domingo, 29 de junho de 2008

Noticias do Brasil


Jornal de Piracicaba Domingo


29 de junho de 2008


União das Sociedades Espíritas distribuirá livros Jornal de Piracicaba Domingo, 29 de junho de 2008A USE (União das Sociedades Espíritas) de Piracicaba distribuirá gratuitamente nesta segunda-feira 17.200 exemplares do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a terceira obra da Codificação Kardequiana, escrita por Allan Kardec e publicada pela Editora EME.


Os livros serão distribuídos pelos entregadores do Jornal de Piracicaba porque a USE escolheu a estrutura de entrega do matutino como a melhor opção para dar projeção à iniciativa.


De acordo com a primeira-secretária da União Espírita, Zildéa Aldrovandi Marques, 77, a opção se deu porque o “Jornal de Piracicaba é o periódico de maior circulação e penetração em nossa região”.


Segundo ela, a distribuição dos exemplares pela USE tem o objetivo de desmistificar conceitos sobre o credo espírita. “Pretendemos divulgar o Espiritismo como ele é realmente, desfazendo alguns equívocos a respeito dessa doutrina, cuja base está no Evangelho de Jesus Cristo”, afirmou Zildéa.


“‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’ oferece a base do roteiro espírita que é o Cristianismo redivivo. Sua leitura e estudo são imprescindíveis a todos que se preocupam com a formação moral das criaturas, independente da crença religiosa”, informa ela.


A primeira-secretária considera ainda que a obra é “fonte inesgotável de sugestões para a construção de um mundo de paz e fraternidade”. Zildéa diz tratar-se de uma “regra de conduta”, que abrange as circunstâncias da vida particular e pública, “pois exige a reforma íntima de cada um”, destaca.


NAS BANCAS –– Para quem não receber nesta segunda-feira um exemplar de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, haverá cerca de 4.800 exemplares disponíveis nas bancas no próximo domingo.


USE –– A União das Sociedades Espíritas é coordenadora dos centros espíritas das cidades de Rafard, Capivari, Rio das Pedras, Iracemápolis, São Pedro, Águas de São Pedro, Charqueada e Piracicaba. Ao todo, segundo Zildéa, a USE reúne 26 casas espíritas na região.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Comemoração dos mortos. Funerais


Comemoração dos mortos. Funerais

320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra?

“Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse facto lhes aumenta a felicidade.
Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?

“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas
sepulturas?

“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

b) - Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis?

“Sob a que tinham quando encarnados.”

322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles?

“Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o Universo inteiro.”

323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?

“Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um facto íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o acto da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”

324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à inauguração de umas e outros e experimentam algum prazer nisso?

“Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os
sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.”

325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito?

“Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele canto da Terra a um Espírito elevado?

Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?”

a) - Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família?

“Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.”

326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais?

“Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que, nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material, experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que
façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.”

327. O Espírito assiste ao seu enterro?
“Frequentemente assiste, mas, algumas vezes, se ainda está perturbado, não percebe o que se passa.”

a) - Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterramento?

“Mais ou menos, conforme o sentimento que as anima.”

328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros?

“Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam.
Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.”

329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?

“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.”

Referencia: O livro dos espíritos

terça-feira, 17 de junho de 2008

Noticias do Brasil


NOTICIAS DO BRASIL


•Cursos para Dirigente Espírita
•Pré-estréia do filme sobre Divaldo Franco
•Congresso Centroamericano
•Encontro de Corais
•Seminário sobre Dependência Química
•125 anos de Pioneira e Unificação
•Ciência e Espiritismo
•Encontro de Comunicação Social Espírita
•VI Semana Espírita, Doutrina e Unificação
•CEERJ promove seminários no Rio


Pré-estréia do filme sobre Divaldo Franco e Encontro de Comunicação são destaques. Boa leitura!

