domingo, 30 de setembro de 2007

A nova era


Instruções dos Espíritos


A Nova Era


• Um Espírito Israelita •


Mulhouse, 1861
9. Deus é único, e Moisés o Espírito que Deus enviou com a missão de fazê-lo conhecer, não somente pelos hebreus, mas também pelos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação, através de Moisés e dos Profetas, e as vicissitudes da vida desse povo foram feitas para chocar os homens e arrancar-lhes dos olhos o véu que lhes ocultava a divindade.
Os mandamentos de Deus, dados por Moisés, trazem o germe da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido, porque, postos em acção em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra, como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer.
A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontram os povos chamados à regeneração. E esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento espiritual, não teriam compreendido a adoração de Deus sem os holocaustos ou sacrifícios, nem que se pudesse perdoar a um inimigo. Sua inteligência, notável no tocante às coisas materiais, e mesmo em relação às artes e às ciências, estava muito atrasada em moralidade, e eles não se submeteriam ao domínio de uma religião inteiramente espiritual. Necessitavam de uma representação semi-material, como a que então lhes oferecia a religião hebraica. Os sacrifícios, pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a ideia de Deus lhes falava ao espírito.
O Cristo foi o iniciador da mais pura moral, a mais sublime: a moral evangélica, cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los fraternos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, fazê-la morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está sujeita, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para elevar a humanidade.
São chegados os tempos em que suas ideias morais devem desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as ideias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhe abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.


• Fénelon •
Poitiers, 1861
10. Um dia, Deus em sua inesgotável caridade, permitiu ao homem ver a verdade através das trevas. Esse dia foi o do advento de Cristo. Depois do vivo clarão, porém, as trevas se fecharam de novo. O mundo, após alternativas de verdade e obscuridade, novamente se perdia. Então, semelhantes aos profetas do Antigo Testamento, os Espíritos começaram a falar e a vos advertir. O mundo foi abalado nas suas bases: o trovão ribombará; sede firmes!
O Espiritismo é de ordem divina, pois repousa sobre as próprias leis da natureza. E crede que tudo o que é de ordem divina tem um objectivo elevado e útil. Vosso mundo se perdia. A ciência, desenvolvida com o sacrifício dos interesses morais, vos conduzia unicamente ao bem-estar material, revertendo-se em proveito do espírito das trevas. Vós o sabeis, cristãos: o coração e o amor devem marchar unidos à ciência. O Reino do Cristo, ai de nós! Após dezoito séculos, e apesar do sangue de tantos mártires, ainda não chegou. Cristãos, voltai para o Mestre que vos quer salvar. Tudo é fácil para aquele que crê e que ama: o amor o enche de gozo inefável. Sim, meus filhos, o mundo está abalado. Os bons Espíritos vo-lo dizem sempre. Curvai-vos sob o sopro precursor da tempestade, para não serdes derrubados. Quero dizer: preparai-vos e não vos assemelheis às virgens loucas, que foram apanhadas desprevenidas à chegada do esposo.
A revolução que se prepara é mais moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, insuflam a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardentes, façais ouvir vossa humilde voz. Porque vós sois o grão de areia, mas sem os grãos de areia não haveria montanhas. Assim, portanto, que estas palavras: "Nós somos pequenos", não tenha sentido para vós. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. A formiga não constrói o seu formigueiro, e animalzinhos insignificantes não formam continentes? A nova cruzada começou: apóstolos da paz universal, e não da guerra, modernos São-Bernardos, olhai para a frente e marchai! A lei dos mundos é a lei do progresso.


• Erasto, Discípulo de São Paulo •
Paris, 1863
11. Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo. Ele se manifesta por quase toda parte, e a razão disso a encontramos na vida desse grande filósofo cristão. Pertence a essa vigorosa falange dos Pais da Igreja, a que a Cristandade deve as suas mais sólidas bases. Como muitos, ele foi arrancado ao paganismo, ou melhor diremos, à mais profunda impiedade, pelo clarão da verdade. Quando, em meio de seus desregramentos, ele sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidios; quando, enfim, na sua Estrada de Damasco, ele também ouviu a santa voz que lhe clamava: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Exclamou: "Meu Deus! Meu Deus, perdoa-me, eu creio, sou cristão!" E desde então se tornou um dos mais firmes pilares do Evangelho. Podemos ler, nas notáveis confissões desse eminente Espírito, as palavras características e proféticas, ao mesmo tempo, que ele pronunciou ao ter perdido Santa Mônica: "Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me os seus conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura". Que lição nestas palavras, e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso que hoje, vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam.


NOTA _ Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou? Não, seguramente, mas como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não podia ver como homem. Sua alma liberta percebe claridades novas, e compreende o que antes não compreendia. Novas ideias lhe revelaram o verdadeiro sentido de certas palavras. Quando na Terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía; mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las com maior clareza. É assim que ele deve revisar sua crença referente aos espíritos íncubos e súcubos, bem como o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas. Agora, que o Cristianismo lhe aparece em toda a sua pureza, ele pode, sobre certos pontos, pensar de maneira diversa de quando vivia, sem deixar de ser o apóstolo cristão. Pode, sem renegar a sua fé, fazer-se o propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das predições. Ao proclamá-lo, hoje, nada mais faz do que conduzir-nos a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. Assim também acontece com outros Espíritos, que se encontram numa posição semelhante.


Referência: O evangelho segundo o espíritismo

A doutrina das penas eternas passou do tempo


A Doutrina das Penas Eternas Passou do Tempo


22 — A crença na eternidade das penas materiais permaneceu como um temor necessário até que os homens pudessem compreender o poder da moral. Aconteceu como com as crianças que podem ser contidas durante algum tempo pela ameaça de certos seres fantásticos que lhes causam pavor, mas chega o momento em que a razão da criança recusa por si mesma essas histórias, e então seria absurdo pretender governá-las pelos mesmos meios. Se continuarem a dizer que essas fábulas são verdadeiras e devem ser tomadas ao pé da letra, elas perderão a confiança nas pessoas.
É o que acontece actualmente com a humanidade. Ela saiu da infância e se libertou dessas rédeas artificiais. O homem não é mais esse instrumento passivo que se curva à força material, nem a criatura crédula que tudo aceitava de olhos fechados.


23 — A crença é um acto de entendimento e por isso não pode ser imposta. Se, durante um certo período da evolução da humanidade, o dogma da eternidade das penas foi inofensivo, salutar mesmo, chegou agora o momento em que ele se torna perigoso. Com efeito, desde o momento que lhe imponham esse dogma como verdade absoluta, quando a razão o repele, necessariamente acontecerá uma destas coisas: ou o homem que deseja crer procura uma crença mais racional e se afasta da que lhe querem impor, ou deixa inteiramente de crer. É evidente, para quem quer estudar friamente a questão, que nos nossos dias a eternidade das penas produziu maior número de materialistas e ateus do que todos os filósofos.
As ideias seguem um curso necessariamente progressivo e não se pode governar os homens senão seguindo esse curso. Querer detê-los ou fazê-los retroceder, ou simplesmente parar onde se encontram, quando ele está avançando, seria perdê-los. Seguir ou não seguir esse movimento é uma questão de vida ou de morte, tanto para as religiões como para os governos. É isso um bem? Ou é um mal? Certamente é um mal aos olhos dos que, vivendo no passado, percebem que esse passado lhes escapa. Para os que vêm o futuro, é o cumprimento da lei do progresso que é uma lei de Deus. E contra as leis de Deus é inútil qualquer resistência: lutar contra a sua vontade é querer despedaçar-se.
Porque, pois, querer a toda força sustentar uma crença que cai em decrepitude e que na verdade produz mais mal do que bem à própria religião? Infelizmente, é triste dizer, uma questão material domina neste ponto o problema religioso. Essa crença tem sido largamente explorada, graças à ideia de que as portas do céu podem ser abertas com dinheiro, livrando-nos do inferno. As somas que ela tem produzido e que ainda produz são incalculáveis: é o imposto cobrado sobre o medo da eternidade. Sendo facultativo, o produto desse imposto é proporcional ao domínio da crença. Se esta não mais existir, a arrecadação desaparece. A criança dá o seu doce de boa vontade a quem lhe promete que vai espantar o lobisomem, mas quando a criança não acredita mais no lobisomem, prefere comer o doce.


24 — A nova revelação, fornecendo ideias mais aceitáveis sobre a vida futura e demonstrando que a salvação pode ser alcançada através das próprias obras, deve enfrentar uma oposição tanto mais forte, quanto ela vem estancar a mais importante fonte de arrecadação. É o que sempre acontece quando uma descoberta ou uma invenção vem modificar as situações. Os que vivem dos antigos costumes sempre os defendem, procurando desacreditar as novidades, por mais vantajosas que sejam.
Acreditais, por exemplo, que a arte de imprimir, não obstante os benefícios que devia trazer à humanidade, pudesse ser aclamada pela numerosa classe dos copistas? Não, certamente. Eles deviam maldizê-la. Assim também aconteceu com as máquinas, com as estradas de ferro e centenas de outras coisas.
Aos olhos dos incrédulos, o dogma da eternidade das penas é uma simples futilidade que lhes provoca o riso. Aos olhos do filósofo, a questão se torna grave no seu aspecto social pelos abusos a que tem servido, de motivo. O homem verdadeiramente religioso considera que a dignidade da religião depende da destruição desses abusos e consequentemente das suas causas.


