segunda-feira, 30 de abril de 2007

noções basicas sobre mediunidade


O QUE É MEDIUNIDADE

Faculdade que dota o homem de sensibilidade permitindo a percepção e inteiração com o mundo espiritual. Conforme sua intensidade viabiliza a plena comunicação entre os dois ambientes.
Faculdade natural inerente do corpo orgânico considerada como outro sentido psíquico.

O MEDIUM

Ser dotado de faculdade que o permite interagir entre os ambientes espirituais e materiais possibilitando agir como intermediário entre as comunicações.
Quando apresenta-se marcante e forte diz-se que o médium é ostensivo. Quando subtil e rudimentar, de fenómenos esparsos e esporádicos de pouca intensidade, diz-se que o médium tem mediunidade oculta. Este último tipo corresponde a todos os homens.
O primeiro tipo refere-se aquelas pessoas que têm a capacidade de utilizar a mediunidade para trabalhar em mesas mediúnicas e utilizar seu potencial para ajudar e beneficiar a todos os que necessitem.

FENÔMENOS MEDIUNICOS – INTELIGENTES

Classificação Básica

Os fenómenos mediúnicos são marcantes quanto ao efeito que produzem. Podem ser classificados em categorias de acordo com o tipo de efeito (resultado) provocado pelo fenómeno. De modo geral, duas são as categorias quanto ao efeito: Efeitos Inteligentes e Efeitos Físicos

Efeitos Inteligentes

Os fenómenos de Efeitos Inteligentes são aqueles que têm sua actuação directamente sobre o intelecto do médium ou são percebidos pelo cérebro por vias das sensações. Os efeitos são sentidos pelo médium.
Por esta razão também são classificados em: Intelectuais e Sensitivos, conforme a acção do efeito.

Intelectuais

. Intuição
. Psicofonia
. Psicografia
. Desdobramento

Sensitivos

· Vidência
· Audiência
· Sensitividade

Efeitos Físicos

Os fenómenos classificados como de Efeitos Físicos são aqueles cujas acções são dirigidas para o ambiente material ou as coisas materiais. Os efeitos dessa mediunidade são percebidos por qualquer pessoa que os possa presenciar. Podem ser efectivadas por movimento de objectos, pancadas, sons, materializações, curas e etc.

Exemplos:

. Sons
. Luzes
. Odores
. Movimentos de objectos
. Curas
. Materializações
. Transfigurações

Psicofonia

A psicofonia está presente na grande maioria dos médiuns sendo identificada em 80% dos casos.
Informalmente é denominada de Mediunidade de "Incorporação".

- Essa denominação foi adoptada devido à impressão provocada pelo comportamento dos médiuns quando em transe mediúnico de psicofonia.

- Como muitas vezes o Espírito comunicante assume sua personalidade por fala e gestos, se tem a impressão que o Espírito comunicante "entrou" no corpo do médium e, por isso, surgiu naturalmente o termo incorporação.

Sua ocorrência se dá através da exteriorização do perispírito do médium. Permite que o Espírito comunicante tenha acesso(via perispírito) aos centros nervosos de controle de algumas funções orgânicas do médium, tais como: a fala, o movimento de membros e outros mecanismos motores do corpo. Conforme o grau de exteriorização do perispírito, ocorrerá o maior ou menor controle dos centros nervosos do corpo do médium.

Graus
Consciente

- Ocorre em 50% dos casos- Médium tem consciência do que será dito antes de falar- Após o transe, o médium recorda tudo o que disse- Há fraca exteriorização do perispírito

Semi-consciente

- Ocorre em 28% dos casos- Médium tem consciência do que será dito durante a fala
- Após o transe, o médium recorda parte do que disse
- Há exteriorização parcial do perispírito

Inconsciente

- Ocorre em 2% dos casos- Médium não tem consciência do que ocorre
- Após o transe, o médium raramente recorda de algo que disse ou fez
- Há grande exteriorização do perispírito
- O Espírito Comunicante actua directamente sobre os centros nervosos de controle do corpo do médium

Psicografia

Mediunidade na qual os Espíritos Comunicantes actuam sobre os médiuns levando-os a escrever. Estes médiuns também são denominados de Médiuns Escreventes

É um fenómeno importante porque as mensagens ficam permanentes e escritas originalmente como foram transmitidas. No caso da Psicofonia, a recuperação das mensagens dependerá da memória e da interpretação daqueles que escutaram a mensagem falada pelo Espírito. Já na Psicografia, o Espírito escreve a sua mensagem deixando-a na forma original como foi concebida.
Classifica-se quanto ao modo de execução em:

Mecânica

- Tipo muito raro
- O Espírito Comunicante actua directamente sobre a mão do médium
- Muito rápida e mantém a forma e a caligrafia personalizadas
- Médium não sabe o que se escreve, somente após ler o que está escrito é que toma conhecimento do teor da mensagem

Semi-mecânica

- Mais comum
- Espírito comunicante tem domínio parcial do braço e mão do médium
- Médium tem consciência do que escreve a medida que as palavras vão sendo escritas

Intuitiva

- Tipo de mediunidade escrevente muito comum
- O Espírito interage com a alma do médium transmitindo mentalmente as suas ideias
- O médium capta as ideias e serve como um intérprete
- Tem conhecimento do que será transmitido antes de escrever

Vidência e Clarividência

Vidência

Refere-se a mediunidade que possibilita a visualização das coisas e ambientes do mundo espiritual. O médium vidente vê os Espíritos, os ambientes e, às vezes, cenas de momentos futuros ou passados.
A visão se dá através do Espírito e não com os olhos, daí a compreensão do fato que os videntes "enxergam" o mundo espiritual mesmo com os olhos fechados.

Clarividência

Capacidade Anímica(não é mediunidade) que permite enxergar coisas, cenas, pessoas e etc, do mundo material que estão distantes ou através de objectos opacos. Essa visão abrange cenas e objetos que os olhos físicos não podem alcançar.
É uma faculdade do próprio Espírito encarnado (Anímica) que não depende de influência mediúnica. Ocorre pela emancipação da alma (desdobramento ou expansão do perispírito encarnado).
É também denominado de "segunda visão".

Audiência e Clariaudiência
Audiência

Faculdade que permite ao médium escutar no campo fluídico os sons produzidos no ambiente espiritual.

Interna

O Espírito transmite ao médium por telepatia. Tem-se a impressão de estar escutando "dentro do cérebro".

Externa

O Espírito actua sobre a atmosfera fluídica produzindo o efeito de som que será percebido pelo aparelho auditivo do médium.

Clariaudiência

Faculdade anímica (não é mediunidade) que possibilita ouvir sons materiais que ocorrem fora do alcance da audição biológica.
Pode-se escutar a grandes distâncias ou através de obstáculos.
É uma capacidade do espírito encarnado (Anímica). Ocorre pela emancipação da alma alcançando até aonde o campo fluídico do perispírito encarnado possa atingir.

Sensitividade

Faculdade mediúnica da percepção do nível vibratório do campo fluídico.
Através dessa faculdade o médiuns "sente" o tipo de vibração existente em um ambiente ou presente em pessoas ou coisas.
A sensibilidade do médium ultrapassa a capacidade física e passa a perceber também o campo fluídico do ambiente e interpretar as sensações classificando-as.

FENÔMENOS MEDIUNICOS – FÍSICOS

Os fenómenos classificados como de Efeitos Físicos são aqueles cujas acções são dirigidas para o ambiente material ou as coisas materiais.
Os efeitos dessa mediunidade são percebidos por qualquer pessoa que os possa presenciar. As acções desenvolvidas pelos efeitos dessa mediunidade afectam o ambiente material e, por isso, são denominados de Efeitos Físicos.