Cursos para Dirigente Espírita


Com o apoio da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, o Curso de Capacitação Administrativa de Dirigentes e Trabalhadores Espíritas será iniciado na cidade de Ribeirão Preto, nos dias 28 e 29 de junho e terá sete meses de duração, com metodologia de educação a distância, modalidade semipresencial. É realizado com o apoio da Secretaria-Geral do Conselho Federativo Nacional da FEB, representada no evento por Marco Leite e Edimilson Nogueira. Informações: cfn@febnet.org.br
Pré-estréia do filme sobre Divaldo Franco
"Divaldo Franco, humanista e médium espírita", filme sobre a vida e obra do orador espírita e fundador da Mansão do Caminho, será exibido em pré-estréia, com entrada franca aberta ao público. A exibição ocorrerá na sede histórica da Federação Espírita Brasileira, no próximo dia 27, sexta-feira, às 18h30 na Av. Passos, 30, no Centro. Divaldo Franco estará presente durante a exibição do filme e, ao final da projeção, autografando seus livros. Os convites são limitados. Informações pelo telefone (21) 3078-4747


Congresso Centroamericano


A Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional para a América Central e Caribe promoverá o III Congresso Centroamericano, Panamá Y El Caribe, na cidade de Tegucigalpa (Honduras), nos dias 27 a 30 de junho. Entre os representantes do CEI e expositores, estarão presentes: João Pinto Rabelo, Marta Antunes, Roberto Fuina Versiani e Luis Hu.
Encontro de Corais
Uma das comemorações dos 150 anos de Revista Espírita será efetivada com o I Encontro Ecumênico de Corais, que acontecerá no dia 22 de junho, na Congregação Espírita Francisco de Paula, bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. O Encontro, organizado pelo Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro, envolverá várias tradições religiosas e terá caráter confraternizativo e beneficente. Representando o Espiritismo, atuará o Coral Canto do Seareiro, do Centro Espírita Seara Fraterna, bairro do Catete. Informações: www.ceerj.org.br
Seminário sobre Dependência Química
A Comunhão Espírita de Brasília abre as portas para o II Seminário sobre Dependência Química que acontece nos dias 21 e 22 de junho. A discussão será sobre o tema central "A Prevenção é o Caminho", com Alberto Almeida (AME/PA). A Comunhão Espírita de Brasília fica na Av. L2 Sul, Quadra 604 - Asa Sul – Brasília/DF. Informações no site www.comunhaoespirita.org.br
125 anos de Pioneira e Unificação
Os Órgãos da USE-SP, Intermunicipal e Regional de Araçatuba, promovem durante o mês de junho, um “Mês Espírita” especial, comemorando o centenário de fundação da cidade e os 125 anos de nascimento da pioneira Benedita Fernandes. Dentro da programação, no dia 26, o diretor da FEB, Antonio Cesar Perri de Carvalho faz palestra sobre a pioneira na Câmara de Vereadores, e no dia 29, Cesar Perri e Célia Maria Rey de Carvalho desenvolvem o Seminário sobre “Unificação – Plano de Trabalho”.

Ciência e Espiritismo


No dia 28 de junho, acontecerá no Rio de Janeiro o 1º Curso de Metodologia da Pesquisa Científica à Luz do Espiritismo.
O evento ocorrerá das 9h às 17h, na sede da instituição que o promove, o Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ), Rua dos Inválidos, 182, Centro do Rio.
Ja no dia 29 de junho, das 9h às 12h30, o CEERJ também abrirá suas portas para o 3º Fórum de Ciência Espírita e o 5º Encontro do Núcleo Espírita Universitário, eventos que terão a participação de Jorge Andréa dos Santos e do André Hatherly, que abordarão o tema “Gênese: 140 anos”. Mais detalhes, diretamente com o CEERJ, pelo telefone (21) 2224-1244

