quinta-feira, 6 de março de 2008

Noticias de Portugal


1 – GRUPO ESPÍRITA DA PAZ – NOVO CENTRO ESPÍRITA NA MADEIRA

2 – MALVEIRA: ASSOCIAÇÃO FRATERNA MENSAGEIROS DO BEM – ACTIVIDADES

3 –PORTO: PALESTRAS ESPÍRITAS NO CECA

4- CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA SOBRE: “COMO É MORRER?”

5 – BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA

6 – S. JOÃO DE VER: DIVALDINHO MATOS PALESTRA NA EBCE

7 – ÁGUEDA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA




1 - GRUPO ESPÍRITA DA PAZ – NOVO CENTRO ESPÍRITA NA MADEIRA


No passado dia 4 de Fevereiro, o Grupo Espírita da Paz, do Funchal, deu início às suas actividades, de acordo com a seguinte calendarização:

- Segundas-feiras – 20H00 - Palestra -

Quintas-feiras – 20H00 - Estudo Sistemático de “O Livro dos Espíritos”- Atendimento - É necessário marcar por telefone ou pessoalmente, para os telefones ou morada abaixo mencionados.


José António Pires da Câmara é o coordenador e fundador deste Centro Espírita, que conta com o apoio do Grupo Maria de Nazaré, através do seu presidente, Divaldo Matos de Oliveira (Divaldinho).


Grupo Espírita da Paz Rua do Pico de São João, nº. 45 9000 -192 Funchal - Madeira(Telefones: 291 75 96 17 - 96 79 48 468)(E-mail: grupoespíritadapazmadeira@hotmail.com)
Fonte: José António (Funchal)



2 - MALVEIRA: ASSOCIAÇÃO FRATERNA MENSAGEIROS DO BEM – ACTIVIDADES


A Associação Fraterna Mensageiros do Bem, sita na Rua Eurico Rodrigues de Lima, 2B, 2665-277 Malveira, vai levar a efeito as suas actividades, no decorrer do mês de Março/2008, de acordo com a seguinte programação:


- Segundas-feiras, dias 3, 17 e 31 – 16H30 – Palestra pública e Fluidoterapia

- Quartas-feiras, dias 5, 12, 19, e 26 – 20H00 – Palestra pública e Fluidoterapia

- 2ª Sexta-feira de cada mês, dia 14 de Março – 20H30 – Palestra pública, desta vez subordinada ao tema: "Harmonização Psíquica – O Conhecimento de Nós Mesmos".


Mais informações através dos telemóveis 96 536 28 55 e/ou 91 771 37 44 ou pelo e-mail: afmbmalveira@gmail.com
Fonte: Marcelo Oliveira (Tm: 917713744)



3 - PORTO: PALESTRAS ESPÍRITAS NO CECA


O CECA - Centro Espírita Caridade por Amor - na Rua da Picaria, 59 - 1º frente, 4050 - 478 Porto, com e-mail ceca@sapo.pt e página de Internet em http://www.ceca.web.pt/, convida a população metropolitana do Porto, a estar presente às sextas-feiras do mês de Março, pelas 21H00, para o seguinte quadro de palestras:


Dia 07 – Tema: "Tudo Passa…”, por Lígia Almeida (conferencista da associação).

Dia 14 – Tema: "Perdoar é Preciso", por Miquelina Antunes (conferencista da associação)

Dia 21 – Tema: "A Viagem", por Jani Martins (conferencista da associação)

Dia 28 – Tema: “O Medo” - Mesa Redonda (elementos da associação)


Após as palestras, decorrerá o trabalho de passes, terminando a reunião com uma prece de encerramento.As entradas são livres e gratuitas


Centro Espírita Caridade por AmorRua da Picaria, 59 - 1º frente4050-478 Porto(Site: www.ceca-porto.com - E-mail: ceca@ceca-porto.com)
Fonte: Direcção do CECA (Porto)



4 - CALDAS DA RAINHA: CONFERÊNCIA SOBRE: “COMO É MORRER?”


