domingo, 7 de dezembro de 2008

Teorias antigas e modernas sobre o mundo


TEORIAS ANTIGAS E MODERNAS SOBRE O MUNDO

1. - A primeira ideia que os homens formaram da Terra, do movimento dos astros e da constituição do Universo, há de, a princípio, ter-se baseado unicamente no que os sentidos percebiam. Ignorando as mais elementares leis da Física e as forças da Natureza, não dispondo senão da vista como meio de observação, apenas pelas aparências podiam eles julgar. Vendo o Sol aparecer pela manhã, de um lado do horizonte, e desaparecer, à tarde, do lado oposto, concluíram naturalmente que ele girava em torno da Terra, conservando-se esta imóvel. Se lhes dissessem então que o contrário é o que se dá, responderiam não ser possível tal coisa, objectando: vemos que o Sol muda de lugar e não sentimos que a Terra se mexa.

2. - A pequena extensão das viagens, que naquela época raramente iam além dos limites da tribo ou do vale, não permitia se comprovasse a esfericidade da Terra. Como, ao demais, haviam de supor que a Terra fosse uma bola? Os homens não se poderiam manter sobre o ponto mais elevado e imaginá-la habitada em toda a superfície, como viveriam eles no hemisfério oposto, com a cabeça para baixo e os pés para cima? Ainda menos possível houvera parecido isso com o movimento de rotação. Quando, mesmo aos nossos dias, em que se conhece a lei de gravitação, se vêem pessoas relativamente esclarecidas não perceberem esse fenómeno, como nos surpreendermos de que homens das primeiras idades não o tenham, sequer, suspeitado?
Para eles, pois, a Terra era uma superfície plana e circular, qual uma mó de moinho, estendendo-se a perder de vista na direcção horizontal. Dai a expressão ainda em uso: ir ao fim do mundo. Desconheciam-lhe os limites, a espessura, o interior, a face inferior, o que lhe ficava por baixo. (1)

(1) "A mitologia hindu ensinava que, ao entardecer, o astro do dia se despojava de sua
luz e atravessava o céu durante a noite com uma face obscura. A mitologia grega figurava
puxado por quatro cavalos o carro de Apolo. Anaximandro, de Mileto, sustentava, ao que refere
Plutarco, que o sol era um carro cheio de fogo muito vivo, que se escapava por uma abertura
circular. Epicuro, segundo uns, teria emitido a opinião de que o Sol se acendia pela manha e se
apagava à noite nas águas do oceano; segundo outros, ele considerava esse astro uma pedrapomes aquecida até à incandescência. Anaxágoras o tomava por um ferro incandescente, do tamanho do Peloponeso. Coisa singular! os antigos eram tão invencivelmente induzidos a
considerar real a grandeza aparente desse astro, que perseguiram o filósofo temerário por haver
atribuído aquele volume ao facho do dia, fazendo-se necessária toda a autoridade de Péricles
para salvá-lo de uma condenação à morte e para que essa pena fosse comutada na de exílio."
(Flammarion, Estudos e leituras sobre a Astronomia, pág. 6.) Diante de tais ideias, emitidas no quinto século antes do Cristo, ao tempo da maior prosperidade da Grécia, não devem causar espanto aquelas que os homens das primeiras idades faziam sobre o sistema do mundo.


3. - Por se mostrar sob forma côncava, o céu, na crença vulgar, era tido como uma abóbada real, cujos bordos inferiores repousavam na Terra e lhe marcavam os confins, vasta cúpula cuja capacidade o ar enchia completamente. Sem nenhuma noção do espaço infinito, incapazes mesmo de o conceberem, imaginavam os homens que essa abóbada era constituída de matéria sólida, donde a denominação de firmamento que lhe foi dada e que sobreviveu à crença, significando: firme, resistente (do latim firmamentum, derivado de firmus e do grego herma, hermatos, firme, sustentáculo, suporte, ponto de apoio).

4. - As estrelas, de cuja natureza não podiam suspeitar, eram simplesmente pontos luminosos, de volumes diversos, engastados na abóbada, como lâmpadas suspensas, dispostas sobre uma única superfície e, por conseguinte, todas à mesma distância da Terra, tal como as que se vêem no interior de certas cúpulas, pintadas de azul, figurando a do céu. Se bem hoje sejam outras as ideias, o uso das expressões antigas se conservou. Ainda se diz, por comparação: a abóbada estrelada; sob a cúpula do céu.

5 - Igualmente desconhecida era então a formação das nuvens pela evaporação das águas da Terra. A ninguém podia acudir a ideia de que a chuva, que cai do céu, tivesse origem na Terra, donde ninguém a via subir. Daí a crença na existência de águas superiores e de águas inferiores, de fontes celestes e de fontes terrestres, de reservatórios colocados nas altas regiões, suposição que concordava perfeitamente com a ideia de uma abóbada sólida, capaz de os sustentar. As águas superiores, escapando-se pelas frestas da abóbada, caiam em chuva e, conforme fossem mais ou menos largas as frestas, a chuva era branda, torrencial e diluviana.

6. - A ignorância completa do conjunto do Universo e das leis que o regem, da natureza, da constituição e da destinação dos astros, que, aliás, pareciam tão pequenos, comparativamente à Terra, fez necessariamente fosse esta considerada como a coisa principal, o fim único da criação e os astros como acessórios, exclusivamente criados em intenção dos seus habitantes.
Esse preconceito se perpetuou até aos nossos dias, apesar das descobertas da Ciência, que mudaram, para o homem, o aspecto do mundo. Quanta gente ainda acredita que as estrelas são ornamentos do céu, destinados a recrear a vista dos habitantes da Terra!

7. - Não tardou, porém, se apercebessem do movimento aparente das estrelas, que se deslocam em massa do oriente para o ocidente, despontando ao anoitecer e ocultando-se pela manhã, e conservando suas respectivas posições. Semelhante observação, contudo, não teve, durante longo tempo, outra consequência que não fosse a de confirmar a ideia de uma abóbada sólida, a
arrastar consigo as estrelas, no seu movimento de rotação. Essas ideias primárias, simplistas, constituíram, no curso de largos períodos seculares, o fundo das crenças religiosas e serviram de base a todas as cosmogonias antigas.

8. - Mais tarde, pela direcção do movimento das estrelas e pelo periódico retorno delas, na mesma ordem, percebeu-se que a abóbada celeste não podia ser apenas uma semi-esfera posta sobre a Terra, mas uma esfera inteira, oca, em cujo centro se achava a Terra, sempre chata, ou, quando muito, convexa e habitada somente na superfície superior. Já era um progresso.
Mas, qual o suporte da Terra? Fora inútil mencionar todas as suposições ridículas, geradas pela imaginação, desde a dos indianos, que a diziam suportada por quatro elefantes brancos, pousados estes sobre as asas de um imenso abutre. Os mais sensatos confessavam que nada sabiam a respeito.

9. - Entretanto, uma opinião geralmente espalhada nas teogonias pagãs situava nos lugares baixos, ou, por outra, nas profundezas da Terra, ou debaixo desta, não sabia bem, a morada dos réprobos, chamada inferno, isto é, lugares inferiores, e nos lugares altos, além da região das estrelas, a morada dos bem-aventurados. A palavra inferno se conservou até aos nossos dias, se bem haja perdido a significação etimológica, desde que a Geologia retirou das entranhas da Terra o lugar dos suplícios eternos e a Astronomia demonstrou que no espaço infinito não há baixo nem alto.

