sexta-feira, 9 de maio de 2008

Da influência do meio


DA INFLUÊNCIA DO MEIO

231. 1ª O meio em que se acha o médium exerce alguma influência nas manifestações?

"Todos os Espíritos que cercam o médium o auxiliam, para o bem ou para o mal."

2ª Não podem os Espíritos superiores triunfar da má vontade do Espírito encarnado que lhes serve de intérprete e dos que o cercam?

"Podem, quando julgam conveniente e conforme a intenção da pessoa que a eles se dirige. Já o dissemos: os Espíritos mais elevados se comunicam, às vezes, por uma graça especial, mau grado à imperfeição do médium e do meio, mas, então, estes se
conservam completamente estranhos ao facto."

3ª Os Espíritos superiores procuram encaminhar para uma corrente de ideias sérias as reuniões fúteis?

"Os Espíritos superiores não vão às reuniões onde sabem que a presença deles é inútil. Nos meios pouco instruídos, mas onde há sinceridade, de boa mente vamos, ainda mesmo que aí só instrumentos medíocres encontremos. Não vamos, porém, aos meios instruídos onde domina a ironia. Em tais meios, é necessário se fale aos ouvidos e aos olhos: esse o papel dos Espíritos batedores e zombeteiros. Convém que aqueles que se orgulham da sua ciência sejam humilhados pelos Espíritos menos instruídos e menos adiantados."

4ª Aos Espíritos inferiores é interdito o acesso às reuniões sérias?

"Não, algumas vezes lhes é permitido assistir a elas, a fim de aproveitarem os ensinos que vos são dados; mas, conservam-se silenciosos, como estouvados numa assembleia de gente ponderada. "

232. Fora erro acreditar alguém que precisa ser médium, para atrair a si os seres do mundo invisível. Eles povoam o espaço; temo-los incessantemente em tomo de nós, ao nosso lado, vendo-nos, observando-nos, intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos, ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos. A faculdade mediúnica em nada influi para isto: ela mais não é do que um meio de comunicação. De acordo com o que dissemos acerca das causas de simpatia ou antipatia dos Espíritos, facilmente se compreenderá que devemos estar cercados daqueles que têm afinidade com o nosso próprio Espírito, conforme é este graduado, ou degradado. Consideremos agora o estado moral do nosso planeta e compreenderemos de que género devem ser os que predominam entre os Espíritos errantes. Se tomarmos cada povo em particular, poderemos, pelo carácter dominante dos habitantes, pelas suas preocupações, seus sentimentos mais ou menos morais e humanitários, dizer de que ordem são os Espíritos que de preferência se reúnem no seio dele.
Partindo deste princípio, suponhamos uma reunião de homens levianos, inconsequentes, ocupados com seus prazeres; quais serão os Espíritos que preferentemente os cercarão? Não serão de certo Espíritos superiores, do mesmo modo que não seriam os nossos sábios e filósofos os que iriam passar o seu tempo em semelhante lugar. Assim, onde quer que haja uma reunião de homens, há igualmente em torno deles uma assembleia oculta, que simpatiza com suas qualidades ou com seus defeitos, feita abstracção completa de toda ideia de evocação. Admitamos agora que tais homens tenham a possibilidade de se comunicar com os seres do mundo invisível, por meio de um intérprete, isto é, por um médium; quais serão os que lhes responderão ao chamado? Evidentemente, os que os estão rodeando de muito perto, à espreita de uma ocasião para se comunicarem. Se, numa assembleia fútil, chamarem um Espírito superior, este poderá vir e até proferir algumas palavras ponderosas, como um bom pastor que acode ao chamamento de suas ovelhas desgarradas. Porém, desde que não se veja compreendido, nem ouvido, retira-se, como em seu lugar o faria qualquer de nós, ficando os outros com o campo livre.

