domingo, 6 de abril de 2008

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Experiencias de Quase Morte


Monomania religiosa


Variedades - Monomania religiosa

Leu-se, na Gazette de Mons: "Um indivíduo atacado de monomania religiosa, sequestrado há sete anos no estabelecimento do senhor Stuart, e que até ali se mostrara de uma natureza muito doce, chegou a enganar a vigilância de seus guardas e a se apoderar de uma faca.
Estes, não podendo fazê-lo devolver essa arma, informaram o director do que se passava.
"O senhor Stuart logo se colocou perto desse furioso, e, não consultando senão sua coragem, quis desarmá-lo; mas, apenas havia dado alguns passos ao encontro do louco, este se arrojou sobre ele com a rapidez do relâmpago e o atingiu a golpes redobrados. Não foi senão com muita dificuldade que se chegou a dominar o assassino.


"Das sete feridas, com as quais o senhor Stuart fora atingido, uma era mortal: a que recebera no baixo ventre; e segunda-feira, às três horas e meia, sucumbiu em consequência de uma hemorragia que se declarara nessa cavidade."

Que se diria se esse indivíduo estivesse atacado de uma monomania espírita, ou mesmo se, em sua loucura, tivesse falado de Espíritos? E todavia isso se poderia, uma vez que há muitas monomanias religiosas, e todas as ciências forneceram seu contingente. Que se poderia racionalmente disso concluir contra o Espiritismo, senão que, em consequência da fragilidade de sua organização, o homem pode se exaltar sobre esse ponto como sobre tantos outros? O meio de prevenir essa exaltação não é combater a ideia; de outro modo se correria o risco de se ver renovarem os prodígios das Cévènes. Se jamais se organizasse uma cruzada contra espiritismo, vê-lo-íamos propagar-se mais e mais; por que, como se opor a um fenómeno
que não tem nem lugar nem tempo preferidos; que pode se reproduzir em todos os países, em todas as famílias, na intimidade, no segredo mais absoluto, melhor ainda que em público?
O meio de prevenir os inconvenientes, dissemo-lo em nossa Instrução prática, é fazê-lo compreender de tal modo que nele não se veja mais que um fenómeno natural, mesmo
naquilo que ofereça de mais extraordinário.




Um dos nossos assinantes, o senhor Ch. Renard, de Rambouillet, nos dirigiu a carta seguinte:
"Senhor e digno irmão em Espiritismo, li, ou antes, devorei com um prazer indizível, os números de vossa Revista, à medida que os recebia. Isso não é de admirar de minha parte, visto que meus parentes eram adivinhadores de geração em geração. Uma de minhas tias-avó foi mesmo condenada ao fogo por contumácia no crime de Vauldrie e de assistente do sabbat; não evitou a fogueira senão porque se refugiou na casa de uma de suas irmãs, abadessa de religiosas enclausuradas. Isso fez com que eu herdasse algumas migalhas de ciências ocultas, o que não me impediu de passar pela crença, se fé há, pelo materialismo e pelo cepticismo. Enfim, fatigado, doente de negação, as obras do célebre extático Swedenborg me conduziram à verdade e ao bem; eu mesmo tornei-me extático, assegurei-me ad vivum de verdades que os Espíritos materializados do nosso globo não podem compreender. Tive comunicações de todas as espécies; factos de visibilidade, de tangibilidade, transporte de objectos perdidos, etc. Teríeis, bom irmão, a bondade de inserir a nota adiante num de vossos números? Certamente, não pelo meu amor-próprio, mas por causa da minha qualidade de Francês.


"As pequenas causas produzem, às vezes, grandes efeitos. Por volta de 1840, travei conhecimento com o senhor Cahagnet, torneiro marceneiro, vindo para Rambouillet por razões de saúde. Esse operário, fora de série pela sua inteligência, eu o apreciava e o iniciava no magnetismo humano; disse-lhe um dia: Tenho quase a certeza de que um sonâmbulo lúcido está apto para ver as almas dos falecidos e entabular conversação com elas; ele espantou-se. Convidei-o a fazer essa experiência quando tivesse um lúcido; foi bem sucedido e publicou um primeiro volume de experiências necromânticas, seguido de outros volumes e brochuras, que foram traduzidos na América sob o título de Telégrafo celeste. Em seguida o extático Davis publicou suas visões ou excursões no mundo espírita. Franklin fez, sobre os desmaterializados, pesquisas que conduziram às manifestações e à comunicações mais fáceis que outrora. As primeiras pessoas que ele mediatizou nos Estados Unidos foram uma senhora viúva Fox e suas duas senhoritas. Há uma singular coincidência entre esse nome e o meu, uma vez que a palavra inglesa fox significa renard.
"Há muito tempo os Espíritos disseram que se podia comunicar com os Espíritos de outros globos e deles receber desenhos e descrições. Expus essa coisa ao senhor Cahagnet, mas ele não foi mais longe que nosso satélite.
"SOU, etc. CH. RENARD."


Nota. A questão de prioridade, em matéria de Espiritismo, sem contradita, é uma questão secundária; mas não é menos notável senão depois da importação dos fenómenos americanos, uma multidão de factos autênticos ignorados do público, revelaram a produção de fenómenos semelhantes seja em França, seja em outros países da Europa, em uma época contemporânea ou anterior. É do nosso conhecimento que muitas pessoas se ocupavam com os fenómenos espíritas bem antes que fossem questão de mesas girantes, e disso temos provas por datas seguras. Ó senhor Renard parece ser desse número, e segundo ele, suas experiências não foram estranhas às feitas na América. Registramos sua observação como interessando à história do Espiritismo e para provar, uma vez mais, que essa ciência tem raízes no mundo inteiro, o que tira, àqueles que gostariam de lhe opor uma barreira, toda possibilidade de sucesso. Abafada em um ponto, ela renascerá mais viva em muitos outros, até o momento em que a dúvida não será mais permitida, ela tomará seu lugar entre as crenças usuais; será bem preciso, então, que seus adversários, bom grado ou malgrado, nela tomem seu partido.