Fluidos

Os Espíritos agem sobre os fluidos, intencionalmente ou não, conforme o esclarecimento e a evolução.
Podem aglomerar, dirigir, modificar e até combinar entre sí para obter resultados ou conferir-lhes propriedades.
É assim que no campo espiritual as "coisas" são plasmadas (formadas).
As formações fluídicas são geradas pelo pensamento e dependem da capacidade de cada um ter mais ou menos potencialidade de criar formas através da manipulação de fluidos.

Efeitos Físicos

Os fenómenos de efeitos físicos resultam da acção dos Espíritos sobre os fluidos até chegar a produzir resultados perceptíveis no mundo material
Para que isso ocorra é necessária a presença de um componente especial denominado de ECTOPLASMA.

O Ectoplasma é uma substância que se acredita que seja força nervosa e tem propriedades de interagir com o mundo físico.

Chama-se de Médium de Efeito Físico aquele que tem a faculdade que permite ceder Ectoplasma em quantidade suficiente para possibilitar aos Espíritos o seu uso em combinação com outros fluidos (os do Espírito e do ambiente) visando produzir acções e resultados sobre o mundo material.

O Ectoplasma flúi para fora do corpo pelos orifícios naturais do organismo humano (nariz, ouvidos, boca, etc...).

O Efeito físico é o resultado da combinação dos fluidos do Espírito, com o Ectoplasma do Médium e os fluidos do ambiente. Com esses três elementos o Espírito gera o fenómeno e o anima e controla pelo pensamento.

Curas

As doenças do corpo físico tem origem e reflexos também no corpo perispírito. Muitas vezes os excessos configuram desequilíbrio do perispírito e, por consequência, desajustam o corpo físico e favorecem o aparecimento de males e doenças.
Um perispírito saudável redundara num corpo físico saudável.
A cura pela acção fluídica se dá pela acção da conjugação de fluidos agindo sobre o perispírito e reflectindo no equilíbrio do corpo físico.

O poder da cura está na razão directa:

· Da pureza dos fluidos produzido
· Fé e vontade de fazer o bem e desejar a cura

Acção do pensamento, direccionando os fluidos para o fim desejado
Porém a mediunidade de cura se dá pela energia e instantaneidade da acção curadora. O médium de cura age pelo contacto com o enfermo.

Os Espíritos combinam os fluidos e por acção magnética actuam directamente sobre a parte do corpo perispiritual e físico que encontra-se desequilibrada.

Levitação

Configura-se pelo levantamento de pessoas ou coisas no ar sem uma acção directa.
O fenómeno se dá pela combinação do ectoplasma do médium com os fluidos do Espírito através da saturação fluídica do objecto consegue pela acção do pensamento comandar magneticamente os movimentos.

Transporte

Deslocamento físico de objectos de outra região para outra. Ocorre por força de intensa combinação fluídica dos Espíritos e do médium.

Pneumatofonia

Também chamado de VOZ DIRETA. O Espírito comunicante utiliza o Ectoplasma do Médium em combinação com os fluidos ambientais para moldar (Plasmar) um aparelho fonador humano("gargantas fluídicas") e através da acção do pensamento sobre a matéria plasmada movimentar o aparelho e produzir sons audíveis por todos os presentes. O fenómeno é físico e a voz gerada é efectivamente onda sonora audível por qualquer ouvido material perfeito.

Pneumatografia

Também denominado de ESCRITA DIRETA. É a escrita produzida pelo Espírito directamente no plano material, não deve ser confundida com a Psicografia. A escrita directa é feita através do efeito físico do Espírito que utilizando ectoplasma do médium em combinação com os fluidos ambientais passa a animar canetas, lápis, giz, etc.. e escrever com esses objectos utilizando o pensamento para comandá-los.

Transfiguração

Mudança do aspecto de um corpo vivo. Ocorre pela manipulação de fluidos e combinados com os perispírito em exteriorização produzindo formas divergentes das originais do corpo.

Materialização

Fenómeno pelo qual os Espíritos constroem algo material (objeto ou corpo) a partir da manipulação do ectoplasma em combinação com os fluidos do ambiente e do Espírito.
O Médium em transe fornece o Ectoplasma necessário para o fenómeno. Os Espíritos combinam este ectoplasma com os fluidos do ambiente e moldam as formas e os corpos desejados.
Durante o fenómeno o médium apresenta sensível perda de peso(matéria) e sensações de frio.
Ao final da manifestação o corpo materializado se dissolve e os seus elementos retornam aos corpos de origem.

MENSAGENS PARA REFLEXÃO

"O intercâmbio mediúnico é um acontecimento natural e o médium é um ser humano como qualquer outro. Todo o bem puro e nobre procede de Jesus-Cristo, nosso Mestre e Senhor.A mediunidade nunca será talento para ser enterrado no solo do comodismo.Prosseguir sem vacilações no consolo e no esclarecimento das almas, esquecendo espinheiros e pedras do vale humano, para conquistar a luz da imortalidade que fulgura nos cimos da vida."

Conduta Espírita, Lição 27 – Perante a Mediunidade. André Luiz
"E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne" ATOS 2:17

domingo, 29 de abril de 2007

o espiritismo é uma religião?


O ESPIRITISMO E' UMA RELIGIAO?


