quarta-feira, 23 de maio de 2007

lei da igualdade


Lei de Igualdade
Augusta Airosa

Revista de Espiritismo nº. 33, Outubro/Dezembro 1996

Todos os homens são iguais, pois todos foram criados com o mesmo fim: o de progredirem sempre até atingir a perfeição.
Ao longo da sua existência multissecular todos são submetidos às mesmas leis naturais, tendo que passar, mais ou menos, as mesmas provas. Assim, pode-se afirmar que Deus não concedeu superioridade original ou natural a nenhum homem.
Apesar de naturalmente serem iguais, ninguém pode negar a desigualdade de aptidões existentes entre os homens, desigualdade esta que não foi criada por Deus, mas que é antes fruto do tempo que cada um já viveu (reencarnou), ou seja, do tempo que cada um teve para realizar mais ou menos aquisições.

— a diferença está no grau de experiência e no exercício do livre-arbítrio. Esta desigualdade é necessária a fim de que cada um desempenhe e possua a sua função útil, que se complementará com a dos outros. Também habitantes (espíritos elevados em sabedoria e amor) de mundos superiores, habitam, por vezes, mundos inferiores ao seu, para servirem de exemplo aos mais atrasados. No estado de espíritos desencarnados, eles podem escolher uma situação mais precária do que a anterior, desde que tenha por função ajudar alguém ou mesmo a si próprio. Porém, só pelo facto dele passar a habitar (reencarnar) um mundo inferior ao seu, não implica que ele perca as faculdades já adquiridas, pois um espírito que progrediu não regride mais.
O espírito ao unir-se ao corpo conserva os atributos de natureza espiritual que conquistou até então. No entanto, o exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumento. Estas vão ser enfraquecidas pela matéria, pois ela é um obstáculo à sua livre manifestação. Não se pode concluir, no entanto, que os órgãos sejam um obstáculo ao desenvolvimento das faculdades, pois não são estes que nos fornecem as faculdades mas antes as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos. É um pouco o que acontece com o treino muscular: o músculo adapta-se e conforma-se segundo os estímulos do exercício; assim também os órgãos fisiológicos em relação às faculdades. Se as faculdades fossem efeito ou se originassem nos órgãos, o homem não seria mais do que uma máquina dependente dos órgãos que a "sorte" lhe fornecesse, sem livre-arbítrio e sem responsabilidade nos seus actos.
As desigualdades sociais não são obra de Deus e sim do homem. Como tal, elas desaparecerão à medida que o egoísmo e o orgulho desapareçam também. Nesta altura, os homens deixarão de se ver como sendo de sangue mais ou menos puro, pois só o espírito é mais ou menos puro, independentemente da sua condição social.

A desigualdade das riquezas poderá ter a sua origem na desigualdade de faculdades (o que permite que uns possuam mais meios de adquirir do que outros), mas o normal é derivar de outras fontes. Uma delas poderá ser uma herança — no caso da riqueza ter sido mal adquirida os herdeiros não são responsáveis (pois ninguém é responsável pelo mal que os outros fazem). No entanto, se eles tiverem conhecimento da má proveniência da riqueza, poderão, apesar de não serem responsáveis, reparar o mal feito por outro (a fortuna pode destinar-se na direcção de uma pessoa a fim de que ela possa reparar uma injustiça).

Há quem pense que a solução para todos os males sociais estaria na igualdade absoluta das riquezas. No entanto, esta igualdade é impraticável, pois seria logo rompida pelas circunstâncias. A maior chaga social não é a desigualdade das riquezas, mas sim o egoísmo, que deverá ser combatido para pôr termo a todo o tipo de males sociais.

Apesar da igualdade das riquezas ser impossível, não se pode dizer o mesmo em relação ao bem-estar, pois este é relativo e não decorre da riqueza; o bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto.

A riqueza e a miséria são provas escolhidas pelos próprios espíritos. Não se poderá atribuir maior dificuldade a uma ou a outra, pois ambas constituem uma prova mais ou menos difícil de suportar, de acordo com a elevação do espírito que as experimenta. Se, por um lado, a miséria pode alimentar a revolta, por outro, a riqueza pode conduzir a todos os excessos; quanto mais rico o homem for, mais obrigações tem a cumprir e mais meios para o fazer. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo uso que faz de sua riqueza e poder, recursos capazes de despertar todas as paixões que nos prendem à matéria, se mal utilizados.

Homem e mulher são iguais perante Deus, pois este concedeu a ambos a faculdade de progredir e a consciência do bem e do mal. Se a mulher é fisicamente mais fraca que o homem, é porque as funções que lhes cabem são diferentes. A fragilidade feminina não a coloca de forma alguma dependente do homem, pois a força serve para proteger o mais fraco e não para o escravizar. Pelo facto de ambos possuírem funções diferentes, não quer dizer que a função de um é mais importante que a do outro — ambas se complementa.

Assim se pode concluir que homem e mulher devem ter igualdade de direitos, mas nem sempre de funções; todo o privilégio concedido a um e a outro não é contrário à lei de justiça; relativamente a funções, cada um deve ocupar um lugar determinado.
Conclui-se que a desigualdade é uma expressão actual do nosso enquadramento evolutivo e que é o efeito do modo como ocupamos o tempo e as circunstâncias, no imenso roteiro de aperfeiçoamento espiritual, que vimos há milénios palmilhando. Porém, ela deve-se ao uso individual do arbítrio humano.

(Reflexão sobre o Cap. IX, Leis Morais, de "O Livro dos Espíritos")

sábado, 19 de maio de 2007

o casamento religioso e o espiritismo



O Casamento Religioso e o Espiritismo

Carlos Augusto Parchen


Vamos abordar aqui a questão do casamento, mais especificamente do casamento religioso. Para esta abordagem, devemos que nos lembrar que o Espiritismo não tem nenhum ritual. Nenhum, absolutamente. Não só do casamento, mas nenhum outro.

A prática religiosa Espírita é baseada exclusivamente no Amor a Deus e na Fé raciocinada. Para o Espírita , ter religião significa "estar ligado a Deus, pois a palavra "religião" significa exactamente isso: ligar-se a Deus.

Se analisarmos o Evangelho do Mestre Jesus, veremos que não está instituído, em nenhum momento dele, o casamento como acto de ligação a Deus (acto religioso) ou de fé. Veremos que o Cristo fala, a respeito da união de Homem e Mulher "....não separe o Homem o que Deus uniu....", que foi tomado como base teológica para o ritual (sacramento) do casamento e da indissolubilidade eterna do casamento religioso.