referencia: revista espirita Dezembro 1858

quinta-feira, 27 de março de 2008

Da probição de evocar os mortos


DA PROIBIÇÃO DE EVOCAR OS MORTOS

1. - A Igreja de modo algum nega a realidade das manifestações. Ao contrário,
como vimos nas citações precedentes, admite-as totalmente, atribuindo-as à exclusiva
intervenção dos demónios. É debalde invocar os Evangelhos como fazem alguns para
justificar a sua interdição, visto que os Evangelhos nada dizem a esse respeito. O
supremo argumento que prevalece é a proibição de Moisés. A seguir damos os termos
nos quais se refere ao assunto a mesma pastoral que citamos nos capítulos
precedentes:
"Não é permitido entreter relações com eles (os Espíritos), seja imediatamente,
seja por intermédio dos que os evocam e interrogam. A lei moisaica punia os gentios.
Não procureis os mágicos, diz o Levítico, nem procureis saber coisa alguma dos
adivinhos, de maneira a vos contaminardes por meio deles. (Cap. XIX, v. 31.) Morra de
morte o homem ou a mulher em quem houver Espírito pitônico; sejam apedrejados e
sobre eles recaia seu sangue. (Cap. XX, v. 27.) O Deuteronômio diz: Nunca exista entre
vós quem consulte adivinhos, quem observe sonhos e agouros, quem use de
malefícios, sortilégios, encantamentos, ou consultem os que têm o Espírito pitônico e
se dão a práticas de adivinhação interrogando os mortos. O Senhor abomina todas
essas coisas e destruirá, à vossa entrada, as nações que cometem tais crimes." (Cap.
XVIII, vv. 10, 11 e 12.)

2. - É útil, para melhor compreensão do verdadeiro sentido das palavras de
Moisés, reproduzir por completo o texto um tanto abreviado na citação antecedente.
Ei-lo:
"Não vos desvieis do vosso Deus para procurar mágicos; não consulteis os
adivinhos, e receai que vos contamineis dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor vosso
Deus." (Levítico, cap. XIX, v. 31.) O homem ou a mulher que tiver Espírito pitônico, ou
de adivinho, morra de morte. Serão apedrejados, e o seu sangue recairá sobre eles."
(Idem, cap. XX, v. 27.) Quando houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus
vos há de dar, guardai-vos; tomai cuidado em não imitar as abominações de tais
povos; - e entre vós ninguém haja que pretenda purificar filho ou filha passando-os
pelo fogo; que use de malefícios, sortilégios e encantamentos: que consulte os que
têm o Espírito de Piton e se propõem adivinhar, interrogando os mortos para saber a
verdade. O Senhor abomina todas essas coisas e exterminará todos esses povos, à
vossa entrada, por causa dos crimes que têm cometido. (Deuteronômio, cap. XVIII, vv.
9, 10, 11 e 12.)

3. - Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força
é que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? É preciso ser consequente. Desde que se
reconhece que a lei moisaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes
em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos.
Demais, é preciso expender os motivos que justificavam essa proibição e que
hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que 'o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egipto, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos, como se infere destas palavras de Isaías: "O Espírito do Egipto se aniquilará de si mesmo e eu precipitarei seu conselho; eles consultarão seus ídolos,
seus adivinhos, seus pitons e seus mágicos." (Cap. XIX, v. 3.)

Os israelitas não deviam contratar alianças com as nações estrangeiras, e
sabido era que naquelas nações que iam combater encontrariam as mesmas práticas.
Moisés devia pois, por política, inspirar aos hebreus aversão a todos os costumes que
pudessem ter semelhanças e pontos de contacto com o inimigo. Para justificar essa
aversão, preciso era que apresentasse tais práticas como reprovadas pelo próprio
Deus, e dai estas palavras: - "O Senhor abomina todas essas coisas e destruirá, à
vossa chegada, as nações que cometem tais crimes."

4. - A proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não
se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo
antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados
pelo charlatanismo e pela superstição. Essas práticas, ao que parece, também eram
objecto de negócio, e Moisés, por mais que fizesse, não conseguiu desentranhá-las dos
costumes populares.
As seguintes palavras do profeta justificam o asserto: - "Quando vos disserem:
Consultai os mágicos e adivinhos que balbuciam encantamentos, respondei: -Não
consulta cada povo ao seu Deus? E aos mortos se fala do que compete aos vivos?"
(Isaías, cap. VIII, v. 19.) "Sou eu quem aponta a falsidade dos prodígios mágicos; quem
enlouquece os que se propõem adivinhar, quem transtorna o espírito dos sábios e
confunde a sua ciência vã." (Cap. XLIV, v. 25.)
"Que esses adivinhos, que estudam o céu, contemplam os astros e contam os
meses para fazer predições, dizendo revelar-vos o futuro, venham agora salvar-vos. -
Eles tornaram-se como a palha, e o fogo os devorou; não poderão livrar suas almas do
fogo ardente; não restarão das chamas que despedirem, nem carvões que possam
aquecer, nem fogo ao qual se possam sentar. - Eis ao que ficarão reduzidas todas
essas coisas das quais vos tendes ocupado com tanto afinco: os traficantes que convosco traficam desde a infância foram-se, cada qual para seu lado, sem que um só deles se encontre que vos tire os vossos males." (Cap. XLVII, vv. 13, 14 e 15.)

