Há, pois, Espíritos muito superiores, e outros muito inferiores; muito
bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes; há levianos, malignos, mentirosos,
velhacos, hipócritas, engraçados, espirituosos, zombadores, etc.

2º Estamos, sem cessar, cercados de um enxame de Espíritos que, por estarem invisíveis aos
nossos olhos materiais, não deixam de estar no espaço, ao redor de nós, ao nosso lado,
espiando nossas acções, lendo em nossos pensamentos, uns para nos fazerem o bem, outros
para nos fazerem o mal, segundo sejam mais ou menos bons.

3º Pela inferioridade, física e moral, de nosso globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos
inferiores neles são mais numerosos que os Espíritos superiores.

4º Entre os Espíritos que nos cercam, há os que se ligam a nós, que agem mais
particularmente sobre o nosso pensamento, nos aconselham, e dos quais seguimos o
impulso, com o nosso desconhecimento; felizes se escutamos a voz daqueles que são bons.

5º Os Espíritos inferiores não se ligam senão àqueles que os escutam, junto aos quais têm
acesso, e aos quais se prendem. Se chegam a imperar sobre alguém, se identificam com o
seu próprio Espírito, o fascinam, o obsedam, o subjugam e o conduzem como uma verdadeira
criança.

6º A obsessão jamais se dá senão pelos Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não fazem
experimentar nenhum constrangimento; eles aconselham, combatem a influência dos maus,
e se não são escutados, afastam-se.

7º O grau do constrangimento e a natureza dos efeitos que ela produz marcam a diferença
entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.

A obsessão é a acção, quase que permanente, de um Espírito estranho que faz que se seja
solicitado, por uma necessidade incessante, a agir em tal ou tal sentido, a fazer tal ou tal
coisa.

A subjugação é uma ligação moral que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o impele aos
actos mais insensatos e, frequentemente, mais contrários aos seus interesses.

A fascinação é uma espécie de ilusão produzida, seja pela acção directa de um Espírito
estranho, seja por seus raciocínios capciosos, ilusão que engana sobre as coisas morais,
falseia o julgamento e faz tomar o mal pelo bem.

8º O homem pode sempre, pela sua vontade, sacudir o jugo dos Espíritos imperfeitos,
porque, em virtude de seu livre arbítrio, tem a escolha entre o bem e o mal. Se o
constrangimento chegou ao ponto de paralisar sua vontade, e se a fascinação é muito grande
para obliterar o seu julgamento, a vontade de uma outra pessoa pode substituí-la.

Dava-se, outrora, o nome de possessão ao império exercido pelo maus Espíritos, quando sua
influência ia até à aberração das faculdades; mas a ignorância e os preconceitos,
frequentemente, fizeram tomar por uma possessão o que não era senão o resultado de um
estado patológico. A possessão seria, para nós, sinónimo da subjugação. Se não adoptamos
esse termo, foi por dois motivos: o primeiro porque implica a crença em seres criados para o
mal e perpetuamente votados ao mal, ao passo que não há senão seres mais ou menos
imperfeitos, que todos podem melhorar-se; o segundo porque implica, igualmente, a ideia de
uma presa de possessão do corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação,
ao passo que não há senão constrangimento. A palavra subjugação reflecte perfeitamente o
pensamento. Assim, para nós, não há possessos no sentido vulgar da palavra, não há senão
obsedados, subjugados e fascinados.

Foi por um motivo semelhante que não adoptamos a palavra demónio para designar os
Espíritos imperfeitos, embora esses Espíritos, frequentemente, não valham mais que aqueles
que se chamam demónios; foi unicamente por causa da ideia de especialidade e de
perpetuidade que se liga a essa palavra. Assim, quando dizemos que não há demónios, não
pretendemos dizer que não há senão bons Espíritos, longe disso; convenientemente,
sabemos que há maus e muito maus, que nos solicitam para o mal, nos estendem
armadilhas, e isso nada tem de admirar, uma vez que foram homens; queremos dizer que
não formam uma classe à parte, na ordem da criação, e que Deus deixa a todas as suas
criaturas o poder de se melhorarem.

Isto estando bem entendido, voltemos aos médiuns. Em alguns, os progressos são lentos,
muito lentos mesmo, e, frequentemente, colocam a paciência em uma rude prova. Em outros
são rápidos, e, em pouco tempo, o médium chega a escrever com tanta facilidade e, algumas
vezes, mais prontidão do que não o faria em seu estado comum. É então que ele pode se
tomar de entusiasmo, e aí está o perigo, porque o entusiasmo enfraquece, e com os Espíritos
é preciso ser forte. Dizer que o entusiasmo enfraquece, parece um paradoxo; e, todavia,
nada de mais verdadeiro. O entusiasmo, dir-se-á, caminha com uma convicção e uma
confiança que o faz superar todos os obstáculos, tem, pois, mais força. Sem dúvida; mas
entusiasma-se pelo falso tão bem quanto pelo verdadeiro; aferrai-vos às mais absurdas
ideias do entusiasta e delas fareis tudo o que quiserdes; o objecto de seu entusiasmo tem,
pois, seu lado fraco, e por aí podereis sempre dominá-lo. O homem frio e impassível, ao
contrário, vê as coisas sem brilho; combina-as, pesa-as, amadurece-a e não é seduzido por
nenhum subterfúgio: é o que lhe dá a força. Os Espíritos malignos, que sabem disso tão bem
e melhor do que nós, sabem também aproveitá-lo para subjugar aqueles que querem ter sob
sua dependência, e a faculdade de escrever como médium lhes serve maravilhosamente,
porque é um meio poderoso de captar a confiança, também não se lhes falta se o médium
não souber colocar-se em guarda contra eles; felizmente, como veremos mais tarde, o mal
traz em si o remédio.

Seja entusiasmo, seja fascinação dos Espíritos, seja amor próprio, o médium psicógrafo,
geralmente, é levado a crer que os Espíritos que se comunicam consigo são Espíritos
superiores, e isso tanto melhor que esses Espíritos vendo sua propensão não deixam de se
enfeitar com títulos pomposos, se for preciso e segundo as circunstâncias, tomam nomes de
santos, de sábios, de anjos, da Virgem Maria mesmo e desempenham seu papel, como
comediantes vestidos com as roupas dos personagens que representam; arrancai-lhes a
máscara e eles se tornarão Gros-Jean como antes; é aí que é preciso saber fazer com os
Espíritos como com os homens.

Da crença cega e irreflectida na superioridade dos Espíritos que se comunicam, à confiança em
suas palavras, não há senão um passo, sempre como entre os homens. Se chegam a inspirar
essa confiança, a conservam pelos sofismas e os mais capciosos raciocínios, os quais,
frequentemente, são aceitos sem reflectir. Os Espíritos grosseiros são menos perigosos; são
reconhecidos logo e não inspiram senão a repugnância; aqueles que são os mais temíveis,
em seu mundo como no nosso, são os Espíritos hipócritas; não falam jamais senão com
doçura, lisonjeiam as inclinações; são carinhosos, insinuantes, pródigos de palavras e de
ternura, de protestos de devotamente. É preciso ser verdadeiramente forte para resistir a
semelhantes seduções. Mas onde está o perigo, dir-se-á, com Espíritos impalpáveis? O perigo
está nos conselhos perniciosos que dão, sob a aparência da benevolência, nas providências
ridículas, intempestivas ou funestas que fazem empreender. Vimo-los fazer, certos
indivíduos, correrem de país em país à procura das mais fantásticas coisas, com risco de
comprometerem a saúde, a fortuna e a própria vida. Vimo-los ditarem, com todas as
aparências da gravidade, as coisas mais burlescas, as máximas mais estranhas. Como é bom
colocar o exemplo ao lado da teoria, vamos narrar a história de uma pessoa, de nosso
conhecimento, que se achou sob o império de uma fascinação semelhante.

O senhor F..., jovem instruído, de esmerada educação, de um carácter doce e benevolente,
mas um pouco fraco e sem resolução pronunciada, havia se tornado, prontamente, médium
escrevente muito hábil. Obsedado pelo Espírito que se apossou dele e não lhe dava nenhum
repouso, ele escrevia sem cessar, desde que uma caneta, um lápis lhe caísse na mão, os
tomava por um movimento convulsivo e se punha a encher páginas inteiras, em alguns
minutos. Na falta do instrumento, simulava escrever com o dedo, por toda a parte que se
encontrasse, nas ruas, nas paredes, nas portas, etc., entre outras coisas que lhe ditava, esta
era uma: "O homem é composto de três coisas: o homem, o mau Espírito e o bom Espírito.
Tendes todos vosso mau Espírito que está ligado ao corpo por laços materiais. Para expulsar
o mau Espírito, é preciso quebrar esses laços, e para isso é preciso enfraquecer o corpo.
Quando o corpo está suficientemente enfraquecido, o laço se rompe, o mau Espírito se vai, e
não fica senão o bom." Em consequência dessa bela teoria, fizeram-no jejuar durante cinco
dias consecutivos e vigiar à noite. Quando estava extenuado, disseram-lhe: "Agora o negócio
está feito, o laço está rompido; teu mau Espírito partiu, não resta mais senão nós, que é
preciso acreditar sem reservas." E ele, persuadido de que seu mau Espírito havia fugido,
acrescentava uma fé cega a todas as suas palavras. A subjugação chegada a esse ponto, que
se lhe tivesse dito para lançar-se às águas ou partir para os antípodas, tê-lo-ia feito. Quando
queriam levá-lo a fazer alguma coisa que lhe repugnava, sentia-se empurrado por uma força
invisível. Damos uma amostra de sua moral; por ela se julgará o resto.

" Para ter as melhores comunicações, é preciso: 1º Orar e jejuar durante vários dias, uns
mais, outros menos; esse jejum relaxa os laços que existem entre o eu e um demónio
particular ligado a cada eu humano. Esse demónio está ligado a cada pessoa pelo envoltório
que une o corpo e a alma. Esse envoltório, enfraquecido pela falta de alimentação, permite
aos Espíritos arrancar esse demónio. Jesus desce, então, no coração da pessoa possuída, .no
lugar do mau Espírito. Esse estado de possuir Jesus em si é único meio de chegar a toda a
verdade, e muitas outras coisas.

" Quando a pessoa conseguiu substituir o demónio por Jesus, não tem ainda a verdade. Para
ter a verdade, é preciso crer, Deus não dá jamais a verdade àqueles que duvidam: seria fazer
alguma coisa de inútil, e Deus não faz nada em vão. Como a maioria dos médiuns novos
duvida do que diz ou escreve, os bons Espíritos são forçados, com seu pesar, pela ordem
formal de Deus, a mentir, e não podem senão mentir enquanto o médium não está
convencido', mas vindo a crer firmemente numa destas mentiras, logo os Espíritos elevados
se apressam em lhe revelar os segredos do céu: a verdade completa dissipa, num instante,
essa nuvem de erros da qual foram forçados para cobrir seu protegido.

