segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Só hoje


Só Hoje


"Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado".(Mateus 6:34)
A cada dia, a vida te pede cooperação e desempenho, para que faça tudo que estiver em teu alcance, só hoje.
Aquilo que não te for possível fazer, deixa por conta de Deus, lembra-te, os mecanismos providenciais estão sempre funcionando emteu favor, mesmo quando não os perceba.
A hora é agora. Em qualquer situação, oferece o melhor de ti mesmo e vive todo o bem que puderes, só hoje.
Compartilha tua afectividade sem economia e experimenta a satisfação de amar, só hoje.Abraça a causa do bem colectivo não esmorecendo jamais e rejubila-te nascolheitas fartas da serenidade, só hoje.
Reparta o que puderes dispor e desfruta a lucidez mental para a solução de teus conflitos íntimos, só hoje.
Colabora com tua habilidade e capacidade inatas para o engrandecimento da humanidade e vivência a plenitude da realização pessoal, só hoje."Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã".
A felicidade não estádistante, mas aqui e agora. A alegria não está no objectivo a ser alcançado, e sim no caminho a ser percorrido, só hoje.

Hamed

Os espíritos durante os combates



X – Os Espíritos Durante os Combates


541. Numa batalha há Espíritos que a assistem e que amparam cada uma das forças em luta?
— Sim, e que estimulam a sua coragem.
Assim os antigos nos representavam os deuses tomando partido por este ou aquele povo. Esses deuses nada mais eram do que os Espíritos representados por figuras alegóricas.


542. Numa guerra a justiça está sempre de um lado; como os Espíritos tomam partido a favor do errado?
— Sabeis perfeitamente que há Espíritos que só buscam a discórdia e a destruição. Para eles a guerra é a guerra; a justiça da causa pouco lhes importa.


543. Certos Espíritos podem influenciar o general na concepção dos seus planos de campanha?
— Sem nenhuma dúvida. Os Espíritos podem influenciá-lo nesse sentido, como em todas as concepções.


544. Os maus Espíritos poderiam suscitar-lhe planos errados, com vistas à derrota?
— Sim, mas não tem ele o seu livre-arbítrio? Se o seu raciocínio não lhe permite distinguir uma ideia certa de uma falsa, terá de sofrer as consequências e faria melhor em obedecer do que em comandar.


545. O general pode, algumas vezes, ser guiado por uma espécie de dupla vista, uma visão intuitiva que lhe mostre por antecipação o resultado dos seus planos?
— É frequentemente o que acontece com o homem de génio. E o que ele chama inspiração e lhe permite agir com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem e se servem das faculdades de que ele é dotado.


546. No tumulto do combate o que acontece aos espíritos dos que sucumbem? Ainda se interessam pela luta, após a morte?
— Alguns continuam a se interessar, outros se afastam.
Nos combates acontece o mesmo que se verifica em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento o Espírito fica surpreso e como aturdido, não acreditando que está morto; parece-lhe ainda tomar parte na acção. Não é senão pouco a pouco que a realidade se lhe impõe.


547. Os Espíritos que se combatiam quando vivos, uma vez mortos se reconhecem como inimigos e continuam ainda excitados uns contra os outros?
— Nesses momentos o Espírito jamais se mostra calmo. No primeiro instante ele ainda pode odiar ao seu inimigo e mesmo o perseguir. Mas quando as ideias se lhe acalmarem verá que a sua animosidade não tem mais razão de ser. Não obstante poderá ainda conservar resquícios maiores ou menores, de acordo com o seu carácter.


547-a. Ouve ainda o fragor da batalha?
— Sim, perfeitamente.


548. O Espírito que assiste friamente a um combate, como espectador, testemunha a separação entre a alma e o corpo? E como esse fenómeno se apresenta a ele?
— Há poucas mortes realmente instantâneas. Na maioria das vezes o Espírito cujo corpo foi mortalmente ferido não tem consciência disso no mesmo instante. Quando começa a retomar consciência é que se pode distinguir o Espírito a mover-se ao lado do cadáver. Isso parece tão natural que a vista do corpo morto não produz nenhum efeito desagradável. Toda a vida tendo sido transportada no Espírito, somente ele chama a atenção e é com ele que o espectador conversa ou a quem dá ordens.


