quinta-feira, 24 de maio de 2007

lei da reprodução


Repensando Kardec - Da Lei da Reprodução

(O Livro dos Espíritos, questões 686 a 701)
Inaldo Lacerda Lima

População do Globo. A primeira indagação do Codificador é a propósito da reprodução dos seres vivos como lei da Natureza. E os Espíritos Reveladores respondem que o mundo corporal pereceria sem a reprodução deles.

Entretanto, diante da preocupação com a possibilidade de a população do Globo tornar-se excessiva, respondem eles, sempre amparados na lógica, que a tudo Deus provê, mantendo em tudo o equilíbrio da vida, pois coisa alguma Ele faz inútil. Nós, os homens, é que temos o hábito de observar a Natureza por partes, e quase nunca em seu conjunto.

Sucessão e aperfeiçoamento das raças. Constitui este um outro aspecto da lei de reprodução. E ao falar de raças humanas, que evidentemente decrescem, indaga Kardec em nome da Doutrina Espírita se ocorrerá um momento, na História, em que estarão elas desaparecidas.

E os Espíritos informam que assim acontecerá de facto, pois que outras raças, um dia, deverão tomar o lugar das que hoje existem.

Mas, esclarecem, em face da questão 689, que serão os mesmos Espíritos que voltarão a aperfeiçoar-se em novas indumentárias físicas, embora ainda imperfeitos.
Desse modo, a actual raça humana que tende a invadir toda a Terra, substituindo as que se extinguem, terá também sua fase de decrescimento e desaparecerá com o surgimento de outras mais aperfeiçoadas, tal como os homens mais civilizados de hoje são descendentes dos seres brutos e selvagens dos tempos primitivos, e tudo isso como lei natural. Já atendendo à questão seguinte, em relação aos corpos das raças actuais, se são de criação especial, respondem que “a origem das raças se perde na noite dos tempos”, o que significa que os corpos humanos também se aperfeiçoam com a evolução dos seres que os vestem.

Quanto ao carácter distintivo e dominante das raças primitivas, em que se destacava o “desenvolvimento da força bruta, à custa da força intelectual”, dá-se o contrário em nossos dias, quando o homem realiza mais e melhor, pela inteligência, ao aprender como aproveitar os recursos da Natureza.

Na questão 692, embora compreendendo-a bem, Allan Kardec, ao salientar algo sobre o aperfeiçoamento das raças animais através da Ciência, enseja aos Espíritos esclarecerem que tudo deve ser feito a serviço da perfeição; que o próprio homem, nesse sentido, é instrumento de que Deus se serve; a perfeição é meta a que tende a Natureza, de modo que facilitá-la é corresponder à Sua visão divina. Ao objectar, ainda, o Codificador sobre o facto de os esforços de que o homem se serve estarem relacionados sempre ao acréscimo de seus gozos, não lhe diminui isso o mérito, respondem os Espíritos incumbidos da revelação do Consolador com outra indagação:
“Que importa seja nulo o merecimento, desde que o progresso se realize? Cabe-lhe tornar meritório, pela intenção, o seu trabalho. Demais, mediante esse trabalho, ele exercita e desenvolve a inteligência e sob este aspecto é que maior proveito.

Obstáculos à reprodução. Já as questões seguintes – 693 e 694 – relacionam-se com os obstáculos à reprodução, indagando se tais obstáculos não são contrários à lei da Natureza. E a resposta não se faz esperar, com a mesma lógica de sempre: “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral.”

Allan Kardec, prevendo decerto novas objecções do próprio homem, lembra que há espécies de seres vivos – animais e plantas –, cuja reprodução indefinida poderia ser nociva a outras espécies; desse modo praticaria o homem acção repreensível impedindo-a? Damos, aqui, destaque a três advertências fundamentais dos Espíritos, nesse sentido:

1. Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar sem abuso, podendo pois regular tal reprodução de acordo com suas necessidades.

2. A acção inteligente do homem é sempre um contrapeso que Deus dispôs para estabelecer equilíbrio entre as forças da Natureza, desde que haja conhecimento
de causa. E isso, inegavelmente, vem sendo mostrado pelos cientistas actuais.