233. Nem sempre basta que uma assembleia seja séria, para receber comunicações de ordem elevada. Há pessoas que nunca riem e cujo coração, nem por isso, é puro. Ora, o coração, sobretudo, é que atrai os bons Espíritos. Nenhuma condição moral exclui as comunicações espíritas; os que, porém, estão em más condições, esses se comunicam com os que lhes são semelhantes, os quais não deixam de enganar e de lisonjear os preconceitos.
Por aí se vê a influência enorme que o meio exerce sobre a natureza das manifestações inteligentes. Essa influência, entretanto, não se exerce como o pretenderam algumas pessoas, quando ainda se não conhecia o mundo dos Espíritos, qual se conhece hoje, e antes que experiências mais concludentes houvessem esclarecido as dúvidas. Quando as comunicações concordam com a opinião dos assistentes, não é que essa opinião se reflicta no Espírito do médium, como num espelho; é que com os assistentes estão Espíritos que lhes são simpáticos, para o bem, tanto quanto para o mal, e que abundam nos seus modos de ver. Prova-o o facto de que, se tiverdes a força de atrair outros Espíritos, que não os que vos cercam, o mesmo médium usará de linguagem absolutamente diversa e dirá coisas muito distanciadas das vossas ideias e das vossas convicções.
Em resumo: as condições do meio serão tanto melhores, quanto mais homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados, mais desejo sincero de instrução, sem ideias preconcebida.


Referencia: O livro dos médiuns

Problemas morais sobre o suicídio


Problemas morais sobre o suicídio

Questões dirigidas a São Luís, por intermédio do senhor C..., médium falante e vidente, na
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, sessão do dia 12 de Outubro de 1858.

1. Por que o homem que tem a firme intenção de se destruir, se revolta com a ideia de ser
morto por um outro, e se defenderia contra os ataques no próprio momento em que vai
cumprir seu desígnio?

- R. Porque o homem tem sempre medo da morte; quando se a dá a si mesmo, está super-excitado e tem a cabeça desarranjada, e cumpre esse acto sem coragem e medo, e sem, por assim dizer, ter o conhecimento do que faz, ao passo que, se tivesse a escolha, não veríeis tantos suicidas. O instinto do homem leva-o a defender a sua vida, e, durante o tempo que se escoa entre o instante que seu semelhante se aproxima para matá-lo e aquele no qual o acto é cometido, ele tem sempre um movimento de repulsão instintiva da morte que o leva a repelir esse fantasma, que não é apavorante senão para o Espírito culpado. O homem que se suicida não experimenta esse sentimento, porque está cercado de Espíritos que o impelem, que o ajudam em seus desejos, e lhe fazem perder completamente a lembrança do que não é ele, quer dizer, de seus parentes e daqueles que o amam, e de uma outra existência. O homem nesse momento é todo egoísmo.

2. Aquele que, desgostoso da vida, mas não quer suicidar-se e quer que sua morte sirva para
alguma coisa, é culpável por procurá-la num campo de batalha, defendendo o seu país?

- R.Sempre. O homem deve seguir o impulso que lhe é dado; qualquer que seja a carreira que
abrace, qualquer que seja a vida que conduza, está sempre assistido por Espíritos que o
conduzem e o dirigem com o seu desconhecimento; ora, procurar ir contra os seus conselhos
é um crime, uma vez que aí estão colocados para nos dirigir, e que esses bons Espíritos,
quando queremos agir por nós mesmos, aí estão para nos ajudar. Entretanto, se o homem
conduzido por seu próprio Espírito, quer deixar esta vida, abandona-o, e reconhece sua falta
mais tarde, quando se acha obrigado a recomeçar uma outra existência O homem deve ser
provado para se elevar; deter seus actos, por entrave ao seu livre arbítrio, seria ir contra
Deus, e as provas, nesse caso, se tomariam inúteis, uma vez que os Espíritos não
cometeriam faltas. O Espírito foi criado simples e ignorante; é preciso, pois, para chegar às
esferas felizes, que progrida, se eleve em ciência e em sabedoria, e não é senão na
adversidade que o Espírito colhe sua elevação do coração e compreende melhor a grandeza
de Deus.

3. Um dos assistentes observou que crê ver uma contradição entre essas últimas palavras de
São Luís e as precedentes, quando disse que o homem pode ser levado ao suicídio por certos
Espíritos que a isso o excitam. Nesse caso, cederia a um impulso que lhe seria estranho.

