domingo, 21 de outubro de 2007

Perispirito, centro de força e o passe


PERISPIRITO, CENTRO DE FORÇA E O PASSE
(Jairo)

Kardec, pela orientação dos Espíritos, nos diz que o Espírito em si não é matéria. Não temos explicação de sua composição. E que a matéria é utilizada para a evolução do Espírito. Para que o Espírito se utilize dela para essa evolução é necessário que ele crie em torno de si um corpo semimaterial. Esse corpo Kardec chamou de Perispírito. O Perispírito serve ao Espírito em todo o seu contato com a matéria. E é o molde do corpo físico, quando reencarnamos. Nele são gravadas todas as nossas ações. Por ele, que entramos em contato com os espíritos, no fenômeno mediúnico, à noite saímos do corpo físico, com ele; quando o corpo morre é com ele que o espírito sai do corpo e se apresenta. E, no períspírito é que ficam os Centros de Força que entre outras funções, tem a função de metabolizar energias que recebe, principalmente o Fluido Cósmico Universal, do meio ambiente, e transformá-lo em FLUIDO VITAL, que é a força motriz do funcionamento do perispírito e do corpo físico. FORMA A NOSSA AURA E É ELE, O FLUIDO VITAL, QUE TRANSMITIMOS PELO PASSE ÀS PESSOAS, PRESENTES OU DISTANTES.

Como ocorre isto? - O perispirito possui sete Centros de forças principais (ver descrição abaixo).

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O PERISPÍRITO, OS CENTROS DE FORÇA COM O PASSE?

Como o Perispírito é o meio de veiculação da vontade do Espírito, cabe a ele o papel transformador e reativo nos fluidos, ESPECIALMENTE QUANDO MOVIMENTADOS NOS TRABALHOS DO PASSE. Daí a necessidade de o passista ser uma pessoa equilibrada, pois, sua vontade, por carecer de uma base firme, não pode, para fornecer saúde e harmonia, calcar-se numa estrutura movediça de moral vacilante e tonicidade intermitente.

Ademais, ”se as paixões baixas e materiais perturbam, obscurecem o organismo fluídico, os pensamentos generosos, e um sentido oposto, as ações nobres apuram e dilatam as moléculas perispiriticas”(Léon Denis, em “Depois da morte, cap. 32, p. 210)

O PERISPÍRITO tem participação ímpar nos fenômenos e nas manifestações mediúnicas e anímicas, sendo ele, PORTANTO, O INTERMEDIÁRIO VITAL E INDISPENSÁVEL DA TRANSMISSÃO FLUÍDICA POR OCASIÃO DO PASSE, da prece em favor dos outros e de nos mesmos. (Jacob de Melo (Livro O Passe, da FEB)

Dizem os espíritos que as pessoas comuns que não tem o hábito de orar, que não se preocupam como bem e são egoístas, só pensando em si, tem o Centro de Força de mais ou menos 5 cm de diâmetro e de cor escura e sem brilho e giram lentamente, metabolizando por isso pouco Fluido Vital, o que é claro não é bom para a saúde. E NÃO SERIAM BONS PASSISTAS.

A BASE DOS TRABALHOS DE PASSES CENTRA-SE NO CONHECIMENTO DESSES CENTROS E NA REAL APLICAÇÃO DAS ENERGIAS RADIANTES.
Distribuem, controlam, dosam as energias que o nosso corpo necessita; Regulam, sustentam os sentimentos e as emoções; Alimentam as células do pensamento; Levam as sensações do corpo físico para o Espírito; Captam as energias e as influências exteriores.

As pessoas espiritualizadas, que têm o hábito de orarão, bons pensamentos e bons sentimentos, boa moral, possuem Centros de Força maiores. Ampliados e de cor brilhante. POR ISSO METABOLIZAM MAIS FLUIDO VITAL, PARA A SUA AURA E É A ENERGIA QUE TRANSMITIMOS NO PASSE. Como isso ocorre?

Os Centros de força metabolizam o Fluido Cósmico Universal em FLUIDO VITAL e este é transmitido para todo o perispírito para mantê-lo funcionando e depois passa, através dos plexos que ficam no organismo físico para o sistema nervoso e assim para todas as células do corpo, cuja função é mantê-lo funcionando também. Assim que o Fluido Vital alcance as células do corpo físico irradiam (com maior ou menor intensidade de acordo com o estado emocional da criatura, porque eles estão subordinados às impulsões da mente) e esta irradiação forma a aura humana E DA AURA É QUE PARTEM AS ENERGIAS FORNECIDAS PELO PASSE.

O passe então é energia passada de aura para aura.
As mãos são apenas os pontos, as extremidades, convencionados no corpo para o direcionamento da energia que doamos exercendo nossa vontade. (No homem de vontade energética, A CORRENTE PRODUZ O EFEITO DE UMA DUCHA (Kardec, Rev.Esp.setembro 1865)

Mas poderíamos passar essa energia, olhando a pessoa, (um olhar basta para que os núcleos potencializados transmitam as forças curativas, favorecendo as pessoais em carências e renovando-as. (Vianna de Carvalho, psicografia de Divaldo Franco,14.4.1989). Jesus curava pelo olhar também. Pode ser enviada pela vontade pelo tórax,(área do coração) direcionando a energia naquele ponto e pelo pensamento e a vontade envia-la para perto ou longe. (O PENSAMENTO PROVOCA UMA EMISSÃO FLUÍDICA (Kardec Rev.Esp. set.1865.

