domingo, 21 de outubro de 2007

Perispirito, centro de força e o passe


PERISPIRITO, CENTRO DE FORÇA E O PASSE
(Jairo)

Kardec, pela orientação dos Espíritos, nos diz que o Espírito em si não é matéria. Não temos explicação de sua composição. E que a matéria é utilizada para a evolução do Espírito. Para que o Espírito se utilize dela para essa evolução é necessário que ele crie em torno de si um corpo semimaterial. Esse corpo Kardec chamou de Perispírito. O Perispírito serve ao Espírito em todo o seu contato com a matéria. E é o molde do corpo físico, quando reencarnamos. Nele são gravadas todas as nossas ações. Por ele, que entramos em contato com os espíritos, no fenômeno mediúnico, à noite saímos do corpo físico, com ele; quando o corpo morre é com ele que o espírito sai do corpo e se apresenta. E, no períspírito é que ficam os Centros de Força que entre outras funções, tem a função de metabolizar energias que recebe, principalmente o Fluido Cósmico Universal, do meio ambiente, e transformá-lo em FLUIDO VITAL, que é a força motriz do funcionamento do perispírito e do corpo físico. FORMA A NOSSA AURA E É ELE, O FLUIDO VITAL, QUE TRANSMITIMOS PELO PASSE ÀS PESSOAS, PRESENTES OU DISTANTES.

Como ocorre isto? - O perispirito possui sete Centros de forças principais (ver descrição abaixo).

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O PERISPÍRITO, OS CENTROS DE FORÇA COM O PASSE?

Como o Perispírito é o meio de veiculação da vontade do Espírito, cabe a ele o papel transformador e reativo nos fluidos, ESPECIALMENTE QUANDO MOVIMENTADOS NOS TRABALHOS DO PASSE. Daí a necessidade de o passista ser uma pessoa equilibrada, pois, sua vontade, por carecer de uma base firme, não pode, para fornecer saúde e harmonia, calcar-se numa estrutura movediça de moral vacilante e tonicidade intermitente.

Ademais, ”se as paixões baixas e materiais perturbam, obscurecem o organismo fluídico, os pensamentos generosos, e um sentido oposto, as ações nobres apuram e dilatam as moléculas perispiriticas”(Léon Denis, em “Depois da morte, cap. 32, p. 210)

O PERISPÍRITO tem participação ímpar nos fenômenos e nas manifestações mediúnicas e anímicas, sendo ele, PORTANTO, O INTERMEDIÁRIO VITAL E INDISPENSÁVEL DA TRANSMISSÃO FLUÍDICA POR OCASIÃO DO PASSE, da prece em favor dos outros e de nos mesmos. (Jacob de Melo (Livro O Passe, da FEB)

Dizem os espíritos que as pessoas comuns que não tem o hábito de orar, que não se preocupam como bem e são egoístas, só pensando em si, tem o Centro de Força de mais ou menos 5 cm de diâmetro e de cor escura e sem brilho e giram lentamente, metabolizando por isso pouco Fluido Vital, o que é claro não é bom para a saúde. E NÃO SERIAM BONS PASSISTAS.

A BASE DOS TRABALHOS DE PASSES CENTRA-SE NO CONHECIMENTO DESSES CENTROS E NA REAL APLICAÇÃO DAS ENERGIAS RADIANTES.
Distribuem, controlam, dosam as energias que o nosso corpo necessita; Regulam, sustentam os sentimentos e as emoções; Alimentam as células do pensamento; Levam as sensações do corpo físico para o Espírito; Captam as energias e as influências exteriores.

As pessoas espiritualizadas, que têm o hábito de orarão, bons pensamentos e bons sentimentos, boa moral, possuem Centros de Força maiores. Ampliados e de cor brilhante. POR ISSO METABOLIZAM MAIS FLUIDO VITAL, PARA A SUA AURA E É A ENERGIA QUE TRANSMITIMOS NO PASSE. Como isso ocorre?

Os Centros de força metabolizam o Fluido Cósmico Universal em FLUIDO VITAL e este é transmitido para todo o perispírito para mantê-lo funcionando e depois passa, através dos plexos que ficam no organismo físico para o sistema nervoso e assim para todas as células do corpo, cuja função é mantê-lo funcionando também. Assim que o Fluido Vital alcance as células do corpo físico irradiam (com maior ou menor intensidade de acordo com o estado emocional da criatura, porque eles estão subordinados às impulsões da mente) e esta irradiação forma a aura humana E DA AURA É QUE PARTEM AS ENERGIAS FORNECIDAS PELO PASSE.

O passe então é energia passada de aura para aura.
As mãos são apenas os pontos, as extremidades, convencionados no corpo para o direcionamento da energia que doamos exercendo nossa vontade. (No homem de vontade energética, A CORRENTE PRODUZ O EFEITO DE UMA DUCHA (Kardec, Rev.Esp.setembro 1865)

Mas poderíamos passar essa energia, olhando a pessoa, (um olhar basta para que os núcleos potencializados transmitam as forças curativas, favorecendo as pessoais em carências e renovando-as. (Vianna de Carvalho, psicografia de Divaldo Franco,14.4.1989). Jesus curava pelo olhar também. Pode ser enviada pela vontade pelo tórax,(área do coração) direcionando a energia naquele ponto e pelo pensamento e a vontade envia-la para perto ou longe. (O PENSAMENTO PROVOCA UMA EMISSÃO FLUÍDICA (Kardec Rev.Esp. set.1865.

Pensamentos viciados (contaminados,desajustados, desequilibrados) implicam em desarmonia nos Centros de Força e, conseqüentemente, no corpo físico. (Isso prejudica muito a qualidade do passista)

“O que eleva a frequência vibratória do pensamento é o Amor desinteressado. Tudo que seja contrário ao Amor, como raiva, ressentimento, mágoa, tristeza, indiferença, egoísmo, vaidade, separação ou isolamento, faz baixar as vibrações. “ ( Departamento Doutrinário da Federação Espírita Portuguesa )

Podemos curar também pela prece. Kardec diz, Rer. Espírita setembro 1865, que a Prece é um pensamento, quando fervorosa, ardente, feita com fé, produz o efeito de uma magnetização, não só chamando o concurso dos bons Espíritos, mas dirigindo ao doente uma salutar corrente fluídica. (perto ou à distância).

E pode esse energia ser assimilada, RETIRADA de nós pelo desejo ardente e fé verdadeira das pessoas, como a hemorrágica tirou a energia para sua cura ao tocar as vestes de Jesus. Pode também suas emanações pela aura contaminar ou purificar ambientes, dependendo de suas qualidades.(Chico Xavier tinha uma aura de 10 metros, segundo estudos da NASA dos EUA) Assim, uma pessoa sem braços poderia dar passes normalmente, pois direcionaria suas energias pela vontade para o paciente.(Narram os apóstolos que pessoas traziam os seus enfermos e os colocavam à beira dos caminhos por onde passariam Pedro e João, a fim de que a sua sombra, caindo sobre eles os currassem)...(Viana de Carvalho, Psicografia de Divaldo Franco 14.4.1989)

No Centro Espírita foi convencionado a utilização da passagem da energia pelas mãos. É discreto e o suficiente para a transmissão da energia do passe.

E TAMBÉM PORQUE NO CENTRO ESPÍRITA O PASSE É MINISTRADO DE FORMA MISTA, a energia magnética do passista e a energia magnética dos espíritos presentes. E são os espíritos que trabalham essas energias nas partes do corpo enfraquecidas ou doentes. Espíritos que trabalham nas câmaras de passe são especialistas em manipulação de energia (Ver cap., 19 do livro Missionário da Luz) Nesse caso o passista é apenas um doador de energia, devendo ficar em preces e com as mãos estendidas sobre a cabeça do paciente, nada mais.

OS CENTROS DE FORÇA são acumuladores. transformadores e distribuidores de força espiritual, situados no Perispírito. Têm centros equivalentes/correspondentes nos Plexos situados no corpo físico.
No processo de irradiação para os passes transmitimos aos outros, pelo mecanismo da nossa vontade, a carga de força vital que dispomos para doar.

Kardec, nos comentários da pergunta 70 do L.E., nos diz que o corpo é como um aparelho elétrico que tem que ser recarregado para funcionar. Exemplo, quando temos um telefone celular e acaba a energia da bateria, temos que recarregá-la para que ele volte a funcionar. Assim são os Centros de Força, eles agem como carregadores da energia que fazem funcionar o nosso corpo, pois transformam a energia do Fluido Cósmico Universal do meio ambiente em FLUIDO VITAL que age como uma força motriz ( produz os movimentos) Se os Centros força pararem de produzir FLUIDO VITAL o corpo morre, e se produz pouco o corpo fica doente.

