terça-feira, 3 de junho de 2008

A PASSAGEM


A PASSAGEM

1. - A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição. Sofremos ou não nessa passagem? Por isso se inquietam, e com razão, visto que ninguém foge à lei fatal dessa transição. Podemos dispensar-nos de uma viagem neste mundo, menos essa. Ricos e pobres, devem todos fazê-la, e, por dolorosa que seja a franquia, nem posição nem fortuna poderiam suavizá-la.

2. - Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se previamente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas. Quem poderá no entanto esclarecer-nos a tal respeito? Quem nos descreverá o fenómeno fisiológico da separação entre a alma e o corpo? Quem nos contará as impressões desse instante supremo quando a Ciência e a Religião se calam? E calam-se porque lhes falta o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria, parando uma nos umbrais da vida espiritual e a outra nos da vida material. O Espiritismo é o traço de união entre as duas, e só ele pode dizer-nos como se opera a transição, quer pelas noções mais positivas da natureza da alma, quer pela
descrição dos que deixaram este mundo. O conhecimento do laço fluídico que une a alma ao corpo é a chave desse e de muitos outros fenómenos.

3. - A insensibilidade da matéria inerte é um facto, e só a alma experimenta sensações de dor e de prazer. Durante a vida, toda a desagregação material repercute na alma, que por este motivo recebe uma impressão mais ou menos dolorosa. É a alma
e não o corpo quem sofre, pois este não é mais que instrumento da dor: - aquela é o paciente. Após a morte, separada a alma, o corpo pode ser impunemente mutilado que nada sentirá; aquela, por insulada, nada experimenta da destruição orgânica. A alma
tem sensações próprias cuja fonte não reside na matéria tangível. O perispírito é o envoltório da alma e não se separa dela nem antes nem depois da morte. Ele não forma com ela mais que uma só entidade, e nem mesmo se pode conceber uma sem outro.
Durante a vida o fluido perispirítico penetra o corpo em todas as suas partes e serve de veículo às sensações físicas da alma, do mesmo modo como esta, por seu intermédio, actua sobre o corpo e dirige-lhe os movimentos.

4. - A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma em consequência do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas essa separação nunca é brusca.
O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo. "A sensação dolorosa da alma, por ocasião
da morte, está na razão directa da soma dos pontos de contacto existentes entre o corpo e o perispírito, e, por conseguinte, também da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento." Não é preciso portanto dizer que, conforme as
circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa. Estas circunstâncias é que nos cumpre examinar.

5. - Estabeleçamos em primeiro lugar, e como princípio, os quatro seguintes casos, que podemos reputar situações extremas dentro de cujos limites há uma infinidade de variantes:

1° - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.

2° - Se nesse momento a coesão dos dois elementos estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

3° - Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

4° - Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça.
Daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente,
que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável.

6. - Na transição da vida corporal para a espiritual, produz-se ainda um outro fenómeno de importância capital - a perturbação. Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao
menos em parte, as sensações. É como se disséssemos um estado de catalepsia, de modo que a alma quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro suspiro.
Dizemos quase nunca, porque há casos em que a alma pode contemplar conscientemente o desprendimento, como em breve veremos.

A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos. A proporção que se liberta, a alma encontra-se numa situação comparável à de um homem
que desperta de profundo sono; as ideias são confusas, vagas, incertas; a vista apenas distingue como que através de um nevoeiro, mas pouco a pouco se aclara, desperta-se-lhe a memória e o conhecimento de si mesma. Bem diverso é, contudo,
esse despertar; calmo, para uns, acorda-lhes sensações deliciosas; tétrico, aterrador e ansioso, para outros, é qual horrendo pesadelo.

7. - O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos
pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão directa da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico despertar.

8. - A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o estado moral da alma. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego à matéria, que atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unicamente à vida e gozos materiais. Ao contrário, nas almas puras, que antecipadamente se identificam com a vida espiritual, o apego é quase nulo. E desde que a lentidão e a dificuldade do desprendimento estão na razão do grau de pureza e desmaterialização da alma, de nós somente
depende o tornar fácil ou penoso, agradável ou doloroso, esse desprendimento.
Posto isto, quer como teoria, quer como resultado de observações, resta-nos examinar a influência do género de morte sobre as sensações da alma nos últimos transes.