- R.Não há contradição. Quando eu disse que o homem impelido ao suicídio, estava cercado de
Espíritos que o solicitavam a isso, não falei dos bons Espíritos que fazem todos os esforços
para disso desviá-lo; deveria estar subentendido; todos sabemos que temos um Anjo
guardião, ou, se preferis, um guia familiar. Ora, o homem tem seu livre arbítrio; se, apesar
dos bons conselhos que lhe são dados, persevera nessa ideia que é um crime, ele a cumpre e
é ajudado nisso pelos Espíritos levianos e impuros que o cercam, que ficam felizes em verem
que ao homem, ou Espírito encarnado, também lhe falta coragem para seguir os conselhos de
seu bom guia, e, frequentemente, do Espírito de seus parentes mortos que o cercam,
sobretudo em circunstâncias semelhantes.

Revista Espírita, Novembro de 1858

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Diferente ordens de espíritos


Diferentes ordens de Espíritos

96. São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?

“São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado.”

97. As ordens ou graus de perfeição dos Espíritos são em número determinado?

“São ilimitadas em número, porque entre elas não há linhas de demarcação traçadas como barreiras, de sorte que as divisões podem ser multiplicadas ou restringidas livremente.
Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos Espíritos, elas podem reduzir-se a três principais.
“Na primeira, colocar-se-ão os que atingiram a perfeição máxima: os puros Espíritos. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina. Pertencerão à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso, eis o que os caracteriza.”

98. Os Espíritos da segunda ordem, para os quais o bem constitui a preocupação dominante, têm o poder de praticá-lo?

“Cada um deles dispõe desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou. Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos, porém, ainda têm que sofrer provas.”

99. Os da terceira categoria são todos essencialmente maus?

“Não; uns hão que não fazem nem o mal nem o bem; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes depara ocasião de praticá-lo. Há também os levianos ou estouvados, mais perturbadores do que malignos, que se comprazem antes na malícia do que na malvadez e cujo prazer consiste em mistificar e causar pequenas contrariedades, de que se riem.”

Escala espírita

100. OBSERVAÇÕES PRELIMINARES. - A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta carácter definido. De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem.
Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cómodos para a inteligência. Sejam, porém, quais forem, em nada alteram as bases da ciência. Assim, é natural que inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos divergido quanto ao número das categorias, sem que isto tenha valor algum. Entretanto, não faltou quem se agarrasse a esta contradição aparente, sem reflectir que os Espíritos nenhuma importância ligam ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo.


Deixam-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra, os sistemas.
Façamos ainda uma consideração que se não deve jamais perder de vista, a de que entre os Espíritos, do mesmo modo que entre os homens, há os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as cautelas que se tomem contra a tendência a crer que, por serem Espíritos, todos devam saber tudo.
Qualquer classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora no mundo dos Espíritos, os que possuem limitados conhecimentos são, como neste mundo, os ignorantes, os inaptos a apreender uma síntese, a formular um sistema. Só muito imperfeitamente percebem ou compreendem uma classificação qualquer. Consideram da
primeira categoria todos os Espíritos que lhes são superiores, por não poderem apreciar as gradações de saber, de capacidade e de moralidade que os distinguem, como sucede entre nós a um homem rude com relação aos civilizados. Mesmo os que sejam capazes de tal apreciação podem mostra-se divergentes, quanto às particularidades, conformemente aos pontos de vista em que se achem, sobretudo se se trata de uma divisão, que nenhum cunho absoluto apresente. Lineu, Jussieu e Tournefort tiveram cada um o seu método, sem que a Botânica houvesse em consequência experimentado modificação alguma. É que nenhum deles inventou as plantas, nem seus caracteres. Apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos ou classes. Foi assim que também nós procedemos. Não inventamos os Espíritos, nem seus caracteres. Vimos e observamos, julgamo-los pelas suas palavras e actos, depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos em dados que eles próprios nos forneceram.


