quinta-feira, 1 de maio de 2008

Diferente ordens de espíritos


Diferentes ordens de Espíritos

96. São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?

“São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado.”

97. As ordens ou graus de perfeição dos Espíritos são em número determinado?

“São ilimitadas em número, porque entre elas não há linhas de demarcação traçadas como barreiras, de sorte que as divisões podem ser multiplicadas ou restringidas livremente.
Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos Espíritos, elas podem reduzir-se a três principais.
“Na primeira, colocar-se-ão os que atingiram a perfeição máxima: os puros Espíritos. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina. Pertencerão à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso, eis o que os caracteriza.”

98. Os Espíritos da segunda ordem, para os quais o bem constitui a preocupação dominante, têm o poder de praticá-lo?

“Cada um deles dispõe desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou. Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos, porém, ainda têm que sofrer provas.”

99. Os da terceira categoria são todos essencialmente maus?

“Não; uns hão que não fazem nem o mal nem o bem; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes depara ocasião de praticá-lo. Há também os levianos ou estouvados, mais perturbadores do que malignos, que se comprazem antes na malícia do que na malvadez e cujo prazer consiste em mistificar e causar pequenas contrariedades, de que se riem.”

Escala espírita

100. OBSERVAÇÕES PRELIMINARES. - A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta carácter definido. De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem.
Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cómodos para a inteligência. Sejam, porém, quais forem, em nada alteram as bases da ciência. Assim, é natural que inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos divergido quanto ao número das categorias, sem que isto tenha valor algum. Entretanto, não faltou quem se agarrasse a esta contradição aparente, sem reflectir que os Espíritos nenhuma importância ligam ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo.


Deixam-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra, os sistemas.
Façamos ainda uma consideração que se não deve jamais perder de vista, a de que entre os Espíritos, do mesmo modo que entre os homens, há os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as cautelas que se tomem contra a tendência a crer que, por serem Espíritos, todos devam saber tudo.
Qualquer classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora no mundo dos Espíritos, os que possuem limitados conhecimentos são, como neste mundo, os ignorantes, os inaptos a apreender uma síntese, a formular um sistema. Só muito imperfeitamente percebem ou compreendem uma classificação qualquer. Consideram da
primeira categoria todos os Espíritos que lhes são superiores, por não poderem apreciar as gradações de saber, de capacidade e de moralidade que os distinguem, como sucede entre nós a um homem rude com relação aos civilizados. Mesmo os que sejam capazes de tal apreciação podem mostra-se divergentes, quanto às particularidades, conformemente aos pontos de vista em que se achem, sobretudo se se trata de uma divisão, que nenhum cunho absoluto apresente. Lineu, Jussieu e Tournefort tiveram cada um o seu método, sem que a Botânica houvesse em consequência experimentado modificação alguma. É que nenhum deles inventou as plantas, nem seus caracteres. Apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos ou classes. Foi assim que também nós procedemos. Não inventamos os Espíritos, nem seus caracteres. Vimos e observamos, julgamo-los pelas suas palavras e actos, depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos em dados que eles próprios nos forneceram.


Os Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes divisões.
Na última, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão para o mal.
Os da segunda se caracterizam pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo da perfeição.
Esta divisão nos pareceu perfeitamente racional e com caracteres bem positivados.
Só nos restava pôr em relevo, mediante subdivisões em número suficiente, os principais matizes do conjunto. Foi o que fizemos, com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos faltaram.
Com o auxílio desse quadro, fácil será determinar-se a ordem, assim como o grau de superioridade ou de inferioridade dos que possam entrar em relações connosco e, por conseguinte, o grau de confiança ou de estima que mereçam. É, de certo modo, a chave da ciência espírita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos.
Faremos, todavia, notar que estes não ficam pertencendo, exclusivamente, a tal ou tal classe. Sendo sempre gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num sentido do que em outro, pode acontecer que muitos reúnam em si os caracteres de várias categorias, o que seus actos e linguagem tornam possível apreciar-se.

Terceira ordem. - Espíritos imperfeitos

101. CARACTERES GERAIS. - Predominância da matéria sobre o Espírito.
Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes.
Têm a intuição de Deus, mas não O compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples facto de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.
A inteligência pode achar-se neles aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas ideias são pouco elevadas e mais ou menos abjectos seus sentimentos.
Restritos conhecimentos têm das coisas do mundo espírita e o pouco que sabem se confunde com as ideias e preconceitos da vida corporal. Não nos podem dar mais do que noções erróneas e incompletas; entretanto, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, o observador atento encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.
Na linguagem de que usam se lhes revela o carácter. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem.
Consequentemente, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito desta ordem.
Eles vêem a felicidade dos bons e esse espectáculo lhes constitui incessante tormento, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja e o ciúme podem causar.
Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é muitas vezes mais penosa do que a realidade. Sofrem, pois, verdadeiramente, pelos males de que padeceram em vida e pelos que ocasionam aos outros. E, como sofrem por longo tempo, julgam que sofrerão para sempre. Deus, para puni-los, quer que assim julguem.
Podem compor cinco classes principais.

102. Décima classe. ESPÍRITOS IMPUROS. - São inclinados ao mal, de que fazem o objecto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as maneiras para melhor enganar. Ligam-se aos homens de carácter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de induzi-los à perdição, satisfeitos com o conseguirem retardar-lhes o adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas por que passam.
Nas manifestações dão-se a conhecer pela linguagem. A trivialidade e a grosseria das expressões, nos Espíritos, como nos homens, é sempre indício de inferioridade moral, senão também intelectual. Suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores e, se tentam iludir, falando com sensatez, não conseguem sustentar por muito tempo o papel e acabam sempre por se traírem.