9. - Em se tratando de morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença, o desprendimento opera-se gradualmente; para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte real, isto é, ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a última pancada do coração. Nesta contingência o Espírito
pode ter já recuperado a sua lucidez, de molde a tornar-se testemunha consciente da extinção da vida do corpo, considerando-se feliz por tê-lo deixado. Para esse a perturbação é quase nula, ou antes, não passa de ligeiro sono calmo, do qual desperta com indizível impressão de esperança e ventura.
No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do Espírito, e para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espírito, que às vezes procura romper os elos resistentes, e outras se agarra ao corpo do qual uma força
irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula.
10. - Quanto menos vê o Espírito além da vida corporal, tanto mais se lhe apega, e, assim, sente que ela lhe foge e quer retê-la; em vez de se abandonar ao movimento que o empolga, resiste com todas as forças e pode mesmo prolongar a luta por dias, semanas e meses inteiros.
Certo, nesse momento o Espírito não possui toda a lucidez, visto como a perturbação de muito se antecipou à morte; mas nem por isso sofre menos, e o vácuo em que se acha, e a incerteza do que lhe sucederá, agravam-lhe as angústias. Dá-se por fim a morte, e nem por isso está tudo terminado; a perturbação continua, ele sente que vive, mas não define se material, se espiritualmente, luta, e luta ainda, até que as últimas ligações do perispírito se tenham de todo rompido. A morte pôs termo a moléstia efectiva, porém, não lhe sustou as consequências, e, enquanto existirem
pontos de contacto do perispírito com o corpo, o Espírito ressente-se e sofre com as suas impressões.

11. - Quão diversa é a situação do Espírito desmaterializado, mesmo nas enfermidades mais cruéis! Sendo frágeis os laços fluídicos que o prendem ao corpo, rompem-se suavemente; depois, a confiança do futuro entrevisto em pensamento ou
na realidade, como sucede algumas vezes, fá-lo encarar a morte qual redenção e as suas consequências como prova, advindo-lhe dai uma calma resignada, que lhe ameniza o sofrimento.
Após a morte, rotos os laços, nem uma só reacção dolorosa que o afecte; o despertar é lépido, desembaraçado; por sensações únicas: o alívio, a alegria!

12. - Na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas.
Nenhuma desagregação inicial há começado previamente a separação do perispírito; a vida orgânica em plena exuberância de força é subitamente aniquilada. Nestas condições, o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu
estado. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes para ser estudado, porque apresenta o espectáculo singular de um Espírito que julga material o seu corpo fluídico, experimentando ao mesmo tempo
todas as sensações da vida orgânica. Há, além disso, dentro desse caso, uma série infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. Para aqueles cuja alma está purificada, a situação pouco dura, porque já possuem em si como que um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais súbita não faz senão apressar. Outros há, para os quais a situação se prolonga por anos inteiros. É uma situação essa muito frequente até nos casos de morte comum,
que nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, se torna horrível para os atrasados. No suicida, principalmente, excede a toda expectativa. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele,
com sofrimentos cruciantes.

13. - O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser assim resumido: Tanto maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito; a presteza deste desprendimento está na razão directa do adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo.

14. - Para que cada qual trabalhe na sua purificação, reprima as más tendências e domine as paixões, preciso se faz que abdique das vantagens imediatas em prol do futuro, visto como, para identificar-se com a vida espiritual, encaminhando para ela
todas as aspirações e preferindo-a à vida terrena, não basta crer, mas compreender.
Devemos considerar essa vida debaixo de um ponto de vista que satisfaça ao mesmo tempo à razão, à lógica, ao bom senso e ao conceito em que temos a grandeza, a bondade e a justiça de Deus. Considerado deste ponto de vista, o Espiritismo, pela fé
inabalável que proporciona, é, de quantas doutrinas filosóficas que conhecemos, a que exerce mais poderosa influência.
O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos; uma realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo e de modo que a
dúvida não pode empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. A vida corporal, tão limitada, amesquinha-se diante da vida espiritual, da verdadeira vida. Que lhe importam os incidentes da jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas,
quando suportadas com resignação? A alma eleva-se-lhe nas relações com o mundo visível; os laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se, operando-se por antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação consequente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueado o passo, para logo se reconhece, nada estranhando, antes compreendendo, a sua nova situação.