Os Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes divisões.
Na última, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão para o mal.
Os da segunda se caracterizam pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo da perfeição.
Esta divisão nos pareceu perfeitamente racional e com caracteres bem positivados.
Só nos restava pôr em relevo, mediante subdivisões em número suficiente, os principais matizes do conjunto. Foi o que fizemos, com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos faltaram.
Com o auxílio desse quadro, fácil será determinar-se a ordem, assim como o grau de superioridade ou de inferioridade dos que possam entrar em relações connosco e, por conseguinte, o grau de confiança ou de estima que mereçam. É, de certo modo, a chave da ciência espírita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos.
Faremos, todavia, notar que estes não ficam pertencendo, exclusivamente, a tal ou tal classe. Sendo sempre gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num sentido do que em outro, pode acontecer que muitos reúnam em si os caracteres de várias categorias, o que seus actos e linguagem tornam possível apreciar-se.

Terceira ordem. - Espíritos imperfeitos

101. CARACTERES GERAIS. - Predominância da matéria sobre o Espírito.
Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes.
Têm a intuição de Deus, mas não O compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples facto de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.
A inteligência pode achar-se neles aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas ideias são pouco elevadas e mais ou menos abjectos seus sentimentos.
Restritos conhecimentos têm das coisas do mundo espírita e o pouco que sabem se confunde com as ideias e preconceitos da vida corporal. Não nos podem dar mais do que noções erróneas e incompletas; entretanto, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, o observador atento encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.
Na linguagem de que usam se lhes revela o carácter. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem.
Consequentemente, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito desta ordem.
Eles vêem a felicidade dos bons e esse espectáculo lhes constitui incessante tormento, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja e o ciúme podem causar.
Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é muitas vezes mais penosa do que a realidade. Sofrem, pois, verdadeiramente, pelos males de que padeceram em vida e pelos que ocasionam aos outros. E, como sofrem por longo tempo, julgam que sofrerão para sempre. Deus, para puni-los, quer que assim julguem.
Podem compor cinco classes principais.

102. Décima classe. ESPÍRITOS IMPUROS. - São inclinados ao mal, de que fazem o objecto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as maneiras para melhor enganar. Ligam-se aos homens de carácter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de induzi-los à perdição, satisfeitos com o conseguirem retardar-lhes o adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas por que passam.
Nas manifestações dão-se a conhecer pela linguagem. A trivialidade e a grosseria das expressões, nos Espíritos, como nos homens, é sempre indício de inferioridade moral, senão também intelectual. Suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores e, se tentam iludir, falando com sensatez, não conseguem sustentar por muito tempo o papel e acabam sempre por se traírem.

Alguns povos os arvoraram em divindades maléficas; outros os designam pelos nomes de demónios, maus génios, Espíritos do mal.
Quando encarnados, os seres vivos que eles constituem se mostram propensos a todos os vícios geradores das paixões vis e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a felonia, a hipocrisia, a cupidez, a avareza sórdida. Fazem o mal por prazer, as mais das vezes sem motivo, e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a humanidade, pouco importando a categoria social a
que pertençam, e o verniz da civilização não os forra ao opróbrio e à ignomínia.

103. Nona classe. ESPÍRITOS LEVIANOS. - São ignorantes, maliciosos,
irreflectidos e zombeteiros. Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de intrigar, de induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente tratados de duendes, trasgos, gnomos, diabretes. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, que muitas vezes os empregam, como fazemos com os nossos servidores.
Em suas comunicações com os homens, a linguagem de que se servem é, amiúde, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundeza de ideias. Aproveitam-se das esquisitices e dos ridículos humanos e os apreciam, mordazes e satíricos. Se tomam nomes supostos, é mais por malícia do que por maldade.

104. Oitava classe. ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS. - Dispõem de conhecimentos bastante amplos, porém, crêem saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de natureza a iludir com respeito às suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e ideias sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma mistura de algumas verdades com os erros mais polpudos, através dos quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que ainda não puderam despir-se.

105. Sétima classe. ESPÍRITOS NEUTROS. - Nem bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal. Pendem tanto para um como para o outro e não ultrapassam a condição comum da Humanidade, quer no que concerne ao moral, quer no que toca à inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, de cujas grosseiras alegrias
sentem saudades.