Encontro de Comunicação Social Espírita


A Federação Espírita do Estado de Goiás será a anfitriã para o Encontro Nacional da Área de Comunicação Social Espírita, promovido pela Área de Comunicação Social Espírita das Comissões Regionais do Conselho Federativo Nacional da FEB.
O Encontro Nacional ocorrerá no período de 11 a 13 de julho, em Goiânia, e será uma reunião dos trabalhadores dessa Área das Entidades Federativas Estaduais.
Entre os temas, estão programados: “O papel da Comunicação Social Espírita em relação ao Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Nacional”; Dinâmica de grupo em torno de “Orientação ao Centro Espírita”: análise e desenvolvimento de estratégias; Exposição e dinâmica de grupo - Manual para a área de Comunicação Social Espírita: avaliação de sugestões e desenvolvimento das propostas para elaboração do trabalho; “Espiritismo na TV: uma experiência regional”. Informações pelo e-mail: merhyseba@ig.com.br


VI Semana Espírita, Doutrina e Unificação


A Semana Espírita, Doutrina e Unificação é uma atividade anual que procura, na semana de fundação da União Espírita Mineira, divulgar o Espiritismo baseando-se na Codificação de Kardec e no Evangelho de Jesus.
No ano de 2008 será realizada uma programação especial, dando continuidade à comemoração do centenário da Casa Mater do Espiritismo em Minas Gerais.
O evento acontecerá de 23 a 28 de junho, no Auditório da UEM, às 19h30 e contará com a abordagem de temas como “A Transformação do Ser através da Doutrina Espírita”, “Educar – Meta por Excelência”, “Jesus, o Comunicador por Excelência” e “Casa Mater – 100 Anos de Doutrina Espírita e Evangelho de Jesus”.
Mais informações no site: http://www.uemmg.org.br/


CEERJ promove seminários no Rio


Em parceria com a FEB, o Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro, iniciou a realização de seminários, na sede seccional e histórica da FEB (Av. Passos, 30), no Rio de Janeiro.
O próximo seminário está programado para o dia 19 de julho, das 9h às 16h, tendo como tema “Preparação de Trabalhadores para a Divulgação do Espiritismo”.
Contará com vários expositores para o desenvolvimento dos subtemas: Ivana Raisky (GO), João Aparecido (RJ), Carlos Augusto Abranches (SP), José Antonio Luis Balieiro (SP) e Antonio Cesar Perri de Carvalho (FEB).



DICA DE LEITURA

Emmanuel
Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
O Espírito Emmanuel brinda o leitor com dissertações mediúnicas sobre temas diversos. O autor escreve sobre a ascendência do Evangelho, fenômenos psíquicos, imortalidade da alma, entre outros assuntos de igual importância. Na introdução do livro, o médium Francisco Cândido Xavier conta sobre o seu primeiro contato com Emmanuel e sua ligação em outras vidas. Informações sobre a obra pelo telefone (21) 2101-8268

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Da Mediunidade nos animais


DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS

234. Podem os animais ser médiuns? Muitas vezes tem sido formulada esta pergunta, à qual parece que alguns factos respondem afirmativamente. O que, sobretudo, tem autorizado a opinião dos que pensam assim são os notáveis sinais de inteligência de alguns pássaros que, educados, parecem adivinhar o pensamento e tiram de um maço de cartas as que podem responder com exactidão a uma pergunta feita. Observamos com especial atenção tais experiências e o que mais admiramos foi a arte que houve de ser empregada para a instrução dos ditos pássaros.
Incontestavelmente, não se lhes pode recusar uma certa dose de inteligência relativa, mas preciso se torna convir em que, nesta circunstância, a perspicácia deles ultrapassaria de muito a do homem, pois ninguém há que possa lisonjear-se de fazer o que eles fazem. Fora mesmo necessário supor-lhes, para algumas experiências, um dom de segunda vista superior ao dos sonâmbulos mais lúcidos.
Sabe-se, com efeito, que a lucidez é essencialmente variável e sujeita a frequentes intermitências, ao passo que nesses animais seria permanente e funcionaria com uma regularidade e precisão que em nenhum sonâmbulo se vêem. Numa palavra: ela nunca lhes faltaria.
Na sua maior parte, as experiências que presenciamos são da natureza das que fazem os prestidigitadores e não podiam deixar-nos em dúvida sobre o emprego de alguns dos meios de que usam estes, notadamente o das cartas forçadas. A arte da prestidigitação consiste em dissimular esses meios, sem o que o efeito não teria graça.
Todavia, o fenómeno, mesmo reduzido a estas proporções, não se apresenta menos interessante e há sempre que admirar o talento do instrutor, tanto quanto a inteligência do aluno, pois que a dificuldade a vencer é bem maior do que seria se o pássaro agisse apenas em virtude de suas próprias faculdades. Ora, levá-lo a fazer coisas que excedem o limite do possível para a inteligência humana é provar, por este simples facto, o emprego de um processo secreto. Aliás, há uma circunstância que jamais deixa de verificar-se: a de que os pássaros só chegam a tal grau de habilidade, ao cabo de certo tempo e mediante cuidados especiais e perseverantes, o que não seria necessário, se apenas a inteligência deles estivesse em jogo. Não é mais extraordinário educá-los para tirar cartas, do que os habituar a repetir árias, ou palavras.
O mesmo se verificou, quando a prestidigitação pretendeu imitar a segunda vista.
Obrigava-se o paciente a ir ao extremo, para que a ilusão durasse longo tempo. Desde a primeira vez que assistimos a uma sessão deste género, nada mais vimos do que muito imperfeita imitação do sonambulismo, revelando ignorância das condições essenciais dessa faculdade.