15. - Com certeza não é só o Espiritismo que nos assegura tão auspicioso resultado, nem ele tem a pretensão de ser o meio exclusivo, a garantia única de salvação para as almas. Força é confessar, porém, que pelos conhecimentos que fornece, pelos sentimentos que inspira, como pelas disposições em que coloca o Espírito, fazendo-lhe compreender a necessidade de melhorar-se, facilita enormemente a salvação. Ele dá a mais, e a cada um, os meios de auxiliar o desprendimento doutros Espíritos ao deixarem o invólucro material, abreviando-lhes a perturbação pela evocação e pela prece. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se a desagregação mais rápida do fluido perispiritual; pela evocação conduzida com sabedoria e prudência, com palavras de benevolência e conforto, combate-se o entorpecimento do Espírito, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo, e, se é sofredor, incute-se-lhe o arrependimento - único meio de abreviar seus sofrimentos.
(1)
__________
(1) Os exemplos que vamos transcrever mostram-nos os Espíritos nas diferentes fases de felicidade e infelicidade da vida espiritual. Não fomos procurá-los nas personagens mais ou menos ilustres da antiguidade, cuja situação pudera ter mudado consideravelmente depois da existência que lhes conhecemos, e que por isto não oferecessem provas suficientes de autenticidade. Ao contrário, tomamos esses exemplos nas
circunstâncias mais ordinárias da vida contemporânea, uma vez que assim pode cada qual encontrar mais similitudes e tirar, pela comparação, as mais proveitosas instruções. Quanto mais próxima de nós está a existência terrestre dos Espíritos - quer pela posição social, quer por laços de parentesco ou de meras relações - tanto mais nos interessamos por eles, tornando-se fácil averiguar-lhes a identidade. As posições vulgares são as mais comuns, as de maior número, podendo cada qual aplicá-las em si, de modo a tornarem-se úteis, ao passo que as posições excepcionais comovem menos, porque saem da esfera dos nossos hábitos. Não foram, pois, as sumidades que procuramos, e se nesses exemplos se encontram quaisquer personagens conhecidas, de obscuras se compõe o maior número. Acresce
que nomes retumbantes nada adiantariam à instrução que visamos, podendo ainda ferir susceptibilidades. E nós não nos dirigimos nem aos curiosos, nem aos amadores de escândalos, mas tão-somente aos que pretendem instruir-se.
Esses exemplos poderiam ser multiplicados infinitamente, porém, forçados a limitar-lhes o número, fizemos escolha dos que pudessem melhor esclarecer o mundo espiritual e o seu estado, já pela situação dos Espíritos, já pelas explicações que estavam no caso de fornecer. A maior parte destes exemplos está inédita, e apenas alguns, poucos, foram já publicados na Revue Spirite.
Destes, suprimimos supérfluas minúcias, conservando apenas o essencial ao fim que nos propusemos, ajustando-lhes as instruções complementares a que poderão dar lugar ulteriormente.

Referencia: O céu e o inferno

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Noticias de Portugal


1 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB

2 – APRENDER ESPIRITISMO PELA INTERNET

3 – CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA SOBRE: ESPIRITISMO: A PORTA ESTREITA

4 – CONFERÊNCIA ESPÍRITA EM BARCELOS

5 – LUIS DE ALMEIDA REGRESSA A BARCELONA PARA SEMINARIO

6 – XIII TROBADA ESPÍRITA DE VECIANA, EM BARCELONA

7 – LISBOA: DIÁLOGOS ESPÍRITAS E TEMAS PARTILHADOS NO CEPC

8 – MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS

9 – ACE: ESPIRITISMO EM AVEIRO

10 – FUNCHAL: ACTIVIDADES DO GRUPO ESPÍRITA DA PAZ


1 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ASEB


Na sexta-feira, dia 16 de Maio, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Ocupações e Missões dos Espíritos”.


O evento terá lugar na sede da ASEB - Associação Sociocultural Espírita de Braga, na Rua do Espírito Santo nº 38, em Braga. Este centro tem página na Internet em http://www.aseb.com.pt/ e-mail info@aseb.com.pt As entradas são livres e gratuitas.


Fonte: ASEB (Site)


2 - APRENDER ESPIRITISMO PELA INTERNET


A ADEP disponibiliza agora um Curso Básico de Espiritismo através de uma plataforma de e-Learning (ensino à distância, pela Internet) sofisticada. Possibilitando o estudo ao seu ritmo, com acompanhamento de um tutor para orientar e esclarecer dúvidas.É um projecto espírita singular, que arrancou há poucos meses e que sem divulgação conta já com mais de 600 alunos. Foi apresentado oficialmente nas Jornadas de Cultura Espírita, no dia 24 de Maio de 2008.