Na sexta-feira, dia 7 de Março, pelas 21H00, vai decorrer uma conferência subordinada ao tema “Como é Morrer?”. Sabendo que ninguém se pode eximir a esta realidade que a todos toca, a Doutrina Espírita explica como se processa o desenlace do corpo físico.


O evento terá lugar na sede do Centro de Cultura Espírita, no Bairro das Morenas, em Caldas da Rainha, na Rua Francisco Ramos, nº 34, r/c. Este centro tem página na Internet em http://www.caldasrainha.net/ccee e-mail cce@caldasrainha.net


As entradas são livres e gratuitas.
Fonte: Centro de Cultura Espírita (Caldas da Rainha)



5 - BRAGA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


Realiza-se este sábado, dia 8 de Março, pelas 21H30, uma conferência espírita na Associação de Estudos Espirituais Messe de Amor, na Rua das Oliveiras Lote G, Loja 1, Gualtar – Braga, subordinada ao tema: "Espiritismo e Progresso – Lei de Progresso".


Actividades habituais:

Segunda-feira - 21H30 - Estudo da Doutrina

Sexta-feira - 21H45 - Estudo do Evangelho

Sábado - 15H30 - Escola de Evangelho (DIJ)

Sábado - 20H00 - Atendimento Individual Sábado - 21H30 - Palestra Pública


Fonte: Sérgio Cunha (Braga) - (Telemóvel 91 977 77 29) (mailto:smoac54@yahoo.com.br )



6 - S. JOÃO DE VER: DIVALDINHO MATOS PALESTRA NA EBCE


No próximo dia 8 de Março, sábado, pelas 15H00, Divaldinho Matos vai estar presente no Auditório desta Associação, para proferir uma palestra subordinada ao tema: “Mediunidade”.No final da apresentação do tema, será aberto um espaço para a colocação de perguntas às quais Divaldinho responderá.


No dia seguinte, 9 de Março, domingo, às 10H00, voltaremos a contar com a presença de Divaldinho para mais uma palestra na nossa Associação.


Para qualquer informação, poderão contactar por e-mail ou pelos seguintes números de telemóvel. 912475972 (José Augusto) ou 914759592 (M. Fernando).


Escola Beneficência Caridade Espírita Rua Quinta da Vinha - Areeiro 4520 – 619 S. João de Ver (Sta. Maria da Feira) (E-mail: ebce@netvisao.pt - Página da Internet: http://ebce.net/(Dados para GPS: N 40º 58' 04'' W 8º 31' 29'')


Fonte: EBCE (S. João de Ver)



7 - ÁGUEDA: CONFERÊNCIA ESPÍRITA


A Associação Espírita Consolação e Vida, situada na Rua 15 de Agosto, n.º 30, traseiras, 3750 - 115 Águeda, vai levar a efeito na próxima quarta-feira, dia 12 de Março, pelas 20H30 uma conferência que será conduzida pelo Prof. Carlos Ferreira. O Prof. Carlos Ferreira é Director de Formação da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e, como é natural, a temática central desta conferência será o Espiritismo e a Saúde.


A entrada é livre e gratuita.


Fonte: Sílvia Antunes - Águeda (Tm. 93 432 56 48 – E-mail: silviantunes@netvisao.pt )

quarta-feira, 5 de março de 2008

terça-feira, 4 de março de 2008

Influência moral do Médium


DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM


Questões diversas. - Dissertação de um Espírito sobre a influência moral.


226. 1ª O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?


"Não; a faculdade propriamente dita é organica; e portanto independente da moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium."


2ª Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então, não constitui privilégio dos homens de bem e por que se vêem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?


-"Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois há criaturas que não as possuem. Poderias igualmente perguntar por que concede Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloquência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade. Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem. Pensas que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ao contrário, multiplica-os no caminho que eles percorrem; coloca-os nas suas próprias mãos.. Cabe-lhes aproveitá-los. Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus permitiu que ele tivesse esse dom, para mais odiosa lhe parecesse a traição."


3ª Os médiuns, que fazem mau uso das suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as consequências dessa falta?


-"Se delas fizerem mau uso, serão punidos duplamente, porque têm um meio a mais de se esclarecerem e o não aproveitam. Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no fosso."