Neste capítulo Isaías dirige-se aos babilônios sob a figura alegórica "da virgem
filha de Babilônia, filha de caldeus". (v. 1.) Diz ele que os adivinhos não impedirão a
ruína da monarquia. No seguinte capítulo dirige-se directamente aos israelitas.
"Vinde aqui vós outros, filhos de uma agoureira, raça dum homem adúltero e de
uma mulher prostituída. - De quem vos rides vós? Contra quem abristes a boca e
mostrastes ferinas línguas? Não sois vós filhos perversos de bastarda raça - vós que
procurais conforto em vossos deuses debaixo de todas as frontes, sacrificando-lhes
os tenros filhinhos nas torrentes, sob os rochedos sobranceiros? Depositastes a
vossa confiança nas pedras da torrente, espalhastes e bebestes licores em sua honra,
oferecestes sacrifícios. Depois disso como não se acender a minha indignação?" (Cap.
LVII, vv. 3, 4, 5 e 6.)
Estas palavras são inequívocas e provam claramente que nesse tempo as
evocações tinham por fim a adivinhação, ao mesmo tempo que constituíam comércio,
associadas às práticas da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios
humanos. Moisés tinha razão, portanto, proibindo tais coisas e afirmando que Deus as
abominava.
Essas práticas supersticiosas perpetuaram-se até à Idade Média, mas hoje a
razão predomina, ao mesmo tempo que o Espiritismo veio mostrar o fim
exclusivamente moral, consolador e religioso das relações de além-túmulo.
Uma vez, porém, que os espíritas não sacrificam criancinhas nem fazem
libações para honrar deuses; uma vez que não interrogam astros, mortos e áugures
para adivinhar a verdade sabiamente velada aos homens; uma vez que repudiam
traficar com a faculdade de comunicar com os Espíritos; uma vez que os não move a
curiosidade nem a cupidez, mas um sentimento de piedade, um desejo de instruir-se e
melhorar-se, aliviando as almas sofredoras; uma vez que assim é, porque o é - a proibição de Moisés não lhes pode ser extensiva.
Se os que clamam injustamente contra os espíritas se aprofundassem mais no
sentido das palavras bíblicas, reconheceriam que nada existe de análogo, nos
princípios do Espiritismo, com o que se passava entre os hebreus. A verdade é que o
Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés; mas os seus
adversários, no afã de encontrar argumentos com que rebatam as novas ideias, nem se
apercebem que tais argumentos são negativos, por serem completamente falsos.
A lei civil contemporânea pune todos os abusos que Moisés tinha em vista
reprimir.
Contudo, se ele pronunciou a pena última contra os delinquentes, é porque lhe
faleciam meios brandos para governar um povo tão indisciplinado. Esta pena, ao
demais, era muito prodigalizada na legislação moisaica, pois não havia muito onde
escolher nos meios de repressão. Sem prisões nem casas de correcção no deserto,
Moisés não podia graduar a penalidade como se faz em nossos dias, além de que o
seu povo não era de natureza a atemorizar-se com penas puramente disciplinares.
Carecem portanto de razão os que se apoiam na severidade do castigo para provar o
grau de culpabilidade da evocação dos mortos. Conviria, por consideração à lei de
Moisés, manter a pena capital em todos os casos nos quais ele a prescrevia? Por que,
então, reviver com tanta insistência este artigo, silenciando ao mesmo tempo o
principio do capítulo que proíbe aos sacerdotes a posse de bens terrenos e partilhar de
qualquer herança, porque o Senhor é a sua própria herança? (Deuteronômio, cap.
XXVIII, vv. 1 e 2.)

5. - Há duas partes distintas na lei de Moisés: a lei de Deus propriamente dita,
promulgada sobre o Sinal, e a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes e carácter
do povo. Uma dessas leis é invariável, ao passo que a outra se modifica com o tempo,
e a ninguém ocorre que possamos ser governados pelos mesmos meios por que o
eram os judeus no deserto e tampouco que os capitulares de Carlos Magno se moldem à França do século XIX. Quem pensaria hoje, por exemplo, em reviver este artigo da lei moisaica: "Se um boi escornar um homem ou mulher, que disso morram, seja o boi apedrejado e ninguém coma de sua carne; mas o dono do boi será julgado inocente"? (Êxodo, cap. XXI, vv. 28 e seguintes.)
Este artigo, que nos parece tão absurdo, não tinha, no entanto, outro objectivo
que o de punir o boi e inocentar o dono, equivalendo simplesmente à confiscação do
animal, causa do acidente, para obrigar o proprietário a maior vigilância. A perda do
boi era a punição que devia ser bem sensível para um povo de pastores, a ponto de
dispensar outra qualquer; entretanto, essa perda a ninguém aproveitava, por ser
proibido comer a carne. Outros artigos prescrevem o caso em que o proprietário é
responsável.
Tudo tinha sua razão de ser na legislação de Moisés, uma vez que tudo ela
prevê em seus mínimos detalhes, mas a forma, bem como o fundo, adaptavam-se às
circunstâncias ocasionais Se Moisés voltasse em nossos dias para legislar sobre uma
nação civilizada, decerto não lhe daria um código igual ao dos hebreus.

6. - A esta objecção opõem a afirmativa de que todas as leis de Moisés foram
ditadas em nome de Deus, assim como as do Sinal. Mas julgando-as todas de fonte
divina, por que ao decálogo limitam os mandamentos? Qual a razão de ser da
diferença? Pois não é certo que se todas essas leis emanam de Deus devem todas ser
igualmente obrigatórias? E por que não conservaram a circuncisão, à qual Jesus se
submeteu e não aboliu? Ah! esquecem que, para dar autoridade às suas leis, todos os
legisladores antigos lhes atribuíam uma origem divina. Pois bem: Moisés, mais que
nenhum outro, tinha necessidade desse recurso, atento o carácter do seu povo; e se, a
despeito disso, ele teve dificuldade em se fazer obedecer, que não sucederia se as leis
fossem promulgadas em seu próprio nome!
Não veio Jesus modificar a lei moisaica, fazendo da sua lei o código dos
cristãos?

