domingo, 14 de outubro de 2007

Quadro sinóptico


Quadro Sinóptico


Resumimos a seguir os principais géneros de mediunidade a fim de apresentar, de alguma maneira, o seu quadro sinóptico, compreendendo os já descritos nos capítulos precedentes, com a indicação dos números em que foram tratados com mais detalhes.

Reunimos as diferentes variedades mediúnicas pelas semelhanças de causas e efeitos, sem que esta classificação seja absoluta. Algumas são encontradas com frequência; outras, pelo contrário, são raras e até mesmo excepcionais, o que tivemos o cuidado de mencionar.
Estas indicações foram inteiramente fornecidas pelos Espíritos que, além disso, reviram este quadro com particular cuidado e o completaram com numerosas observações e novas categorias, de tal maneira que ele é, por assim dizer, obra inteiramente deles.

Assinalamos, pondo-as em corpo tipográfico diferente (1) suas observações textuais, quando julgamos dever destacá-las. São, na maioria, de Erasto e de Sócrates.


187. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias:


Médiuns de efeitos físicos - Os que têm o poder de provocar os efeitos materiais ou as manifestações ostensivas. (Ver nº 160)


Médiuns de efeitos intelectuais - Os que são mais especialmente aptos a receber e a transmitir as comunicações inteligentes. (Ver nº 65 e seguintes)(2)
Todas as demais variedades se ligam mais ou menos directamente a uma ou a outra dessas duas categorias, e algumas participam de ambas. Analisando os diversos fenómenos produzidos sob influência mediúnica vê-se que há em todos um efeito físico, e que aos efeitos físicos se junta quase sempre um efeito inteligente.
É às vezes difícil estabelecer o limite entre ambos, mas isso não acarreta nenhuma dificuldade. Incluímos na classificação de médiuns de efeitos intelectuais os que podem mais especialmente servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas. (Ver nº 133)


188. Variedades comuns a todos os géneros de mediunidade:


Médiuns sensitivos - Pessoas susceptíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material. Na sua maioria distinguem os Espíritos bons ou maus pela natureza da sensação que causam. (Ver nº 164)
Os médiuns delicados e demasiado sensíveis devem abster-se de comunicações com Espíritos violentos ou cuja sensação é penosa, por causa da fadiga resultante.
Médiuns naturais ou inconscientes - Os que produzem fenómenos espontaneamente, sem querer, e na maioria das vezes à sua revelia. (Ver nº 161)
Médiuns facultativos ou voluntários - Os que têm o poder de provocar os fenómenos por um acto da própria vontade. (Ver nº 160)
Por maior que seja essa vontade, eles nada podem se os Espíritos se recusam, o que prova a intervenção de uma potência estranha. (3)


189. Variedades especiais para os efeitos físicos:


Médiuns tiptólogos - Os que produzem ruídos e pancadas. Variedade muito comum, com ou sem a participação da vontade.
(1) No original esse destaque foi feito por meio de aspas, de maneira que tivemos de mudar a referência às aspas, mas pomos em grifo as palavras da substituição. Trata-se apenas de uma questão de melhor disposição tipográfica. (N. do T.)


(2) Essa classificação mediúnica foi duplamente confirmada pela pesquisa científica. Primeiro, pela Metapsíquica, que dividiu os fenómenos em objectivos e subjectivos. Depois, pela actual Parapsicologia, que criou as classificações psigama e psikapa, designando a primeira os fenómenos intelectuais ou subjectivos, e a segunda os fenómenos objectivos ou materiais. Ambas as ciências reconheceram também as duas categorias de sensitivos (médiuns), com as diversas variedades ou classes constantes deste livro. (N. do T.)