" O médium chegado a esse ponto nada tem mais a temer, os bons Espíritos jamais o
deixarão. Que não creia, entretanto, ter sempre a verdade, e nada senão a verdade. Os bons
Espíritos, seja para prová-lo, seja para puni-lo por suas faltas passadas, seja para castigar
questões egoísticas ou curiosas, lhe infligem correcções físicas e morais, vêm atormentá-lo da
parte de Deus. Esses Espíritos elevados, frequentemente, se lamentam pela triste missão que
cumprem: um pai persegue seu filho semanas inteiras, um amigo seu amigo, tudo para
maior felicidade do médium. Os nobres Espíritos, então, dizem loucuras, blasfémias e mesmo
torpezas. E preciso que o médium se firme e diga: Vós me tentais; sei que estou nas mãos
caridosas de Espíritos bons e afectuosos; que os maus não podem mais se aproximar de mim.
Boas almas que me atormentais, não me impedireis de crer no que me dissestes e no que me
direis ainda.

" Os católicos expulsam mais facilmente o demónio (esse jovem era protestante), porque
afastam um instante o dia do baptismo. Os católicos são julgados pelo Cristo, e os outros por
Deus; vale mais ser julgado pelo Cristo. Os protestantes erram em não admitir isso: também
é preciso fazer-te católico o mais cedo possível; à espera disso vai tomar água benta: esse
será teu baptismo."

Nota. - O jovem em questão, estando curado mais tarde da obsessão da qual era objecto,
pelos meios que relataremos, lhe havíamos pedido para nos escrever a história e dar-nos os
próprios textos dos preceitos que lhe foram ditados. Transcrevendo-os, acrescentou na cópia
que nos remeteu: eu me pergunto se não ofendo a Deus e os bons Espíritos transcrevendo
semelhantes tolices. A isso nós lhe respondemos: Não, não ofendeis a Deus; longe disso,
uma vez que reconheceis agora a armadilha na qual havíeis caído. Se vos pedi a cópia dessas
máximas perversas, foi para desonrá-las como o merecem, desmascarar os Espíritos
hipócritas, e colocar em guarda quem receber semelhante coisa.

Um dia lhe fizeram escrever Morrerás esta noite; a que ele respondeu: Estou muito entediado
deste mundo; morramos se for preciso, não peço nada melhor; que eu não sofra mais, é tudo
o que desejo. - À noite adormeceu, crendo firmemente não mais despertar na Terra. No dia
seguinte, ficou todo surpreso, e mesmo desapontado, em se encontrar em seu leito
costumeiro. Durante o dia, escreveu: "Agora que passaste pela prova da morte, que creste
firmemente morrer, estás como morto para nós; podemos dizer-te toda a verdade; saberás
tudo; não há nada oculto para nós; não haverá nada mais oculto para ti. Tu és Shakespeare
reencarnado. Shakespeare não é tua bíblia para ti?" (O senhor F... sabia perfeitamente o
inglês, e se comprazia na leitura das obras-primas dessa língua).

No dia seguinte escreveu: Tu és Satã. - Isto começa a ficar muito forte, respondeu o senhor
F... - Não fizeste... Não, devoraste o paraíso perdido? Aprisionaste a Filha do diabo de
Bérangen sabias que Satã se converteria: Não o acreditaste sempre, dito sempre, escrito
sempre? Para se converter ele se reencarna. Eu gostaria de ter sido um anjo rebelde
qualquer; mas o rei dos anjos...! - Sim, eras o anjo da nobreza; não eras mau, confiaste eu
teu coração; é essa altivez que é preciso abater; eras o anjo do orgulho, e os homens o
chamam Satã, que importa o nome! Tu foste o mau génio da Terra... Eis-te humilhado... Os
homens vão progredir... Verás maravilhas. Enganaste os homens; enganaste a mulher na
personificação de Eva, a mulher pecadora. Está dito que Maria, a personificação da mulher
sem mácula, esmagar-te-á a cabeça; Maria virá. - Um instante depois ele escreveu
lentamente e com doçura: "Maria vem te ver; Maria, que foi te procurar no fundo de teu
reino de trevas, não te abandonará Eleva-te, Satã, e Deus está pronto a te estender os
braços. Leia o Filho pródigo. Adeus."

Numa outra vez escreveu: "A serpente disse a Eva: Vossos olhos estarão abertos e sereis
como deuses. O demónio disse a Jesus: Eu te darei todo o poder. A ti o disse uma vez que
creste em nossas palavras: Nós te amamos; saberás tudo... Tu serás rei da Polónia."

"Perseverarás nas boas disposições onde te colocamos. Esta lição dá um grande passo à
ciência espírita. Ver-se-á que os bons Espíritos podem dizer futilidades e mentiras para se
divertirem com os sábios. Allan Kardec disse que esse era um meio mau para reconhecer os
Espíritos, em fazê-los confessar Jesus em carne. Eu digo que só os bons Espíritos confessam
Jesus em carne e eu o confesso. Diga isso a Kardec."

Todavia o Espírito teve o pudor de não aconselhar o senhor F... para imprimir essas belas
máximas; se o tivesse dito tê-lo-ia feito, sem nenhuma dúvida e seria uma ação má, porque
deu-as como uma coisa séria.

Encheríamos um volume com todas as tolices que lhe foram ditadas e com todas as
circunstâncias que a seguiram. Fizeram-no, entre outras coisas, desenhar um edifício cujas
dimensões eram tais que as folhas de papel necessárias, coladas em conjunto, ocuparam a
altura de dois andares.

Notar-se-á que, em tudo isso, não há nada de grosseiro, nada de trivial; é uma sequência de
raciocínios sofísticos que se encadeiam com uma aparência de lógica. Há, nos meios
empregados para enganar, uma arte verdadeiramente infernal e se pudéssemos narrar todas
essas conversas, ver-se-ia até que ponto se estendia a astúcia e com que agilidade as
palavras melosas eram prodigalizadas oportunamente. O Espírito que desempenhava o
principal papel, nesse assunto, tomava o nome de François Dillois, quando não se cobria com
a máscara de um nome respeitado. Soubemos mais tarde o que esse Dillois fora quando vivo,
e então nada nos admirou mais em sua linguagem. Mas, no meio de todas essas
extravagâncias, era fácil reconhecer um bom Espírito que lutava por fazer ouvir, de tempo
em tempo, algumas boas palavras para desmentir os absurdos dos outros; havia um combate
evidente, mas a luta era desigual; o jovem estava de tal modo subjugado, que a voz da razão
era impotente sobre ele. O Espírito de seu pai, particularmente, fê-lo escrever isto: "Sim,
meu filho, coragem! Sofres uma rude prova, que é para o teu bem futuro; infelizmente nada
posso, neste momento, para dela te livrar, isso me custa muito. Vai ver Allan Kardec; escuta-o
e ele te salvará."

O senhor F..., com efeito, veio me procurar contou-me sua história; fi-lo escrever em minha
presença, e, desde o início, reconheci, sem dificuldade, a influência perniciosa sob a qual se
encontrava, seja pelas palavras, seja por certos sinais materiais que a experiência faz
reconhecer e que não podem enganar. Retornou várias vezes; empreguei toda a força de
minha vontade para chamar os bons Espíritos por seu intermédio, toda a minha retórica, para
provar-lhe que era o joguete de Espíritos detestáveis; o que ele escrevia não tinha o senso
comum, e além disso era profundamente imoral; associei-me, para esta obra caridosa, a um
dos meus colegas mais devotados, o senhor T..., e, por nós dois, pouco a pouco, chegamos a
fazê-lo escrever coisas sensatas. Tomou aversão pelo seu mau génio, repelia-o, por sua
vontade, cada vez que tentava se manifestar, e, pouco a pouco, só os bons Espíritos
sobressaíam. Para desviar suas idéias, se entregava, da manhã à noite, segundo o conselho
dos Espíritos, a um trabalho rude que não lhe deixava tempo para escutar as más sugestões.
O próprio Dillois acabou por se confessar vencido e por exprimir o desejo de se melhorar em
uma nova existência; confessou o mal que havia querido fazer, e disso testemunhou seu
arrependimento. A luta foi longa, penosa, e ofereceu particularidades verdadeiramente
curiosas para o observador. Hoje que o senhor F... se sente livre, está feliz; parece-lhe estar
aliviado de um fardo; retomou sua alegria, e nos agradece pelo serviço que lhe prestamos.

Certas pessoas deploram que haja Espíritos maus. Com efeito, não é sem um certo
desencantamento que se encontra a perversidade nesse mundo, onde não se gostaria de
encontrar senão seres perfeitos. Uma vez que as coisas são assim, nada podemos: é preciso
tomá-las tais como são. É nossa própria inferioridade que faz com que os Espíritos
imperfeitos pululem ao nosso redor; as coisas mudarão quando formos melhores, assim como
ocorre nos mundos mais avançados. À espera disso, enquanto estamos ainda no fundo do
universo moral, somos advertidos: compete a nós colocarmo-nos em guarda e não aceitar,
sem controle, tudo o que se nos diz. A experiência, esclarecendo-nos, deve tornar-nos
circunspectos. Ver e compreender o mal é um meio de se preservar dele. Não haveria cem
vezes mais perigo em se iludir sobre a natureza dos seres invisíveis que nos cercam? Ocorre
o mesmo nesse mundo, onde, cada dia, estamos expostos à malevolência e às sugestões
pérfidas: essas são tantas outras provas às quais nossa razão, nossa consciência e nosso
julgamento nos dão os meios para resistir. Quanto mais a luta for difícil, maior será o mérito
pelo sucesso: "Vencendo sem perigo, triunfa-se sem glória."

Essa história que, infelizmente, não é a única do nosso conhecimento, levanta uma questão
muito grave. Não foi, para esse homem jovem, dir-se-á, uma coisa deplorável ser médium?
Não foi essa faculdade que lhe causou a obsessão da qual era objecto? Em uma palavra, não é
uma prova do perigo das comunicações espíritas?

Nossa resposta é fácil, e pedimos meditá-la com cuidado.

Não foram os médiuns que criaram os Espíritos, estes existem de todos os tempos, e em
todos os tempos exerceram sua influência, salutar ou perniciosa, sobre os homens. Não há,
pois, a necessidade de ser médium para isso. A faculdade medianímica, para eles, não é
senão um meio de se manifestarem; à falta dessa faculdade, fazem-no de mil outras
maneiras. Se esse jovem não fosse médium, não estaria menos sobre a influência desse mau
Espírito que, sem dúvida, tê-lo-ia feito cometer extravagâncias que não se poderiam atribuir
a qualquer outra causa. Felizmente para ele, a sua faculdade de médium, permitindo ao
Espírito se comunicar por palavras, foi por essas palavras que o Espírito se traiu; elas
permitiram conhecer a causa do mal que poderia ter sido, para ele, de consequências
funestas, e que destruímos, como se viu, por meios bem simples, bem racionais, e sem
exorcismo. A faculdade mediúnica permitiu ver o inimigo, se assim se pode dizer, face a face,
e combatê-lo com as suas próprias armas. Pode-se, pois, com inteira certeza, dizer que ela o
salvou; quanto a nós, não fomos senão os médicos que, julgando a causa do mal, aplicamos
o remédio. Seria um grave erro crer que os Espíritos não exercem sua influência senão pelas
comunicações escritas ou verbais; essa influência é de todos os instantes, e aqueles que não
crêem nos Espíritos a ela estão expostos como os outros, e mesmo mais expostos que os
outros, porque não têm contrapeso. A quantos actos não se é compelido, para sua infelicidade,
e que se teria evitado tendo um meio de se esclarecer! Os mais incrédulos não crêem ser tão
verdadeiros quando dizem, de um homem, que se engana com obstinação: São maus génios
que o empurram para a sua perdição.