Alguns povos os arvoraram em divindades maléficas; outros os designam pelos nomes de demónios, maus génios, Espíritos do mal.
Quando encarnados, os seres vivos que eles constituem se mostram propensos a todos os vícios geradores das paixões vis e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a felonia, a hipocrisia, a cupidez, a avareza sórdida. Fazem o mal por prazer, as mais das vezes sem motivo, e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a humanidade, pouco importando a categoria social a
que pertençam, e o verniz da civilização não os forra ao opróbrio e à ignomínia.

103. Nona classe. ESPÍRITOS LEVIANOS. - São ignorantes, maliciosos,
irreflectidos e zombeteiros. Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de intrigar, de induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente tratados de duendes, trasgos, gnomos, diabretes. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, que muitas vezes os empregam, como fazemos com os nossos servidores.
Em suas comunicações com os homens, a linguagem de que se servem é, amiúde, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundeza de ideias. Aproveitam-se das esquisitices e dos ridículos humanos e os apreciam, mordazes e satíricos. Se tomam nomes supostos, é mais por malícia do que por maldade.

104. Oitava classe. ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS. - Dispõem de conhecimentos bastante amplos, porém, crêem saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de natureza a iludir com respeito às suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e ideias sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma mistura de algumas verdades com os erros mais polpudos, através dos quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que ainda não puderam despir-se.

105. Sétima classe. ESPÍRITOS NEUTROS. - Nem bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal. Pendem tanto para um como para o outro e não ultrapassam a condição comum da Humanidade, quer no que concerne ao moral, quer no que toca à inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, de cujas grosseiras alegrias
sentem saudades.

106. Sexta classe. ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES. – Estes Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas suas qualidades pessoais. Podem caber em todas as classes da terceira ordem. Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar, etc. Afiguram-se, mais do que outros, presos à matéria. Parecem ser os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer actuem sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros, quer nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fenómenos não derivam de uma causa fortuita ou física, quando denotam carácter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir tais fenómenos, mas os de ordem elevada os deixam, de ordinário, como atribuições dos subalternos, mais aptos para
as coisas materiais do que para as coisas da inteligência; quando julgam úteis as manifestações desse género, lançam mão destes últimos como seus auxiliares.

Segunda ordem. - Bons Espíritos

107. CARACTERES GERAIS - Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais reúnem o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos, entre os quais se descobrem mesmo algumas de suas manias. De outro modo, seriam Espíritos perfeitos.
Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a perturbá-la nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das más paixões que constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Todos, entretanto, ainda têm que passar por provas, até que atinjam a perfeição.
Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de protecção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.
Quando encarnados, são bondosos e benevolentes com os seus semelhantes. Não os movem o orgulho, nem o egoísmo, ou a ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.
A esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, pelos nomes de bons génios, génios protectores, Espíritos do bem. Em épocas de superstições e de ignorância, eles hão sido elevados à categoria de divindades benfazejas.
Podem ser divididos em quatro grupos principais:

108. Quinta classe. ESPÍRITOS BENÉVOLOS. - A bondade é neles a qualidade dominante. Apraz-lhes prestar serviço aos homens e protegê-los. Limitados, porém, são os seus conhecimentos. Hão progredido mais no sentido moral do que no sentido intelectual.

109. Quarta classe. ESPÍRITOS SÁBIOS. - Distinguem-se pela amplitude de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais, do que com as de natureza científica, para as quais têm maior aptidão. Entretanto, só encaram a ciência do ponto de vista da sua utilidade e jamais dominados por quaisquer paixões próprias dos Espíritos imperfeitos.

110. Terceira classe. ESPÍRITOS DE SABEDORIA. - As qualidades morais da ordem mais elevada são o que os caracteriza. Sem possuírem ilimitados conhecimentos, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta juízo recto sobre os homens e as coisas.

111. Segunda classe. ESPÍRITOS SUPERIORES. - Esses em si reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Da linguagem que empregam se exala sempre a benevolência; é uma linguagem invariavelmente digna, elevada e, muitas vezes, sublime. Sua superioridade os torna mais aptos do que os outros a nos darem noções exactas sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. Comunicam-se complacentemente com os que procuram de boa-fé a verdade e cuja alma já está bastante desprendida das ligações terrenas para compreendê-la. Afastam-se, porém, daqueles a quem só a curiosidade impele, ou que, por influência da matéria, fogem à prática do bem.
Quando, por excepção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.

Primeira ordem. - Espíritos puros

112. CARACTERES GERAIS. - Nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.

113. Primeira classe. Classe única. - Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é susceptível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.
Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, porém, não é a ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservem distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.
Podem os homens pôr-se em comunicação com eles, mas extremamente presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

Referencia: O livro dos espíritos

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Noticias de Portugal


1 – JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA – ESPIRITISMO, COMUNICAR

2 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA

3 – CALDAS DA RAINHA: O TRABALHO - DEGRAU PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

4 – LAGOS: PALESTRA NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LAGOS

5 – MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS

6 – VANSAN EM PORTUGAL – PROGRAMAÇÃO

7 – JORNADAS ESPÍRITAS DE LISBOA NO CEPC

8 – LEIRIA: SEMINÁRIO NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LEIRIA


1 - JORNADAS DE CULTURA ESPÍRITA – ESPIRITISMO, COMUNICAR


A ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal) vai levar a cabo as suas Jornadas de Cultura Espírita, nos dias 23 e 24 de Maio, no Auditório Municipal “A Casa da Música”, em Óbidos. Escolheu-se para tema central destas jornadas o tema-base da comunicação que se liga à lei de sociedade, em cujo universo o ser humano se move na perspectiva de mais aprender.


Desdobrado em vários painéis, estarão focados sectores diversos da actividade pessoal e de grupo em torno do Espiritismo na vertente da Comunicação, inclusive a própria mediunidade, a arte, a comunicação social, a infância, o atendimento no centro, etc.