Principais vantagens:


Disponível em qualquer parte do mundo

Aprendizagem ao seu ritmo

Conteúdos multimédia

Orientado pelo seu tutor

Esclarecimento de dúvidas

Testes com correcção automáticaJogos pedagógicos

Ferramentas de rede social

Oferta do download de um CD com todo o material pedagógico e dezenas de obras espíritas

Conhecimento útil para toda a vida


Curso gratuito em: www.adeportugal.org/cbe

Fonte: ADEP


3 - CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA SOBRE: ESPIRITISMO: A PORTA ESTREITA


Na sexta-feira, dia 30 de Maio, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Espiritismo: a Porta Estreita”.


Sendo o Espiritismo o reavivar do cristianismo primitivo, no que concerne à parte moral, esta doutrina leva-nos a entender com mais propriedade o conceito de Jesus acerca da "Porta Estreita".Um tema cada vez mais actual, numa sociedade onde o primado do ser humano está virado para a matéria ao invés de estar virado para os valores ético-morais.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em www.caldasrainha.net/cce e e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.

Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


4 - CONFERÊNCIA ESPÍRITA EM BARCELOS


Realiza-se no próximo sábado, dia 31 de Maio, pelas 21H00, uma Conferência subordinada ao tema: “Espiritismo: Acto de Educar”, tendo como expositor Ulisses Lopes, Fotógrafo, colaborador da ASEB (Associação Sociocultural Espírita de Braga), Presidente da ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal) e Director do Jornal de Espiritismo.


Esta conferência está integrada no Ciclo de Conferências Espíritas organizado pela Associação Momentos de Sabedoria – Núcleo de Estudos Espíritas de Barcelos.Irá ter lugar, tal como todas as outras, nas instalações da sede da associação, sita à Rua Fernando de Magalhães, n.º 53, Barcelos (na rua ao fundo da Câmara Municipal, junto ao Museu de Olaria – Estacionar no Largo da escadaria do D. António Barroso / Igreja Matriz).


A entrada é livre e gratuita.Contacto para informações: 96 121 84 94 (António Teixeira).

Fonte: António Teixeira (Barcelos)



5 - LUIS DE ALMEIDA REGRESSA A BARCELONA PARA SEMINÁRIO


O cientista português Luís de Almeida vai levar a cabo um Seminário sobre "A Terapia do Passe Espírita: Evidências Cientificas". O evento ocorrerá no próximo sábado, dia 31 de Maio, no Centro Cívico de Igualada, Calle Trinitat, 12, Igualada, Barcelona.


Fonte: Zé Santos Silva (zy.santos@gmail.com)


6 - XIII TROBADA ESPÍRITA DE VECIANA, EM BARCELONA


No próximo domingo, dia 1 de Junho, ocorrerá a "XIII Trobada Espírita de Veciana" onde se reúnem espíritas de toda a Catalunha. Como convidada para representar Portugal estará a Dra. Lígia Almeida presidente da AME PORTO – Associação Médico-Espírita da Área Metropolitana do Porto (http://www.ameporto.org/)


Fonte: Zé Santos Silva (zy.santos@gmail.com)


7 - LISBOA: DIÁLOGOS ESPÍRITAS E TEMAS PARTILHADOS NO CEPC


Participe em mais um "Diálogos Espíritas", onde podemos estudar e participar, colocando questões oportunas. Este evento tem lugar todos os primeiros domingos de cada mês no CEPC – Centro Espírita Perdão e Caridade, na Rua Presidente Arriaga, 124/125 em Lisboa – (Telefone 21/3975219), entre as 17H00 e as 19H00.


Dia 1 de Junho - Tema: " Ecologia e Espiritismo"Expositor: Delfim Nobre Coordenadores: Carlos Alberto Ferreira e Antero Ricardo


Os “Temas Partilhados” de Junho, subordinados ao tema: "Joanna de Angelis e Emmanuel ", têm lugar todas as 4ªFeiras às 18H30.