Pensamentos viciados (contaminados,desajustados, desequilibrados) implicam em desarmonia nos Centros de Força e, conseqüentemente, no corpo físico. (Isso prejudica muito a qualidade do passista)

“O que eleva a frequência vibratória do pensamento é o Amor desinteressado. Tudo que seja contrário ao Amor, como raiva, ressentimento, mágoa, tristeza, indiferença, egoísmo, vaidade, separação ou isolamento, faz baixar as vibrações. “ ( Departamento Doutrinário da Federação Espírita Portuguesa )

Podemos curar também pela prece. Kardec diz, Rer. Espírita setembro 1865, que a Prece é um pensamento, quando fervorosa, ardente, feita com fé, produz o efeito de uma magnetização, não só chamando o concurso dos bons Espíritos, mas dirigindo ao doente uma salutar corrente fluídica. (perto ou à distância).

E pode esse energia ser assimilada, RETIRADA de nós pelo desejo ardente e fé verdadeira das pessoas, como a hemorrágica tirou a energia para sua cura ao tocar as vestes de Jesus. Pode também suas emanações pela aura contaminar ou purificar ambientes, dependendo de suas qualidades.(Chico Xavier tinha uma aura de 10 metros, segundo estudos da NASA dos EUA) Assim, uma pessoa sem braços poderia dar passes normalmente, pois direcionaria suas energias pela vontade para o paciente.(Narram os apóstolos que pessoas traziam os seus enfermos e os colocavam à beira dos caminhos por onde passariam Pedro e João, a fim de que a sua sombra, caindo sobre eles os currassem)...(Viana de Carvalho, Psicografia de Divaldo Franco 14.4.1989)

No Centro Espírita foi convencionado a utilização da passagem da energia pelas mãos. É discreto e o suficiente para a transmissão da energia do passe.

E TAMBÉM PORQUE NO CENTRO ESPÍRITA O PASSE É MINISTRADO DE FORMA MISTA, a energia magnética do passista e a energia magnética dos espíritos presentes. E são os espíritos que trabalham essas energias nas partes do corpo enfraquecidas ou doentes. Espíritos que trabalham nas câmaras de passe são especialistas em manipulação de energia (Ver cap., 19 do livro Missionário da Luz) Nesse caso o passista é apenas um doador de energia, devendo ficar em preces e com as mãos estendidas sobre a cabeça do paciente, nada mais.

OS CENTROS DE FORÇA são acumuladores. transformadores e distribuidores de força espiritual, situados no Perispírito. Têm centros equivalentes/correspondentes nos Plexos situados no corpo físico.
No processo de irradiação para os passes transmitimos aos outros, pelo mecanismo da nossa vontade, a carga de força vital que dispomos para doar.

Kardec, nos comentários da pergunta 70 do L.E., nos diz que o corpo é como um aparelho elétrico que tem que ser recarregado para funcionar. Exemplo, quando temos um telefone celular e acaba a energia da bateria, temos que recarregá-la para que ele volte a funcionar. Assim são os Centros de Força, eles agem como carregadores da energia que fazem funcionar o nosso corpo, pois transformam a energia do Fluido Cósmico Universal do meio ambiente em FLUIDO VITAL que age como uma força motriz ( produz os movimentos) Se os Centros força pararem de produzir FLUIDO VITAL o corpo morre, e se produz pouco o corpo fica doente.

OS CENTROS DE FORÇA E SUAS OUTRAS FUNÇÕES
Coronário, frontal, Laríngeo, Cardíaco, Gástrico, esplênico e básico
CENTROS DE FORÇA
(Estudos realizados pelo COEM, Centro Espírita Luz Eterna, Curitiba)

O espírito, encarnado ou desencarnado, assimila energias das mais diversas, automaticamente e/ou conscientemente, de acordo com seu estado de maior ou menor equilíbrio, físico e espiritual. O perispírito, então, metaboliza essas energias nos centros de força e as distribui em nosso organismo. Essas energias se manifestam em nossa aura, formando nosso “hálito mental”.
Os centros de força, também chamados de centros de energia ou força vital, são verdadeiras “usinas” de metabolização de energias e fluidos, distribuindo-se por todo o nosso perispírito, formando verdadeiros “sistemas” na sua estruturação. Existem milhares, sendo que sete deles são de maior importância, por coordenarem a metabolização de energias e fluidos em grandes áreas específicas, respondendo por sistemas e energias particulares.
Quando o espírito está encarnado, os centros de força estão “ajustados” a determinados órgãos ou sistemas do corpo físico, interagindo com este, ou seja, o tipo de energia metabolizado afeta ao corpo físico, órgão ou sistema orgânico correspondente, bem como o estado físico afeta a absorção e metabolização de energias e fluidos.
Os principais centros de força e sua respectiva “localização” são:

1) Centro Coronário: responsável pelas energias oriundas do plano espiritual; relaciona-se materialmente com a epífise.
2) Centro Frontal: responsável pelas energias dos centros superiores da inteligência e do sistema nervoso; relaciona-se materialmente com os lobos frontais do cérebro;
3) Centro Laríngeo: é responsável pelas energias na área da fala. Atua no funcionamento das glândulas do timo, da tireóide. Relaciona-se materialmente com o plexo cervical.
4) Centro Cardíaco: responsável pelas energias das emoções superiores e sentimentos. Atua na área do coração e da circulação. Relaciona-se materialmente com o plexo cardíaco.
5) Centro Esplênico: é o responsável pela eliminação das energias “descartáveis” ou “não afinadas” de nosso perispírito. Atua em toda a área das defesas orgânicas através do sangue. Relaciona-se materialmente com o baço.
6) Centro Gástrico: relaciona-se também com energias das emoções e sentimento, atuando em todo o aparelho digestivo. Está relacionado materialmente com o plexo solar.
7) Centro Genésico ou Básico: responsável pelas energias oriundas da reprodução, da sexualidade e da criatividade. Relaciona-se com o sistema reprodutor.