235. Como quer que seja, no tocante às experiências de que acima falamos, não menos integral permanece, de outro ponto de vista, a questão principal, por isso que, assim como a imitação do sonambulismo não obsta a que a faculdade exista, também a imitação da mediunidade por meio dos pássaros nada prova contra a possibilidade da existência, neles, ou em outros animais, de uma faculdade análoga.
Trata-se, pois, de saber se os animais são aptos, como os homens, a servir de intermediários aos Espíritos, para suas comunicações inteligentes. Muito lógico parece mesmo se suponha que um ser vivo, dotado de certa dose de inteligência, seja mais apto, para esse efeito, do que um corpo inerte, sem vitalidade, qual, por exemplo, uma mesa.
É, entretanto, o que não se dá.

236. A questão da mediunidade dos animais se acha completamente resolvida na dissertação seguinte, feita por um Espírito cuja profundeza e sagacidade os leitores hão podido apreciar nas citações, que temos tido ocasião de fazer, de instruções suas. Para bem se apreender o valor da sua demonstração, essencial é se tenha em vista a explicação por ele dada do papel do médium nas comunicações, explicação que atrás reproduzimos. (N. 225.)
Esta comunicação deu-a ele em seguida a uma discussão, que se travara, sobre o assunto, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas:
"Explanarei hoje a questão da mediunidade dos animais, levantada e sustentada por um dos vossos mais fervorosos adeptos. Pretende ele, em virtude deste axioma:
Quem pode o mais pode o menos, que podemos "mediunizar" os pássaros e os outros animais e servir-nos deles nas nossas comunicações com a espécie humana. E o que chamais, em filosofia, ou, antes, em lógica, pura e simplesmente um sofisma. "Podeis animar, diz ele, a matéria inerte, isto é, uma mesa, uma cadeira, um piano; a fortiori, deveis poder animar a matéria já animada e particularmente pássaros. Pois bem! No estado normal do Espiritismo, não é assim, não pode ser assim.
"Primeiramente, entendamo-nos bem acerca dos factos. Que é um médium? E o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens: Espíritos encarnados. Por conseguinte, sem médium, não há comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, de qualquer natureza que seja.
"Há um princípio que, estou certo, todos os espíritas admitem, é que os semelhantes actuam com seus semelhantes e como seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos, senão os Espíritos, encarnados ou não? Será preciso que vo-lo repitamos incessantemente? Pois bem! repeti-lo-ei ainda: o vosso perispírito e o nosso procedem do mesmo meio, são de natureza idêntica, são, numa palavra, semelhantes.
Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de magnetização mais ou menos vigorosa, que nos permite a nós, Espíritos desencarnados e encamados, pormo-nos muito pronta e facilmente em comunicação. Enfim, o que é peculiar aos médiuns, o que é da essência mesma da individualidade deles, é uma afinidade especial e, ao mesmo tempo, uma força de expansão particular, que lhes suprimem toda refractariedade e estabelecem, entre eles e nós, uma espécie de corrente, uma espécie de fusão, que nos facilita as comunicações. E, em suma, essa refractariedade da matéria que se opõe ao desenvolvimento da mediunidade, na maior parte dos que não são médiuns.