Não disse ele: - "Vós sabeis o que foi dito aos antigos, tal e tal coisa, e eu vos
digo tal outra coisa?" Entretanto Jesus não proscreveu, antes sancionou a lei do Sinai,
da qual toda a sua doutrina moral é um desdobramento. Ora, Jesus nunca aludiu em
parte alguma à proibição de evocar os mortos, quando este era um assunto bastante
grave para ser omitido nas suas prédicas, mormente tendo ele tratado de outros
assuntos secundários.

7. - Finalmente convém saber se a Igreja coloca a lei moisaica acima da
evangélica, ou por outra, se é mais judia que cristã. Convém também notar que, de
todas as religiões, precisamente a judia é que faz menos oposição ao Espiritismo,
porquanto não invoca a lei de Moisés contrária às relações com os mortos, como
fazem as seitas cristãs.

8. - Mas temos ainda outra contradição: - Se Moisés proibiu evocar os mortos, é
que estes podiam vir, pois do contrário inútil fora a proibição. Ora, se os mortos
podiam vir naqueles tempos, também o podem hoje; e se são Espíritos de mortos os
que vêm, não são exclusivamente demónios. Demais, Moisés de modo algum fala
nesses últimos.
É duplo, portanto, o motivo pelo qual não se pode aceitar logicamente a
autoridade de Moisés na espécie, a saber: - primeiro, porque a sua lei não rege o Cristianismo; e, segundo, porque é imprópria aos costumes da nossa época. Mas,
suponhamos que essa lei tem a plenitude da autoridade por alguns outorgada, e ainda
assim ela não poderá, como vimos, aplicar-se ao Espiritismo. É verdade que a
proibição de Moisés abrange a interrogação dos mortos, porém de modo secundário,
como acessória às práticas da feitiçaria..
O próprio vocábulo interrogação, junto aos de adivinho e agoureiro, prova que
entre os hebreus as evocações eram um meio de adivinhar; entretanto, os espíritas só
evocam mortos para receber sábios conselhos e obter alivio em favor dos que sofrem,
nunca para conseguir velações ilícitas. Certo, se os hebreus usassem das comunicações como fazem os espíritas, longe de as proibir, Moisés acoroçoá-las-ia, porque o seu povo só teria que lucrar.

9. - É certo que alguns críticos jucundos ou mal-intencionados têm descrito as
reuniões espíritas como assembleias de nigromantes ou feiticeiros, e os médiuns
como astrólogos e ciganos, isto porque talvez quaisquer charlatães tenham afeiçoado
tais nomes às suas práticas, que o Espiritismo não pode, aliás, aprovar.
Em compensação, há também muita gente que faz justiça e testemunha o carácter essencialmente moral e grave das reuniões sérias. Além disso, a Doutrina, em
livros ao alcance de todo o mundo, protesta bem alto contra os abusos, para que a
calúnia recaia sobre quem merece.

10. - A evocação, dizem, é uma falta de consideração para com os mortos, cujas
cinzas devem ser respeitadas. Mas quem é que diz tal? São os antagonistas de dois
campos opostos, isto é, os incrédulos que nas almas não crêem, e os crédulos que
pretendem que só os demónios, e não as almas, podem vir.
Quando a evocação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os
Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e
simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente
em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, uma
outra resposta peremptória a essa objecção, e é que os Espíritos se apresentam
espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam
chamados. Eles também dão testemunho da satisfação que experimentam por
comunicar-se com os homens, e queixam-se às vezes do esquecimento em que os
deixam. Se os Espíritos se perturbassem ou se agastassem com os nossos chamados,
certo o diriam e não retornariam; porém, nessas evocações, livres como são, se manifestam, é porque lhes convém.

11. - Ainda uma outra razão é alegada: - As almas permanecem na morada que a
justiça divina lhes designa - o que equivale dizer no céu ou no inferno. Assim, as que
estão no inferno, de lá não podem sair, posto que para tanto a mais ampla liberdade
seja outorgada aos demónios. As do céu, inteiramente entregues à sua beatitude, estão
muito superiores aos mortais para deles se ocuparem, e são bastantemente felizes
para não voltarem a esta terra de misérias, no interesse de parentes e amigos que aqui
deixassem. Então essas almas podem ser comparadas aos nababos que dos pobres
desviam a vista com receio de perturbar a digestão? Mas se assim fora essas almas se
mostrariam pouco dignas da suprema bem-aventurança, transformando-se em padrão
de egoísmo!
Restam ainda as almas do purgatório, porém, estas, sofredoras como devem
ser, antes que doutra coisa, devem cuidar da sua salvação. Deste modo, não podendo
nem umas nem outras almas corresponder ao nosso apelo, somente o demónio se
apresenta em seu lugar.
Então é o caso de dizer: se as almas não podem vir, não há de que recear pela
perturbação do seu repouso.

12. - Mas aqui reponta uma outra dificuldade. Se as almas bem-aventuradas não
podem deixar a mansão gloriosa para socorrer os mortais, por que invoca a Igreja a
assistência dos santos que devem fruir ainda maior soma de beatitude? Por que
aconselha invocá-los em casos de moléstia, de aflição, de flagelos? Por que razão e
segundo essa mesma Igreja os santos e a própria Virgem aparecem aos homens e
fazem milagres? Estes deixam o céu para baixar à Terra; entretanto os que estão
menos elevados não o podem fazer!