Infrações às Leis Naturais implicam em registros energéticos no perispírito, com influências decisivas nesta e em outras encarnações. Esses registros são energéticos e constituídos de cargas negativas ligadas a determinados Centros de Força. Estão relacionados com a Lei de Causa e Efeito, sendo conseqüência do uso do Livre Arbítrio.

NOS PROCESSOS DE PASSE OU DE IRRADIAÇÃO, o médium passista, pela ação de sua vontade dirigida, transmite aos outros as sua energias vitais, que são repostas imediatamente pela absorção e metabolização automática das energias do ambiente pelos centros de força. Na irradiação ou no passe, o médium, aplicando a técnica apropriada, acelera essa absorção e metabolização, e movimenta, pela ação da sua vontade, as energias vitais e espirituais para aquele que receberá as energias da irradiação ou passe.

A EPÍFISE, glândula de forma piriforme, é um corpo ovóide, com as dimensões de uma ervilha mediana e repousa sobre o teto mesencefálico.
"Descartes considerava a glândula pineal a sede da Alma". (Anatomia e Fisiologia Humanas, de A. Almeida Júnior; Editora Nacional, 8a parte, cap. 40)
Em "Missionários da Luz", cap. 2, André Luiz observa que no médium, em serviço mediúnico, essa glândula transforma-se em núcleo radiante. Relembra que, segundo os "orientadores clássicos terrestres", as funções da epífise circunscreviam-se ao controle sexual, no período infantil, velador dos instintos até uma certa idade, em que a atividade sexual pudesse deslizar com regularidade. "Não se trata de órgão morto, diz a espiritualidade. É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre".
No campo mediúnico, a epífise impulsiona e intensifica o poder de emissão e recepção, de acordo com nossa esfera espiritual - Lei da Sintonia.

O crescimento do influxo mental está na medida da experiência adquirida e arquivada pelo próprio Espírito.
Pensamentos viciados (contaminados,desajustados, desequilibrados) implicam em desarmonia nos Centros de Força e, conseqüentemente, no corpo físico. (Isso prejudica muito a qualidade do passista)

Os Passes
O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.
Desde que estes se modificam pela projeção dos pensamentos do Espírito, seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser e que recebe de modo direto e permanente a impressão de seus pensamentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más. Os fluidos viciados pelos eflúvios dos maus Espíritos podem depurar-se pelo afastamento destes, cujos perispíritos, porém, serão sempre os mesmos, enquanto o Espírito não se modificar por si próprio.
Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.
Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se os fluidos são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e enérgicos, os fluidos maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.
Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos que o encarnado absorve pelos poros perispiríticos, como absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilenciais.
Parte da questão 18 de A Gênese, capítulo XIV

CONCLUSÃO
André Luiz, em “Missionários da Luz”, cap. XIX (Passes) recomenda aos médiuns passistas que, antes de tudo, é necessário equilibrar o campo das emoções. Não é possível fornecer forças construtivas a alguém, ainda mesmo na condição de instrumento útil, se fazemos sistemático desperdício das irradiações vitais.
Um sistema de nervos esgotado, oprimido é um canal que não responde pelas interrupções havidas. A mágoa excessiva, a paixão desvairada, a inquietude obsidente, constituem barreiras que impedem a passagem das energias auxiliadoras. Por outro lado, é preciso examinar também as necessidades fisiológicas, a par dos requisitos de ordem psíquica.
A fiscalização dos elementos destinados aos armazéns celulares é indispensável, por parte do próprio interessado em atender às tarefas do Bem.
O excesso de alimentação produz odores fétidos, através dos poros, bem como das saídas dos pulmões e do estômago, prejudicando as faculdades radiantes, porquanto provoca dejecções anormais e desarmoniosas de vulto no aparelho gastrointestinal interessando a intimidade das células.
O álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores e salutares.

PALESTRA GENTILMENTE CEDIDA POR JAIRO CAPASSO (ORADOR E PALESTRANTE).

A PALESTRA OCORREU NO SEMINÁRIO SONBRE PASSES REALIZADO EM PIRACICABA-BRASIL, EM JUNHO DE 2007

PROMOÇÃO DA USE-UNIÃO DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS, INTERMUNICIPAL E REGIONAL DE PIRACICABA.

sábado, 20 de outubro de 2007

Variedades de médiuns escreventes


Variedades de Médiuns Escreventes


191. 1º) Segundo o modo de execução:
Médiuns escreventes ou psicógrafos - Os que têm a faculdade de escrever por si mesmos, sob influência dos Espíritos.


Médiuns escreventes mecânicos - Os que escrevem recebendo um impulso involuntário na mão, sem ter nenhuma consciência do que escrevem. Muito raros. (Ver nº 179)


Médiuns semi-mecânicos - Os que escrevem por impulso involuntário na mão, têm consciência imediata das palavras e das frases que vai escrevendo. Os mais comuns. (Ver nº 181)


Médiuns intuitivos - Os que recebem as comunicações dos Espíritos mentalmente, mas escrevem por vontade própria. Diferem dos médiuns inspirados porque estes não têm necessidade de escrever, enquanto o médium intuitivo registra o pensamento que lhe é sugerido rapidamente sobre determinado assunto que lhe foi proposto. (Ver nº 180)


São muitos comuns, mas estão muito sujeitos a errar, porque frequentemente não podem discernir o que provém dos Espíritos do que é deles mesmos.