Regra geral. Quem tem más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob uma
influência má; essa influência se exerce sobre ele, quer escreva ou não escreva, quer dizer,
quer seja ou não médium. A escrita dá um meio de se assegurar da natureza dos Espíritos
que actuam sobre ele, e de combatê-los, o que se faz, ainda, com mais sucesso, quando se
chega a conhecer o motivo que os faz agir. Se é bastante cego para não compreendê-lo,
outros podem abrir-lhe os olhos. Aliás, é necessário ser médium para escrever absurdos? E
quem diz que, entre todas as elocuções ridículas ou perigosas, não há aquelas cujos
autores são impelidos por algum Espírito malevolente? As três quartas partes de nossas más
acções e de nossos maus pensamentos são o fruto dessa sugestão oculta.

Se o senhor F... não fosse médium, perguntar-se-á, poderia ele mesmo fazer essa obsessão
cessar? Seguramente; somente os meios teriam diferido, segundo as circunstâncias; mas,
então, os Espíritos não podendo nos dirigir, como o fizeram, provavelmente, ter-se-ia
desprezado a causa, se não houvera manifestação espírita ostensiva. Todo homem que disso
tem vontade, e que é simpático aos bons Espíritos, pode sempre, com a ajuda destes,
paralisar a influência dos maus. Dizemos que deve ser simpático aos bons Espíritos, porque
se atrai, ele mesmo, inferiores, é evidente que é querer caçar lobos com lobos.
Em resumo, o perigo não está no próprio Espiritismo, uma vez que ele pode, ao contrário,
servir de controle, e preservar daquele que corremos, sem cessar, com o nosso
desconhecimento; está na propensão de certos médiuns crerem-se, muito levianamente, os
instrumentos exclusivos de Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes
permite compreender as tolices das quais são os intérpretes. Aqueles mesmos que não são
médiuns, nisso podem se deixar prender. Terminaremos este capítulo com as considerações
seguintes:

1º Todo médium deve desconfiar do arrastamento irresistível que o leva a escrever sem
cessar e em momentos inoportunos; deve ser senhor de si mesmo, e não escrever senão
quando quiser

2º Não são dominados os Espíritos superiores, nem mesmo aqueles que, sem serem
superiores, são bons e benevolentes, mas podem-se dirigir e domar os Espíritos inferiores.
Quem não é senhor de si mesmo não pode sê-lo dos Espíritos;

3º Não há outro critério para discernir sobre o valor dos Espíritos, senão o bom senso. Toda
fórmula dada, para esse efeito, pelos próprios Espíritos é absurda, e não pode emanar de
Espíritos superiores;

4º Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Toda expressão, todo
pensamento, toda máxima, toda teoria moral ou científica que se choque com o bom senso,
ou não responde à ideia que se faz de um Espírito puro e elevado, emana de um Espírito mais
ou menos inferior,

5º Os Espíritos superiores têm, sempre, a mesma linguagem com a
mesma pessoa e não se contradizem nunca;

6º Os Espíritos superiores são, sempre, bons e benevolentes; não há jamais, em sua
linguagem, nem acrimónia, nem arrogância, nem amargor, nem fanfarrice, nem tola
presunção. Falam simplesmente, aconselham, e se retiram se não são escutados;

7º Não é preciso julgar os Espíritos quanto à forma material e a correcção de sua linguagem,
mas sondá-la em seu sentido íntimo, escrutar suas palavras, pesá-las friamente,
maduramente e sem prevenção. Todo desvio do bom senso, da razão e da sabedoria, não
podem deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome com o qual se vista o
Espírito;

8º Os Espíritos inferiores temem aqueles que escrutam suas palavras, desmascaram suas
torpezas e não se deixam prender pelos seus sofismas. Algumas vezes, podem ensaiar
resistir, mas acabam sempre por deixar a vítima quando se vêem os mais fracos;
9º Quem age, em todas as coisas, tendo em vista o bem, se eleva pelo pensamento acima
das vaidades humanas, expulsa do seu coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme, o
ódio, perdoa os seus inimigos e põe em prática esta máxima do Cristo: "Fazer aos outros o
que se gostaria que fizessem a si mesmo," simpatiza com os bons Espíritos; os maus o
temem e se afastam dele.
Seguindo esses preceitos, proteger-se-á dás más comunicações, da dominação de Espíritos
impuros, e aproveitando tudo o que nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores,
contribuir-se-á, cada um por sua parte, para o progresso moral da Humanidade.

Revista Espírita, Outubro de 1858

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA


ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

Períodos geológicos. - Estado primitivo do globo. - Período primário. -Período de transição. - Período secundário. - Período terciário. - Período
diluviano. - Período pós-diluviano, ou actual. - Nascimento do homem.

Períodos geológicos

1. - A Terra conserva em si os traços evidentes da sua formação.
Acompanham-se-lhe as fases com precisão matemática, nos diferentes terrenos que lhe constituem o arcabouço. O conjunto desses estudos forma a ciência chamada Geologia, ciência nascida deste século (XIX) e que projectou luz sobre a tão controvertida questão da origem do globo terreno e da dos seres vivos que o habitam. Neste ponto, não há simples hipótese; há o resultado rigoroso da observação dos factos e, diante dos factos, nenhuma dúvida se justifica. A história da formação da Terra está escrita nas camadas geológicas, de maneira bem mais certa do que nos livros preconcebidos, porque é a própria Natureza que fala, que se põe a nu, e não a imaginação dos homens a criar sistemas. Desde que se notem traços de fogo, pode dizer-se com certeza que houve fogo ali; onde se vejam os da água, pode dizer-se que a água ali esteve; desde que se observem os de animais, pode dizer-se que viveram aí animais.
A Geologia é, pois, uma ciência toda de observação; só tira deduções do que vê; sobre os pontos duvidosos, nada afirma; não emite opiniões discutíveis, por esperar de observações mais completas a solução procurada. Sem as descobertas da Geologia, como sem as da Astronomia, a Génese do mundo ainda estaria nas trevas da lenda. Graças a elas, o homem conhece hoje a história da sua habitação, tendo desmoronado, para não mais tornar a erguer-se, a estrutura de fábulas que lhe rodeavam o berço.

2. - Em todos os terrenos onde existam valas, escavações naturais ou praticadas pelo homem, nota-se o a que se chama estratificações, isto é, camadas sobrepostas. Os que apresentam essa disposição se designam pelo nome de terrenos estratificados. Essas camadas, de espessura que varia desde alguns centímetros até 100 metros e mais, se distinguem entre si pela cor e pela
natureza das substâncias de que se compõem. Os trabalhos de arte, a perfuração de poços, a exploração de pedreiras e, sobretudo, de minas facultaram observá-las até grande profundidade.

3. - São em geral homogéneas as camadas, isto e. cada uma constituída da mesma substância, ou de substâncias diversas, mas que existiram juntas e formaram um todo compacto. A linha de separação que as isola umas das outras é sempre nitidamente sulcada, como nas fiadas de uma construção. Em nenhuma parte se apresentam misturadas e sumidas umas nas outras, nos
pontos de seus respectivos limites, como se dá, por exemplo, com as cores do prisma e do arco-íris.
Por esses caracteres, reconhece-se que elas se formaram sucessivamente, depositando-se uma sobre outra, em condições e por causas diferentes. As mais profundas são, naturalmente, as que se formaram em primeiro lugar, tendo-se formado posteriormente as mais superficiais. A última de todas, a que se acha na superfície, é a camada da terra vegetal, que deve suas propriedades aos detritos de matérias orgânicas provenientes das plantas e dos animais.

4. - As camadas inferiores, colocadas abaixo da camada vegetal, receberam em geologia o nome de rochas, palavra que, nessa acepção, nem sempre implica a ideia de uma substância pedrosa, significando antes um leito ou banco feito de uma substância mineral qualquer. Umas são formadas de areia, de argila ou de terra argilosa, de marga, de seixos rolados; outras o são
de pedras propriamente ditas, mais ou menos duras, tais como os grés, os mármores, a cré, os calcários ou pedras calcárias, as pedras molares, ou carvões-de-pedra, os asfaltos, etc. Diz-se que uma rocha é mais ou menos possante, conforme é mais ou menos considerável a sua espessura.
Mediante o exame da natureza dessas rochas ou camadas, reconhece-se, por sinais certos, que umas provêm de matérias fundidas e, às vezes, vitrificadas sob a acção do fogo; outras, de substâncias terrosas depostas pelas águas; algumas de tais substâncias se conservaram desagregadas, como as areias; outras, a princípio em estado pastoso, sob a acção de certos agentes químicos ou por outras causas, endureceram e adquiriram, com o tempo, a consistência da pedra. Os bancos de pedras sobrepostas denunciam depósitos sucessivos. O fogo e a água participaram, pois, da formação dos materiais que compõem o arcabouço sólido do globo terráqueo.

5. - A posição normal das camadas terrosas ou pedregosas, provenientes de depósitos aquosos, é a horizontal. Ao vermos essas planícies imensas, que por vezes se estendem a perder de vista, de perfeita horizontalidade, lisas como se as tivessem nivelado com um rolo compressor, ou esses vales profundos, tão planos como a superfície de um lago, podemos estar certos de que, em época mais ou menos afastada, tais lugares estiveram por longo tempo cobertos de águas tranquilas que, ao se retirarem, deixaram em seco as terras que elas depositaram enquanto ali permaneceram. Retiradas as águas, essas terras se cobriram de vegetação. Se, em vez de terras gordas, limosas, argilosas, ou margosas, próprias a assimilar os princípios nutritivos, as águas apenas depositaram areias silicosas, sem agregação, temos as planícies arenosas que constituem as charnecas e os desertos, dos quais nos podem dar pequena ideia os depósitos que ficam das inundações parciais e os que formam as aluviões na embocadura dos rios.