3. Mas, no caso dos animais, os mesmos também concorrem para a existência desse equilíbrio, porquanto o instinto de destruição que lhes foi dado faz com que, provendo à própria conservação, obstem ao desenvolvimento excessivo, quiçá perigoso, das espécies animais e vegetais de que se alimentam.

Cabe-nos, aqui, na oportunidade, lembrar que o homem, mormente em nosso riquíssimo país, se comporta, em muitos casos, como ser abusivo, contra a própria Natureza, sofrendo as consequências amargas desse abuso, qual seja o caso do desmatamento em regiões que não o devem sofrer, de modo descontrolado; do cultivo abusivamente excessivo de plantas como a maconha, e de outros recursos para a fabricação perversa de drogas; e, ainda, a extinção de espécies animais, tudo com vistas à manutenção de interesses egocêntricos.

Há práticas humanas que consistem no propósito de evitar a reprodução, como satisfações sensuais, o que levou o mestre Kardec – a respeito da seriedade do assunto – a buscar o pensamento dos Espíritos Reveladores. E responderam eles que tal prática “prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material”.

Casamento e celibato. A seguir, nas questões 695 a 699, procura o Codificador ouvir os Espíritos Superiores a fim de, através deles, oferecer-nos preciosas orientações a respeito do casamento; e que efeito teria sobre a sociedade a sua abolição;
se está na Natureza ou apenas nas leis humanas a sua indissolubilidade absoluta e, ainda, se o celibato representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus.
Eles, pacientemente, nos levam a reflectir, mostrando que o casamento é um progresso na marcha da Humanidade, e a sua abolição seria um regresso à vida irracional.

O Codificador nos faz sentir que, volvendo à infância da Humanidade, o homem se colocaria abaixo de certos animais que lhe dão exemplos de uniões constantes nesse sentido; e que a dissolução do casamento não deixaria de ser lei humana contrária à Natureza, porquanto esta é imutável.

Quanto ao celibato voluntário, nada tem de meritório aos olhos de Deus, salvo os que dele se utilizam, não por egoísmo, mas por uma questão de renúncia ou sacrifício a serviço do Bem e da Humanidade, caso em que o homem, nisso, não atenta contra a lei de Deus.

Poligamia. No que tange às questões 700 e 701, referentes à poligamia, Allan Kardec indaga se a igualdade numérica mais ou menos existente entre os sexos não é indício da proporcionalidade de união entre eles. Os Espíritos o confirmam, mostrando, em resposta à questão seguinte (701), que a abolição da poligamia, lei ainda existente entre alguns povos, marcará um progresso social – que dizemos grandioso –, porquanto “o casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem”. E concluem sabiamente:
“Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade.”

Fonte: Revista Reformador – jan/2005

lei do trabalho


Lei do Trabalho
Roque Jacinto

O TRABALHO

O trabalho, queiramos ou não, é uma lei da Natureza e, por isso, o trabalho é uma necessidade imperiosa de que não nos convém furtar.

A civilização, à medida que avança, consequentemente obriga o homem a mais trabalho, já que os tempos modernos aumentam as nossas necessidades e aumentam, consequentemente, os nossos prazeres.

Não devemos entender, porém que o trabalho seja tão só o das ocupações profissionais que nos asseguram o equilíbrio psíquico e os prazeres do corpo físico.

ATIVIDADE DO ESPÍRITO

O nosso Espírito, em si, deverá trabalhar tanto quanto o nosso próprio corpo físico, sabendo-se que toda ocupação útil é uma actividade necessária para o nosso próprio equilíbrio espiritual.

E toda ocupação útil é trabalho.

O trabalho em si, é consequência da nossa própria natureza física, impondo-se como o meio de superar-se e nos realizarmos e, ao mesmo tempo, é o mais apropriado recurso para aprimorar e ampliar a nossa própria inteligência.

Sem o trabalho, o ser humano permaneceria num estado primário da inteligência, incapaz de liberar-se para alcançar a maturidade espiritual necessária.