13. - Que os cépticos neguem a manifestação das almas, vá, visto que nelas
não acreditam; mas o que se torna estranhável é ver encarniçar-se contra os meios de provar a sua existência, esforçando-se por demonstrar a impossibilidade desses meios, aqueles mesmos cujas crenças repousam na existência e no futuro das almas! Parece que seria mais natural acolherem como benefício da Providência os meios de confundir os cépticos com provas irrecusáveis, pois que são os negadores da própria religião. Os que têm interesse na existência da alma deploram constantemente a avalancha da
incredulidade que invade, dizimando-o, o rebanho de fiéis: entretanto, quando se lhes
apresenta o meio mais poderoso de combatê-la, recusam-no com tanta ou mais
obstinação que os próprios incrédulos. Depois, quando as provas avultam de modo a
não deixar dúvidas, eis que procuram como recurso de supremo argumento a
interdição do assunto, buscando, para justificá-la, um artigo da lei moisaica do qual
ninguém cogitara, emprestando-lhe, à força, um sentido e aplicação inexistentes. E tão
felizes se julgam com a descoberta, que não percebem que esse artigo é ainda uma
justificativa da Doutrina Espírita.

14. - Todas as razões alegadas para condenar as relações com os Espíritos não
resistem a um exame sério. Pelo ardor com que se combate nesse sentido é fácil deduzir
o grande interesse ligado ao assunto. Daí a insistência. Em vendo esta cruzada
de todos os cultos contra as manifestações, dir-se-ia que delas se atemorizam.
O verdadeiro motivo poderia bem ser o receio de que os Espíritos muito
esclarecidos viessem instruir os homens sobre pontos que se pretende obscurecer,
dando-lhes conhecimento, ao mesmo tempo, da certeza de um outro mundo, a par das
verdadeiras condições para nele serem felizes ou desgraçados. A razão deve ser a
mesma por que se diz à criança: - "Não vá lá, que há lobisomens." Ao homem dizem: -
"Não chameis os Espíritos: - São o diabo." - Não importa, porém: - impedem os
homens de os evocar, mas não poderão impedi-los de vir aos homens para levantar a
lâmpada de sob o alqueire.
O culto que estiver com a verdade absoluta nada terá que temer da luz, pois a
luz faz brilhar a verdade e o demónio nada pode contra esta.

15. - Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso
de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos
que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que
podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a
desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é,
portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos
dispensar.
As seguintes palavras de um Espírito resumem admiravelmente as
consequências da evocação, quando praticada com fim caritativo:
"Todo Espírito sofredor e desolado vos contará a causa da sua queda, os
desvarios que o perderam. Esperanças, combates e terrores; remorsos, desesperos e
dores, tudo vos dirá, mostrando Deus justamente irritado a punir o culpado com toda a
severidade. Ao ouvi-lo, dois sentimentos vos acometerão: o da compaixão e o do
temor! compaixão por ele, temor por vós mesmos. E se o seguirdes nos seus
queixumes, vereis então que Deus jamais o perde de vista, esperando o pecador
arrependido e estendendo-lhe os braços logo que procure regenerar-se. Do culpado
vereis, enfim, os progressos benéficos para os quais tereis a felicidade e a glória de
contribuir, com a solicitude e o carinho do cirurgião acompanhando a cicatrização da
ferida que pensa diariamente." (Bordéus, 1861.)

referencia: O ceú e o inferno

terça-feira, 25 de março de 2008

Noticias de Portugal











1 - DIVALDO FRANCO EM PORTUGAL NO MÊS DE ABRIL


Divaldo Pereira Franco, o maior conferencista espírita a nível mundial, vai estar de novo em Portugal no próximo mês de Abril, para efectuar diversas Palestras e Seminários, em coordenação com a Federação Espírita Portuguesa e a União Espírita do Algarve.


PROGRAMA:

Dia 08 – 20H00 – Palestra – Terceira: Teatro Hangrense

Dia 09 – 20H00 – Palestra – S. Miguel: Universidade dos Açores - Auditório C

Dia 10 – 21H30 – Mini–Seminário – S. Miguel: Associação Espírita de Ponta Delgada

Dia 11 – 20H30 – Palestra – Barreiro: Soc. Dem. União Barreirense “Os Franceses"


Dia 12 – 17H00 – Palestra – Lagoa: Nave da Fatacil

Dia 13 – 09H30 – 18H00 – Seminário – Faro: Conservatório Regional do Algarve

Dia 15 – 20H30 – Palestra – Castro Verde: Cinema Municipal

Dia 16 – 20H30 – Palestra – Sines: Salão da Música

Dia 17 – 20H00 – Palestra – Funchal: Hotel Tivoli

Dia 18 – 19H00 – 22H00 – Mini–Seminário – Funchal: Associação Espírita do Funchal

Dia 19 – 17H00 – Palestra – Lisboa: Associação dos Comerciantes de Lisboa

Dia 20 – 09H30 – 18H00 – Seminário – Lisboa: Associação dos Comerciantes de Lisboa


Tel.: 214975754 (FEP) 919405981 (Vítor Féria)
Fonte: Vítor Féria


2 - DR. SÉRGIO THIESEN – 10 ANOS EM PORTUGAL


Chega a Terras Lusas, a 24 de Março, o expositor brasileiro Dr. Sérgio Thiesen, para uma série de Palestras e Seminários de divulgação doutrinária.Da região do Douro, ao Norte, até ao Alentejo e Algarve, ao sul, o Dr. Sérgio Thiesen vai levar as sementes do Evangelho do Cristo, celebrando 10 anos de viagens sucessivas, desde o memorável Congresso Mundial de Lisboa em 1998.