10. - Sob o céu puro da Caldeia, da Índia e do Egipto, berço das mais antigas civilizações, o movimento dos astros foi observado com tanta exactidão, quanto o permitia a falta de instrumentos especiais. Notou-se, primeiramente, que certas estrelas tinham movimento próprio, independente da mesma, o que não consentia a suposição de que se achassem presas à abóbada. Chamaram-lhes estrelas errantes ou planetas, para distingui-las das estrelas fixas. Calcularam-se-lhes os movimentos e os retornos periódicos. No movimento diurno da esfera estrelada, foi notada a imobilidade da Estrela Polar à volta da qual as outras descreviam, em vinte e quatro horas, círculos oblíquos paralelos, uns maiores, outros menores, conforme a distância em que se encontravam da estrela central. Foi o primeiro passo para o conhecimento da obliquidade do eixo do mundo. Viagens mais longas deram lugar a que se observasse a diferença dos aspectos do céu, segundo as latitudes e as estações. A verificação de que a elevação da Estrela Polar acima do horizonte variava com a latitude, abriu caminho para a percepção da esfericidade da Terra. Foi assim que, pouco a pouco, chegaram a fazer uma ideia mais exacta do sistema do mundo. Pelo ano 600 antes de J.-C., Tales, de Mileto (Ásia Menor), descobriu a esfericidade da Terra, a obliquidade da elíptica e a causa dos eclipses. Um século depois, Pitágoras, de Samos, descobre o movimento diurno da Terra, sobre o próprio eixo, seu movimento anual em torno do Sol e incorpora os planetas e os cometas ao sistema solar.
Hiparco, de Alexandria (Egipto), 160 anos antes de J.-C., inventa o astrolábio, calcula e prediz os eclipses, observa as manchas do Sol, determina o ano trópico, a duração das revoluções da Lua.
Embora preciosíssimas para o progresso da Ciência, essas descobertas levaram perto de 2.000 anos a se popularizarem. Não dispondo então senão de raros manuscritos para se propagarem, as ideias novas permaneciam como património de alguns filósofos, que as ensinavam a discípulos privilegiados. As massas, que ninguém cuidava de esclarecer, nenhum proveito tiravam delas e
continuavam a nutrir-se das velhas crenças.

11. - Cerca do ano 140 da era cristã, Ptolomeu, um dos homens mais ilustres da Escola de Alexandria, combinando suas próprias ideias com as crenças vulgares e com algumas das mais recentes descobertas astronómicas, compôs um sistema que se pode qualificar de misto, que traz o seu nome e que, por perto de quinze séculos, foi o único que o mundo civilizado adoptou.
Segundo o sistema de Ptolomeu, a Terra é uma esfera posta no centro do Universo e composta de quatro elementos: terra, água, ar e fogo. Essa a primeira região, dita elementar. A segunda região, dita etérea, compreendia onze céus, ou esferas concêntricas, a girar em torno da Terra, a saber: o céu da Lua, os de Mercúrio, de Vénus, do Sol, de Marte, de Júpiter, de Saturno, das
estrelas fixas, do primeiro cristalino, esfera sólida transparente; do segundo cristalino e, finalmente, do primeiro móvel, que dava movimento a todos os céus inferiores e os obrigava a fazer urna revolução em vinte e quatro horas. Para além dos onze céus estava o Empíreo, habitação dos bem-aventurados, denominação tirada do grego pyr ou pur, que significa fogo, porque se acreditava que essa região resplandecia de luz, como o fogo. Longo tempo prevaleceu a crença em muitos céus subrepostos, cujo número, entretanto, variava. O sétimo era geralmente tido como o mais elevado, donde a expressão: ser arrebatado ao sétimo céu. São Paulo disse que fora elevado ao terceiro céu. Afora o movimento comum, os astros, segundo Ptolomeu, tinham movimentos próprios, mais ou menos dilatados, conforme a distância em que se achavam do centro. As estrelas fixas faziam uma revolução em 25.816 anos, avaliação esta que denota conhecimento da precisão dos equinócios, que se realiza em 25.868 anos.

12. - No começo do século dezasseis, Copérnico, astrónomo célebre, nascido em Thorn (Prússia), no ano de 1472 e morto no de 1543, reconsiderou as ideias de Pitágoras , publicou uma teoria que, confirmada todos os dias por novas observações, teve acolhimento favorável e não tardou a derrotar o de Ptolomeu. Segundo o sistema de Copérnico, o Sol está no centro os planetas descrevem órbitas circulares à volta deste astro sendo a Lua um satélite da Terra.
Decorrido um século, em 1609, Galileu, natural de Florença, inventa o telescópio; em 1610, descobre os quatro (1) satélites de Júpiter e lhe calcula as revoluções; reconhece que os planetas não têm luz própria como as estrelas, mas que são iluminados pelo Sol; que são esferas semelhantes à Terra; observa-lhes as fases e determina o tempo que duram as rotações deles em torno de seus eixos, oferecendo assim, por provas materiais, sanção definitiva
ao sistema de Copérnico. Ruiu então a construção dos céus sobrepostos; reconheceu-se que os
planetas são mundos semelhantes à Terra e, sem dúvida, habitados, como esta;
que as estrelas são inumeráveis sóis, prováveis centros de outros tantos sistemas planetários, sendo o próprio Sol reconhecido como uma estrela, centro de um turbilhão de planetas que se lhe acham sujeitos. As estrelas deixaram de estar confinadas numa zona da esfera celeste, para estarem irregularmente disseminadas pelo espaço sem limites, encontrando-se a distâncias incomensuráveis umas das outras as que parecem tocar-se, sendo as aparentemente menores as mais afastadas de nós e as maiores as que nos estão mais perto, porém, ainda assim, a centenas de bilhões de léguas. Os grupos que tomaram o nome de constelações mais não são do que agregados aparentes, causados pela distância; suas figuras não passam de efeitos de perspectiva, como as que as luzes espalhadas por uma vasta planície, ou as árvores de uma floresta formam, aos olhos de quem as observa colocado num ponto fixo. Na realidade, porém, tais agrupamentos não existem. Se nos pudesse-mos transportar para a reunião de uma dessas constelações, à medida que nos aproximássemos dela, a sua forma se desmancharia e novos grupos se desenhariam à nossa vista. Ora, não existindo esses agrupamentos senão na aparência, o significado que uma crença vulgar supersticiosa lhe atribui é ilusória e a sua influência só poderia existir em imaginação. Para se distinguirem as constelações, deram-se-lhes nomes como estes: Leão, Touro, Gémeos, Virgem, Balança, Capricórnio, Câncer, Oríon, Hércules, Grande Ursa ou Carro de David, Pequena Ursa, Lira, etc., e, para representá-las, atribuíram-se-lhes as formas que esses nomes lembram, fantasiosas em sua maioria e, em nenhum caso, guardando qualquer relação com os grupos de estrelas assim chamados. Fora, pois, inútil procurar no céu tais formas. A crença na influência das constelações, sobretudo das que constituem os doze signos do zodíaco, proveio da ideia ligada aos nomes que elas trazem.
Se à que se chama leão fosse dada o nome de asno ou de ovelha, certamente lhe teriam atribuído outra influência.

__________
(1) Nota da Editora, à 16ª edição, de 1973: Depois de Galileu, os astrónomos descobriram mais oito; são conhecidos actualmente, portanto, 12 satélites de Júpiter (4 deles com movimento retrógrado).


13. - A partir de Copérnico e Galileu, as velhas cosmogonias deixaram para sempre de subsistir. A Astronomia só podia avançar, não recuar. A História diz das lutas que esses homens de génio tiveram de sustentar contra os preconceitos e, sobretudo, contra o espírito de seita, interessado em manter erros sobre os quais se haviam fundado crenças, supostamente firmadas em
bases inabaláveis. Bastou a invenção de um instrumento de óptica para derrocar uma construção de muitos milhares de anos. Nada, é claro, poderia prevalecer contra uma verdade reconhecida como tal. Graças à Tipografia, o público, iniciado nas novas ideias, entrou a não se deixar embalar com ilusões e tomou parte na luta. Já não era contra indivíduos que os sustentadores das velhas ideias tinham de combater, mas contra a opinião geral, que esposava a causa da verdade.
Quão grande é o Universo em face das mesquinhas proporções que nossos pais lhe assinavam! Quanto é sublime a obra de Deus, desde que a vemos realizar-se conformemente às eternas leis da Natureza! Mas, também, quanto tempo, que de esforços do génio, que de devoções foram
necessárias para descerrar os olhos às criaturas e arrancar-lhes, afinal, a venda da ignorância!