Estarão nestas Jornadas alguns especialistas destas áreas, focando a actualidade do pensamento espírita.As inscrições estão limitadas ao número de 180 lugares – o limite do auditório – e devem ser efectuadas para João Eduardo, das 09H00 / 12H00, pelo telefone 96 285 28 25.


2 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


Realizou-se no passado sábado, dia 26 de Abril, pelas 21H30, uma conferência espírita na Associação de Estudos Espirituais Messe de Amor, na Rua das Oliveiras Lote G, Loja 1, Gualtar - Braga, subordinada ao tema: "Jesus, Modelo e Guia".


Actividades habituais:

Segunda-feira - 21H30 - Estudo da Doutrina

Sexta-feira - 21H45 - Estudo do Evangelho

Sábado - 15H30 - Escola de Evangelho (DIJ)

Sábado - 20H00 - Atendimento Individual Sábado - 21H30 - Palestra Pública


Fonte: Sérgio Cunha (Braga) - (Telemóvel 91 977 77 29) ( smoac54@yahoo.com.br )


3 - CALDAS DA RAINHA: O TRABALHO - DEGRAU PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL


Na sexta-feira, dia 2 de Maio, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Trabalho – Degrau para a Evolução Espiritual”.Numa altura em que se comemora o dia do trabalhador, a Doutrina Espírita apresenta uma perspectiva mais holística em relação à importância do trabalho na vida do ser humano.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c.

Este centro tem página na Internet em www.caldasrainha.net/cce e e-mail cce@caldasrainha.net As entradas são livres e gratuitas.Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


4 - LAGOS: PALESTRA NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LAGOS


No próximo dia 3 de Maio, pelas 16H00, vai ter lugar, na Associação Espírita de Lagos, uma palestra sobre "Os Descobrimentos à Luz do Espiritismo", que será proferida por Luísa Dias.O evento realiza-se em consonância com o Festival dos Descobrimentos, a decorrer em Lagos durante o mês de Maio


.Associação Espírita de Lagos Rua Infante de Sagres, N.º 50, 1.º 8600 - 743 LAGOS Tel. 964118732E-mail: ael.geral@sapo.pt Site: http://lagosespirita.no.sapo.pt/ Fonte: Luísa Dias (Lagos)


5 - MALVEIRA: ACTIVIDADES ESPÍRITAS


A Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na Rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665-277 Malveira, vai levar a efeito as suas actividades, no decorrer do mês de Maio, de acordo com a seguinte programação:


Segundas-feiras, dias 12 e 26, às 16H30: Palestra pública e fluidoterapia

Quartas-feiras, dias 7, 14, 21 e 28, às 20H00: Palestra pública e fluidoterapia

2ª Sexta-feira do mês: dia 9 de Maio, às 20H00: Palestra pública, desta vez subordinada ao tema: "Lei de Causa e Efeito".


Mais informações através dos telemóveis 965362855 e/ou 917713744 ou pelo e-mail: afmbmalveira@gmail.com Fonte: Marcelo Oliveira (tm 917713744)


6 - VANSAN EM PORTUGAL – PROGRAMAÇÃO


Vansan é natural de Mogi das Cruzes – SP (Brasil), onde reside. É músico profissional com 17 cds gravados e um dvd. Apresenta-se como músico nos grandes clubes de São Paulo e outras capitais, feiras e exposições. Dirige e apresenta o programa de televisão “Vansan, Voz & Violão “ pela tv a cabo em Mogi das Cruzes – SP.É formado em Comunicação Social e Artes e pós graduado pela Universidade Mogi das Cruzes. Vansan é espírita e trabalha como médium no Centro Espírita Caminho da Luz, em Mogi das Cruzes - SP. Faz parte da Equipe da Pomada Vovô Pedro do Guarujá - SP.Vansan realiza palestras utilizando a música, pelo Brasil. Acompanha com a sua música grandes oradores espíritas. Na Palestra "Terapia Musical – Vibrando Amor", os ensinamentos da Doutrina Espírita, extraídos do Evangelho Segundo o Espiritismo, das obras de André Luiz e Emmanuel e da vivência na doutrina, são ilustrados com músicas ricas em conteúdo e melodia, que levam os presentes a uma profunda reflexão sobre a importância da vida e das pessoas. Elevando a vibração através da música, e deixando aflorar as emoções, os sentimentos modificam-se, possibilitando um verdadeiro tratamento espiritual. Esse é o seu objectivo.


Vansan vai estar em Portugal, de 13 a 25 de Maio, estando as suas actividades, no nosso País, programadas da seguinte forma:


Dia 11 – Domingo – Chegada a Portugal

Dia 13 – 3ªFeira – 21H30 – Faro: Associação Cultural Espírita Helil

Dia 14 – 4ªFeira – 21H00 – Olhão: União Cultural Espiritualista

Dia 15 – 5ªFeira – 21H30 – Pechão: Grupo Familiar Mentor Amigo

Dia 16 – 6ªFeira – 21H30 – Quarteira: Associação Espírita O Consolador

Dia 17 – Sábado – 16H00 – Lagos: Associação Espírita de Lagos

Dia 17 – Sábado – 18H30 – Portimão: Centro Espírita Boa-Vontade

Dia 18 – Domingo – Viagem para Viseu

Dia 19 – 2ªFeira – 21H00 – Viseu: Associação Espírita de Viseu

Dia 21 – 4ªFeira – 21H00 – Leiria: Associação Espírita de Leiria

Dia 23 – 6ªFeira – 21H00 – Aveiro: Associação Cultural Espírita de Aveiro

Dia 24 – Sábado – Nazaré: Associação Espírita “A Caminho da Luz”

Dia 25 – Domingo – Regresso ao Brasil


Fonte: Julieta Marques


7 - JORNADAS ESPÍRITAS DE LISBOA NO CEPC


No dia 25 de Maio, Domingo, com início às 10H00, vão ter lugar as XVIII Jornadas Espíritas de Lisboa, organizadas pelo CEPC – Centro Espírita Perdão e Caridade, situado na Rua. Presidente Arriaga, nº 124 (Ás janelas Verdes) em Lisboa


Os temas a apresentar serão baseados nas obras: "A Caminho da Luz" (Emmanuel) e "Reencarnação" (Gabriel Delanne).