OS CENTROS DE FORÇA E SUAS OUTRAS FUNÇÕES
Coronário, frontal, Laríngeo, Cardíaco, Gástrico, esplênico e básico
CENTROS DE FORÇA
(Estudos realizados pelo COEM, Centro Espírita Luz Eterna, Curitiba)

O espírito, encarnado ou desencarnado, assimila energias das mais diversas, automaticamente e/ou conscientemente, de acordo com seu estado de maior ou menor equilíbrio, físico e espiritual. O perispírito, então, metaboliza essas energias nos centros de força e as distribui em nosso organismo. Essas energias se manifestam em nossa aura, formando nosso “hálito mental”.
Os centros de força, também chamados de centros de energia ou força vital, são verdadeiras “usinas” de metabolização de energias e fluidos, distribuindo-se por todo o nosso perispírito, formando verdadeiros “sistemas” na sua estruturação. Existem milhares, sendo que sete deles são de maior importância, por coordenarem a metabolização de energias e fluidos em grandes áreas específicas, respondendo por sistemas e energias particulares.
Quando o espírito está encarnado, os centros de força estão “ajustados” a determinados órgãos ou sistemas do corpo físico, interagindo com este, ou seja, o tipo de energia metabolizado afeta ao corpo físico, órgão ou sistema orgânico correspondente, bem como o estado físico afeta a absorção e metabolização de energias e fluidos.
Os principais centros de força e sua respectiva “localização” são:

1) Centro Coronário: responsável pelas energias oriundas do plano espiritual; relaciona-se materialmente com a epífise.
2) Centro Frontal: responsável pelas energias dos centros superiores da inteligência e do sistema nervoso; relaciona-se materialmente com os lobos frontais do cérebro;
3) Centro Laríngeo: é responsável pelas energias na área da fala. Atua no funcionamento das glândulas do timo, da tireóide. Relaciona-se materialmente com o plexo cervical.
4) Centro Cardíaco: responsável pelas energias das emoções superiores e sentimentos. Atua na área do coração e da circulação. Relaciona-se materialmente com o plexo cardíaco.
5) Centro Esplênico: é o responsável pela eliminação das energias “descartáveis” ou “não afinadas” de nosso perispírito. Atua em toda a área das defesas orgânicas através do sangue. Relaciona-se materialmente com o baço.
6) Centro Gástrico: relaciona-se também com energias das emoções e sentimento, atuando em todo o aparelho digestivo. Está relacionado materialmente com o plexo solar.
7) Centro Genésico ou Básico: responsável pelas energias oriundas da reprodução, da sexualidade e da criatividade. Relaciona-se com o sistema reprodutor.

Infrações às Leis Naturais implicam em registros energéticos no perispírito, com influências decisivas nesta e em outras encarnações. Esses registros são energéticos e constituídos de cargas negativas ligadas a determinados Centros de Força. Estão relacionados com a Lei de Causa e Efeito, sendo conseqüência do uso do Livre Arbítrio.

NOS PROCESSOS DE PASSE OU DE IRRADIAÇÃO, o médium passista, pela ação de sua vontade dirigida, transmite aos outros as sua energias vitais, que são repostas imediatamente pela absorção e metabolização automática das energias do ambiente pelos centros de força. Na irradiação ou no passe, o médium, aplicando a técnica apropriada, acelera essa absorção e metabolização, e movimenta, pela ação da sua vontade, as energias vitais e espirituais para aquele que receberá as energias da irradiação ou passe.

A EPÍFISE, glândula de forma piriforme, é um corpo ovóide, com as dimensões de uma ervilha mediana e repousa sobre o teto mesencefálico.
"Descartes considerava a glândula pineal a sede da Alma". (Anatomia e Fisiologia Humanas, de A. Almeida Júnior; Editora Nacional, 8a parte, cap. 40)
Em "Missionários da Luz", cap. 2, André Luiz observa que no médium, em serviço mediúnico, essa glândula transforma-se em núcleo radiante. Relembra que, segundo os "orientadores clássicos terrestres", as funções da epífise circunscreviam-se ao controle sexual, no período infantil, velador dos instintos até uma certa idade, em que a atividade sexual pudesse deslizar com regularidade. "Não se trata de órgão morto, diz a espiritualidade. É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre".
No campo mediúnico, a epífise impulsiona e intensifica o poder de emissão e recepção, de acordo com nossa esfera espiritual - Lei da Sintonia.

O crescimento do influxo mental está na medida da experiência adquirida e arquivada pelo próprio Espírito.
Pensamentos viciados (contaminados,desajustados, desequilibrados) implicam em desarmonia nos Centros de Força e, conseqüentemente, no corpo físico. (Isso prejudica muito a qualidade do passista)

Os Passes
O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.
Desde que estes se modificam pela projeção dos pensamentos do Espírito, seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser e que recebe de modo direto e permanente a impressão de seus pensamentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más. Os fluidos viciados pelos eflúvios dos maus Espíritos podem depurar-se pelo afastamento destes, cujos perispíritos, porém, serão sempre os mesmos, enquanto o Espírito não se modificar por si próprio.
Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.
Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se os fluidos são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e enérgicos, os fluidos maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.
Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos que o encarnado absorve pelos poros perispiríticos, como absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilenciais.
Parte da questão 18 de A Gênese, capítulo XIV

CONCLUSÃO
André Luiz, em “Missionários da Luz”, cap. XIX (Passes) recomenda aos médiuns passistas que, antes de tudo, é necessário equilibrar o campo das emoções. Não é possível fornecer forças construtivas a alguém, ainda mesmo na condição de instrumento útil, se fazemos sistemático desperdício das irradiações vitais.
Um sistema de nervos esgotado, oprimido é um canal que não responde pelas interrupções havidas. A mágoa excessiva, a paixão desvairada, a inquietude obsidente, constituem barreiras que impedem a passagem das energias auxiliadoras. Por outro lado, é preciso examinar também as necessidades fisiológicas, a par dos requisitos de ordem psíquica.
A fiscalização dos elementos destinados aos armazéns celulares é indispensável, por parte do próprio interessado em atender às tarefas do Bem.
O excesso de alimentação produz odores fétidos, através dos poros, bem como das saídas dos pulmões e do estômago, prejudicando as faculdades radiantes, porquanto provoca dejecções anormais e desarmoniosas de vulto no aparelho gastrointestinal interessando a intimidade das células.
O álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores e salutares.

PALESTRA GENTILMENTE CEDIDA POR JAIRO CAPASSO (ORADOR E PALESTRANTE).

A PALESTRA OCORREU NO SEMINÁRIO SONBRE PASSES REALIZADO EM PIRACICABA-BRASIL, EM JUNHO DE 2007

PROMOÇÃO DA USE-UNIÃO DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS, INTERMUNICIPAL E REGIONAL DE PIRACICABA.

sábado, 20 de outubro de 2007

Variedades de médiuns escreventes


Variedades de Médiuns Escreventes


191. 1º) Segundo o modo de execução:
Médiuns escreventes ou psicógrafos - Os que têm a faculdade de escrever por si mesmos, sob influência dos Espíritos.


Médiuns escreventes mecânicos - Os que escrevem recebendo um impulso involuntário na mão, sem ter nenhuma consciência do que escrevem. Muito raros. (Ver nº 179)


Médiuns semi-mecânicos - Os que escrevem por impulso involuntário na mão, têm consciência imediata das palavras e das frases que vai escrevendo. Os mais comuns. (Ver nº 181)


Médiuns intuitivos - Os que recebem as comunicações dos Espíritos mentalmente, mas escrevem por vontade própria. Diferem dos médiuns inspirados porque estes não têm necessidade de escrever, enquanto o médium intuitivo registra o pensamento que lhe é sugerido rapidamente sobre determinado assunto que lhe foi proposto. (Ver nº 180)


São muitos comuns, mas estão muito sujeitos a errar, porque frequentemente não podem discernir o que provém dos Espíritos do que é deles mesmos.


Médiuns polígrafos - Os que mudam de caligrafia segundo o Espírito que se comunica ou têm a aptidão de reproduzir a letra que o Espírito comunicante tinha em vida. O primeiro caso é muito comum. O segundo, o da identidade da letra, é mais raro. (Ver nº 219)


Médiuns poliglotas - Os que têm a faculdade de falar ou de escrever em línguas que não conhecem. Muito raros.


Médiuns analfabetos - Os que só escrevem como médiuns, não sabendo ler nem escrever no seu estado habitual. Mais raros que os anteriores. Há maior dificuldade material a vencer.


192. 2º) Segundo o desenvolvimento da faculdade:
Médiuns novatos - Os que não têm suas faculdades completamente desenvolvidas nem possuem a experiência necessária.


Médiuns improdutivos - Os que só recebem sinais sem importância; monossílabos, traços ou letras esparsas. (Ver o capítulo sobre Formação dos Médiuns)


Médiuns desenvolvidos ou formados - Os que têm suas faculdades mediúnicas completamente desenvolvidas, transmitindo as comunicações com facilidade e presteza, sem vacilações. Compreende-se que esse resultado só pode ser obtido pelo hábito, enquanto entre os médiuns novatos as comunicações são lentas e difíceis.