Em verdade, o que o Cristo pretendeu nos dizer, é que o amor verdadeiro entre Homem e Mulher, é consequência do Amor Divino que é, assim, verdadeiramente abençoado por Deus, e que o Homem (ser humano), não deve tentar separar as pessoas que se unem pelo amor verdadeiro, pois a esses, Deus (AMOR) uniu.

Na verdade, o casamento religioso foi, durante muitos séculos, a única forma de "legalizar", de "oficializar" a ligação estável entre Homem e Mulher, de estabelecer regras de conduta e de responsabilidade para o "casamento", para a vida familiar. Devemos nos lembrar que a época, não havia registros, não havia cartórios, sistemas de documentações, certidões, leis, etc.

Inicialmente, apenas o poder moral da Religião e o medo da "punição Divina" garantia os direitos e deveres no casamento. O Sacerdote ou o Pastor ou o Curandeiro ou o Monge, exerciam o papel de "fiador" do compromisso, em nome da Divindade, do Ser Superior.

Mais tarde, as Igrejas, as Ordens Religiosas, os Templos, quando já existia a escrita, mantida apenas em grupos herméticos e de iniciados, passaram também a proceder e manter o registro formal das uniões (casamento), ampliando a estabilidade das mesmas, pela possibilidade de encontrar-se registro de quem era ou não casado.

Em muitas culturas e religiões, antigamente e mesmo hoje em dia, o casamento não é um ritual religioso, mas sim uma cerimónia familiar, onde o compromisso de Homem e Mulher é assumido, pelos noivos, perante a comunidade, perante a família e perante o representante da Religião, sendo o casamento celebrado pelo Patriarca ou Matriarca da família, e não pelo Sacerdote ou representante religioso. Mas também desse modo cumpre seu efeito de "fiador" e estabilizador da união.

Também é importante lembrar uma realidade estatística: - todas as Religiões Judaico-Cristãs do mundo, somados todos os seus adeptos declarados, constituem cerca de 1/3 (33%) da população mundial. Portanto, cerca de 2/3 da população mundial não segue o Cristianismo, e têm outros conceitos a respeito do casamento e da forma de celebrá-lo.

Com a evolução da sociedade, com a criação das Constituições dos países, das Leis, do avanço e aperfeiçoamento do registro público, o casamento civil passou a ser o controlador da estabilidade, dos direitos e dos deveres do casamento, da protecção da mulher e dos filhos, da garantia de herança e sucessão.

O casamento religioso ficou como o rito ou Sacramento específico das Religiões, especialmente as Judaico-Cristãs. Mais modernamente, veio se transformando muito mais numa ocasião social do que num acto de fé verdadeira, o que está sobejamente demonstrado pelo enorme número de separações que ocorre entre uniões com menos de 5 anos de duração, quase todos casados também em cerimónia religiosa.

Quando o Espiritismo surgiu, o casamento civil já era uma realidade. Não havia mais necessidade do casamento religioso como "regulador". O Espiritismo, baseado na fé raciocinada, na fé verdadeira, na lógica e na razão, não trouxe para seu seio nenhum ritual. A sociedade já podia dispensá-los. A ligação com Deus (Religião) nunca precisou deles. O Evangelho do Cristo era para ser praticado no dia-a-dia, e não transformado em rituais.

Não estamos aqui falando mal do casamento religioso. Muito pelo contrário. O extremo respeito que o Espiritismo tem pelas Religiões, já nos impediria disso. Cada um deve seguir o que preceitua sua crença religiosa. Só estamos explicando porque o Espiritismo não tem a cerimónia ou ritual de casamento, e porque os Espíritas formalizam sua união no civil, não necessitando do casamento religioso enquanto ritual, cerimónia ou preceito religioso.

Para os espíritas, existe um guia seguro para que os casais aprenderem a consolidar sua união no dia-a-dia. É a prática da própria Doutrina Espírita, em sua integralidade. E tudo pode ser resumido em três palavras: Amor, Tolerância e Perdão. E num exercício diário: o do aprendizado constante.

Ao decidir pelo casamento, Homem e Mulher estão assumindo uma grande responsabilidade, um grande compromisso. Estão iniciando uma nova família. A família é, e sempre será, a grande escola de evolução, de aprendizado, de crescimento espiritual, se bem aproveitada. Cabe a cada casal fazer com que sua família seja a melhor das escolas, a que ensina o caminho de apreender-se a felicidade.

Para isso, devem ter em mente que sua nova família deve ensinar amor e caridade. Para ensinar, é necessário praticar. Praticar diariamente. Aprender com os erros. Aprender a não mais errar. Aprender a acertar cada dia mais. Aprender a ser feliz.

Esse é o casamento verdadeiramente abençoado por Deus. E ele independe das religiões.
(Artigo escrito em Outubro de 2002 e reproduzido do site do Centro Espírita Luz Eterna - CELE - )

quarta-feira, 16 de maio de 2007

o tratamento da obsessão


O tratamento da obsessão
Autor: José Queid Tufaile Huaixan

Sabemos que a obsessão sempre esteve presente na vida do homem na Terra. Hoje, dado ao crescimento da humanidade e aos inúmeros problemas sociais que enfrenta o mundo, a obsessão torna-se verdadeiro flagelo. A ciência humana ainda reluta em aceitar os princípios espíritas e, por isso, deixa de curar inúmeros pacientes que a procuram, vitimados por desequilíbrios emocionais e psicológicos.

O Espiritismo ainda continua sendo a principal saída para a cura desta patologia. Em face disso, nós trabalhadores da causa espírita, temos que nos esforçar para termos um melhor conhecimento das causas da obsessão e dos métodos que poderão levar ao alívio e cura daqueles que batem às nossas portas.A prática do Espiritismo passa por um período onde sua produtividade, a nível espiritual, deixa muito a desejar. Sabemos ser custoso reconhecer isto, mas é uma realidade difícil de ser questionada. Nunca estamos dispostos a avaliar nossos métodos de trabalho para termos ideia se estamos produzindo bem.Na maioria das vezes, achamos que tudo o que fazemos está de acordo com a vontade do Alto. Um simples controlo dos tratamentos na casa espírita pode deixar às claras sua verdadeira situação produtiva. Se o rendimento for baixo é preciso mudar, aperfeiçoar as actividades mediúnicas para que cumpram com sua finalidade.