Como habitualmente, teremos a participação do Jogral Espírita de Lisboa Este ano haverá uma novidade que muito nos alegra – O DIJ (Departamento Infanto-Juvenil) do CEPC que se vai apresentar em público pela primeira vez.


As entradas são livres e gratuitas.Centro Espírita Perdão e Caridade Rua Presidente Arriaga, N.º 124 1200 - 774 LisboaTel. 21 397 52 19 E-mail: anteroricardo@oninet.pt ; carlostferreira@netcabo.pt


Fonte: M. Elisa Viegas (Lisboa)


8 - LEIRIA: SEMINÁRIO NA ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE LEIRIA


No próximo dia 7 de Junho, sábado, a Associação Espírita de Leiria (AEL) promove um Seminário subordinado ao tema "Família – Exercitando a Ternura / Trabalho em Equipa – Jesus, Modelo e Guia na Actividade Espírita" que estará a cargo de Maria Helena Marcondes.


A entrada é gratuita


Associação Espírita de Leiria Rua Vale das Cervas, N.º 135 - Barosa 2400 - 013 LEIRIAApartado 4039 - 2411 - 901 LeiriaTelfs. 244 815 934; 96 298 4388E-mail: ass.esp.leiria@pluricanal.net


Fonte: Nuno Fortuna

Origem do bem do mal


Origem do bem e do mal

1. - Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.

2. - Se o mal estivesse nas atribuições de um ser especial, quer se lhe chame Arimane, quer Satanás, ou ele seria igual a Deus, e, por conseguinte, tão poderoso quanto este, e de toda a eternidade como ele, ou lhe seria inferior.
No primeiro caso, haveria duas potências rivais, incessantemente em luta, procurando cada uma desfazer o que fizesse a outra, contrariando-se mutuamente, hipótese esta inconciliável com a unidade de vistas que se revela na estrutura do Universo.
No segundo caso, sendo inferior a Deus, aquele ser lhe estaria subordinado. Não podendo existir de toda a eternidade como Deus, sem ser igual a este, teria tido um começo. Se fora criado, só o poderia ter sido por Deus, que, então, houvera criado o Espírito do mal, o que implicaria negação da bondade infinita. (Veja-se: O Céu e o Inferno, cap. X: «Os demônios».)

3. - Entretanto, o mal existe e tem uma causa.
Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade,
formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode
evitar e a dos que lhe independem da vontade. Entre os primeiros, cumpre se
incluam os flagelos naturais.
O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar, nem abarcar o conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é que, muitas vezes, se lhe afigura mau e injusto aquilo que consideraria justo e admirável, se lhe conhecesse a causa, o objectivo, o resultado definitivo.
Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinete da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria, mesmo comrelação ao que lhe não seja compreensível.

4. - O homem recebeu em partilha uma inteligência com cujo auxílio lhe é possível conjurar, ou, pelo menos, atenuar os efeitos de todos os flagelos naturais. Quanto mais saber ele adquire e mais se adianta em civilização, tanto menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, chegará mesmo a lhes neutralizar as consequências, quando não
possam ser inteiramente evitados. Assim, com referência, até, aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que, no presente, causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhes paralisar os efeitos.
Assim é que ele saneia as regiões insalubres, imuniza contra os miasmas pestíferos, fertiliza terras áridas e se industria em preservá-las das inundações; constrói habitações mais salubres, mais sólidas para resistirem aos ventos tão necessários à purificação da atmosfera e se coloca ao abrigo das intempéries. É assim, finalmente, que, pouco a pouco, a necessidade lhe fez criar as ciências, por meio das quais melhora as condições de habitabilidade do globo e aumenta o seu próprio bem-estar.

5. - Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inactividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impede para a frente, na senda do progresso.

6. - Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades.
Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objectivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las.
A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus Messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se
conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as consequências do seu proceder.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, nos 4, 5, 6 e seguintes.)

7. - Entretanto, Deus, todo bondade, Pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência (nº 5).

8. - Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Assim como o frio não é um fluido especial, também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um
ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira.
Tomemos para termo de comparação um facto vulgar. Sabe um proprietário que nos confins de suas terras há um lugar perigoso, onde poderia perecer ou ferir-se quem por lá se aventurasse. Que faz, a fim de prevenir os acidentes? Manda colocar perto um aviso, tornando defeso ao transeunte ir mais longe, por motivo do perigo. Ai está a lei, que é sábia e previdente. Se, apesar de tudo, um imprudente desatende o aviso, vai além do ponto onde este se encontra e sai-se mal, de quem se pode ele queixar, senão de si próprio?
Outro tanto se dá com o mal: evitá-lo-ia o homem, se cumprisse as leis divinas. Por exemplo: Deus pôs limite à satisfação das necessidades: desse limite a saciedade adverte o homem; se este o ultrapassa, fá-lo voluntariamente.
As doenças, as enfermidades, a morte, que daí podem resultar, provêm da sua imprevidência, não de Deus.

9. - Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal; se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria.
Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem. Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal. Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, a fim de que lhe pertença o fruto deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que por sua vontade
pratique. A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da
sua propensão para o mal. (1)

10. - Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida
intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.
O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semi-morais e semi-materiais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita
coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal e, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.