14. - Estava desde então aberto o caminho em que ilustres e numerosos sábios iam entrar, a fim de completarem a obra encetada. Na Alemanha, Kepler descobre as célebres leis que lhe conservam o nome e por meio das quais se reconhece que as órbitas que os planetas descrevem não são circulares, mas elipses, um de cujos focos o Sol ocupa. Newton, na Inglaterra, descobre a lei da gravitação universal. Laplace, na França, cria a mecânica celeste. Finalmente, a Astronomia deixa de ser um sistema fundado em conjecturas ou probabilidades e torna-se uma ciência assente nas mais rigorosas bases, as do cálculo e da geometria. Fica assim lançada uma das pedras fundamentais da Génese, cerca de 3.300 anos depois de Moisés.

Referencia: A Génese

sábado, 6 de dezembro de 2008

NOTICIAS DO BRASIL



-CEI inaugura Distribuidora e comemora os 150 anos da Revista Espírita

- Sesquicentenário da Revista Espírita e Informações Internacionais

- Preparativos para o Congresso do Centenário de Chico Xavier
- TVCEI transmite Congresso Nacional de Espiritismo na Espanha
- Tempos de Transição-Cursos de Gestão

- Associação Jurídico

-Espírita promove evento sobre a Paz

- Feira do Livro Espírita em Belém

- Dependência química e espiritualidade

-Família em debate

-Atendimento Espiritual



CEI inaugura Distribuidora e comemora os 150 anos da Revista Espírita


A EDICEI, Editora do Conselho Espírita Internacional, inaugurou sua sede em Águas Claras, Brasília, no dia 29 de novembro. Na oportunidade, houve comemoração aos 150 anos da Revista Espírita, iniciada por Allan Kardec, com a apresentação de suas Edições Especiais do Sesquicentenário, em quatro idiomas; exposições sobre as atividades do CEI e do "Projeto Centenário de Chico Xavier". Informações: (61) 3404-5700.

Sesquicentenário da Revista Espírita e Informações Internacionais


A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realiza em sua sede uma Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo Estadual e do Conselho de Administração, no dia 13 de dezembro, com o objetivo de comemorar o lançamento de edições comemorativas (português, espanhol, francês e inglês) realizadas pelo CEI referentes aos 150 anos da Revista Espírita, criada por Allan Kardec. Durante o evento será ainda apresentado o tema “O roteiro do Espiritismo pelo mundo” com esclarecimentos sobre o 6o Congresso Espírita Mundial, por Nestor João Masotti e Antonio Cesar Perri de Carvalho, respectivamente, secretário-geral e membro da Comissão Executiva do CEI; exposição e apresentação sobre a TVCEI, por Luis Hu Rivas, e sobre a EDICEI, por Fernando Quaglia. Informações: http://www.use-sp.com.br/ e fone (11) 2950-6554.

Preparativos para o Congresso do Centenário de Chico Xavier


Na Reunião do CFN de novembro de 2008 foram aprovados o "Projeto Centenário de Chico Xavier" - que inclui a realização do 3º Congresso Espírita Brasileiro (com tema central e relação de temas já definidos) - e a Comissão Central desse Projeto. No mesmo período da Reunião do CFN já ocorreu uma primeira reunião desta Comissão. No dia 29 de novembro, houve um evento na FEB para o lançamento do citado Projeto e também com o objetivo de se esclarecer e se trocar idéias sobre os preparativos para o 3º Congresso, programado para ser realizado em Brasília, nos dias 16, 17 e 18 de abril de 2010. Informações: cfn@febnet.org.br

TVCEI transmite Congresso Nacional de Espiritismo na Espanha


O XVI Congresso Espírita Nacional, promoção da Federação Espírita da Espanha, ocorre em Calpe, entre os dias 6 e 8 de dezembro, e terá transmissão ao vivo pela TV do Conselho Espírita Internacional (TVCEI) com todas as palestras, mesas de respostas e momentos de arte. Contará com exposições de Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira, Jesús Gutiérrez, Juan Ruiz González, entre outros. É possível assistir o Congresso espírita espanhol, além de encontrar todo o cronograma de palestras pelo site http://www.tvcei.com/, e acessar o link “Agenda de Eventos”. Para acompanhar o evento em tempo real escolha o canal 2 no controle virtual da página principal do site.Nos mesmos dias, será realizado em Calpe a reunião da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional. Entre outros temas, ocorrerão definições para o 6º. Congresso Espírita Mundial, promoção do CEI e programado para o período de 10 a 12 de outubro de 2010, em Valencia (Espanha).

Tempos de Transição


O Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita da Federação Espírita Brasileira promove no dia 6 de dezembro, das 18h30 às 20h, o Seminário com o tema “Tempos de Transição”. O evento ocorre no Prédio Unificação da própria FEB. Informações: (61) 2101-6161

Cursos de Gestão


Concluem-se, no dia 6 de dezembro, dois cursos de Gestão de Centros Espíritas, na sede da FEB e na Federação Espírita de Mato Grosso do Sul. A equipe da secretaria-geral do CFN será a coordenadora e a apoiadora dos dois cursos. Informações: cfn@febnet.org.br

Associação Jurídico-Espírita promove evento sobre a Paz


A Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo, com o apoio da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e do Instituto dos Advogados de São Paulo, promoverá o evento “A Caminho da Paz”, nas dependências do Auditório Elis Regina, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. No dia 6 de dezembro, das 14h30 às 18h, haverá palestra de Izaias Claro, Promotor de Justiça, e apresentação musical de Moacyr Camargo e do Grupo “O Canto para a Paz”. Informações e inscrições pelo e-mail: eventodapaz@ajesaopaulo.com.br

Feira do Livro Espírita em Belém


Belém será palco de mais uma Feira do Livro Espírita. Promovida pela União Espírita Paraense, expõe Livros Espíritas a preços acessíveis, visando levar o esclarecimento e o consolo, além de divulgar a Doutrina de Jesus, codificada por Allan Kardec, ao público espírita e não espírita. Distinguida como um acontecimento cultural da cidade de Belém, a Feira acontecerá do dia 6 a 14 de dezembro, de 9h às 21h, na Praça da República, Avenida Presidente Vargas. Informações: telefone (91) 3223-4082 ou pelo site http://www.paraespirita.com.br/

Dependência química e espiritualidade


Nos dias 13 e 14 de dezembro, o auditório da Sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul recebe interessados e profissionais para a discussão de temas ligados à dependência química, sob o ponto de vista da espiritualidade. Estarão presentes conferencistas como Sérgio Lopes, Paulo Rogério Aguiar, Roberto Lúcio, Edson Camargo e Elisabeth Basbiéri. O evento será promovido pela Associação Médico-Espírita do Rio Grande do Sul com o apoio da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Informações: http://www.fergs.org.br/

Família em debate


O 1º Semeare na Família, promovido pela Federação Espírita do Ceará, no dia 14 de dezembro, contará com a presença do palestrante Alírio de Cerqueira Filho, na discussão de temas como saúde das relações familiares, saúde da relação pais e filhos na adolescência, diálogo e amar é viver em família. O Semeare ocorre no Hotel Óasis Atlântico Fortaleza. Informações pelo telefone (85)3224-5180