Somos induzidos a uma actividade útil, por necessitarmos de alimentação e segurança e de bem-estar e, nesse conjunto de necessidades naturais, somente o trabalho físico ou a actividade intelectual nos dá a sensação de vida e de bem-estar.

Aos que tenham um corpo físico frágil, o Pai Celestial lhes atribui mais inteligência, para que possam desempenhar um trabalho ajustado à sua própria fragilidade.

A NATUREZA

Dentro da Natureza todos trabalham, movimentando-se de acordo com o que podem e devam realizar e os próprios animais desempenham actividades, de acordo com os rudimentos de inteligência que alcancem dentro da Lei de Conservação.

O HOMEM

O trabalho do homem, contudo, tem uma dupla finalidade, ou seja, a da conservação do corpo físico e o do desabrochar o seu pensamento, o que lhe é uma necessidade imperiosa, já que somente o desenvolvimento de sua inteligência poderá elevá-lo acima de si mesmo.

OS ANIMAIS

O trabalho dos animais está voltado para a sua própria conservação e este é o objectivo de sua actividades primárias.

Entregando-se, contudo, a prover as suas próprias necessidades materiais, eles se tornam agentes, embora inconscientes, dos desígnios do Pai Celestial.

O trabalho que os animais desenvolvem, também contribui para o objectivo final da Natureza, se bem que não descubramos ainda qual seja o resultado imediato dessa actividade.

TRABALHO RELATIVO

Em planos mais amadurecidos do que o nosso, todos se acham dentro da mesma necessidade de trabalhar, convindo, porém, observar que a natureza de cada actividade guarda estreita relação com a natureza das necessidades de cada Espírito.
Mesmo que seja, portanto, material o trabalho, menos será a actividade material.
Não creia, porém, que em algum lugar do Universo Divino, possa a criatura permanecer inactiva e inútil, já que o não trabalho seria um suplício e não um benefício.

AÇÃO NO CAMPO DO BEM

O homem que possua bens suficientes para assegurar a sua própria existência poderá estar, talvez, livre do trabalho de ordem material. Ele deverá, contudo, render-se à obrigação de tornar-se útil, conforme com os meios de que disponha, a fim de aperfeiçoar a sua própria inteligência ou, então, para colaborar para que outros se aperfeiçoem e essa sua atitude é igualmente um trabalho.

Se o homem, a quem o Pai Celestial facultou bens suficientes para assegurar a sua existência não está certamente, constrangido a nutrir-se com o suor do seu rosto, mas a obrigação dele ser útil a seus semelhantes é muito mais, quanto mais ocasiões ele tem de praticar o Bem.

IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR

Há seres humanos, é certo, que estão impossibilitados de trabalhar ou de desenvolver qualquer actividade útil, em função de circunstancias físicas ou mentais adversas.
Lembremo-nos, contudo, que o Pai Celestial é absolutamente justo e não submete a nenhum de seus filhos a um constrangimento aos que não podem, involuntariamente, exercer actividades materiais.

O que é condenável, portanto, dentro da Lei do Trabalho, é aquele que inutiliza a sua própria existência, fazendo-se um inútil, voluntariamente, no campo da vida, já que assim procedendo passa a ter uma existência inútil.

PAIS E FILHOS

A Lei da Natureza impõe a obrigação de trabalhar a favor de seus parentes e, muito principalmente, a obrigação de trabalhar a favor de seus pais mais idosos. O Pai Celestial criou, em cada um de nós, o amor filial e o amor paternal e maternal e, essa expressão de amor, passou a ser um sentimento instintivo e natural, a fim de que, por essa afeição recíproca, os membros de uma mesma família se amparem mutuamente.

Infelizmente, contudo, esse amor recíproco é facilmente esquecido pela nossa sociedade actual, notadamente quando se extrema a indiferença.

LIMITE DO TRABALHO

O repouso é, também, uma lei da Natureza, sem nenhuma dúvida, já que através do repouso, as forças físicas se recompõem e o repouso é também necessário, a fim de liberar um tanto mais a inteligência, para que o homem se exercite a pôr-se acima da própria matéria.