106. Sexta classe. ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES. – Estes Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas suas qualidades pessoais. Podem caber em todas as classes da terceira ordem. Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar, etc. Afiguram-se, mais do que outros, presos à matéria. Parecem ser os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer actuem sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros, quer nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fenómenos não derivam de uma causa fortuita ou física, quando denotam carácter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir tais fenómenos, mas os de ordem elevada os deixam, de ordinário, como atribuições dos subalternos, mais aptos para
as coisas materiais do que para as coisas da inteligência; quando julgam úteis as manifestações desse género, lançam mão destes últimos como seus auxiliares.

Segunda ordem. - Bons Espíritos

107. CARACTERES GERAIS - Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais reúnem o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos, entre os quais se descobrem mesmo algumas de suas manias. De outro modo, seriam Espíritos perfeitos.
Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a perturbá-la nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das más paixões que constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Todos, entretanto, ainda têm que passar por provas, até que atinjam a perfeição.
Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de protecção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.
Quando encarnados, são bondosos e benevolentes com os seus semelhantes. Não os movem o orgulho, nem o egoísmo, ou a ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.
A esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, pelos nomes de bons génios, génios protectores, Espíritos do bem. Em épocas de superstições e de ignorância, eles hão sido elevados à categoria de divindades benfazejas.
Podem ser divididos em quatro grupos principais:

108. Quinta classe. ESPÍRITOS BENÉVOLOS. - A bondade é neles a qualidade dominante. Apraz-lhes prestar serviço aos homens e protegê-los. Limitados, porém, são os seus conhecimentos. Hão progredido mais no sentido moral do que no sentido intelectual.

109. Quarta classe. ESPÍRITOS SÁBIOS. - Distinguem-se pela amplitude de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais, do que com as de natureza científica, para as quais têm maior aptidão. Entretanto, só encaram a ciência do ponto de vista da sua utilidade e jamais dominados por quaisquer paixões próprias dos Espíritos imperfeitos.

110. Terceira classe. ESPÍRITOS DE SABEDORIA. - As qualidades morais da ordem mais elevada são o que os caracteriza. Sem possuírem ilimitados conhecimentos, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta juízo recto sobre os homens e as coisas.

111. Segunda classe. ESPÍRITOS SUPERIORES. - Esses em si reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Da linguagem que empregam se exala sempre a benevolência; é uma linguagem invariavelmente digna, elevada e, muitas vezes, sublime. Sua superioridade os torna mais aptos do que os outros a nos darem noções exactas sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. Comunicam-se complacentemente com os que procuram de boa-fé a verdade e cuja alma já está bastante desprendida das ligações terrenas para compreendê-la. Afastam-se, porém, daqueles a quem só a curiosidade impele, ou que, por influência da matéria, fogem à prática do bem.
Quando, por excepção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.

Primeira ordem. - Espíritos puros

112. CARACTERES GERAIS. - Nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.

113. Primeira classe. Classe única. - Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é susceptível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.
Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, porém, não é a ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservem distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.
Podem os homens pôr-se em comunicação com eles, mas extremamente presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

Referencia: O livro dos espíritos

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Noticias de Portugal


1 – JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA – ESPIRITISMO, COMUNICAR

2 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA

3 – CALDAS DA RAINHA: O TRABALHO - DEGRAU PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

4 – LAGOS: PALESTRA NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LAGOS

5 – MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS

6 – VANSAN EM PORTUGAL – PROGRAMAÇÃO

7 – JORNADAS ESPÍRITAS DE LISBOA NO CEPC

8 – LEIRIA: SEMINÁRIO NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LEIRIA


1 - JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA – ESPIRITISMO, COMUNICAR


A ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal) vai levar a cabo as suas Jornadas de Cultura Espírita, nos dias 23 e 24 de Maio, no Auditório Municipal “A Casa da Música”, em Óbidos. Escolheu-se para tema central destas jornadas o tema-base da comunicação que se liga à lei de sociedade, em cujo universo o ser humano se move na perspectiva de mais aprender.