PROGRAMAMarço:

Dia 24 (2ª feira) – 20H00 – Palestra “Jesus e Kardec” – Local: Associação Social e Cultural Espiritualista – Viseu

Dia 25 (3ª feira) – 21H00 – Palestra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” (baseado na obra homónima de Léon Denis)– Local: Associação Espírita Alvorada Nova – Aveiro (Contacto: 918761220)

Dia 26 (4ª feira) – 20H00 – Palestra “As Vidas de Allan Kardec, suas Viagens e Auxiliares” – Local: Associação Espírita Consolação e Vida – Águeda

Dia 27 (5ª feira) – Palestra– Local: Associação Espírita de Lagos – Lagos (Contactos: 917636236/ 282792102)

Dia 28 (6ª feira) – Palestra –Local: Associação Espírita de Portimão (Contacto: 918390470))

Dia 29 (Sábado) – 10H00-13H00 / 15H00-18H00 – Seminário “Perispírito”
– Local: Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec – Preço: 10€

Dia 30 (Domingo) – 10H00 – Palestra – Local: Associação Cultural Cristã Espírita – Oliveira de Azeméis

Dia 30 (Domingo) – 15H30 – Palestra “Toxicodependência” – Local: Comunhão Espírita Cristã de Lisboa – Contacto: 217647441)

Dia 30 (Domingo) – 19H00 – Palestra – Local: Espaço Azul em Lisboa Contacto: 918305713)Dia 31 (2ª feira) – 20H00 – Palestra – Local: Associação de Beneficência e Fraternidade – Lisboa (Contacto: 964333387)


Dia 1 de Abril (3ª feira) – 20H00 – Palestra: “Realidade Espiritual” – Local: Associação de Estudos Psíquico-Espirituais – Bragança (Contacto: 936746848)


Fonte: Leonor Santos (Coimbra)


3 - ÁGUEDA: CONFERÊNCIA PELO DR. SÉRGIO THIESEN


A Associação Espírita Consolação e Vida, situada na Rua 15 de Agosto, n.º 30, traseiras, 3750 – 115 Águeda, vai levar a efeito na próxima quarta-feira, dia 26 de Março, pelas 20H30
uma conferência subordinada ao tema “As Vidas de Allan Kardec, suas Viagens e Auxiliares”, que será proferida pelo Dr. Sérgio Thiesen.


A entrada é livre e gratuita.
Fonte: Sílvia Antunes - Águeda (Tm. 93 432 56 48)


4 - RIO TINTO: CONFERÊNCIA ESPÍRITA NA ACE


No próximo dia 27 de Março, quinta-feira, pelas 21H00, a ACE – Associação Cultural Espírita Fernando de Lacerda vai levar a efeito uma conferência espírita, que será proferida por João Xavier de Almeida.


A entrada é livre e gratuita


Associação Cultural Espírita Fernando de Lacerda. Rua da Ferraria, 615 4435 - 250 RIO TINTOE-mail: terrosomartins@clix.pt
Fonte: Terroso Martins (ACE)


5 - CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA: MORTES PREMATURAS À LUZ DO ESPIRITISMO


Na sexta-feira, dia 28 de Março, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Mortes Prematura à Luz do Espiritismo”.Como explicar este tipo de situações dentro da lógica da bondade divina? Como fundamentar estas situações dentro da lógica espiritualista?
O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em http://www.caldasrainha.net/ccee e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.
Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)


6 - LISBOA: PALESTRA: A PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS


No próximo dia 29 de Março, sábado, vai ter lugar na Galeria Matos Ferreira, situada no Bairro Alto, R. Luz Soriano, 14 e 18 - 1200-247 Lisboa, uma palestra subordinada ao tema “A Pluralidade dos Mundos Habitados”.Esta palestra, cujo tema é abordado sob a perspectiva espírita, será proferida por Antero Ricardo e integra-se no ciclo “As Grandes Doutrinas e Religiões”.


A entrada é livre e gratuita
Fonte: Nuno Emanuel (Lisboa)


7 - LISBOA: CONFERÊNCIA PELO DR. JÚLIO PERES


Organizada pela Associação Médico-Espírita de Portugal (AMEPortugal), vai ter lugar uma conferência destinada a médicos, enfermeiros e psicólogos, subordinada ao tema “Psicoterapia e Reencarnação”, que será proferida pelo psicólogo e doutorando em neurociências, Dr. Júlio Peres, que é ainda Director do Instituto Nacional de Terapia Vivencial Peres (INTVP), de São Paulo (Brasil).O evento vai decorrer no Hotel Barcelona, na rua Laura Alves, 10, em Lisboa, pelas 16H00 do próximo dia 30 de Março (domingo).

Confirme a sua presença através do e-mail ame.portugal@gmail.com ou pelos telefones 93-4474643; 91-9553589 e 96-3948673.

Entrada livre.
Fonte: Maria Elisa Viegas (Lisboa)


8 - ACE: ESPIRITISMO EM AVEIRO


A Associação Cultural Espírita de Aveiro, sita na Rua Ciudad Rodrigo, nº 12 R/C, 3800 – 08 Aveiro (Bairro do Liceu). Tel. 96 271 4000, leva a efeito as seguintes iniciativas no decorrer do mês de Abril de 2008:


Dia 04 – sexta-feira – 21H00 – Estudo da Doutrina (O Livro dos Espíritos)

Dia 07 – 2ª feira– 20H00 – Atendimento fraterno– 21H00 – Palestra “A Vida responde: Resposta a Dúvidas e Perguntas” – Manuel Santos– 22H00 – Passe– 22H15 – Atendimento espiritualDia 11 – sexta-feira – 21H00 – Estudo da Doutrina – Curso de Mediunidade


Dia 14 – 2ª feira– 20H00 – Atendimento fraterno– 21H00 – Palestra – Tema livre – Paulo Fonseca– 22H00 – Passe– 22H15 – Atendimento espiritual

Dia 18 – sexta-feira – 21H00 – Estudo da Doutrina – Livro dos Espíritos

Dia 21 – 2ª feira– 20H00 – Atendimento fraterno– 21H00 – Palestra – Liberdade do Espírito – Manuel Santos– 22H00 – Passe– 22H15 – Atendimento espiritual

Dia 25 – sexta-feira – 21H00 – Estudo da Doutrina – Livro dos Espíritos

Dia 28 – 2ª feira– 20H00 – Atendimento fraterno– 21H00 – Palestra – Tema livre – Paulo Fonseca– 22H00 – Passe– 22H15 – Atendimento espiritual


Fonte: Manuel Santos (Aveiro)


9 - BARCELOS: CICLO DE CONFERÊNCIAS ESPÍRITAS


Entre os meses de Março e Julho, o Núcleo de Estudos Espíritas de Barcelos
“Momentos de Sabedoria” promove um ciclo de Conferências Espíritas, com início às 21H00.
No passado dia 22 de Março, teve lugar a conferência de abertura, subordinada ao tema “O Poder do Pensamento”, proferida pelo Major José Lucas, Membro da ADEP e do Centro de Cultura Espírita das Caldas da Rainha.