(3) Quando Kardec se refere ao poder dos médiuns, à sua força ou potência, trata apenas da capacidade maior ou menor para servir de instrumentos aos Espíritos. Como se vê nessa observação, nenhum médium tem poder para provocar fenómenos ou comunicações se os Espíritos não concordarem. O poder dos médiuns, propriamente dito, decorre de sua elevação moral e consequente relação com Espíritos bons. (N. do T.)
Médiuns motores - Os que produzem movimentos dos corpos inertes. Muito comuns (Ver nº 61)


(4)
Médiuns de translações e suspensões - Os que produzem a translação de objectos através do espaço ou a sua suspensão, sem qualquer ponto de apoio. Há também os que podem elevar-se a si próprios. Mais ou menos raros, segundo a intensidade do fenómeno. Muito raros, no último caso. (Ver nº 75 e seguintes; nº 80)


Médiuns de efeitos musicais - Os que provocam a execução de músicas em certos instrumentos sem contacto. Muito raros. (Ver nº 74, pergunta 24)


Médiuns de transporte - Os que podem servir aos Espíritos para o transporte de objectos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translação. Excepcionais. (Ver nº 96)


Médiuns de aparições - Que provocam as aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito raros. (Ver nº 100, perg. 27; e nº 104)


Médiuns nocturnos - Os que só obtêm certos efeitos físicos na obscuridade. Eis a resposta de um Espírito sobre a possibilidade de se considerarem esses médiuns como uma variedade:
Certamente se pode fazer desses casos uma especialidade, mas o fenómeno se deve mais às condições ambientes que à natureza do médium ou dos Espíritos. Devo acrescentar que alguns escapam a essa influência do meio e que a maioria dos médiuns nocturnos poderiam, pelo exercício, chegar a produzir tanto na claridade quanto na obscuridade.
Essa variedade de médiuns é pouco numerosa. E é necessário dizer claramente que é graças a essa condição, que deixa toda liberdade ao emprego dos truques, de ventriloquismo e dos tubos acústicos, que os charlatães têm frequentemente abusado da credulidade, fazendo-se passar por médiuns para ganhar dinheiro.
Mas que importa? Os farsantes de gabinete como os farsantes da praça pública serão cruelmente desmascarados. Os Espíritos lhes provarão que fazem mal de imiscuir-se nos seus trabalhos. Sim, eu o repito: certos charlatães serão apanhados em flagrante de maneira bastante rude para desgostá-los do ofício de falsos médiuns. De resto, tudo isso não durará muito tempo. - ERASTO.(5)


Médiuns pneumatógrafos - Os que obtêm a escrita directa. Fenómeno muito raro e sobretudo muito fácil de imitar pela charlatanice. (Ver nº 177)


Médiuns curadores - Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece.


Observação - Os Espíritos insistiram, contra a nossa opinião, para colocarmos a escrita directa entre fenómenos de ordem física, pela razão, segundo disseram, de que: "os efeitos inteligentes são os que o Espírito produz servindo-se dos elementos existentes no cérebro do médium, o que não é o caso da escrita directa. A acção do médium é nesta inteiramente material, enquanto no médium escrevente, mesmo que seja completamente mecânica, o cérebro tem sempre um papel activo.(6)


(4) A Parapsicologia actual se debate em grande dificuldade para provar cientificamente a existência dos fenómenos de movimento de objectos, levitações etc. Mas isso decorre dos métodos inadequados de pesquisa e em grande parte da negação sistemática e a priori de muitos parapsicólogos materialistas ou sectários. A chamada escola de Rhine sustenta a prova científica feita em laboratório dos fenómenos psikapa ou físicos, enquanto a escola soviética e os sectores católicos a contestam, embora sem unanimidade. (N. do T.)


(5) Estudos dos Profs. Imoda, Richet e Fontenay, publicados no livro do primeiro, "Fotografias de Fantasmas", referente a experiências com a médium Linda Gazzera, sustentam cientificamente essa mesma tese de Erasto, de que os médiuns nocturnos podem passar a agir em plena luz, mediante a evolução do fenómeno. As sessões no escuro são hoje numerosas e seria bom que o aviso de Erasto fosse mais lido e divulgado, em benefício dos próprios médiuns. (N. do T.)


(6) Observe-se a curiosa prova de independência dos Espíritos, fazendo incluir a escrita directa entre os fenómenos físicos e justificando plenamente a exigência. Os efeitos inteligentes requerem o concurso dos elementos inteligentes ou culturais do médium (culturais num sentido reencarnacionista). A explicação de não servir a escrita directa para comunicações em forma de conversação está precisamente nisso. A produção do efeito material da escrita exige muito no plano da matéria deixando pouca margem para a troca de ideias. (N. do T.)
Esta faculdade não é essencialmente mediúnica, pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns ou não. Frequentemente não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons. (Ver nº 175)(7)
Médiuns excitadores - Os que têm a faculdade de desenvolver nos outros, por sua influência, a faculdade de escrever.