Desdobrado em vários painéis, estarão focados sectores diversos da actividade pessoal e de grupo em torno do Espiritismo na vertente da Comunicação, inclusive a própria mediunidade, a arte, a comunicação social, a infância, o atendimento no centro, etc.


Estarão nestas Jornadas alguns especialistas destas áreas, focando a actualidade do pensamento espírita.As inscrições estão limitadas ao número de 180 lugares – o limite do auditório – e devem ser efectuadas para João Eduardo, das 09H00 / 12H00, pelo telefone 96 285 28 25.


2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


Realizou-se no passado sábado, dia 26 de Abril, pelas 21H30, uma conferência espírita na Associação de Estudos Espirituais Messe de Amor, na Rua das Oliveiras Lote G, Loja 1, Gualtar - Braga, subordinada ao tema: "Jesus, Modelo e Guia".


Actividades habituais:

Segunda-feira - 21H30 - Estudo da Doutrina

Sexta-feira - 21H45 - Estudo do Evangelho

Sábado - 15H30 - Escola de Evangelho (DIJ)

Sábado - 20H00 - Atendimento Individual Sábado - 21H30 - Palestra Pública


Fonte: Sérgio Cunha (Braga) - (Telemóvel 91 977 77 29) ( smoac54@yahoo.com.br )


3 - CALDAS DA RAINHA: O TRABALHO - DEGRAU PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL


Na sexta-feira, dia 2 de Maio, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Trabalho – Degrau para a Evolução Espiritual”.Numa altura em que se comemora o dia do trabalhador, a Doutrina Espírita apresenta uma perspectiva mais holística em relação à importância do trabalho na vida do ser humano.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c.

Este centro tem página na Internet em www.caldasrainha.net/cce e e-mail cce@caldasrainha.net As entradas são livres e gratuitas.Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


4 - LAGOS: PALESTRA NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LAGOS


No próximo dia 3 de Maio, pelas 16H00, vai ter lugar, na Associação Espírita de Lagos, uma palestra sobre "Os Descobrimentos à Luz do Espiritismo", que será proferida por Luísa Dias.O evento realiza-se em consonância com o Festival dos Descobrimentos, a decorrer em Lagos durante o mês de Maio


.Associação Espírita de Lagos Rua Infante de Sagres, N.º 50, 1.º 8600 - 743 LAGOS Tel. 964118732E-mail: ael.geral@sapo.pt Site: http://lagosespirita.no.sapo.pt/ Fonte: Luísa Dias (Lagos)


5 - MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS


A Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na Rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665-277 Malveira, vai levar a efeito as suas actividades, no decorrer do mês de Maio, de acordo com a seguinte programação:


Segundas-feiras, dias 12 e 26, às 16H30: Palestra pública e fluidoterapia

Quartas-feiras, dias 7, 14, 21 e 28, às 20H00: Palestra pública e fluidoterapia

2ª Sexta-feira do mês: dia 9 de Maio, às 20H00: Palestra pública, desta vez subordinada ao tema: "Lei de Causa e Efeito".


Mais informações através dos telemóveis 965362855 e/ou 917713744 ou pelo e-mail: afmbmalveira@gmail.com Fonte: Marcelo Oliveira (tm 917713744)


6 - VANSAN EM PORTUGAL – PROGRAMAÇÃO


Vansan é natural de Mogi das Cruzes – SP (Brasil), onde reside. É músico profissional com 17 cds gravados e um dvd. Apresenta-se como músico nos grandes clubes de São Paulo e outras capitais, feiras e exposições. Dirige e apresenta o programa de televisão “Vansan, Voz & Violão “ pela tv a cabo em Mogi das Cruzes – SP.É formado em Comunicação Social e Artes e pós graduado pela Universidade Mogi das Cruzes. Vansan é espírita e trabalha como médium no Centro Espírita Caminho da Luz, em Mogi das Cruzes - SP. Faz parte da Equipe da Pomada Vovô Pedro do Guarujá - SP.Vansan realiza palestras utilizando a música, pelo Brasil. Acompanha com a sua música grandes oradores espíritas. Na Palestra "Terapia Musical – Vibrando Amor", os ensinamentos da Doutrina Espírita, extraídos do Evangelho Segundo o Espiritismo, das obras de André Luiz e Emmanuel e da vivência na doutrina, são ilustrados com músicas ricas em conteúdo e melodia, que levam os presentes a uma profunda reflexão sobre a importância da vida e das pessoas. Elevando a vibração através da música, e deixando aflorar as emoções, os sentimentos modificam-se, possibilitando um verdadeiro tratamento espiritual. Esse é o seu objectivo.