Referência:O céu e o inferno

sábado, 29 de setembro de 2007

Médiuns inspirados


Médiuns Inspirados


182. Todos os que recebem, no seu estado normal ou de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias, sem serem, como estas, preconcebidas, podem ser considerados médiuns inspirados. Trata-se de um variedade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível, sendo mais difícil de distinguir no inspirado o pensamento próprio do que foi sugerido. O que caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade. (5)


Recebemos a inspiração dos Espíritos que nos influenciam para o bem ou para o mal. Mas ela é principalmente a ajuda dos que desejam o nosso bem, e cujos conselhos rejeitamos com muita frequência. Aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas resoluções que devemos tomar. Nesse sentido pode-se dizer que todos são médiuns, pois não há quem não tenha os seus Espíritos protectores e familiares, que tudo fazem para transmitir bons pensamentos aos seus protegidos. Se todos estivessem compenetrados dessa verdade, com mais frequência se recorreria à inspiração do anjo guardião, nos momentos em que não se sabe o que dizer ou fazer.
Que se invoque o Espírito protector com fervor e confiança, nos casos de necessidade, e mais assiduamente se admirará das ideias que surgirão como por encanto, seja para auxiliar numa decisão ou em alguma coisa a fazer. Se nenhuma ideia surgir imediatamente, é que se deve esperar. A prova de que se trata de ideia sugerida está precisamente em que ela, se fosse da pessoa, estaria sempre ao seu dispor, não havendo razão para que não se manifestasse à vontade. Quem não é cego, basta abrir os olhos para ver quando quiser. Da mesma maneira, o que possui ideias próprias, sempre as tem ao seu dispor. Se elas não surgem à vontade é que ele precisa buscá-las fora de si mesmo. (6)


Nesta categoria podem ainda ser incluídas as pessoas que, não sendo dotadas de inteligência excepcional, e sem sair do seu estado normal, têm relâmpagos de lucidez intelectual que lhes dão surpreendente facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento do futuro. Nesses momentos, justamente considerados de inspiração, as ideias abundam, seguem-se, encadeiam-se como que por si mesmas, num impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior vem ajudar-nos e que o nosso Espírito se livra de um fardo.


183. Todos os homens de génio, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de conceber grandes coisas e de trazê-las em si mesmos. Ora, é precisamente por julgá-los capazes que os Espíritos, quando querem realizar certos trabalhos, lhes sugerem as ideias necessárias. E é assim que eles são, na maioria das vezes, médiuns sem o saberem. Eles têm, não obstante, uma vaga intuição de serem assistidos, pois aquele que apela à inspiração faz uma evocação. Se não esperasse ser ouvido, porque haveria de clamar com tanta frequência: Meu bom génio, venha ajudar-me!
As respostas seguintes confirmam esta asserção:
— Qual a causa primeira da inspiração?
— A comunicação mental do Espírito.
— A inspiração não se destina apenas a grandes revelações?
— Não. Ela se relaciona quase sempre com as mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo: queres ir a algum lugar e uma voz secreta te diz que não, porque corres perigo; ou ainda essa voz te sugere fazer uma coisa em que não pensavas. Isso é inspiração. Há bem poucas pessoas que não tenham sido inspiradas em diversas ocasiões.
— Um escritor, um pintor, um músico, por exemplo, nos momentos de inspiração poderiam ser considerados médiuns?
— Sim, pois nesses momentos têm a alma mais livre e como separada da matéria, que então recobra em parte as suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos Espíritos que a inspiram. (7)


(6) A reflexão mental, como a própria etimologia da palavra o indica, é uma busca de sintonia. Nossas mentes não vivem isoladas, mas num processo de comunhão espiritual que o Espiritismo revelou e pesquisou. Quando pensamos seriamente num problema atraímos a colaboração de outras mentes encarnadas ou desencarnadas. Mas o orgulho humano dificilmente permite que certas pessoas aceitem essa verdade que tudo fazem para negar e rejeitar. (N. do T.)


(5) Nunca prestamos a devida atenção aos nossos processos mentais. Kardec nos oferece neste livro, como repete no período acima, uma regra de ouro nesse sentido. A psicologia materialista vai hoje se aproximando desse princípio, graças às pesquisas no campo da telepatia. Embora ainda não considere o pensamento dos Espíritos, já admite que recebemos constantemente pensamentos alheios. A observação permite-nos dividir perfeitamente o pensamento que produzimos aos poucos em nossa mente dos que nos são sugeridos. (N. do T.)


(7) O mistério da inspiração é assim explicado como um processo de semi- desprendimento da alma. Nesse estado, o artista amplia a sua visão das coisas, adquire percepções extra-sensoriais e entra em comunicação com os amigos espirituais que o ajudam. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Médiuns semimecânicos


Médiuns Semimecânicos


181. No médium puramente mecânico o movimento da mão é independente da vontade. No médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa das duas condições. Sente a mão impulsionada, sem que seja pela vontade, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro, o pensamento aparece após a escrita; no segundo, antes da escrita; no terceiro, ao mesmo tempo. Estes últimos médiuns são os mais numerosos.


referência: O livro dos médiuns

Penetração do nosso pensamento pelos espiritos




I - Penetração do Nosso Pensamento Pelos Espíritos


456. Os Espíritos vêem tudo o que fazemos?
— Podem vê-lo, pois estais incessantemente rodeados por eles. Mas, cada um só vê aquelas coisas a que dirige a sua atenção, porque eles não se ocupam das que não lhes interessam.


457. Os Espíritos podem conhecer os nossos pensamentos mais secretos?
— Conhecem, muitas vezes, aquilo que desejaríeis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem ser dissimulados para eles.


457-a. Assim sendo, pareceria mais fácil ocultar-se uma coisa a uma pessoa viva, pois não o podemos fazer a essa mesma pessoa depois de morta?
— Certamente, pois quando vos julgais bem escondidos, tendes muitas vezes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos vêem.


458. Que pensam de nós os Espíritos que estão ao nosso redor e nos observam?
— Isso depende. Os Espíritos levianos riem das pequenas traquinices que vos fazem, e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios lamentam as vossas trapalhadas e tratam de vos ajudar.


referência: O livro dos espíritos

domingo, 23 de setembro de 2007

Aliança da ciência com a religião


Aliança da Ciência com a Religião


8. A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se umas forem a negação das outras, umas estarão necessariamente erradas e as outras certas, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade, que se acredita existir entre essas duas ordens de ideias, provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.
São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo devem receber o seu complemento; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes dos ensinos deve ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirvam uma de apoio para a outra. Então a Religião, não mais desmentida pela Ciência, adquirirá uma potência indestrutível, porque estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor a lógica irresistível dos factos.
A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência dessas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido.
Mas nisto, como em tudo, há os que ficam retardados, até que sejam arrastados pelo movimento geral, que os esmagará, se quiserem resistir em vez de se entregarem. É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob a acção dos Espíritos. Depois de elaborada durante mais de dezoito séculos, ela chega ao momento de eclosão, e marcará uma nova era da humanidade. São fáceis de prever as suas consequências: ela deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de Deus.


Referência: O evangelho segundo o espiritismo

Impossibilidade material das penas eternas


Impossibilidade Material das Penas Eternas


18 — Até aqui, o dogma das penas eternas só foi contraditado pelo raciocínio. Vamos agora demonstrar que ele está em contradição com os factos positivos que temos diante dos olhos e que provam a sua impossibilidade.
De acordo com esse dogma, o destino da alma após a morte é fixado de maneira irrevogável. Fica assim definitivamente barrado o seu progresso. Ora, a alma progride ou não? Eis toda a questão. Se ela progride a eternidade das penas é inadmissível.
Podemos duvidar desse progresso, quando vemos a imensa variedade de aptidões morais e intelectuais existentes na Terra, desde o selvagem até o homem civilizado? Quando se vêem as diferenças que um mesmo povo apresenta de um século para outro? Se admitirmos que não são mais as mesmas almas, teremos de aceitar que Deus cria as almas em todos os graus de desenvolvimento, de acordo com os tempos e os lugares, favorecendo umas, enquanto relega outras à uma inferioridade perpétua. Isso é incompatível com a justiça, que deve ser a mesma para todas as criaturas.