As próximas conferências terão a seguinte calendarização:

2ª – 05/Abril – “O Modelo Matemático do Espírito”Orador: Luís de Almeida / Astrofísico – Cientista da ESA e da NASA

3ª – 19/Abril – “Reencarnar ou Não? Essa a Questão”Oradora: Raquel Castro / Contabilista

4ª – 10/Maio – “Como é Morrer?”Oradora: Cátia Martins / Psicóloga e Formadora

5ª – 31/Maio – “Espiritismo – Acto de Educar”Orador: Ulisses Lopes / Fotógrafo

6ª – 14/Junho – “Concentração e Memórias Afectivas”Orador: Jorge Gomes / Jornalista

7ª – 28/Junho – “Pequena Biografia de Allan Kardec”Orador:
Luís Pinto / Director Comercial8ª – 12/Julho – Encerramento – “Conceito Espírita de Oração”Orador: Xavier de Almeida / Aposentado da Função Pública


Mais informações:Momentos de Sabedoria – Núcleo de Estudos Espíritas de BarcelosRua Fernando de Magalhães, n.º 53 – Barcelos(Na rua ao fundo da Câmara Municipal; junto ao Museu de Olaria)(Estacionar no Largo da Escadaria do D. António Barroso / Igreja Matriz)(Contactos: 961218494 (António Teixeira)
Cartaz do evento: www.adeportugal.org/downloads/cn/ciciloconferenciasbarcelos2008.pdf


Fonte: António Teixeira (Barcelos)

sexta-feira, 21 de março de 2008

ressureição e reencarnação


NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE NÃO
NASCER DE NOVO

1. Jesus, tendo vindo às cercanias de Cezaréia de Filipe, interrogou assim seus
discípulos: “Que dizem os homens, com relação ao Filho do Homem? Quem dizem que eu sou?” - Eles lhe responderam: “Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, que Jeremias, ou algum dos profetas.” - Perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” - Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” - Replicou-lhe Jesus: “Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” (S. Mateus, Cap. XVI, vv. 13 a 17; S. Marcos, Cap. VIII, vv. 27 a 30.)

2. Nesse ínterim, Herodes, o Tetrarca, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus eseu espírito se achava em suspenso - porque uns diziam que João Batista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que uns dos antigos profetas ressuscitara. - Disse então Herodes: “Mandei cortar a cabeça a João Batista; quem é então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas?” E ardia por vê-lo. (S. Marcos, Cap. VI, vv. 14 a 16; S. Lucas, Cap. IX, vv. 7 a 9.)

3. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogam desta forma: “Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?” - Jesus lhes respondeu: “É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem.” - Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (S. Mateus, Cap. XVII, vv. 10 a 13; - S. Marcos, Cap. IX, vv. 11 a 13.)

Ressurreição e reencarnação

4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só
os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o facto poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

5. Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodememos, senador dos
judeus - que veio à noite ter com Jesus e lhe disse: "Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele."

Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo."
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?”
Retorquiu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. - O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. - Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. - O Espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem ele, nem para onde vai; o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito."

Respondeu-lhe Nicodemos: "Como pode isso fazer-se?" - Jesus lhe observou:
"Pois quê! és mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, em verdade, que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. - Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu?" (S. JOÃO, Cap. III, vv. 1 a 12.)

6. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos, notadamente nas acima reproduzidas (nº 1, nº 2, nº 3). Se fosse errónea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.

7. Estas palavras: Se um homem não renasce do água e do Espírito foram interpretadas no sentido da regeneração pela água do baptismo. O texto primitivo, porém, rezava simplesmente: não renasce da água e do Espírito, ao passo que nalgumas traduções as palavras - do Espírito - foram substituídas pelas seguintes: do Santo Espírito, o que já não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários a que os Evangelhos deram lugar, como se comprovará um dia, sem equívoco possível. (1)

8. Para se apanhar o verdadeiro sentido dessas palavras, cumpre também se atente na
significação do termo água que ali não fora empregado na acepção que lhe é própria.
Muito imperfeitos eram os conhecimentos dos antigos sobre as ciências físicas. Eles acreditavam que a Terra saíra das águas e, por isso, consideravam a água como elemento gerador absoluto. Assim é que na Génese se lê: "O Espírito de Deus era levado sobre as águas; flutuava sobre as águas; - Que o firmamento seja feito no meio das águas; - Que as águas que estão debaixo do céu se reúnam em um só lugar e que apareça o elemento árido; - Que as águas produzam animais vivos que nadem na água e pássaros que voem sobre a terra e sob o firmamento."
Segundo essa crença, a água se tornara o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente. Estas palavras: "Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito", significam pois: "Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma." E nesse sentido que a principio as compreenderam.
Tal interpretação se justifica, aliás, por estas outras palavras: O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Jesus estabelece aí uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo. O que é nascido da carne é carne indica claramente que só o corpo procede do corpo e que o Espírito independe deste.