6. - Conquanto a horizontal seja a posição mais generalizada e a que normalmente assumem as formações aquosas, não é raro verem-se, nos países montanhosos e em extensões bem grandes, rochas duras, cuja natureza indica que foram formadas em posição inclinada e, até por vezes, vertical. Ora, como, segundo as leis de equilíbrio dos líquidos e da gravidade, os depósitos aquosos somente em planos horizontais podem formar-se, pois os que se formam sobre planos inclinados são arrastados pelas correntes e pelo próprio peso para as baixadas, evidente se torna que tais depósitos foram levantados por uma força qualquer, depois de se terem solidificado ou transformado em pedras.
Destas considerações se pode concluir, com certeza, que todas as camadas pedrosas que, provindo de depósitos aquosos, se encontram em posição perfeitamente horizontal, foram formadas, durante séculos, por águas tranquilas e que, todas as vezes que se achem em posição inclinada, o solo foi convulsionado e deslocado posteriormente, por subversões gerais ou parciais, mais ou menos consideráveis.

7. - Um facto característico e da mais alta importância, pelo testemunho irrecusável que oferece, consiste no existirem, em quantidades enormes, despojos fósseis de animais e vegetais, dentro das diferentes camadas. Como esses despojos se encontram até nas mais duras pedras, há de concluir-se que a existência de tais seres é anterior à formação das aludidas pedras. Ora, se
levarmos em conta o prodigioso número de séculos que foram necessários para que se lhes produzisse o endurecimento e para que elas alcançassem o estado em que se acham desde tempos imemoriais, chega-se forçosamente à conclusão de que o aparecimento de seres orgânicos na Terra se perde na noite das idades e é muito anterior, por conseguinte, à data que lhes assina a Génese. (1)

8. - Entre os despojos de vegetais e animais, alguns há que se mostram penetrados em todos os pontos de sua substância, sem que isso lhes alterasse a forma, de matérias silicosas ou calcárias que os transformaram em pedras, algumas das quais apresentam a dureza do mármore. São as petrificações propriamente ditas. Outros foram apenas envolvidos pela matéria no estado de
flacidez; são encontrados intactos e, alguns, inteiros, nas mais duras pedras.
Outros, finalmente, apenas deixaram marcas, mas de uma nitidez e uma delicadeza perfeitas. No interior de certas pedras, encontraram-se até marcas de passos e, pela forma do pé, dos dedos e das unhas, chegou-se a reconhecer a espécie animal a que pertenceram.

9. - Os fósseis de animais absolutamente não contêm, e isso é fácil de conceber-se, senão as partes sólidas e resistentes, isto é, as ossaturas, as escamas e os cornos; são, não raro, esqueletos completos; as mais das vezes,. no entanto, são apenas partes destacadas, mas cuja procedência facilmente se reconhece. Examinando-se uma queixada, um dente, logo se vê se pertence a
um animal herbívoro, ou carnívoro. Como todas as partes do animal guardam necessária correlação, a forma da cabeça, de uma omoplata, de um osso da perna, de um pé, basta para determinar o porte, a forma geral, o género de vida do animal (1). Os animais terrestres têm uma organização que não permite sejam confundidos com os animais aquáticos.
São extremamente numerosos os peixes e os moluscos testáceos fósseis; só estes últimos formam, às vezes, bancos inteiros de grande espessura. Pela natureza deles, verifica-se sem dificuldade se são animais marinhos ou de água doce.

(1) Fóssil, do latim fossilia, fossilis, derivado de fossa, e de fodere, cavar, escavar a terra, é uma palavra que em geologia se emprega designando corpos ou despojos de corpos orgânicos de seres que viveram anteriormente às épocas históricas. Por extensão, diz-se igualmente das substâncias minerais que revelam traços da presença de seres organizados,
quais as marcas deixadas por vegetais ou animais.
O termo petrificado se emprega relativamente aos corpos que se transformaram em pedra, pela infiltração de matérias silicosas ou calcárias nos tecidos orgânicos. Todas as petrificações necessariamente são fósseis, mas nem todos os fósseis são petrificações.
Nos objectos que se revestem de uma camada pedregosa quando mergulhados em certas águas carregadas de substâncias calcárias, como as do regato de Saint Allyre, perto de Clermont, no Auvergne (França), não são petrificações propriamente ditas, porém simples incrustações.
Os monumentos, inscrições e objetos produzidos por fabricação humana, esses pertencem à Arqueologia.

10. - Os seixos rolados, que em certos lugares formam rochas formidáveis, constituem inequívoco indício da origem deles. São arredondados como os calhaus de beira-mar, sinal certo do atrito que sofreram, por efeito das águas. As regiões onde eles se encontram enterrados, em massas consideráveis, foram incontestavelmente ocupadas pelo oceano, ou, durante longo tempo, por outras águas movediças, ou violentamente agitadas.

11. - Além disso, os terrenos das diversas formações se caracterizam pela natureza mesma dos fósseis que encerram. As mais antigas contêm espécies animais ou vegetais que desapareceram inteiramente da superfície do planeta. Também desapareceram algumas espécies mais recentes;
conservaram-se, porém, outras análogas, que apenas diferem daquelas pelo porte e por alguns matizes de forma. Outras, finalmente, cujos últimos representantes ainda vemos, tendem evidentemente a desaparecer em futuro mais ou menos próximo, tais como os elefantes, os rinocerontes, os hipopótamos, etc. Assim à medida que as camadas terrestres se aproximam da nossa época, as espécies animais e vegetais também se aproximam das que hoje existem.
As perturbações, os cataclismos que se produziram na Terra, desde a sua origem, lhe mudaram as condições de aptidão para entretenimento da vida e fizeram desaparecessem gerações inteiras de seres vivos.

(1) No ponto a que Jorge Cuvier levou a ciência paleontológica, um só osso basta frequentemente para determinar o género, a espécie, a forma de um animal, seus habites, e para o reconstruir todo inteiro.

12. - Interrogando-se a natureza das camadas geológicas, vem-se a saber, de modo mais positivo, se, na época de sua formação, a região onde elas se apresentam era ocupada pelo mar, pelos lagos, ou por florestas e planícies povoadas de animais terrestres. Consequentemente, se, numa mesma região, se encontra uma série de camadas sobrepostas, contendo alternativamente fósseis marinhos, terrestres e de água doce, muitas vezes repetidas, constitui esse facto
prova irrecusável de que essa região foi muitas vezes invadida pelo mar, coberta de lagos e posta a seco.
E quantos séculos de séculos, certamente, quantos milhares de séculos, talvez, não foram precisos para que cada período se completasse! Que força poderosa não foi necessária para deslocar e recolocar o oceano, levantar montanhas! Por quantas revoluções físicas, comoções violentas não teve a Terra de passar, antes de ser qual a vemos desde os tempos históricos! E
querer-se que tudo isso fosse obra executada em menos tempo do que o que leva uma planta para germinar!

13. - O estudo das camadas geológicas atesta, como já se disse, formações sucessivas, que mudaram o aspecto do globo e lhe dividem a história em muitas épocas, que constituem os chamados períodos geológicos, cujo conhecimento é essencial para a determinação da Génese. São em número de seis os principais, designados pelos nomes de períodos primário, de transição,
secundário, terciário, diluviano, pós-diluviano ou actual. Os terrenos formados durante cada período também se chamam: terrenos primitivos, de transição, secundários, etc. Diz-se, pois, que tal ou tal camada ou rocha, tal ou tal fóssil se encontram nos terrenos de tal ou tal período.

14. - Cumpre se notar que o número desses períodos não é absoluto, pois depende dos sistemas de classificação. Nos seis principais, mencionados acima, só se compreendem os que estão assinalados por uma mudança notável e geral no estado do planeta; mas, a observação prova que muitas formações sucessivas se operaram, enquanto durou cada um deles. Por isso é que são divididos em seis períodos caracterizados pela natureza dos terrenos e que elevam a vinte e seis o número das formações gerais bem assinaladas, sem contar os que provém de modificações devidas a causas puramente locais.

Estado primitivo do globo

15. - O achatamento dos pólos e outros factos concludentes são indícios certos de que o estado da Terra, na sua origem, deve ter sido o de fluidez ou de flacidez, estado esse oriundo de se achar a matéria ou liquefeita pela acção do fogo, ou diluída pela da água.
Costuma-se dizer, proverbialmente: não há fumaça sem fogo.
Rigorosamente verdadeira, esta sentença constitui uma aplicação do princípio: não há efeito sem causa. Pela mesma razão, pode-se dizer: não há fogo sem um foco. Ora, pelos factos que se passam sob as nossas vistas, não é apenas fumaça o que se produz na Terra, mas fogo bastante real, que há de ter um foco. Vindo esse fogo do interior do planeta e não do alto, o foco lhe há de estar no interior e, como o fogo é permanente, o foco também o há de ser.
O calor, cujo aumento é progressivo à medida que se penetra no interior da Terra e que, a certa profundidade, chega a uma temperatura altíssima; as fontes térmicas, tanto mais quentes, quanto mais profunda lhes está a nascente; os fogos e as massas de matéria fundida e em brasa que se escapa dos vulcões vomitam, como por vastos respiradouros, ou pelas fendas que alguns tremores de terra abrem, não deixam dúvida sobre a existência de um fogo interior.

16. - A experiência demonstra que a temperatura se eleva de um grau a cada 30 metros de profundidade, donde se segue que, a uma profundidade de 300 metros, o aumento é de 10 graus; a 3.000 metros, de 100 graus, temperatura da água a ferver; a 30.000 metros, ou seja, 7 ou 8 léguas, de 1.000 graus; a 25 léguas, de mais de 3.300 graus, temperatura a que nenhuma
matéria conhecida resiste à fusão. Daí ao centro, ainda há um espaço de mais de 1.400 léguas, ou 2.800 léguas em diâmetro, espaço que seria ocupado por matérias fundidas.
Conquanto não haja aí mais do que uma conjectura, julgando da causa pelo efeito, tem ela todos os caracteres da probabilidade e leva à conclusão de que a Terra ainda é uma massa incandescente recoberta de uma crosta sólida da espessura de 25 léguas no máximo, o que é apenas a 120ª parte do seu diâmetro. Proporcionalmente, seria muito menos do que a espessura da mais delgada casca de laranja.
Aliás, é muito variável a espessura da crosta terrestre, porquanto há zonas, sobretudo nos terrenos vulcânicos, onde o calor e a flexibilidade do solo indicam que ela é pouco considerável. A elevada temperatura das águas termais constitui igualmente indício de proximidade do foco central.

17. - Assim sendo, evidente se torna que o primitivo estado de fluidez ou de flacidez da Terra há de ter tido como causa a acção do calor e não a da água.
Em sua origem., pois, a Terra era uma massa incandescente. Em virtude da irradiação do calórico, deu-se o que se dá com toda matéria em fusão: ela esfriou pouco a pouco, principiando o resfriamento, como era natural, pela superfície, que então endureceu, ao passo que o interior se conservou fluido.
Pode-se assim comparar a Terra a um bloco de carvão ao sair ígneo da fornalha e cuja superfície se apaga e resfria, ao contacto do ar, mantendo-se-lhe o interior em estado de ignição, conforme se verificará, quebrando-o.