19 — É incontestável que a alma, intelectual e moralmente não desenvolvida, como a dos povos bárbaros, não pode dispor das mesmas condições de felicidade, das mesmas aptidões para gozar dos esplendores do infinito, que tem aquela cujas faculdades já se encontram amplamente desenvolvidas. Se essas almas, portanto, não progredirem, não podem, mesmo nas condições mais favoráveis, gozar pela eternidade senão de uma felicidade muito reduzida. Chega-se assim forçosamente, de acordo com uma rigorosa justiça, à conclusão de que as almas mais adiantadas são as mesmas que antes se apresentavam como atrasadas e depois progrediram. Aqui tocamos na grave questão da pluralidade das existências, como único meio racional de se resolver a dificuldade. Não obstante, a deixaremos de lado para só considerar a alma numa única existência.


20 — Consideremos, como tantos que existem, um jovem de vinte anos, ignorante, entregue aos instintos inferiores negando Deus e sua alma, desordeiro, cometendo toda espécie de maldades. Colocado, entretanto, num meio favorável, trabalha e se instrui, corrige-se pouco a pouco e por fim se transforma numa criatura piedosa. Não é esse um exemplo palpável do progresso da alma durante a vida, e todos os dias não vemos casos semelhantes?
Esse homem morre em santidade numa idade avançada e certamente a sua salvação está assegurada. Mas o que teria sido dele, se um acidente o tivesse levado à morte quarenta ou cinquenta anos antes? Estaria dentro de todas as condições para ser um condenado, e uma vez condenado, estaria impedido de realizar qualquer progresso.
Eis o caso de um homem que se salvou por ter vivido bastante e que, segundo a doutrina das penas eternas, jamais se teria salvado se tivesse vivido menos, o que poderia acontecer por um acidente qualquer. Mas desde que a sua alma pode progredir num determinado tempo, porque não progrediria nesse mesmo tempo após a morte, se uma causa independente da sua vontade a tivesse impedido de fazê-lo em vida? Porque Deus haveria então de recusar-lhe os meios? O arrependimento, embora tardio, não é menos efectivo do que se viesse em tempo. Mas se desde o instante da morte uma condenação irremissível o atingiu, seu arrependimento não tem mais valor para a eternidade e sua capacidade de progredir ficou para sempre anulada.


21 — O dogma da eternidade das penas é pois inconciliável com o progresso da alma, pois lhe opõe um obstáculo insuperável. Esses dois princípios se anulam forçosamente um pelo outro. Se um existe, o outro não pode existir. Qual dos dois realmente existe? A lei do progresso é evidente, não é uma teoria, mas um facto constatado pelas experiências. É uma lei natural, lei divina, imprescritível. Assim, desde que ela existe e não pode se conciliar com a outra, é que a outra não existe. Se o dogma da eternidade das penas fosse verdadeiro, Santo Agostinho, São Paulo e muitos outros jamais teriam visto o céu se houvessem morrido antes do progresso que os levou à conversão.
A esta afirmação respondem que a conversão desses santos não resultou de nenhum progresso da alma, mas da graça que lhes foi concedida e pela qual se sentiram tocados.
Mas isto é jogar com palavras. Se eles praticaram o mal e mais tarde se voltaram para o bem é que se tornaram melhores. Consequentemente: progrediram. Deus lhes teria concedido então, por um favor especial, a graça de se corrigirem? Porque a eles e não a outros? É sempre a doutrina dos privilégios, incompatível com a justiça de Deus e seu amor sem distinção para com todas as criaturas.
Segundo a doutrina espírita, segundo as próprias palavras do Evangelho, dentro da lógica e da mais rigorosa justiça, o homem é o que as suas próprias obras o fazem, durante esta vida e após a morte. Nada ele deve a qualquer favoritismo, pois Deus o recompensa de acordo com os seus esforços e o pune pela sua negligência, por tanto tempo quanto durar a negligência.


Referência: O céu e o inferno

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O Espiritismo


O Espiritismo


5. O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material. Ele nos mostra esse mundo, não mais como sobrenatural, mas, pelo contrário, como uma das forças vivas e incessantemente atuantes na natureza, como a fonte de uma infinidade de fenômenos até então incompreendidos, e por essa razão rejeitados para o domínio do fantástico e do mara vilhoso. É a essas relações que o Cristo se refere em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que ele disse ficaram ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. O Espiritismo é a chave que nos ajuda a tudo explicar com facilidade.
6. A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento, em Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus. Mas não está personificado em ninguém, porque ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, em todas as partes da Terra e por inumerável multidão de intermediários. Trata-se, de qualquer maneira, de um ser coletivo, compreendendo o conjunto dos seres do mundo espiritual, cada qual trazendo aos homens o tributo de suas luzes, para fazê-los conhecer esse mundo e a sorte que nele os espera.
7. Da mesma maneira que disse o Cristo: "Eu não venho destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento", também diz o Espiritismo: "Eu não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento". Ele nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, o que foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, na época predita, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como preside ao que igualmente anunciou: a regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a Terra.
Referência: O Evangelho sehundo o espiritismo

domingo, 16 de setembro de 2007

Médium intuitivo


Médiuns Intuitivos


180. A comunicação do pensamento do Espírito pode dar-se também por meio do Espírito do médium, ou melhor, da sua alma, desde que designamos por essa palavra o Espírito quando encarnado. (2) O Espírito comunicante, nesse caso, não age sobre a mão para fazê-la escrever, não a toma nem a guia, agindo sobre a Alma com a qual se identifica. É então a Alma do médium que, sob essa impulsão, dirige a mão e esta o lápis.


Notemos aqui um facto importante que se deve conhecer. O Espírito comunicante não substitui a Alma do médium, porque não poderia deslocá-la do corpo: domina-a, sem que isso dependa da vontade dela, e lhe imprime a sua vontade própria. Assim, o papel da Alma não é absolutamente passivo. É ela que recebe o pensamento do Espírito e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não se trate do seu próprio pensamento. É o que se chama médium intuitivo. (3)


Sendo dessa maneira, dir-se-ia, nada prova que seja outro Espírito e não o do médium que escreve. A distinção, de facto, é às vezes bastante difícil de se fazer, mas pode ser que isso pouco importe. Pode-se, entretanto, conhecer o pensamento sugerido pela razão de não ser jamais preconcebido, surgindo na proporção em que escreve, e muitas vezes ser mesmo contrário à ideia que se formara a respeito do assunto. Pode, ainda, estar além dos conhecimentos e da capacidade do médium. (4)


O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como um intérprete. Para transmitir o pensamento ele precisa compreendê-lo, de certa maneira assimilá-lo, a fim de traduzi-lo fielmente. Esse pensamento, portanto, não é dele: nada mais faz do que passar através do seu cérebro. É exactamente esse o papel do médium intuitivo.


2) Quanto à palavra alma deve-se consultar introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, em O Livro dos Espíritos. Kardec explica a razão porque devemos chamar o Espírito, enquanto encarnado, de Alma, reservando a palavra Espírito para os desencarnados. (N. do T.)


(3) Esta explicação de Kardec sobre o mecanismo da mediunidade ou do acto mediúnico afasta a ideia falsa, que geralmente se faz, de que o Espírito comunicante se incorpora no médium. Não há realmente incorporação, mas apenas sintonia ou indução mental. A afirmação de que o Espírito comunicante domina a Alma do médium parece contraditada pela afirmação seguinte de que a Alma não é passiva. Basta lembrar que o domínio se refere apenas ao estabelecimento da relação fluídica, pois se o médium não quiser não transmite a mensagem, para compreender-se que não há contradição. O acto mediúnico é resultante de colaboração. (N. do T.)


(4) Note-se que as distinções indicadas, para a separação do pensamento sugerido, constituem elementos bem característicos do pensamento estranho. Assim, as dificuldades de distinção decorrem mais da falta de conhecimento do problema e da incompreensão das leis do pensamento, do que das condições supostamente confusas da transmissão. (N. do T.)


Referência:O livro dos médiuns

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Cristo


Cristo


3. Jesus não veio destruir a lei, o que quer dizer: a lei de Deus. Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Eis porque encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base de sua doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, ele, pelo contrário, as modificou profundamente, no fundo e na forma. Combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que reduzindo-as a estas palavras: "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo", e ao acrescentar: "Esta é toda a lei e os profetas".
Por estas palavras: "O céu e a terra não passarão, enquanto não se cumprir até o último jota", Jesus quis dizer que era necessário que a lei de Deus fosse cumprida, ou seja, que fosse praticada sobre a terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas as suas consequências. Pois de que serviria estabelecer essa lei, se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Todos os homens, sendo filhos de Deus, são, sem distinções, objectos da mesma solicitude.


4. Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra. Ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado o seu advento. Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e da natureza divina da sua missão. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na terra, mas no Reino dos Céus; ensinar-lhes o caminho que os conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus, e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos. Não obstante, ele não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o germe de verdades que ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos claros, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas ideias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave. Essas idéias não podiam surgir antes de um certo grau de amadurecimento do espírito humano. A ciência devia contribuir poderosamente para o aparecimento e o desenvolvimento dessas ideias. Era preciso, pois, dar tempo à ciência para progredir.