Muito se tem escrito sobre a obsessão, mas a maioria destes trabalhos quase pouco tem a ver com a prática da casa espírita. De modo geral, as obras são repetitivas, compiladas umas das outras, não trazendo nada de novo. Um dos mais constantes obstáculos para a cura da obsessão é a dificuldade que se tem para identificá-la. Frequentemente, a obsessão é confundida com uma simples influência ou com mediunidade a ser desenvolvida. É mais ou menos como confundir resfriado com tuberculose, ou prescrever para a cura de uma enfermidade, que o paciente estude medicina. Tudo isso é agravado por causa da ausência de métodos de tratamento. O que temos são orientações em linhas gerais. A maioria dos centros desenvolve sua própria metodologia, segundo a interpretação que cada um dá aos livros. Isso enfraquece sobremaneira os resultados e deixa as práticas envoltas numa miscelânea.

Definindo a obsessão - A obsessão é o domínio que alguns Espíritos inferiores adquirem sobre certos tipos de pessoas. Esta é uma definição básica daquilo que é a obsessão. Quando a influência de um espírito inferior sobre alguém se torna constante, podemos classificá-la como obsessão.Os sintomas podem ir desde simples defeitos morais e alterações emocionais, passar pela dominação física, chegando até a completa desagregação da normalidade psíquica.Na obsessão há sempre um constrangimento; na influência natural, não. Esta última é passageira, a obsessão é insistente.

Nos processos de desajustes considerados obsessão, sempre vamos encontrar sinais que podem caracterizar o fenómeno:

- sonhos ruins,
- pesadelos frequentes,
- indução ao vício,- mundanismo,
- instintos de agressividade além do normal,
- ideia de abandono da vida social ou familiar,
- ideias de suicídio,- ruídos estranhos à volta do paciente,
- frequente visão de vultos,- impressão de ouvir vozes.

Os Espíritos envolvidos são sempre Espíritos ignorantes.
Nas influências naturais, geralmente as entidades envolvidas são Espíritos sofredores ou ignorantes. Na obsessão sempre existe uma insistência de um espírito em fazer algo de ruim com o paciente. Há uma pressão quase que constante de uma criatura sobre a outra.

Características da obsessão
- A obsessão, como veremos adiante, possui diversas causas. Kardec, além de nos dar clara explicação sobre isso, classificou este fenómeno segundo certas características que nos facilita entender a gravidade do caso em exame.Ensinava o Codificador, que a obsessão poderia se manifestar de diversas formas, classificando-as assim:

- Obsessão simples
- subjugação
- fascinação

É mais ou menos como ter o simples resfriado, uma gripe e uma tuberculose.
Na obsessão simples: há um constrangimento bem limitado da vontade do obsedado. O Espírito mau não domina as faculdades psíquicas em profundidade. É uma espécie de incomodo para a pessoa obsedada.

Na subjugação:
ocorre um domínio muito intenso das faculdades morais e do próprio corpo físico, provocando as crises conhecidas popularmente como possessão. A influência inicia-se à nível moral, depois evolui para o domínio fluídico perispiritual e por extensão chega ao corpo físico. Então, temos as crises.

Na fascinação:
há uma ilusão profunda que afecta as faculdades mentais, fazendo com que o obsedado não se julgue como tal. O Espírito o engana e a fraqueza do doente é explorada. O orgulho é sua perdição. Todos os fascinados são muito orgulhosos.

Allan Kardec diz no Evangelho Segundo o Espiritismo que a fascinação é bem mais grave do que a pior das subjugações. Quem já teve a oportunidade de lidar com um fascinado, sabe o que o Mestre lionês queria dizer.

Fascinação em grupos
- Chamamos a atenção para o facto de que um grupo espírita pode cair por completo sob o domínio de Espíritos fascinadores. Daí, a necessidade da vigilância e de se ter na vida administrativa da casa, normas bem definidas de trabalho e conduta. A obsessão pode se desenvolver de forma epidémica, junto a um grupo, a uma família ou uma sociedade. Pode ser desenvolvida por mais de um Espírito mau.

Os envolvidos na obsessão
- Em todos os casos de obsessão, temos o obsedado e o obsessor. Existe uma variedade de situações de dominação na patologia obsessiva. Vamos citá-las para que o método de tratamento a ser desenvolvido se dirija directamente ao alvo, ou seja, ao causador do mal e ao prejudicado. Sem identificar com clareza os envolvidos, não há como curar a obsessão de forma definitiva.

Podemos ter os seguintes casos de envolvimento obsessivo:
- Desencarnado para encarnado
- encarnado para desencarnado
- desencarnado para desencarnado
- encarnado para encarnado
- auto-obsessão

Causas da obsessão
- É de vital importância para a cura da obsessão, descobrirmos as causas que levaram o obsedado a cair sob o domínio do Espírito obsessor. Sabemos, através de Kardec, que no pano de fundo de todas as obsessões está a fraqueza moral, ou seja, as imperfeições da alma.Assim também o é com as enfermidades do corpo físico: quando as doenças se instalam no organismo de alguém, isto se dá em face de uma fraqueza orgânica. É necessário que o médico examine o caso de modo a descobrir o que facilitou a presença da enfermidade. Na obsessão, temos que proceder com metodologia semelhante.As causas dos distúrbios obsessivos são variadas. Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, classificamos as causas da obsessão como sendo originárias de quatro fontes distintas:

- Moral
- cármica
- contaminações
- auto-obsessão

Causa moral
- Na causa moral, encontramos as imperfeições morais do Espírito encarnado dominando sua vida psíquica. A má conduta atrai maus Espíritos que se afinizam com o encarnado.Depois da fase de sintonia, inicia-se um delicado processo de interinfluencia, onde as vontades e desejos são trocados. Mais tarde, a vontade do encarnado será gradualmente substituída pela do desencarnado, instalando-se a obsessão moral, também denominada vampirismo.

Causa cármica
- Na causa cármica, há o comprometimento do encarnado com criaturas com a quem fez mal em outras vidas, gerando ódio e desejos de vingança. A lei de causa e efeito regula estes processos de ajustes entre os envolvidos. O comprometimento do passado facilita os laços que unem o Espírito desencarnado ao paciente. Em linhas gerais, sua acção têm início com uma subtil influencia sobre o encarnado. Logo após a fase da infância, começa a complicar-se, vindo com os anos a instalar-se a obsessão. Varia de intensidade, segundo a gravidade dos dramas.