18. - Na época em que o globo terrestre era uma massa incandescente, não continha nenhum átomo a mais, nem a menos do que hoje (1); apenas, sob a influência da alta temperatura, a maior parte das substâncias que a compõem e que vemos sob a forma de líquidos ou de sólidos, de terras, de pedras, de metais e de cristais se achavam em estado muito diferente. Sofreram
unicamente uma transformação. Em consequência do resfriamento, os elementos formaram novas combinações. O ar, enormemente dilatado, decerto se estendia a uma distância imensa; toda a água, forçosamente transformada em vapor, se encontrava misturada com o ar; todas as matérias susceptíveis de se volatilizarem, tais como os metais, o enxofre, o carbono, se achavam em estado de gás. O da atmosfera nada tinha, portanto, de comparável ao que é hoje; a densidade de todos esses vapores lhe dava uma opacidade que nenhum raio de sol podia atravessar. Se nessa época um ser vivo pudesse existir na superfície do planeta, apenas seria iluminado pelos reverberes sinistros da fornalha que lhe estava sob os pés e da atmosfera em brasa; ele nem sequer suspeitaria da existência do Sol.

Período primário

19. - O primeiro efeito do resfriamento foi a solidificação da superfície exterior da massa em fusão e a formação aí de uma crosta resistente que, delgada a princípio, gradativamente se espessou. Essa crosta constitui a pedra chamada granito, de extrema dureza, assim denominada pelo seu aspecto granuloso. Nela se distinguem três substâncias principais: o feldspato, o quartzo
ou cristal de rocha e a mica. Esta última tem brilho metálico, embora não seja um metal.
A camada granítica foi, pois, a primeira que se formou no globo, é a que o envolve por completo, constituindo de certo modo o seu arcabouço ósseo. É o produto directo da consolidação da matéria fundida. Sobre ela e nas cavidades que apresentava a sua superfície torturada foi que se depositaram sucessivamente as camadas dos outros terrenos, posteriormente formados. O
que a distingue destes últimos é a ausência de toda e qualquer estratificação; quer dizer: ela forma uma massa compacta e uniforme em toda a sua espessura, que não é disposta em camadas. A efervescência da matéria incandescente havia de produzir nela numerosas e profundas fendas, pelas quais essa mesma matéria extravasava.

(1) Nota da Editora: Parece-nos que Kardec se referia apenas à Terra propriamente
dita, não levando em conta os aerólitos e a poeira cósmica que a ela se vêm juntando.

20. - O efeito seguinte do resfriamento foi a liquefacção de algumas matérias contidas no ar em estado de vapor, as quais se precipitaram na superfície do solo. Houve então chuvas e lagos de enxofre e de betume, verdadeiros regatos de ferro, cobre, chumbe e outros metais fundidos.
Infiltrando-se pelas fissuras, essas matérias constituíram os veios e filões metálicos.
Sob o influxo desses diversos agentes, a superfície granítica experimentou alternativas decomposições. Produziram-se misturas, que formaram os terrenos primitivos propriamente ditos, distintos da rocha granítica, mas em massas confusas e sem estratificação regular.
Vieram, a seguir, as águas que, caindo sobre um solo ardente, se vaporizavam de novo, recaíam em chuvas torrenciais e assim sucessivamente, até que a temperatura lhes facultou permanecerem no solo em estado líquido.
É a formação dos terrenos graníticos que dá começo à série dos períodos geológicos, aos quais conviria se acrescentasse o do estado primitivo, de incandescência do globo.

21. - Tal o aspecto do primeiro período, verdadeiro caos de todos os elementos confundidos, à procura de estabilização, período em que nenhum ser vivo podia existir. Por isso mesmo, um de seus caracteres distintivos, em geologia, é a ausência de qualquer vestígio de vida vegetal ou animal.
Impossível se torna assinar duração determinada a esse período, do mesmo modo que aos que se lhe seguiram. Mas, dado o tempo que se faz mister para que uma bala de determinado volume, aquecida até ao branco, se resfrie na superfície, ao ponto de permitir que uma gota d água possa sobre ela permanecer em estado liquido, calculou-se que, se essa bala tivesse o tamanho da Terra, necessários seriam mais de um milhão de anos.

Período de transição

22. - No começo do período de transição, ainda pequena era a espessura da sólida crosta granítica, que, portento, resistência muito fraca oferecia à efervescência das matérias incandescentes que ela cobria e comprimia. Produziam-se, pois, intumescências, despedaçamentos numerosos, por onde se escapava a lava interior. O solo apresentava desigualdades pouco consideráveis.
As águas, pouco profundas, cobriam quase toda a superfície do globo, com excepção das partes soerguidas, que, formando terrenos baixos, eram frequentemente alagados.
O ar gradativamente se purgara das matérias mais pesadas, temporariamente em estado gasoso, as quais, condensando-se por efeito do resfriamento, se haviam precipitado na superfície do solo, sendo depois arrastadas e dissolvidas pelas águas.
Quando se fala de resfriamento naquela época, deve-se entender essa palavra em sentido relativo, isto é, em relação ao estado primitivo, porquanto a temperatura ainda havia de ser ardente.
Os espessos vapores aquosos que se elevavam de todos os lados da imensa superfície líquida, recaíam em chuvas copiosas e quentes, que obscureciam o ar. Entretanto, os ralos do Sol começavam a aparecer, através dessa atmosfera brumosa.
Uma das últimas substâncias de que o ar teve de expurgar-se, por ser gasoso o seu estado natural, foi o ácido carbónico, então um dos seus componentes.

23. - Por essa época, entraram a formar-se as camadas de terrenos de sedimento, depositadas pelas águas carregadas de limo e de matérias diversas, apropriadas à vida orgânica.
Surgem aí os primeiros seres vivos do reino vegetal e do reino animal. Deles se encontram vestígios, a princípio em número reduzido, porém, depois, cada vez mais frequentes, à medida que se vai passando às camadas mais elevadas dessa formação. É digno de nota que por toda parte a vida se manifesta, logo que lhe são propícias as condições, nascendo cada espécie
desde que se realizam as condições próprias à sua existência.

24. - Os primeiros seres orgânicos que apareceram na Terra foram os vegetais de organização menos complicada, designados em botânica sob os nomes de criptogâmicas, acotiledóneos, monocotiledóneos, isto é, líquenes, cogumelos, musgos, fetos e plantas herbáceas. Absolutamente, ainda se não vêem árvores de tronco lenhoso, mas, apenas, as do género palmeira, cuja haste esponjosa é análoga à das ervas.
Os animais desse período, que apareceram em seguida aos primeiros vegetais, eram exclusivamente marinhos: primeiramente, polipeiros, raiados, zoófilos, animais cuja organização simples e, por assim dizer, rudimentar, se aproxima, no máximo grau, da dos vegetais. Mais tarde, aparecem crustáceos e peixes de espécies que já não existem.

25. - Sob o império do calor e da humidade e em virtude do excesso de ácido carbónico espalhado no ar, gás impróprio à respiração dos animais terrestres, mas necessário às plantas, os terrenos expostos se cobriram rapidamente de uma vegetação pujante, ao mesmo tempo que as plantas aquáticas se multiplicavam no seio dos pântanos. Plantas que, nos dias actuais, são simples ervas de alguns centímetros, atingiam altura e grossura prodigiosas.
Assim é que havia florestas de fetos arborescentes de 8 a 10 metros de altura e de proporcional grossura. Licopódios (marroio, género de musgo), do mesmo porte; cavalinhas (1), de 4 a 5 metros, e cuja altura não passa hoje de um metro, e uma infinidade de espécies que não mais existem. Pelos fins do período, começam a aparecer algumas árvores do género conífero ou pinheiros.

26. - Em consequência do deslocamento das águas, os terrenos que produziam essas massas de vegetais foram submergidos, cobertos de novos sedimentos terrosos, enquanto os que se achavam emersos se adornavam, a seu turno, de vegetação semelhante. Houve assim muitas gerações de vegetais alternativamente aniquiladas e renovadas. O mesmo não se deu com os animais que, sendo todos aquáticos, não estavam sujeitos a essas alternativas.
Acumulados durante longa série de séculos, esses destroços formaram camadas de grande espessura. Sob a acção do calor, da humidade, da pressão exercida, pelos posteriores depósitos terrosos e, sem dúvida, de diversos agentes químicos, dos gases, dos ácidos e dos sais produzidos pela combinação dos elementos primitivos, aquelas matérias vegetais sofreram uma
fermentação que as converteu em hulha ou carvão-de-pedra. As minas de hulha são, pois, produto directo da decomposição dos acervos de vegetais acumulados durante o período de transição. É por isso que são encontrados em, quase todas as regiões. (1)

(1) Planta dos pauis, vulgarmente chamada cavalinha ou cauda de cavalo.

27. - Os restos fósseis da pujante vegetação dessa época, achando-se hoje sob os gelos das terras polares, tanto quanto na zona tórrida, segue-se que, uma vez que a vegetação era uniforme, também a temperatura o havia de ser. Os pólos, portanto, não se achavam cobertos de gelo, como agora. É que, então, a Terra tirava de si mesma o calor, do fogo central que aquecia de igual modo toda a camada sólida, ainda pouco espessa. Esse calor era superior de
muito ao que podia provir dos raios solares, enfraquecidos, ao demais, pela densidade da atmosfera. Só mais tarde, quando a acção do calor central se tornou muito fraca ou nula sobre a superfície exterior do globo, a do Sol passou a preponderar e as regiões polares, que apenas recebiam raios oblíquos, portadores de pequena quantidade de calor, se cobriram de gelo. Compreende-se que na época de que falamos e ainda muito tempo depois, o gelo era desconhecido na Terra.
Deve ter sido muito longo esse período, a julgar pelo número e pela espessura das camadas de hulha. (2)

Período secundário

28. - Com o período de transição desaparecem a vegetação colossal e os animais que caracterizavam a época, ou porque as condições atmosféricas já não fossem as mesmas, ou
porque uma série de cataclismos haja aniquilado tudo o que tinha vida na Terra.
É provável que as duas causas tenham contribuído para essa mudança, por isso que, de um lado, o estudo dos terrenos que assinalam o fim desse período comprova a ocorrência de grandes subversões oriundas de levantamentos e erupções que derramaram sobre o solo grandes quantidades de lavas, e, de outro lado, porque grandes mudanças se operaram nos trás reinos.

__________
(1) A turfa se formou da mesma maneira, pela decomposição dos amontoados de vegetais, em terrenos pantanosos; mas, com a diferença de que, sendo de formação muito mais recente e sem duvida noutras condições, ela não teve tempo de se carbonizar,
(2) Na baía de Fundy (Nova Escócia), o Sr, Lyell encontrou, numa camada de hulha de
espessura de 400 metros, 68 níveis diferentes, apresentando traços evidentes de muitos solos de florestas, de cujas arvores os troncos ainda estavam guarnecidos de suas raízes. (L. Figuier)
Não dando mais de mil anos para a formação de cada um desses níveis, já teríamos 68.000 anos só para essa camada de hulha.