190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais; aptidões diversas.


Médiuns audientes - Os que ouvem os espíritos. Muito comuns. (Ver nº 165)
Há muitas pessoas que imaginam ouvir o que só existe na sua própria imaginação.


Médiuns falantes - Os que falam sob influência dos Espíritos. Muito comuns. (Ver nº 166)


Médiuns videntes - Os que vêem os Espíritos em estado de vigília. A visão acidental e fortuita de um Espírito, em determinada circunstância, é muito frequente, mas a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem qualquer distinção, é excepcional. (Ver nº 167)
A condição actual do nosso organismo físico ainda se opõe a essa aptidão, eis porque é conveniente não acreditar sempre, sem provas, nos que dizem ver os Espíritos.


Médiuns inspirados - Os que recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes sem o saberem, seja para as atitudes ordinárias da vida ou para os grandes trabalhos intelectuais. (Ver nº 182)


Médiuns de pressentimento - Os que, em certas circunstâncias, têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro. (Ver nº 184)


Médiuns proféticos - Variedade de médiuns inspirados ou de pressentimento que recebem, com a permissão de Deus e com maior precisão que os médiuns de pressentimento, a revelação de ocorrências futuras de interesse geral, que estão encarregados de transmitir aos outros para fins instrutivos.


Se há verdadeiros profetas, há também os falsos e ainda em maior número, que tomam os devaneios da própria imaginação por revelações, quando não se trata de mistificadores que o fazem por ambição. (Ver nº 624 de O Livro dos Espíritos sobre as características do verdadeiro profeta.)


Médiuns sonâmbulos - Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos. (Ver nº 172)
Médiuns extáticos - Os que, em estado de êxtase, recebem revelações dos Espíritos.

Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos enganadores que se aproveitam da sua exaltação. São muito raros os que merecem inteira confiança. (8)


Médiuns pintores ou desenhistas - Os que pintam ou desenham sob influência dos Espíritos. Tratamos dos que obtêm produções sérias, pois não se poderia dar esse nome a certos médiuns que os Espíritos zombadores fazem produzir coisas grotescas que desacreditariam o estudante mais atrasado.
Os Espíritos levianos são imitadores. Quando apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos desenhistas, com os quais os Espíritos brincalhões se divertiram, fazendo-os produzir as coisas mais ridículas. Um deles, para eclipsar os desenhos de Júpiter, senão pela qualidade ao menos pelo tamanho, fez um médium desenhar um monumento que exigiu o número suficiente de folhas de papel para atingir os seus dois andares. Muitos outros fizeram desenhar supostos retratos que eram verdadeiras caricaturas. (Ver Revista Espírita de Agosto de 1858)


Médiuns musicais - Os que executam, compõem ou escrevem músicas sob influência dos Espíritos. Há médiuns musicais mecânicos, semi-mecânicos, intuitivos e inspirados, como se dá com as comunicações literárias. (Ver o tópico sobre Médiuns de Efeitos Musicais)


(7) Trata-se do magnetismo e da mediunidade generalizada, faculdades humanas naturais, que todas as criaturas possuem. Kardec assinala que não é essencialmente mediúnica para não confundi-la com a mediunidade específica, de que trata este capítulo. (N. do T.)