Contaminações
- Nas contaminações, encontramos perturbações que são produto do envolvimento de pessoas com os entidades atrasadas que trabalham em terreiros primitivos e seitas estranhas. Estas entidades do baixo mundo espiritual envolvem psicologicamente aqueles que se põem sob suas orientações, acabando por obsediá-las ou fasciná-las. Nos terreiros primitivos, há quem solicite ao invisível ajuda material e que atenda todo tipo de interesses terrenos.Não tarda a se formarem entre o encarnado e as entidades atrasadas poderosos vínculos magnéticos. Instalam profunda desarmonia na vida emocional e mesmo material dos envolvidos. Esta influência nem sempre cessa pelo simples afastamento do ambiente em questão. Achamos importante citar que as contaminações são mais frequentes do que se imagina. Em nossa região, são quase 40% dos casos examinados.Queremos deixar claro que as contaminações ocorrem também junto aos centros espíritas mal orientados, onde adeptos sem nenhum preparo são colocados no relacionamento com os Espíritos.Grupos dominados por Espíritos inferiores são verdadeiros focos de contaminação espiritual, de onde deve-se afastar.

Auto-obsessão
- Na auto-obsessão, encontramos uma condição doentia da mente, onde o encarnado atormenta a si próprio. As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente. Espíritos atrasados ou doentios podem ser vistos associados a esses casos, mas estão ali devido à sintonia mental com o enfermo. Não são causa, mas sim efeitos. Na auto-obsessão, a mente se fecha em si mesma e a psicoterapia terrena pode ser utilizada associada à terapia espírita.

Método de tratamento
- O tratamento da obsessão vem sendo prejudicado pela interpretação errónea dos conhecimentos espíritas. Um conceito que tem contribuído para o fracasso do combate à obsessão é a ideia de que a Doutrina Espírita é uma espécie de panaceia, remédio capaz de por si só resolver os problemas alheios. Hoje, temos casas espíritas que, ao depararem-se com um obsedado, tomam como primeira medida colocá-lo num curso de estudo doutrinário. Afirmam que o estudo da doutrina modificará o encarnado e, por consequência, o desencarnado dele se afastará. Teoricamente o raciocínio é certo, só que na variedade dos casos encontrados, tal método resolve tão só as obsessões mais simples. Não pode ser aplicado como regra geral.
Muitos enfermos são incapazes de compreenderem os princípios da Doutrina Espírita. Ficam confusos, ou porque ainda são Espíritos pouco adiantados ou porque não possuem esclarecimento suficiente para o aprendizado. Prosseguem obsediados por anos a fio, cheios de esperanças de que um dia ficarão curados. E a cura pode acabar não acontecendo, simplesmente por causa da equipe responsável pelo centro, que não fez sua parte de agir sobre o obsessor.Kardec quem ensina: obsessão se trata agindo sobre o encarnado e o desencarnado.Podemos ficar em nossos agrupamentos espíritas, certos de que tudo vai bem com os tratamentos.

Realmente tudo pode estar correndo às mil maravilhas, porém, sempre existe a possibilidade de estarmos enganados, e de nos termos colocado na improdutividade sem nos darmos conta disso. Na prática do Espiritismo as ilusões acontecem com maior frequência do que se supõe. Assim, convém que, vez por outra, coloquemos nossas práticas ao exame da razão.O que vamos descrever abaixo, em termos de tratamento, nada tem de rígido. É um método que, em nossa experiência espírita, vem apresentando bons resultados. A finalidade de sua exposição é a de oferecer ideias que poderão ser modificadas e adaptadas de acordo com as condições de cada sociedade.

O método
- Fazer as coisas com método significa utilizar-se de princípios lógicos e racionais para se chegar a resultados desejados. No caso da obsessão, se é que não temos um método de tratamento, devemos trabalhar para criarmos um. De outro modo, sempre estaremos esperando que os obsediados fiquem bons, de acordo com a vontade divina.Uma vez mais, citaremos o caso das doenças físicas. Quando alguém está enfermo e procura a ajuda de um médico, sabemos que este profissional, num primeiro plano, colecta as informações primárias do caso, dialogando com seu paciente. Com isso, começa a se posicionar racionalmente para o diagnóstico final.Depois, realiza uma série de exames visando confirmar suas suspeitas clínicas.Mais adiante, prescreve a medicação destinada a fazer desaparecer a enfermidade.

- Colecta de informações
- Pesquisa
- Tratamento

A princípio, parece que se trata de um procedimento simples. Mas, quem esta habituado com o assunto, sabe que existem inúmeras particularidades que podem alterar a direcção de um tratamento e fazer com que, de um paciente para outro, sigam-se condutas um pouco diferentes entre si. O estudo de todas estas particularidades constitui-se na ciência médica.No tratamento da obsessão, temos toda uma ciência particular, regida por leis espirituais que governam a metodologia de cura. Infelizmente, os trabalhadores de centros espíritas quase não levam nada disso em consideração. Acham que para se curar um obsedado, basta que este seja colocado a frequentar o centro; que leia o Evangelho e receba passes. Tudo parece simples, como a princípio achamos simples o médico curar o enfermo.A cura da obsessão só parece simples, mas se formos nos dedicar a este ministério, estudando-o profundamente, vamos ver que a ciência espiritual apresenta detalhes que devem ser observados para o sucesso do tratamento.Na diagnose e tratamento das doenças do corpo, temos quatro fases a seguir:

- Sintomas
- exames
- remédios
- resultados

No tratamento da obsessão, podemos desenvolver um método semelhante, visto que o do corpo físico obedece à lógica inquestionável da ciência.

Sintomas
- É a primeira fase do tratamento. Devemos saber quais os sintomas que o paciente apresenta, pois de outra forma não poderemos saber se têm um problema de ordem física, que esteja sendo confundido com obsessão. Existem perguntas básicas (como na ciência médica) que devem ser feitas:
quando começou o problema? O paciente já teve crises convulsivas? Fez eletroencefalograma? Bebe? É viciado em drogas? Já esteve envolvido com terreiros primitivos ou desenvolvendo mediunidade? Qual a idade do paciente, seu endereço etc.Tudo isso deve ser anotado numa ficha. Não se deve confiar na nossa capacidade de lembrar, nem deixar nas mãos dos nossos guias o problema do obsedado, para que eles o solucionem. Em desobsessão, cada um faz a parte que lhe cabe.