29. - O período secundário se caracteriza, sob o aspecto mineral, por numerosas e fortes camadas que atestam uma formação lenta no seio das águas e marcam diferentes épocas bem caracterizadas.
A vegetação é menos rápida e menos colossal que no período precedente, sem dúvida em virtude da diminuição do calor e da humidade e de modificações sobrevindas aos elementos constitutivos da atmosfera. Às plantas herbáceas e carnudas, juntam-se as de caule lenhoso e as primeiras árvores propriamente ditas.

30. - Ainda são aquáticos os animais, ou, quando nada, anfíbios, a vida vegetal progride pouco na terra seca. Desenvolve-se no seio dos mares uma prodigiosa quantidade de animais de conchas, devido à formação das matérias calcárias. Nascem novos peixes, de organização mais aperfeiçoada do que no período anterior. Aparecem os primeiros cetáceos. Os mais característicos animais dessa época são os repteis monstruosos, entre os quais se notam:
O ictiossáuro, espécie de peixe-lagarto que chegava a ter 10 metros de comprido e cujas mandíbulas, prodigiosamente alongadas, eram armadas de 180 dentes. Sua forma geral lembra um pouco a do crocodilo, mas sem couraça escamosa. Seus olhos tinham o volume da cabeça de um homem; possuía barbatanas como a baleia e, como esta, expelia água por aberturas próprias
para isso.
O plesiossáuro, outro réptil marinho, tão grande quanto o ictiossáuro, e cujo pescoço, excessivamente longo, se dobrava, como o do cisne, e lhe dava a aparência de enorme serpente ligada a um corpo de tartaruga. Tinha a cabeça do lagarto e os dentes do crocodilo. Sua pele devia ser lisa, qual a do precedente, porquanto não se lhe descobriu nenhum vestígio de escamas ou de concha. (1)
O teleossáuro, que mais se aproxima dos crocodilos actuais, parecendo estes um seu diminutivo. Como os últimos, tinha uma couraça escamosa e vivia, ao mesmo tempo, na água e em terra Seu talhe era de cerca de 10 metros, dos quais 3 ou 4 só para a cabeça. A boca tinha de abertura 2 metros.
O megalossáuro, grande lagarto, espécie de crocodilo, de 14 a 15 metros de comprimento. Essencialmente carnívoro, nutria-se de repteis, de pequenos crocodilos e de tartarugas. Sua formidável mandíbula era armada de dentes em forma de lâmina de podadeira, de gume duplo, recurvados para trás, de tal jeito que, uma vez enterrados na presa, impossível se tornaria a esta desprender-se.
O iguanodonte, o maior dos lagartos que já apareceram na Terra. Tinha de 20 a 25 metros da cabeça à extremidade da cauda e sobre o focinho um chifre ósseo, semelhante ao do iguano da actualidade, do qual parece que não diferia senão pelo tamanho. O último tem apenas 1 metro de comprido. A forma dos dentes prova que ele era herbívoro e a dos pés que era animal terrestre.
(2) O pterodáctilo, animal estranho, do tamanho de um cisne, participando, simultaneamente, do réptil pelo corpo, do pássaro pela cabeça e do morcego pela membrana carnuda que lhe unia os dedos prodigiosamente longos.
Essa membrana lhe servia de pára-quedas quando se precipitava sobre a presa do alto de uma árvore ou de um rochedo. Não possuía bico córneo, como os pássaros, mas os ossos das mandíbulas, do comprimento da metade do corpo e guarnecidos de dentes, terminavam em ponta como um bico.

(1) O primeiro fóssil deste animal foi descoberto, na Inglaterra, em 1823. Depois,
encontraram-se outros na França e na Alemanha.
(2) Nota da Editora, à 16ª edição, de 1973: Somente após a desencarnação do autor,
ocorrida em 1869, foram descobertos, na Inglaterra, fragmentos suficientes à montagem de um
exemplar completo, pelos paleontólogos, permitindo melhor elucidar detalhes da descrição desse
dinossauro. Ficou, então, claro que ele tinha uma calosidade óssea sobre o focinho, como os
iguanídeos

31. - Durante esse período, que há de ter sido muito longo, como o atestam o número e a pujança das camadas geológicas, a vida animal tomou enorme desenvolvimento no seio das águas, tal qual se dera com a vegetação no período que findara. Mais depurado e mais favorável à respiração, o ar começou a permitir que alguns animais vivessem em terra. O mar se deslocou
muitas vezes, mas sem abalos violentos. Com esse período, desaparecem, por sua vez, aquelas raças de gigantescos animais aquáticos, substituídos mais tarde por espécies análogas, de formas menos desproporcionadas e de menor porte.

32. - O orgulho levou o homem a dizer que todos os animais foram criados por sua causa e para satisfação de suas necessidades. Mas, qual o número dos que lhe servem directamente, dos que lhe foi possível submeter, comparado ao número incalculável daqueles com os quais nunca teve ele, nem nunca terá, quaisquer relações? Como se pode sustentar semelhante tese, em face das inumeráveis espécies que exclusivamente povoaram a Terra por milhares e milhares de séculos, antes que ele aí surgisse, e que afinal desapareceram? Poder-se-á afirmar que elas foram criadas em seu proveito?
Entretanto, tinham todas a sua razão de ser, a sua utilidade. Deus, decerto, não as criou por simples capricho da sua vontade, para dar a si mesmo, em seguida, o prazer de as aniquilar, pois que todas tinham vida, instintos, sensação de dor e de bem-estar. Com que fim ele o fez? Com um fim que há de ter sido soberanamente sábio, embora ainda o não compreendamos.
Certamente, um dia será dado ao homem conhecê-lo, para confusão do seu orgulho; mas, enquanto isso não se verifica, como se lhe ampliam as ideias ante os novos horizontes em que lhe é permitido, agora, mergulhar a vista, em presença do imponente espectáculo dessa criação, tão majestosa no seu lento caminhar, tão admirável na sua previdência, tão pontual, tão precisa e tão invariável nos seus resultados!
uma crista espinhosa no dorso, inexistindo chifres, que, no entanto, eram bastante evidentes em
outros monstros, como nos saurópodos.

Período terciário

33. - Com o período terciário nova ordem de coisas começa para a Terra.
O estado da sua superfície muda completamente de aspecto; modificam-se profundamente as condições de vitalidade e se aproximam do estado actual. Os primeiros tempos desse período se assinalam por uma interrupção da produção vegetal e animal; tudo revela traços de uma destruição quase geral dos seres vivos, depois do que aparecem sucessivamente novas espécies, cuja organização, mais perfeita, se adapta à natureza do meio onde são chamados a viver.

34. - Durante os períodos anteriores, a crosta sólida do globo, em virtude da sua pequena espessura, apresentava, como já se disse, bem fraca resistência à acção do fogo interior. Facilmente despedaçado, esse envoltório permitia que as matérias em fusão se derramassem livremente pela superfície do solo. Outro tanto já não se deu quando este ganhou certa espessura. Então, comprimidas de todos os lados, as matérias em brasas, como a água em
ebulição num vaso fechado, acabaram por produzir uma espécie de explosão.
Violentamente quebrada num sem-número de pontos, a massa granítica ficou crivada de fendas, como um vaso rachado. Ao longo dessas fendas, a crosta sólida, levantada e deprimida, formou os picos, as cadeias de montanhas e suas ramificações. Certas partes do envoltório não chegaram a ser despedaçadas, foram apenas soerguidas, enquanto que, noutros pontos, recalcamentos e escavações se produziram.
A superfície do solo tornou-se então muito desigual; as águas que, até aquele momento, a cobriam de maneira quase uniforme na maior parte da sua extensão, foram impelidas para os lugares mais baixos, deixando em seco vastos continentes, ou cumes isolados de montanhas, formando ilhas.
Tal o grande fenómeno que se operou no período terciário e que transformou o aspecto do globo. Ele não se produziu instantânea, nem simultaneamente em todos os pontos, mas sucessivamente e em épocas mais ou menos distanciadas.

35. - Uma das primeiras consequências desses levantamentos foi, como já ficou dito, a inclinação das camadas de sedimento, primitivamente horizontais e assim conservadas onde quer que o solo não sofreu subversões. Foi, portanto, nos flancos e nas proximidades das montanhas que essas inclinações mais se pronunciaram.

36. - Nas regiões onde as camadas de sedimento conservaram a horizontalidade, para se chegar às de formação primária tem-se que atravessar todas as outras, até considerável profundidade, ao cabo da qual se encontra inevitavelmente a rocha granítica. Quando, porém, se ergueram em montanhas, aquelas camadas foram levadas acima do seu nível normal, indo às vezes até a
grande altura, de tal sorte que, feito um corte vertical no flanco da montanha, elas se mostram em toda a sua espessura e sobrepostas como as fiadas de uma construção.
É assim que a grandes elevações se encontram enormes bancos de conchas, primitivamente formados no fundo dos mares. Está hoje perfeitamente comprovado que em nenhuma época o mar há podido alcançar semelhantes alturas, visto que para tanto não bastariam todas as águas existentes na Terra, ainda mesmo que fossem em quantidade cem vezes maior.
Ter-se-ia, pois, de supor que a quantidade de água diminuiu e, então, caberia perguntar o que fora feito da porção que desapareceu. Os levantamentos, facto hoje incontestável, explicam de maneira lógica e rigorosa os depósitos marinhos que se encontram em certas montanhas. (1)

37. - Nos lugares onde o levantamento da rocha primitiva produziu completa rasgadura do solo, quer pela rapidez do fenómeno, quer pela forma, altura e volume da massa levantada, o granito foi posto a nu, qual um dente que irrompeu da gengiva. Levantadas, quebradas e arrumadas, as camadas que o revestiam ficaram a descoberto. É assim que terrenos pertencentes às mais
antigas formações e que, na posição primitiva, se achavam a grande profundidade, compõem hoje o solo de certas regiões.

38. – A massa granítica, deslocada devido aos levantamentos, deixou nalguns sítios fendas por onde se escapa o fogo interior e se escoam as matérias em fusão; os vulcões, que são como que chaminés da imensa fornalha, ou, melhor, válvulas de segurança que, dando saída ao excesso das
matérias ígneas, preservam o globo de comoções muito mais terríveis. Daí o poder dizer-se que os vulcões em actividade são uma segurança para o conjunto da superfície do solo.
Da intensidade desse fogo é possível fazer-se ideia, ponderando-se que no seio mesmo dos mares se abrem vulcões e que a massa da água que os recobre e neles penetra não consegue extingui-los.
__________
(1) Camadas de calcário conchífero foram encontradas nos Andes, América, a 5.000
metros acima do nível do oceano.