Médiuns lacónicos - Os que recebem facilmente as comunicações, mas breves e sem desenvolvimento.


Médiuns explícitos - Os que recebem comunicações amplas e extensas como as que se podem esperar de um escritor consumado.
Esta aptidão está relacionada com a facilidade de combinação dos fluidos. Os Espíritos os procuram para tratar de assuntos que necessitam de grande desenvolvimento.


Médiuns experimentados - A facilidade de escrever é uma questão de hábito, que se obtém em pouco tempo, enquanto a experiência resulta do estudo sério de todas as dificuldades que se apresentam na prática do Espiritismo. A experiência confere ao médium o tacto necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, julgar pelos menores indícios as suas qualidades boas ou más, discernir a mistificação de espíritos enganadores que se disfarçam nas aparências da verdade. Compreende-se facilmente a importância dessa qualidade, sem a qual todas as outras perdem sua utilidade real. O mal é que muitos médiuns confundem a experiência, fruto do estudo, com a aptidão que decorre apenas do organismo. Julgam-se elevados e mestres porque escrevem com facilidade, rejeitam todos os conselhos e se tornam presa de Espíritos mentirosos e hipócritas, que os apanham lisonjeando-lhes o orgulho. (Ver, adiante, o capítulo sobre Obsessão) (9)


(9) Essa distinção entre experiência e aptidão é da maior importância no trato da mediunidade. O médium experiente, segundo o conceito Kardeciano, dificilmente se deixa enganar pelos Espíritos mistificadores, por mais subtis que estes sejam. O médium apenas apto recebe comunicações absurdas, livros e até mesmo séries de livros, sem perceber que está servindo de instrumento a influências perniciosas. Daí a necessidade imprescindível de estudo do problema mediúnico para que a aptidão mediúnica seja bem aproveitada através da experiência que só o conhecimento propicia. (N. do T.)

Médiuns flexíveis - Os que têm faculdades que se prestam mais facilmente aos diversos géneros de comunicações, e pelos quais todos ou quase todos os Espíritos podem manifestar-se, espontaneamente ou por evocação.
Esta variedade de médiuns se aproxima bastante dos médiuns sensitivos.


Médiuns exclusivos - Os que recebem de preferência determinado Espírito, e até mesmo com a exclusão de todos os outros, respondendo ele pelos que são chamados através do médium.
Trata-se sempre de falta de flexibilidade. Quando o Espírito é bom, pode ligar-se ao médium por simpatia e com finalidade louvável. Quando é mau, tem sempre em vista submeter o médium à sua dependência.
É mais um defeito do que uma qualidade, e muito próximo da obsessão. (Ver o capítulo sobre Obsessão)


Médiuns de evocações - Os médiuns flexíveis são naturalmente mais convenientes para esse género de comunicações, mais aptos a responder às questões específicas que lhes forem propostas. Mas há, para os casos de evocação, médiuns inteiramente especiais. (10)
Suas respostas se limitam quase sempre a um quadro restrito, não servindo para o desenvolvimento de assuntos gerais.


Médiuns de ditados espontâneos - Os que recebem de preferência comunicações espontâneas de Espíritos não chamados. Quando se trata de faculdade especial, é difícil, e às vezes mesmo impossível fazer uma evocação por seu intermédio.
Não obstante, são melhor aparelhados que os da variedade anterior. Compreenda-se que a aparelhagem aqui referida é a dos elementos cerebrais, porque é frequentemente necessária, direi mesmo sempre, uma inteligência mais desenvolvida para os ditados espontâneos do que para as evocações. Entenda-se aqui, por ditados espontâneos, os que merecem verdadeiramente essa designação, e não algumas frases incompletas ou alguns pensamentos banais que se encontram geralmente nas anotações humanas. (11)


193. 3º) Segundo o género e a especialidade das comunicações:


Médiuns versificadores - São os que obtêm mais facilmente comunicações em versos. Muito comuns para os maus versos, muito raros para os bons. (12)


Médiuns poéticos - São os que, sem obter versos, recebem comunicações de estilo vaporoso, sentimental, sem qualquer tom de aspereza. São, mais que os outros, aptos à expressão dos sentimentos ternos e afectuosos. Tudo neles é vago, e seria inútil pedir-lhes algo de preciso. Muito comuns.


Médiuns positivos - Suas comunicações têm, em geral, um carácter de nitidez e precisão que se presta espontaneamente às explicações detalhadas e circunstanciadas, aos ensinamentos exactos. Muito raros. (13)


(10) O problema das evocações é dos mais complexos. As evocações de Kardec eram feitas para estudos. Nas sessões habituais de natureza religiosa não se fazem evocações. Como os Espíritos assinalam, na rota a essa classificação, os médiuns flexíveis servem apenas em parte. E Kardec lembra a existência de médiuns especiais para evocações, que dependem, como se vê na observação dos Espíritos ao item seguinte, de condições intelectuais mais amplas (nem sempre da encarnação actual). (N. do T.)


(11) O problema da banalidade das comunicações mediúnicas depende, como se vê, mais do médium que dos Espíritos. Os que generalizam essa acusação deviam inteirar-se das comunicações registradas na Revista Espírita e nas obras da Codificação, além de outras da literatura mediúnica, como as de Francisco Cândido Xavier. (N. do T.)


(12) Os críticos do Espiritismo insistem na semelhança entre as qualidades humanas e as dos Espíritos comunicantes. Desconhecem a lei de afinidade que rege as relações espirituais, tanto entre os homens quanto entre os Espíritos e entre estes e os homens. Veja-se que os médiuns versificadores e os poéticos são comuns, enquanto os positivos são raros, exactamente porque estão em relação às condições comuns ou raras dos homens e dos Espíritos que povoam a Terra e sua atmosfera espiritual. (N. do T.)


(13) Algumas comunicações publicadas na Revista Espírita ilustram esse caso. Muitas críticas foram feitas a elas. Mas o aspecto estranho do estilo, a incorrecção de certas frases e a impropriedade dos termos não diminuem o valor de seu conteúdo moral, e às vezes mesmo das explicações que fornecem. Médiuns que se afinam com Espíritos semelhantes a muitos cientistas terrenos que não gozam de facilidade de expressão, mas nem por isso deixam de escrever obras úteis.

Médiuns literários - Não têm o tom vago dos médiuns poéticos nem o terra-a-terra dos médiuns positivos, mas dissertam com sagacidade. Seu estilo é correcto, elegante e frequentemente de notável eloquência.


Médiuns incorrectos - Podem obter comunicações muito boas, pensamentos de elevada moralidade, mas seu estilo é difuso, incorrecto, sobrecarregado de repetições e termos impróprios.
A incorrecção material do estilo decorre geralmente da falta de cultura intelectual do médium, que não serve de bom instrumento para o Espírito nesse sentido. Mas o Espírito liga pouca importância a isso, porque para ele o pensamento é o essencial e vos deixa livres de lhe dar a forma conveniente. Já não se dá o mesmo com as ideias falsas e ilógicas de uma comunicação, que são sempre um indício de inferioridade do Espírito manifestante.


Médiuns historiadores - Os que têm aptidão especial para as dissertações históricas. Essa faculdade, como todas as outras, não depende dos conhecimentos do médium, pois há pessoas sem instrução, e até mesmo crianças, que tratam de assuntos muito além do seu alcance. Variedade rara de médiuns positivos. (14)


Médiuns científicos - Não dizemos sábios, porque podem ser até muito ignorantes mas apesar disso são especialmente aptos a receber comunicações relativas às Ciências.


Médiuns medicinais - Sua especialidade é a de servirem mais facilmente aos Espíritos que fazem prescrições médicas. Não se deve confundi-los com os médiuns curadores, porque nada mais faz do que transmitir o pensamento do Espírito, e não exercem por si mesmos nenhuma influência. Muito comuns.


Médiuns religiosos - Recebem mais especialmente comunicações de carácter religioso ou que tratam de questões relativas à religião, sem embargo de suas crenças e de seus costumes.
Médiuns filósofos e moralistas - Suas comunicações tratam geralmente de questões de moral ou de alta Filosofia. Muito comuns para as questões morais.
Todas essas classes constituem diversidade de aptidões dos bons médiuns. Quanto aos que têm aptidões especiais para certas comunicações científicas, históricas, médicas e outras, acima do seu alcance actual, podeis estar certos de que possuíram esses conhecimentos em outra existência e os conservam em estado latente, fazendo parte, assim, dos elementos cerebrais necessários à comunicação do Espírito. São esses elementos que facilitam ao Espírito a transmissão de suas ideias, de maneira que esses médiuns são para ele instrumentos mais inteligentes e maleáveis do que o seria um ignorante. - ERASTO.