Referência: O Livro dos espíritos

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Moisés


Moisés

2. Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés. Uma é invariável; a outra é apropriada aos costumes e ao carácter do povo, e se modifica com o tempo.

A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:

I _ Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas debaixo da terra. Não adorarás nem lhes darás culto.

II _ Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.

III _ Lembra-te de santificar o dia de sábado.

IV _ Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.

V _ Não matarás.

VI _ Não cometerás adultério.

VII _ Não furtarás.

VIII _ Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

IX _ Não desejarás a mulher do próximo.

X _ Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.

Esta lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um carácter divino. Todas as demais são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater alguns abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão no Egipto. Para dar autoridade às suas leis, ele teve de lhes atribuir uma origem divina, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem devia apoiar-se sobre a autoridade de Deus. Mas só a ideia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos. É evidente que aquele que havia estabelecido em seus mandamentos: "não matarás" e "não farás mal ao teu próximo", não poderia contradizer-se, ao fazer do extermínio um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, portanto, um carácter essencialmente transitório.

Referência: O evangelho segundo o espiritismo

sorte das crianças após a morte


V - Sorte das Crianças Após a Morte


197. O Espírito de uma criança morta em tenra idade é tão adiantado como o de um adulto?
— Às vezes bem mais, porque pode ter vivido muito mais e possuir maiores experiências sobretudo se progrediu.


197-a. O Espírito de uma criança pode então ser mais adiantado que o do seu pai?
— Isso é bastante freqüente; não o vedes tantas vezes na Terra?


198. O Espírito da criança que morre em tenra idade, não tendo podido fazer o mal, pertence aos graus superiores?
— Se não fez o mal, também não fez o bem, e Deus não o afasta das provas que deve sofrer. Se é puro, não é pelo fato de ter sido criança, mas porque já se havia adiantado.


199. Por que a vida se interrompe com freqüência na infância?
— A duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é freqüentemente uma prova ou uma expiação para os pais.


199-a. Em que se transforma o Espírito de uma criança morta em tenra idade?
— Recomeça uma nova existência.
Se o homem só tivesse uma existência, e se após essa, a sua sorte fosse fixada para a eternidade, qual seria o merecimento da metade da espécie humana, que morre em tenra idade, para gozar sem esforço da felicidade eterna? E com que direito seria ela libertada das condições, quase sempre duras, impostas à outra metade? Uma tal ordem de coisas não poderia estar de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação, faz-se a igualdade para todos: o futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo, e os que chegarem por último só poderão queixar-se de si mesmos. O homem deve ter o mérito das suas ações, como tem a sua responsabilidade.
Não é, aliás, razoável, considerar-se a infância como um estado de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda não pode exercer a sua influência? Não se vêem algumas que parecem trazer inatos a astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassínio, e isso não obstante os bons exemplos do meio? A lei civil absolve os seus erros, por considerar que elas agem mais instintivamente do que por deliberado propósito. Mas de onde podem provir esses instintos, tão diferentes entre as crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, a não ser da inferioridade do Espírito, pois que a educação nada tem com ela? Aqueles que são viciosos, é que progridem menos e têm então de sofrer as conseqüências, não dos seus atos da infância, mas das suas existências anteriores. É assim que a lei se mostra a mesma para todos, e a justiça de Deus a todos abrange.


referência:O livro dos espíritos

bicorporiedade e transfiguração


Bicorporeidade e Transfiguração

Aparições de Espíritos de Vivos - Homens Duplos - Santo Afonso de Liguori e Santo Antônio de Pádua - Vespasiano - Transfiguração - Invisibilidade

114. Esses dois fenómenos são variedades de manifestações visuais. Por mais maravilhosos que possam parecer à primeira vista, facilmente se reconhecerá, pelas explicações que deles se podem dar, que não saem da ordem dos fenómenos naturais. Ambos se fundam no princípio de que tudo o que foi dito sobre as propriedades do perispírito após a morte se aplica ao perispírito dos vivos.