4ª Há médiuns aos quais, espontaneamente e quase constantemente, são dadas comunicações sobre o mesmo assunto, sobre certas questões morais, por exemplo, sobre determinados defeitos. Terá isso algum fim?


"sim, e esse fim é esclarecê-lo sobre o assunto frequentemente repetido, ou corrigi-los de certos defeitos. Por isso é que a uns falarão continuamente do orgulho, a outros, da caridade. E que só a saciedade lhes poderá abrir, afinal, os olhos. Não há médium que faça mau uso da sua faculdade, por ambição ou interesse, ou que a comprometa por causa de um defeito capital, como o orgulho, o egoísmo, a leviandade, etc., e que, de tempos a tempos, não receba advertência dos Espíritos. O pior é que a maioria das vezes eles não as tomam como dirigidas a si próprios."


NOTA. E frequentemente usarem os Espíritos de circunlóquios em suas lições, dando-as de modo indirecto para não tirarem o mérito àquele que as sabe aproveitar e aplicar. Porém, tais são a cegueira e o orgulho de algumas pessoas, que elas não se reconhecem no quadro que se lhes põe diante dos olhos. Ainda mais: se o Espírito lhes dá a entender que é delas que se trata, zangam-se e o qualificam de mentiroso, ou malicioso. Só isto basta para provar que o Espírito tem razão.


5ª Nas lições ditadas, de modo geral, ao médium, sem aplicação pessoal, não figura ele como instrumento passivo, para instrução de outrem?


-"Muitas vezes, os avisos e conselhos não lhe são dirigidos pessoalmente, mas a outros a quem não nos podemos dirigir, senão por intermédio dele, que, entretanto, deve tomar a parte que lhe caiba em tais avisos e conselhos, se não o cega o amor próprio.
"Não creias que a faculdade mediúnica seja dada somente para correcção de uma, ou duas pessoas, não. O objectivo é mais alto: trata-se da Humanidade. Um médium é um instrumento pouquíssimo importante, como indivíduo. Por isso é que, quando damos instruções que devem aproveitar à generalidade dos homens, nos servimos dos que oferecem as facilidades necessárias. Tenha-se, porém, como certo que tempo virá em que os bons médiuns serão muito comuns, de sorte que os bons Espíritos não precisarão servir-se de instrumentos maus."


6ª Visto que as qualidades morais do médium afastam os Espíritos imperfeitos, como é que um médium dotado de boas qualidades transmite respostas falsas, ou grosseiras?


-"Conheces, porventura, todos os escaninhos da alma humana? Demais, pode a criatura ser leviana e frívola, sem que seja viciosa. Também isso se dá, porque, às vezes, ele necessita de uma lição, a fim de manter-se em guarda."


7ª Por que permitem os Espíritos superiores que pessoas dotadas de grande poder, como médiuns, e que muito de bom poderiam fazer, sejam instrumentos do erro?


-"Os Espíritos de que falas procuram influenciá-las; mas, quando essas pessoas consentem em ser arrastadas para mau caminho, eles as deixam ir. Daí o servirem-se delas com repugnância, visto que a verdade não pode ser interpretada pela mentira".


8ª Será absolutamente impossível se obtenham boas comunicações por um médium imperfeito?


-"Um médium imperfeito pode algumas vezes obter boas coisas, porque, se dispõe de uma bela faculdade, não é raro que os bons Espíritos se sirvam dele, à falta de outro, em circunstâncias especiais; porém, isso só acontece momentaneamente, porquanto, desde que os Espíritos encontrem um que mais lhes convenha, dãopreferência a este."


NOTA. Deve-se observar que, quando os bons Espíritos vêem que um médium deixa de ser bem assistido e se torna, pelas suas imperfeições, presa dos Espíritos enganadores, quase sempre fazem surgir circunstâncias que lhes desvendam os defeitos e o afastam das pessoas sérias e bem intencionadas, cuja boa-fé poderia abusar. Neste caso, quaisquer que sejam as faculdades que possua, seu afastamento não é de causar saudades.


9ª Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito?


-"Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Digamos, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros.
Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado."


10ª Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado?