"Os homens se mostram sempre propensos a tudo exagerar; uns, não falo aqui dos materialistas, negam alma aos animais, outros de boa mente lhes atribuem uma, igual, por assim dizer, à nossa. Por que hão de pretender deste modo confundir o perfectível com o imperfectível? Não, não, convencei-vos, o fogo que anima os irracionais, o sopro que os faz agir, mover e falar na linguagem que lhes é própria, não tem, quanto ao presente, nenhuma aptidão para se mesclar, unir, fundir com o sopro divino, a alma etérea, o Espírito em uma palavra, que anima o ser essencialmente perfectível: o homem, o rei da criação. Ora, não é essa condição fundamental de perfectibilidade o que constitui a superioridade da espécie humana sobre as outras espécies terrestres? Reconhecei, então, que não se pode assimilar ao homem, que só ele é perfectível em si mesmo e nas suas obras, nenhum indivíduo das outras raças que vivem na Terra.
"O cão que, pela sua inteligência superior entre os animais, se tornou o amigo e o comensal do homem, será perfectível por si mesmo, por sua iniciativa pessoal?
Ninguém ousaria afirmá-lo, porquanto o cão não faz progredir o cão. O que, dentre eles, se mostre mais bem educado, sempre o foi pelo seu dono. Desde que o mundo é mundo, a lontra sempre construiu sua choça em cima d'água, seguindo as mesmas proporções e uma regra invariável; os rouxinóis e as andorinhas jamais construíram os respectivos ninhos senão do mesmo modo que seus pais o fizeram. Um ninho de pardais de antes do dilúvio, como um ninho de pardais dos tempos modernos, é sempre um ninho de pardais, edificado nas mesmas condições e com o mesmo sistema de entrelaçamento das palhinhas e dos fragmentos apanhados na primavera, na época dos amores. As abelhas e formigas, que formam pequeninas repúblicas bem administradas, jamais mudaram seus hábitos de abastecimento, sua maneira de proceder, seus costumes, suas produções. A aranha, finalmente, tece a sua teia sempre do mesmo modo.
"Por outro lado, se procurardes as cabanas de folhagens e as tendas das primeiras idades do mundo, encontrareis, em lugar de umas e outras, os palácios e os castelos da civilização moderna. As vestes de peles brutas sucederam os tecidos de ouro e seda. Enfim, a cada passo, achais a prova da marcha incessante da Humanidade pela senda do progresso.
"Desse progredir constante, invencível, irrecusável, do Espírito humano e desse estacionamento indefinido das outras espécies animais, haveis de concluir comigo que, se é certo que existem princípios comuns a tudo o que vive e se move na Terra: o sopro e a matéria, não menos certo é que somente vós, Espíritos encarnados, estais submetidos a inevitável lei do progresso, que vos impele fatalmente para diante e sempre para diante. Deus colocou os animais ao vosso lado como auxiliares, para vos alimentarem, para vos vestirem, para vos secundarem. Deu-lhes uma certa dose de inteligência, porque, para vos ajudarem, precisavam compreender, porém lhes outorgou inteligência apenas proporcionada aos serviços que são chamados a prestar. Mas, em sua sabedoria, não quis que estivessem sujeitos à mesma lei do progresso. Tais como foram criados se conservaram e se conservarão até à extinção de suas raças.
"Dizem: os Espíritos "mediunizam" a matéria inerte e fazem que se movam cadeiras, mesas, pianos. Fazem que se movam, sim, "mediunizam", não! porquanto, mais uma vez o digo, sem médium, nenhum desses fenómenos pode produzir-se. Que há de extraordinário em que, com o auxílio de um ou de muitos médiuns, façamos se mova a matéria inerte, passiva, que, precisamente em virtude da sua passividade, da sua inércia, é apropriada a executar os movimentos e as impulsões que lhe queiramos imprimir? Para isso, precisamos de médiuns, é positivo; mas, não é necessário que o médium esteja presente, ou seja consciente, pois que podemos actuar com os elementos