Sabemos que o Espírito, durante o sono, recobra em parte a sua liberdade, ou seja, que ele se afasta do corpo. E é nesse estado que muitas vezes temos a ocasião de observá-lo. Mas o Espírito, tanto do vivo quanto do morto, tem sempre o seu envoltório semi-material, que pelas mesmas causas já referidas pode adquirir a visibilidade e a tangibilidade. Há casos bastante positivos que não podem deixar nenhuma dúvida a esse respeito. Citaremos somente alguns exemplos de nosso conhecimento pessoal, cuja exactidão podemos garantir, pois todos estão em condições de acrescentar outros, recorrendo às suas lembranças.

115. A mulher de um nosso amigo viu repetidas vezes, durante a noite, entrar no seu quarto, com luz acesa ou no escuro, uma vendedora de frutas da vizinhança que ela conhecia de vista, mas com a qual nunca havia falado. Essa aparição a deixou muito apavorada, tanto mais que a senhora, na época, nada conhecia de Espiritismo e o fenómeno se repetia com frequência. A vendedora estava perfeitamente viva e decerto dormia naquela hora. Enquanto o seu corpo material estava em casa, seu Espírito e seu corpo fluídico estavam na casa da senhora. Qual o motivo? Não se sabe. Nesse caso, um espírita já experimentado lhe teria feito a pergunta, mas a senhora nem sequer teve essa ideia. A aparição sempre se desfazia sem que ela soubesse como, e sempre, após o seu desaparecimento, ela ia ver se todas as portas estavam bem fechadas, assegurando-se de que ninguém poderia ter entrado no seu quarto.

Essa precaução mostra que ela estava bem acordada e não era iludida por um sonho. De outra vez ela viu, da mesma maneira, um homem desconhecido, mas um dia viu seu irmão, que então se encontrava na Califórnia. A aparência era tão real que, no primeiro momento, pensou que ele havia regressado e quis falar-lhe, mas ele desapareceu sem lhe dar tempo. Uma carta recebida depois lhe provou que ele não havia morrido. Esta senhora era o que se pode chamar um médium vidente natural. Mas nessa época, como já dissemos, ela nunca ouvira falar de médiuns.

116. Outra senhora que reside na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, cerca das dez horas, um senhor idoso da sua mesma cidade, que encontrava às vezes na sociedade mas com o qual não tinha intimidade. Estava sentado numa poltrona ao pé da sua cama e de vez em quando tomava uma pitada de rapé. Parecia velar por ela. Surpresa com essa visita àquela hora, quis perguntar-lhe o motivo, mas o senhor lhe fez sinal para não falar e dormir. Várias vezes tentou falar-lhe, e de cada vez ele repetia a recomendação. Acabou por adormecer.

Alguns dias depois, já restabelecida, recebeu a visita do mesmo senhor, mas em hora conveniente e de facto em pessoa. Estava vestido da mesma maneira, com a mesma tabaqueira e precisamente com os mesmos gestos. Certa de que ele a visitara durante a doença, agradeceu-lhe o trabalho que tivera. O senhor, muito espantado, disse que há tempos não tinha o prazer de vê-la. A senhora que conhecia os fenómenos espíritas, compreendeu o que se passara, mas não querendo entrar em explicações a respeito, contentou-se em dizer que provavelmente sonhara.

O provável é isso, dirão os incrédulos, os espíritos fortes, os que por essa expressão entendem pessoas esclarecidas. Mas o que consta é que essa senhora não dormia tanto como a outra. — Então sonhava acordada, ou seja, teve uma alucinação. — Eis a palavra final, a explicação de tudo o que não se compreende. Como já refutamos suficientemente essa objecção, prosseguiremos para aqueles que podem compreender-nos.

117. Eis, porém, um caso mais característico, e gostaríamos de ver como se poderia explicá-lo por um simples jogo de imaginação.

Um senhor, residente na província, jamais quis se casar, malgrado as instâncias da família. Haviam principalmente insistido a favor de uma jovem de cidade vizinha, que ele nunca vira. Certo dia, em seu quarto, foi surpreendido com a presença de uma jovem vestida de branco, a fronte ornada por uma coroa de flores. Ela lhe disse que era a sua noiva, estendeu - lhe a mão, que ele tomou nas suas e notou que tinha um anel. Em poucos instantes tudo desapareceu. Surpreso com essa aparição, e seguro de que estava bem acordado, procurou informar-se se alguém havia chegado durante o dia. Responderam-lhe que ninguém fora visto na casa.