Exames mediúnicos Trata-se da segunda fase. Devemos examinar o paciente. Em ciência espírita isso significa submetê-lo à influência de um médium, para que este possa emitir um parecer sobre o caso. O médium é o aparelho de exames.Este exame pode ser feito de duas formas:

- Através de evocações particulares, feitas em nome do paciente,- Por meio de um vidente de faculdade comprovada.
É importante que os médiuns usados nestes exames saibam o mínimo possível a respeito do caso. Isto dará ao responsável pelos tratamentos a possibilidade de aferir o rendimento mediúnico da equipe, confrontando-o com apontamentos feitos na entrevista.

Tratamento
- É a terceira fase. Se os efeitos apresentados na obsessão são intensos e o caso tem caracteres de gravidade, convém que o trabalho de evocação seja desenvolvido por algumas semanas seguidas, em reuniões particulares, de modo a pesquisar causas e agir moralmente sobre o obsessor.Em todos estes procedimentos, o paciente não precisa estar presente, a não ser na entrevista para a colecta de informações e no exame do médium vidente.Caso os efeitos sejam os de uma obsessão simples, actuando mais como um incómodo, basta que o paciente seja submetido às sessões de passes nas reuniões públicas, recebendo ali a fluidoterapia normal e a doutrinação feita pela explanação evangélica. Isso, geralmente, é suficiente para que os sintomas desapareçam.

Resultados
- Quarta e última fase. Por último, uma nova entrevista fornecerá os resultados a respeito da situação do paciente. Se os sintomas regrediram, é sinal que se está a caminho da cura. Se não houver melhora ou mesmo houver piora, devemos empreender nova pesquisa para colectar mais informações: novo diálogo; novo exame; novo tratamento e nova aferição de resultados.Na desobsessão, devemos levar em conta que desobsediar alguém é lutar contra um espírito inferior e precisamos estar convenientemente preparados para isso. Se não procedermos com cautela, poderemos estar correndo o risco de perder a luta e, inclusive, ficarmos obsedado, tentando fazer desobsessão.

A reunião mediúnica
- A reunião mediúnica é a base na qual se fundamenta a recuperação do obsedado. Ele não deve participar dela, nem ser usado como médium de seu obsessor, como se faz em alguns núcleos. Nesses trabalhos íntimos, reúnem-se pessoas sérias, dispostas a trabalharem pelo alívio das misérias dos que caíram presas da obsessão. Estão ali homens e Espíritos, unidos pelo amor ao bem comum, desenvolvendo seus métodos de trabalho com o intento de auxiliarem os sofredores. O Livro dos Médiuns é um poderoso guia capaz de fornecer informações seguras de como se lidar com as evocações para tratamento de obsessões.Alguns factores devem ser considerados quando vamos formar uma equipe para desobsessão.

- O número de participantes, que nunca deve ser excessivo. Os grupos pequenos realizam os melhores trabalhos; as condições morais do grupo devem ser acima da média comum.- Vícios e hábitos grosseiros devem ser combatidos.

- A mediunidade em desobsessão tem que ser praticada de forma religiosa, como instruiu o Codificador.
- Os pensamentos devem estar em uníssono, falando uma só língua, desejando um só fim. A desarmonia entre os membros da equipe prejudica a desobsessão e atrai para os participantes a obsessão;
- Devemos contar com passistas e doutrinadores.
- Por fim, a colaboração de um eficiente secretário, que à baixa luz anotará a evolução da situação espiritual em cada caso.

Certamente, cada casa espírita possui uma estrutura humana, e mesmo material, que nem sempre permite que um trabalho de desobsessão possa ser realizado na sua plenitude. Porém, quando a boa vontade e a seriedade estão presentes, bons resultados não faltarão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

avalie a si mesmo


Avalie a Si Mesmo
Elio MolloColaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palhas

UMA OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

O que é reformar? (literal)

É restituir ou restabelecer à organização primitiva.

O que é transformação? (literal)

É o acto ou efeito de transformar ou de ser transformado. É uma alteração, modificação ou uma mudança de uma forma em outra. Pode ser uma evolução ou mutação mais ou menos lenta de qualquer coisa.

O que é modificação? (literal)

É o acto ou efeito de transformar. É mudança no modo de ser de qualquer coisa. É transformação de uma coisa sem prejuízo da essência.

O que é alteração? (literal)

É o acto ou efeito de modificar o estado normal de alguma coisa. Pode ser, também, o acto de decompor, ou degenerar alguma coisa. Assim, adoptamos a palavra transformação por achá-la mais adequada ao que se refere às mudanças comportamentais.

TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA O QUE É TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA?

É um processo contínuo de auto-análise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos.

O QUE PODEMOS FAZER PARA NOS TRANSFORMARMOS INTIMAMENTE?

Podem-se e devem-se substituir nossos defeitos como por exemplo, o Egoísmo ou Personalismo, o Orgulho, a Inveja, o Ciúme, a Agressividade, a Maledicência e a Intolerância por virtudes, tais como Humildade, Caridade, Resignação, Sensatez, Generosidade, Afabilidade, Tolerância, Perdão, etc.

QUANTO TEMPO PODERÁ LEVAR PARA QUE TAIS MUDANÇAS OCORRAM?

O tempo não importa, o que importa é o esforço contínuo que se faz para atingir a Transformação Íntima. (“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”. Allan Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, Sede Perfeitos). Não se trata de esforço físico, mas de firme contenção de espírito, de um empenho que não sofra excessiva solução de continuidade. "Excessiva", porque, na verdade, também não podemos estar "continuamente" empenhados na transformação de nós mesmos. Deve haver, isto sim, uma persistência de propósito, e a esta persistência chamamos esforço. Em outras palavras, não é bom sintoma abandonar uma actividade ou desviar a energia para um curso mais fácil de acção, ao primeiro sinal de dificuldade. A referência do esforço é nesse sentido: continuidade, persistência em face das dificuldades. Mesmo que no dia a dia dê a impressão de que não houve nenhuma mudança, não se deve desanimar nem abandonar o propósito da transformação. Por isso devemos dizer que este esforço é para a vida toda. Estudar o Evangelho de Jesus, ouvir sugestões de pessoas experientes, assistir conferências, ler artigos e livros referentes a este assunto nos levará a conhecer ainda mais, e assim nos auxiliar na identificação dos defeitos que nos afectam em cada situação da vida e aprender aos poucos a prática das virtudes que irão substitui-los.