Médiuns polígrafos - Os que mudam de caligrafia segundo o Espírito que se comunica ou têm a aptidão de reproduzir a letra que o Espírito comunicante tinha em vida. O primeiro caso é muito comum. O segundo, o da identidade da letra, é mais raro. (Ver nº 219)


Médiuns poliglotas - Os que têm a faculdade de falar ou de escrever em línguas que não conhecem. Muito raros.


Médiuns analfabetos - Os que só escrevem como médiuns, não sabendo ler nem escrever no seu estado habitual. Mais raros que os anteriores. Há maior dificuldade material a vencer.


192. 2º) Segundo o desenvolvimento da faculdade:
Médiuns novatos - Os que não têm suas faculdades completamente desenvolvidas nem possuem a experiência necessária.


Médiuns improdutivos - Os que só recebem sinais sem importância; monossílabos, traços ou letras esparsas. (Ver o capítulo sobre Formação dos Médiuns)


Médiuns desenvolvidos ou formados - Os que têm suas faculdades mediúnicas completamente desenvolvidas, transmitindo as comunicações com facilidade e presteza, sem vacilações. Compreende-se que esse resultado só pode ser obtido pelo hábito, enquanto entre os médiuns novatos as comunicações são lentas e difíceis.


Médiuns lacónicos - Os que recebem facilmente as comunicações, mas breves e sem desenvolvimento.


Médiuns explícitos - Os que recebem comunicações amplas e extensas como as que se podem esperar de um escritor consumado.
Esta aptidão está relacionada com a facilidade de combinação dos fluidos. Os Espíritos os procuram para tratar de assuntos que necessitam de grande desenvolvimento.


Médiuns experimentados - A facilidade de escrever é uma questão de hábito, que se obtém em pouco tempo, enquanto a experiência resulta do estudo sério de todas as dificuldades que se apresentam na prática do Espiritismo. A experiência confere ao médium o tacto necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, julgar pelos menores indícios as suas qualidades boas ou más, discernir a mistificação de espíritos enganadores que se disfarçam nas aparências da verdade. Compreende-se facilmente a importância dessa qualidade, sem a qual todas as outras perdem sua utilidade real. O mal é que muitos médiuns confundem a experiência, fruto do estudo, com a aptidão que decorre apenas do organismo. Julgam-se elevados e mestres porque escrevem com facilidade, rejeitam todos os conselhos e se tornam presa de Espíritos mentirosos e hipócritas, que os apanham lisonjeando-lhes o orgulho. (Ver, adiante, o capítulo sobre Obsessão) (9)


(9) Essa distinção entre experiência e aptidão é da maior importância no trato da mediunidade. O médium experiente, segundo o conceito Kardeciano, dificilmente se deixa enganar pelos Espíritos mistificadores, por mais subtis que estes sejam. O médium apenas apto recebe comunicações absurdas, livros e até mesmo séries de livros, sem perceber que está servindo de instrumento a influências perniciosas. Daí a necessidade imprescindível de estudo do problema mediúnico para que a aptidão mediúnica seja bem aproveitada através da experiência que só o conhecimento propicia. (N. do T.)

Médiuns flexíveis - Os que têm faculdades que se prestam mais facilmente aos diversos géneros de comunicações, e pelos quais todos ou quase todos os Espíritos podem manifestar-se, espontaneamente ou por evocação.
Esta variedade de médiuns se aproxima bastante dos médiuns sensitivos.


Médiuns exclusivos - Os que recebem de preferência determinado Espírito, e até mesmo com a exclusão de todos os outros, respondendo ele pelos que são chamados através do médium.
Trata-se sempre de falta de flexibilidade. Quando o Espírito é bom, pode ligar-se ao médium por simpatia e com finalidade louvável. Quando é mau, tem sempre em vista submeter o médium à sua dependência.
É mais um defeito do que uma qualidade, e muito próximo da obsessão. (Ver o capítulo sobre Obsessão)


Médiuns de evocações - Os médiuns flexíveis são naturalmente mais convenientes para esse género de comunicações, mais aptos a responder às questões específicas que lhes forem propostas. Mas há, para os casos de evocação, médiuns inteiramente especiais. (10)
Suas respostas se limitam quase sempre a um quadro restrito, não servindo para o desenvolvimento de assuntos gerais.


Médiuns de ditados espontâneos - Os que recebem de preferência comunicações espontâneas de Espíritos não chamados. Quando se trata de faculdade especial, é difícil, e às vezes mesmo impossível fazer uma evocação por seu intermédio.
Não obstante, são melhor aparelhados que os da variedade anterior. Compreenda-se que a aparelhagem aqui referida é a dos elementos cerebrais, porque é frequentemente necessária, direi mesmo sempre, uma inteligência mais desenvolvida para os ditados espontâneos do que para as evocações. Entenda-se aqui, por ditados espontâneos, os que merecem verdadeiramente essa designação, e não algumas frases incompletas ou alguns pensamentos banais que se encontram geralmente nas anotações humanas. (11)


193. 3º) Segundo o género e a especialidade das comunicações:


Médiuns versificadores - São os que obtêm mais facilmente comunicações em versos. Muito comuns para os maus versos, muito raros para os bons. (12)


Médiuns poéticos - São os que, sem obter versos, recebem comunicações de estilo vaporoso, sentimental, sem qualquer tom de aspereza. São, mais que os outros, aptos à expressão dos sentimentos ternos e afectuosos. Tudo neles é vago, e seria inútil pedir-lhes algo de preciso. Muito comuns.