Vansan vai estar em Portugal, de 13 a 25 de Maio, estando as suas actividades, no nosso País, programadas da seguinte forma:


Dia 11 – Domingo – Chegada a Portugal

Dia 13 – 3ªFeira – 21H30 – Faro: Associação Cultural Espírita Helil

Dia 14 – 4ªFeira – 21H00 – Olhão: União Cultural Espiritualista

Dia 15 – 5ªFeira – 21H30 – Pechão: Grupo Familiar Mentor Amigo

Dia 16 – 6ªFeira – 21H30 – Quarteira: Associação Espírita O Consolador

Dia 17 – Sábado – 16H00 – Lagos: Associação Espírita de Lagos

Dia 17 – Sábado – 18H30 – Portimão: Centro Espírita Boa-Vontade

Dia 18 – Domingo – Viagem para Viseu

Dia 19 – 2ªFeira – 21H00 – Viseu: Associação Espírita de Viseu

Dia 21 – 4ªFeira – 21H00 – Leiria: Associação Espírita de Leiria

Dia 23 – 6ªFeira – 21H00 – Aveiro: Associação Cultural Espírita de Aveiro

Dia 24 – Sábado – Nazaré: Associação Espírita “A Caminho da Luz”

Dia 25 – Domingo – Regresso ao Brasil


Fonte: Julieta Marques


7 - JORNADAS ESPÍRITAS DE LISBOA NO CEPC


No dia 25 de Maio, Domingo, com início às 10H00, vão ter lugar as XVIII Jornadas Espíritas de Lisboa, organizadas pelo CEPC – Centro Espírita Perdão e Caridade, situado na Rua. Presidente Arriaga, nº 124 (Ás janelas Verdes) em Lisboa


Os temas a apresentar serão baseados nas obras: "A Caminho da Luz" (Emmanuel) e "Reencarnação" (Gabriel Delanne).


Como habitualmente, teremos a participação do Jogral Espírita de Lisboa Este ano haverá uma novidade que muito nos alegra – O DIJ (Departamento Infanto-Juvenil) do CEPC que se vai apresentar em público pela primeira vez.


As entradas são livres e gratuitas.Centro Espírita Perdão e Caridade Rua Presidente Arriaga, N.º 124 1200 - 774 LisboaTel. 21 397 52 19 E-mail: anteroricardo@oninet.pt ; carlostferreira@netcabo.pt


Fonte: M. Elisa Viegas (Lisboa)


8 - LEIRIA: SEMINÁRIO NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LEIRIA


No próximo dia 7 de Junho, sábado, a Associação Espírita de Leiria (AEL) promove um Seminário subordinado ao tema "Família – Exercitando a Ternura / Trabalho em Equipa – Jesus, Modelo e Guia na Actividade Espírita" que estará a cargo de Maria Helena Marcondes.


A entrada é gratuita


Associação Espírita de Leiria Rua Vale das Cervas, N.º 135 - Barosa 2400 - 013 LEIRIAApartado 4039 - 2411 - 901 LeiriaTelfs. 244 815 934; 96 298 4388E-mail: ass.esp.leiria@pluricanal.net


Fonte: Nuno Fortuna

Origem do bem do mal


Origem do bem e do mal

1. - Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.