Médiuns de comunicações triviais e obscenas
— Estas palavras indicam o género de comunicações que certos médiuns recebem habitualmente, e a natureza dos Espíritos que as transmitem. Quem tiver estudado o mundo espírita em todos os seus graus, sabe que há Espíritos cuja perversidade se iguala à dos homens mais depravados, e que se comprazem na tradução de seus pensamentos pelas mais grosseiras palavras. Outros, menos abjectos, contentam-se com expressões triviais. Compreende-se que esses médiuns devem ter o desejo de livrar-se da preferência de tais Espíritos, invejando os que recebem comunicações que jamais trouxeram uma palavra inconveniente. Só por uma estranha aberração mental e falta de bom senso se poderia crer que semelhante linguagem pudesse provir dos Espíritos bons. (15)


(14) Numerosos exemplos se encontram na Revista Espírita. A bibliografia mediúnica mundial apresenta também numerosos casos. Entre nós, Francisco Cândido Xavier é o exemplo por excelência. Quanto ao caso dos médiuns crianças é bom lembrar que o próprio O Livro dos Espíritos foi escrito com o auxílio de duas adolescentes, Julie e Caroline Boudin, respectivamente de 14 e 16 anos, ambas de desenvolvimento mental e cultura muito aquém dos assuntos tratados naquela obra. As explicações parapsicológicas que actualmente se pretende, de má fé, opor à importância desse fato são insuficientes para justificar os diversos aspectos do problema. (N. do T.)


(15) Essa aberração existiu no tempo de Kardec e ainda persiste, dada a natureza inferior do nosso mundo. Há pessoas que aceitam essas comunicações como provas a que seus guias as submetem. Essa a razão de Kardec se referir ao problema. (N. do T.)

194. 4º) Segundo as qualidades físicas do médium:


Médiuns calmos - Os que sempre escrevem com certa lentidão, sem a menor agitação.


Médiuns velozes - Os que escrevem com uma rapidez que não poderiam desenvolver voluntariamente em seu estado normal. Os Espíritos se comunicam por eles com a rapidez do relâmpago. Dir-se-ia que possuem uma superabundância de fluido, que lhes permite identificação instantânea com o Espírito. Essa qualidade tem às vezes o inconveniente de tornar, pela rapidez, a escrita quase ilegível para outras pessoas além do médium.
É muito cansativa, porque despende muito fluido inutilmente.


Médiuns convulsivos - Permanecem num estado de super excitação quase febril. Sua mão, e às vezes todo o corpo, se agita num tremor que não conseguem dominar. A causa disso está sem dúvida na sua própria constituição, mas depende muito, também, da natureza dos Espíritos que se comunicam. Os Espíritos bons e benevolentes produzem uma impressão agradável e suave; os maus, pelo contrário, uma penosa impressão.
Esses médiuns só devem servir-se raramente de sua faculdade, pois o uso muito frequente pode afectar-lhes o sistema nervoso. (Ver o capítulo sobre a Identidade dos Espíritos, distinção dos Espíritos bons e maus).


195. 5º) Segundo as qualidades morais do médium:


Mencionamo-los sumariamente, lembrando-os apenas para completar o quadro, pois serão tratados a seguir em capítulos especiais: da Influência moral dos médiuns, da Obsessão, da Identidade dos Espíritos e outros, para os quais pedimos particular atenção. Veremos a influência que as qualidades e as dificuldades dos médiuns podem exercer quanto à segurança das comunicações, e quais os que com razão poderemos considerar médiuns imperfeitos ou bons médiuns.


196. Médiuns imperfeitos:


Médiuns obsedados - Os que não podem livrar-se dos Espíritos importunos e mistificadores, mas não se enganam com eles.


Médiuns fascinados - Os que são enganados pelos Espíritos mistificadores e se iludem com a natureza das comunicações recebidas.


Médiuns subjugados - Os que são dominados moralmente e muitas vezes fisicamente pelos Espíritos maus.


Médiuns levianos - Os que não levam a sério a sua faculdade, servindo-se dela apenas como divertimento ou para finalidades fúteis.


Médiuns indiferentes - Os que não tiram nenhum proveito moral das instruções recebidas e não modificam em nada sua conduta e seus hábitos.


Médiuns presunçosos - Os que têm a pretensão de estar em relação somente com os Espíritos superiores. Julgam-se infalíveis e consideram inferior e erróneo o que não vem por seu intermédio.


Médiuns orgulhosos - Os que se envaidecem com as comunicações recebidas. Acham que nada mais têm a aprender no Espiritismo, não tomando para eles as lições que frequentemente recebem dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem obter todas.

Médiuns susceptíveis - Variedade de médiuns orgulhosos que se aborrecem com as críticas às suas comunicações. Chocam-se com a menor observação. Quando mostram o que receberam é para causar admiração e não para provocar opiniões. Geralmente tomam aversão pelas pessoas que não os aplaudem sem reservas, afastando-se das reuniões em que não podem impor-se e dominar.
Deixai-os ir pavonear onde quiserem e procurar ouvidos mais complacentes, ou que se isolem. As reuniões de que se afastam nada perdem. - Erasto.


Médiuns mercenários - Os que exploram as suas faculdades.


Médiuns ambiciosos - Os que, sem vender suas faculdades, esperam obter com elas outras vantagens.


Médiuns de má fé - Os que, tendo faculdades reais, simulam as que não têm para se dar importância. Não se pode dar o título de médium às pessoas que, não tendo nenhuma faculdade mediúnica, só produzem fenómenos falsos, pela charlatanice.


Médiuns egoístas - Os que só se servem de suas faculdades para uso pessoal e guardam para si mesmos as comunicações recebidas.


Médiuns ciumentos - Os que encaram com despeito os médiuns mais considerados que eles e que lhes são superiores.
Todas essas más qualidades têm necessariamente a sua contrapartida no bem.


197. Bons médiuns:


Médiuns sérios - Os que só utilizam suas faculdades para o bem e para finalidades realmente úteis. Julgam profaná-las pondo-as ao serviço dos curiosos e dos indiferentes, ou para futilidades.


Médiuns modestos - Os que não se atribuem nenhum mérito pelas comunicações recebidas, por melhores que sejam. Consideram-nas como alheias e não se julgam livres de mistificações. Longe de fugirem às advertências imparciais, eles as solicitam.


Médiuns devotados - Os que compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar os seus gostos, seus hábitos, seus prazeres, seu tempo e até mesmo os seus interesses materiais em favor dos outros.


Médiuns seguros - Os que, além da facilidade de recepção, merecem a maior confiança em virtude de seu carácter, da natureza elevada dos Espíritos que os assistem, sendo portanto menos expostos a ser enganados. Veremos mais tarde que essa segurança nada tem que ver com os nomes mais ou menos respeitáveis usados pelos Espíritos.
É incontestável e bem o percebeis, que expondo assim as qualidades e os defeitos dos médiuns, se provocará a contrariedade e até mesmo a animosidade de alguns. Mas, que importa? A mediunidade se expande cada vez mais, e o médium que levar estas reflexões a mal provará apenas que não é um bom médium, quer dizer, que é assistido por Espíritos maus. De resto, como já disse, tudo isso passará logo e os maus médiuns, que abusam ou mal empregam as suas faculdades, sofrerão tristes consequências, como já aconteceu para alguns. Eles aprenderão à própria custa o que devem pagar ao reverterem em proveito de suas paixões terrenas um dom que Deus lhes concedera para o seu progresso moral. Se não podeis reconduzi-los ao bom caminho, lamentai-os, pois vos posso dizer que Deus os reprova. (ERASTO).


Esse quadro é de grande importância, não só para os médiuns sinceros que procurarem de boa fé, ao lê-lo, preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, pois lhes darão a medida do que podem racionalmente esperar. Deveria estar constantemente sob os olhos dos que se ocupam de manifestações, assim como a escala espírita de que é complemento. Esses dois quadros resumem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que pensais, para repor o Espiritismo no seu verdadeiro caminho. (SÓCRATES)


Referencia: O livro dos médiuns

Formação dos seres vivos


Formação dos Seres Vivos


43. Quando a Terra começou a ser povoada?
— No começo, tudo era caos; os elementos estavam fundidos. Pouco a pouco, cada coisa tomou o seu lugar; então, apareceram os seres vivos, apropriados ao estado do globo.


44. De onde vieram os seres vivos para a Terra?
— A Terra continha os germes, que esperavam o momento favorável para desenvolver-se. Os princípios orgânicos reuniram-se desde o instante em que cessou a força de dispersão, e formaram os germes de todos os seres vivos. Os germes permaneceram em estado latente e inerte, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício à eclosão de cada espécie; então, os seres de cada espécie se reuniram e multiplicaram.


45. Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra?
— Estavam, por assim dizer, em estado fluídico no espaço, entre os Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começarem uma nova existência sobre um novo globo.
A Química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formar cristais de uma regularidade constante, segundo cada espécie, desde que estejam nas condições necessárias. A menor perturbação destas condições é suficiente para impedir a reunião dos elementos, ou pelo menos a disposição regular que constitui o cristal. Por que não ocorreria o mesmo com os elementos orgânicos? Conservamos durante anos germes de plantas e de animais, que não se desenvolveram a não ser numa dada temperatura e num meio apropriado; viram-se grãos de trigo germinar depois de muitos séculos. Há, portanto, nesses germes, um princípio latente de vitalidade, que só espera uma circunstância favorável para desenvolver-se. O que se passa diariamente sob os nossos olhos, não pode ter existido desde a origem do globo? Esta formação dos seres vivos, saindo do caos pela própria força da Natureza, tira alguma coisa à grandeza de Deus? Longe disso, corresponde melhor à ideia que fazemos de seu poder, a exercer-se sobre os mundos infinitos através de leis eternas. Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas Deus tem os seus mistérios, e estabeleceu limites às nossas investigações.


46. Há seres que ainda nascem espontaneamente?
— Sim, mas o germe primitivo já existia em estado latente. Sois, todos os dias, testemunhas desse fenómeno. Os tecidos dos homens e dos animais não contêm os germes de uma multidão de vermes que esperam, para eclodir, a fermentação pútrida necessária à sua existência? É um pequeno mundo que dormita e desperta.


47. A espécie humana se achava entre os elementos orgânicos do globo terrestre?
— Sim, e veio a seu tempo. Foi isso que deu motivo a dizer-se que o homem foi feito do limo da Terra.


48. Podemos conhecer a época da aparição do homem e de outros seres vivos na Terra?
— Não; todos os vossos cálculos são quiméricos.


49. Se o germe da espécie humana estava entre os elementos orgânicos do globo, porque os homens não mais se formam espontaneamente, como em sua origem?
— O princípio das coisas permanece nos segredos de Deus; mas podemos dizer que os homens, uma vez dispersos sobre a Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua formação, para transmiti-los segundo as leis da reprodução. O mesmo aconteceu com as demais espécies de seres vivos.


Referencia: O livro dos espíritos

A realeza de jesus


A Realeza de Jesus


4. O reino de Jesus não é deste mundo. Isso todo compreende. Mas sobre a Terra ele não terá também uma realeza? O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que, por seu génio, se colocam em primeiro lugar em alguma actividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados? Ela é imperecível enquanto a outra depende das circunstâncias; ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto a outra é, às vezes, amaldiçoada. A realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.


Referencia: O evangelho segundo o espiritismo

A revelação do mundo


A Revelação do Mundo


O Mundo vem se revelando aos homens lentamente, através dos milénios em que as gerações se sucedem. Mas a verdade é que, somente neste século, graças a um extraordinário aceleramento das Ciências, a sua realidade começa a desvendar-se aos nossos olhos. Quando o homem apareceu na Terra o Mundo já era velho de muitos milhões de anos. Esse animal curioso, dotado de inteligência indagadora, começou por conhecer apenas a epiderme do mundo, assim mesmo em reduzida extensão. Vivendo e se multiplicando entre mistérios e assombros, as gerações humanas formaram uma imagem do Mundo que hoje nos aparece como um quadro fantástico de pintor paranormal. Revelações simbólicas foram feitas aos homens sobre as origens do mundo, sua natureza e sua finalidade. As mais complexas e significativas permaneceram nas tradições dos povos e nas suas Escrituras Sagradas. Entre elas se destaca a do livro bíblico Génese, atribuído a Moisés e adoptado nas igrejas judaicas e cristãs como verdade indiscutível. De outro lado, graças à espantosa capacidade intuitiva dos gregos, surgiram as primeiras explicações humanas e racionais das origens. Com Leucipo e Demócrito, por exemplo, surgiu em Atenas a ideia do átomo, que seria uma partícula infinitesimal e indivisível, da qual todas as coisas seriam feitas. À ideia judaica de que Deus tirara o Mundo do nada apenas com sua voz, com o seu verbo, os gregos opunham a ideia do átomo, da água, do fogo, do ar, e a notável concepção matemática de Pitágoras, segundo a qual Deus era o número Um, que pairava solitário no Inefável e, de repente, por um estremecimento, produzira o número três e desencadeara a década, a sequência de números de um a dez formando o Mundo.


Essas ideias conflitivas reduziram-se, com o avanço cultural, a duas concepções opostas: a religiosa, considerada definitiva e a única verdadeira, e a científica, baseada em hipóteses que exigiam longas pesquisas para a sua comprovação. No século XIX o problema continuava num impasse. A Igreja sustentava a verdade da revelação feita a Moisés pelo próprio Deus, e as Ciências se empenhavam nas investigações possíveis da verdade oculta. A maioria das pessoas cultas rejeitava a explicação bíblica ou a tomava apenas como simbólica, aguardando uma futura explicação dos símbolos. A massa popular flutuava entre uma posição e outra, tendendo cada vez mais para a descrença em Deus e a aceitação das ideias materialistas. Nesse tempo desencadearam-se as manifestações espíritas espontâneas, nos Estados Unidos e na Europa, chamando a atenção dos cientistas para esses fatos estranhos. O professor Denizard Rivail, bacharel em ciência e pedagogo, discípulo de Pestalozzi, director de estudos da Universidade de França, na qual suas obras pedagógicas haviam sido adoptadas, interessou-se pelo assunto, por insistência de amigos, e acabou se empolgando com o assunto. Dedicou-se primeiramente à observação dos fenómenos, sobre os quais formulou várias hipóteses materialistas. Verificou depois, nas famosas experiências com as meninas Boudin, uma de 14 e outra de 16 anos, que era inegável a intervenção de uma inteligência estranha ao ambiente. Entregou-se então a sérias pesquisas científicas e conseguiu demonstrar que a inteligência produtora dos fenómenos era humana. A continuidade das pesquisas provou que os manifestantes eram Espíritos de pessoas falecidas. Fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, para dar regularidade e maior precisão às pesquisas. Em 1857, lançou O Livro dos Espíritos, obra com a qual fundava o Espiritismo. Estava iniciada uma fase nova e difícil no campo das Ciências. A posição materialista das Ciências, voltadas para a realidade exclusivamente sensorial, levou-as a rejeitar a Ciência Espírita e condená-la como destituída de bases científicas. Mas Kardec declarou a incompetência das Ciências materialistas para opinar sobre o assunto e prosseguiu nas pesquisas e na divulgação de seus resultados através da Revista Espírita, que fundou para esse fim. Grandes cientistas e renome escritores, expoentes da cultura francesa, interessaram-se pelos fenómenos e o apoiaram individualmente. Na Sociedade Parisiense, Camille Flammarion, o grande e famoso astrónomo, director do Observatório de Jouvisy, que se revelara médium psicógrafo, recebeu numerosas mensagens de Galileu sobre questões de Astronomia. O famoso teatrólogo Victorien Sardou, que não era e nunca fora desenhista, ilustrava com desenhos mediúnicos as informações dos Espíritos sobre os mundos do espaço sideral.


Foi nesse ambiente de entusiasmo pela pesquisa espírita e seus resultados positivos, que o professor Denizard Rivail, já então conhecido pelo pseudónimo de Allan Kardec, resolveu elaborar uma obra sobre a Génese, a criação da Terra e não o livro bíblico. Não obstante, tratava do livro em comparação com a nova concepção da origem planetária que surgia das pesquisas e da Doutrina Espírita. Em Janeiro de 1868 lançava o livro nas livrarias de Paris, levantando celeumas e críticas, mas também colhendo aplausos e louvores. A Génese foi a obra que encerrou a Codificação do Espiritismo. Um ano depois, Kardec falecia, deixando seu corpo sepultado no Cemitério de Père-Lachaise e retornando ao Mundo Espiritual, que revelara cientificamente aos homens. Seu túmulo, até hoje, é o único do famoso cemitério que se mantém permanentemente coberto de flores, pela devoção de franceses, belgas e pessoas de outros países vizinhos da França. Os seus admiradores recompensam, assim, com as generosas e permanentes ofertas de flores, os espinhos que teve de enfrentar na Terra, como homem pobre e dedicado aos estudos e pesquisas dos fenómenos espíritas. O Espiritismo deu origem às hoje chamadas pesquisas do paranormal. A antiga Parapsicologia alemã, a Ciência Psíquica inglesa, a Metapsíquica de Richet, na própria França, e a Parapsicologia actual nasceram das entranhas da Ciência Espírita e confirmam em nosso século a plena validade dessa Ciência.


Referência:A génese

A carne é fraca


A carne é fraca


Há tendências viciosas que são evidentemente inerentes ao Espírito, pois que se ligam mais ao moral do que ao físico. Outras parecem antes resultar do organismo e por isso acredita-se que acarretam menos responsabilidade: tais são as predisposições à cólera, à preguiça, à sensualidade etc.