(1) O erro esta em pretender-se que a alma haja saído perfeita das mãos do Criador,
quando este, ao contrario, quis que a perfeição resulte da depuração gradual do Espírito e seja
obra sua. Houve Deus por bem que a alma, dotada de livre-arbítrio, pudesse optar entre o bem e o mal e chegasse a suas finalidades últimas de forma militante e resistindo ao mal. Se houvera criado a alma tão perfeita quanto ele e, ao sair-lhe ela das mãos, a houvesse associado à sua beatitude eterna, Deus tê-la-ia feito, não à sua imagem, mas semelhante a si próprio. (Bonnamy, A Razão do Espiritismo, cap. VI.)


referenca: A génese

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Pluralidade das existências



Da pluralidade das existências

(PRIMEIRO ARTIGO)

Das diversas doutrinas professadas pelo Espiritismo, a mais controvertida, sem contradita, é a da pluralidade das existências corpóreas, dita de outro modo, da reencarnação. Se bem que
essa opinião esteja agora partilhada por um número muito grande de pessoas, e que já tratamos a questão por várias vezes, cremos dever, em razão de sua extrema gravidade, examiná-la aqui de um modo mais aprofundado, a fim de respondermos às diversas objecções
que ela tem suscitado. Antes de entrarmos no fundo da questão, algumas observações preliminares nos parecem indispensáveis.

O dogma da reencarnação, dizem certas pessoas, não é novo; foi ressuscitado de Pitágoras.
Nunca dissemos que a Doutrina Espírita foi invenção moderna; sendo o Espiritismo uma lei da Natureza, deveu existir desde a origem dos tempos, e sempre nos esforçamos por provar que dele se encontram traços na mais alta antiguidade. Pitágoras, como se sabe, não foi o autor do sistema da metempsicose; ele a auriu dos filósofos indianos e entre os Egípcios, onde existia desde tempos imemoriais. A ideia da transmigração das almas era, pois, uma crença vulgar, admitida pelos homens mais eminentes. Por que caminho lhes veio ela? Pela
revelação ou pela intuição? Não o sabemos; mas, qualquer que seja, uma ideia não atravessa as idades e não é aceita por inteligências de elite, sem ter um lado sério. A antiguidade dessa doutrina seria, pois, antes uma prova do que uma objecção. Entretanto, como se sabe
igualmente, entre a metempsicose dos Antigos e a doutrina moderna da reencarnação, há esta grande diferença que os Espíritos rejeitam da maneira mais absoluta: a transmigração do homem para os animais e reciprocamente.

Vós estáveis, sem dúvida, dizem também alguns contraditores, imbuídos dessas ideias, e eis porque os Espíritos se aterraram à vossa maneira de ver. Aí está um erro que prova, uma vez
mais, o perigo dos julgamentos apressados e sem exame. Se essas pessoas tivessem se dado ao trabalho de lerem o que escrevemos sobre o Espiritismo, teriam se poupado apenas de uma objecção feita muito levianamente. Repetiremos, pois, o que dissemos a esse respeito, saber que, quando a doutrina da reencarnação nos foi ensinada pelos Espíritos, ela estava tão longe do nosso pensamento, que tínhamos feito, sobre os antecedentes da alma um sistema
diferente, de resto, partilhado por muitas pessoas. A doutrina dos Espíritos, sob esse assunto, portanto, nos surpreendeu; diremos mais, contrariou, porque derrubou as nossas próprias ideias; ela estava longe, como se vê, de ser-lhe o reflexo. Isso não é tudo; não cedemos ao primeiro choque; combatemos, defendemos a nossa opinião, levantamos objecções, e não nos rendemos senão à evidência, e quando vimos a insuficiência do nosso sistema para resolver todas as questões que esse assunto levanta.

Aos olhos de algumas pessoas, a palavra evidência, sem duvida, parecerá singular em semelhante matéria; mas não parecerá imprópria para aqueles que estão habituados a perscrutar os fenómenos espíritas. Para o observador atento, há factos que, se bem que não sejam de uma natureza absolutamente material, não constituem menos uma verdadeira evidência, ou pelo menos uma evidência moral. Aqui não é lugar para explicar esses factos; só
um estudo continuado e perseverante pode fazer compreendê-los; nosso objectivo é unicamente refutar a ideia de que essa doutrina não é senão a tradução do nosso pensamento. Temos ainda uma outra refutação a opor é de que não foi ensinada somente a nós; ela o foi em muitos outros lugares, em França e no estrangeiro; na Alemanha, na Holanda, na Rússia, etc. e isso antes mesmo da publicação de O Livro dos Espíritos.
Acrescentamos ainda que, desde que nos entregamos ao estudo do Espiritismo, tivemos comunicações por mais de cinquenta médiuns, escreventes, falantes, videntes, etc., mais ou menos esclarecidos, de uma inteligência normal ou menos limitada, alguns mesmo completamente iletrados, e por consequência inteiramente estranhos às matérias filosóficas, e que, em nenhum caso, os Espíritos foram desmentidos sobre essa questão; ocorre o mesmo em todos os círculos que conhecemos, onde o mesmo princípio foi professado. Esse argumento não é sem réplica, nós o sabemos, por isso nele não insistiremos mais que o razoável.

Examinemos a coisa sob um outro ponto de vista, e abstracção feita de toda intervenção dos Espíritos; deixemos estes de lado por um instante; suponhamos que essa teoria não seja deles; suponhamos mesmo que jamais foi questão de Espíritos. Coloquemo-nos, pois,
momentaneamente, sobre um terreno neutro, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma e outra hipótese, a saber a pluralidade e a unicidade das existências corpóreas, e vejamos de qual lado nos levará a razão e nosso próprio interesse.