Atendimento Espiritual


A Federação Espírita do Paraná promove no dia 6 de dezembro, o seminário “Atendimento Espiritual à Luz dos Ensinamentos de Jesus” com coordenação de Maria da Graça Rozetti e Valdecir José Rozetti, da Coordenação do Setor de Atendimento Espiritual da FEP. O encontro acontecerá na Sede Histórica da Federação Espírita do Paraná e abordorá os seguintes aspectos: A importância da Doutrina Consoladora, Aspectos da vivência. dos Ensinos de Jesus. O refrigério da palavra confortadora. A Ação espiritual nos diálogos e nas vivências. Buscai e Achareis, Pedi e vos será dado. Ação espiritual nas nossas vidas. Informações: http://www.feparana.com.br/


- Dicas de leitura


Idéias e Ilustrações - De Espíritos Diversos psicografado por Francisco Cândido XavierSob a forma de contos, narrados de maneira agradável que prende a atenção do leitor, os Espíritos Superiores apresentam nesta obra páginas de motivação e esperança, objetivando facilitar o entendimento dos ensinamentos do Evangelho. Oferecem também mensagens de consolação e estímulo que nos auxiliam a orientar o nosso esforço de auto-aperfeiçoamento e as nossas ações no exercício do amor ao próximo. Aborda temas de palpitante importância como: a compreensão, a humildade, a justiça, o valor da vida e a reencarnação. São análises valiosas que nos ajudam a enfrentar as naturais dificuldades com que nos deparamos neste mundo de provas e expiações.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Uma noite esquecida ou a feiticeira Manouza


Uma noite esquecida ou a feiticeira Manouza

Milésima segunda noite dos contos árabes, Ditada pelo Espírito de Frédéric Soulié.

PREFÁCIO DO EDITOR

No correr do ano de 1856, as experiências de manifestações espíritas que se fizeram na casa do senhor B..., rua Lamartine, aí atraíram uma sociedade numerosa e escolhida. Os Espíritos que se comunicavam nesse círculo, eram mais ou menos sérios; alguns aí disseram coisas admiráveis de sabedoria, de uma profundidade notável, o que pode se julgar, pelo O Livro dos Espíritos que aí foi começado e feito em sua maior parte. Outras eram menos graves; seu humor jovial se prestava voluntariamente à distracção, mas a uma distracção de boa companhia que jamais saiu das conveniências. Desse número era Frédéric Soulié, que veio por si mesmo e sem ser convidado, mas cujas visitas inesperadas eram sempre, para a sociedade, um passatempo agradável. Sua conversação era espiritual, fina, mordaz, cheia de oportunidade, e jamais desmentiu o autor de Memórias do Diabo', de resto jamais se lisonjeou, e quando se lhe dirigiam algumas perguntas um pouco árduas de filosofia, ele confessava francamente sua insuficiência para resolvê-las, dizendo que era ainda muito ligado à matéria, e que ele preferia o alegre ao sério.
O médium que lhe servia de intérprete era a senhorita Caroline B..., uma das filhas do senhor da casa, médium do género exclusivamente passivo, não tendo jamais a menor consciência daquilo que escrevia, e podendo rir e conversar à direita ou à esquerda, o que fazia de bom grado, enquanto a sua mão caminhava. O meio mecânico empregado foi, durante muito tempo, a cesta pião, descrita em nossa instrução prática. Mais tarde, o médium serviu-se da psicografia directa.
Perguntar-se-á, sem dúvida, que provas tínhamos que o Espírito que se comunicava era o de Frédéric Soulié, antes que qualquer outro. Não é aqui o caso de tratar a questão da identidade dos Espíritos; diremos somente que o de Soulié se revelou por mil circunstâncias de detalhes que não podem escapar a uma observação atenta; só uma palavra, um chiste, um facto pessoal narrado, vieram nos confirmar que era bem ele; várias vezes deu sua assinatura que foi confrontada com originais. Um dia pediram que desse seu retrato, e o médium, que não sabe desenhar, que nem jamais o viu, traçou um esboço de uma semelhança marcante.
Ninguém, da reunião, tivera relações com ele em sua vida; por que, pois, viera sem ser chamado? Foi porque se ligou a um dos assistentes, sem jamais consentir em dizer o motivo;
ele vinha quando essa pessoa estava presente; entrava com ela e saía com ela; de sorte que, quando ali não estava, ele não mais vinha, e, coisa estranha, era que quando ele lá estava, era muito difícil, senão impossível, haver comunicações com outros Espíritos; o próprio Espírito familiar da casa cedia-lhe o lugar, dizendo que, por polidez, devia fazer as honras da casa.

Um dia, anunciou que nos daria um romance de sua autoria, e, com efeito, algum tempo depois, começou um relato cujo início muito prometia; o assunto era druídico e a cena se passava na Armorique ao tempo da dominação romana; infelizmente, parece que se assustou com a tarefa que empreendeu, porque, é preciso dizê-lo bem, um trabalho assíduo não era seu forte, e ele confessava que se comprazia, com o maior bom grado, na preguiça. Depois de algumas páginas ditadas, aí deixou seu romance, mas anunciou que nos escreveria um outro, que lhe desse menos trabalho: foi então que escreveu o conto do qual começamos a publicação. Mais de trinta pessoas assistiram a essa produção e podem atestar-lhe a origem.
Não a damos como obra de uma alta importância filosófica, mas como uma curiosa amostra de um trabalho de longo fôlego obtido dos Espíritos. Notar-se-á como tudo nele tem sequência, como tudo se encadeia com uma arte admirável. O que há de mais extraordinário,
é que esse relato repetiu-se cinco ou seis vezes diferentes, e frequentemente depois de interrupções de duas a três semanas; ora, a cada recomeço, o relato se seguia como se fora escrito de um golpe, sem riscos, sem retorno e sem que houvesse necessidade de lembrar o que havia precedido. Damo-lo tal como saiu do lápis do médium, sem mudar nada, nem no estilo, nem nas ideias, nem no encadeamento dos factos. Algumas repetições de palavras, e alguns pequenos pecados de ortografia tendo sido assinalados, Soulié nos encarregou pessoalmente de rectificá-los, dizendo que nos assistiria nisso; quando tudo terminou, ele quis rever o conjunto, ao qual não fez senão algumas rectificações sem importância, e dar autorização de publicar como se o entendesse, fazendo, disse ele, de bom grado a renuncia de seus direitos de autor. Todavia, consideramos não dever inseri-lo em nossa Revista sem o consentimento formal de seu amigo póstumo, a quem pertencia o direito, uma vez que em sua presença e por sua solicitação éramos devedores dessa produção de além-túmulo. O título foi dado pelo próprio Espírito de Frédéric Soulié. A.K.