Médiuns positivos - Suas comunicações têm, em geral, um carácter de nitidez e precisão que se presta espontaneamente às explicações detalhadas e circunstanciadas, aos ensinamentos exactos. Muito raros. (13)


(10) O problema das evocações é dos mais complexos. As evocações de Kardec eram feitas para estudos. Nas sessões habituais de natureza religiosa não se fazem evocações. Como os Espíritos assinalam, na rota a essa classificação, os médiuns flexíveis servem apenas em parte. E Kardec lembra a existência de médiuns especiais para evocações, que dependem, como se vê na observação dos Espíritos ao item seguinte, de condições intelectuais mais amplas (nem sempre da encarnação actual). (N. do T.)


(11) O problema da banalidade das comunicações mediúnicas depende, como se vê, mais do médium que dos Espíritos. Os que generalizam essa acusação deviam inteirar-se das comunicações registradas na Revista Espírita e nas obras da Codificação, além de outras da literatura mediúnica, como as de Francisco Cândido Xavier. (N. do T.)


(12) Os críticos do Espiritismo insistem na semelhança entre as qualidades humanas e as dos Espíritos comunicantes. Desconhecem a lei de afinidade que rege as relações espirituais, tanto entre os homens quanto entre os Espíritos e entre estes e os homens. Veja-se que os médiuns versificadores e os poéticos são comuns, enquanto os positivos são raros, exactamente porque estão em relação às condições comuns ou raras dos homens e dos Espíritos que povoam a Terra e sua atmosfera espiritual. (N. do T.)


(13) Algumas comunicações publicadas na Revista Espírita ilustram esse caso. Muitas críticas foram feitas a elas. Mas o aspecto estranho do estilo, a incorrecção de certas frases e a impropriedade dos termos não diminuem o valor de seu conteúdo moral, e às vezes mesmo das explicações que fornecem. Médiuns que se afinam com Espíritos semelhantes a muitos cientistas terrenos que não gozam de facilidade de expressão, mas nem por isso deixam de escrever obras úteis.

Médiuns literários - Não têm o tom vago dos médiuns poéticos nem o terra-a-terra dos médiuns positivos, mas dissertam com sagacidade. Seu estilo é correcto, elegante e frequentemente de notável eloquência.


Médiuns incorrectos - Podem obter comunicações muito boas, pensamentos de elevada moralidade, mas seu estilo é difuso, incorrecto, sobrecarregado de repetições e termos impróprios.
A incorrecção material do estilo decorre geralmente da falta de cultura intelectual do médium, que não serve de bom instrumento para o Espírito nesse sentido. Mas o Espírito liga pouca importância a isso, porque para ele o pensamento é o essencial e vos deixa livres de lhe dar a forma conveniente. Já não se dá o mesmo com as ideias falsas e ilógicas de uma comunicação, que são sempre um indício de inferioridade do Espírito manifestante.


Médiuns historiadores - Os que têm aptidão especial para as dissertações históricas. Essa faculdade, como todas as outras, não depende dos conhecimentos do médium, pois há pessoas sem instrução, e até mesmo crianças, que tratam de assuntos muito além do seu alcance. Variedade rara de médiuns positivos. (14)


Médiuns científicos - Não dizemos sábios, porque podem ser até muito ignorantes mas apesar disso são especialmente aptos a receber comunicações relativas às Ciências.


Médiuns medicinais - Sua especialidade é a de servirem mais facilmente aos Espíritos que fazem prescrições médicas. Não se deve confundi-los com os médiuns curadores, porque nada mais faz do que transmitir o pensamento do Espírito, e não exercem por si mesmos nenhuma influência. Muito comuns.


Médiuns religiosos - Recebem mais especialmente comunicações de carácter religioso ou que tratam de questões relativas à religião, sem embargo de suas crenças e de seus costumes.
Médiuns filósofos e moralistas - Suas comunicações tratam geralmente de questões de moral ou de alta Filosofia. Muito comuns para as questões morais.
Todas essas classes constituem diversidade de aptidões dos bons médiuns. Quanto aos que têm aptidões especiais para certas comunicações científicas, históricas, médicas e outras, acima do seu alcance actual, podeis estar certos de que possuíram esses conhecimentos em outra existência e os conservam em estado latente, fazendo parte, assim, dos elementos cerebrais necessários à comunicação do Espírito. São esses elementos que facilitam ao Espírito a transmissão de suas ideias, de maneira que esses médiuns são para ele instrumentos mais inteligentes e maleáveis do que o seria um ignorante. - ERASTO.


Médiuns de comunicações triviais e obscenas
— Estas palavras indicam o género de comunicações que certos médiuns recebem habitualmente, e a natureza dos Espíritos que as transmitem. Quem tiver estudado o mundo espírita em todos os seus graus, sabe que há Espíritos cuja perversidade se iguala à dos homens mais depravados, e que se comprazem na tradução de seus pensamentos pelas mais grosseiras palavras. Outros, menos abjectos, contentam-se com expressões triviais. Compreende-se que esses médiuns devem ter o desejo de livrar-se da preferência de tais Espíritos, invejando os que recebem comunicações que jamais trouxeram uma palavra inconveniente. Só por uma estranha aberração mental e falta de bom senso se poderia crer que semelhante linguagem pudesse provir dos Espíritos bons. (15)


(14) Numerosos exemplos se encontram na Revista Espírita. A bibliografia mediúnica mundial apresenta também numerosos casos. Entre nós, Francisco Cândido Xavier é o exemplo por excelência. Quanto ao caso dos médiuns crianças é bom lembrar que o próprio O Livro dos Espíritos foi escrito com o auxílio de duas adolescentes, Julie e Caroline Boudin, respectivamente de 14 e 16 anos, ambas de desenvolvimento mental e cultura muito aquém dos assuntos tratados naquela obra. As explicações parapsicológicas que actualmente se pretende, de má fé, opor à importância desse fato são insuficientes para justificar os diversos aspectos do problema. (N. do T.)