-"Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco. Isto lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos a tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça. Porque, o médium que receba as coisas mais notáveis não tem que se gloriar disso, como não o tem o tocador de realejo que obtém belas árias movendo a manivela do seu instrumento."


11ª Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue isenta de qualquer alteração?


-"Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho. Ambas essas coisas são necessárias."


12ª Uma vez que a palavra dos Espíritos superiores não nos chega pura, senão em condições difíceis de se encontrarem preenchidas, esse facto não constitui um obstáculo à propagação da verdade?


"Não, porque a luz sempre chega ao que a deseja receber. Todo aquele que queira esclarecer-se deve fugir às trevas e as trevas se encontram na impureza do coração.
"Os Espíritos, que considerais como personificações do bem, não atendem de boa vontade ao apelo dos que trazem o coração manchado pelo orgulho, pela cupidez e pela falta de caridade.
"Expurguem-se, pois, os que desejam esclarecer-se, de toda a vaidade humana e humilhem a sua inteligência ante o infinito poder do Criador. Esta a melhor prova que poderão dar da sinceridade do desejo que os anima. É uma condição a que todos podem satisfazer."


227. Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. Pois que, para se comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta identificação não se pode verificar, senão havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atracção, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em torno dele se vêm agrupar os Espíritos inferiores, sempre prontos a tomar o lugar aos bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor do próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria.


228. Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora essa imperfeição, teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que, presas de Espíritos mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem pervertido, aniquilaram-se e mais de um se viu humilhado por amaríssimas decepções.
O orgulho, nos médiuns, traduz-se por sinais inequívocos, a cujo respeito tanto mais necessário é se insista, quanto constitui uma das causas mais fortes de suspeição, no tocante à veracidade de suas comunicações. Começa por uma confiança cega nessas mesmas comunicações e na infalibilidade do Espírito que lhas dá. Daí um certo desdém por tudo o que não venha deles: é que julgam ter o privilégio da verdade. O prestígio dos grandes nomes, com que se adornam os Espíritos tidos por seus protectores, os deslumbra e, como neles o amor próprio sofreria, se houvessem de confessar que são ludibriados, repelem todo e qualquer conselho; evitam-nos mesmo, afastando-se de seus amigos e de quem quer que lhes possa abrir os olhos. Se condescendem em escutá-los, nenhum apreço lhes dão às opiniões, porquanto duvidar do Espírito que os assiste fora quase uma profanação.
Aborrecem-se com a menor contradita, com uma simples observação crítica e vão às vezes ao ponto de tomar ódio às próprias pessoas que lhes têm prestado serviço. Por favorecerem a esse isolamento a que os arrastam os Espíritos que não querem contraditores, esses mesmos Espíritos se comprazem em lhes conservar as ilusões, para o que os fazem considerar coisas sublimes os maiores absurdos como coisas sublimes .
Assim, confiança absoluta na superioridade do que obtém, desprezo pelo que deles não venha, irreflectida importância dada aos grandes nomes, recusa de todo conselho, suspeição sobre qualquer crítica, afastamento dos que podem emitir opiniões desinteressadas, crédito em suas aptidões, apesar de inexperientes: tais as características dos médiuns orgulhosos.
Devemos também convir em que, muitas vezes, o orgulho é despertado no médium pelos que o cercam. Se ele tem faculdades um pouco transcendentes, é procurado e gabado e entra a julgar-se indispensável. Logo toma ares de importância e desdém, quando presta a alguém o seu concurso. Mais de uma vez tivemos motivo de deplorar elogios que dispensamos a alguns médiuns, com o intuito de os animar.