UMA NOITE ESQUECIDA

Havia, em Bagdá, uma mulher do tempo de Aladim; é a sua história que vou contar Num dos subúrbios de Bagdá morava, não longe do palácio da sultana Shéhérazad, uma velha mulher chamada Manouza. Essa velha era motivo de terror para toda a cidade, porque
era feiticeira das mais apavorantes. Em sua casa, à noite, se passavam coisas tão assustadoras que, logo que o sol se deitava, ninguém se arriscava passar diante de sua morada, a menos que fosse uma amante à procura de um filtro para uma senhora rebelde,
ou uma mulher abandonada em busca de um bálsamo para colocar sobre a ferida que seu amante lhe fizera, abandonando-a.
Um dia, pois, em que o sultão estava mais triste que de hábito, e que a cidade estava numa grande desolação, porque ele queria que perecesse a sultana favorita, e que a seu exemplo todos os maridos eram infiéis, um jovem deixou uma magnífica habitação situada ao lado do palácio da sultana. Esse jovem trajava uma túnica e um turbante de cor sombria; mas sob essas simples vestes havia um grande ar de distinção. Procurava se esconder ao longo das casas, como gatuno, ou amante temeroso de ser surpreendido. Dirigia seus passos para o lado de Manouza, a feiticeira. Uma viva ansiedade pintava sobre os seus traços, que mostravam a preocupação que o agitava. Atravessou as ruas, as praças com rapidez, e, todavia, com grande precaução. Chegado perto da porta, hesitou alguns minutos, depois decidiu bater. Durante um quarto de hora, teve angústias mortais, porque ouvia ruídos que nenhum ouvido humano havia escutado; uma matilha de cães uivando com ferocidade, gritos lamentáveis, cantos de homens e de mulheres, como ao fim de uma orgia, e, para clarear todo esse tumulto, luzes correndo de alto a baixo da casa, fogos fátuos de todas as cores; depois, como por encantamento, tudo cessou: as luzes se extinguiram e a porta se abriu.
O visitante ficou um instante interdito, não sabendo se devia entrar no corredor sombrio, que se oferecia à visão. Enfim, armando-se de coragem, penetrou audaciosamente. Depois de caminhar, às apalpadelas, o espaço de uns trinta passos, encontrou-se em face de uma porta dando para uma sala, clareada somente por uma lâmpada de cobre de três bicos, suspensa no meio do tecto.
A casa que, depois do ruído que ouvira da rua, parecia dever ser muito habitada, tinha agora o ar deserto; essa sala que era imensa, e devia, pela sua construção, ser a base do edifício, estava vazia, exceptuando-se os animais empalhados, de todas as espécies, com os quais estava guarnecida.
No meio dessa sala, havia uma pequena mesa coberta de livros de mágicos, e, diante dessa mesa, numa grande poltrona, estava sentada uma pequena velha, alta apenas dois côvados, e de tal modo embrulhada de xailes e de turbantes, que era impossível ver seus traços. À aproximação do estranho, ela levantou a cabeça e mostrou, aos seus olhos, o mais terrível rosto que ele podia imaginar.
Eis-te aqui, senhor Noureddin, disse ela, fixando seus olhos de hiena sobre o jovem que entrara; aproxime-se! Faz vários dias que meu crocodilo, de olhos de rubis, me anuncia tua visita. Diz se é um filtro o de que precisas; diz se é uma fortuna. "Mas, que digo eu, uma fortuna! Não a tens que faz inveja ao próprio sultão? Não és o mais rico como és o mais belo?
É provavelmente um filtro que vens procurar. Qual é, pois, a mulher que ousa ser-te cruel?
Enfim, não devo nada dizer, eu não sei nada, estou pronta para escutar tuas dificuldades e para dar-lhes os remédios necessários, se, todavia, minha ciência tiver o poder de ser útil a ti. Mas que fazes, pois, a me olhar assim sem avançares? Terias medo? Talvez eu te apavore?
Tal como me vês, antigamente era bela; mais bela que todas as mulheres hoje existentes em Bagdá; foram os desgostos que me tornaram tão feia. Mas que te causam meus sofrimentos?
Aproxima-te; eu te escuto; somente não posso dar-te senão dez minutos, assim, despacha-te. Noureddin não estava muito tranquilo; entretanto, não queria mostrar aos olhos de uma velha mulher a perturbação que o agitava, avançou e lhe disse: Mulher, vim por uma coisa grave; de tua resposta depende a sorte de minha vida; vais decidir de minha felicidade ou de minha morte. Eis do que se trata O sultão quer matar Nazara; eu a amo; vou contar-te de onde vem esse amor, e venho pedir-te um remédio, não a minha dor, mas a sua infeliz posição, porque eu não quero que ela morra. Sabes que meu palácio é vizinho daquele do sultão; nossos jardins se tocam. Há mais ou menos seis luas que, uma tarde, passeando nesses jardins, ouvi uma encantadora música acompanhada da mais deliciosa voz de mulher que jamais ouvi. Querendo saber de onde isso provinha, aproximei-me dos jardins vizinhos, e reconheci que era de um quarto de verdura habitado pela sultana favorita. Fiquei vários dias absorvido por esses sons melodiosos; noite e dia, revia a bela desconhecida cuja voz me seduzia; porque é preciso dizer-te que, em meu pensamento, ela não podia ser senão bela. Passeava, cada tarde, nas mesmas alamedas onde ouvira essa encantadora harmonia; durante cinco dias, isso foi em vão; enfim, no sexto dia a música se fez ouvir de novo; então, não podendo mais conter-me, aproximei-me do muro e vi que era preciso pouco esforço para escalá-lo.
Depois de alguns momentos de hesitação, tomei uma grande decisão: passei do meu para o jardim vizinho; ali, vi, não uma mulher mas uma huri, a huri favorita de Maomé, uma maravilha enfim! À minha visão, ela assustou-se um pouco, mas, lançando-me aos seus pés, pedi-lhe que não tivesse nenhum temor em ouvir-me; disse-lhe que seu canto me atraíra e assegurei-lhe que não encontraria em minhas acções senão o mais profundo respeito; ela teve a bondade de me ouvir.
A primeira noite se passou falando de música. Também cantei, e me ofereci para em acompanhá-la; ela nisso consentiu, e marcamos encontro para o dia seguinte, à mesma hora Nessa hora, ela estava mais tranquila; o sultão estava com seu conselho e a vigilância menor. As duas ou três primeiras noites se passaram inteiramente com a música; mas a música é a voz dos amantes, e desde o quarto dia não estávamos mais estranhos um ao outro. Nós nos amamos. Que bela estava! Como sua alma era bela também! Fizemos, muitas vezes, o projecto de fugirmos. Ai! por que não o executamos? Seria menos infeliz, e ela não estaria prestes a sucumbir. Essa bela flor não estaria no momento de ser colhida pela foice que vai arrebatá-la à luz.

(continua no próximo número)
Revista Espírita, Novembro de 1858

domingo, 23 de novembro de 2008

Bem aventurados os que têm puro o coração


BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM PURO O CORAÇÃO

Simplicidade e pureza de coração. - Pecado por pensamento. Adultério. - Verdadeira
pureza. Mãos não lavadas. - Escândalos. Se a vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a.
Instruções dos Espíritos: Deixai que venham a mim as criancinhas. - Bem-aventurados os
que têm fechados os olhos.

Simplicidade e pureza de coração

1. Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus.
(S.Mateus, Cap. V, v. 8.)

2. Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como
seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. - Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” - E, depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos.
(S. MARCOS, Cap. X, vv. 13 a 16.)

3. A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda ideia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.
Poderia parecer menos justa essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito antigo e que traz, renascendo para a vida corporal, as imperfeições de que se não tenha despojado em suas precedentes existências. Só um Espírito que houvesse chegado à perfeição nos poderia oferecer o tipo da verdadeira pureza. E exacta a comparação, porém, do ponto de vista da vida presente, porquanto a criancinha, não havendo podido ainda manifestar nenhuma tendência perversa, nos apresenta a imagem da inocência e da candura.
Daí o não dizer Jesus, de modo absoluto, que o reino dos céus é para elas, mas para os que
se lhes assemelhem.

4. Pois que o Espírito da criança já viveu, por que não se mostra, desde o nascimento,
tal qual é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de cuidados especiais, que
somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da
ingenuidade da criança. Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que
fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamente, se, em vez da graça ingénua, deparasse nele, sob os traços infantis, um carácter viril e as ideias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado.
Aliás, faz-se necessário que a actividade do princípio inteligente seja proporcionada à
fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma actividade muito grande do Espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces. Essa a razão por que, ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas
faculdades permanecem em estado latente. E necessário esse estado de transição para que o
Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo
aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. Renasce para a vida
maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que
conserva da experiência adquirida.
A partir do nascimento, suas ideias tomam gradualmente impulso, à medida que os
órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as ideias que lhe formam o fundo do carácter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que toma mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.
O Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está
com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo
da pureza e da simplicidade.