COMO FAZER?

O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a nossa Transformação Íntima, e Santo Agostinho em resposta à q. 919ª de O Livro dos Espíritos nos oferece uma excelente receita para isto: “Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas acções, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutros, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto estes nenhum interesse têm em mascarar a verdade, e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, consequentemente, a sua consciência, aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objecto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exactamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.” Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes. Portanto, procuremos conhecer a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, e em como eles nos afectam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar ferramentas adequadas para substitui-los em nosso comportamento. Veja estas sugestões de Benjamin Franklin em sua Autobiografia, tais como escreveu e na ordem que lhes deu:

Temperança –

Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.

Silêncio –

Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.

Ordem –

Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.

Resolução –

Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.

Frugalidade –

Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja, nada desperdice.

Diligência –

Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda actividade desnecessária.

Sinceridade –

Não use de artifícios enganosos; pense de maneira recta e justa, e, quando falar, fale de acordo.

Justiça –

A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.

Moderação –

Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem os injuriantes.

Asseio –

Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.

Tranquilidade –

Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.

Castidade –

Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.

Humildade –

Imite Jesus e Sócrates.

A IMPORTÂNCIA DAS QUEDAS

Um ponto importante é que precisamos contar com as quedas, até que cresçamos espiritualmente, afinal somos como crianças aprendendo a andar, e são as quedas que fortalecem nossa vontade, e nos ensinam a ter persistência. Somos aquilo que conseguimos realizar e não aquilo que prometemos. Através das quedas aprendemos mais sobre nós mesmos e podemos aperfeiçoar o modo de evitá-las. Mas se cairmos porque nos falta vontade de acertar estaremos no caminho descendente e, de queda em queda, nos enfraqueceremos. A criança aprende a andar porque está determinada a fazê-lo. Então, não desanimemos nunca, levantemo-nos logo e sigamos em frente com tranquilidade, sem nos martirizarmos, com conhecimento de causa, na firme determinação de não mais errarmos.

CONCLUSÃO

A cada minuto de nossa vida, antes de iniciar qualquer acção, façamos este exercício de nos perguntarmos sempre: Isto que estou fazendo agora seria bem aceito por Deus ou pela minha consciência? Se for, o procedimento é correcto; se não for devemos descontinuar imediatamente o que iríamos fazer e não pensar mais nisso. “Aquele que, todas as noites, evocasse todas as acções que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós, mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objectivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma acção que não ousaríeis confessar.

Perguntai ainda mais: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado? Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.” - (SANTO AGOSTINHO in O Livro dos Espíritos, q 919a)

A auto-análise permite que alinhemos as nossas acções e pensamentos na direcção das correcções que necessitamos realizar, para que ajustemos os nossos actos de acordo com os ensinamentos do Mestre, tanto com relação a Deus como em relação ao nosso próximo. Através do esforço próprio e de exercícios repetidos em direcção às boas causas, sedimentaremos em nós o próprio Bem. Este processo é árduo, assim necessitaremos de muita coragem, perseverança e determinação para o realizarmos. Deus assiste e auxilia sempre, mas precisamos fazer a nossa parte se desejamos verdadeiramente melhorar. Invistamos em nosso interior e procuremos melhorar nosso espírito eterno, transformando o que esta sociedade transitória estabeleceu como "normal" para nós. Lutemos o bom combate e não a luta mesquinha dos materialistas. A humanidade continuará ainda por muito séculos como é agora, mas nós, que já estamos disposto às mudanças de atitude, que já sentimos o amor ensinado pela Doutrina Espírita, que já estamos conscientes da realização de nossa evolução espiritual, que já começamos a compreender as palavras de nosso grande Mestre (Jesus), podemos fazer a nossa pequena parte vivendo a solidariedade no mais alto grau que é a caridade e realizar a transformação no íntimo de cada um, fazendo a Alquimia moderna de transformar chumbo em ouro.

Referências:
O Livro dos Espíritos – Allan KardecO Evangelho Segundo o Espiritismo
– Allan KardecReforma íntima (artigo) - Paulo Antonio Ferreira - http://home.ism.com.br/~pauloaf/Manual Prático do Espírita de Ney Prieto Peres, da Editora Pensamento.
Fundamentos da Reforma Íntima
- Abel Glaser pelo Espírito Caibar Schutel, da Editora O Clarim.Reforma Íntima (artigo)
- João Batista Armani - http://www.espirito.org.br/portal/palestras/diversos/reforma-intima.html

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A possessão, segundo kardec


A POSSESSÃO, SEGUNDO KARDEC
Fernando A moreira

“Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz; o homem precisa habituar-se a ela pouco a pouco, do contrário fica deslumbrado.
(Allan Kardec)

Há possessos? Existe a possibilidade de dois Espíritos coabitarem num mesmo corpo?

O mergulho cronológico nas obras da Doutrina Espírita, nos leva ao seu berço, “O Livro dos Espíritos”: (1) 1857

Perg.473 – Pode um Espírito tomar temporariamente o invólucro corporal de uma pessoa viva, isto é introduzir-se num corpo animado e obrar em lugar do outro que se acha encarnado nesse corpo?

O Espírito não entra em um corpo como entrais numa casa. Identifica-se com um Espírito encarnado, cujos defeitos e qualidades sejam os mesmos que os seus, a fim de obrar conjuntamente com ele. Mas, o encarnado é sempre quem actua, conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, por isso que este terá que permanecer ligado ao seu corpo até ao termo fixado para sua existência material.

Kardec, retira suas conclusões, prepara e formula a pergunta seguinte, e os Espíritos respondem: (1)

Perg. 474_ Desde que não há possessão propriamente dita, isto é coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsediada ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada?

Sem dúvida e são esses os verdadeiros possessos. Mas é preciso que saibas que essa denominação não se efectua nunca sem que aquele que sofre o consinta, que por sua fraqueza, quer por deseja-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos.

Os Espíritos aí, fazem uma nítida distinção entre os verdadeiros e os falsos possessos.
Os verdadeiros são os subjugados até ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada; os falsos são os que não correspondem aos casos de obsessão, necessitando tratamento médico.