(15) Essa aberração existiu no tempo de Kardec e ainda persiste, dada a natureza inferior do nosso mundo. Há pessoas que aceitam essas comunicações como provas a que seus guias as submetem. Essa a razão de Kardec se referir ao problema. (N. do T.)

194. 4º) Segundo as qualidades físicas do médium:


Médiuns calmos - Os que sempre escrevem com certa lentidão, sem a menor agitação.


Médiuns velozes - Os que escrevem com uma rapidez que não poderiam desenvolver voluntariamente em seu estado normal. Os Espíritos se comunicam por eles com a rapidez do relâmpago. Dir-se-ia que possuem uma superabundância de fluido, que lhes permite identificação instantânea com o Espírito. Essa qualidade tem às vezes o inconveniente de tornar, pela rapidez, a escrita quase ilegível para outras pessoas além do médium.
É muito cansativa, porque despende muito fluido inutilmente.


Médiuns convulsivos - Permanecem num estado de super excitação quase febril. Sua mão, e às vezes todo o corpo, se agita num tremor que não conseguem dominar. A causa disso está sem dúvida na sua própria constituição, mas depende muito, também, da natureza dos Espíritos que se comunicam. Os Espíritos bons e benevolentes produzem uma impressão agradável e suave; os maus, pelo contrário, uma penosa impressão.
Esses médiuns só devem servir-se raramente de sua faculdade, pois o uso muito frequente pode afectar-lhes o sistema nervoso. (Ver o capítulo sobre a Identidade dos Espíritos, distinção dos Espíritos bons e maus).


195. 5º) Segundo as qualidades morais do médium:


Mencionamo-los sumariamente, lembrando-os apenas para completar o quadro, pois serão tratados a seguir em capítulos especiais: da Influência moral dos médiuns, da Obsessão, da Identidade dos Espíritos e outros, para os quais pedimos particular atenção. Veremos a influência que as qualidades e as dificuldades dos médiuns podem exercer quanto à segurança das comunicações, e quais os que com razão poderemos considerar médiuns imperfeitos ou bons médiuns.


196. Médiuns imperfeitos:


Médiuns obsedados - Os que não podem livrar-se dos Espíritos importunos e mistificadores, mas não se enganam com eles.


Médiuns fascinados - Os que são enganados pelos Espíritos mistificadores e se iludem com a natureza das comunicações recebidas.


Médiuns subjugados - Os que são dominados moralmente e muitas vezes fisicamente pelos Espíritos maus.


Médiuns levianos - Os que não levam a sério a sua faculdade, servindo-se dela apenas como divertimento ou para finalidades fúteis.


Médiuns indiferentes - Os que não tiram nenhum proveito moral das instruções recebidas e não modificam em nada sua conduta e seus hábitos.


Médiuns presunçosos - Os que têm a pretensão de estar em relação somente com os Espíritos superiores. Julgam-se infalíveis e consideram inferior e erróneo o que não vem por seu intermédio.


Médiuns orgulhosos - Os que se envaidecem com as comunicações recebidas. Acham que nada mais têm a aprender no Espiritismo, não tomando para eles as lições que frequentemente recebem dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem obter todas.

Médiuns susceptíveis - Variedade de médiuns orgulhosos que se aborrecem com as críticas às suas comunicações. Chocam-se com a menor observação. Quando mostram o que receberam é para causar admiração e não para provocar opiniões. Geralmente tomam aversão pelas pessoas que não os aplaudem sem reservas, afastando-se das reuniões em que não podem impor-se e dominar.
Deixai-os ir pavonear onde quiserem e procurar ouvidos mais complacentes, ou que se isolem. As reuniões de que se afastam nada perdem. - Erasto.


Médiuns mercenários - Os que exploram as suas faculdades.


Médiuns ambiciosos - Os que, sem vender suas faculdades, esperam obter com elas outras vantagens.


Médiuns de má fé - Os que, tendo faculdades reais, simulam as que não têm para se dar importância. Não se pode dar o título de médium às pessoas que, não tendo nenhuma faculdade mediúnica, só produzem fenómenos falsos, pela charlatanice.


Médiuns egoístas - Os que só se servem de suas faculdades para uso pessoal e guardam para si mesmos as comunicações recebidas.


Médiuns ciumentos - Os que encaram com despeito os médiuns mais considerados que eles e que lhes são superiores.
Todas essas más qualidades têm necessariamente a sua contrapartida no bem.


197. Bons médiuns:


Médiuns sérios - Os que só utilizam suas faculdades para o bem e para finalidades realmente úteis. Julgam profaná-las pondo-as ao serviço dos curiosos e dos indiferentes, ou para futilidades.


Médiuns modestos - Os que não se atribuem nenhum mérito pelas comunicações recebidas, por melhores que sejam. Consideram-nas como alheias e não se julgam livres de mistificações. Longe de fugirem às advertências imparciais, eles as solicitam.


Médiuns devotados - Os que compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar os seus gostos, seus hábitos, seus prazeres, seu tempo e até mesmo os seus interesses materiais em favor dos outros.