Pecado por pensamentos. – Adultério

5. Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. Mateus, cap. V, vv.27 e 28.)

6. A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: "Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do Homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.”
(S. MARCOS, Cap. VIII, v. 38.)
A verdadeira pureza não está somente nos actos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

7. Esse principio suscita naturalmente a seguinte questão: Sofrem-se as consequências de um pensamento mau, embora nenhum efeito produza?

Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa-vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo.
Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.
Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau acto e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. E, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse. Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se.
Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos actos e dos
pensamentos do homem.

Verdadeira pureza. - Mãos não lavadas

8. Então os escribas e os fariseus, que tinham vindo de Jerusalém, aproximaram-se
de Jesus e lhe disseram: “Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos,
uma vez que não lavam as mãos quando fazem suas refeições?”
Jesus lhes respondeu: “Por que violais vós outros o mandamento de Deus, para
seguir a vossa tradição? Porque Deus pôs este mandamento: Honrai a vosso pai e a
vossa mãe; e este outro: Seja punido de morte aquele que disser a seu pai ou a sua mãe palavras ultrajantes; e vós outros, no entanto, dizeis: Aquele que haja dito a seu pai ou a sua mãe: - Toda oferenda que faço a Deus vos é proveitosa, satisfaz à lei, - ainda que depois não honre, nem assista a seu pai ou à sua mãe. Tornam assim inútil o mandamento de Deus, pela vossa tradição.
Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra de
lábios, mas conserva longe de mim o coração; é em vão que me honram ensinando
máximas e ordenações humanas.”
Depois, tendo chamado o povo, disse: “Escutai e compreendei bem isto: - Não é o
que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. -
O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; - porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos testemunhos, as blasfémias e as maledicências. - Essas são as coisas que tornam impuro o homem; o comer sem haver lavado as mãos não é o que o torna impuro.”
Então, aproximando-se, disseram-lhe seus discípulos: “Sabeis que, ouvindo o que
acabais de dizer, os fariseus se escandalizaram?” - Ele, porém, respondeu: “Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou. - Deixai-os, são cegos que conduzem cegos; se um cego conduz outro, caem ambos no fosso.”( S. Mateus, Cap. XV, vv. 1 a 20.)

9. Enquanto ele falava, um fariseu lhe pediu que fosse jantar em sua companhia.
Jesus foi e sentou-se à mesa. - O fariseu entrou então a dizer consigo mesmo: "Por que
não lavou ele as mãos antes de jantar?” Disse-lhe, porém, o Senhor: "Vós outros,
fariseus, pondes grandes cuidado em limpar o exterior do copo e do prato; entretanto, o interior dos vossos corações está cheio de rapinas e de iniquidades. Insensatos que sois!
aquele que fez o exterior não é o que faz também o interior?" (S. LUCAS, Cap. XI. vv., 37 a 40.)

10. Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por
desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar actos
exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração,
iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes
ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Dai o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.
Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para
segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. E a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou.
O objectivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão
quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o
seu objectivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é
falsa, ou está falseada em seu principio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.
Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.

Escândalos. Se a vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a

11. Se algum escandalizar a um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora
que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós que um asno faz girar e que o lançassem no fundo do mar.
Ai do mundo por causa dos escândalos (1); pois é necessário que venham escândalos; mas, ai do homem por quem o escândalo venha.
Tende muito cuidado em não desprezar um destes pequenos. Declaro-vos que
seus anjos no céu vêem incessantemente a face de meu Pai que está nos céus, porquanto o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.
Se a vossa mão ou o vosso pé vos é objecto de escândalo, cortai-os e lançai-os longe
de vós; melhor será para vós que entreis na vida tendo um só pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. - Se o vosso olho vos é objecto de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; melhor para vós será que entreis na vida tendo um só olho, do que terdes dois e serdes precipitados no fogo do inferno. (S. MATEUS, Cap. XVIII, vv. 6 a 11; V, vv. 29 e 30.)


12. No sentido vulgar, escândalo se diz de toda acção que de modo ostensivo vá de
encontro à moral ou ao decoro. O escândalo não está na acção em si mesma, mas na
repercussão que possa ter. A palavra escândalo implica sempre a ideia de um certo arruído.
Muitas pessoas se contentam com evitar o escândalo, porque este lhes faria sofrer o orgulho, lhes acarretaria perda de consideração da parte dos homens. Desde que as suas torpezas fiquem ignoradas, é quanto basta para que se lhes conserve em repouso a consciência. São, no dizer de Jesus: “sepulcros branqueados por fora, mas cheios, por dentro, de podridões; vasos limpos no exterior e sujos no interior".
No sentido evangélico, a acepção da palavra escândalo, tão amiúde empregada, é
muito mais geral, pelo que, em certos casos, não se lhe apreende o significado. Já não é
somente o que afecta a consciência de outrem, é tudo o que resulta dos vícios e das
imperfeições humanas, toda reacção má de um indivíduo para outro, com ou sem repercussão.
O escândalo, neste caso, é o resultado efectivo do mal moral.

13. É preciso que haja escândalo no mundo, disse Jesus, porque, imperfeitos como
são na Terra, os homens se mostram propensos a praticar o mal, e porque, árvores más, só
maus frutos dão. Deve-se, pois, entender por essas palavras que o mal é uma consequência da imperfeição dos homens e não que haja, para estes, a obrigação de praticá-lo.

14. É necessário que o escândalo venha, porque, estando em expiação na Terra, os
homens se punem a si mesmos pelo contacto de seus vícios, cujas primeiras vitimas são eles próprios e cujos inconvenientes acabam por compreender. Quando estiverem cansados de sofrer devido ao mal, procurarão remédio no bem. A reacção desses vícios serve, pois, ao mesmo tempo, de castigo para uns e de provas para outros. E assim que do mal tira Deus o bem e que os próprios homens utilizam as coisas más ou as escórias.

15. Sendo assim, dirão, o mal é necessário e durará sempre, porquanto, se desaparecesse, Deus se veria privado de um poderoso meio de corrigir os culpados. Logo, é inútil cuidar de melhorar os homens. Deixando, porem, de haver culpados, também desnecessário se tornariam quaisquer castigos. Suponhamos que a Humanidade se transforme e passe a ser constituída de homens de bem: nenhum pensará em fazer mal ao seu próximo e todos serão ditosos por serem bons. Tal a condição dos mundos elevados, donde já o mal foi banido; tal virá a ser a da Terra, quando houver progredido bastante. Mas, ao mesmo tempo que alguns mundos se adiantam, outros se formam, povoados de Espíritos primitivos e que, além disso, servem de habitação, de exílio e de estância expiatória a Espíritos imperfeitos, rebeldes, obstinados no mal, expulsos de mundos que se tornaram felizes.

16. Mas, ai daquele por quem venha o escândalo. Quer dizer que o mal sendo sempre
o mal, aquele que a seu mau grado servir de instrumento à justiça divina, aquele cujos maus
instintos foram utilizados, nem por isso deixou de praticar o mal e de merecer punição. Assim é, por exemplo, que um filho ingrato é uma punição ou uma prova para o pai que sofre com isso, porque esse pai talvez tenha sido também um mau filho que fez sofresse
seu pai. Passa ele pela pena de talião. Mas, essa circunstancia não pode servir de escusa ao
filho que, a seu turno, terá de ser castigado em seus próprios filhos, ou de outra maneira.