REFERÊNCIA:O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Argumentos a favor das penas eternas


Doutrina das Penas Eternas


Argumentos a Favor das Penas Eternas


10 — Voltemos ao dogma da eternidade das penas. O principal argumento que se invoca em seu favor é o seguinte.
Admite-se entre os homens que a gravidade da ofensa está na razão da qualidade do ofendido. Aquela que se comete contra um soberano é considerada mais grave do que a cometida contra um simples cidadão e punida com maior severidade. Ora, Deus é mais que um soberano, pois é infinito e por isso mesmo a ofensa a ele também se torna infinita, merecendo um castigo da mesma natureza, ou seja: eterno.


Refutação — Toda a refutação é um raciocínio que deve ter o seu ponto de partida, uma base em que se apoiar, premissas, numa palavra. Encontramos essas premissas nos próprios atributos de Deus.
Deus é único, eterno, imutável, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições.
Não se pode conceber Deus sem o infinito das suas perfeições, pois sem isso ele não seria Deus, desde que poderíamos conceber um ser que possuísse o que lhe falta. Para que ele seja o único acima de todas os seres é necessário que nenhum o possa superar ou igualar seja no que for. Portanto, é necessário que ele seja infinito em todos os sentidos. Os atributos de Deus, sendo infinitos, não podem aumentar nem diminuir. Sem isso, eles não seriam infinitos e Deus não seria perfeito. Se tirássemos a Deus a mínima parcela de um só de seus atributos, não mais teríamos Deus, pois seria possível a existência de um ser mais perfeito.
O infinito de uma qualidade excluí a possibilidade de existir uma qualidade contrária que a anulasse ou diminuísse. Um ser infinitamente bom não pode ter a menor parcela de maldade, e um ser infinitamente mau não pode ter a menor parcela de bondade. Isso da mesma maneira que um objecto não poderia ser absolutamente negro com a mais leve nuance de branco, nem absolutamente branco com a mínima mancha negra.
Colocado esse ponto, podemos opor ao argumento acima o seguinte raciocínio:


11 — Somente um ser infinito pode criar o infinito. O homem, limitado em suas virtudes, nos seus conhecimentos, nos seus poderes, nas suas aptidões, na sua própria existência terrena, só pode produzir coisas limitadas.
Se o homem pudesse ser infinito no mal que pratica, também o poderia ser no bem que faz, e ele seria igual a Deus. Mas, se o homem fosse infinito no tocante ao bem, não faria nenhum mal, porque o bem absoluto é a exclusão de todo o mal.
Admitindo-se que uma ofensa temporária praticada contra a divindade pudesse ser infinita, Deus, vingando-a por um castigo infinito seria infinitamente vingativo. E se ele o for, não pode ser infinitamente bom e misericordioso, pois um dos seus atributos é a limitação do outro. Se ele não for infinitamente bom não é perfeito, e se não for perfeito não é Deus.
Se Deus for inexorável para o culpado arrependido, não é misericordioso, e se não é misericordioso, não é infinitamente bom.
Porque daria Deus ao homem a lei do perdão, se ele mesmo não devesse perdoar? Disso resultaria que o homem que perdoa os seus inimigos, retribuindo-lhes o mal com o bem, seria melhor que Deus que permanece surdo ao arrependimento do seu ofensor e lhe recusa, pela eternidade, a mais leve atenuação da pena.
Deus, que está em toda a parte e tudo vê, tem de ver as torturas dos condenados. Se ele for insensível aos seus clamores pela eternidade, será eternamente impiedoso, e se for impiedoso não é infinitamente bom.


12 — A isto, respondem que o pecador que se arrepende antes de morrer obtém a misericórdia de Deus e que o maior culpado pode se beneficiar com a sua graça.
Não pode haver dúvida quanto a isto. Concebe-se que Deus somente perdoe aos arrependidos e seja inflexível para os espíritos endurecidos. Mas se ele se mostra cheio de misericórdia para a alma que se arrepende antes de deixar o corpo, porque não faria o mesmo para aquela que se arrepende depois da morte? Qual a razão do arrependimento só ser eficaz durante a vida, representa apenas um instante e não o ser durante a eternidade? Se a bondade e a misericórdia de Deus ficam circunscritas a um determinado tempo, não são infinitas e Deus não é infinitamente bom.


13 — Deus é soberanamente justo. A soberana justiça não é a mais inexorável nem a que deixa impunes todas as faltas, mas a que considera da maneira mais rigorosa o bem e o mal, recompensando um e punindo o outro com perfeita equidade, sem jamais se enganar.
Se por uma falta passageira que resulta quase sempre da natureza imperfeita do homem, e muitas vezes decorre do meio em que ele se encontra, a alma pode ser punida eternamente, sem esperanças de abrandamento e nem de perdão, não existe nenhuma proporção entre a falta e a punição. Portanto, não há justiça.
Se o culpado se volta para Deus, arrependendo-se e pedindo para reparar o mal cometido, isso equivale a um retorno ao bem, aos bons sentimentos. Se o castigo for irrevogável, esse retorno ao bem não produz efeito, desde que Deus não leva em conta o bem e não pratica a justiça. Entre os homens, o condenado que se emenda vê a sua pena comutada e às vezes perdoada. Haveria, pois, na justiça humana mais equidade que na justiça Divina!
Se a condenação é irrevogável, o arrependimento é inútil. Nada podendo esperar do seu retorno ao bem, o culpado persiste no mal, de maneira que Deus não somente o condena a sofrer eternamente mas também a permanecer no mal por toda a eternidade. Não há nisso nem justiça, nem bondade.


14 — Sendo infinito em todas as coisas, Deus deve conhecer tudo no passado e no futuro. Deve saber, no momento da criação de uma alma, se ela vai falir de maneira grave para ser condenada eternamente. Se não o sabe, seu saber não é infinito e nesse caso Ele não é Deus. Se o sabe, cria voluntariamente um ser condenado, desde à sua formação, às torturas sem fim, e nesse caso não é bom.
Se Deus, tocado pelo arrependimento de um condenado, pode estender a ele a sua misericórdia e o retirar do inferno, não existe penas eternas e o julgamento feito pelos homens está revogado.


15 — A doutrina das penas eternas, aceita de maneira absoluta, leva-nos forçosamente à negação ou a diminuição, de alguns atributos de Deus. Ela é, por conseguinte, inconciliável com a perfeição infinita, pelo que chegamos à esta conclusão:
Se Deus é perfeito, a condenação eterna não existe; se ela existe, Deus não é perfeito.


16 — Invoca-se ainda em favor do dogma da eternidade das penas o seguinte argumento:
A recompensa concedida aos bons sendo eterna, deve ter como contraparte uma punição eterna. É justo proporcionar a punição à recompensa.
Refutação — Deus teria criado a alma com o fim de fazê-la feliz ou infeliz. É evidente que a felicidade das criaturas deve ser o objectivo de sua criação, pois de outra maneira Deus não seria bom. Ela atinge a felicidade pelo próprio mérito. Conquistado o mérito, ela não pode perder o seu fruto, porque então degeneraria. A eternidade da felicidade é pois uma consequência da sua natureza imortal.
Mas antes de chegar à perfeição, ela terá lutas a sustentar, combates a travar com as más paixões. Não a tendo criado perfeita, mas capaz de se aperfeiçoar, a fim de que tenha o mérito de suas obras, ela pode falir. Suas quedas decorrem de sua fraqueza natural. Se ela tivesse de ser condenada eternamente por uma queda, poderíamos perguntar porque Deus não a criou mais forte.
A punição sofrida pela alma é uma advertência de que ela fez o mal. Deve ter como resultado reconduzi-la ao bom caminho. Mas se a pena fosse irremissível, seu desejo de se corrigir seria inútil. Assim, o fim providencial da criação não poderia ser atingido, porque haveria seres predestinados à felicidade e outros à desgraça. Se uma alma culpada se arrepende, pode tornar-se boa; podendo tornar-se boa, pode aspirar à felicidade. Deus seria justo se lhe recusasse esses meios?
Sendo o bem o objectivo final da criação, a felicidade, que é o seu prémio, deve ser eterna. Ao mesmo tempo, o castigo que é um meio de levar ao bem deve ser temporário. A mais vulgar noção de justiça, mesmo entre os homens, diz que não se pode castigar perpetuamente aquele que tem o desejo do bem e se dispõe a praticá-lo.