Comenta ainda Kardec, após a resposta dos Espíritos:

O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se a Espíritos imperfeitos que a subjuguem.
1858
Se havia alguma dúvida sobre a opinião do Codificador até aquele momento, ele a desfaz no texto da Revista Espírita, por ele dirigida: (2)

Antigamente dava-se o nome de possessão ao império exercido pelos maus Espíritos, quando sua influência ia até a aberração das faculdades. Mas a ignorância e os preconceitos, muitas vezes, tomaram como possessão, aquilo que não passava de um estado patológico. Para nós, a possessão seria sinónimo de subjugação. Não adoptamos esse termo (...) porque ele implica igualmente a ideia de tomada de posse do corpo pelo Espírito estranho, uma espécie de coabitação ao passo que existe apenas uma ligação. O vocábulo subjugação da uma ideia perfeita. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar da palavra; há simplesmente obsediados, subjugados e fascinados.

Fica bastante claro que, para ele, até aqui, não existia possessão.
1861
O texto acima é parecido com o exarado no “O Livro dos Médiuns” (3), com uma diferença significativa no parágrafo, qual seja, a troca da palavra “ligação”, por “constrangimento”.
1862
Momentaneamente, temos a impressão de que estariam respondidas, as indagações formuladas na inicial, mas, apesar dessas considerações, o termo possessão reaparece na Revista Espírita: (4)

Ninguém ignora que quando o Cristo, nosso muito amado mestre, encarnou-se na Judeia, sob os traços do carpinteiro Jesus, aquela região havia sido invadida por legiões de maus Espíritos que, pela possessão, como hoje, se apoderavam das classes sociais mais ignorantes, dos Espíritos encarnados mais fracos e menos adiantados (...) é preciso lembrar que os cientistas, os médicos do século de Augusto, trataram, conforme os processos hipocráticos, os infelizes possessos da Palestina e que toda sua ciência esbarrou ante esse poder desconhecido. (Erasto)

Na mesma revista e no mesmo ano, (5) Kardec, nos “Estudos sobre os Possessos de Morzine”, acrescenta a seguinte consideração:

O paroxismo da subjugação é geralmente chamado de possessão.
1863

A retomada do termo, tinha uma razão, e Kardec é bem incisivo na sua opinião na Revista Espírita, sobre os mesmos Possessos de Morzine, que certamente o impressionaram e influíram na mudança de sua conceito sobre possessão, e valeram doze citações no índice remissivo da Revista Espírita (1862, 63, 64, 65 e 68), além de outros estudos, na mesma revista, como, por exemplo, quando analisa “Um Caso de Possessão”. (6) (7) Senão vejamos:

Temos dito que não havia possessos, no sentido vulgar do vocábulo, mas subjugados. Voltamos a esta asserção absoluta, porque agora nos é demonstrado, que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, posto que parcial, de um Espírito errante a um encarnado. (...) Não vendo senão o efeito, e não remontando à causa, eis porque todos os obsediados, subjugados e possessos passam por loucos (...). Eis um primeiro facto, que o prova, e apresenta o fenómeno em toda a sua simplicidade. (...)

(O Sr. Charles) Declarou que, querendo conversar com seu velho amigo, aproveitava o momento em que o Espírito da Sra. A..., a sonâmbula, estava afastado do corpo, para tomar-lhe o lugar. (....). Eis algumas de suas respostas.

- Já que tomastes posse do corpo da Sra.A.. poderíeis nele ficar ?

- Não; mas vontade não me falta.
-Por que não podeis?
-Porque seu Espírito está sempre ligado ao seu corpo. Ah! Se eu pudesse romper esse laço eu pregaria uma peça.
- Que faz durante este tempo o Espírito da Sra. A....
- Está aqui ao meu lado; olha-me e ri, vendo-me em suas vestes.
O Sr. Charles(...) era pouco adiantado como Espírito, mas naturalmente bom e benevolente. Apoderando-se do corpo da Sra. A... não tinha qualquer intenção má; assim aquela Sra. nada sofria com a situação, a que se prestava de boa vontade.

Aqui a possessão é evidente e ressalta ainda melhor dos detalhes, que seria longo enumerar. Mas é uma possessão inocente e sem inconvenientes.

Na mesma página, no entanto, Kardec descreve um caso de possessão da Sra. Júlia, agora dirigida por um Espírito malévolo e mal intencionado.

Há cerca de seis meses tornou-se presa de crises de um carácter estranho, que sempre corriam no estado sonambúlico, que, de certo modo, se tornara seu estado normal. Torcia-se, rolava pelo chão, como se debatesse, em luta com alguém que a quisesse estrangular e, com efeito, apresentava todos os sintomas de estrangulamento.

Acabava vencendo esse ser fantástico, tomava-o pelos cabelos, derrubava-o a sopapos, com injúrias e imprecações, apostrofando-o incessantemente com o nome de Fredegunda, infame regente, rainha impúdica, criatura vil e manchada por todos os crimes, etc.

Pisoteava como se acalcasse aos pés com raiva, arrancando-lhe as vestes. Coisa bizarra, tomando-se ela própria por Fredegunda, dando em si própria redobrados golpes nos braços, no peito, no rosto, dizendo: “Toma! Toma! É bastante, infame Fredegunda? Queres me sufocar, mas não o conseguirás; queres meter-se em minha caixa, mas eu te expulsarei.” Minha caixa era o termo que se servia para designar o próprio corpo. (...)

Um dia para livrar-se de sua adversária, tomou de uma faca e vibrou contra si mesma, mas foi socorrida a tempo de evitar-se um acidente.

Vemos aí, a luta de dois Espíritos pelo mesmo corpo.

Este Espírito, Fredegunda, foi posteriormente evocado em sessões mediúnicas e convertido ao bem. (8)

Mas, voltando aos Possessos de Morzine, (9) diz Kardec referindo-se ao perispírito:
Pela natureza fluídica e expansiva do perispírito, o Espírito atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza. (...) Como se vê, isto é inteiramente independente da faculdade mediúnica (...)

Estes últimos, sobretudo (os possessos do tempo de Cristo), apresentam notável analogia com os de Morzine.

Na mesma revista e no mesmo ano, seleccionamos e pinçamos, para dimensionarmos a extensão daquela possessão colectiva: (10)

Os primeiros casos da epidemia de Morzine se declararam em Março de 1857 (...) e em 1861 atingiram o máximo de 120. (...)

(...) o carácter dominante destes momentos terríveis é o ódio a Deus e a tudo quanto a ele se refere.
1864

Ainda sobre a possessão da Sra. Júlia (12), refere-se Kardec na Rev. Espírita, (11):
No artigo anterior (1863) descrevemos a triste situação dessa moça e as circunstâncias que provavam uma verdadeira possessão.