Este é o tema de um dos mais belos textos deixados por Allan Kardec no século passado. O codificador prevendo os rumos que o espiritismo tenderia no futuro já se preocupou em avançar no assunto Religião e Espiritismo.
Esse trabalho foi proferido por Kardec em discurso de abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, da Sociedade de Paris no dia 1.de Novembro de 1868. E' importante observar o forte enfoque que ele faz da expressão "comunhão de pensamentos", utilizando-a como ponto central de seu discurso.
O homem em sua saga evolutiva necessita viver em sociedade e, portanto, todos nos dependemos de alguma forma uns dos outros. Kardec fala do poder da união de pensamentos capaz de gerar reacções extraordinárias de efeitos morais e físicos. Ao imaginarmos o Espírito fora do corpo material, concluímos que o pensamento é sua característica inata e essencial, marcando a individualidade do ser humano. O Espírito não poderia existir sem o pensamento. E praticamente impossível ao homem viver em total isolamento e ele possui no seu intimo a necessidade da convivência em comunidade.
O espiritismo vem nos esclarecer a verdadeira importância da comunhão de pensamentos. Ao isolarmos e emitir palavras pelo pensamento estamos também promovendo uma reunião com outros pensamentos em comum. Engana-se assim, aquele que acredita que só sabe e consegue viver isolado. Provavelmente, ele deve possuir maior afinidade com outras pessoas que não estão encarnadas ao seu redor.
Da comunhão de pensamentos surgem as mais diversas sensações (efeitos) que podemos sentir em nossa caminhada eterna evolutiva. Unidos a uma comunidade de pensamentos benéficos e positivos receberemos fluidos agradáveis e gratificantes e, inversamente, obteremos a desarmonia e suas
consequências negativas. Kardec ressalta que as Religiões são formadas com base na comunhão de pensamentos, mas cada uma segue os requisitos que lhe convém para manter sua estrutura. Muitas persistem por longo tempo, outras surgem e extinguem-se rapidamente. Como facto inevitável, não se pode parar a
evolução do Espírito, ou seja, a evolução do pensamento. Com o tempo tudo passa por transformação para melhor, não havendo retrocesso, caso contrario, não haveria evolução no sentido amplo da palavra. Sempre nesse caminho, as transformações são seguidas de fases de adaptação. As religiões como instituições organizadas, talvez sejam, as mais sujeitas as adaptações
evolutivas em virtude do forte exercício da comunhão de pensamentos da comunidade a que estão sujeitas. As transformações são mais rápidas quanto mais evoluída for a comunidade. Dado a isso, surgiu a Doutrina Espírita,
como fonte renovadora da união de pensamentos na Terra para o bem comum. Vamos a um trecho do discurso: "...Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é ai, com efeito, que esta deve e pode exercer toda a sua forca, porque o objectivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria.
Infelizmente, em sua maioria, afastam-se desse princípio, a medida que fazem da religião uma questão de forma. Disso resulta que cada um, fazendo consistir seu dever na realização da forma, julga-se quite com Deus e com os homens, quando haja praticado a forma. Resulta ainda que cada um vai aos
lugares de reuniões religiosas com um pensamento pessoal, de seu próprio interesse e o mais das vezes sem nenhum sentimento de fraternidade em relação aos outros assistentes; fica isolado no meio da multidão, e não pensa no céu senão para si mesmo...".
..."Se as assembleias religiosas - falamos em geral, sem fazer alusão a culto algum - muitas vezes se tem desviado do alvo primitivo principal, que é a comunhão fraterna do pensamento; se o ensino que nelas é dado não tem seguido sempre o movimento progressivo da Humanidade, é porque os homens não realizam todos os progressos a um tempo; o que eles não fazem em um
período, fazem em outro; `a medida que se esclarecem, eles vêem as lacunas que existem em suas instituições e as preenchem; compreendem que o que era bom em uma época, de acordo com o grau de civilização, se torna insuficiente em um estado mais adiantado e restabelecem o nível. Nos sabemos que o espiritismo, é a grande alavanca do progresso em todas as coisas; ele marca uma era de renovação. Saibamos pois, aguardar o porvir, e
não pecamos a uma época mais do que ela pode dar. Como as plantas as ideias precisam amadurecer para que se lhes possam colher os frutos. Saibamos, alem disso, fazer as necessárias concessões as épocas de transição, porque nada na Natureza se opera de maneira brusca e instantânea..."
A revelação da existência do plano espiritual e da sua comunicação com o nosso plano terreno, abriu definitivamente, uma nova realidade filosófica e religiosa no planeta. Com base na ciência espírita, capaz de trazer um novo horizonte na relação da vida, conceitos e dogmas erróneos, muitos deles devido á interpretações e traduções incoerentes e egoístas de Livros
Sagrados, foram desmantelados e vão ficar apenas como parte da história da humanidade.
O aspecto científico do espiritismo é primordial e essencial para o conhecimento da vida e adiantamento da humanidade. Com ele, a fé cega é substituída pela fé inabalável, sólida, com base na razão e com isso há ampliação da Verdade para o homem, pois o pensamento tem o poder de ir muito alem do que a ciência pode comprovar num determinado tempo. No caminhar da própria ciência a comunhão de pensamentos é também essencial.
As reuniões científicas, as grandes discussões, etc. fazem parte dos conhecimentos disponíveis ao homem, tanto do aspecto material como no aspecto moral, ou seja, no comportamento humano no desenvolvimento da vida.
Kardec prossegue: "... Se assim é, dirão, o Espiritismo então é uma religião? - Perfeitamente! Sem duvida; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nos ufamos disso, porque ele é a doutrina que funda os laços de fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as leis da própria Natureza.
Porque então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Por isso que só temos uma palavra para exprimir duas ideias diferentes e que na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto: revela exclusivamente uma ideia de forma, e o Espiritismo não é isso. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o publico só veria nele uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; o publico não o separaria das
Ideias de misticismo e dos abusos, contra os quais sua opinião tem-se elevado tantas vezes. Não possuindo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, o Espiritismo não poderia nem deveria ornar-se com um titulo sobre
o valor do qual inevitavelmente se estabeleceria a incompreensão; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral..."

No livro "O que é o Espiritismo" Kardec define-o assim: "O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência pratica, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que
decorrem dessas relações".
É interessante notarmos que tal definição é pormenorizada nesse texto, ampliando o seu entendimento.
Observamos a preocupação do Codificador com a conotação que se poderia, no futuro, fazer do Espiritismo como aspecto religioso. A Doutrina Espírita como elo de união de pensamentos em torno da solidariedade e fraternidade universal, promovendo a evolução moral dos indivíduos, acha-se perfeitamente enquadrado na palavra Religião. Devemos reconhecer, entretanto, que entre as Religiões como Instituições existentes actualmente na Terra, o Espiritismo não se define. Há muito que se evoluir na Terra,
não só em termos de Religião como em geral, para que o Espiritismo possa a ter uma definição mais adequada ao que ele de fato é, longe dos padrões religiosos que conhecemos hoje, e isso, certamente, acontecera. Devido ainda a nossa ignorância de conhecimento da grandeza da Vida, parece que o
Espiritismo é algo palpável, rígido, fixo e com regras definidas. Na realidade, a Doutrina Espírita é infinita e eterna pois tudo o que estiver ao alcance do Homem no conhecimento da Vida faz parte do seu princípio básico maior, que é o uso da RAZAO em comunhão de pensamento. Basta darmos tempo ao tempo para ele se adequar a nova era do nosso planeta. As diversas visões que surgem do Espiritismo são próprias da sua evolução, tendo em vista se tratar de uma doutrina progressista. Devemos trabalhar
com seriedade e humildade para compreende-lo adequadamente no tempo em que se encontra, evitando pensamentos egoístas e vaidosos que são vícios do fanatismo, colocando-o a serviço do bem comum. Para isso, a unificação como movimento organizacional é a mais completa forma de se promover uma ampla e positiva comunhão de pensamentos.

Raul Franzolin Neto
rfranzol@spider.usp.br
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Referencias:
ALLAN KARDEC O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, Dezembro de 1968, EDICEL, p.351-360

ALLAN KARDEC E' o Espiritismo uma Religião? Revista Espírita - Jornal de
Estudos Psicológicos, Dezembro de 1968, O Reformador, v.94, n.1764, p. 22-26, 1976.

ALLAN KARDEC. O que é o Espiritismo, IDE, 223p.1994.
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CARIDADE E FRATERNIDADE