17 — Um último argumento em favor da eternidade das penas é o seguinte:
O temor de um castigo eterno é o freio. Se o eliminarmos, nada mais tendo a temer, o homem se entregará a todos os desregramentos.
Refutação — Esse raciocínio seria justo se ao eliminarmos a eternidade das penas suprimíssemos toda e qualquer sanção penal. A situação feliz ou infeliz na vida futura decorre de uma rigorosa consequência da justiça de Deus, enquanto uma identidade de situação entre o homem bom e o perverso seria a negação dessa justiça. Pelo fato de não ser eterno, o castigo não tem de ser menos penoso. Ele se torna tanto mais temível, quanto mais se pode aceitá-lo, e tanto mais aceitável, quanto mais racional. Uma penalidade em que não se pode crer não é um freio, e a eternidade das penas está nesse caso.
A crença nas penas eternas, como já dissemos, teve a sua utilidade e a sua razão de ser em certa época. Hoje, não somente ela deixou de assustar, como acabou por semear a incredulidade. Antes de colocá-la como uma necessidade, seria necessário demonstrar a sua realidade. Conviria, sobretudo que se pudesse ver a sua eficácia no exemplo daqueles que a preconizam e se esforçam para a demonstrar. Infelizmente, entre eles, são bem poucos os que provam pelos seus actos que realmente estão atemorizados. Se essa crença é impotente para reprimir o mal entre aqueles que dizem acreditar nela, que domínio poderia ter sobre os que não acreditam?


Referência: O céu e o inferno

sábado, 8 de setembro de 2007

Os médiuns


Os Médiuns


159. Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenómenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos. (1)


(1) As classificações mediúnicas são naturalmente variáveis, sofrendo a influência dos costumes e condições de épocas e países. Kardec oferece uma classificação em linhas gerais. Alguns nomes se modificaram entre nós. Os médiuns auditivos são geralmente chamados audientes, os falantes receberam a designação de médiuns de incorporação e actualmente de psicofónicos, os sonâmbulos são geralmente chamados anímicos, os pneumatógrafos são chamados de escrita directa. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

Médiuns de efeitos físicos


Médiuns de Efeitos Físicos


160. Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenómenos materiais como os movimentos dos corpos inertes, os ruídos, etc. Podem ser divididos em médiuns facultativos e médiuns involuntários. (Ver 2ª parte, caps. II e IV).


Os médiuns facultativos têm consciência do seu poder e produzem fenómenos espíritas pela própria vontade. Essa faculdade, embora inerente à espécie humana, como dissemos, não se manifesta em todos no mesmo grau. Mas se são poucas as pessoas que não a possuem, ainda mais raras são as que produzem grandes efeitos como a suspensão de corpos pesados no espaço, o transporte através do ar e sobretudo as aparições.
Os efeitos mais simples são o da rotação de um objecto, de pancada por meio de movimentos desse objecto ou dadas interiormente na sua própria substância. Sem se dar importância capital a esses fenómenos, achamos que não devem ser menosprezados. Podem proporcionar interessantes observações e contribuir para firmar a convicção. Mas convém notar que a faculdade de produzir efeitos materiais raramente se manifesta entre os que dispõem de meios mais perfeitos de comunicação, como a escrita e a palavra. Geralmente a faculdade diminui num sentido à medida que se desenvolve em outro. (2)


161. Os médiuns involuntários ou naturais são os que exercem a sua influência sem querer. Não têm nenhuma consciência do seu poder e quase sempre o que acontece de anormal ao seu redor não lhes parece estranho. Essas coisas fazem parte da sua própria maneira de ser, precisamente como as pessoas dotadas de segunda vista e que nem o suspeitam. Essas pessoas são dignas de observação e não devemos descuidar de anotar e estudar os factos dessa espécie que possam chegar ao nosso conhecimento. Eles surgem em todas as idades e frequentemente entre crianças ainda pequenas. (Ver no Cap. V: Manifestações espontâneas.)
Esta faculdade não é, por si mesma, indício de estado patológico, pois não é incompatível com a saúde perfeita. Se a pessoa que a possui é doente, isso provém de outra causa. Os meios terapêuticos, aliás, são impotentes para fazê-la desaparecer. Em alguns casos ela pode aparecer depois de uma certa fraqueza orgânica, mas esta não é jamais a sua causa eficiente. Não seria razoável, portanto, inquietar-se com ela no tocante à saúde. Só haveria inconveniente se a pessoa, tornando-se médium facultativo, a usasse de maneira abusiva, pois então poderia ocorrer excessiva emissão de fluido vital, determinando enfraquecimento orgânico.


162. A razão se revolta à lembrança das torturas morais e físicas a que a Ciência submeteu, algumas vezes, criaturas débeis e delicadas, com o fim de evitar que praticassem fraudes. Essas experimentações, na maioria das vezes feitas com más intenções, são sempre prejudiciais aos organismos sensitivos, podendo acarretar graves desordens à sua economia orgânica. Fazer semelhantes provas é jogar com a vida. O observador de boa fé não precisa empregar esses meios. Os que estão familiarizados com esses fenómenos sabem, aliás, que eles pertencem mais à ordem moral do que à ordem física, e que em vão se buscará a sua solução nas nossas Ciências exactas. (3)


(2) Os Espíritos não dão aos fenómenos físicos a mesma importância que lhes atribuímos. Interessam-se mais pelas manifestações inteligentes, destinadas à transmissão de mensagens ou à conversação esclarecedora. Veja-se o caso de Francisco Cândido Xavier, dotado de excelentes faculdades de efeitos físicos mas aplicando-se, por instrução de seus guias, especialmente à psicografia. Os fenómenos impressionam e servem muitas vezes para despertar o interesse pela Doutrina, mas o que realmente interessa é esta, com suas consequências morais e espirituais. Os Espíritos superiores chegam a proibir manifestações físicas em grupos que podem produzir mais no sentido da orientação e do alevantamento moral. Assim fizeram na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. (N. do T.)


Referência: O livro dos médiuns

Deus e o infinito


Deus e o Infinito


1. O que é Deus?
— Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. (1)


2. O que devemos entender por infinito?
— Aquilo que não tem começo nem fim; o desconhecido; todo o desconhecido é infinito. (2)


3. Poderíamos dizer que Deus é o infinito?
— Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.


Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstracção; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.


(1) As frases que se seguem às perguntas são as respostas dadas pelos Espíritos. Suprimimos as aspas nesta edição, por considerá-las desnecessárias. As notas e explicações de Kardec, intercaladas no texto, e a partir deste capítulo até a questão nº 1018, são compostas com fonte e alinhamento diferentes, de maneira que não há possibilidade de confusão. (N. do T.)
(2) Os Espíritos se referem ao Universo. Tudo quanto nele conhecemos tem começo e tem fim; tudo quanto não conhecemos se perde no infinito. Aplicação da expressão francesa: passer du connu a l'inconnu. (N. do T.)
referência: O livro dos espíritos

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Pai-nosso


PAI NOSSO
Pelo espírito de Meimei
(Psicografado por Francisco Cândido Xavier)

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU....
O Mestre queria dizer-nos que Deus, acima de tudo é nosso Pai. Criador de todas as coisas, Senhor dos Céus e da Terra, Para Ele todos somos filhos abençoados. Somos todos irmãos com o dever de nos ajudar-mos uns aos outros. Ele próprio, viveu a fraternidade pura. Na condição de aprendizes, devemos seguir-lhe o exemplo. A vida só será bela e gloriosa na Terra, quando aceitar-mo por nossa grande família a humanidade inteira.

PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, que certa vez um rico mercador chamou-o a sua presença e lhe perguntou.
_Porque oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?
O crente fiel respondeu:
_Grande senhor, conheço a existência de Deus, pelos sinais dele.
_Como assim? Indagou o chefe admirado.
O servo humilde explicou-se:
_Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
Pela letra.
_Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?
_Pela marca do ourives.
_Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda como sabe depois, se foi um carneiro, um cavalo ou se foi um boi?
_Pelos rastros respondeu o chefe surpreendido.
Então o velho crente, convidou-o para fora da tenda e mostrando-lhe o Céu, onde a lua brilhava, cercada por multidões de estrela reluzentes, exclamou respeitoso:
_Senhor, aqueles sinais lá em cima, não podem ser dos homens.
Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lagrimosos ajoelhou-se na areia e começou a orar também.

PRESENÇA DIVINA
Um homem ignorante ainda das leis de Deus, caminhava por um pomar de laranjas, conduzindo um pequeno de seis anos. Era Antoninho e seu tio. Contemplavam com água na boca as laranjas maduras. A certa altura, o velho, depôs uma sacola sobre a relva e começou a enche-la com os frutos que retirava de uma caixa que o dono do laranjal havia colhido, ao mesmo tempo que lançava olhares medrosos em todas as direcções. Preocupado, disse Antoninho ao tio: Que fazes titio? Pisiu... Pisiu....respondeu o velho. Aproveitemos agora, que ninguém nos vê, e apanhemos laranjas as escondidas. O menino muito admirado, apontou o dedinho para o Céu e exclamou: Mas o senhor não sabe que Deus nos esta vendo? Muito espantado o velho, voltou a recolocar as laranjas na caixa murmurando: Obrigado Senhor, por haveres despertado a minha consciência pelos lábios de uma criança.