O limite do trabalho, por isso, está no limite da força física ou intelectual e, sobre esse limite, o Pai Celestial deixa o homem inteiramente livre, cabendo à criatura ajustar-se ao limite de sua própria capacidade produtiva.

EXCESSOS

Em algumas regiões da Terra e em algumas circunstâncias, alguém que utiliza a força dos trabalhadores poderá impor a seus subordinados um excesso de trabalho.
Esse excesso é, sem dúvida, uma má e irresponsável acção, já que todo aquele que tem o poder do mando, responderá pelo excesso do trabalho que imponha a seus subordinados e isso é uma transgressão da lei do Pai Celestial.

REPOUSO

Atingida a velhice, já com as forças físicas desgastadas, é justo que tenha o homem de repousar, uma vez que trabalho deverá ser sempre de acordo com as suas próprias forças físicas.

` Ocorre por vezes, no entanto, que o velho necessita trabalhar para viver e nem sempre dispõe de forças para tanto.

A regra justa da própria caridade é, neste caso, que o mais jovem deve trabalhar, para compensar a incapacidade do mais idoso.

Cabe, pois, à sociedade, como um todo, que se o velho não tenha família que o ampare, a sociedade deve, ampará-lo integralmente, já que no seu passado, esse homem trabalhou para muitos.

CONSIDERAÇÕES

Não basta alertar o homem sobre a obrigação de trabalhar. Faz-se necessário, acima de tudo, que aquele que tem do que se prover para a sua subsistência através do trabalho, encontre sempre no que se ocupar, facto este que nem sempre ocorre. Quando se generaliza a falta de emprego, estaremos sempre diante de um flagelo social e graves consequências, por se inclinarem os homens para a miséria.

A Ciência Económica, diante desse facto doloroso, deve buscar a solução desse desequilíbrio entre a produção e o consumo de bens, mas esse equilíbrio, se for possível obtê-lo experimentará sempre intermitências durante os intervalos do não-emprego e, naturalmente, nesses intervalos o trabalhador não deixa de ter que viver e sobreviver.

Há, contudo, um elemento que nem sempre se costuma pesar na balança e sem o qual a Ciência Económica não passa de simples e complexa teoria.
Esse elemento é a educação.

Não nos referimos, por certo, somente à educação intelectual, que poderemos absorver nos bancos escolares. Referimo-nos, isto sim, à educação moral.

Anote, contudo, que não nos referimos à educação moral obtida na leitura de livros e, sim, à educação que forma o carácter, aquela que interioriza hábitos saudáveis, ao conjunto de atitudes igualmente saudáveis.

Considerando-se, por outro lado, a massa de indivíduos que todos os dias se injecta na torrente da população terrena, sem princípios saudáveis, sem os freios morais e sujeitas, por isso, a seus próprios instintos rudimentares, por acaso poderemos ficar perplexos, espantados, com as consequências desastrosas de que isso resulta?

Quando a moral for conhecida, compreendida e praticada, o homem exercitará os hábitos da ordem e da previdência para consigo mesmo e para com os seus, respeitando a tudo o que é respeitável, sem fazer-se mesquinho e sem fazer-se perdulário.

Seus novos e saudáveis hábitos, portanto, lhe permitirão atravessar menos penosamente os inevitáveis maus dias.

Vejamos, pois, que a desordem e a imprevidência, são duas chagas dolorosas que somente uma boa educação moral poderá sanar.

A educação é o ponto de partida para alcançar o bem-estar mais contínuo, para consolidar a segurança de todos.

ECONOMIA DIRIGIDA

Para realizar a Lei do Trabalho, a economia deve de ser dirigida, no tocante à técnica de produção e aos processos de consumo.

Nada, contudo, deverá prejudicar a lei das trocas, já que qualquer ingerência nessa lei natural, resultará em graves consequências para toda a colectividade.
A vida, em si, depende de trocas contínuas e toda e qualquer restrição que se estabeleça, cria uma inversão de todos os valores da vida, dando margem à violência e ao extermínio.