Quando Cristo Nosso Mestre esteve aqui no nosso amado Mundo, muitos queriam que Ele cuidasse de todos sem nada oferecer em troca. Não se trata disso! Tudo é muito complicado e nada deve ser feito sem a participação de nos mesmos. O trabalho é uma constante na nossa vida e devemos nos ater em tudo o que nos for permitido realizar. O sucesso não depende dos outros, mas sim de nos mesmos.
Quando um homem não consegue desenvolver sua missão pessoal, há que se propor outra de menor valor, mas algo sempre tem que ser produzido. Isso é a evolução. Isso é a vida e a vida não é um acto impensado. Não se pode fugir da realidade Verdadeira, ou seja, tudo esta em franco desenvolvimento. Estamos certos de que um dia iremos todos viver em total
harmonia, mas para que isso aconteça o mais cedo possível, devemos trabalhar muito em favor dos menos favorecidos. Não pensem que somente trabalhando honestamente para o sustento próprio, seja a chave do mundo feliz. Não. Muito mais tem que ser produzido. O sustento próprio faz parte de um dos pontos a ser desenvolvido na longa estrada da vida. Porem, o trabalho na prática da caridade é muito mais importante e necessário.
Nunca chegaremos ao estágio da felicidade pura se não passarmos pela depuração do nosso ser, que se faz com a ajuda ao próximo. Toda a infelicidade que nos acompanha é fruto de nossa ociosidade nessa área.
Estamos acostumados a seguir por um caminho mais fácil. Estamos sempre prontos a nos sustentar através do nosso conforto pessoal. Os bens materiais são importantes, mas somente devem servir como apoio em nossa caminhada. Nada mais do que isso. Procuremos nos manter longe da matéria quando ela não for importante e procuremos ficar próximos dos nossos irmãos
necessitados. Aí esta a verdadeira ponte que une os mundos atrasados aos mundos superiores. Nesses locais de paz e harmonia, todos vivem em união de pensamento. Todos buscam o trabalho em função de todos. Servem como meio de vida. O conforto pessoal é uma simples consequência. Viveremos em estado de total alegria. Mas quanto ainda teremos que percorrer! Quanto ainda teremos que buscar! O tempo não é inimigo de ninguém. Para uns ele só trás problemas, enquanto para outros, só alegrias. O tempo somos nos quem determinamos. Se queremos seguir na estrada da felicidade constante ao nosso avanço, devemos então, procurar o melhor meio de encontra-la.
Devemos, como sabemos, utilizar nosso próximo como nosso meio de crescimento e não buscar no conforto total da matéria. Pensemos sempre nos nossos irmãos. Trabalhemos nos nossos planos espirituais. Trabalhemos em benefício de todos. Pensemos em tudo o que fizermos em benefício do bem comum. O nosso trabalho profissional, material, espiritual... Tudo deve servir ao próximo. De pouco adianta o bem pessoal em relação ao bem comum.
Se queremos subir a escada eterna de elevador, devemos procurar auxiliar o próximo, caso contrário, subiremos a escada a pé de degrau em degrau.
Estamos todos no mesmo campo de trabalho. Amigos encarnados de hoje, são os mesmos de ontem. Porem, o distanciamento varia muito em função de cada um. Enquanto procuramos a nossa vida comum, distanciamos de muitos de
nossos amigos de outrora. Novas amizades se formam, com muito maior sinceridade, a medida que avançamos na evolução. Os laços de fraternidade são mais fortes e as comunicações mais fáceis e sinceras. Há um acumulo de bem-estar. Conhecemos mundos assim, mas existem muito mais ainda, que não podemos imaginar no momento. Então o que estamos fazendo agora? Perder tempo em supérfluos é se lamentar num futuro breve. Estender a mão hoje, ou começar a simplesmente pensar na fraternidade geral, é começar a sentir a paz e amor ensinados por nosso Mestre Jesus.
Que todos nos tenhamos sempre momentos de reflexão no bem comum. Que todos sintam a verdadeira caridade em seus corações e que todos aguardem a alegria e a paz brotarem em seus corações dia a dia...



Mensagem psicografada por Raul Franzolin Neto em 10/04/96.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

espiritismo e filosofia


Espiritismo e Filosofia.


A origem do conceito de filosofia está na sua própria estrutura verbal, ou seja, na junção das palavras gregas philos e sophia, que significam "amor à sabedoria". Filósofo é, pois, o amante da sabedoria. Mas o que é a sabedoria? É um termo que significa erudição, saber, ciência, prudência, moderação, temperança, sensatez, enfim um grande conhecimento.

Na própria Grécia Antiga o termo filosofia passou a designar não apenas o amor ou a procura da sabedoria, mas um tipo especial de sabedoria. Aquela que nasce do uso metódico da razão, da investigação racional em busca do conhecimento. Platão distingue a doxa, opinião, ou seja, o saber que temos sem tê-lo procurado, e a episteme, a ciência, que é o saber que temos porque o procuramos. Então, a filosofia já não significa "amor à sabedoria", nem tampouco significa o saber em geral, qualquer saber; senão que significa esse saber especial que temos, que adquirimos depois de tê-lo procurado e de tê-lo procurado metodicamente.


Durante a Idade Média o saber humano dividiu-se em dois grandes sectores: teologia e filosofia. A teologia é o conhecimento acerca de Deus. A filosofia são os conhecimentos humanos acerca das coisas e da Natureza e até mesmo de Deus por via racional. Nesta situação a palavra "filosofia" continua designando todo o conhecimento, menos o de Deus. E assim adentrou muito o século XVII. (Garcia Morente, 1970, p. 26 a 29)

A partir do século XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Saem do seio da filosofia as ciências particulares: as matemáticas, física, química etc. Assim, actualmente, a filosofia é uma ciência que estuda as leis mais gerais do ser, do pensamento, do conhecimento e da acção. É uma concepção científica do mundo como um todo, da qual se pode deduzir certa forma de conduta. (Bazarian, s. d. p., p. 37)

A Filosofia Espírita é a interpretação dos fenómenos verificados e estudados pela Ciência Espírita. Esses fenómenos revelam ao homem a estrutura do Universo, que é a seguinte, como vemos em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: Deus, Espírito e Matéria. Uma vez constatada essa realidade, e descoberto o mecanismo pelo qual o Espírito se manifesta através da matéria, cessa o trabalho da ciência, para começar a da filosofia”. (Allan Kardec) O carácter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo que faz do Homem, sobretudo Espírito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinação. Esse estudo leva ao conhecimento do mecanismo das relações dos Homens, que vivem na Terra, com aqueles que já se despediram dela, temporariamente, pela morte, estabelecendo as bases desse permanente relacionamento, e demonstra a existência, inquestionável, de algo que tudo ria e tudo comanda, inteligentemente - Deus. (Pedro Franco) O Espiritismo tem um aspecto filosófico porque, a partir dos fenómenos, dá uma interpretação da vida, isto é, responde àquelas perguntas que apresentamos (...) sobre o porquê da vida. De onde você veio e para onde você vai. A razão das desigualdades que observamos entre as criaturas. Trata-se de uma filosofia espiritualista porque admite, repito, com base nos factos mediúnicos e anímicos, a existência de um princípio espiritual no Universo, além do princípio material. Equivale dizer que o Espiritismo vê no ser humano, não apenas o corpo material, de carne e osso, de vísceras e sangue, de nervos e hormonas, mas também aquilo a que as religiões, há séculos, deram o nome de alma.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

ciência e espiritismo


Ciência e Espiritismo

SENTIDOS DA PALAVRA CIÊNCIA

A palavra ciência é usada com diversas significações. Em sentido amplo, ciência significa simplesmente conhecimento, como na expressão tomar ciência disto ou daquilo; em sentido restrito, ciência não significa um conhecimento qualquer, e sim um conhecimento que não só apreende ou registra factos, mas os demonstra pelas suas causas determinantes ou constitutivas. (Ruiz, 1979, p. 123)

CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA

Cumpre observar que as definições de ciência são numerosas. Seria mais coerente enumerar algumas de suas características, ou seja:

Conhecimento pelas causas , ao contrário do conhecimento vulgar, o conhecimento científico implica em conhecer pelas causas. Se o cientista observa a chuva, ele quer saber porque chove, dispensando a influência dos deuses. Age da mesma forma com relação a um fato político. Com respeito ao aparecimento de Napoleão Bonaparte no quadro político internacional, o cientista não dirá simplesmente que Napoleão fora um génio militar, mas procurará as causas políticas e económicas que o fizeram emergir no cenário mundial.

Profundidade e generalidade de suas condições .

O conhecimento pelas causas é o modo mais íntimo e profundo de se atingir o real. A ciência não se contenta em registrar factos, quer também verificar a sua regularidade, a sua coerência lógica, a sua previsão etc. A ciência generaliza porque atinge a constituição íntima e a causa comum a todos os fenómenos da mesma espécie. A validade universal dos enunciados científicos confere à ciência a prerrogativa de fazer prognósticos seguros.

Objecto formal .