NOSSO PAI
Quando acordamos para a razão, descobrimos os traços vivos da bondade Divina por toda a parte.
Seu imenso carinho por todos nós está no Sol que nos aquece, no sustento e alegria a todos os seres e a todas as coisas, nas nuvens que fazem as chuvas, nas águas dos rios e das fontes, que deslizam para o beneficio das cidades, dos campos e dos rebanhos; no pão que nos alimenta na doçura do vento que refresca; na bondade das árvores, na flor que espalha o perfume na atmosfera; na ternura e na segurança de nosso Lar, na assistência de nossos pais, dos nossos irmãos e das nossos amizades que nos ajudam a vencer as dificuldades do mundo e da conservação da saúde e da paz espiritual.
Somos obrigados a reconhecer, como Jesus nos ensina, que o mais belo nome que temos para com Deus, é "NOSSO PAI"

PENSAMENTOS
Deus é nosso Pai.
Somos irmãos uns dos outros.
Jesus é o Divino Mestre que Deus nos enviou.
A oração é o meio imediato de nossa comunhão com nosso Pai Celestial.
Nossos melhores pensamentos procedem da inspiração do alto. A presença de Deus pode ser facilmente observada na bondade permanente e na inteligência silenciosa da natureza que nos cerca.
Devemos amar-nos uns aos outros.
A voz divina pode ser reconhecida, nos bons conselhos.
Sempre que ajudamos, seremos ajudados.
Em nossa terna Mãezinha.
Cheio de Santa afeição.
Sentimos que Deus nos fala
No fundo do coração.

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME...
O apostolado de Jesus foi uma constante santificação do nome de Deus. Procurou, ele mesmo, louvar o Pai Celestial, distribuindo o contentamento e a Paz com todos. Ele sabia que a melhor maneira de santificar o nome de Deus, era auxiliar. Assim, amparou os velhos e as crianças, os doentes, os fracos e os sofredores de toda espécie. Espalhou a caridade, a alegria e a esperança.
Por essa razão, devemos lembrar que estaremos santificando o nome de deus sempre que estivermos realizando o melhor que pudermos fazer.

GLORIFICANDO O SANTO NOME
No principio da vida na Terra, quando os minerais, as plantas e os animais souberam que era necessário santificar o nome de Deus, houve da parte de quase todos um grande movimento de atenção.
Certas pedras começaram a produzir diamantes e outras revelaram ouro e gemas preciosas.
As árvores mais nobres começaram a dar frutos. O algodoeiro inventou alvos fios para a vestimenta do homem.
A roseira cobriu-se de flores. A grama alastrou-se pelo chão enfeitando a terra. A vaca passou a fornecer leite. A galinha para alegria de todos, começou a botar ovos. O carneiro passou a fornecer a lã. A abelha passou a fabricar o mel.
Até o bicho de seda, que parece tão feio, para santificar o nome de Deus, fabricou fios lindos, Nem todos os homens aprendem rapidamente as lições da vida, mas aqueles que procuram a verdade, sabem que a nossa inteligência deve glorificar a Eterna Sabedoria, cultivando o bem e fugindo ao mal. São as almas acordadas para a luz e que louvam realmente o nome de nosso Pai Celeste. São os que santificam na terra a divina bondade.

CANTICO DE LOUVOR
Quando a vida começava no mundo, os pássaros sofriam bastante. Pousavam nas árvores e sabiam voar mas como haviam de criar os filhotinhos? Isso era muito difícil. Obrigados a deixar os ovos no chão, viam-se quase sempre, perseguidos e humilhados. A chuva resfriava-os e os grandes animais, pisando neles, quebrava-os sem compaixão. E as cobras? Essas rastejavam no solo, procurando-os para devora-los. Conta-se que, por isso, as aves se reuniram e rogaram ao Pai Celestial que lhes desse o socorro necessário.
Deus ouviu-as e mandou um anjo que passou a instrui-las na construção dos ninhos. Os filhotes começaram a nascer sem aborrecimentos.
Reconhecendo que o Pai Celestial havia respondido às suas orações, as aves combinaram entre si cantar todos os dias. Quando ouvirmos uma ave cantando, lembremo-nos, pois, de que do seu coraçãozinho, coberto de penas, esta saindo o eterno agradecimento que Deus esta ouvindo no Céu.

LOUVADO SEJA DEUS
O velho André era um escravo resignado e sofredor. Certo dia, ele soube que Jesus nos ensinara a santificar o nome de Deus, e prometeu a si mesmo jamais praticar o mal.
Se o feitor da fazenda o perseguia, André perdoava e dizia de todo o coração - Louvado seja Deus. Se algum companheiro tentava-o a fugir das obrigações de cada dia, considerando as injustiças que o cercavam, ele dizia: Louvado seja Deus. Quando veio a libertação dos cativos, o dono da fazenda chamou-o e disse-lhe que a pobreza e a doença lhe batiam a porta e pediu-lhe que não o abandonasse. Todos os companheiros se ausentaram, embriagados de alegria, mas André teve compaixão de seu Senhor, agora humilhado e permaneceu no serviço. O proprietário da terra, pouco a pouco perdeu tudo o que tinha, vitimado pela enfermidade, mas o generoso servidor cuidou dele até a morte, afirmando sempre Louvado, seja Deus.
André estava cansado e envelhecido quando o antigo patrão faleceu. Quis trabalhar, mas o corpo sentia muitas dores. Esmolou com humildade e paciência. Toda vez que recebia algum pedaço de pão, ou algum trapo para agasalhar o corpo, exclamava alegremente: - Louvado seja Deus. Certa noite, muito sozinho, com sede e com febre, notou que alguém penetrava em sua choça de palha. Quem seria?
Em poucos instantes, um anjo erguia-se a frente dele. Acanhado e aflito, quis dizer alguma coisa, mas não pode. O anjo, sorrindo abraçou-o e exclamou: André, o nome de nosso Pai Celestial foi exaltado por seu coração e vim buscar você para que sua voz possa louva-lo agora no Céu. No dia seguinte, o corpo do velho escravo apareceu morto na choupana, mas sobre o teto rústico as aves pousavam cantando, e muita gente afirmou que os passarinhos pareciam repetir: Louvado seja Deus.
No canto dos passarinhos,
No campo, no mar, na flor,
A vida está repetindo:
Louvado seja o Senhor.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO
Assim rogou Jesus ao Pai sabendo que só o Plano de Deus pode conceder-nos a verdadeira felicidade. Mas o Mestre não se limitou a pedir; ele trabalhou e se esforçou para que o reino do Céu encontrasse as bases necessárias na Terra.
Espalhou com as próprias mãos, as bênçãos da paz e da alegria, a fim de que os homens se fizessem melhores. Uma locomotiva não corre sem trilhos adequados. Um automóvel não avança sem a estrada que lhe é própria. Um prato bem feito precisa ser preparado com todos os temperos necessários. Assim também o auxilio celeste reclama o nosso esforço É sempre indispensável purificar o nosso sentimento para recebe-lo e difundi-lo. Sem a bondade em nós, não poderemos sentir a bondade de Deus. Se rogamos a graça divina, preparemos o sentimento para entendê-la e manifestá-la, a fim de que a felicidade e a harmonia vivam connosco.
O reino de Deus é AMOR e só pelo AMOR brilhará para sempre entre os homens.

LIÇÃO DE BONDADE
Quando Jesus entrou vitorioso em Jerusalém, montado num burrico, eis que o povo alvoroçado, vinha vê-lo e saudá-lo na praça pública. Muitos supunham que o mestre, seria um dominador igual aos outros e bradavam
_Glória ao Rei de Israel!...
_Abaixo os romanos!...
_Hosanas ao vencedor!...
_Viva o filho de Davi!... Viva o Rei dos Judeus!... E atapetavam a rua com flores e palmas tapetes e folhas aromáticas por onde o Salvador deveria passar. O Mestre, parecia cansado e triste. Essa alegria ruidosa do povo não era o tipo de felicidade que ele desejava. Ia assim em silêncio quando linda jovem se destacou na multidão e lhe entregou uma braçada de rosas, exclamando: Senhor, ofereço-te estas flores para o reino de Deus.
Jesus, fitou-a com os olhos cheios de luz e indagou: Queres mesmo servir o Reino de Deus? Ajude-me a proteger o burrico que me serve, trazendo-lhe um pouco de capim e água fresca. A jovem, atendeu prontamente e começou a compreender que na edificação do Reino Divino, Jesus espera de nós, acima de tudo, a bondade sincera e fiel do coração.