DAS LEIS MORAIS – Roque Jacinto

lei da adoração


lei da adoração

1 Objectivo da adoração. 2 Adoração exterior. 3 Vida contemplativa. 4 A prece. 5 Politeísmo. 6 Sacrifícios.

1 Objectivo da adoração

adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. É um sentimento inato no homem, como o da existência de Deus. A consciência da sua fraqueza leva o homem a curvar-se diante daquele que o pode proteger. Nunca houve povos destituídos de todo sentimento de adoração. Todos compreendem que acima de tudo há um ente supremo.

2 Adoração exterior

A adoração verdadeira não precisa de manifestações exteriores, pois ela parte do coração. A adoração exterior, se não constituir num vão simulacro, tem seu valor relativo. Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimónias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que se exprimam. É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos actos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afectada e contradiz seu procedimento. A adoração em comum dá mais força aos homens para atrair a si os bons Espíritos. Entretanto, não devemos crer que menos valiosa seja a adoração particular, pois que cada um pode adorar a Deus pensando nele.

3 Vida contemplativa

Perante Deus não tem mérito a vida contemplativa, porquanto, se é certo que não fazem o mal também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.

4 A prece

A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para ele, a intenção é tudo. Assim, preferível lhe é a prece do íntimo à prece lida. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunhão com ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer. A prece torna melhor o homem, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. O essencial não é orar muito, mas orar bem. Aquele que pede perdão de suas faltas só obtém-no mudando de procedimento. As boas acções são a melhor prece, por isso que os actos valem mais que as palavras.

O pensamento e a vontade representam em nós um poder de acção que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A prece que façamos por outrem é um acto dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar, em auxílio daquele por quem oramos, os bons Espíritos, que lhe virão sugerir bons pensamentos e dar força de que necessitem seu corpo e sua alma.

As nossas provas estão nas mãos de Deus e algumas hão que ser suportadas até o fim; mas, sempre Deus leva em conta a resignação. A prece traz para junto de nós os bons Espíritos e, dando-nos estes a força de suportá-las, corajosamente, menos rudes elas nos parecem.

Os desígnios de Deus não podem ser mudados, mas a alma por quem se ora experimenta alívio, porque recebe assim um testemunho do interesse que inspira aquele que por ela pede e também porque o desgraçado sente sempre um refrigério, quando encontra almas caridosas que se compadecem de suas dores. Amai-vos uns aos outros, disse o Cristo. Esta recomendação contém a de empregar o homem todos os meios possíveis para testemunhar aos outros homens afeição, sem haver entrado em minúcias quanto à maneira de atingir ele esse fim. Pode-se também orar aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de sua vontade.

5 Politeísmo

Uma das crenças mais antigas e espalhadas pelo mundo, foi o politeísmo. A concepção de um Deus único não poderia existir no homem, senão como resultado do desenvolvimento de suas ideias. Incapaz, pela sua ignorância, de conceber um ser imaterial, sem forma determinada, actuando sobre a matéria, conferiu-lhe o homem atributos da natureza corpórea, isto é, uma forma e um aspecto e, desde então, tudo o que parecia ultrapassar os limites da inteligência comum era, para ele, uma divindade. Daí crer em tantas potências distintas quantos os efeitos que observava. Em todos os tempos, porém, houve homens instruídos que compreenderam ser impossível a existência desses poderes múltiplos a governarem o mundo, sem uma direcção superior, e que, em consequência, se elevaram à concepção de um Deus único.

6 Sacrifícios

Remonta à mais alta antiguidade o uso dos sacrifícios humanos, e isso se explica porque o homem não compreendia Deus como sendo a fonte da bondade. Nos povos primitivos, a matéria sobrepuja o Espírito; eles se entregam aos instintos do animal selvagem. Em segundo lugar, é natural que os homens primitivos acreditassem ter uma criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus, do que um corpo material. Foi isto que os levou a imolarem, primeiro, animais e, mais tarde, homens. Não foi de um sentimento de crueldade que se originaram os sacrifícios humanos e sim de uma ideia errónea quanto a maneira de agradar a Deus. Com o correr dos tempos, os homens entraram a abusar dessas práticas, imolando seus inimigos comuns, até mesmo seus inimigos particulares. As Guerras Santas, por exemplo, são feitas por homens impelidos pelos maus Espíritos que contravêm à vontade de Deus. Todas as religiões, ou, antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, não se justificando uma guerra sob o fundamento de ser a religião destes diferente da daqueles. Deus abençoa sempre os que fazem o bem, e o melhor meio de honrá-lo consiste em minorar os sofrimentos dos pobres e dos aflitos. O homem que se atém às exterioridades, e não ao coração, é um Espírito de vistas acanhadas.