39. - Os levantamentos operados na massa sólida necessariamente deslocaram as águas, sendo estas impelidas para as partes côncavas, que ao mesmo tempo se haviam tornado mais profundas pela elevação dos terrenos emergidos e pela depressão de outros. Mas, esses terrenos tornados baixos, levantados por sua vez ora num ponto, ora noutro, expulsaram as águas, que
refluíram para outros lugares e assim por diante, até que houvessem podido tomar um leito mais estável.
Os sucessivos deslocamentos dessa massa líquida forçosamente trabalharam e torturaram a superfície do solo. As águas, escoando-se, arrastaram consigo uma parte dos terrenos de formações anteriores, postos a descoberto pelos levantamentos, desnudaram algumas montanhas que eles cobriam e lhes deixaram à mostra a base granítica ou calcária. Profundos vales foram cavados, enquanto outros eram aterrados.
Há, pois, montanhas directamente formadas pelo fogo central: principalmente as graníticas; outras, devidas à acção das águas que, arrastando as terras móveis e as matérias solúveis, cavaram vales em torno de uma base resistente, calcária, ou de outra natureza.
As matérias arrastadas pelas correntes da água formaram as camadas do período terciário, que facilmente se distinguem das dos precedentes, menos pela composição, que é quase a mesma, do que pela disposição. As camadas dos períodos primário, de transição e secundário, formadas
sobre uma superfície pouco acidentada, são mais ou menos uniformes na Terra toda; as do período terciário, formadas, ao invés, sobre base muito desigual e pelo arrastamento das águas, apresentam carácter mais local. Por toda parte, fazendo-se escavações de certa profundidade, encontram-se todas as camadas anteriores, na ordem em que se formaram, ao passo que não se encontra por toda parte o terreno terciário, nem todas as suas camadas.

40. - Durante os convulsões do solo, ocorridos no princípio deste período, a vida orgânica, como é fácil de conceber-se, teve que ficar estacionária por algum tempo, o que se reconhece examinando terrenos privados de fósseis. Desde, porém, que sobreveio um estado mais calmo, reapareceram os vegetais e os animais.
Estando mudadas as condições de vitalidade, mais depurada a atmosfera, formaram-se novas espécies, com organização mais perfeita. As plantas, sob o ponto de vista da estrutura, diferem pouco das de hoje.

41. - No correr dos dois períodos precedentes, eram pouco extensos os terrenos que as águas não cobriam; eram, ainda assim, pantanosos e com frequência ficavam submersos. Essa a razão por que só havia animais aquáticos ou anfíbios. O período terciário, em o qual vários continentes se
formaram, caracterizou-se pelo aparecimento dos animais terrestres.
Assim como o período de transição assistiu ao nascimento de uma vegetação colossal, o período secundário ao de repteis monstruosos, também o terciário presenciou o de gigantescos mamíferos, quais o elefante, o rinoceronte, o hipopótamo, o paleotérico, o megatério, o dinotério, o mastodonte, o mamute, etc. Estes dois últimos, variedades do elefante, tinham de 5 a 6 metros de altura e suas defesas chegavam a 4 metros de comprimento. Também assistiu, esse
período, ao nascimento dos pássaros, bem como à maioria das espécies animais que ainda hoje existem. Algumas, das dessa época, sobreviveram aos cataclismos posteriores; outras, qualificadas genericamente de animais antediluvianos, desapareceram completamente, ou foram substituídas por espécies análogas, de formas menos pesadas e menos maciças, cujos
primeiros tipos foram como que esboços. Tais o «felis speloea», animal carnívoro do tamanho de um touro, com os caracteres anatómicos do tigre e do leão; o «cervus megaceron», variedade do cervo, cujos chifres, compridos de 3 metros, eram espaçados de 3 a 4 nas extremidades.

Período diluviano

42. - Este período teve a assinalá-lo um dos maiores cataclismos que revolveram o globo, cuja superfície ele mudou mais uma vez de aspecto, destruindo uma imensidade de espécies vivas, das quais apenas restam despojos. Por toda a parte deixou traços que atestam a sua generalidade. As águas, violentamente arremessadas fora dos respectivos leitos, invadiram os
continentes, arrastando consigo as terras e os rochedos, desnudando as montanhas, desenraizando florestas seculares. Os novos depósitos que elas formaram são designados, em Geologia, pelo nome de terrenos diluvianos.

43. - Um dos vestígios mais significativos desse grande desastre são os penedos chamados blocos erráticos. Dá-se essa denominação a rochedos de granito que se encontram isolados nas planícies, repousando sobre terrenos terciários e no meio de terrenos diluvianos, algumas vezes a muitas centenas de léguas das montanhas donde foram arrancados. É claro que só a violência das
correntes há podido transportá-los a tão grandes distâncias. (1)

44. - Outro facto não menos característico e cuja causa se não descobriu ainda é que só nos terrenos diluvianos se encontram os primeiros aerólitos. Pois que somente nessa época eles começaram a cair, segue-se que anteriormente não existia a causa que os produz.

45. - Foi também por essa época que os pólos começaram a cobrir-se de gelo e que se formaram as geleiras das montanhas, o que indica notável mudança na temperatura da Terra, mudança que deve ter sido súbita, porquanto, se houvesse operado gradualmente, os animais, como os
elefantes, que hoje só vivem nos climas quentes e que são encontrados em tão grande número no estado fóssil nas terras polares, teriam tido de retirar-se pouco a pouco para as regiões mais
temperadas. Tudo denota, ao contrário, que eles provavelmente foram colhidos
de surpresa por um grande frio e sitiados pelos gelos. (1)

(1) Um desses blocos, evidentemente provindo, pela sua composição, das montanhas da
Noruega, serve de pedestal à estátua de Pedro, o Grande, em S. Petersburgo.

46. - Esse foi, pois, o verdadeiro dilúvio universal. Dividem-se as opiniões relativamente às causas que devam tê-lo produzido. Quaisquer, porém, que elas sejam, o que é certo é que o facto se deu. A suposição mais generalizada é a de que uma brusca mudança sofreu a posição do eixo e dos pólos da Terra; daí uma projecção geral das águas sobre a superfície. Se a mudança se houvesse processado lentamente, a retirada das águas teria sido gradual, sem abalos, no passo que tudo indica uma comoção violenta e inopinada. Ignorando qual a verdadeira causa, temos que ficar no campo das hipóteses.
O deslocamento repentino das águas também pode ter ocasionado o levantamento de certas partes da crosta sólida e a formação de novas montanhas dentro dos mares, conforme se verificou em começo do período terciário. Mas, além de que, então, o cataclismo não teria sido geral, isso não explicaria a mudança súbita da temperatura dos pólos.
__________
(1) Em 1771, o naturalista russo Pallas encontrou nos gelos do Norte o corpo inteiro de
um mamute revestido da pele e conservando parte das suas carnes. Em 1799, descobriu-se
outro, igualmente encerrado num enorme bloco de gelo, na embocadura do Lena, na Sibéria, e
que foi descrito pelo naturalista Adams. Os iacutos das circunvizinhanças lhe despedaçaram as
carnes para alimentar seus cães. A pele se achava coberta de pêlos negros e o pescoço
guarnecia-o espessa crina. A cabeça sem as defesas, que mediam mais de 4 metros, pesava
mais de 200 quilos. Seu esqueleto está no museu de S. Petersburgo. Nas ilhas e nas bordas do
mar glacial encontra-se tão grande quantidade de defesas, que elas fazem objecto de
considerável comércio, sob o nome de marfim fóssil ou da Sibéria.

47. - Na tormenta determinada pelo deslocamento das águas, pereceram muitos animais; outros, a fim de escaparem à inundação, se retiraram para os lugares altos, para as cavernas e fendas, onde sucumbiram em massa, ou de fome, ou devorando-se, ou, ainda, talvez, pela irrupção das águas nos sítios onde se tinham refugiado e donde não puderam fugir. Assim se explica a
grande quantidade de ossadas de animais diversos, carnívoros e outros, que são encontrados de mistura em certas cavernas, que por essa razão foram chamadas brechas ou cavernas de ossos. São encontradas as mais das vezes sob as estalagmites. Nalgumas, as ossadas parecem ter sido arrastadas para ali pela correnteza das águas. (1)

Período pós-diluviano, ou actual. - Nascimento do homem

48. - Uma vez restabelecido o equilíbrio na superfície do planeta, prontamente a vida vegetal e animal retomou o seu curso. Consolidado, o solo assumiu uma colocação mais estável; o ar, purificado, se tornara apropriado a órgãos mais delicados. O Sol, brilhando em todo o seu esplendor através de uma atmosfera límpida, difundia, com a luz, um calor menos sufocante e mais vivificador do que o da fornalha interna. A Terra se povoava de animais menos
ferozes e mais sociáveis; mais suculentos, os vegetais proporcionavam alimentação menos grosseira; tudo, enfim, se achava preparado no planeta para o novo hóspede que o viria habitar. Apareceu então o homem, último ser da criação, aquele cuja inteligência concorreria, dali em diante, para o progresso geral, progredindo ele próprio.
__________
(1) Conhece-se grande número de cavernas semelhantes, algumas de enorme extensão.
Várias existem, no México, de multas léguas. A de Aldesberg, em Carniola (Áustria), tem nada
menos de três léguas. Uma das mais notáveis é a de Gailenreuth, no Würtemberg. Há muitas
delas na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália (Sicília) e outros países da Europa.

49. - O homem só terá existido na Terra depois do período diluviano, ou terá surgido antes dessa época? Questão é esta muito controvertida hoje, mas cuja solução, seja qual for, nada mudará no conjunto dos fatos verificados, nem fará que o aparecimento da espécie humana não seja anterior, de muitos milhares de anos, à data que lhe assina a Génese bíblica.
O que fez se supusesse que o advento dos homens ocorreu posteriormente ao dilúvio foi o facto de se não ter achado vestígio autêntico da sua existência no período anterior. As ossadas descobertas em diversos lugares e que geraram a crença na existência de uma raça de gigantes antediluvianos foram reconhecidas como de elefantes.
O que está fora de dúvida é que não existia o homem, nem no período primário, nem no de transição, nem no secundário, não só porque nenhum traço
dele se descobriu, como também porque não havia para ele condições de vitalidade. Se o seu aparecimento se deu no terciário, só pode ter sido no fim do período e bem pouco então se há de ele ter multiplicado. Ao demais, por haver sido curto, o período antediluviano não determinou
mudanças notáveis nas condições atmosféricas, tanto que eram os mesmos os animais, antes e depois dele; não é, pois, impossível que o aparecimento do homem tenha precedido esse grande cataclismo; está hoje comprovada a existência do macaco naquela época e recentes descobertas parecem confirmar a do homem. (1)
Como quer que seja, tenha o homem aparecido ou não antes do grande dilúvio universal, o que é certo é que o seu papel humanitário somente no período pós-diluviano começou a esboçar-se. Pode-se, portanto, considerar caracterizado pela sua presença esse período.
________
(1) Veja-se: O homem antediluviano, por Boucher de Perthes. - Os instrumentos de
pedra, Idem - Discurso sobre as revoluções do globo, por Jorge Cuvier, anotado pelo Dr.
Hoefer.
Referencia: A génese

NOTICIAS DO BRASIL



- Visita do CEI à América Central

- Preparativos para o Centenário de Chico Xavier

- Ex-ministro da Justiça fala sobre Espiritismo
- Comecelesp é realizada em abril

- 8ª Conjemat- E a família, onde está?