229. A par disto, ponhamos em evidência o quadro do médium verdadeiramente bom, daquele em que se pode confiar. Supor-lhe-emos, antes de tudo, uma grandíssima facilidade de execução, que permita se comuniquem livremente os Espíritos, sem encontrarem qualquer obstáculo material. Isto posto, o que mais importa considerar é de que natureza são os espíritos que habitualmente o assistem, para o que não nos devemos ater aos nomes, porém, à linguagem. Jamais deverá ele perder de vista que a simpatia, que lhe dispensam os bons Espíritos, estará na razão directa de seus esforços por afastar os maus. Persuadido de que a sua faculdade é um dom que só lhe foi outorgado para o bem, de nenhum modo procura prevalecer-se dela, nem apresentá-la como demonstração de mérito seu. Aceita as boas comunicações, que lhe são transmitidas, como uma graça, de que lhe cumpre tornar-se cada vez mais digno, pela sua bondade, pela sua benevolência e pela sua modéstia. O primeiro se orgulha de suas relações com os Espíritos superiores; este outro se humilha, por se considerar sempre abaixo desse favor.


230. A seguinte instrução, sobre o assunto, foi-nos dada por um Espírito de quem temos inserido muitas comunicações:
"Já o dissemos: os médiuns, apenas como tais, só secundária influência exercem nas comunicações dos Espíritos; o papel deles é o de uma máquina eléctrica, que transmite os despachos telegráficos, de um ponto da Terra a outro ponto distante.
Assim, quando queremos ditar uma comunicação, agimos sobre o médium, como o empregado do telégrafo sobre o aparelho, isto é, do mesmo modo que o tiquetaque do telégrafo traça, a milhares de léguas, sobre uma tira de papel, os sinais reprodutores do despacho, também nós comunicamos, por meio do aparelho mediúnico, através das distâncias incomensuráveis que separam o mundo visível do mundo invisível, o mundo imaterial do mundo carnal, o que vos queremos ensinar. Mas, assim como as influências atmosféricas actuam, perturbando, muitas vezes, as transmissões do telégrafo eléctrico, igualmente a influência moral do médium actua e perturba, às vezes, a transmissão dos nossos despachos de além-túmulo, porque somos obrigados a fazê-los passar por um meio que lhes é contrário. Entretanto, essa influência, amiúde, se anula, pela nossa energia e vontade, e nenhum acto perturbador se manifesta. Com efeito, os ditados de alto alcance filosófico, as comunicações de perfeita moralidade são transmitidas algumas vezes por médiuns impróprios a esses ensinos superiores; enquanto que, por outro lado, comunicações pouco edificantes chegam também, às vezes, por médiuns que se envergonham de lhes haverem servido de condutores.


"Em tese geral, pode afirmar-se que os Espíritos atraem Espíritos que lhes são similares e que raramente os Espíritos das plêiades elevadas se comunicam por aparelhos maus condutores, quando têm à mão bons aparelhos mediúnicos, bons médiuns, numa palavra.
"Os médiuns levianos e pouco sérios atraem, pois, Espíritos da mesma natureza; por isso é que suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, ideias truncadas e, não raro, muito heterodoxas, espiritualmente falando. Certamente, podem eles dizer, e às vezes dizem, coisas aproveitáveis; mas, nesse caso, principalmente, é que um exame severo e escrupuloso se faz necessário, porquanto, de envolta com essas coisas aproveitáveis, Espíritos hipócritas insinuam, com habilidade e preconcebida perfídia, factos de pura invencionice, asserções mentirosas, a fim de iludir a boa-fé dos que lhes dispensam atenção. Devem riscar-se, então, sem piedade, toda palavra, toda frase equivoca e só conservar do ditado o que a lógica possa aceitar, ou o que a Doutrina já ensinou. As comunicações desta natureza só são de temer para os espíritas que trabalham isolados, para os grupos novos, ou pouco esclarecidos, visto que, nas reuniões onde os adeptos estão adiantados e já adquiriram experiência, a gralha perde o seu tempo a se adornar com as penas do pavão: acaba sempre desmascarada.
"Não falarei dos médiuns que se comprazem em solicitar e receber comunicações obscenas. Deixemos se deleitem na companhia dos Espíritos cínicos. Aliás, os autores das comunicações desta ordem buscam, por si mesmos, a solidão e o isolamento; porquanto só desprezo e nojo poderão causar entre os membros dos grupos filosóficos e sérios. Onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as ideias que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva. É de apostar-se então mil contra um que isso não passa de reflexo do próprio Espírito do médium. Dá-se mesmo o facto curioso de mover-se a mão do médium, quase mecanicamente às vezes, impelida por um Espírito secundário e zombeteiro.