que ele nos fornece, a seu mau grado e ausente, sobretudo para produzir os factos de tangibilidade e o de transportes. O nosso envoltório fluídico, mais imponderável e mais subtil do que o mais subtil e o mais imponderável dos vossos gases, com uma propriedade de expansão e de penetrabilidade inapreciável para os vossos sentidos grosseiros e quase inexplicável para vós, unindo-se, casando-se, combinando-se com o envoltório fluídico, porém animalizado, do médium, nos permite imprimir movimento a móveis quaisquer e até quebrá-los em aposentos desabitados.
"É certo que os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais. Ainda com mais frequência vedes cavalos que se negam a avançar ou a recuar, ou que empinam diante de um obstáculo imaginário. Pois bem! tende como certo que o obstáculo imaginário é quase sempre um Espírito ou um grupo de Espíritos que se comprazem em impedi-los de mover-se. Lembrai-vos da mula de Balaão que, vendo um
anjo diante de si e temendo-lhe a, espada flamejante, se obstinava em não dar um passo.
E que, antes de se manifestar visivelmente a Balaão, o anjo quisera tornar-se visível somente para o animal. Mas, repito, não mediunizamos directamente nem os animais, nem a matéria inerte. É-nos sempre necessário o concurso consciente, ou inconsciente, de um médium humano, porque precisamos da união de fluidos similares, o que não achamos nem nos animais, nem na matéria bruta.
"O Sr. T..., diz-se, magnetizou o seu cão. A que resultado chegou? Matou-o, porquanto o infeliz animal morreu, depois de haver caído numa espécie de atonia, de langor, consequentes à sua magnetização. Com efeito, saturando-o de um fluido aurido numa essência superior à essência especial da sua natureza de cão, ele o esmagou, agindo sobre o animal à semelhança do raio, ainda que mais lentamente. Assim, pois, como não há assimilação possível entre o nosso perispírito e o envoltório fluídico dos animais, propriamente ditos, aniquilá-los-íamos instantaneamente, se os mediunizássemos.
"Isto posto, reconheço perfeitamente que há nos animais aptidões diversas; que certos sentimentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos, se desenvolvem neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se procede bem ou mal com eles. É que Deus, que nada fez incompleto, deu aos animais, companheiros ou servidores do homem, qualidades de sociabilidade, que faltam inteiramente aos animais selvagens, habitantes das solidões. Mas, daí a poderem servir de intermediários para a transmissão do pensamento dos Espíritos, há um abismo: a diferença das naturezas.
"Sabeis que tomamos ao cérebro do médium os elementos necessários a dar ao nosso pensamento uma forma que vos seja sensível e apreensível; é com o auxilio dos materiais que possui, que o médium traduz o nosso pensamento em linguagem vulgar. Ora bem! que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Tem ele ali palavras, números, letras, sinais
quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo o menos inteligente?
Entretanto, direis, os animais compreendem o pensamento do homem, adivinham-no até.
Sim, os animais educados compreendem certos pensamentos, mas já os vistes alguma vez reproduzi-los? Não. Deveis então concluir que os animais não nos podem servir de intérpretes.
"Resumindo: os factos mediúnicos não podem dar-se sem o concurso consciente, ou inconsciente, dos médiuns; e somente entre os encarnados, Espíritos como nós, podemos encontrar os que nos sirvam de médiuns. Quanto a educar cães, pássaros, ou outros animais, para fazerem tais ou tais exercícios, é trabalho vosso e não nosso.