(8) Esta uma das razões porque o Espiritismo rejeita o método de observação do mundo invisível pelo desprendimento espiritual. As observações dos estáticos, dos sonâmbulos e dos médiuns de desdobramento estão sujeitas a muitos erros e não oferecem a possibilidade de controle científico da pesquisa mediúnica. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

Ezequiel contra a eternidade das penas e o pecado original


Ezequiel Contra a Eternidade das Penas e o Pecado Original


25 — Aos que pretendem encontrar na Bíblia a justificação da eternidade das penas podemos opor os textos contrários, que não permitem nenhuma dúvida a respeito. As seguintes palavras de Ezequiel são a mais decisiva negação, não somente das penas irremissíveis, mas também da possibilidade de recair sobre toda a sua descendência a falta cometida pelo pai do género humano:


1) Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2) Que tendes vós, vós que acerca da terra de Israel proferiste este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? 3) Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel. 4) Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. 5) Sendo, pois, o homem justo e fazendo juízo e justiça; 7) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor a coisa penhorada, não roubando, dando o seu pão ao faminto e cobrindo ao nu com vestes; 8) não dando seu dinheiro à usura, não recebendo juros, desviando a sua mão da injustiça e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; 9) andando nos meus estatutos, guardando os meus juízos e procedendo rectamente o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus.


10) Se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas.


13) Esse filho morrerá, por todas estas abominações que ele fez e o seu sangue será sobre ele.


14) Eis que, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes,


17) não morrerá pela iniquidade de seu pai, mas certamente viverá.


18) Quanto a seu pai, porque praticou extorsão, roubou os bens do próximo e fez o que não era bom no meio do seu povo, eis que morrerá por causa de sua iniquidade.


19) Mas direis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era recto e justo e guardou todos os meus estatutos e os praticou, por isso certamente viverá.


20) A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele e a perversidade do perverso cairá sobre este.


21) Mas se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é recto e justo, certamente viverá, não será morto. 22) De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá.


23) Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus. Não, desejo eu antes que ele se converta do seu caminho e viva. (Ezequiel, Cap., XVIII, vs. 1 a 23.)


11) Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. (Ezequiel, Cap. XXXIII, v. 11)(24)


(24) Nota-se a falta do versículo 6 do Cap. XVIII de Ezequiel. A omissão foi propositada. Kardec deixou de lado esse versículo porque ele se refere a ordenações judaicas da lei de pureza (superadas pelo Evangelho) como se pode ver conferindo-se o texto com a Bíblia. Como se pode alegar que a omissão oculta segunda intenção o que se já tem feito, damos aqui esse versículo: "Não comendo carne sacrificada nos altos, nem levantando os olhos para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua menstruação." Como se vê, esse versículo quebra a harmonia do texto em sua aplicação actual. Os vs. 12, 15 e 16 foram também suprimidos porque repetem aquelas ordenações.
Tanto no original francês, como em todas as traduções correntes entre nós ocorreu também um erro de citação, que corrigimos aqui. O versículo 23 do Cap. XVIII foi mencionado como pertencente ao Cap. XXVIII. Um pequeno engano, certamente gráfico, ainda hoje mantido nas próprias edições francesas e belgas. (N. do T.)


Referência:O céu e o inferno

A vida futura


1. "Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo: se o meu reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz". (João, cap. XVIII, 33-37).

A Vida Futura


2. Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objecto das principais preocupações do homem sobre a Terra. Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não crêem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris.
Esse dogma pode ser considerado, portanto, como o ponto central do ensinamento do Cristo. Eis porque está colocado entre os primeiros, no início desta obra, pois deve ser a meta de todos os homens. Só ele pode justificar os absurdos da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.


3. Os judeus tinham ideias muito imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens terrenos, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias que obteriam sobre os inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram os castigos da desobediência. Moisés o confirmou, ao dizer essas coisas, ainda mais fortemente, a um povo ignorante, de pastores, que precisava ser tocado antes de tudo pelos interesses deste mundo. Mais tarde, Jesus veio lhes revelar que existe outro mundo, onde a justiça de Deus se realiza. É esse mundo que ele promete aos que observam os mandamentos de Deus. É nele que os bons são recompensados. Esse mundo é o seu reino, no qual se encontra em toda a sua glória, e para o qual voltará ao deixar a Terra.
Jesus, entretanto, conformando o seu ensino ao estado dos homens da época, evitou de lhes dar o esclarecimento completo, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, portanto, crê forçosamente na vida futura, mas a ideia que muitos fazem dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos. Para grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza decisiva, e daí as dúvidas, e até mesmo a incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material, provada pelos factos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma ideia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus.