A finalidade da ciência é manifestar a evidência dos fatos e não das ideias. Procede por via experimental, indutiva, objectiva; suas demonstrações consistem na apresentação das causas físicas determinantes ou constitutivas das realidades experimentalmente controladas. Não se submete a argumentos de autoridade, mas tão-somente à evidência dos factos.

Controle dos factos

Ao utilizar a observação, a experiência e os testes estatísticos tenta dar um carácter de exactidão aos factos. Embora os enunciados científicos possam ser passíveis de revisões pela sua natureza “tentativa”, no seu estado actual de desenvolvimento, a ciência fixa degraus sólidos na subida para o integral conhecimento da realidade. (Ruiz, 1979, p. 124 a 126)

ALGUMAS DEFINIÇÕES

· Conhecimento certo do real pelas suas causas.
· Conjunto orgânico de conclusões certas e gerais metodicamente
· demonstradas e relacionadas com objecto determinado.
· Actividade que se propõe demonstrar a verdade dos factos experimentais e suas aplicações práticas.
. Estudo de problemas solúveis, mediante método científico.
· Conjunto de conhecimentos organizados relativos a uma determinada matéria, comprovados empiricamente. (Ruiz, 1979, p. 126)

HISTÓRICO

Garcia Morente, em Fundamentos de Filosofia, ao analisar o conceito de filosofia através dos tempos, conduz-nos à origem da ciência. Diz-nos ele que todo o conhecimento desde a Antiguidade clássica até a Idade Média era entendido como sendo filosófico. Somente a partir do século XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Começam a sair do seio da filosofia as ciências particulares, não somente porque essas ciências vão se constituindo com seu objecto próprio, seus métodos próprios e seus progressos próprios, como também porque pouco a pouco os cultivadores vão igualmente se especializando. (1970, p. 28)

Devemos deixar claro que as ciências, por essa mesma razão se completam e uma necessita da outra. Observe que a Astronomia, a primeira das ciências, só atingiu a maioridade, depois que a Física veio revelar a lei de forças dos agentes naturais.

O Espiritismo entra nesse processo histórico dentro de uma característica sui generis, ou seja, enquanto a ciência propicia a revolução material, o Espiritismo deve propiciar a revolução moral. É que Espiritismo e Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenómenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha que preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto surge antes do tempo. (Kardec, 1975, p. 21)

RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO

A estrutura do pensamento na Idade Média estava condicionada à Escolástica, movimento filosófico religioso, que submetia a razão à fé. Havia tamanha ingerência da Igreja nas questões sociais, políticas e económicas, que por qualquer desvio da ordem preestabelecida, muitos acabavam pagando com a própria vida por tal heresia. Acontece que as coisas se modificam e a verdade acaba por vencer os erros da ignorância.

Galileu, em 1609, constrói o telescópio e, com isso, muda radicalmente a visão do homem quanto ao Universo e à própria vida. Porém, o Santo Ofício contrapunha: o telescópio poderia, com efeito, revelar coisas inacessíveis à vista desarmada. Mas revelava-as, no dizer dos críticos, por mediação do demónio: era uma forma de magia e, por isso, fundamentalmente uma ilusão. Copérnico, Kepler e Galileu estavam a transformar o mundo visível num jogo de sombras. O Sol não se movia, a Terra sim, o céu tinha fantasmas escondidos. (Bronowski, 1988, p. 138)

Dizia Galileu acerca do uso de citações bíblicas nos assuntos da Ciência: “Parece-me que na discussão de problemas naturais, não devemos começar pela autoridade de passagens da Escritura, mas por experiências sensíveis e demonstrações necessárias. Pois, quer a Sagrada Escritura, quer a natureza, procedem ambas da Palavra Divina. (Bronowski, 1988, p. 140)

A consciência religiosa impregna-se de tal maneira em nosso psiquismo que não somos capazes de mudá-la a contento. Observe a perseguição que Calvino imputou a Serveto, médico e cientista que vivia em França, e que escreveu um livro atacando a doutrina ortodoxa da Trindade. A fúria de Calvino foi a ponto de, sendo ele mesmo herético da Igreja Católica, ter secretamente acusado Serveto de heresia junto da Inquisição católica da França. Embora o seu livro não tivesse sido escrito nem publicado em Genebra, Calvino prendeu Serveto e queimou-o na Fogueira. (Bronowski, 1988, p. 110)

Essa divergência entre ciência e religião continua ainda nos dias que correm. Contudo, de acordo com Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a Ciência e a Religião não puderam se entender até hoje, porque, cada uma examinando as coisas sob seu ponto de vista exclusivo, se repeliam mutuamente. Seria preciso alguma coisa para preencher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse; esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Essas relações, uma vez constatadas pela experiência, uma luz nova se fez: a fé se dirigiu à razão e a razão não tendo encontrado nada de ilógico na fé, o materialismo foi vencido. (1984, p. 37)

CIÊNCIA ESPÍRITA

CIÊNCIA NATURAL E CIÊNCIA ESPÍRITA

As Ciências Naturais, com o passar do tempo, deixaram de ser dogmáticas para serem teóricas experimentais. Elas tornam-se positivas, ou seja, baseiam-se em factos. Uma determinada teoria só existirá como lei se comprovada pelos factos. O Espiritismo não foge a essa regra e age da mesma sorte.


Ciência Espírita:

O conhecimento é fundamentado na observação e experiência. Formulam-se HIPÓTESES baseadas na mediunidade. Sobre as hipóteses estabelecem-se, dedutivamente CONSEQUÊNCIAS. As consequências serão aceitas como verdadeiras, se confirmadas pela observação e experiência mediúnicas — pela mediunidade.
O procedimento é idêntico. A diferença consiste na natureza das percepções consideradas. Desde que fique certificado que as percepções sensoriais e as percepções mediúnicas têm a mesma validade, o conhecimento é igualmente válido. (Curti, 1981, p. 17)

NOMES ESPÍRITAS

Embora o Espiritismo tenha feito muitos adeptos e conversões durante o próprio séc. XIX e início do séc. XX em diferentes meios sociais, chama a atenção o fascínio que a nova doutrina parece ter exercido no meio intelectual, artístico e científico da época, gerando tanto fervorosos adeptos como tenazes adversários. Arthur Conan Doyle, Victorien Sardou, Victor Hugo, Robert Owen, Cesare Lombroso, William Crookes, Oliver Lodge, Camille Flammarion, Charles Richet, entre outros, dedicaram-se a estudar o “outro lado”, recuperando o passado, revendo a religião à luz da ciência e encarando a morte sob novos aspectos. Grupos de cientistas reuniam-se em torno de médiuns, investigavam, eliminavam possibilidade de fraudes. Muitas dessas reuniões de estudos realizavam-se em centros de pesquisas e laboratórios e os convidados eram pessoas credenciadas pela comunidade intelectual e científica.
Um exemplo foram as 43 sessões organizadas pelo Instituto Geral Psicológico de Paris nos anos 1905, 1906 e 1907, com a médium Eusápia Paladino, que incluíram, na sua assistência, Bergson, o casal Curie e Debierne, o reitor da Sorbonne. Embora muitos dos assistentes do meio científico não ficassem convencidos, um grande número confessou a sua adesão.

Um dos mais importantes convertidos às novas descobertas propostas pelo Espiritismo foi Camille Flammarion ( 1842 - 1925 ), o eminente astrónomo e cientista do séc. XIX. Tornou-se espírita, amigo pessoal de Allan Kardec, e pronunciou o discurso fúnebre à beira de seu túmulo, imbuído pelas convicções doutrinárias espíritas, sobretudo a imortalidade da alma e a visão de que a morte era uma libertação, uma continuidade para uma nova existência espiritual.