ERASTO.
NOTA. Na Revue Spirite, de Setembro de 1861, encontra-se, minudênciado, um processo empregado pelos educadores de pássaros sábios, com o fim de fazê-los tirar de um maço de cartas as que se queiram.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Méhémet-Ali


Méhémet-Ali, antigo paxá do Egipto

(16 de Março de 1858).

1. Que vos animou a atender o nosso apelo?
- R. Para vos instruir.

2. Estais contrariado por estar vindo entre nós, e responder às perguntas que desejamos vos endereçar?
- R. Não; as que tiverem por objectivo a vossa instrução, eu consinto.

3. Que prova podeis nos dar da vossa identidade, e como poderemos saber que não é um outro Espírito que toma vosso nome?
- R. De que isso serviria?

4. Sabemos por experiência que Espíritos inferiores, frequentemente, ostentam nomes supostos, e foi por isso que fizemos esse pedido.
- R. Eles ostentam também as provas; mas o Espírito que toma uma máscara se revela, também ele mesmo, por suas palavras.

5. Sob qual forma e em qual lugar estais entre nós?
- R. Sob a que leva o nome de Méhémet- Ali, perto de Ermance.

6. Estaríeis satisfeito se vos cedêssemos um lugar especial?
- R. Sobre a cadeira vazia.

Nota. Havia, perto dali, uma cadeira vazia à qual não se havia prestado atenção.

7. Tendes uma lembrança precisa da vossa última existência corporal?
- R. Não a tenho ainda precisa; a morte deixou-me a sua perturbação.

8. Sois feliz?
- R. Não; infeliz.

9. Sois errante ou reencarnado?
- R. Errante.

10. Lembrai-vos o que foste antes de vossa última existência?
- R. Era pobre na Terra; invejei as grandezas terrestres; subi para sofrer.

11. Se pudésseis renascer na Terra, que condições escolheríeis de preferência?
- R. Obscura; os deveres são menores.

12. Que pensais agora da posição que ocupastes em último lugar na Terra?
- R. Vaidade do nada! Quis conduzir homens; soubesse eu conduzir a mim mesmo!

13. Diz-se que a vossa razão esteve alterada, desde há algum tempo; isso é verdade?
- R. Não.

14. A opinião pública aprecia o que fizestes pela civilização do Egipto, e vos coloca na posição dos maiores príncipes. Com isso, experimentais satisfação?
- R. Que me importa! A opinião dos homens é o vento do deserto que levanta a poeira.

15. Vedes com prazer vossos descendentes caminharem na mesma senda, e vos interessais por seus esforços?
- R. Sim, uma vez que têm por objectivo o bem comum.

16. Reprovam-se-vos, no entanto, actos de uma grande crueldade: deles vos arrependeis agora?
- R. Eu os expio.

17. Vedes aqueles que haveis feito massacrar?
- R. Sim.

18. Que sentimentos experimentam por vós?
- R. O ódio e a piedade.

19. Desde que haveis deixado esta vida, revistes o sultão Mahmoud?
- R. Sim; em vão fugimos um do outro.

20. Qual sentimento experimentais, um pelo outro, agora?
- R. A aversão.

21. Qual é a vossa posição actual sobre as penas e as recompensas que nos esperam depois da morte?
- R. A expiação é justa.

22. Qual foi o maior obstáculo que tivestes de combater para o cumprimento dos vossos objectivos progressistas?
- R. Eu reinava sobre escravos.

23. Pensais que se o povo que governastes fosse cristão, teria sido menos rebelde à civilização?
- R. Sim; a religião cristã eleva a alma; a religião muçulmana não fala senão à matéria.

24. Quando vivo, vossa fé na religião muçulmana era absoluta?
- R. Não; eu acreditava num Deus maior.

25. Que pensais disso agora?
- R. Ela não faz os homens.

26. Maomé tinha, segundo vós, uma missão divina?
- R. Sim, mas que a prejudicou.

27. Em que a prejudicou?
- R. Quis reinar.

28. Que pensais de Jesus?
- R. Este veio de Deus.

29. Qual dos dois, Jesus ou Maomé, que, segundo vós, tem feito mais para a felicidade da Humanidade?
- R. Por que o perguntais? Que povo Maomé regenerou? A religião cristã saiu pura das mãos de Deus; a religião maometana é a obra de um homem.