Médiuns seguros - Os que, além da facilidade de recepção, merecem a maior confiança em virtude de seu carácter, da natureza elevada dos Espíritos que os assistem, sendo portanto menos expostos a ser enganados. Veremos mais tarde que essa segurança nada tem que ver com os nomes mais ou menos respeitáveis usados pelos Espíritos.
É incontestável e bem o percebeis, que expondo assim as qualidades e os defeitos dos médiuns, se provocará a contrariedade e até mesmo a animosidade de alguns. Mas, que importa? A mediunidade se expande cada vez mais, e o médium que levar estas reflexões a mal provará apenas que não é um bom médium, quer dizer, que é assistido por Espíritos maus. De resto, como já disse, tudo isso passará logo e os maus médiuns, que abusam ou mal empregam as suas faculdades, sofrerão tristes consequências, como já aconteceu para alguns. Eles aprenderão à própria custa o que devem pagar ao reverterem em proveito de suas paixões terrenas um dom que Deus lhes concedera para o seu progresso moral. Se não podeis reconduzi-los ao bom caminho, lamentai-os, pois vos posso dizer que Deus os reprova. (ERASTO).


Esse quadro é de grande importância, não só para os médiuns sinceros que procurarem de boa fé, ao lê-lo, preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, pois lhes darão a medida do que podem racionalmente esperar. Deveria estar constantemente sob os olhos dos que se ocupam de manifestações, assim como a escala espírita de que é complemento. Esses dois quadros resumem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que pensais, para repor o Espiritismo no seu verdadeiro caminho. (SÓCRATES)


Referencia: O livro dos médiuns

Formação dos seres vivos


Formação dos Seres Vivos


43. Quando a Terra começou a ser povoada?
— No começo, tudo era caos; os elementos estavam fundidos. Pouco a pouco, cada coisa tomou o seu lugar; então, apareceram os seres vivos, apropriados ao estado do globo.


44. De onde vieram os seres vivos para a Terra?
— A Terra continha os germes, que esperavam o momento favorável para desenvolver-se. Os princípios orgânicos reuniram-se desde o instante em que cessou a força de dispersão, e formaram os germes de todos os seres vivos. Os germes permaneceram em estado latente e inerte, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício à eclosão de cada espécie; então, os seres de cada espécie se reuniram e multiplicaram.


45. Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra?
— Estavam, por assim dizer, em estado fluídico no espaço, entre os Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começarem uma nova existência sobre um novo globo.
A Química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formar cristais de uma regularidade constante, segundo cada espécie, desde que estejam nas condições necessárias. A menor perturbação destas condições é suficiente para impedir a reunião dos elementos, ou pelo menos a disposição regular que constitui o cristal. Por que não ocorreria o mesmo com os elementos orgânicos? Conservamos durante anos germes de plantas e de animais, que não se desenvolveram a não ser numa dada temperatura e num meio apropriado; viram-se grãos de trigo germinar depois de muitos séculos. Há, portanto, nesses germes, um princípio latente de vitalidade, que só espera uma circunstância favorável para desenvolver-se. O que se passa diariamente sob os nossos olhos, não pode ter existido desde a origem do globo? Esta formação dos seres vivos, saindo do caos pela própria força da Natureza, tira alguma coisa à grandeza de Deus? Longe disso, corresponde melhor à ideia que fazemos de seu poder, a exercer-se sobre os mundos infinitos através de leis eternas. Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas Deus tem os seus mistérios, e estabeleceu limites às nossas investigações.


46. Há seres que ainda nascem espontaneamente?
— Sim, mas o germe primitivo já existia em estado latente. Sois, todos os dias, testemunhas desse fenómeno. Os tecidos dos homens e dos animais não contêm os germes de uma multidão de vermes que esperam, para eclodir, a fermentação pútrida necessária à sua existência? É um pequeno mundo que dormita e desperta.


47. A espécie humana se achava entre os elementos orgânicos do globo terrestre?
— Sim, e veio a seu tempo. Foi isso que deu motivo a dizer-se que o homem foi feito do limo da Terra.


48. Podemos conhecer a época da aparição do homem e de outros seres vivos na Terra?
— Não; todos os vossos cálculos são quiméricos.


49. Se o germe da espécie humana estava entre os elementos orgânicos do globo, porque os homens não mais se formam espontaneamente, como em sua origem?
— O princípio das coisas permanece nos segredos de Deus; mas podemos dizer que os homens, uma vez dispersos sobre a Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua formação, para transmiti-los segundo as leis da reprodução. O mesmo aconteceu com as demais espécies de seres vivos.


Referencia: O livro dos espíritos

A realeza de jesus


A Realeza de Jesus


4. O reino de Jesus não é deste mundo. Isso todo compreende. Mas sobre a Terra ele não terá também uma realeza? O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que, por seu génio, se colocam em primeiro lugar em alguma actividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados? Ela é imperecível enquanto a outra depende das circunstâncias; ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto a outra é, às vezes, amaldiçoada. A realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.