Um ano depois, cedendo a novas solicitações de um parente, decidiu-se a ir ver aquela que lhe propunham. Chegou no Dia de Corpus-Christi. Todos voltavam da procissão e uma das primeiras pessoas que viu, ao entrar na casa, foi uma jovem que reconheceu como a que lhe aparecera. Estava vestida da mesma maneira, pois o dia da aparição havia sido também o de Corpus-Christi. Ficou atónito, e a moça, por sua vez, gritou de surpresa e sentiu-se mal. Voltando a si, ela explicou que já vira aquele senhor, nesse mesmo dia, no ano anterior. O casamento se realizou. Estava-se em 1835. Nesse tempo não se tratava dos Espíritos, e além disso ambos são pessoas extremamente positivas, dotadas da imaginação menos exaltada que pode haver no mundo.

Poderão dizer que ambos estavam tocados pela ideia da união proposta e que essa preocupação provocou uma alucinação. Mas não se deve esquecer que o futuro marido permanecera tão indiferente ao caso, que passou um ano sem ir ver a noiva que lhe ofereciam. Mesmo admitindo-se essa hipótese, restaria a explicar a semelhança da aparição, a coincidência das vestes com o Dia de Corpus-Christi, e finalmente o reconhecimento físico entre pessoas que jamais se haviam visto, circunstâncias que não podem ser produzidas pela imaginação. (1)

(1) Tenta-se hoje explicar os casos dessa natureza pela telepatia, como se vê no livro de Tyrrell: "Aparições". Mas essas teorias parapsicológicas são apenas tentativas de escapar à explicação espírita e se tornam ridículas pelos expedientes absurdos de que têm de servir-se. Como notou o prof. Harry Price, da Universidade de Oxford, Inglaterra, o próprio Tyrrell reconhece que sua teoria "deixa grande quantidade de casos sem explicar". Isso no prefácio do livro. Na verdade, só a teoria explica até hoje, todos os casos, sem as incongruências dessas "hipóteses engenhosas", como Price chamou a de Tyrrell. (Ver: "Apparitions", G. N. M. Tyrrell, Pantheon Books, New York, 1952, ou tradução castelhana: "Apariciones", Editorial Paidós, Buenos Aires, Argentina, 1965, versão de Juan Rojo). (N. do T.)


118. Antes de prosseguir, devemos responder a uma pergunta que inevitavelmente será feita: como o corpo pode viver enquanto o Espírito se ausenta? Poderíamos dizer que o corpo se mantém pela vida orgânica, que independe da presença do Espírito, como se prova pelas plantas, que vivem e não têm Espírito. Mas devemos acrescentar que, durante a vida, o Espírito jamais se retira completamente do corpo.

Os Espíritos, como alguns médiuns videntes, reconhecem o Espírito de uma pessoa viva por um traço luminoso que termina no seu corpo, fenómeno que jamais se verifica se o corpo estiver morto, pois então a separação é completa. É por meio dessa ligação que o Espírito é avisado, a qualquer distância que estiver, da necessidade de voltar ao corpo, o que faz com a rapidez do relâmpago. Disso resulta que o corpo nunca pode morrer durante a ausência do Espírito, e que nunca pode acontecer que o Espírito, ao voltar, encontre a porta fechada, como têm dito alguns romancistas em histórias para recrear. (O Livro dos Espíritos, nº 400 e seguintes).

119. Voltemos ao nosso assunto. O espírito de uma pessoa viva, afastado do corpo, pode aparecer como o de um morto, com todas as aparências da realidade. Além disso, pelos motivos que já explicamos, pode adquirir tangibilidade momentânea. Foi esse fenómeno, designado por bicorporeidade, que deu lugar às histórias de homens duplos, indivíduos cuja presença simultânea se constatou em dois lugares diversos. Eis dois exemplos tirados, não das lendas populares, mas da História Eclesiástica.

Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo exigido por se haver mostrado simultaneamente em dois lugares diferentes, o que passou por milagre.