17. Se vossa mão é causa de escândalo, cortai-a. Figura enérgica esta, que seria
absurda se tomada ao pé da letra, e que apenas significa que cada um deve destruir em si toda causa de escândalo, isto é, de mal; arrancar do coração todo sentimento impuro e toda
tendência viciosa. Quer dizer também que, para o homem, mais vale ter cortada uma das
mãos, antes que servir essa mão de instrumento para uma acção má; ficar privado da vista,
antes que lhe servirem os olhos para conceber maus pensamentos. Jesus nada disse de absurdo, para quem quer que apreenda o sentido alegórico e profundo de suas palavras.
Muitas coisas, entretanto, não podem ser compreendidas sem a chave que para as decifrar o
Espiritismo faculta.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS


Deixai que venham a mim as criancinhas

18. Disse o Cristo: "Deixai que venham a mim as criancinhas." Profundas em sua
simplicidade, essas palavras não continham um simples chamamento dirigido às crianças,
mas, também, o das almas que gravitam nas regiões inferiores, onde o infortúnio desconhece a esperança. Jesus chamava a si a infância intelectual da criatura formada: os fracos, os escravizados e os viciosos. Ele nada podia ensinar à infância física, presa à matéria, submetida ao jugo do instinto, ainda não incluída na categoria superior da razão e da vontade que se exercem em torno dela e por ela.
Queria que os homens a ele fossem com a confiança daqueles entezinhos de passos
vacilantes, cujo chamamento conquistava, para o seu, o coração das mulheres, que são todas mães. Submetia assim as almas à sua terna e misteriosa autoridade. Ele foi o facho que ilumina as trevas, a claridade matinal que toca a despertar; foi o iniciador do Espiritismo, que a seu turno atrairá para ele, não as criancinhas, mas os homens de boa vontade.
Está empenhada a acção viril; já não se trata de crer instintivamente, nem de obedecer
maquinalmente; é preciso que o homem siga a lei inteligente que se lhe revela na sua
universalidade.
Meus bem amados, são chegados os tempos em que, explicados, os erros se tomarão
verdades. Ensinar-vos-emos o sentido exacto das parábolas e vos mostraremos a forte
correlação que existe entre o que foi e o que é. Digo-vos, em verdade: a manifestação espírita avulta no horizonte, e aqui está o seu enviado, que vai resplandecer como o Sol no cume dos montes. -João Evangelista. (Paris, 1863.)

19. Deixai venham a mim as criancinhas, pois tenho o leite que fortalece os fracos.
Deixai venham a mim todos os que, tímidos e débeis, necessitam de amparo e consolação.
Deixai venham a mim os ignorantes, para que eu os esclareça. Deixai venham a mim todos os que sofrem, a multidão dos aflitos e dos infortunados: eu lhes ensinarei o grande remédio que suaviza os males da vida e lhes revelarei o segredo da cura de suas feridas! Qual é, meus amigos, esse bálsamo soberano, que possui tão grande virtude, que se aplica a todas as chagas do coração e as cicatriza? E o amor, é a caridade! Se possuís esse fogo divino, que é o que podereis temer? Direis a todos os instantes de vossa vida: "Meu Pai, que a tua vontade se faça e não a minha; se te apraz experimentar-me pela dor e pelas tribulações, bendito sejas, porquanto é para meu bem, eu o sei, que a tua mão sobre mim se abate. Se é do teu agrado,
Senhor, ter piedade da tua criatura fraca, dar-lhe ao coração as alegrias sãs, bendito sejas
ainda. Mas, fazer que o amor divino não lhe fique amodorrado na alma, que incessantemente faça subir aos teus pés o testemunho do seu reconhecimento!"
Se tendes amor, possuís tudo o que há de desejável na Terra, possuís preciosíssima
pérola, que nem os acontecimentos, nem as maldades dos que vos odeiem e persigam poderão arrebatar. Se tendes amor, tereis colocado o vosso tesouro lá onde os vermes e a
ferrugem não o podem atacar e vereis apagar-se da vossa alma tudo o que seja capaz de lhe
conspurcar a pureza; sentireis diminuir dia a dia o peso da matéria e, qual pássaro que adeja
nos ares e já não se lembra da Terra, subireis continuamente, subireis sempre, até que vossa
alma, inebriada, se farte do seu elemento de vida no seio do Senhor. - Um Espírito protector.(Bordéus, 1861.)

Bem-aventurados os que têm fechados os olhos (1)

20. Meus bons amigos, para que me chamastes? Terá sido para que eu imponha as
mãos sobre a pobre sofredora que está aqui e a cure? Ah! que sofrimento, bom Deus! Ela
perdeu a vista e as trevas a envolveram. Pobre filha! Que ore e espere. Não sei fazer milagres, eu, sem que Deus o queira. Todas as curas que tenho podido obter e que vos foram assinaladas não as atribuais senão àquele que é o Pai de todos nós. Nas vossas aflições, volvei sempre para o céu o olhar e dizei do fundo do coração: "Meu Pai, cura-me, mas fazer que minha alma enferma se cure antes que o meu corpo; que a minha carne seja castigada, se necessário, para que minha alma se eleve ao teu seio, com a brancura que possuía quando a criaste." Após essa prece, meus amigos, que o bom Deus ouvirá sempre, dadas vos serão a força e a coragem e, quiçá, também a cura que apenas timidamente pedistes, em recompensa da vossa abnegação.
Contudo, uma vez que aqui me acho, numa assembleia onde principalmente se trata
de estudos, dir-vos-ei que os que são privados da vista deveriam considerar-se os bem aventurados da expiação. Lembrai-vos de que o Cristo disse convir que arrancásseis o vosso olho se fosse mau, e que mais valeria lançá-lo ao fogo, do que deixar se tornasse causa da vossa condenação. Ah! quantos há no mundo que um dia, nas trevas, maldirão o terem visto a luz! Oh! sim, como são felizes os que, por expiação, vêm a ser atingidos na vista! Os olhos não lhes serão causa de escândalo e de queda; podem viver inteiramente da vida das almas; podem ver mais do que vós que tendes límpida a visão!... Quando Deus me permite descerrar as pálpebras a algum desses pobres sofredores e lhes restituir a luz, digo a mim mesmo: Alma querida, por que não conheces todas as delicias do Espírito que vive de contemplação e de amor? Não pedirias, então, que se te concedesse ver imagens menos puras e menos suaves, do que as que te é dado entrever na tua cegueira!
Oh! bem-aventurado o cego que quer viver com Deus. Mais ditoso do que vós que
aqui estais, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode alçar-se com elas às esferas
espirituais que nem mesmo os predestinados da Terra logram divisar. Abertos, os olhos estão sempre prontos a causar a falência da alma; fechados, estão prontos sempre, ao contrário, a fazê-la subir para Deus. Crede-me, bons e caros amigos, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, ao passo que a vista é, com frequência, o anjo tenebroso que conduz à morte.
Agora, algumas palavras dirigidas a ti, minha pobre sofredora. Espera e tem ânimo!
Se eu te dissesse: Minha filha, teus olhos vão abrir-se, quão jubilosa te sentirias! Mas, quem sabe se esse júbilo não ocasionaria a tua perda! Confia no bom Deus, que fez a ventura e permite a tristeza. Farei tudo o que me for consentido a teu favor; mas, a teu turno, ora e, ainda mais, pensa em tudo quanto acabo de te dizer.
Antes que me vá, recebei todos vós, que aqui vos achais reunidos, a minha bênção. -
Vianney, cura d'Ars. (Paris, 1863.)

______
(1) Esta comunicação foi dada com relação a uma pessoa cega, a cujo favor se evocara o Espírito de J. B. Vianney, cura d’Ars.