Entradas livres e gratuitasNovo site do CEPC: http://www.ceperdaoecaridade.pt/


8 - MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS


A Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na Rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665-277 Malveira, vai levar a efeito as suas actividades, no decorrer do mês de Junho, de acordo com a seguinte programação:


Segundas-feiras, dias 9 e 23, às 16H30: Palestra pública e fluidoterapia

Quartas-feiras, dias 4, 11, 18 e 25, às 20H00: Palestra pública e fluidoterapia

2ª Sexta-feira do mês: dia 13 de Junho, às 20H00: Palestra pública, desta vez subordinada ao tema: "Lei de Causa e Efeito".


Mais informações através dos telemóveis 965362855 e/ou 917713744 ou pelo e-mail: afmbmalveira@gmail.com

Fonte: Marcelo Oliveira (tm 917713744)
Fonte: M. Elisa Viegas (Lisboa)


9 - ACE: ESPIRITISMO EM AVEIRO


A Associação Cultural Espírita de Aveiro, sita na Rua Ciudad Rodrigo, nº 12 r/c, 3800-083 Aveiro (Bairro do Liceu). Tel. 96 271 4000, leva a efeito as seguintes iniciativas no decorrer do mês de Junho:


Dia 02 – 2ª feira

- 20H00 – Atendimento fraterno

- 21H00 – Palestra – Tema: “Com tantos Dramas, ser Feliz é possível?” – Resposta a dúvidas e perguntas – Manuel Santos- 22H00 – Passe

- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 06/06/2008 – 6ª feira

- 21H00 – Estudo da Doutrina – Curso de Mediunidade

- 22H15 – Reunião mediúnica – (reservada)


Dia 09 – 2ª feira

- 20H00 – Atendimento fraterno

- 21H00 – Palestra – Tema livre – Paulo Fonseca

- 22H00 – Passe

- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 13 – 6ª feira

- 21H00 – Estudo da Doutrina – Livro dos Espíritos

- 22H15 – Reunião mediúnica – (reservada)


Dia 16 – 2ª feira

- 20H00 – Atendimento fraterno

- 21H00 – Palestra – Tema: “Crianças Índigo, Sim, Não, Talvez?” – Manuel Santos

- 22H00 – Passe

- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 20 – 6ª feira

- 21H00 – Estudo da Doutrina

– Curso de Mediunidade

- 22H15 – Reunião mediúnica – (reservada)


Dia 23 – 2ª feira

- 20H00 – Atendimento fraterno

- 21H00 – Palestra – Tema livre – Dr. Alexandre Pereira

- 22H00 – Passe

- 22H15 – Atendimento espiritual


Dia 27 – 6ª feira

- 21H00 – Estudo da Doutrina – Livro dos Espíritos

- 22H15 – Reunião mediúnica – (reservada)


Dia 30 – 2ª feira

- 20H00 – Atendimento fraterno

- 21H00 – Palestra – Tema livre – Paulo Fonseca

- 22H00 – Passe- 22H15 – Atendimento espiritua


lMais informações:Associação Cultural Espírita de AveiroRua Ciudad Rodrigo, nº 12 r/c, (Bairro do Liceu)3810 – 083 Aveiro(Tel. 96 271 4000)(E-mail: aceaveiro@mail.com e msantuz@mail.telepac.pt )

Fonte: Manuel Santos (Aveiro)


10 - FUNCHAL: ACTIVIDADES DO GRUPO ESPÍRITA DA PAZ


O Grupo Espírita da Paz, com sede na Rua do Pico de São João, 45 – 9000-192 Funchal, apresenta a seguir, as suas actividades que terão lugar no decorrer do próximo mês de Junho:


Segundas-feiras: Palestra e Passe:


Dia 02 – Tema: “A Lei de Amor” – Expositor: José António Câmara


Dia 09 – Tema: “Ocupações e Missão dos Espíritos” – Expositor: Alice


Dia 16 – Tema: A definir – Expositor: Manuela


Dia 23 – Tema: “Os Trabalhadores do Senhor” – Expositor: Graça Alentejo


Dia 30 – Tema: “Os Tormentos Voluntários” – Expositor: Pedro Vaquer

Quintas-feiras: Estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo Estudos Doutrinários (O Livro dos Espíritos)


Dias 5, 12, 19 e 26Culto de Confraternização Mensal:


Dia 28 – às 20H00 – Local: Cª Sto. Antão – Qta. Dos Cedros – Bloco F – Fracção EGMais informações:Grupo Espírita da PazRua do Pico de São João, nº. 459000-192 Funchal Madeira(Telefones: 291 75 96 17; 96 79 48 468)(E-mail: grupoespiritadapazmadeira@hotmail.com)