Santo António de Pádua estava na Espanha e no tempo em que ali pregava, seu pai, que se encontrava em Pádua, ia sendo levado ao suplício, acusado de assassinato. Nesse momento Santo António aparece, demonstra a inocência do pai e dá a conhecer o verdadeiro criminoso que, mais tarde, sofreu o castigo. Constatou-se que naquele momento Santo António não havia deixado a Espanha. Santo Afonso, evocado e interrogado por nós sobre o facto referido, deu as seguintes respostas: (2)

1. Poderias dar-nos a explicação desse fenómeno?

— Sim. Quando o homem se desmaterializou completamente por sua virtude, tendo elevado sua alma a Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, sentindo chegar o sono, pode pedir a Deus para se transportar a algum lugar. Seu Espírito ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, seguido de uma porção do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado vizinho da morte. Digo vizinho da morte porque o corpo permanece ligado ao perispírito e a alma à matéria, por um liame que não pode ser definido. O corpo aparece então no lugar pedido. Creio que é tudo o que desejas saber.

2. Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito?

— Estando desligado da matéria, segundo o seu grau de elevação o Espírito pode se tornar tangível à matéria.

3. É indispensável o sono do corpo para o aparecimento do Espírito em outros lugares?

— A alma pode se dividir quando se deixa levar para longe do corpo. Pode ser que o corpo não durma, embora seja isso muito raro, mas então não estará em perfeita normalidade. Estará sempre mais ou menos em êxtase. (3)

Nota - A alma não se divide, no sentido literal da palavra. Ela irradia em várias direcções e pode assim manifestar-se em muitos lugares, sem se fragmentar. É o mesmo que se dá com a luz ao reflectir-se em muitos espelhos.

4. Estando um homem mergulhado no sono, enquanto seu Espírito aparece ao longe, que aconteceria se fosse subitamente despertado?

— Isso não aconteceria, porque se alguém tivesse a intenção de acordá-lo o Espírito voltaria ao corpo, antecipando a intenção, pois o Espírito lê o pensamento.

Nota - Explicação inteiramente idêntica nos foi dada muitas vezes por Espíritos de pessoas mortas ou vivas. Santo Afonso explica o facto da presença dupla, mas não oferece a teoria da visibilidade e da tangibilidade.

120. Tácito refere-se a um caso semelhante.

Durante os meses que Vespasiano passou em Alexandria, esperando a volta periódica dos ventos estivais e da estação em que o mar oferece segurança, muitos prodígios aconteceram, pelos quais se manifestou a protecção do céu e o interesse dos deuses por aquele príncipe.

(2) Os Espíritos elevados não se recusam a ensinar os que sinceramente desejam aprender. A evocação é um apelo humilde e não uma fórmula exigente. Kardec só fazia as evocações que fossem aprovadas pelo guia da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que era São Luís. Veja-se, na Revista Espírita, a secção Palestras Familiares de Além-túmulo e a secção de boletins dos trabalhos da Sociedade. (N. do T.)

(3) Ernesto Bozzano relata casos de comunicações por psicografia ou aparição de pessoas em estado de vigília, mas sempre em momentos de distracção ou cochilo. As pesquisas parapsicológicas actuais consideram esses casos como de telepatia, mas sempre admitindo um estado de inconsciência ou semi-consciência como condição necessária. Muitos parapsicólogos já admitem o fenómeno de "projecção do eu" que corresponde à "irradiação da alma" de que trata Kardec na nota seguinte à explicação de Santo Afonso. (N. do T.)


Esses prodígios aumentaram o desejo de Vespasiano de visitar a morada dos deuses para consultá-los a respeito do Império. Ordenou que o templo fosse fechado para todos. Entrou e estava inteiramente atento ao que o oráculo ia pronunciar, quando percebeu atrás dele um dos egípcios mais importantes, chamado Basilido, que ele sabia estar doente em lugar distante muitos dias de Alexandria. Perguntou aos sacerdotes se Basilido viera ao templo naquele dia, informou-se com os transeuntes se o tinham visto na cidade e enviou homens a cavalo e assegurou-se de que, no momento, ele se encontrava a oitenta milhas de distância. Então não teve mais dúvidas de que a visão era sobrenatural e o nome de Basilido ficou sendo para ele um oráculo. (Tácito, Histórias, livro IV, caps. 81 e 82, tradução de Burnouf.)(4)