Certas pessoas repelem a ideia da reencarnação só pelo motivo de não lhes convir, dizendo que têm por bastante uma existência e que não querem recomeçar uma semelhante; nós conhecemos as que, tão-só o pensamento de reaparecer na Terra faz saltar de furor. Não
temos senão uma coisa a lhes perguntar, é se elas pensam que Deus deva tomar seus conselhos e consultar seus gostos para regular o Universo. Ora, de duas coisas uma: ou a reencarnação existe, ou ela não existe; se existe, irá contrariá-los, e lhes será necessário suportá-la, e Deus, para isso, não lhes pedirá permissão. Parece-nos ouvir um doente dizer Já sofri bastante hoje, e não quero mais sofrer amanhã. Qualquer que seja seu mau-humor, não lhes será necessário sofrer menos o amanhã e os dias seguintes até que esteja curado;
portanto, se devem reviver corporalmente, reviverão, se reencarnarão; debalde se rebelarão como uma criança que não quer ir à escola, ou um condenado à prisão, é preciso que passem por lá. Semelhantes objecções são muitos pueris para merecerem um exame mais sério.
Diremos, entretanto, para confortá-los, que a Doutrina Espírita sobre a reencarnação não é tão terrível como crêem, e se a tivessem estudado a fundo não estariam tão assustados; saberiam que a condição dessa nova existência depende deles: ela será feliz ou infeliz, segundo o que fizeram neste mundo, e podem desde esta vida se elevarem tão alto, que não terão mais a temer cair no lamaçal.

Supomos que falamos a pessoas que crêem num futuro qualquer depois da morte, e não àquelas que se dão o nada como perspectiva, ou que querem afogar sua alma num todo universal, sem individualidade, como as gotas de chuva no Oceano, o que vem a ser quase o mesmo. Se, pois, credes num futuro qualquer, sem dúvida, não admitis que ele seja o mesmo para todos, de outro modo onde estaria a utilidade do bem? Por que se constranger?
Por que não satisfazer todas as suas paixões, todos os seus desejos, fosse mesmo às expensas de outrem, uma vez que nele não seria nem mais e nem menos? Credes que esse futuro será mais ou menos feliz segundo o que tivermos feito durante a vida; tendes então o
desejo de ser tão feliz como seja possível, uma vez que isso deve ser pela eternidade?
Teríeis, por acaso, a pretensão de ser um dos homens mais perfeitos que tenham existido na Terra, e ter assim direito, de uma só vez, à felicidade suprema dos eleitos? Não. Admitis, assim, que há homens que valem mais que vós e que têm direito a um melhor lugar, sem,
por isso, que estejais entre os condenados. Pois bem! Colocai-vos, um instante pelo pensamento, nessa situação média que será a vossa, uma vez que vindes disso convir, e suponde que alguém venha vos dizer: Sofreis, não sois tão felizes como poderíeis sê-lo, ao
passo que tendes, diante de vós, seres que gozam de uma felicidade sem mácula, quereis trocar a vossa posição com a sua? - Sem dúvida, direis; que é preciso fazer? - Menos que nada, recomeçar o que fizestes mal feito e tratar de fazê-lo melhor. - Hesitaríeis em aceitar, fosse mesmo ao preço de várias existências de provas? Tomemos uma comparação mais prosaica. Se há um homem que, sem estar na última das misérias, entretanto, experimenta privações em consequência da mediocridade de seus recursos, se viesse a dizer Eis uma imensa fortuna, podeis dela gozar, para isso é preciso trabalhar rudemente durante um minuto. Fosse ele o mais preguiçoso da Terra, diria sem hesitar Trabalhemos um minuto, dois minutos, uma hora, um dia se for preciso; o que é isso para acabar a minha vida na abundância? Ora, o que é a duração da vida corpórea com relação à eternidade? "Menos que um minuto, menos que um segundo.

Ouvimos fazer este raciocínio: Deus, que é soberanamente bom, não pode impor ao homem recomeçar uma série de misérias e de tribulações? Achar-se-ia, por acaso, que há mais bondade em condenar o homem a um sofrimento perpétuo por alguns momentos de erro, antes que dar-lhe os meios de reparar as suas faltas? "Dois fabricantes tinham, cada um, um obreiro que podia aspirar a se tornar o sócio do chefe. Ora, ocorreu que esses dois obreiros
empregaram, uma vez, muito mal sua jornada e mereceram ser despedidos. Um dos fabricantes despediu o seu obreiro apesar de suas súplicas, e este não tendo encontrado trabalho, morreu de miséria. O outro disse ao seu: Perdestes um dia, disso me deveis uma compensação; fizestes mal o vosso trabalho, disso me deveis a reparação, eu vos permito recomeçar; tratai de fazer bem e eu vos conservarei, e podereis sempre aspirar à posição superior que vos prometi." Há necessidade de se perguntar qual dos dois fabricantes foi o mais humano? Deus, a própria clemência, seria mais inexorável que um homem? O pensamento que nossa sorte está para sempre fixada, por alguns anos de prova, quando mesmo nem sempre dependeu de nós atingir a perfeição na Terra, tem alguma coisa de
pungente, ao passo que a ideia contrária é eminentemente consoladora; ela nos deixa a esperança. Assim, sem nos pronunciar-nos pró ou contra a pluralidade das existências, sem admitir uma hipótese antes que outra, dizemos que, se tivermos a escolha, não há pessoa que prefira um julgamento sem apelação. Um filósofo disse que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo para a felicidade do género humano; poder-se-ia dizer outro tanto quanto à pluralidade das existências. Mas, como dissemos, Deus não pede nossa permissão; não consulta o nosso gosto; isso é ou isso não é; vejamos de qual lado estão as probabilidades, e tomemos a coisa sob um outro ponto de vista, sempre abstracção feita do ensino dos
Espíritos, e unicamente como estudo filosófico.