30. Credes uma dessas duas religiões destinada a se apagar de sobre a Terra?
- R. O homem progride sempre; a melhor permanecerá.

31. Que pensais da poligamia, consagrada pela religião maometana?
- R. É um dos laços que retêm na barbárie os povos que a professam.

32. Credes que a submissão da mulher esteja segundo os objectivos de Deus?
- R. Não; a mulher é igual ao homem, uma vez que o Espírito não tem sexo.

33. Diz-se que o povo árabe não pode ser conduzido senão com rigor, não credes que os maus tratos o embrutecem mais do que o submetem?
- R. Sim; é o destino do homem; ele se avilta quando é escravo.

34. Poderíeis nos reportar aos tempos da antiguidade, quando o antigo Egipto estava florescente, e nos dizer quais foram as causas da sua decadência moral?
- R. A corrupção dos costumes.

35. Parece que fazeis pouco caso dos monumentos históricos que cobrem o solo do Egipto; não compreendemos essa indiferença da parte de um príncipe amigo do progresso.
- R. Que importa o passado! O presente não o substituiria.

36. Consentiríeis em vos explicar mais claramente?
- R. Sim; não seria preciso lembrar ao antigo Egipto degradado um passado muito brilhante: não o teria compreendido. Desdenhei o que me pareceu inútil; não poderia me enganar?

37. Os sacerdotes do antigo Egipto tinham conhecimento da Doutrina Espírita?
- R. Era a deles.

38. Recebiam manifestações?
- R. Sim.

39. As manifestações que obtinham os sacerdotes egípcios tinham a mesma fonte das que Moisés obtinha?
- R. Sim, ele foi iniciado por aqueles.

40. Por que as manifestações de Moisés eram mais poderosas o que as dos sacerdotes egípcios?
- R. Moisés queria revelar; os sacerdotes egípcios não tendiam senão a ocultar.

41. Pensais que a doutrina dos sacerdotes Egípcios tinha qualquer relação com a dos Indianos?
- R. Sim; todas as religiões mães estão ligadas entre si por laços quase invisíveis; decorrem de uma mesma fonte.

42. Qual é, das duas religiões, a dos Egípcios e a dos Indianos, que é a mãe da outra?
- R. Elas são irmãs.

43. Como ocorre que vós, em vossa vida tão pouco esclarecido sobre estas questões, possa respondê-las com tanta profundidade?
- R. Em outras existências as aprendi.

44. No estado errante, em que estais agora, tendes, pois, pleno conhecimento das vossas existências anteriores?
- R. Sim, salvo da última.

45. Haveis, pois, vivido no tempo dos Faraós?
- R. Sim; três vezes vivi sobre o solo egípcio: sacerdote, mendigo e príncipe.

46. Sob qual reinado fostes sacerdote?
- R. É tão antigo! O príncipe era vosso Sesostris.

47. Pareceria, segundo isso, que não progredistes, uma vez que expiais, agora, os erros da vossa última existência?
- R. Sim, progredi lentamente; era eu perfeito para ser sacerdote?

48. Foi porque fostes sacerdote naquele tempo, que pudestes nos falar, com conhecimento de causa, da antiga religião dos Egípcios?
- R. Sim; mas não sou bastante perfeito para tudo
saber; outros lêem no livro do passado como num livro aberto.

49. Poderíeis nos dar uma explicação sobre o motivo da construção das pirâmides?
- R. É muito tarde.

(nota - Eram quase onze horas da noite.)

50. Não vos faremos mais do que essa pergunta; consenti em respondê-la, eu vos peço.
- R. Não, é muito tarde, essa pergunta conduzirá a outras.

51. Teríeis a bondade de nos responder numa outra ocasião?
-R. Eu não me comprometo.

52. Nós vos agradecemos, nada obstante, pela complacência com a qual consentistes em
responder às nossas perguntas.
- R. Bem! Eu voltarei.

Revista Espírita, Abril de 1858