121. A pessoa que se mostra simultaneamente em dois lugares diversos tem portanto dois corpos. Mas desses corpos só um é real, o outro não passa de aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a anímica. Ao acordar os dois corpos se reúnem e a vida anímica penetra o corpo material. Não parece possível, pois não temos exemplos, e a razão parece demonstrar que, quando separados, os dois corpos possam gozar simultaneamente e no mesmo grau da vida activa e inteligente. Ressalta, ainda, o que acabamos de dizer, que o corpo real não poderia morrer enquanto o corpo aparente permanece visível: a aproximação da morte chama sempre o Espírito para o corpo, mesmo que só por um instante. Disso resulta também que o corpo aparente não poderia ser assassinado, pois não é orgânico e nem formado de carne e osso: desaparece no momento em que se quiser matá-lo.(5)

122. Passemos a tratar do segundo fenómeno, o da transfiguração, que consiste na modificação do aspecto de um corpo de vivo. Eis, a respeito, um caso cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido entre os anos de 1858 e 1859, nas cercanias de Saint-Étienne.

Uma jovem de uns quinze anos gozava da estranha faculdade de se transfigurar, ou seja, de tomar em dados momentos todas as aparências de algumas pessoas mortas. A ilusão era tão completa que se acreditava estar na presença da pessoa, tamanha a semelhança dos traços do rosto, do olhar, da tonalidade da voz e até mesmo das expressões usuais na linguagem. Esse fenómeno repetiu-se centenas de vezes, sem qualquer interferência da vontade da jovem. Muitas vezes tomou a aparência de seu irmão, falecido alguns anos antes, reproduzindo-lhe não somente o semblante, mas também o porte e a corpulência.

Um médico local, que muitas vezes presenciara esses estranhos fenómenos, querendo assegurar-se de que não era vítima de ilusão, fez interessante experiência. Colhemos as informações dele mesmo, do pai da moça e de muitas outras testemunhas oculares, bastante honradas e dignas de fé. Teve ele a ideia de pesar a jovem no seu estado normal e durante a transfiguração, quando ela tomava a aparência do irmão que morrera aos vinte anos e era muito maior e mais forte do que ela. Pois bem: verificou que na transfiguração o peso da moça era quase o dobro.

A experiência foi conclusiva, sendo impossível atribuir a aparência a uma simples ilusão de óptica. Tentemos explicar esse facto, que sempre foi chamado de milagre mas que chamamos simplesmente de fenómeno.

123. A transfiguração pode ocorrer, em certos casos, por uma simples contracção muscular que dá à fisionomia expressão muito diferente, a ponto de tornar a pessoa irreconhecível. Observamo-la frequentemente com alguns sonâmbulos. Mas, nesses casos, a transformação não é radical. Uma mulher poderá parecer jovem ou velha, bela ou feia, mas será sempre mulher e seu peso não aumentará nem diminuirá. No caso de que tratamos é evidente que há algo mais. A teoria do perispírito nos vai pôr no caminho.

(4) Este episódio histórico adquire maior importância quando sabemos que os egípcios se dedicavam a práticas de desdobramento ou "projecção do eu", servindo-se até mesmo de drogas alucinógenas em seus templos. Experiências actuais confirmam esses factos (N. do T.)

(5) Ver na Revista Espírita de Janeiro de 1859, o artigo O Duende de Bayonne; de Maio de 1859, O liame entre o Espírito e o corpo; de Novembro de 1859, A alma errante; de Janeiro de 1860, Espírito de um lado e corpo de outro; Março de 1860, Estudos sobre o Espírito de pessoas vivas, o doutor V e a senhorita I; de Abril de 1860, O fabricante de São Petersburgo, aparições tangíveis; de Novembro de 1860, História de Maria d' Agreda; de Julho de 1861, Uma aparição providencial. (Nota de Allan Kardec).

Admite-se em princípio que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências. Que por uma modificação das disposições moleculares, pode lhe dar a visibilidade, a tangibilidade e em consequência a opacidade. Que o perispírito de uma pessoa viva, fora do corpo pode passar pelas mesmas transformações e que essa mudança de estado se realiza por meio da combinação dos fluidos.

Imaginemos então o perispírito de uma pessoa viva, não fora do corpo, mas irradiando ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo como uma espécie de vapor. Nesse estado ele pode sofrer as mesmas modificações de quando separado. Se perder a transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, velar-se como se estivesse mergulhado num nevoeiro. Poderá mesmo mudar de aspecto, ficar brilhante, de acordo com a vontade ou o poder do Espírito. Outro Espírito, combinando o seu fluido com esse, pode substituir a aparência dessa pessoa, de maneira que o corpo real desapareça, coberto por um envoltório físico exterior cuja aparência poderá variar como o Espírito quiser.