Fonte: José António Câmara (Funchal)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Limites da encarnação


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS


Limites da encarnação

24. Quais os limites da encarnação?

A bem dizer, a encarnação carece de limites precisamente traçados, se tivermos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materialidade desse envoltório diminui à proporção que o Espírito se purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, já ele é menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e, por conseguinte, menos sujeito a vicissitudes.
Em grau mais elevado, é diáfano e quase fluídico. Vai desmaterializando-se de grau em grau e acaba por se confundir com o perispírito. Conforme o mundo em que é levado a viver, o Espírito reveste o invólucro apropriado à natureza desse mundo.
O próprio periespírito passa por transformações sucessivas. Torna-se cada vez mais etéreo, até à depuração completa, que é a condição dos puros Espíritos. Se mundos especiais são destinados a Espíritos de grande adiantamento, estes últimos não lhes ficam presos, como nos mundos inferiores. O estado de desprendimento em que se encontram lhes permite ir a toda parte onde os chamem as missões que lhes estejam confiadas.
Se se considerar do ponto de vista material a encarnação, tal como se verifica na Terra, poder-se-á dizer que ela se limita aos mundos inferiores. Depende, portanto, de o Espírito libertar-se dela mais ou menos rapidamente, trabalhando pela sua purificação.
Deve também considerar-se que no estado de desencarnado, isto é, no intervalo das existências corporais, a situação do Espírito guarda relação com a natureza do mundo a que o liga o grau do seu adiantamento. Assim, na erraticidade, é ele mais ou menos ditoso, livre e esclarecido, conforme está mais ou menos desmaterializado. S. Luís. (Paris, 1859.)

Necessidade da encarnação

25. É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la?

A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma acção material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a actividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a
mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. E uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre arbítrio.
Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo. - S. Luís. (Paris, 1859.)

26. NOTA. - Uma comparação vulgar fará se compreenda melhor essa diferença. O escolar não chega aos estudos superiores da Ciência, senão depois de haver percorrido a série das classes que até lá o conduzirão. Essas classes, qualquer que seja o trabalho que exijam, são um meio de o estudante alcançar o fim e não um castigo que se lhe inflige. Se ele é esforçado, abrevia o caminho, no qual, então, menos espinhos encontra. Outro tanto não sucede àquele a quem a negligência e a preguiça obrigam a passar duplamente por certas classes. Não é o trabalho da classe que constitui a punição; esta se acha na obrigação de recomeçar o mesmo trabalho.
Assim acontece com o homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que está apenas no início da vida espiritual, a encarnação é um meio de ele desenvolver a sua inteligência; contudo, para o homem esclarecido, em quem o senso moral se acha largamente desenvolvido e que é obrigado a percorrer de novo as etapas de uma vida corpórea cheia de angústias, quando já poderia ter chegado ao fim, é um castigo, pela necessidade em que se vê de prolongar sua permanência em mundos inferiores e desgraçados. Aquele que, ao contrário, trabalha activamente pelo seu progresso moral, além de abreviar o tempo da encarnação material, pode também transpor de uma só vez os degraus intermédios que o separam dos mundos superiores.

Não poderiam os Espíritos encarnar uma única vez em determinado globo e preencher em esferas diferentes suas diferentes existências? Semelhante modo de ver só seria admissível se, na Terra, todos os homens estivessem exactamente no mesmo nível intelectual e moral. As diferenças que há entre eles, desde o selvagem ao homem civilizado, mostram quais os degraus que têm de subir. A encarnação, aliás, precisa ter um fim útil. Ora, qual seria o das encarnações efémeras das crianças que morrem em tenra idade? Teriam sofrido sem proveito para si, nem para outrem. Deus, cujas leis todas são soberanamente sábias, nada faz de inútil. Pela reencarnação no mesmo globo, quis ele que os mesmos Espíritos, pondo-se novamente em contacto, tivessem ensejo de reparar seus danos recíprocos. Por meio das suas relações anteriores, quis, além disso, estabelecer sobre base espiritual os laços de família e apoiar numa lei natural os princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade.

Referencia: O evangelho segundo o espiritismo

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Da influência do meio


DA INFLUÊNCIA DO MEIO

231. 1ª O meio em que se acha o médium exerce alguma influência nas manifestações?

"Todos os Espíritos que cercam o médium o auxiliam, para o bem ou para o mal."