Se não há reencarnação, não há senão, uma existência corpórea, isso é evidente; se nossa existência actual é a única, a alma de cada homem é criada no seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma, caso que se perguntaria o que era a alma antes do nascimento, e se esse estado não constituía uma existência sob uma forma qualquer. Não há meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do corpo; se ela existia, qual era a sua situação? Tinha ou não consciência dela mesma; se não tinha consciência, é quase como se não existisse; se tinha sua individualidade, era progressiva ou estacionaria; num e noutro caso, que grau ela alcançou no corpo? Admitindo, segundo a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, que vem a ser o mesmo, que anteriormente à sua encarnação ela não tem senão faculdades negativas, colocamos as perguntas seguintes:

1. Por que a alma mostra aptidões tão diversas e independentes das adquiridas pela educação?

2. De onde vem a aptidão extra normal de certas crianças em tenra idade, por tal ou tal ciência, ao passo que outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a sua vida?

3. De onde vêm, nuns, as ideias inatas ou intuitivas que não existem noutros?

4. De onde vêm, em certas crianças, esses instintos precoces de vícios ou de virtudes, esses sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza que contrastam com o meio no qual nasceram?

5. Por que certos homens, abstracção feita da educação, são mais avançados uns do que outros?

6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma criança hotentote amamentada, e a levardes aos nossos liceus mais renomeados, jamais fareis dela um Laplace ou um Newton?

Perguntamos qual é a filosofia ou a teosofia que pode resolver esses problemas? Ou as almas, em seu nascimento, são iguais, ou elas são desiguais, isso não é duvidoso. Se são iguais, por que essas aptidões tão diferentes? Dir-se-á que isso depende do organismo? Mas, então, é a doutrina mais monstruosa e mais imoral. O homem não é mais que uma máquina, o joguete da matéria; não tem mais a responsabilidade de seus actos; pode tudo lançar sobre suas imperfeições físicas. Se elas são desiguais, foi porque Deus as criou assim; mas, então, por que essa superioridade inata concedida a alguns? Essa parcialidade está conforme a justiça de Deus e o igual amor que dá a todas as suas criaturas?

Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores progressivas, e tudo estará explicado. Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que adquiriram; são mais ou menos avançados, segundo o número de existências que percorreram, segundo estejam mais ou menos distantes do ponto de partida: absolutamente como, em uma reunião de indivíduos de todas as idades, cada um terá um desenvolvimento proporcional ao número de anos que viveu; as existências sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para a vida do corpo. Concentrai, um dia, mil indivíduos, desde um ano até oitenta; suponde que um véu seja lançado sobre todos os dias que precederam, e que, em vossa ignorância, credes assim
todos nascidos no mesmo dia: perguntar-vos-eis, naturalmente, como ocorre que uns sejam grandes e outros pequenos, uns velhos e os outros jovens, uns instruídos e os outros ainda ignorantes; mas se a nuvem que vos esconde o passado vem a se levantar, se aprendeis que todos viveram mais ou menos tempo, tudo vos será explicado. Deus, em sua justiça, não pôde criar almas mais ou menos perfeitas; mas, com a pluralidade das existências, a desigualdade que vedes nada mais tem de contrário à equidade mais rigorosa: é que nós não
vemos senão o presente, e não o passado. Esse raciocínio repousa sobre um sistema, uma suposição gratuita? Não; partimos de um facto patente, incontestável: a desigualdade das aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral, e encontramos esse facto inexplicável por todas as teorias em curso, ao passo que a sua explicação é simples, natural, lógica, por uma outra teoria. É racional preferir a que não explica à que explica?

Com respeito à sexta pergunta, sem dúvida, dir-se-á que o Hotentote é de uma raça inferior: então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus deserdou, a ele e à sua raça, dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um
homem, por que procurar fazê-lo cristão? A Doutrina Espírita é mais ampla que tudo isso; por ela, não há várias espécies de homens, não há senão homens cujo espírito está mais ou menos atrasado, mais susceptível de progredir: isso não está mais conforme à justiça de Deus?

Acabamos de ver a alma em seu passado e em seu presente; se a considerarmos em seu futuro, encontraremos as mesmas dificuldades.

1. Se a nossa existência actual, só ela deve decidir nossa sorte futura, qual é, na vida futura, a posição respectiva do selvagem e do homem civilizado? Estão no mesmo nível, ou estão distantes da soma da felicidade eterna?

2. O homem que trabalhou toda a sua vida, para se melhorar, está no mesmo grau que aquele que ficou inferior, não por sua falta, mas porque não teve nem o tempo, nem a possibilidade de se melhorar?

3. O homem que fez mal, porque não pôde se esclarecer, é passível de um estado de coisas que não dependeu dele?

4. Trabalha-se para esclarecer os homens, moralizá-los, civilizá-los; mas para um que se esclarece, há milhões que morrem cada dia antes que a luz tenha vindo até eles; qual é a sorte destes? São tratados como condenados? Em caso contrário, que fizeram para merecer estarem na mesma classe que os outros?

5. Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade, antes de terem podido fazer nem bem nem mal? Se estão entre os eleitos, por que esse favor sem nada terem feito para merecê-lo? Por qual privilégio estão isentas das tribulações da vida?

Há uma doutrina que possa resolver essas questões? Admitamos as existências consecutivas, e tudo estará explicado de conformidade com a justiça de Deus. O que não se pôde fazer numa existência, far-se-á numa outra; assim é que ninguém escapa à lei do progresso, que cada um será recompensado segundo o seu mérito real, e que ninguém está excluído da felicidade suprema, à qual pode pretender, quaisquer que sejam os obstáculos que haja encontrado em seu caminho.