ALGO MAIS
Um crente sincero na bondade do Céu, desejando apreender como colaborar na construção do reino de Deus, pediu certo dia ao Senhor a graça de compreender os propósitos divinos, saiu para o campo. De início encontrou com o vento que cantava e o vento lhe disse: Deus mandou que eu ajudasse as sementeiras e varresse os caminhos, mas eu gosto também de cantar embalando os doentes e as criancinhas
Em seguida o devoto surpreendeu uma flor que inundava o ar com seu perfume, e a flor lhe contou: Minha missão é preparar o fruto, entretanto produzo também o aroma que perfuma até mesmo os lugares mais impuros. Logo o homem estacou ao pé de grande árvore, que protegia um poço de água, cheio de rãs, e a árvore lhe falou: Confia-me o Senhor a tarefa de auxiliar o homem, contudo creio que devo amparar igualmente as fontes os pássaros e os animais. O visitante fixou os feios batráquios e fez um gesto de repulsa, mas a árvore continuou: Estas rãs são nossas amigas. Hoje posso ajudá-las, mas depois serei ajudada por elas, na defesa de minhas próprias raízes, contra os vermes da destruição e da morte. O devoto compreendeu o ensinamento e seguiu adiante, atingindo uma grande cerâmica....acariciou o barro que estava sobre a mesa que lhe disse: Meu trabalho é o de garantir o solo firme, mas obedeço ao oleiro e procuro ajudar na residência do homem, dando forma a tijolos telhas e vasos. Então o devoto regressou ao lar e compreendeu que para servir na edificação do reino de Deus é preciso ajudar aos outros, sempre mais, e realizar, cada dia, algo mais do que seja justo fazer.

FÉ E PERSEVERANÇA
Três rapazes suspiravam por encontrar o Senhor, a fim de fazer-lhes rogativas. Depois de muitas orações, eis que no campo em que trabalhavam, apareceu-lhes o carro do Senhor, guiado pelos anjos. O Divino amigo, pôs-se a ouvi-los. Os três ajoelharam-se em lágrimas de júbilo e o primeiro implorou a Jesus, o favor da riqueza. O Mestre atencioso, determinou que um dos anjos lhe entregasse enorme tesouro em moedas. O segundo suplicou a beleza perfeita e o Celeste Benfeitor, mandou que um dos servidores lhe desse um milagroso unguento a fim de que a formosura lhe cobrisse o rosto. O terceiro exclamou com fé: Senhor, eu não sei escolher... Dá-me o que for justo, segundo a tua vontade. O Mestre sorriu e mandou que lhe entregassem uma grande bolsa. Em seguida abençoou-os e partiu... O moço que recebera a bolsa abriu-a, ansioso, mas Oh! Desencanto... Ela continha simplesmente uma enorme pedra. Os companheiros riram-se dele, supondo-o ludibriado, mas o jovem afirmou a sua Fé no Senhor, levou consigo a pedra e começou a desbastá-la, procurando, procurando...
Depois de algum tempo, chegou ao coração do endurecido e encontrou ali um soberbo diamante. Com ele adquiriu grande fortuna e com a fortuna construiu uma casa onde os doentes pudessem encontrar refugio e alívio em nome do Senhor. Vivia feliz, cuidando de seu trabalho, quando um dia, dois enfermos bateram a porta. Não teve dificuldade em reconhecer, eram os dois antigos colegas de oração, que haviam-se com o ouro e a beleza, adquirido apenas doenças e cansaço, misérias e desilusões. Abraçaram-se chorando de alegria e, nesse instante, o Divino Amigo apareceu entre eles e falou: Bem aventurados todos aqueles que sabem aproveitar, as pedras da vida, porque a fé e a perseverança no bem, são os dois grandes alicerces do Reino de Deus.

UMA CARTA MATERNA
Meu filho, se procuras a bênção da felicidade, não te esqueças de que o reino do Céu começa em nosso próprio coração e de que o primeiro lugar em que devemos trabalhar por ele é na própria casa onde vivemos. A alegria verdadeira nem sempre é daqueles que dominam, mas nunca se aparta das almas generosas que aprendem a espalhar o bem.
Se queres que a tranquilidade te acompanhe, busca ser útil. Porque foges de teu pai, quando, cansado e abatido, mostra a fisionomia preocupada e tem lágrimas nos olhos? Aproxima-te dele e faz-lhe sentir que tens um coração compreensivo e amoroso. Um fio de água transforma um deserto em oásis. Um gesto de carinho opera milagres. Quanta gente espera construir o reino de Deus, acendendo fogueiras de entusiasmo na praça pública, esquecendo no frio da indiferença, aqueles que o Céu lhe confiou....
Guarda a paz contigo, afim de que a possas distribuir. Entre as paredes do lar, Deus situou a nossa primeira escola. Se não sabemos exercer a tolerância e a bondade, com cinco ou dez pessoas que esperam pelo nosso entendimento e pelo nosso auxílio, debalde ensinaremos o caminho do bem-estar para os outros. O primeiro degrau do Paraíso, chama-se Gentileza. Aprende a ajudar, para que outros te ajudem, onde estiveres, serás sempre um valoroso operário na edificação do Reino Divino.
Toda bondade mais simples,
Sincera, nobre e leal
Ajuda na construção
Do Reino Celestial.

SEJA FEITA A TUA VONTADE. ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Na construção de uma casa sólida e confortável, há sempre um plano do arquitecto para ser obedecido. Os operários precisam consultar as linhas demarcadas, para não irem além de suas funções para não cometerem enganos que prejudicariam a obra. O carpinteiro não deverá perturbar o pintor e o pintor deverá respeitar o vidraceiro. Assim também nos serviços de elevação espiritual do homem e do mundo, é necessário procurar-mos a Vontade do Senhor para que os designos Divinos sejam devidamente executados. È indispensável saibamos realizar a nossa parte, sem perturbar os nossos irmãos.
Estejamos convictos de que se cada um de nós, cumprir a obrigação que lhe compete, estaremos atendendo às determinações do Nosso Pai Celestial.

O SERVIÇO DE PERFEIÇÃO
Um velho oleiro, muito dedicado ao trabalho, certa feita adoeceu e entrou a passar enormes dificuldades. Os parentes, aos quais ele mais servira, moravam em regiões distantes e pareciam haver perdido a memória. Sem ninguém que o auxiliasse passou a viver da Caridade pública mas, quando esmolava, caiu na via pública e quebrou uma das pernas, sendo obrigado a recolher-se à cama por longo tempo. Chorando, amargurado, fez uma prece a Deus, rogando consolação para os seus males. Então dormiu e sonhou com um anjo que lhe trouxe a resposta pedida. O mensageiro do Céu conduziu-o até o antigo forno e mostrando- lhe alguns formosos vasos de sua produção, perguntou: Como é que você conseguiu realizar trabalhos assim tão perfeitos? O oleiro, orgulhoso de sua obra informou: Usando o fogo com muito cuidado e com muito carinho, no serviço da perfeição. Alguns vasos, voltaram ao calor intenso duas ou três vezes.
E sem o fogo você realizaria a sua tarefa? Indagou ainda o emissário. Nunca, respondeu o velho, certo do que afirmava.
Assim também esclareceu o anjo bondoso, o sofrimento e a luta são chamas invisíveis que nosso Pai do céu criou para o embelezamento de nossas almas, que um dia, serão vasos sublimes e perfeitos para o serviço do Céu. Nesse instante o doente acordou, e compreendeu a Vontade Divina rendendo graças a Deus.

O PEQUENO ABORRECIMENTO
Um moço de boas maneiras, incapaz de ofender os que lhe buscavam o concurso amigo, sempre meditava na vontade de Deus, disposto a cumpri-la. Certa vez, muito preocupado com o horário aproximou-se da camioneta, com a intenção de aproveitá-lo para atravessar um extenso trecho da cidade, em que morava. Mas no momento que o ia fazer, surgiu-lhe a frente um vizinho, que lhe prendeu a atenção para longa conversa.
O rapaz consultava o relógio, de segundo a segundo, deixando perceber a pressa que tinha em tomara camioneta, mas o amigo segurando-lhe o braço, queria contar-lhe, mais e mais. Contrafeito com a insistência do amigo, o jovem ouvia por espírito de gentileza, quando o veículo largou sem ele. Daí a alguns minutos, porem, correu a inquietante noticia: a máquina estava sendo guiada por condutor embriagado e precipitara-se num despenhadeiro, espatifando-se. Ouvindo com paciência uma palestra incômoda, o moço fora salvo do triste desastre. A vontade Divina se manifesta a nosso favor, nas pequeninas contrariedades do caminho, ajudando-nos a cumprir nossos mais simples deveres.

A ALEGRIA DO DEVER
Quando Jesus estava entre nós, recebeu certo dia a visita do Apóstolo João, muito jovem ainda, que lhe disse estar incumbido, por seu pai Zebedeu, de fazer uma viagem ao povoado próximo.
Era porem, um dia de passeio ao monte e o moço achava-se muito triste. O Divino amigo, contudo, exortou-o a cumprir o seu dever. Seu pai precisava do serviço e não seria justo prejudica-lo. João ouviu o conselho e não vacilou. O serviço exigiu-lhe quatro dias, mas foi realizado com êxito. Os interesses do lar, foram beneficiados, mas Zebedeu, o honesto e operoso ancião afligiu-se muito porque o rapaz regressara de semblante contrafeito. O Mestre, convidou-o a um entendimento particular observando: João, cumpriste o prometido?
Sim respondeu o Apóstolo. Atendeste a vontade de teu pai?
Sim, tornou o jovem, visivelmente contrariado, acredito ter efectuado todas as minhas obrigações. Jesus entretanto, acentuou, sorrindo e calmo: Então ainda falta um dever a cumprir, o dever de permanecer alegre por haveres correspondido à confiança do Céu. O companheiro da Boa Nova meditou sobre a lição e ficou contente. A tranquilidade voltou ao coração do velho Zebedeu e João compreendeu que no cumprimento da vontade de Deus, não podemos nem devemos nos entristecer.