2ª Não podem os Espíritos superiores triunfar da má vontade do Espírito encarnado que lhes serve de intérprete e dos que o cercam?

"Podem, quando julgam conveniente e conforme a intenção da pessoa que a eles se dirige. Já o dissemos: os Espíritos mais elevados se comunicam, às vezes, por uma graça especial, mau grado à imperfeição do médium e do meio, mas, então, estes se
conservam completamente estranhos ao facto."

3ª Os Espíritos superiores procuram encaminhar para uma corrente de ideias sérias as reuniões fúteis?

"Os Espíritos superiores não vão às reuniões onde sabem que a presença deles é inútil. Nos meios pouco instruídos, mas onde há sinceridade, de boa mente vamos, ainda mesmo que aí só instrumentos medíocres encontremos. Não vamos, porém, aos meios instruídos onde domina a ironia. Em tais meios, é necessário se fale aos ouvidos e aos olhos: esse o papel dos Espíritos batedores e zombeteiros. Convém que aqueles que se orgulham da sua ciência sejam humilhados pelos Espíritos menos instruídos e menos adiantados."

4ª Aos Espíritos inferiores é interdito o acesso às reuniões sérias?

"Não, algumas vezes lhes é permitido assistir a elas, a fim de aproveitarem os ensinos que vos são dados; mas, conservam-se silenciosos, como estouvados numa assembleia de gente ponderada. "

232. Fora erro acreditar alguém que precisa ser médium, para atrair a si os seres do mundo invisível. Eles povoam o espaço; temo-los incessantemente em tomo de nós, ao nosso lado, vendo-nos, observando-nos, intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos, ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos. A faculdade mediúnica em nada influi para isto: ela mais não é do que um meio de comunicação. De acordo com o que dissemos acerca das causas de simpatia ou antipatia dos Espíritos, facilmente se compreenderá que devemos estar cercados daqueles que têm afinidade com o nosso próprio Espírito, conforme é este graduado, ou degradado. Consideremos agora o estado moral do nosso planeta e compreenderemos de que género devem ser os que predominam entre os Espíritos errantes. Se tomarmos cada povo em particular, poderemos, pelo carácter dominante dos habitantes, pelas suas preocupações, seus sentimentos mais ou menos morais e humanitários, dizer de que ordem são os Espíritos que de preferência se reúnem no seio dele.
Partindo deste princípio, suponhamos uma reunião de homens levianos, inconsequentes, ocupados com seus prazeres; quais serão os Espíritos que preferentemente os cercarão? Não serão de certo Espíritos superiores, do mesmo modo que não seriam os nossos sábios e filósofos os que iriam passar o seu tempo em semelhante lugar. Assim, onde quer que haja uma reunião de homens, há igualmente em torno deles uma assembleia oculta, que simpatiza com suas qualidades ou com seus defeitos, feita abstracção completa de toda ideia de evocação. Admitamos agora que tais homens tenham a possibilidade de se comunicar com os seres do mundo invisível, por meio de um intérprete, isto é, por um médium; quais serão os que lhes responderão ao chamado? Evidentemente, os que os estão rodeando de muito perto, à espreita de uma ocasião para se comunicarem. Se, numa assembleia fútil, chamarem um Espírito superior, este poderá vir e até proferir algumas palavras ponderosas, como um bom pastor que acode ao chamamento de suas ovelhas desgarradas. Porém, desde que não se veja compreendido, nem ouvido, retira-se, como em seu lugar o faria qualquer de nós, ficando os outros com o campo livre.

233. Nem sempre basta que uma assembleia seja séria, para receber comunicações de ordem elevada. Há pessoas que nunca riem e cujo coração, nem por isso, é puro. Ora, o coração, sobretudo, é que atrai os bons Espíritos. Nenhuma condição moral exclui as comunicações espíritas; os que, porém, estão em más condições, esses se comunicam com os que lhes são semelhantes, os quais não deixam de enganar e de lisonjear os preconceitos.
Por aí se vê a influência enorme que o meio exerce sobre a natureza das manifestações inteligentes. Essa influência, entretanto, não se exerce como o pretenderam algumas pessoas, quando ainda se não conhecia o mundo dos Espíritos, qual se conhece hoje, e antes que experiências mais concludentes houvessem esclarecido as dúvidas. Quando as comunicações concordam com a opinião dos assistentes, não é que essa opinião se reflicta no Espírito do médium, como num espelho; é que com os assistentes estão Espíritos que lhes são simpáticos, para o bem, tanto quanto para o mal, e que abundam nos seus modos de ver. Prova-o o facto de que, se tiverdes a força de atrair outros Espíritos, que não os que vos cercam, o mesmo médium usará de linguagem absolutamente diversa e dirá coisas muito distanciadas das vossas ideias e das vossas convicções.
Em resumo: as condições do meio serão tanto melhores, quanto mais homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados, mais desejo sincero de instrução, sem ideias preconcebida.