Referência: O evangelho segundo o espiritismo

domingo, 7 de outubro de 2007

Médiuns especiais


Médiuns Especiais


185. Além das categorias mediúnicas já enumeradas, a mediunidade apresenta infinitas variedades que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares ainda não definidas, abstraindo-se as qualidades próprias e os conhecimentos do Espírito manifestante.
A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação ou da sua inferioridade, do seu saber ou da sua ignorância. Mas apesar da semelhança de grau, no tocante à hierarquia, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas; entre os que dão manifestações inteligentes há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, sábios, moralistas, médicos, etc.


Referimo-nos a Espíritos de uma ordem mediana, porque num grau mais elevado as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas ao lado da aptidão do Espírito existe a do médium, instrumento que é para ele mais ou menos cómodo, mais ou menos flexível, e no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.
Façamos uma comparação. Um músico bastante hábil tem ao seu dispor numerosos violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença, percebendo nuances de extrema delicadeza que o farão escolher uns e rejeitar outros, nuances que ele percebe por intuição, sem poder defini-las. Acontece o mesmo em relação aos médiuns: apesar da igualdade de condições quanto à potência mediúnica, o Espírito dará preferência a um ou a outro, segundo o género de comunicações que deseja transmitir. Assim, por exemplo, vêem-se alguns escreverem, como médiuns, admiráveis poesias, quando nas condições ordinárias jamais puderam ou souberam fazer versos. Outros, pelo contrário, são poetas, mas como médiuns só escrevem prosa, apesar do seu desejo de escrever poesias. Acontece o mesmo com o desenho, a música etc.


Há médiuns que, sem possuírem conhecimentos científicos, são mais aptos a receber comunicações dessa ordem. Outros são mais aptos para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes a Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade do médium, as comunicações que recebe com mais facilidade têm geralmente um cunho especial. Há ainda os que nunca saem de um determinado campo, e quando deles se afastam só recebem comunicações incompletas, lacónicas e muitas vezes falsas.
Além da questão das aptidões, os Espíritos ainda se comunicam dando preferência mais ou menos acentuada a este ou àquele médium, de acordo com as suas simpatias. Dessa maneira, apesar da plena semelhança de condições, o mesmo Espírito será mais explícito através de certos médiuns, unicamente porque esses melhor lhe convêm.


186. Seria erróneo querer obter-se, só por se dispor de um bom médium escrevente, boas comunicações de todos os géneros. A primeira condição é a de assegurar-se da fonte dessas comunicações, quer dizer, das qualidades do Espírito que as transmite. Mas não é menos necessário atentar para as qualidades do instrumento mediúnico. Temos pois de estudar a natureza do médium como se faz com a do Espírito, porque são eles os elementos essenciais para um resultado satisfatório. Mas há um terceiro elemento igualmente importante, que é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga o Espírito. E isso é fácil de compreender.
Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom. Para que esse Espírito bom possa transmiti-la precisa dispor de um bom instrumento. Para que ele queira transmiti-la, é necessário que o objectivo lhe convenha.
O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão proposta merece uma resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Caso contrário, não perde tempo lançando boas sementes nas pedras. É então que os Espíritos levianos e zombeteiros se intrometem, porque, pouco se importando com a verdade, não encaram o assunto como deviam e são geralmente bem pouco escrupulosos no tocante aos meios e aos objectivos.


Referência:O livro dos médiuns

sábado, 6 de outubro de 2007

Médiuns de pressentimentos


Médiuns de Pressentimentos


184. O pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode-se tratar de uma espécie de dupla vista que lhes permite ver as consequências do presente e o encadeamento natural dos acontecimentos. Mas muitas vezes também é o resultado das comunicações ocultas, e é sobretudo nesse caso que se podem chamar de médiuns de pressentimentos as pessoas assim dotadas, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. (8)


(8) Note-se a explicação sucinta e clara do problema, tão discutido hoje no campo parapsicológico, da precognição ou percepção do futuro. Trata-se de uma visão espiritual do encadeamento dos acontecimentos (ou dos fatos, a partir do presente), que apesar disso não se processa fatalmente, pois a cadeia de fatos decorre sempre, no plano humano, das decisões do livre-arbítrio. (N. do T.)
Referência:O livro dos médiuns