2. - Se o mal estivesse nas atribuições de um ser especial, quer se lhe chame Arimane, quer Satanás, ou ele seria igual a Deus, e, por conseguinte, tão poderoso quanto este, e de toda a eternidade como ele, ou lhe seria inferior.
No primeiro caso, haveria duas potências rivais, incessantemente em luta, procurando cada uma desfazer o que fizesse a outra, contrariando-se mutuamente, hipótese esta inconciliável com a unidade de vistas que se revela na estrutura do Universo.
No segundo caso, sendo inferior a Deus, aquele ser lhe estaria subordinado. Não podendo existir de toda a eternidade como Deus, sem ser igual a este, teria tido um começo. Se fora criado, só o poderia ter sido por Deus, que, então, houvera criado o Espírito do mal, o que implicaria negação da bondade infinita. (Veja-se: O Céu e o Inferno, cap. X: «Os demônios».)

3. - Entretanto, o mal existe e tem uma causa.
Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade,
formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode
evitar e a dos que lhe independem da vontade. Entre os primeiros, cumpre se
incluam os flagelos naturais.
O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar, nem abarcar o conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é que, muitas vezes, se lhe afigura mau e injusto aquilo que consideraria justo e admirável, se lhe conhecesse a causa, o objectivo, o resultado definitivo.
Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinete da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria, mesmo comrelação ao que lhe não seja compreensível.

4. - O homem recebeu em partilha uma inteligência com cujo auxílio lhe é possível conjurar, ou, pelo menos, atenuar os efeitos de todos os flagelos naturais. Quanto mais saber ele adquire e mais se adianta em civilização, tanto menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, chegará mesmo a lhes neutralizar as consequências, quando não
possam ser inteiramente evitados. Assim, com referência, até, aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que, no presente, causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhes paralisar os efeitos.
Assim é que ele saneia as regiões insalubres, imuniza contra os miasmas pestíferos, fertiliza terras áridas e se industria em preservá-las das inundações; constrói habitações mais salubres, mais sólidas para resistirem aos ventos tão necessários à purificação da atmosfera e se coloca ao abrigo das intempéries. É assim, finalmente, que, pouco a pouco, a necessidade lhe fez criar as ciências, por meio das quais melhora as condições de habitabilidade do globo e aumenta o seu próprio bem-estar.

5. - Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inactividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impede para a frente, na senda do progresso.

6. - Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades.
Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objectivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las.
A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus Messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se
conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as consequências do seu proceder.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, nos 4, 5, 6 e seguintes.)

7. - Entretanto, Deus, todo bondade, Pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência (nº 5).

8. - Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Assim como o frio não é um fluido especial, também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um
ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira.
Tomemos para termo de comparação um facto vulgar. Sabe um proprietário que nos confins de suas terras há um lugar perigoso, onde poderia perecer ou ferir-se quem por lá se aventurasse. Que faz, a fim de prevenir os acidentes? Manda colocar perto um aviso, tornando defeso ao transeunte ir mais longe, por motivo do perigo. Ai está a lei, que é sábia e previdente. Se, apesar de tudo, um imprudente desatende o aviso, vai além do ponto onde este se encontra e sai-se mal, de quem se pode ele queixar, senão de si próprio?
Outro tanto se dá com o mal: evitá-lo-ia o homem, se cumprisse as leis divinas. Por exemplo: Deus pôs limite à satisfação das necessidades: desse limite a saciedade adverte o homem; se este o ultrapassa, fá-lo voluntariamente.
As doenças, as enfermidades, a morte, que daí podem resultar, provêm da sua imprevidência, não de Deus.

9. - Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal; se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria.
Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem. Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal. Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, a fim de que lhe pertença o fruto deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que por sua vontade
pratique. A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da
sua propensão para o mal. (1)

10. - Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida
intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.
O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semi-morais e semi-materiais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita
coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal e, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.

(1) O erro esta em pretender-se que a alma haja saído perfeita das mãos do Criador,
quando este, ao contrario, quis que a perfeição resulte da depuração gradual do Espírito e seja
obra sua. Houve Deus por bem que a alma, dotada de livre-arbítrio, pudesse optar entre o bem e o mal e chegasse a suas finalidades últimas de forma militante e resistindo ao mal. Se houvera criado a alma tão perfeita quanto ele e, ao sair-lhe ela das mãos, a houvesse associado à sua beatitude eterna, Deus tê-la-ia feito, não à sua imagem, mas semelhante a si próprio. (Bonnamy, A Razão do Espiritismo, cap. VI.)


referenca: A génese