______________
(1) A tradução de Osterwald está conforme o texto primitivo. Diz: “Não renasce da água e do
Espírito”; a de Sacy diz: do Santo Espírito; a de Lamennais: do Espírito Santo.
À nota de Allan Kardec, podemos hoje acrescentar que as modernas traduções já restituíram o
texto primitivo, pois que só imprimem “Espírito” e não Espírito Santo. Examinamos a tradução
brasileira, a inglesa, a em esperanto, a de Ferreira de Almeida, e todas elas está somente “Espírito”.
Além dessas modernas, encontramos a confirmação numa latina de Theodoro de Beza, de 1642,
que diz: “...genitus ex aqua et Spiritu...” “...et quod genitum est ex Spiritu, spiritus est.” É fora de dúvida que a palavra “Santo” foi interpolada, como diz Kardec. - A Editora da FEB, 1947.


9. O Espírito sopra onde quer; ouves-lhe a voz, mas não sabes nem donde ele vem, nem para onde vai: pode-se entender que se trata do Espírito de Deus, que dá vida a quem ele quer, ou da alma do homem. Nesta última acepção - “não sabes donde ele vem, nem para onde vai - significa que ninguém sabe o que foi, nem o que será o Espírito. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ia donde ele veio, pois que se lhe conheceria o começo. Como quer que seja, essa passagem consagra o princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, o da pluralidade das existências.

10. Ora, desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela violência e são os violentos que o arrebatam; - pois que assim o profetizaram todos os profetas até João, e também a lei. - Se quiserdes compreender o que vos digo, ele mesmo é o EIias que há de vir. - Ouça-o aquele que tiver ouvidos de ouvir. (S. MATEUS, Cap. XI, vv. 12 a 15.)

11. Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a
rigor, ser interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta
passagem de S. Mateus, que não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir.
Não há aí figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. -"Desde o tempo de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência." Que significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele momento? Jesus as explica, dizendo: "Se quiserdes compreender o que digo, ele mesmo é o Elias que há de vir." Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à época em que João vivia com o nome de Elias. "Até ao presente o reino dos céus é tomado pela violência": outra alusão à violência da lei moisaica, que ordenava o extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a Terra Prometida, Paraíso dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela brandura.
E acrescentou: Ouça aquele que tiver ouvidos de ouvir. Essas palavras, que Jesus
tanto repetiu, claramente dizem que nem todos estavam em condições de compreender certas verdades.

12. Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo; aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão. Despertai do vosso sono e entoai louvores a Deus, vós que habitais no pó; porque o orvalho que cai sobre vós é um orvalho de luz e porque arruinareis a Terra e o reino dos gigantes. (ISAÍAS, Cap. XXVI, v. 19.)

13. E também muito explícita esta passagem de lsaías: "Aqueles do vosso povo a
quem a morte foi dada viverão de novo." Se o profeta houvera querido falar da vida espiritual, se houvera pretendido dizer que aqueles que tinham sido executados não estavam mortos em Espírito, teria dito: ainda vivem, e não: viverão de novo. No sentido espiritual, essas palavras seriam um contra-senso, pois que implicariam uma interrupção na vida da alma. No sentido de regeneração moral, seriam a negação das penas eternas, pois que estabelecem, em princípio, que todos os que estão mortos reviverão.

14. Mas, quando o homem há morrido uma vez, quando seu corpo, separado de seu espírito, foi consumido, que é feito dele? -Tendo morrido uma vez, poderia o homem reviver de novo? Nesta guerra em que me acho todos os dias da minha vida, espero que chegue a minha mutação. (JOB, Cap. XIV, v. 10,14. Tradução de Le Maistre de Sacy.)
Quando o homem morre, perde toda a sua força. expira. Depois, onde está ele? -
Se o homem morre, viverá de novo? Esperarei todos os dias de meu combate, até que venha alguma mutação? (ID. Tradução protestante de Osterwald.)
Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência
terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo. (ID. Versão da Igreja grega.)

15. Nessas três versões, o princípio da pluralidade das existências se acha claramente
expresso. Ninguém poderá supor que Job haja querido falar da regeneração pela água do
baptismo, que ele de certo não conhecia. "Tendo o homem morrido uma vez, poderia reviver de novo?" A ideia de morrer uma vez, e de reviver implica a de morrer e reviver muitas vezes. A versão da Igreja grega ainda é mais explícita, se é que isso é possível: "Acabando os dias da minha existência terrena, esperarei, porquanto a ela voltarei", ou, voltarei à existência terrestre. Isso é tão claro, como se alguém dissesse: "Saio de minha casa, mas a ela tornarei."
"Nesta guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, espero que se dê a
minha mutação." Job, evidentemente, pretendeu referir-se à luta que sustentava contra as misérias da vida. Espera a sua mutação, isto é, resigna-se. Na versão grega, esperarei parece aplicar-se, preferentemente, a uma nova existência: "Quando a minha existência estiver acabada, esperarei, porquanto a ela voltarei." Job como que se coloca, após a morte, no intervalo que separa uma existência de outra e diz que lá aguardará o momento de voltar.

16. Não há, pois, duvidar de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. Um dia, porém, suas palavras, quando forem meditadas sem ideias preconcebidas, reconhecer-se-ão autorizadas quanto a esse ponto, bem como em relação a muitos outros.

17. A essa autoridade, do ponto de vista religioso, se adita, do ponto de vista filosófico, a das provas que resultam da observação dos factos. Quando se trata de remontar dos efeitos às causas, a reencarnação surge como de necessidade absoluta, como condição inerente à Humanidade; numa palavra: como lei da Natureza. Pelos seus resultados, ela se evidencia, de modo, por assim dizer, material, da mesma forma que o motor oculto se revela pelo movimento. Só ela pode dizer ao homem donde ele vem, para onde vai, por que está na Terra, e justificar todas as anomalias e todas as aparentes injustiças que a vida apresenta. (1)
Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho, razão por que hão dado lugar a tão contraditórias interpretações. Está nesse princípio a chave que lhes restituirá o sentido verdadeiro.

Referencia. O evangelho segundo o espiritismo