Os fenómenos espíritas também repercutiram fora da França. Um dos cientistas mais importantes a dedicar-se ao estudo dos fenómenos foi o inglês William Crookes, cuja história está relacionada com a da médium Florence Cook e a materialização do espírito Katie King. Químico e astrónomo, a partir de 1856 fez parte da Sociedade Real de Londres dedicando-se a trabalhos fotográficos sobre a lua. Descobriu um processo, a amalgamação do sódio e pela análise espectral tornou conhecido um novo corpo metálico simples, o tálio. Através de uma série de experiências bem sucedidas demonstrou com exactidão um quarto estado da matéria, além do sólido, líquido e gasoso : O da matéria radiante. Com essa posição intelectual e científica, anunciou que iria se ocupar dos chamados fenómenos espíritas, com o rigor de um experimentador científico. Em 1874, publicou os primeiros resultados de suas pesquisa no “Quarterly Journal of Science”. Em Fevereiro de 1897 publicou suas observações sobre os fatos espíritas.

(...) Os fenómenos observados : Levitações, psicografia, telecinesia, materializações e aparições luminosas de objectos foram colocados como factos incontestáveis, que mereceriam uma laboriosa série de experiências e elaborações teóricas de acordo com as mais recentes descobertas científicas.

Para alguns outros convertidos, como Arthur Conan Doyle, o desabar da muralha entre o mundo dos mortos e dos vivos; os fatos que comprovam de forma cabal a sobrevivência após a morte e a comunicação entre mortos e vivos deveriam conduzir a uma grande transformação e esperança para o género humano pela formação de uma nova e actual expressão religiosa que levasse os homens a uma existência mais espiritualizada.

Cientistas de renome na Itália também passaram a integrar o conjunto de estudiosos dos chamados fenómenos psíquicos. Shiaparelli, Chiaia, Brotasi, Lombroso e Bozzano fizeram parte dessa galeria. Ernesto Bozzano destacou-se nesse grupo dedicando trinta anos às pesquisas psíquicas. Publicou inúmeros trabalhos científicos sobre o assunto, expondo os princípios básicos que o levaram a aderir à hipótese espírita por ser uma “necessidade lógica”.

Uma das conversões mais intrigantes do final do séc. XIX foi a de Cesare Lombroso, médico, higienista, psiquiatra e antropólogo. Seus famosos estudos estavam na área da Antropologia Criminal, nos quais revelava sua incondicional adesão aos de investigação científica positiva de sua época. Estudava homens e factos numa mesma perspectiva, como ponto de partida do método experimental. Estabeleceu uma teoria em que expunha a Génese Natural do Delito e as bases do sistema penal positivo, associando Direito Penal e Antropologia Criminal.

(...) Durante muitos anos, negou os fenómenos psíquicos e espirituais como charlatanice e credulidade simplória. Porém, após assistir a algumas sessões mediúnicas realizadas por Eusápia Paladino, e verificando a veracidade e autenticidade da produção dos fenómenos e das manifestações espirituais, Lombroso começou suas pesquisas.

Em 15 de Julho de 1891 foi publicada uma carta onde declarou sua rendição aos factos espirituais : Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos factos chamados espiríticos; digo factos, porque continuo ainda contrário à teoria. Mas os factos existem, e deles me orgulho de ser escravo.

No desenvolvimento de suas observações e estudos, Lombroso caminhou na direcção de aceitar a interferência e influência de seres espirituais sobre as manifestações e os fenómenos produzidos. Em 1909 publicou “Hipnotismo e Mediunidade”, onde descreveu, de forma categórica e imbuída do mais ortodoxo espírito científico, os resultados de seus estudos, diante das hipóteses espíritas e de sua veracidade e lógica.

(...) Também na Alemanha foram realizadas experiências científicas da sobrevivência após a morte. Faziam parte do grupo de especialistas, entre outros, Johann Karl Friedrich Zöllner, professor de física e astronomia da Universidade de Leipzig e elaborador da hipótese da teoria sobre a quarta dimensão do espaço; professor Wilhelm Edward Weber, de física e autor da doutrina da Vibração das Forças; Schneiber, matemático de renome na Universidade de Leipzig; Gustav Friedrich Fechner, físico e filósofo na mesma Universidade. Este grupo publicou em 1879 o resultado de suas pesquisas. Para eles tratava-se de uma Nova Ciência baseada em outra classe de Fenómenos Físicos, provando a existência e um outro mundo de seres inteligentes. Liderados por Zöllner, realizaram experiências com o famoso médium americano Henry Slade. Ocorreram materializações, levitações, aparições, psicografia de mensagens, que foram meticulosamente observadas, descritas e estudadas. Submetidos a considerações teóricas, os fenómenos observados revelavam uma dimensão científica e verdadeira, como um dos elementos fundamentais para a construção da teoria do espaço em quarta dimensão e da sobrevivência espiritual.

(...) É muito grande a galeria de cientistas ilustres dessa época seduzidos pelos fenómenos espíritas, realizando estudos, pesquisas, construindo teorias e revelando sua adesão, em maior ou menor grau, às novas crenças. Em vários países europeus e do continente americano, esses estudos apontam um mesmo caminho, que marcou a história do pensamento contemporâneo : A necessidade de comprovar pelos argumentos científicos aquilo que antes estava no domínio da fé religiosa”.

Artigo obtido da FEB.

Einstein, um dos maiores Cientistas de todos os tempos, disse certa vez : "A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso, passará pela vida sem ver nada". É dele também a frase : "Estamos começando a conceber a relação entre a ciência e a religião de um modo totalmente diferente da concepção clássica. Afirmo com todo o vigor que a religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa científica".

O Espiritismo, por sua vez, caracteriza-se por abordar, ao mesmo tempo, o factor Religioso, Científico e Filosófico, tornando-se assim uma Doutrina completa e bem fundamentada. Os factos a seguir têm como maior finalidade, examinar o relacionamento do Espiritismo com a Ciência, e mostrar que, já em nossos dias, eles caminham muito próximos e apenas um fino véu os separa diante dos nossos olhos.

O objectivo é mostrar que a Teoria Espírita não parte de ideias preconcebidas e imaginárias ; é fruto de um árduo trabalho de Pesquisa das inter-relações entre matéria e Espírito. Para tanto, procede da mesma forma que as Ciências Naturais..

A Ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão-de-obra para actuar na área de serviços e Pesquisas Científicas. À medida que a Ciência avança, o indivíduo fica com mais tempo livre. Os Princípios Espíritas auxiliam não só a dar uma direcção ao tempo livre do homem como também na criação e na utilização da nova tecnologia. Sem uma clara distinção entre o bem e o mal, podemos enveredar todo o nosso progresso Científico para a destruição do nosso Planeta.

O Espiritismo surgiu no momento oportuno, quando as Ciências já tinham desenvolvido o método teórico-experimental, facilitando a sua aceitação com mais naturalidade. Sabe-se que cada um deve progredir por si mesmo, descobrindo as suas próprias verdades. Porém, a presença de um Professor diminui o tempo que levaríamos, caso quiséssemos descobrir tudo por nós mesmos. O Espiritismo é esse Professor que nos estimula o pensamento na busca da verdade e na prática da caridade como meio de salvação de nossas alma

Por oportuno, vale lembrar aqui as pesquisas do Dr. Ian Stevenson, Psiquiatra americano, respeitadíssimo do ponto de vista de rigor científico e credibilidade a nível mundial, o qual tem se dedicado, praticamente toda a sua vida, às investigações relativas à Reencarnação. São quase 40 anos de pesquisas científicas com milhares de casos identificados em todo o mundo, relativas a crianças que se lembram de suas vidas passadas. Não sendo Espírita nem crente na Reencarnação, os fatos começaram a despertar nele a curiosidade e vontade de pesquisar.