É essa a pedra de toque contra a qual vêm quebrar-se as imaginações ardentes, por isso que, arrebatados pelo ímpeto de suas próprias ideias, pelas lantejoulas de seus conhecimentos literários, os médiuns desconhecem o ditado modesto de um Espírito criterioso e, deixando a presa para seguir a sombra, substituem-no por uma paráfrase empolada. Contra esse temível escolho chocam-se as personalidades ambiciosas que, em falta das comunicações que os bons Espíritos lhes recusam, apresentam suas próprias obras como sendo desses Espíritos. Daí a necessidade de serem, os directores dos grupos espíritas, dotados de fino tacto, de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas das que não o são e para não ferir os que se iludem a si mesmos.
"Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crivo da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errónea.
Efectivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um facto brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.


"Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniquidade.
"O Espiritismo já está bastante espalhado entre os homens e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua santa doutrina, para que os Espíritos já não se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos, de médiuns imperfeitos. Se, pois, agora, um médium, qualquer que ele seja, se tornar objecto de legítima suspeição, pelo seu proceder, pelos seus costumes, pelo seu orgulho, pela sua falta de amor e de caridade, repeli, repeli suas comunicações, porquanto aí estará uma serpente oculta entre as ervas. E esta a conclusão a que chego sobre a influência moral dos médiuns."
ERASTO

Referencia. O livro dos Médiuns

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma viúva de Malabar


Conversas familiares de além-túmulo


- Uma viúva de Malabar

Desejávamos interrogar uma dessas mulheres da índia, que têm o uso de se queimarem sobre o corpo de seu marido. Não as conhecendo, tínhamos pedido a São Luís se consentiria em nos enviar uma que estivesse em condições de responder às nossas perguntas, de maneira um pouco satisfatória. Ele respondeu-nos que o faria de bom grado, em alguma ocasião. Na sessão da Sociedade, do dia 2 de Novembro de 1858, o senhor Adrien, médium vidente, viu uma delas disposta a falar, e da qual fez o seguinte retrato:
Olhos grandes, negros, colorido amarelo no branco; figura arredondada, face rechonchuda e gorda; pele amarela-açafrão polido; cílios longos, sobrancelhas arqueadas, negras; nariz mais ou menos achatado, boca grande e sensual; belos dentes grandes e lisos; cabelos escorridos, abundantes, negros e espessos de gordura. Corpo bastante grosso, atarracado e gordo. Lenços de pescoço a envolvem deixando a metade do peito nu. Braceletes nos braços e nas pernas.

1. Lembrai-vos, mais ou menos, em que época vivestes na índia, e onde fostes queimada sobre o corpo de vosso marido?

- R. Ela fez sinal que não se lembra. - São Luís respondeu
que foi há cerca de cem anos.

2. Lembrai-vos do nome que tínheis?

- R. Fátima.

3. Que religião professáveis?

- R. O maometismo.

4. Mas o maometismo não manda tais sacrifícios?

- R. Nasci muçulmana, mas meu marido era da religião de Brahma. Tive que me conformar com o uso do país em que residia. As
mulheres não se pertencem.

5. Que idade tínheis quando morrestes?

- R. Tinha, creio, em tomo de vinte anos.

Nota. - O senhor Adrien observou que ela parecia ter pelo menos vinte e oito a trinta; mas que nesse país as mulheres envelhecem mais depressa.

6. Sacrificaste-vos voluntariamente?

- R. Preferiria casar-me com um outro. Reflecti bem, e
concebereis que pensamos todos do mesmo modo. Segui o costume; mas no fundo preferia não fazê-lo. Esperei vários dias o outro marido, e ninguém veio; então, obedeci à lei.

7. Que sentimento pôde ditar essa lei?

- R. Ideias supersticiosas. Afigura-se que, em se
queimando, se é mais agradável à Divindade; que resgatamos as faltas daquele que perdemos, e que vamos ajudá-lo a viver feliz no outro mundo.

8. Vosso marido teve vontade do vosso sacrifício?

- R. Jamais procurei rever meu marido.