Referencia: O evangelho segundo o espiritismo

A revelação do mundo


A Revelação do Mundo


O Mundo vem se revelando aos homens lentamente, através dos milénios em que as gerações se sucedem. Mas a verdade é que, somente neste século, graças a um extraordinário aceleramento das Ciências, a sua realidade começa a desvendar-se aos nossos olhos. Quando o homem apareceu na Terra o Mundo já era velho de muitos milhões de anos. Esse animal curioso, dotado de inteligência indagadora, começou por conhecer apenas a epiderme do mundo, assim mesmo em reduzida extensão. Vivendo e se multiplicando entre mistérios e assombros, as gerações humanas formaram uma imagem do Mundo que hoje nos aparece como um quadro fantástico de pintor paranormal. Revelações simbólicas foram feitas aos homens sobre as origens do mundo, sua natureza e sua finalidade. As mais complexas e significativas permaneceram nas tradições dos povos e nas suas Escrituras Sagradas. Entre elas se destaca a do livro bíblico Génese, atribuído a Moisés e adoptado nas igrejas judaicas e cristãs como verdade indiscutível. De outro lado, graças à espantosa capacidade intuitiva dos gregos, surgiram as primeiras explicações humanas e racionais das origens. Com Leucipo e Demócrito, por exemplo, surgiu em Atenas a ideia do átomo, que seria uma partícula infinitesimal e indivisível, da qual todas as coisas seriam feitas. À ideia judaica de que Deus tirara o Mundo do nada apenas com sua voz, com o seu verbo, os gregos opunham a ideia do átomo, da água, do fogo, do ar, e a notável concepção matemática de Pitágoras, segundo a qual Deus era o número Um, que pairava solitário no Inefável e, de repente, por um estremecimento, produzira o número três e desencadeara a década, a sequência de números de um a dez formando o Mundo.


Essas ideias conflitivas reduziram-se, com o avanço cultural, a duas concepções opostas: a religiosa, considerada definitiva e a única verdadeira, e a científica, baseada em hipóteses que exigiam longas pesquisas para a sua comprovação. No século XIX o problema continuava num impasse. A Igreja sustentava a verdade da revelação feita a Moisés pelo próprio Deus, e as Ciências se empenhavam nas investigações possíveis da verdade oculta. A maioria das pessoas cultas rejeitava a explicação bíblica ou a tomava apenas como simbólica, aguardando uma futura explicação dos símbolos. A massa popular flutuava entre uma posição e outra, tendendo cada vez mais para a descrença em Deus e a aceitação das ideias materialistas. Nesse tempo desencadearam-se as manifestações espíritas espontâneas, nos Estados Unidos e na Europa, chamando a atenção dos cientistas para esses fatos estranhos. O professor Denizard Rivail, bacharel em ciência e pedagogo, discípulo de Pestalozzi, director de estudos da Universidade de França, na qual suas obras pedagógicas haviam sido adoptadas, interessou-se pelo assunto, por insistência de amigos, e acabou se empolgando com o assunto. Dedicou-se primeiramente à observação dos fenómenos, sobre os quais formulou várias hipóteses materialistas. Verificou depois, nas famosas experiências com as meninas Boudin, uma de 14 e outra de 16 anos, que era inegável a intervenção de uma inteligência estranha ao ambiente. Entregou-se então a sérias pesquisas científicas e conseguiu demonstrar que a inteligência produtora dos fenómenos era humana. A continuidade das pesquisas provou que os manifestantes eram Espíritos de pessoas falecidas. Fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, para dar regularidade e maior precisão às pesquisas. Em 1857, lançou O Livro dos Espíritos, obra com a qual fundava o Espiritismo. Estava iniciada uma fase nova e difícil no campo das Ciências. A posição materialista das Ciências, voltadas para a realidade exclusivamente sensorial, levou-as a rejeitar a Ciência Espírita e condená-la como destituída de bases científicas. Mas Kardec declarou a incompetência das Ciências materialistas para opinar sobre o assunto e prosseguiu nas pesquisas e na divulgação de seus resultados através da Revista Espírita, que fundou para esse fim. Grandes cientistas e renome escritores, expoentes da cultura francesa, interessaram-se pelos fenómenos e o apoiaram individualmente. Na Sociedade Parisiense, Camille Flammarion, o grande e famoso astrónomo, director do Observatório de Jouvisy, que se revelara médium psicógrafo, recebeu numerosas mensagens de Galileu sobre questões de Astronomia. O famoso teatrólogo Victorien Sardou, que não era e nunca fora desenhista, ilustrava com desenhos mediúnicos as informações dos Espíritos sobre os mundos do espaço sideral.


Foi nesse ambiente de entusiasmo pela pesquisa espírita e seus resultados positivos, que o professor Denizard Rivail, já então conhecido pelo pseudónimo de Allan Kardec, resolveu elaborar uma obra sobre a Génese, a criação da Terra e não o livro bíblico. Não obstante, tratava do livro em comparação com a nova concepção da origem planetária que surgia das pesquisas e da Doutrina Espírita. Em Janeiro de 1868 lançava o livro nas livrarias de Paris, levantando celeumas e críticas, mas também colhendo aplausos e louvores. A Génese foi a obra que encerrou a Codificação do Espiritismo. Um ano depois, Kardec falecia, deixando seu corpo sepultado no Cemitério de Père-Lachaise e retornando ao Mundo Espiritual, que revelara cientificamente aos homens. Seu túmulo, até hoje, é o único do famoso cemitério que se mantém permanentemente coberto de flores, pela devoção de franceses, belgas e pessoas de outros países vizinhos da França. Os seus admiradores recompensam, assim, com as generosas e permanentes ofertas de flores, os espinhos que teve de enfrentar na Terra, como homem pobre e dedicado aos estudos e pesquisas dos fenómenos espíritas. O Espiritismo deu origem às hoje chamadas pesquisas do paranormal. A antiga Parapsicologia alemã, a Ciência Psíquica inglesa, a Metapsíquica de Richet, na própria França, e a Parapsicologia actual nasceram das entranhas da Ciência Espírita e confirmam em nosso século a plena validade dessa Ciência.


Referência:A génese