Hoje está perfeitamente reconhecido pelos filósofos espiritualistas que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões devem o seu desenvolvimento à actividade do Espírito. Esse desenvolvimento é, assim, um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tenha a bossa da música, mas ele tem essa bossa porque o seu espírito é músico.
Se a acção do Espírito influi no cérebro, deve igualmente influir sobre outras partes do organismo. O Espírito é assim o artífice do seu próprio corpo que ele modela, por assim dizer, apropriando-o às suas necessidades e à manifestação das suas tendências. Assim sendo, a perfeição corporal das raças adiantadas não seria consequência de criações distintas, mas o resultado do trabalho do espírito que aperfeiçoa o seu instrumento na medida em que as suas faculdades se desenvolvem.


Por uma consequência natural desse princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as funções sanguíneas, dando-lhes maior ou menor actividade, bem como provocar secreções mais ou menos abundantes da bílis ou de outros fluidos. É assim, por exemplo, que o glutão sente a boca encher-se de água ao ver comidas apetitosas. Não é a comida em si que pode excitar os órgãos do gosto, desde que não há nenhum contacto. É pois o Espírito, cuja sensualidade foi despertada, que age pelo pensamento sobre esses órgãos, enquanto para outra pessoa a visão dessa comida não produz nenhum efeito. (25)


É ainda por essa mesma razão que uma pessoa sensível verte lágrimas com facilidade. Não é a existência de lágrimas em abundância que dá sensibilidade ao Espírito, mas é a sensibilidade do Espírito que provoca a secreção abundante de lágrimas. Sob a influência da sensibilidade espiritual o organismo apropriou-se a essa disposição natural do Espírito, como o do glutão se apropriou à disposição do seu Espírito.


Seguindo esta ordem de ideias, compreende-se que um espírito irascível deve impulsionar um temperamento bilioso, de maneira que um homem não é colérico por ser bilioso, mas é bilioso porque o seu Espírito é colérico. Acontece o mesmo com todas as demais disposições instintivas. Um Espírito fraco e indolente dará ao seu organismo uma condição de atonia em relação ao seu carácter, enquanto um espírito activo e enérgico transmitirá ao seu sangue e aos seus nervos disposições bastante diferentes. A acção do Espírito sobre o físico é de tal maneira evidente, que vemos frequentemente graves desordens orgânicas se produzirem por efeito de violentas comoções morais. A expressão comum: a emoção pôs-lhe o sangue a ferver não é tão desprovida de senso como se poderia pensar. Ora, o que poderia agitar o sangue se não o Espírito por suas disposições morais? (26)


(25) As famosas experiências de Pavlov com a salivação dos cães demonstraram, no campo da psicologia fisiológica, materialista, a verdade desta afirmação de Kardec. Os reflexos condicionados não devem o seu condicionamento à acção dos alimentos sobre os órgãos gustativos, mas ao conhecimento mental do animal aos sinais da campainha que anunciam o alimento. No homem, esse processo é mais refinado. (N. de T.)


(26) A Medicina Psicossomática, a Psicoterapeutica em geral, e actualmente a Parapsicologia vieram confirmar cientificamente, em nossos dias, através de pesquisas e experiências, a verdade desse princípio. (N. do T.)


Pode-se admitir que o temperamento é, pelo menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito. Dizemos em parte porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral. É quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, os vícios hereditários que influem na constituição, um mal-estar passageiro, etc. O moral do Espírito pode então ser afectado nas suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza própria seja por isso modificada.


Desculpar-se dos seus defeitos com a fraqueza da carne é, pois, lançar mão de um sofisma para escapar à responsabilidade. A carne só é fraca quando o Espírito é fraco, o que inverte a questão e deixa ao Espírito a responsabilidade de todos os seus actos. A carne, que não tem pensamento nem vontade, jamais prevalece sobre o Espírito, que é o ser pensante e dotado de vontade. É o Espírito que dá à carne as qualidades correspondentes aos seus instintos, como um artista imprime na sua obra material o selo do seu génio. O Espírito liberto dos instintos da animalidade modela um corpo que não é mais um tirano das suas aspirações de espiritualização. É então que o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive para comer.
A responsabilidade moral dos nossos actos na vida permanece, portanto, inteiramente nossa. Mas a razão nos diz que as consequências dessa responsabilidade devem estar em relação com o desenvolvimento intelectual do Espírito. Quanto mais ele for esclarecido, menos desculpável será, porque com a inteligência e o senso moral nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto. (27)


Esta lei explica os insucessos da Medicina em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito e não causa, os esforços feitos para modificá-lo são necessariamente embaraçados pelas disposições morais do Espírito, que opõe uma resistência inconsciente e neutraliza a acção terapêutica. É pois sobre a causa primeira que se deve agir. Dai, se possível, coragem ao poltrão e vereis cessarem os efeitos fisiológicos do medo. (28)

Isto prova mais uma vez a necessidade, para a arte de curar, de levar em conta a acção do elemento espiritual sobre o organismo. (Ver Revista Espírita de Março de 1869).


(27) Kardec deixa de lado, nesse texto, o problema das influencias espíritas na conduta humana, para acentuar a responsabilidade individual e intransferível de cada um na prática dos seus actos. Mesmo porque as influências espíritas dependem das condições morais do homem. Assim como não podemos atribuir à carne as nossas imperfeições, também não podemos atribuí-las aos nossos inimigos ou perseguidores invisíveis. Pois eles só conseguem agir sobre nós na medida em que correspondemos aos seus estímulos. Sem a nossa aceitação, as suas sugestões e até mesmo os seus impulsos não produzem efeito. (N. do T.)


(28) Esta posição espírita coincide hoje plenamente com a posição das Ciências no campo da Medicina. Bastaria o desenvolvimento da Medicina Psicossomática para demonstrá-lo. Mas o avanço da Parapsicologia vai mais longe, abrindo caminho para a compreensão do problema da influencia espiritual e das consequências da reencarnação na vida presente. Leia-se a respeito o livro La Guerison par la pensée, de Robert Tocquet, Paris, 1970, e o livro 20 Casos Sugestivos de Reencarnação, de lan Stevenson, tradução da Editora Edicel, Brasília (DF), 1970. (N. do T.)


Referência : céu e o inferno

domingo, 14 de outubro de 2007

Quadro sinóptico


Quadro Sinóptico


Resumimos a seguir os principais géneros de mediunidade a fim de apresentar, de alguma maneira, o seu quadro sinóptico, compreendendo os já descritos nos capítulos precedentes, com a indicação dos números em que foram tratados com mais detalhes.

Reunimos as diferentes variedades mediúnicas pelas semelhanças de causas e efeitos, sem que esta classificação seja absoluta. Algumas são encontradas com frequência; outras, pelo contrário, são raras e até mesmo excepcionais, o que tivemos o cuidado de mencionar.
Estas indicações foram inteiramente fornecidas pelos Espíritos que, além disso, reviram este quadro com particular cuidado e o completaram com numerosas observações e novas categorias, de tal maneira que ele é, por assim dizer, obra inteiramente deles.

Assinalamos, pondo-as em corpo tipográfico diferente (1) suas observações textuais, quando julgamos dever destacá-las. São, na maioria, de Erasto e de Sócrates.


187. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias:


Médiuns de efeitos físicos - Os que têm o poder de provocar os efeitos materiais ou as manifestações ostensivas. (Ver nº 160)


Médiuns de efeitos intelectuais - Os que são mais especialmente aptos a receber e a transmitir as comunicações inteligentes. (Ver nº 65 e seguintes)(2)
Todas as demais variedades se ligam mais ou menos directamente a uma ou a outra dessas duas categorias, e algumas participam de ambas. Analisando os diversos fenómenos produzidos sob influência mediúnica vê-se que há em todos um efeito físico, e que aos efeitos físicos se junta quase sempre um efeito inteligente.
É às vezes difícil estabelecer o limite entre ambos, mas isso não acarreta nenhuma dificuldade. Incluímos na classificação de médiuns de efeitos intelectuais os que podem mais especialmente servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas. (Ver nº 133)


188. Variedades comuns a todos os géneros de mediunidade:


Médiuns sensitivos - Pessoas susceptíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material. Na sua maioria distinguem os Espíritos bons ou maus pela natureza da sensação que causam. (Ver nº 164)
Os médiuns delicados e demasiado sensíveis devem abster-se de comunicações com Espíritos violentos ou cuja sensação é penosa, por causa da fadiga resultante.
Médiuns naturais ou inconscientes - Os que produzem fenómenos espontaneamente, sem querer, e na maioria das vezes à sua revelia. (Ver nº 161)
Médiuns facultativos ou voluntários - Os que têm o poder de provocar os fenómenos por um acto da própria vontade. (Ver nº 160)
Por maior que seja essa vontade, eles nada podem se os Espíritos se recusam, o que prova a intervenção de uma potência estranha. (3)


189. Variedades especiais para os efeitos físicos:


Médiuns tiptólogos - Os que produzem ruídos e pancadas. Variedade muito comum, com ou sem a participação da vontade.
(1) No original esse destaque foi feito por meio de aspas, de maneira que tivemos de mudar a referência às aspas, mas pomos em grifo as palavras da substituição. Trata-se apenas de uma questão de melhor disposição tipográfica. (N. do T.)