Stevenson acha que se pode acreditar na Reencarnação com base em provas. Com mais de meia vida à procura de crianças que recordam vidas anteriores, estudou perto de 3 mil casos, alguns impressionantes.
Stevenson sabe que é ignorado por alguns dos seus pares, mas o seu trabalho é espantoso. Dos 14 livros publicados, as demonstrações para que os mais racionais acreditem na Reencarnação são fantásticas.

Um dia, quando as pessoas se consciencializarem desta realidade, haverá profunda alteração no tecido social do planeta, já que o homem sabendo que o seu futuro dependerá do seu agir de agora, não mais fará a guerra, deixará de ser xenófobo, racista, deixará de desprezar o pobre ou o marginal ou a pessoa do outro sexo, deixará de poluir a natureza, pois saberá que na próxima existência ele poderá passar pelas situações até então desprezadas para aprender a valorizá-las dentro da vida como experiências importantes para todos nós.

Parte dos Textos acima foi obtida de : Notícias Magazine, 02 Junho 2002, Portugal, «A reencarnação com base em provas».

CULTIVO DA CIÊNCIA ESPÍRITA

· A conquista dos segredos da natureza exige pesquisa paciente e metódica. Ninguém pretenda alcançar o conhecimento das leis naturais, agindo atabalhoadamente, sem um roteiro, sem um sistema racional, sem um método.

· O método não significa exclusivamente ordem. Faz, também, parte integrante dele a honestidade, o amor à verdade, o equilíbrio emocional, a ausência de prejuízos doutrinários e muitas outras atitudes positivas devem aureolar o verdadeiro investigador.

· Lembremo-nos de que o maior inimigo do pesquisador espírita é, sem dúvida, o seu emocional, carregado muitas vezes do pensamento mágico.

· Toda experiência carece ser cuidadosamente planejada e seus resultados submetidos a rigorosa análise. Ao legítimo pesquisador não interessa seja confirmada este ou aquele ponto vista, e sim revelado qual o que está certo. Para ele só há um objectivo: a verdade.

·Toda experimentação precisa ser repetida um grande número de vezes, e seus resultados convém anotados cuidadosamente para posterior tratamento estatístico.

· O Pesquisador científico do Espiritismo deve ter conhecimento das Ciências Naturais e da matemática. (Andrade, 1960, cap. II)

· Não se aprende a ciência espírita sem tempo para reflexão. Por isso, nada de precipitação. O correcto é aplicar-se de maneira exaustiva, excluir toda a influência material, e observar criteriosamente os fenómenos, tanto os bons quanto os maus.



8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDRADE, H. G. Novos Rumos à Experimentação Espirítica. São Paulo, Livraria Batuíra,1960. BRONOWSKI, J. e MAZLICHE, ___. A Tradição Intelectual do Ocidente. Lisboa, Edições 70, 1988.CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3. ed., São Paulo, FEESP, 1981.DELANNE, G. O Fenómeno Espírita. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1990.FREIRE, J. Ciência e Espiritismo (Da Sabedoria Antiga à Época Contemporânea). 2 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1955. GARCIA MORENTE, M. Fundamentos de Filosofia - Lições Preliminares. 4. ed., São Paulo, Mestre Jou, 1970.KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.RUIZ, J. A. Metodologia Científica - Guia para Eficiência nos Estudos. São Paulo, Atlas, 1979.

domingo, 15 de abril de 2007

o passe espírita


O passe espírita

"E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas, e os Espíritos malignos se retiravam" - (Atos, cap. 19 - 11 e 12).

7.0 - O QUE É O PASSE

Desde os tempos mais antigos, a imposição das mãos é uma das fórmulas usadas pelas pessoas para auxiliar os enfermos ou afastar deles as más influências espirituais. Em muitos trechos da Bíblia, vemos Jesus e seus discípulos imporem as mãos sobre os necessitados, rogando a Deus que os curassem. Jesus fez largo uso dessa prática e disse que, se quiséssemos, poderíamos fazer o mesmo.

E desde aquele tempo o homem utiliza-se desse recurso para aliviar, consolar, melhorar e até curar doenças físicas e espirituais. Antes do advento do Espiritismo, sabia-se pouco sobre a prática desse costume. Os fenómenos de curas eram envoltos em mistérios e tidos como acontecimentos sobrenaturais.

Ao menos publicamente, ninguém se aventurou a dar explicações para o estranho poder que tinham as mãos para curar e aliviar os males físicos e espirituais. Com a chegada da Doutrina Espírita, os Espíritos superiores explicaram o porquê das coisas. Ensinaram que as mãos serviam como um instrumento para a projecção de fluidos magnetizados, doados pelo operador, e fluidos espirituais, trazidos pelos Espíritos. Segundo eles, os fluidos curativos eram absorvidos pela pessoa necessitada por meio dos centros vitais (chacras), acumuladores e distribuidores de energias, localizados no perispírito e pelo próprio corpo astral que age como uma esponja. Estavam assim explicadas, teoricamente, as curas promovidas por Jesus e pelos curadores de todos os tempos.

Entre nós, seguidores de Allan Kardec, a imposição de mãos sobre uma criatura com a intenção de aliviar sofrimentos, curá-la de algum mal, ou simplesmente fortalecê-la, ficou conhecida como "passe". O passe é um dos métodos utilizados nos centros espíritas para o alívio ou cura dos sofrimentos das pessoas. Quando ministrado com fé, o passe é capaz de produzir verdadeiros prodígios. Têm como objectivo o reequilíbrio do corpo físico e espiritual.

7.1 - O PASSISTA

O passista é aquele que ministra o passe. Ser um passista espírita é uma tarefa de grande responsabilidade, pois trata-se de ajudar e abençoar as pessoas em nome de Deus. Pessoas carentes e sedentas de melhoria, procuram no centro espírita o recurso do passe como forma de alívio das pressões psicológicas e sustentação para suas forças morais e físicas.

O passista não precisa ser um santo, mas necessita esforçar-se na melhoria íntima e no aprendizado intelectual. Armado do desejo sincero de servir, quase todos os iniciantes podem trabalhar neste sagrado ministério. O passista deve procurar viver uma vida sadia, tanto física quanto moralmente. Aos poucos, os vícios terrenos têm que ceder lugar às virtudes. O uso do cigarro e da bebida devem ser evitados. Como o passista doa de si uma parte dos fluidos que vão fortalecer o lado material e espiritual do necessitado, esses fluidos precisam estar limpos de vibrações deletérias oriundas de vícios.

No aspecto mental, o passista deve cultivar bons pensamentos no seu dia-a-dia. O orgulho, o egoísmo, a maledicência, a sensualidade exagerada e a violência nas atitudes devem ser combatidos constantemente. A Espiritualidade superior associa equipes de Benfeitores aos trabalhadores que se esforçam, multiplicando-lhes a capacidade de serviço.

A fé racional e a certeza no amparo dos bons Espíritos são sentimentos que devem estar presentes no coração de todos os passistas. É fundamental no trabalho de passe, doar-se com sinceridade à tarefa sob sua responsabilidade, vendo em todo sofredor uma alma carente de amparo e orientação. O passista não deve ter preferência por quem quer que seja. Seu auxílio deve ser igualmente distribuído a todas as criaturas. As elevadas condições morais do passista são fundamentais para que ele consiga obter um resultado satisfatório no serviço do passe. Portanto, todos podemos ministrar passes, porém é necessário um mínimo preparo moral a fim de que a ajuda seja o mais eficaz possível. Como todas as tarefas realizadas dentro do centro espírita, esta também carece de cuidados e atenção por parte de quem se propõe a executá-la.

"Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, muitas vezes basta impor as mãos sobre a dor para a acalmar; é o que pode fazer qualquer um, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus" - (Allan Kardec - Revista Espírita, Setembro, 1865).

O que é necessário para ser um bom passista?

Allan Kardec nos instrui a respeito: "A primeira condição para isto é trabalhar em sua própria depuração (moral e ética), a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir. Esta condição não poderia ser executada sem o mais completo desinteresse material e moral. O primeiro é o mais fácil, e o segundo é o mais raro, porque o orgulho e o egoísmo são sentimentos difíceis de se extirpar, e porque várias causas contribuem para os superexcitar nos médiuns" - (Allan Kardec - Revista Espírita, Novembro, 1866).

Condições básicas para o exercício do passe espírita

Fé; Amor ao próximo; Disciplina; Vontade; Conhecimento; Equilíbrio psíquico; Humildade; Devotamento; Abnegação.

"Se pretendes, pois guardar as vantagens do passe, que em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro" - (Espírito Emmanuel, no livro Segue-me).

Factores negativos físicos, que prejudicam o passe

Uso do fumo e do álcool ; Desequilíbrio nervoso; Alimentos inadequados.

Factores negativos espirituais e morais, que prejudicam o passe

Mágoas, más paixões, egoísmo, orgulho, vaidade, cupidez, vida desonesta, adultério etc.

"O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de impurezas físicas e morais do encarnado; o dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e, por isto mesmo, tem propriedades mais activas, que acarretam uma cura mais pronta. Mas, passando através do encarnado pode alterar-se. Daí, para todo médium curador, a necessidade de trabalhar para seu melhoramento moral" - (Allan Kardec - Revista Espírita, Setembro, 1865).

7.2 - TIPOS DE PASSES

Os passes podem ser classificados em três categorias: Passe magnético, Passe espiritual e Passe misto.

a) Passe magnético

É um tipo de passe em que a pessoa doa apenas seus fluidos, utilizando a força magnética existente no próprio corpo perispiritual. Pelo menos em tese, qualquer criatura pode ministrá-lo. Suas qualidades variam segundo a condição moral do passista, sua capacidade de doar fluidos e seu desejo sincero de amparar o próximo. No passe magnético, geralmente se recebe assistência espiritual. Isso acontece porque os Espíritos superiores sempre ajudam aqueles que, imbuídos de boa vontade, atendem aos mais carentes. Lembramos aqui, que o socorro dos Benfeitores é independente da crença que o passista ou magnetizador possa ter em Deus ou na Espiritualidade. Os Espíritos disseram a Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", questão 176 :
"...muito embora uma pessoa desejosa de fazer o bem não acredite em Deus, Deus acredita nela".

b) Passe espiritual

É uma espécie de magnetização feita pelos bons Espíritos, sem intermediários, directamente no perispírito das pessoas enfermas ou perturbadas. No passe espiritual o necessitado não recebe fluidos magnéticos de médiuns, mas outros, mais finos e puros, trazidos dos planos superiores da Vida, pelo Espírito que veio assisti-lo. Pelo fato de não estar misturado ao fluido animalizado, o passe espiritual é bem mais limitado que as outras modalidades de passes. Com isso, pode-se compreender que os recursos oferecidos nas reuniões públicas de Espiritismo, onde participam grande quantidade de encarnados e Espíritos desencarnados, são bem maiores do que aqueles que podemos contar em nossas residências, só com a ajuda do anjo guardião.

c) Passe misto

É uma modalidade de passe onde se misturam os fluidos do passista com os da Espiritualidade. A combinação é muito maior do que no passe puramente magnético e seus efeitos bem mais salutares. Este é o tipo de passe que é aplicado nos centros espíritas, contando com a ajuda de equipes espirituais que trabalham nessa área, para ajuda dos necessitados. Os benfeitores espirituais comparecem no momento do passe, atendendo aos encarnados e também ministrando eficiente socorro às entidades do plano espiritual. Eles agem aumentando, dirigindo e qualificando nossos fluidos. Mas para que se possa contar sempre com a ajuda dos bons Espíritos, é necessário observar os cuidados já ditos anteriormente sobre a depuração íntima de cada um dos que estão imbuídos do desejo de fazer o bem.

"...Para curar pela acção fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis; desde que esses fluidos benéficos são dos Espíritos superiores, então é o concurso deles que é preciso obter. Por isto a prece e a evocação são necessárias. Mas para orar e, sobretudo, orar com fervor, é preciso fé. Para que a prece seja escutada é preciso que seja feita com humildade e dilatada por um real sentimento de benevolência e de caridade. Ora, não há verdadeira caridade sem devotamente, nem devotamente sem desinteresse" - (Allan Kardec - Revista Espírita, Janeiro, 1864).

7.3 - O PASSE NO CENTRO ESPÍRITA

O passe destina-se ao tratamento e profilaxia de enfermidades físicas e espirituais junto aos necessitados que procuram o centro espírita. A equipe de passistas deve estar alinhada no mesmo pensamento de ajudar essas pessoas carentes de amparo. O serviço de aplicação do passe requer critério, discernimento, responsabilidade e conhecimento doutrinário. É um complemento aos recursos de automelhoramento e de reeducação espiritual utilizados normalmente.

a) A Técnica do Passe Espírita

Há uma certa discussão no meio espírita sobre como deveria ser aplicado o passe. Alguns defendem a tese de que os passes deveriam ser ministrados movimentando-se as mãos ao redor do corpo do indivíduo, de modo que as energias espirituais pudessem melhor atingir seus objectivos de cura. Outros, acham que o ato de apenas impor as mãos sobre a cabeça de quem vai receber o passe já é suficiente. André Luiz nos informa em "Conduta Espírita" que o passe dispensa qualquer recurso espectacular. José Herculano Pires, no livro "Mediunidade", diz que o passe é tão simples que não se pode fazer nada mais do que dá-lo.

Allan Kardec, referindo-se ao assunto na Revista Espírita, número de Setembro de 1865, diz aos médiuns que: "Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência desta ou daquela forma. Às vezes, mesmo, a isto misturam práticas evidentemente supersticiosas, às quais se deve emprestar o valor que merecem".

Oficialmente, a Doutrina Espírita não prescreve uma metodologia para o passe. Cada grupo é livre para se posicionar de um modo ou de outro, desde que sem exageros. A técnica deve ser o mais simples possível, evitando-se fórmulas, exageros e gesticulação em torno do paciente. Cada grupo deve ter o bom senso de trabalhar da forma que achar mais conveniente desde que dentro de uma fundamentação doutrinária lógica. O que é preciso levar em conta é que nenhuma das duas formas de aplicar o passe surtirá efeito se o médium não tiver dentro de si a vontade de ajudar e condições morais salutares para concretizá-lo. Mesmo que se aplique a melhor metodologia, não se conseguirão bons resultados se o passista for pessoa de má índole.

b) Quando o Passe deve ser aplicado?

A variação das condições fluídicas perispirituais de qualquer criatura viva produz desequilíbrios orgânicos e psicológicos, que podem dar origem a enfermidades. Alterações psicológicas ou traumas orgânicos podem provocar mudanças fluídicas na camada exterior do perispírito, agravando doenças ou iniciando estados mórbidos. Daí, a importância da terapia energética dos passes como tratamento, mas principalmente como profilaxia das enfermidades. Por isso o passe deve ser aplicado regularmente, desde que seja esclarecido que o procedimento não é obrigatório, para desvinculá-lo de ritual ou dogma.