Essa parece ser a verdadeira causa do fenómeno estranho e raro, convém dizer, da transfiguração. Quanto à diferença de peso, explica-se da mesma maneira que a dos corpos inertes. O peso do próprio corpo não vária, porque a sua quantidade de matéria não aumenta, mas o corpo sofre a influência de um agente exterior que pode aumentar-lhe ou diminuir-lhe o peso relativo, segundo explicamos nos números 78 e seguintes. É provável, portanto, que a transfiguração na forma de uma criança diminua o peso de maneira proporcional.

124. Concebe-se que o corpo possa tomar uma aparência maior que a sua ou das mesmas dimensões, mas como poderia tornar-se menor, do tamanho de uma criança, como acabamos de dizer? Nesse caso, o corpo real não deveria ultrapassar os limites do corpo aparente? Por isso não dizemos que o facto se tenha verificado, mas quisemos apenas mostrar, referindo-nos à teoria do peso específico, que o peso aparente poderia também diminuir.

Quanto ao fenómeno em si, não afirmamos nem negamos a sua possibilidade. No caso de ocorrer, o facto de não se poder explicá-lo satisfatoriamente não o infirmaria. É preciso não esquecer que estamos no começo desta ciência e que ela ainda está longe de haver dito sua última palavra sobre este ponto, como sobre muitos outros. Aliás, as partes excedentes do corpo poderiam perfeitamente ser tornadas invisíveis.

A teoria do fenómeno da invisibilidade ressalta naturalmente das explicações precedentes e das que se referem ao fenómeno de transportes, nº 96 e seguintes. (6)

125. Teríamos ainda de falar do estranho fenómeno dos agêneres, que por mais extraordinário que possa parecer à primeira vista, não é mais sobrenatural do que os outros. Mas como já o explicamos na Revista Espírita (Fevereiro de 1859) achamos inútil repetir aqui os seus detalhes.(7)

Diremos apenas que é uma variedade de aparições tangíveis. É uma condição em que certos Espíritos podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, a ponto de produzir perfeita ilusão. (Do grego: a, privativo, e géine, géinomai, gerado: não-gerado.)(8)

(6) Há numerosos casos de observação de uma máscara transparente sobre o rosto do médium, reproduzindo o rosto do Espírito comunicante. Observamos um desses casos em 1946, em São Paulo, com o médium Urbano de Assis Xavier. Nesses casos, como se vê, acima, a máscara se forma pela combinação fluídica do perispírito do médium com o do Espírito comunicante. É fenómeno de sintonia e não de penetração do Espírito no corpo do médium. (N. do T .)

(7) Como se vê, a teoria dos agêneres se encontra apenas na Revista Espírita, o que ressalta a importância dessa colecção de Kardec, somente agora publicada em nossa língua. (N. do T.)

(8) Estas explicações de Kardec foram posteriormente confirmadas por numerosas experiências científicas e ocorrências espontâneas, em todas as partes do mundo. Nada a não ser hipóteses gratuitas, que caíram sucessivamente por si mesmas, até hoje pôde contradizer as teorias apresentadas neste capítulo. As experiências metapsíquicas, desde as realizadas pelo prof. Karl Friedrik Zölner, da Universidade de Leipzig, na Alemanha,com notável equipe de pesquisadores, até as experiências famosas de Richet, Gustave Geley, Eugene Osty, Paul Gibier, na França, explicam-se por estas teorias. Recentemente, no campo das pesquisas parapsicológicas, mais restritas e cautelosas, a confirmação vem se fazendo da mesma maneira. As experiências de Soal e Wathely Carington, na Universidade de Cambridge,lnglaterra, com levitação e voz directa; as de Harry Price, da Universidade de Oxford, com telecinesia (movimento, ocultação e reaparecimento de objectos); os relatos de Louise Rhine, de Duke University, EUA, sobre "alucinações visuais referentes a mortos" e os de Karl Gustav Jung no mesmo sentido provam isso. (N.do T.)

Referência: O livro dos médiuns