Essas questões poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque os problemas psicológicos e morais que não encontram sua solução senão na pluralidade das existências, são inumeráveis; limitamo-nos aos mais gerais. Qualquer que seja, dir-se-á talvez, a doutrina da
reencarnação não é admitida pela Igreja; isso seria, pois, o desmoronamento da religião.
Nosso objectivo não é tratar essa questão nesse momento; basta-nos haver demonstrado que ela é eminentemente moral e racional. Mais tarde, mostraremos que a religião, talvez, dela esteja menos distante que se pensa, e que com ela não sofreria mais, do que sofreu com a
descoberta do movimento da Terra e dos períodos geológicos que, à primeira vista, pareceram dar um desmentido aos textos sagrados. O ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se sobre a imortalidade da alma, as penas e as recompensas futuras, o livre
arbítrio do homem, a moral do Cristo; portanto, não é anti-religiosa.

Raciocinamos, como dissemos, abstracção feita de todo ensino espírita que, para certas pessoas não é uma autoridade. Se nós, e tantos outros, adoptamos a opinião da pluralidade das existências, não foi somente porque ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos pareceu a mais lógica, e que só ela resolve as questões até agora insolúveis. Se nos viesse de um simples mortal e a adoptaríamos do mesmo modo, e não hesitaríamos antes em renunciar às nossas próprias ideias; do momento em que um erro é demonstrado, o amor-próprio tem mais a perder do que a ganhar obstinando-se numa ideia falsa. Do mesmo modo, teríamos repelido, embora vinda dos Espíritos, se ela nos parecesse contrária à razão, como as
repelimos muitas outras, porque sabemos, por experiência, que não é preciso aceitar cegamente tudo o que vem de sua parte, não mais do que vem da parte dos homens. Resta-nos, pois, a examinar a questão da pluralidade das existências do ponto de vista do ensino
dos Espíritos, de qual maneira se deve entendê-la, e responder, enfim, às objecções mais sérias que se possa a ela opor; o que faremos em um próximo artigo.

Revista Espírita, Novembro de 1858

Polémica espírita


Polémica espírita

Várias vezes perguntaram-nos por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários, e, algumas vezes mesmo, contra nós. Cremos que, em certos casos, o silêncio é a melhor resposta.
Aliás, há um género de polémica do qual fizemos uma lei nos abstermos, e é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, mas nos toma um tempo que podemos empregar mais utilmente, e seria muito mais interessante para nossos leitores, que assinam para se instruírem, e não para ouvirem diatribes, mais ou menos espirituais; ora, uma vez iniciados nesse caminho, seria difícil dele sair, por isso preferimos não entrar e pensamos que o Espiritismo, com isso, não pode senão ganhar em dignidade. Não temos, até o presente, senão que nos aplaudir por nossa moderação; dela não nos desviaremos, e não daremos jamais satisfação aos amadores de escândalo.

Mas, há polémica e polémica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos. Entretanto, aqui mesmo há uma distinção a fazer; se não se trata senão de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina, sem outro fim determinado que o de criticar, e da parte de pessoas que têm um propósito de rejeitar tudo o que não compreendem, isso não merece que deles se ocupe; o terreno que o Espiritismo ganha, cada dia, é uma resposta suficientemente peremptória, e que deve provar-lhes que seus sarcasmos não produziram grande efeito; também notamos que a sequência ininterrupta de gracejos, dos quais os partidários da Doutrina eram objecto recentemente, se apaga pouco a pouco; pergunta-se, quando se vêem tantas pessoas eminentes adoptarem essas ideias novas, se há do que se rir; alguns não riem senão com desprezo e por hábito, muitos outros não riem mais de tudo e esperam.
Notamos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecer a coisa, sem terem se dado ao trabalho de aprofundá-la; para responder-lhes seria preciso, sem cessar, recomeçar as explicações mais elementares, e repetir o que escrevemos, coisa que
cremos inútil. Não ocorre o mesmo com aqueles que estudaram, e que não compreenderam tudo, aqueles que querem seriamente se esclarecer, que levantam as objecções com conhecimento de causa e de boa fé; sobre esse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos
gabar de resolvermos todas as dificuldades, o que seria muita presunção. A ciência espírita está no seu início, e ainda não nos disse todos os seus segredos, por maravilhas que nos haja revelado. Qual é a ciência que não tem ainda factos misteriosos e inexplicados?
Confessaremos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos aos quais não nos for possível responder. Assim, longe de repelir as objecções e as perguntas, nós as solicitamos, contanto que não sejam ociosas e nos façam perder nosso tempo em futilidades, porque é um meio de se esclarecer.
Aí está o que chamamos uma polémica útil, e o será sempre quando ocorrer entre duas pessoas sérias, que se respeitarem bastante para não se afastarem das conveniências. Pode-se pensar diferentemente, e, com isso, não se estimar menos. Que procuramos nós todos,
em definitivo, nessa questão tão palpitante e tão fecunda do Espiritismo? Esclarecer-nos; nós, primeiramente, procuramos a luz, de qualquer parte que ela venha, e, se emitimos a nossa maneira de ver, isso não é senão uma opinião individual que não pretendemos impor a ninguém; nós a entregamos à discussão, e estamos prontos para renunciá-la, se nos for demonstrado que estamos em erro. Essa polémica, nós a fazemos todos os dias em nossa Revista, pelas respostas ou refutações colectivas que tivemos ocasião de fazer a propósito de tal ou tal artigo, e aqueles que nos dão a honra de nos escreverem, ali encontram sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não nos é possível dá-la individualmente por escrito, o que o tempo material nem sempre nos permite. Suas perguntas e suas objecções são igualmente assuntos de estudos, que aproveitamos para nós mesmos, e os quais ficamos felizes em fazer nossos leitores aproveitarem, tratando-os à medida que as circunstâncias trazem os factos que possam ter relação com eles. Igualmente nos alegramos em dar verbalmente explicações que podem nos ser pedidas pelas pessoas que nos honram com a sua visita, e nessas conferências, marcadas por uma benevolência recíproca, nos esclarecemos mutuamente.

Revista Espírita, Novembro de 1858