9. Há mulheres que se sacrificam assim deliberadamente?

-R. Há pouco delas; uma em mil, e ainda, no fundo, elas não gostariam de fazê-lo.

10. Que se passou convosco no momento em que a vida corporal se extinguiu?

- R. A perturbação; tive uma neblina, e depois não sei o que se passou. Minhas ideias não se ordenaram senão depois de muito tempo. Ia por toda parte, e, entretanto, não via bem; e ainda agora, não estou inteiramente esclarecida; tenho muitas encarnações a sofrer para me elevar; mas não me queimarei mais... Não vejo a necessidade de se queimar, de se lançar no meio das chamas para se elevar... sobretudo por faltas que não se cometeu; depois, isso não
me agradou... De resto, não procurei sabê-lo, dar-me-íeis alegria orando um pouco por mim; porque compreendo que não há senão a prece para suportar com coragem as provas que nos são enviadas: Ah! se eu tivesse a fé!

11. Pedis para orarmos por vós; mas somos cristãos, e nossas preces poderiam ser-vos agradáveis?

- R. Não há senão um Deus para todos os homens.

Nota. - Em várias das sessões seguintes a mesma mulher veio entre os Espíritos que as assistiam. Ela disse que vinha para se instruir. Parecia sensível ao interesse que se lhe testemunhava, porque ela nos seguiu várias vezes em outras reuniões e mesmo na rua.

Revista Espírita, Dezembro de 1858

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O sonho e os sonhos


O sono e os sonhos

400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal?
“É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação e tanto mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é este.”

401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

“Não, o Espírito jamais está inactivo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais directa com os outros Espíritos. ”

402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

“Pelos sonhos, Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro. Dizes frequentemente:
Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganaste.
É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião.
Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro.
“Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenómenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos?
“O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disso um santo.
“Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o facto de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo facto de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença de muitos homens. Não cuidam de
conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida.
“Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis. Deus que, tendo de estar em contacto com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio.
“O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais. Que quer isso dizer? Que nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. É que não tendes então a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. Muitas vezes, apenas vos fica a lembrança da perturbação que o vosso Espírito experimenta à sua partida ou no seu regresso, acrescida da que resulta do que fizestes ou do que vos preocupa quando despertos. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.
“Em suma, dentro em pouco vereis vulgarizar-se outra espécie de sonhos.
Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos.
São recordações guardadas por almas que se desprendem quase inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludíamos.
“Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos nos de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.”
Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida activa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo actual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter.
A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam.

403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?

“Em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em actividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.”

404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?

“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, frequentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também, como atrás dissemos, um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?”

405. Acontece com frequência verem-se em sonho coisas que parecem um
pressentimento, que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto?

“Pode suceder que tais pressentimentos venham a confirmar-se apenas para o Espírito. Quer dizer que este viu aquilo que desejava, foi ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas ideias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma ideia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa ideia.”

406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem actos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação?

“De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre o em que eles pensam. Demais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências.”

407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?

“Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre, quanto mais fraco for o corpo.”
Assim se explica que imagens idênticas às que vemos, em sonho, vejamos estando apenas meio dormindo, ou em simples modorra.

408. E qual a razão de ouvirmos, algumas vezes em nós mesmos, palavras
pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa?

“É facto: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É quase sempre, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar.”

409. Doutras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação?

“Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se já fosse completo o sono, haveria sonho.”

410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos ideias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas ideias?

“Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, frequentemente, conselhos que outros Espíritos dão.”

a) - De que servem essas ideias e esses conselhos, desde que, pelos esquecer, não os podemos aproveitar?

“Essas ideias, em regra, mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Pouco importa que comumente o Espírito as esqueça, quando unido ao corpo. Na ocasião oportuna, voltar-lhe-ão como inspiração de momento.”

411. Estando desprendido da matéria e actuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?

“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha intuição do facto. Por isso é que algumas pessoas prevêem com grande exactidão a data em que virão a morrer.”

412. Pode a actividade do Espírito, durante o repouso, ou o sono corporal, fatigar o corpo?

“Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a actividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo.”


referencia:O livro dos espíritos