(2) Essa classificação mediúnica foi duplamente confirmada pela pesquisa científica. Primeiro, pela Metapsíquica, que dividiu os fenómenos em objectivos e subjectivos. Depois, pela actual Parapsicologia, que criou as classificações psigama e psikapa, designando a primeira os fenómenos intelectuais ou subjectivos, e a segunda os fenómenos objectivos ou materiais. Ambas as ciências reconheceram também as duas categorias de sensitivos (médiuns), com as diversas variedades ou classes constantes deste livro. (N. do T.)


(3) Quando Kardec se refere ao poder dos médiuns, à sua força ou potência, trata apenas da capacidade maior ou menor para servir de instrumentos aos Espíritos. Como se vê nessa observação, nenhum médium tem poder para provocar fenómenos ou comunicações se os Espíritos não concordarem. O poder dos médiuns, propriamente dito, decorre de sua elevação moral e consequente relação com Espíritos bons. (N. do T.)
Médiuns motores - Os que produzem movimentos dos corpos inertes. Muito comuns (Ver nº 61)


(4)
Médiuns de translações e suspensões - Os que produzem a translação de objectos através do espaço ou a sua suspensão, sem qualquer ponto de apoio. Há também os que podem elevar-se a si próprios. Mais ou menos raros, segundo a intensidade do fenómeno. Muito raros, no último caso. (Ver nº 75 e seguintes; nº 80)


Médiuns de efeitos musicais - Os que provocam a execução de músicas em certos instrumentos sem contacto. Muito raros. (Ver nº 74, pergunta 24)


Médiuns de transporte - Os que podem servir aos Espíritos para o transporte de objectos materiais. Variedade dos médiuns motores e de translação. Excepcionais. (Ver nº 96)


Médiuns de aparições - Que provocam as aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito raros. (Ver nº 100, perg. 27; e nº 104)


Médiuns nocturnos - Os que só obtêm certos efeitos físicos na obscuridade. Eis a resposta de um Espírito sobre a possibilidade de se considerarem esses médiuns como uma variedade:
Certamente se pode fazer desses casos uma especialidade, mas o fenómeno se deve mais às condições ambientes que à natureza do médium ou dos Espíritos. Devo acrescentar que alguns escapam a essa influência do meio e que a maioria dos médiuns nocturnos poderiam, pelo exercício, chegar a produzir tanto na claridade quanto na obscuridade.
Essa variedade de médiuns é pouco numerosa. E é necessário dizer claramente que é graças a essa condição, que deixa toda liberdade ao emprego dos truques, de ventriloquismo e dos tubos acústicos, que os charlatães têm frequentemente abusado da credulidade, fazendo-se passar por médiuns para ganhar dinheiro.
Mas que importa? Os farsantes de gabinete como os farsantes da praça pública serão cruelmente desmascarados. Os Espíritos lhes provarão que fazem mal de imiscuir-se nos seus trabalhos. Sim, eu o repito: certos charlatães serão apanhados em flagrante de maneira bastante rude para desgostá-los do ofício de falsos médiuns. De resto, tudo isso não durará muito tempo. - ERASTO.(5)


Médiuns pneumatógrafos - Os que obtêm a escrita directa. Fenómeno muito raro e sobretudo muito fácil de imitar pela charlatanice. (Ver nº 177)


Médiuns curadores - Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece.


Observação - Os Espíritos insistiram, contra a nossa opinião, para colocarmos a escrita directa entre fenómenos de ordem física, pela razão, segundo disseram, de que: "os efeitos inteligentes são os que o Espírito produz servindo-se dos elementos existentes no cérebro do médium, o que não é o caso da escrita directa. A acção do médium é nesta inteiramente material, enquanto no médium escrevente, mesmo que seja completamente mecânica, o cérebro tem sempre um papel activo.(6)


(4) A Parapsicologia actual se debate em grande dificuldade para provar cientificamente a existência dos fenómenos de movimento de objectos, levitações etc. Mas isso decorre dos métodos inadequados de pesquisa e em grande parte da negação sistemática e a priori de muitos parapsicólogos materialistas ou sectários. A chamada escola de Rhine sustenta a prova científica feita em laboratório dos fenómenos psikapa ou físicos, enquanto a escola soviética e os sectores católicos a contestam, embora sem unanimidade. (N. do T.)


(5) Estudos dos Profs. Imoda, Richet e Fontenay, publicados no livro do primeiro, "Fotografias de Fantasmas", referente a experiências com a médium Linda Gazzera, sustentam cientificamente essa mesma tese de Erasto, de que os médiuns nocturnos podem passar a agir em plena luz, mediante a evolução do fenómeno. As sessões no escuro são hoje numerosas e seria bom que o aviso de Erasto fosse mais lido e divulgado, em benefício dos próprios médiuns. (N. do T.)


(6) Observe-se a curiosa prova de independência dos Espíritos, fazendo incluir a escrita directa entre os fenómenos físicos e justificando plenamente a exigência. Os efeitos inteligentes requerem o concurso dos elementos inteligentes ou culturais do médium (culturais num sentido reencarnacionista). A explicação de não servir a escrita directa para comunicações em forma de conversação está precisamente nisso. A produção do efeito material da escrita exige muito no plano da matéria deixando pouca margem para a troca de ideias. (N. do T.)
Esta faculdade não é essencialmente mediúnica, pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns ou não. Frequentemente não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons. (Ver nº 175)(7)
Médiuns excitadores - Os que têm a faculdade de desenvolver nos outros, por sua influência, a faculdade de escrever.


190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais; aptidões diversas.


Médiuns audientes - Os que ouvem os espíritos. Muito comuns. (Ver nº 165)
Há muitas pessoas que imaginam ouvir o que só existe na sua própria imaginação.


Médiuns falantes - Os que falam sob influência dos Espíritos. Muito comuns. (Ver nº 166)


Médiuns videntes - Os que vêem os Espíritos em estado de vigília. A visão acidental e fortuita de um Espírito, em determinada circunstância, é muito frequente, mas a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem qualquer distinção, é excepcional. (Ver nº 167)
A condição actual do nosso organismo físico ainda se opõe a essa aptidão, eis porque é conveniente não acreditar sempre, sem provas, nos que dizem ver os Espíritos.


Médiuns inspirados - Os que recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes sem o saberem, seja para as atitudes ordinárias da vida ou para os grandes trabalhos intelectuais. (Ver nº 182)


Médiuns de pressentimento - Os que, em certas circunstâncias, têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro. (Ver nº 184)


Médiuns proféticos - Variedade de médiuns inspirados ou de pressentimento que recebem, com a permissão de Deus e com maior precisão que os médiuns de pressentimento, a revelação de ocorrências futuras de interesse geral, que estão encarregados de transmitir aos outros para fins instrutivos.


Se há verdadeiros profetas, há também os falsos e ainda em maior número, que tomam os devaneios da própria imaginação por revelações, quando não se trata de mistificadores que o fazem por ambição. (Ver nº 624 de O Livro dos Espíritos sobre as características do verdadeiro profeta.)


Médiuns sonâmbulos - Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos. (Ver nº 172)
Médiuns extáticos - Os que, em estado de êxtase, recebem revelações dos Espíritos.

Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos enganadores que se aproveitam da sua exaltação. São muito raros os que merecem inteira confiança. (8)


Médiuns pintores ou desenhistas - Os que pintam ou desenham sob influência dos Espíritos. Tratamos dos que obtêm produções sérias, pois não se poderia dar esse nome a certos médiuns que os Espíritos zombadores fazem produzir coisas grotescas que desacreditariam o estudante mais atrasado.
Os Espíritos levianos são imitadores. Quando apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos desenhistas, com os quais os Espíritos brincalhões se divertiram, fazendo-os produzir as coisas mais ridículas. Um deles, para eclipsar os desenhos de Júpiter, senão pela qualidade ao menos pelo tamanho, fez um médium desenhar um monumento que exigiu o número suficiente de folhas de papel para atingir os seus dois andares. Muitos outros fizeram desenhar supostos retratos que eram verdadeiras caricaturas. (Ver Revista Espírita de Agosto de 1858)


Médiuns musicais - Os que executam, compõem ou escrevem músicas sob influência dos Espíritos. Há médiuns musicais mecânicos, semi-mecânicos, intuitivos e inspirados, como se dá com as comunicações literárias. (Ver o tópico sobre Médiuns de Efeitos Musicais)


(7) Trata-se do magnetismo e da mediunidade generalizada, faculdades humanas naturais, que todas as criaturas possuem. Kardec assinala que não é essencialmente mediúnica para não confundi-la com a mediunidade específica, de que trata este capítulo. (N. do T.)