O grau de intensidade das possessões e sua reactividade a tentativa de exorcização, vai bem descrita na Revista Espírita: (12)

“ Desde que o bispo pisou em terras de Morzine”, diz uma testemunha ocular, “sentindo que ele se aproximava, os possessos foram tomados de convulsões as mais violentas; e, (...) soltavam gritos e urros, que nada tinham de humano. (...)

As possessas, cerca de setenta, com um único rapaz, juravam, rugiam, saltavam em todos os sentidos. (...) A última resistiu a todos os esforços; vencido de fadiga e de emoção, ele (o bispo) teve que renunciar a lhe impor as mãos; saiu da igreja trémulo, desequilibrado, as pernas cheias de contusões recebidas das possessas, enquanto estas se agitavam sob suas bênções.” (...)
Encontramos no “Evangelho, Segundo o Espiritismo, (13) a seguinte referência sobre possessão e reforma íntima:

(...) para isenta-lo da obsessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsediado trabalhe pela sua própria melhoria, o que as mais das vezes basta para se livrar do obsessor, sem recorrer a terceiros. O auxílio destes se faz indispensável, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque aí não raro o paciente perde a vontade e o livre arbítrio.

No mesmo livro, (14), há considerações sobre as causas da possessão:
O Espírito mau, espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições.

Nesse facto reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão.
1867

Ainda na Revista Espírita, (15) encontramos informações de como é esta perda do livre arbítrio e como impedi-la:

Objectar-me-eis, talvez, que nos casos de obsessão, de possessão, o aniquilamento do livre arbítrio parece ser completo. Haveria muito a dizer sobre esta questão porque a acção aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, como foi possível constatar em muitas ocasiões. (...)

Procedeis em relação aos Espíritos obsessores ou inferiores que desejais moralizar (...) algumas vezes conscientemente, quando estabeleceis, em torno deles uma toalha fluídica, que eles não podem penetrar sem vossa permissão, e agis sobre eles pela força moral, que não é outra coisa senão uma acção magnética quintessênciada.
1868

Na “A Génese”, (16) Kardec disserta sobre domicílio Espiritual, típico caso de coabitação, ou como agora quer Hermínio Miranda, “condomínio espiritual, com síndico e convenção.”
Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito actuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado, tomando-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, consequentemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção.

De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito serve-se dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra (...)

Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado.
Quando é mau o Espírito possessor, (...) ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o (...)

Seguindo ainda, no mesmo livro:
Parece que ao tempo de Jesus, eram em grande número, na Judeia, os obsediados e os possessos (...) Sem dúvida, os Espíritos maus haviam invadido aquele país e causado uma epidemia de possessões. (17)

Com as curas, as libertações do possessos figuram entre os mais numerosos actos de Jesus. (...) “Se eu expulso os demónios pelo Espírito de Deus, é que o reino de Deus veio até vós.” (S. Mateus, cap. XII, 22 e 23) (18)

Deduzimos com base no exposto que, para que exista possessão, é preciso que o Espírito obsessor identifique-se com o Espírito encarnado; aquele, atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza; o aniquilamento do livre arbítrio, parece ser completo, porque a acção aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, pois o encarnado é que actua conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido e portanto aquela dominação não se efectua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por deseja-la; em vez de agir exteriormente ao Espírito encarnado, toma-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois isso só se pode dar pela morte, por isso, a possessão é sempre momentânea, temporária e intermitente. Para se libertar da possessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsediado trabalhe para sua própria melhoria, estabelecendo em torno de si, uma toalha fluídica, que eles não possam penetrar sem sua permissão, agindo sobre eles pela força moral, por uma acção magnética quintessênciada. Na possessão isto só é possível, com a ajuda indispensável de terceiros.

Portanto, respondendo às indagações iniciais deste trabalho, podemos dizer que Kardec, analisou todas as facetas e prismas da possessão e concluiu que; existe possessão e também coabitação.
Uma obra, como a da Codificação Espírita, é indivisível e portanto deve ser analisada como um todo, jamais devendo ser fragmentada ou dividida, na análise de seu conteúdo; existem vários temas, nas obras básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, A Génese, O Céu e o Inferno) e na Revista Espírita, em que as verdades foram estudadas à luz dos conhecimentos adquiridos no dia a dia e suas opiniões, às vezes alteradas, sem que correspondessem a uma mudança de ideia, mas sim, a uma evolução de verdade em verdade, degrau a degrau na escada ascensional do conhecimento, como convém a um cientista sábio, astuto, inteligente, honesto e antes de tudo, humilde, coisa rara, aliás.

A fé raciocinada sobre a égide desta humildade, aconselhada e praticada pelo mestre lionês, levou-o na busca incessante da verdade, que sempre caracterizou suas acções, a correcta elucidação conceptual de possessão, incitando-nos também a libertarmo-nos de duas outras; a dos dogmas e a do fanatismo.

Tenhamos igual têmpera e nos deixemos contaminar pela sua lição e pelo seu exemplo; a lição inclina, o exemplo arrasta

.BIBLIOGRAFIA(1) KARDEC, Allan . O Livro dos Espíritos, ed. FEB, 1987, perg. 473, pg. 250.·
(2) Revista Espírita , 1858, pg. 278.(3) KARDEC, Allan . O Livro dos Médiuns, ed. FEB, 1982 , item 240, pg. 300.(4) Revista Espírita, 1862, pg. 109.(5) Idem , 1862, pg. 359(6) Idem , 1863, pg. 373.(7) KARDEC, Allan . Obsessão, ed. “O Clarim”, 1993, pg. 225.(8) Idem , pg. 229.(9) Revista Espírita, 1863 pg. 01.(10) Idem, 1863, pg. 103.(11) Idem, 1864, pg. 11.(12) Idem, 1864, pg.225.(13) KARDEC, Allan . O Evangelho Segundo o Espiritismo, ed. FEB, 1995, pg. 432.(14) Idem, pg. 171.(15) Revista Espírita, 1867, pg. 192.(16) KARDEC, Allan . A Génese, ed. FEB, 1980, pg. 306.(17) Idem, pg. 330.(18) Idem, pg. 329.___________________

(Artigo originalmente publicado pela Casa Editora O Clarim na edição de Setembro de 2001 da Revista Internacional de Espiritismo)