Referencia: O livro dos médiuns

Problemas morais sobre o suicídio


Problemas morais sobre o suicídio

Questões dirigidas a São Luís, por intermédio do senhor C..., médium falante e vidente, na
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, sessão do dia 12 de Outubro de 1858.

1. Por que o homem que tem a firme intenção de se destruir, se revolta com a ideia de ser
morto por um outro, e se defenderia contra os ataques no próprio momento em que vai
cumprir seu desígnio?

- R. Porque o homem tem sempre medo da morte; quando se a dá a si mesmo, está super-excitado e tem a cabeça desarranjada, e cumpre esse acto sem coragem e medo, e sem, por assim dizer, ter o conhecimento do que faz, ao passo que, se tivesse a escolha, não veríeis tantos suicidas. O instinto do homem leva-o a defender a sua vida, e, durante o tempo que se escoa entre o instante que seu semelhante se aproxima para matá-lo e aquele no qual o acto é cometido, ele tem sempre um movimento de repulsão instintiva da morte que o leva a repelir esse fantasma, que não é apavorante senão para o Espírito culpado. O homem que se suicida não experimenta esse sentimento, porque está cercado de Espíritos que o impelem, que o ajudam em seus desejos, e lhe fazem perder completamente a lembrança do que não é ele, quer dizer, de seus parentes e daqueles que o amam, e de uma outra existência. O homem nesse momento é todo egoísmo.

2. Aquele que, desgostoso da vida, mas não quer suicidar-se e quer que sua morte sirva para
alguma coisa, é culpável por procurá-la num campo de batalha, defendendo o seu país?

- R.Sempre. O homem deve seguir o impulso que lhe é dado; qualquer que seja a carreira que
abrace, qualquer que seja a vida que conduza, está sempre assistido por Espíritos que o
conduzem e o dirigem com o seu desconhecimento; ora, procurar ir contra os seus conselhos
é um crime, uma vez que aí estão colocados para nos dirigir, e que esses bons Espíritos,
quando queremos agir por nós mesmos, aí estão para nos ajudar. Entretanto, se o homem
conduzido por seu próprio Espírito, quer deixar esta vida, abandona-o, e reconhece sua falta
mais tarde, quando se acha obrigado a recomeçar uma outra existência O homem deve ser
provado para se elevar; deter seus actos, por entrave ao seu livre arbítrio, seria ir contra
Deus, e as provas, nesse caso, se tomariam inúteis, uma vez que os Espíritos não
cometeriam faltas. O Espírito foi criado simples e ignorante; é preciso, pois, para chegar às
esferas felizes, que progrida, se eleve em ciência e em sabedoria, e não é senão na
adversidade que o Espírito colhe sua elevação do coração e compreende melhor a grandeza
de Deus.

3. Um dos assistentes observou que crê ver uma contradição entre essas últimas palavras de
São Luís e as precedentes, quando disse que o homem pode ser levado ao suicídio por certos
Espíritos que a isso o excitam. Nesse caso, cederia a um impulso que lhe seria estranho.

- R.Não há contradição. Quando eu disse que o homem impelido ao suicídio, estava cercado de
Espíritos que o solicitavam a isso, não falei dos bons Espíritos que fazem todos os esforços
para disso desviá-lo; deveria estar subentendido; todos sabemos que temos um Anjo
guardião, ou, se preferis, um guia familiar. Ora, o homem tem seu livre arbítrio; se, apesar
dos bons conselhos que lhe são dados, persevera nessa ideia que é um crime, ele a cumpre e
é ajudado nisso pelos Espíritos levianos e impuros que o cercam, que ficam felizes em verem
que ao homem, ou Espírito encarnado, também lhe falta coragem para seguir os conselhos de
seu bom guia, e, frequentemente, do Espírito de seus parentes mortos que o cercam,
sobretudo em circunstâncias semelhantes.

Revista Espírita, Novembro de 1858