- FEEB promove Curso de Evangelizadores

- Seminário no Paraná

-CONJER 2009



Visita do CEI à América Central

No final de janeiro e início de fevereiro de 2009, uma equipe do Conselho Espírita Internacional visitou instituições espíritas de Honduras, El Salvador, Guatemala e Costa Rica. Na oportunidade, Roberto Fuina Versiani, Luís Hu Rivas e Marta Antunes de Moura desenvolveram palestras e seminários sobre as finalidades e atuações do Centro Espírita. Informações: http://mail.google.com/mail/h/1iv2ky2adl9iq/?v=b&cs=wh&to=spiritist@spiritist.org

Preparativos para o Centenário de Chico Xavier

No dia 7 de fevereiro reúne-se na sede da FEB a Comissão Central Organizadora do “Projeto Centenário de Chico Xavier”, coordenada por Antonio Cesar Perri de Carvalho. Serão definidas as operacionalizações à vista das propostas aprovadas pelo Conselho Federativo Nacional da FEB. Em seguida, no dia 8, reúne-se a Comissão Organizadora do 3º Congresso Espírita Brasileiro, que será promovido pela FEB dentro do Projeto citado, em abril de 2010. A Comissão Central do Projeto e o coordenador da Comissão do Congresso João Pinto Rabelo se reunirão com coordenadores de mais de 20 equipes. Informações: http://mail.google.com/mail/h/1iv2ky2adl9iq/?v=b&cs=wh&to=cfn@febnet.org.br

Ex-ministro da Justiça fala sobre Espiritismo

O professor Miguel Reale Júnior escreveu o artigo “Razão e religião”, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”. Agora, em entrevista ao jornal “Pense” (janeiro de 2009) fez depoimentos sobre seu avô, que era espírita, a presença de espíritas no Palácio do Planalto na gestão Fernando Henrique Cardoso e vários comentários doutrinários, como: “A doutrina da reencarnação é a meu ver a maior expressão da justiça. A reencarnação não é castigo, é oportunidade de evolução.” Reale Jr. é professor titular de Direito Penal na Universidade de São Paulo, ex-ministro da Justiça (2002), secretário de Administração do Estado de São Paulo (governo de Mário Covas Jr. - 1995/2001), secretário de Segurança Pública do Estado (governo Franco Montoro - 1983/1987), entre outros títulos, além de escritor e membro da Academia Paulista de Letras.

Comecelesp é realizada em abril

A Confratenização das Mocidade Espíritas do Centro-Leste do Estado de São Paulo será realizada na cidade de Atibaia, em SP, entre os dias 9 e 12 de abril. A Comecelesp será realizada pelo Departamento de Mocidade da União das Sociedades Espíritas de São Paulo, com o tema “Jovem espírita e o sentido da vida”. Informações http://www.dm2.org.br/

8ª Conjemat

A Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT) promove de 21 a 24 de fevereiro a 8ª Confraternização dos Jovens Espíritas do Estado de Mato Grosso (Conjemat), em Nobres (146 Km de Cuiabá). O evento ocorre a cada dois anos e este ano tem o tema " Pro dia Nascer Mais Feliz", abordando assuntos como violência, preconceito, devastação ambiental, conflitos familiares e urbanos, além de propor alternativas de paz a partir do amor ensinado por Jesus. Informações: (65) 3644-2727 ou http://mail.google.com/mail/h/1iv2ky2adl9iq/?v=b&cs=wh&to=feemt@feemt.org.br

E a família, onde está?

Os jovens espíritas puderam contar, no período de 21 a 24 de fevereiro, com a 15º edição do EMEPI - Encontro das Mocidades Espíritas do Piauí, que acontece na Federação Espírita Piauiense. O tema do EMEPI desse ano foi: “E a Família, Onde Está?” O evento propiciou momentos de evangelização, arte e confraternização. Informações: http://www.fepi.org.br/

FEEB promove Curso de Evangelizadores

A Federação Espírita do Estado da Bahia promoveu, nos dias 7 e 8 e 14 e 15 de fevereiro, o Curso de Preparação para Evangelizadores de Infância e Juventude, em sua sede. Informações (71) 3359-3323

Seminário no Paraná

A Federação Espírita do Paraná promeve no dia 8 de fevereiro, pela manhã, sob a coordenação de Maria da Graça Rozetti e Valdecir José Rozetti, do Setor de Atendimento Espiritual da FEP, o Seminário: “Atendimento Espiritual à Luz dos Ensinamentos de Jesus”. O evento ocorre na Sociedade Espírita Paz, Amor e Luz, em Cascavel (PR) e pretende abordar: “A importância da Doutrina Consoladora”, “Aspectos da vivência dos Ensinos de Jesus”, “O refrigério da palavra confortadora”, “A Ação espiritual nos diálogos e nas vivências”, “Buscai e Achareis, Pedi e vos será dado” e Ação espiritual nas nossas vidas. Informações: http://www.feparana.com.br/

CONJER 2009

A XII Confraternização das Juventudes Espíritas de Roraima, CONJER, acontecerá nos dias 21 a 25 de fevereiro na Escola Monteiro Lobato, com o tema “Família: um lugar feito para mim”. É um evento promovido pela Federação Espírita Roraimense e conta este ano com quase 50 jovens já inscritos. Informações: http://www.fer-roraima.org/

sábado, 31 de janeiro de 2009

Noticias de Portugal


1 - JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA - ADEP


2 - ACTIVIDADES NO ALGARVE


3 - EDUCAÇÃO E EVANGELIZAÇÃO NAS CALDAS


4 - PINTURA MEDIÚNICA EM PORTUGA


5 - ACTIVIDADES EM LAGOS


6 - PALESTRAS EM ÍLHAVO


1 - JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA - ADEP



A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) vai levar a cabo novamente, este ano as Jornadas de Cultura Espírita, em Óbidos.Este evento terá lugar nos dias 1 e 2 de Maio, no Auditório Municipal "A Casa da Música", em Óbidos.O tema central será "A Vida Continua – Factos Espíritas".Brevemente daremos notícias.Consulte o noso site em http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=36&L=8&F=H Fonte: ADEP



2 - ACTIVIDADES NO ALGARVE



A pedido da União Espírita do Algarve, informamos que nas datas abaixo indicadas, FERNANDO ESPELHO, da FEESP – Federação Espírita do Estado de São Paulo, estará de visita ao Algarve, nos seguintes locais:


PECHÃO 29 Jan, 21:30 – Núcleo Familiar Espírita Mentor AmigoContacto: 965053744/3


QUARTEIRA 30 Jan, 21:30 – Assoc. Esp. Quarteira, O ConsoladorContacto: 919352225


LAGOS 31 Jan, 16:00 – Assoc. Esp. LagosContacto: 282088297


PORTIMÃO 31 Jan, 18:30 – Centro Esp. Boa VontadeContacto: 918390470


E ainda no Algarve, o ENCONTRO DE EVANGELIZADORES, doDepartamento de Infância e Juventude da FEP, sob orientação de MariaEmília Barros:


QUARTEIRA 14 Fevereiro, entre as 09:30 e as 17:30Assoc. Esp. Quarteira, O Consolador


Fonte: FEP



3 - EDUCAÇÃO E EVANGELIZAÇÃO NAS CALDAS



Na sexta-feira, dia 30 de Janeiro, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema " EDUCAÇÃO E EVANGELIZAÇÃO".


A educação do ser humano sempre foi a pedra de toque da essência da Doutrina Espírita (ou Espiritismo). Sem ela, a humanidade caminha para abismos de ordem ético-moral e até material, buscando a sua felicidade na matéria transitória, quando somos espíritos eternos.Pegando na mensagem que Jesus de Nazaré trouxe à Terra, a Doutrina Espírita enfatiza a necessidade da educação ser alicerçada na evangelização, no sentido de dar uma base ético-moral forte, lógica e entendível, para que amanhã os nossos jovens consigam superar os naturais embates da vida.


As entradas são livres e gratuitas.


Este centro tem página na Internet em http://www.adeportugal.org/newsletter/link.php?M=434&N=36&L=3&F=H e e-mail cce@caldasrainha.net Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)



4 - PINTURA MEDIÚNICA EM PORTUGAL



Alegramo-nos em comunicar que Florêncio Anton irá estar de novo entre nós, de 3 a 17 de Fevereiro, zona Norte, Centro e Sul (Lisboa), e de 18 a 26 de Fevereiro, zona Sul (Algarve), com os trabalhos de Pintura Mediúnica, Palestras e Seminários.Brevemente, daremos notícia da Programação detalhada.O nosso abraço de muita Paz.Fonte: Leonor Santos



5 - ACTIVIDADES EM LAGOS



No dia 21/02/09 a Associação Espírita de Lagos receberá a visita de Florêncio Anton, para uma sessão de psicopictografia, que terá lugar pelas 16h.


A entrada é livre e gratuita.


Estarão presentes na Associação Espírita de Lagos, no próximo dia 31/01/09, Fernando Espelho, Director da FEESP, acompanhado do companheiro do país vizinho, Blas, Vice-Presidente da Federação Espírita Espanhola.


A palestra da tarde, que terá lugar às 16H, será proferida por Fernando Espelho.


No próximo dia 7/02/09, a Associação Espírita de Lagos receberá a visita de Manuela Vasconcelos, pelas 16h, para proferir a palestra da tarde, subordinada ao tema "Fernando de Lacerda, o médium português".


Fonte: Isabel Martins



6 - PALESTRAS EM ÍLHAVO



CENTRO DE CULTURA ESPÍRITA MAR DE ESPERANÇA – ÍLHAVOPALESTRAS / FEVEREIROLOCAL: Auditório da Associação, Rua João de Deus, nº. 17, Ílhavo


Ás quintas-feiras, pelas 21 horasSITE: mardesperanca.do.sapo.pt e-mail: mardeeperanca@sapo.pt


Dia 5 - Isabel Feio - Centro de Cultura Espírita Mar de Esperança de ÍlhavoTEMA: “INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS”


Dia 12 - Terroso Martins e João Xavier de Almeida - Associação Cultural Espírita Fernando Lacerda de Rio TintoTEMA: “ NÃO VIM PARA DESTRUIR A LEI “


Dia 19 - Mario João Pedro - Centro de Cultura Espírita Mar de Esperança de ÍlhavoTEMA: “ REENCARNAÇÃO “


Dia 26 - Dr. Helder Alexandre - Associação Cultura de Auxilio e Esclarecimento “NOSSO LAR” de AveiroTEMA: capitulo 23 do Livro dos médiuns, “OBSESSÃO”PASSE MAGNÉTICO INDIVIDUAL


- Ás quintas-feiras, pelas 22 horas, a seguir ás palestrasESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA


- Ás terças-feiras, pelas 21 horasATENDIMENTO FRATERNO


- Ás terças-feiras, pelas 20 horas


Entrada livre e gratuitaAssociação sem fins lucrativos


Fonte: CCEE