(8) Esta uma das razões porque o Espiritismo rejeita o método de observação do mundo invisível pelo desprendimento espiritual. As observações dos estáticos, dos sonâmbulos e dos médiuns de desdobramento estão sujeitas a muitos erros e não oferecem a possibilidade de controle científico da pesquisa mediúnica. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

Ezequiel contra a eternidade das penas e o pecado original


Ezequiel Contra a Eternidade das Penas e o Pecado Original


25 — Aos que pretendem encontrar na Bíblia a justificação da eternidade das penas podemos opor os textos contrários, que não permitem nenhuma dúvida a respeito. As seguintes palavras de Ezequiel são a mais decisiva negação, não somente das penas irremissíveis, mas também da possibilidade de recair sobre toda a sua descendência a falta cometida pelo pai do género humano:


1) Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2) Que tendes vós, vós que acerca da terra de Israel proferiste este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? 3) Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel. 4) Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. 5) Sendo, pois, o homem justo e fazendo juízo e justiça; 7) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor a coisa penhorada, não roubando, dando o seu pão ao faminto e cobrindo ao nu com vestes; 8) não dando seu dinheiro à usura, não recebendo juros, desviando a sua mão da injustiça e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; 9) andando nos meus estatutos, guardando os meus juízos e procedendo rectamente o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus.


10) Se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas.


13) Esse filho morrerá, por todas estas abominações que ele fez e o seu sangue será sobre ele.


14) Eis que, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes,


17) não morrerá pela iniquidade de seu pai, mas certamente viverá.


18) Quanto a seu pai, porque praticou extorsão, roubou os bens do próximo e fez o que não era bom no meio do seu povo, eis que morrerá por causa de sua iniquidade.


19) Mas direis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era recto e justo e guardou todos os meus estatutos e os praticou, por isso certamente viverá.


20) A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele e a perversidade do perverso cairá sobre este.


21) Mas se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos, e fizer o que é recto e justo, certamente viverá, não será morto. 22) De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá.


23) Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus. Não, desejo eu antes que ele se converta do seu caminho e viva. (Ezequiel, Cap., XVIII, vs. 1 a 23.)


11) Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. (Ezequiel, Cap. XXXIII, v. 11)(24)


(24) Nota-se a falta do versículo 6 do Cap. XVIII de Ezequiel. A omissão foi propositada. Kardec deixou de lado esse versículo porque ele se refere a ordenações judaicas da lei de pureza (superadas pelo Evangelho) como se pode ver conferindo-se o texto com a Bíblia. Como se pode alegar que a omissão oculta segunda intenção o que se já tem feito, damos aqui esse versículo: "Não comendo carne sacrificada nos altos, nem levantando os olhos para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua menstruação." Como se vê, esse versículo quebra a harmonia do texto em sua aplicação actual. Os vs. 12, 15 e 16 foram também suprimidos porque repetem aquelas ordenações.
Tanto no original francês, como em todas as traduções correntes entre nós ocorreu também um erro de citação, que corrigimos aqui. O versículo 23 do Cap. XVIII foi mencionado como pertencente ao Cap. XXVIII. Um pequeno engano, certamente gráfico, ainda hoje mantido nas próprias edições francesas e belgas. (N. do T.)


Referência:O céu e o inferno

A vida futura


1. "Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo: se o meu reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz". (João, cap. XVIII, 33-37).

A Vida Futura


2. Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objecto das principais preocupações do homem sobre a Terra. Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não crêem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris.
Esse dogma pode ser considerado, portanto, como o ponto central do ensinamento do Cristo. Eis porque está colocado entre os primeiros, no início desta obra, pois deve ser a meta de todos os homens. Só ele pode justificar os absurdos da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.


3. Os judeus tinham ideias muito imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens terrenos, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias que obteriam sobre os inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram os castigos da desobediência. Moisés o confirmou, ao dizer essas coisas, ainda mais fortemente, a um povo ignorante, de pastores, que precisava ser tocado antes de tudo pelos interesses deste mundo. Mais tarde, Jesus veio lhes revelar que existe outro mundo, onde a justiça de Deus se realiza. É esse mundo que ele promete aos que observam os mandamentos de Deus. É nele que os bons são recompensados. Esse mundo é o seu reino, no qual se encontra em toda a sua glória, e para o qual voltará ao deixar a Terra.
Jesus, entretanto, conformando o seu ensino ao estado dos homens da época, evitou de lhes dar o esclarecimento completo, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, portanto, crê forçosamente na vida futura, mas a ideia que muitos fazem dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos. Para grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza decisiva, e daí as dúvidas, e até mesmo a incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material, provada pelos factos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma ideia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus.


Referência: O evangelho segundo o espiritismo

domingo, 7 de outubro de 2007

Médiuns especiais


Médiuns Especiais


185. Além das categorias mediúnicas já enumeradas, a mediunidade apresenta infinitas variedades que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares ainda não definidas, abstraindo-se as qualidades próprias e os conhecimentos do Espírito manifestante.
A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação ou da sua inferioridade, do seu saber ou da sua ignorância. Mas apesar da semelhança de grau, no tocante à hierarquia, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas; entre os que dão manifestações inteligentes há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, sábios, moralistas, médicos, etc.


Referimo-nos a Espíritos de uma ordem mediana, porque num grau mais elevado as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas ao lado da aptidão do Espírito existe a do médium, instrumento que é para ele mais ou menos cómodo, mais ou menos flexível, e no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.
Façamos uma comparação. Um músico bastante hábil tem ao seu dispor numerosos violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença, percebendo nuances de extrema delicadeza que o farão escolher uns e rejeitar outros, nuances que ele percebe por intuição, sem poder defini-las. Acontece o mesmo em relação aos médiuns: apesar da igualdade de condições quanto à potência mediúnica, o Espírito dará preferência a um ou a outro, segundo o género de comunicações que deseja transmitir. Assim, por exemplo, vêem-se alguns escreverem, como médiuns, admiráveis poesias, quando nas condições ordinárias jamais puderam ou souberam fazer versos. Outros, pelo contrário, são poetas, mas como médiuns só escrevem prosa, apesar do seu desejo de escrever poesias. Acontece o mesmo com o desenho, a música etc.


Há médiuns que, sem possuírem conhecimentos científicos, são mais aptos a receber comunicações dessa ordem. Outros são mais aptos para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes a Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade do médium, as comunicações que recebe com mais facilidade têm geralmente um cunho especial. Há ainda os que nunca saem de um determinado campo, e quando deles se afastam só recebem comunicações incompletas, lacónicas e muitas vezes falsas.
Além da questão das aptidões, os Espíritos ainda se comunicam dando preferência mais ou menos acentuada a este ou àquele médium, de acordo com as suas simpatias. Dessa maneira, apesar da plena semelhança de condições, o mesmo Espírito será mais explícito através de certos médiuns, unicamente porque esses melhor lhe convêm.


186. Seria erróneo querer obter-se, só por se dispor de um bom médium escrevente, boas comunicações de todos os géneros. A primeira condição é a de assegurar-se da fonte dessas comunicações, quer dizer, das qualidades do Espírito que as transmite. Mas não é menos necessário atentar para as qualidades do instrumento mediúnico. Temos pois de estudar a natureza do médium como se faz com a do Espírito, porque são eles os elementos essenciais para um resultado satisfatório. Mas há um terceiro elemento igualmente importante, que é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga o Espírito. E isso é fácil de compreender.
Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom. Para que esse Espírito bom possa transmiti-la precisa dispor de um bom instrumento. Para que ele queira transmiti-la, é necessário que o objectivo lhe convenha.
O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão proposta merece uma resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Caso contrário, não perde tempo lançando boas sementes nas pedras. É então que os Espíritos levianos e zombeteiros se intrometem, porque, pouco se importando com a verdade, não encaram o assunto como deviam e são geralmente bem pouco escrupulosos no tocante aos meios e aos objectivos.


Referência:O livro dos médiuns

sábado, 6 de outubro de 2007

Médiuns de pressentimentos


Médiuns de Pressentimentos


184. O pressentimento é uma vaga intuição de acontecimentos futuros. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode-se tratar de uma espécie de dupla vista que lhes permite ver as consequências do presente e o encadeamento natural dos acontecimentos. Mas muitas vezes também é o resultado das comunicações ocultas, e é sobretudo nesse caso que se podem chamar de médiuns de pressentimentos as pessoas assim dotadas, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. (8)


(8) Note-se a explicação sucinta e clara do problema, tão discutido hoje no campo parapsicológico, da precognição ou percepção do futuro. Trata-se de uma visão espiritual do encadeamento dos acontecimentos (ou dos fatos, a partir do presente), que apesar disso não se processa fatalmente, pois a cadeia de fatos decorre sempre, no plano humano, das decisões do livre-arbítrio. (N. do T.)
Referência:O livro dos médiuns