21. NOTA. Quando uma aflição não é consequência dos actos da vida presente, deve-se-
lhe buscar a causa numa vida anterior. Tudo aquilo a que se dá o nome de caprichos da
sorte mais não é do que efeito da justiça de Deus, que não inflige punições arbitrárias pois
quer que a pena esteja sempre em correlação com a falta. Se, por sua bondade, lançou um véu sobre os nossos actos passados, por outro lado nos aponta o caminho, dizendo: '“Quem matou à espada, pela espada perecerá", palavras que se podem traduzir assim: "A criatura é sempre punida por aquilo em que pecou." Se, portanto, alguém sofre o tormento da perda da vista, é que esta lhe foi causa de queda. Talvez tenha sido também causa de que outro perdesse a vista; de que alguém haja perdido a vista em consequência do excesso de trabalho que aquele lhe impôs, ou de maus-tratos, de falta de cuidados, etc. Nesse caso, passa ele pela pena de talião. É possível que ele próprio, tomado de arrependimento, haja escolhido essa expiação, aplicando a si estas palavras de Jesus: "Se o teu olho for motivo de escândalo, arranca-o."

Referencia: O evangelho segundo o Espiritismo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

NOTICIAS DO BRASIL



1-Reunião do CFN define ações para 2009

2- Ações e publicações do CEI- Seminário FEB e CEERJ
3- Gestão na Casa Espírita

4- Associação Jurídico

5-Espírita promove evento sobre a Paz

6- XIX Feira do Livro Espírita

7- Encontro Esperantista do Vale do Paraíba


Reunião do CFN define ações para 2009


Nos dias 7, 8 e 9 de novembro, ocorreu a Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, em Brasília. Compareceram os representantes das Entidades Federativas de todos os Estados e do Distrito Federal e, como convidados, os representantes das Entidades Especializadas de Âmbito Nacional.


O CFN da FEB aprovou o "Projeto Centenário de Chico Xavier", com o objetivo de enfatizar a obra de Chico Xavier e contribuir com a preservação de sua memória; Projetos: a) Realizar o 3º. Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília, de 16 a 18/4/2010, que terá como tema central: "Chico Xavier: Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec"; b) Providenciar uma edição especial comemorativa da primeira obra psicográfica de Chico Xavier "Parnaso de Além Túmulo", para lançamento no 3º Congresso Espírita Brasileiro; c) Preparar a elaboração de DVD e de livro que sintetizem as obras e as ações de Chico Xavier, para lançamento no 3º Congresso Espírita Brasileiro;


Além destes: d) Providenciar o lançamento de Selo Personalizado comemorativo, para lançamento no 3º Congresso Espírita Brasileiro; e) Destacar nas edições de Reformador durante o ano de 2010, as obras psicográficas de Chico Xavier e lançar uma Edição Especial desta revista em abril de 2010; f) Elaborar e disponibilizar às Entidades Federativas Estaduais um encarte sobre o Centenário de Chico Xavier para eventual circulação na imprensa espírita e leiga na 1ª semana de abril de 2010; g) Estimular a realização pelas Entidades Federativas Estaduais de eventos regionais e estaduais para ampliar a divulgação da Doutrina Espírita.


O Congresso terá por objetivos: dar foco nas obras de Chico Xavier; destacar a influência da obra psicográfica de Chico Xavier no Movimento Espírita Brasileiro e no Mundo; destacar as obras de Emmanuel e de André Luiz; destacar o exemplo de vida de Chico Xavier; respeitar o direito à privacidade pessoal e espiritual de Chico Xavier. Ao final foi constituída a Comissão Central do Projeto Centenário de Chico Xavier, a saber: diretores da FEB - Antonio Cesar Perri de Carvalho e João Pinto Rabelo, respectivamente, coordenador e subcoordenador; secretários das Comissões Regionais do CFN: Norte – Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior; Nordeste – Olga Lúcia Espíndola Freire Maia; Centro – Aston Brian Leão; e Sul – Francisco Ferraz Batista; presidente da União Espírita Mineira, Marival Veloso de Matos e presidente da Federação Espírita do Distrito Federal, César de Jesus Moutinho.


Ações e publicações do CEI


Durante a Reunião do CFN da FEB, houve apresentação sobre as ações do Conselho Espírita Internacional e de seus livros publicados em outros idiomas, produção de DVDs, pela TVCEI e os preparativos para o 6º. Congresso Espírita Mundial, programado para os dias 10 a 12 de outubro de 2010, em Valencia (Espanha). Na oportunidade, o CEI apresentou suas edições comemorativas dos 150 anos da Revista Espírita, em francês, espanhol, inglês e português. Informações: cfn@febnet.org.br


Seminário FEB e CEERJ


Será realizado em 22 de novembro, na sede histórica da FEB, das 9h às 16h, mais um Seminário FEB e CEERJ, em parceria. O tema objetiva atender os trabalhadores e dirigentes espíritas que integram e se interessam pela atuação no movimento espírita de unificação. Tópicos como: Centros Espíritas de pequeno e grande porte. Necessidade de Expansão dos Centros Espíritas no Estado do Rio de Janeiro. O Trabalhador e o Dirigente Espírita OCE como ferramenta da adequação e multiplicação serão desenvolvidos. Conduzindo o Seminário, Cesar Soares dos Reis, presidente do ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil) e membro da Comissão Diretora do CEERJ, Roberto Fuina Versiani e Edimilson Nogueira, assessores da Secretaria do CFN/FEB. O evento será transmitido on line pela TVCEI com gravação de DVD.


Gestão na Casa Espírita


A Federação Espírita Piauiense promove nos dias 22 e 23 de novembro, o Seminário Gestão na Casa Espírita. O evento será ministrado por Cesar Perri, secretário-geral do CFN Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, que abordará o tema “Gestão Federativa” e Ricardo Silva, assessor jurídico da FEPI, que falará sobre as “Obrigações Legais da Casa Espírita”. Mais informações: http://www.fepiaui.org.br/


Associação Jurídico-Espírita promove evento sobre a Paz


A Associação Jurídico-Espírita do Estado de São Paulo, com o apoio da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e do Instituto dos Advogados de São Paulo, promoverá o evento “A Caminho da Paz”, no dia 6 de dezembro, nas dependências do Auditório Elis Regina, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. Haverá palestra de Izaias Claro, promotor de Justiça, e apresentação musical de Moacyr Camargo e do Grupo “O Canto para a Paz”. Informações e inscrições pelo e-mail: eventodapaz@ajesaopaulo.com.br


XIX Feira do Livro Espírita


Belém será palco de mais uma Feira do Livro Espírita. Promovida pelos espíritas da Grande Belém, expõe Livros Espíritas a preços acessíveis, visando levar o esclarecimento e o consolo às pessoas, além de divulgar a Doutrina de Jesus, codificada por Allan Kardec, ao público Espírita e não Espírita. Reconhecida como um acontecimento cultural da cidade de Belém, a Feira acontecerá do dia 6 a 14 de dezembro próximo, nos horários de 9h às 21h, na Praça da República, Avenida Presidente Vargas. Contato pelo telefone: (91) 3223-4082


Encontro Esperantista do Vale do Paraíba


Está agendado para o próximo dia 30 de novemro o LXXIV Encontro Esperantista do Vale do Paraíba. Da programação constam debates, palestras e apresentações artísticas. O médico Paulo Sérgio Viana falará sobre a gramática do esperanto. O comunicador Givanildo Costa e o advogado Aloísio Sartorato irão abordar o atual estágio do movimento esperantista. As atividades irão acontecer na Avenida Marechal Castelo Branco, 104, 4º andar, em Campos Elíseos, no Município de Resende (RJ).


DICA DE LEITURA


Vida e obra de Bezerra de Menezes Apresenta a vida e obra desse notável cearense, que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro, sendo conhecido como “médico dos pobres”, pelo amor e dedicação com que atendia seus pacientes. Ressalta sua atuação como renomado político, testemunhando a fé espírita, que abraçou com fervor, em uma época cheia de preconceitos e perseguições aos espíritas.Informações pelo telefone: (21) 2187-8286