rederência: ABC do espiritismo

lei divina ou natural


Da lei divina ou natural

1 Caracteres da lei natural. 2 Origem e conhecimento da lei natural. 3 O bem e o mal. 4 Divisão da lei natural.

1 Caracteres da lei natural

A lei natural é lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta. Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. Para que o homem possa aprofundar-se nas leis de Deus é preciso muitas existências.
Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contêm as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.

2 Origem e conhecimento da lei natural

Todos podem conhecer a lei de Deus, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efectue. A alma compreende a lei de Deus de acordo com o grau de perfeição que tenha atingido e dela guarda a intuição quando unida ao corpo. Essa lei está escrita na consciência do homem. Como ele a esquece e despreza, Deus a lembra através de seus missionários, que são Espíritos superiores que se encarnam na Terra, com a missão de fazer progredir a humanidade.

O carácter do verdadeiro profeta é ser um homem de bem, inspirado por Deus. Podemos reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos actos. Impossível é que Deus se sirva da boca de um mentiroso para ensinar a verdade. Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava. Jesus pregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares. Faz-se mister, agora, que a verdade se torne inteligível para todo mundo, daí porque vieram os Espíritos trazer o ensino claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado.

3 O bem e o mal

A moral é a regra do bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Deus deu inteligência ao homem para distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal.
Os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis porque se une ao corpo.

A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende, principalmente, da vontade que se tenha de o praticar. Tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz. Não basta que o homem deixe de praticar o mal; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem. Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Para certos homens, o meio onde se acham colocados representa a causa primária de muitos vícios e crimes, mas, ainda aí, há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade, levado pelo desejo de expor-se à tentação para ter o mérito da resistência. O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse Jesus, a propósito do óbulo da viúva.

4 Divisão da lei natural

A lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Deus. Esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Demais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos deixam grande número de portas abertas a interpretações.

A divisão da lei natural em dez partes, compreendendo as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade, é de natureza a abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Entretanto, a última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras.

referência:ABC do espiritismo

quarta-feira, 23 de maio de 2007

lei da igualdade


Lei de Igualdade
Augusta Airosa

Revista de Espiritismo nº. 33, Outubro/Dezembro 1996

Todos os homens são iguais, pois todos foram criados com o mesmo fim: o de progredirem sempre até atingir a perfeição.
Ao longo da sua existência multissecular todos são submetidos às mesmas leis naturais, tendo que passar, mais ou menos, as mesmas provas. Assim, pode-se afirmar que Deus não concedeu superioridade original ou natural a nenhum homem.
Apesar de naturalmente serem iguais, ninguém pode negar a desigualdade de aptidões existentes entre os homens, desigualdade esta que não foi criada por Deus, mas que é antes fruto do tempo que cada um já viveu (reencarnou), ou seja, do tempo que cada um teve para realizar mais ou menos aquisições.

— a diferença está no grau de experiência e no exercício do livre-arbítrio. Esta desigualdade é necessária a fim de que cada um desempenhe e possua a sua função útil, que se complementará com a dos outros. Também habitantes (espíritos elevados em sabedoria e amor) de mundos superiores, habitam, por vezes, mundos inferiores ao seu, para servirem de exemplo aos mais atrasados. No estado de espíritos desencarnados, eles podem escolher uma situação mais precária do que a anterior, desde que tenha por função ajudar alguém ou mesmo a si próprio. Porém, só pelo facto dele passar a habitar (reencarnar) um mundo inferior ao seu, não implica que ele perca as faculdades já adquiridas, pois um espírito que progrediu não regride mais.
O espírito ao unir-se ao corpo conserva os atributos de natureza espiritual que conquistou até então. No entanto, o exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumento. Estas vão ser enfraquecidas pela matéria, pois ela é um obstáculo à sua livre manifestação. Não se pode concluir, no entanto, que os órgãos sejam um obstáculo ao desenvolvimento das faculdades, pois não são estes que nos fornecem as faculdades mas antes as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos. É um pouco o que acontece com o treino muscular: o músculo adapta-se e conforma-se segundo os estímulos do exercício; assim também os órgãos fisiológicos em relação às faculdades. Se as faculdades fossem efeito ou se originassem nos órgãos, o homem não seria mais do que uma máquina dependente dos órgãos que a "sorte" lhe fornecesse, sem livre-arbítrio e sem responsabilidade nos seus actos.
As desigualdades sociais não são obra de Deus e sim do homem. Como tal, elas desaparecerão à medida que o egoísmo e o orgulho desapareçam também. Nesta altura, os homens deixarão de se ver como sendo de sangue mais ou menos puro, pois só o espírito é mais ou menos puro, independentemente da sua condição social.

A desigualdade das riquezas poderá ter a sua origem na desigualdade de faculdades (o que permite que uns possuam mais meios de adquirir do que outros), mas o normal é derivar de outras fontes. Uma delas poderá ser uma herança — no caso da riqueza ter sido mal adquirida os herdeiros não são responsáveis (pois ninguém é responsável pelo mal que os outros fazem). No entanto, se eles tiverem conhecimento da má proveniência da riqueza, poderão, apesar de não serem responsáveis, reparar o mal feito por outro (a fortuna pode destinar-se na direcção de uma pessoa a fim de que ela possa reparar uma injustiça).

Há quem pense que a solução para todos os males sociais estaria na igualdade absoluta das riquezas. No entanto, esta igualdade é impraticável, pois seria logo rompida pelas circunstâncias. A maior chaga social não é a desigualdade das riquezas, mas sim o egoísmo, que deverá ser combatido para pôr termo a todo o tipo de males sociais.

Apesar da igualdade das riquezas ser impossível, não se pode dizer o mesmo em relação ao bem-estar, pois este é relativo e não decorre da riqueza; o bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto.

A riqueza e a miséria são provas escolhidas pelos próprios espíritos. Não se poderá atribuir maior dificuldade a uma ou a outra, pois ambas constituem uma prova mais ou menos difícil de suportar, de acordo com a elevação do espírito que as experimenta. Se, por um lado, a miséria pode alimentar a revolta, por outro, a riqueza pode conduzir a todos os excessos; quanto mais rico o homem for, mais obrigações tem a cumprir e mais meios para o fazer. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo uso que faz de sua riqueza e poder, recursos capazes de despertar todas as paixões que nos prendem à matéria, se mal utilizados.

Homem e mulher são iguais perante Deus, pois este concedeu a ambos a faculdade de progredir e a consciência do bem e do mal. Se a mulher é fisicamente mais fraca que o homem, é porque as funções que lhes cabem são diferentes. A fragilidade feminina não a coloca de forma alguma dependente do homem, pois a força serve para proteger o mais fraco e não para o escravizar. Pelo facto de ambos possuírem funções diferentes, não quer dizer que a função de um é mais importante que a do outro — ambas se complementa.

Assim se pode concluir que homem e mulher devem ter igualdade de direitos, mas nem sempre de funções; todo o privilégio concedido a um e a outro não é contrário à lei de justiça; relativamente a funções, cada um deve ocupar um lugar determinado.
Conclui-se que a desigualdade é uma expressão actual do nosso enquadramento evolutivo e que é o efeito do modo como ocupamos o tempo e as circunstâncias, no imenso roteiro de aperfeiçoamento espiritual, que vimos há milénios palmilhando. Porém, ela deve-se ao uso individual do arbítrio humano.

(Reflexão sobre o Cap. IX, Leis Morais, de "O Livro dos Espíritos")