REFLEXÕES
No sofrimento é a paciência
Na perturbação é a serenidade
Diante da maldade é o bem que auxilia sempre
Perante a sombra é a luz
No trabalho é o devotamente ao Dever
Na amargura é a Esperança
No erro é a corrigenda
Na queda é o Reerguimento
Na luta é o valor Moral
Na tentação é a resistência
Junto a discórdia é a harmonia
Á frente do ódio é o amor
No ruído da maledicência é o silêncio
Na ofensa é o perdão completo
Na vida comum é a bondade para com todos
Quem ajuda sem cessar
Cada hora, todo o dia,
Está cumprindo a vontade
Da eterna sabedoria.

O PÃO-NOSSO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE...
O pão-nosso de cada dia, não é somente o almoço e o jantar, o café e a merenda. É também a ideia e o sentimento, a palavra e a acção. Para que reine saúde com alegria, em torno de nós, precisamos de nossas refeições, mas necessitamos também de paz e esperança, de fé e valor moral. Com os nossos modos de agir, operamos sobre os outros.
Conversando, distribuímos nossos pensamentos. Nossos actos influenciam os que nos cercam, segundo as nossas intenções. Por isso os outros nos alimentam com as suas atitudes. Se estimamos as conversações deprimentes se buscamos as leituras de natureza inferior, depressa nos vemos alterados e perturbados, sem disso nos apercebermos. As nossas companhias falam claramente de nós. Nossas leituras, revelam nosso íntimo, do bem que nos guarde contra a maldade e que nos ajude a ser exemplos de compreensão e fraternidade.
Em Jesus, temos o PÃO que desceu do Céu. E ainda hoje, o Mestre continua alimentando o pensamento da Humanidade, por intermédio de um livro. O Evangelho Divino, em que Ele nos ensina, através do AMOR, o caminho de nossa felicidade para sempre.

NECESSIDADE DO ESFORÇO
Conta-se que no princípio da vida terrestre, o alimento das criaturas era encontrado como oferta da Divina Providencia, em toda a parte. Em troca de tanta bondade, o Pai Celestial rogava aos corações mais esforços no aperfeiçoamento da vida. O povo no entanto, observando que tudo lhe vinha de graça, começou a menosprezar o serviço. O mato inútil cresceu tanto, que invadiu as casas, onde toda a gente se punha a comer e a dormir. Ninguém desejava aprender a ler.
A ferrugem, o lixo e o mofo apareciam em todos os lugares. Animais como os cães que colaboravam na vigilância, e aves como os urubus que auxiliavam na limpeza, eram mais prestativos que os homens.
Vendo que ninguém queria corresponder à confiança Divina, o Pai Celestial mandou retirar as facilidades da Terra, determinando que os habitantes da mesma se esforçassem na conquista da própria manutenção.
Desde esse tempo, o ar e a água, o Sol e as flores, a claridade das estrelas e o luar continuavam gratuitos para o povo, mas o trabalho forçado da alimentação passou a vigorar como uma lei para todos, porque lutando para sustentar-se o homem melhora a Terra, limpa a habitação, aprende a ser sábio e garante o progresso.
Deus dá tudo.
O solo, a chuva, o calor, o adubo e a orientação constituem dádivas Dele à Terra que povoamos e que devemos aprimorar, mas o preparo do pão de cada dia, através de do nosso próprio suor e da própria inteligência, é obrigação comum de todos nós, a fim de não olvidar-mos o nosso dever de servir, incessantemente, em busca da perfeição.

O EXEMPLO DA ÁRVORE
Dizem que quando a primeira árvore apareceu na Terra, trazia do Pai Celestial a recomendação de alimentar o homem e auxilia-lo, em sua subsistência. Resolvida a cumprir a ordenação do Senhor, certo dia foi visitada por um ladrão, perseguido pela justiça. Ele sentia fome e por isso, furtou-lhe vários frutos. Em seguida decepou-lhe vários galhos, deles fazendo macia cama para descansar e refazer-se.
A árvore não se agastou com o assalto. Parecia satisfeita em ajuda-lo e até se mostrava interessada em adormecê-lo, agitando harmoniosamente as folhas, tangidas pelo vento. Erguendo-se, o pobre homem ouviu o ruído dos acusadores que o buscavam e, angustiado, sem saber que rumo tomar na várzea deserta, notou que o pobre vegetal, em silêncio, como o convidava a asilar-se em seus ramos.
Imediatamente á maneira de um menino, o infeliz escalou o tronco e escondeu-se na copa farta.
Os guardas vieram e, desistiram de encontra-lo em razão da busca infrutífera. Foi então que o desventurado desceu para o solo, impressionado e comovido, reparando que se achava em frente de humilde mensageira do Céu.
Roubara-lhe os frutos e mutilara-lhe as frondes, entretanto, ela oferecera-lhe, ainda, seguro abrigo. O homem infeliz começou a meditar no exemplo da árvore venerável, incumbida por Deus de cooperar na distribuição do alimento de cada dia na Terra, e, nela reconhecendo verdadeira emissária do Céu, que lhe saciara a fome, que lhe dispensara maternal protecção, abandonou o mal em que havia mergulhado e passou a ser outro homem.

O ALIMENTO ESPIRITUAL
O professor lutava na escola com grande problema. Os alunos começaram a ler muitas Histórias de homens maus, de roubos e de crimes e passaram a viver em grande insubordinação.
Queriam imitar aventureiros e malfeitores.
Em razão disso, na escola e em casa apresentavam péssimo comportamento. Alguns pronunciavam palavrões, julgando-se bem educados, e outros se entregavam a brinquedos de mau gosto, acreditando assim mostrar superioridade e inteligência. Esqueciam-se dos bons livros. Zombavam dos bons conselhos.
O professor em vista disso, certo dia reuniu todas as classes para a merenda costumeira, apresentando-lhes uma surpresa esquisita. Os pratos estavam cheios de coisas impróprias, tais como: Pães envolvidos em lama, doces com batatas podres, pedaços de maçã com tomates deteriorados e geleias misturadas com fel e pimentas. Os meninos revoltados gritaram contra o lanche.
O educador pediu silencio e, tomando a palavra, disse-lhes: Meus filhos, se não podemos dispensar o alimento puro e benéfico para o corpo, precisamos também do alimento sadio para a alma. O pão garante a nossa energia física mas a leitura é a fonte de nossa vida espiritual. Os maus livros, as reportagens infelizes, as difamações e as aventuras criminosas representam substâncias apodrecidas que nós absorvemos, envenenando a vida mental e prejudicando-nos a conduta. Se gostamos das refeições saborosas que auxiliam a conservação de nossa saúde, procuremos também as páginas que cooperam na defesa de nossa harmonia interior, a fim de nunca fugirmos ao correcto procedimento. Os alunos retiraram-se cabisbaixos. Pouco a pouco, a vida dos meninos foi sendo rectificada, modificando-se para melhor.
NOTAS:
Há saúde do corpo e saúde da alma. Ambas devem estar juntas. Deus concedeu-nos recursos mil, cada dia, para alimentar-mos o espírito com as melhores emoções. Absorvemos os pensamentos uns dos outros. Auxilia a produção útil da natureza e estarás cooperando com a providência Divina. Cede ao próximo o pão que sobra em tua mesa e o Senhor te enriquecerá de bom ânimo e alegria. Atendendo a Deus, a Terra gasta milhões de vidas, cada dia a fim de sustentar-nos. Falar mal dos outros ao invés de ajuda-los, é o mesmo que envolver nossos sentimentos na lama, invisível, ao invés de faze-los brilhar.Frutos que te deliciam são os resultados dos esforços daqueles que passaram no mundo antes de ti. Planta uma árvore amiga e ajudarás aos que te ajudam.
VERSOS
Quem lança a boa palavra
De amor e consolação,
Espalha por toda a Terra
Os dons do divino Pão.

PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS ASSIM COMO PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES.
Quando pronunciamos as palavras " perdoa as nossa dívidas assim como perdoamos os nossos devedores" Não apenas estamos à espera do beneficio para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.
Todos possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exames, pequeninas faltas alheias. Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomenda-nos a esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.
Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para o nosso pensamento?
Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a casa do vizinho?
A paz é também alimento da alma, e,se desejamos tranquilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais. Auxiliemos sempre. Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos concedendo-nos contentemente novas e abençoadas oportunidades de rectificação, aprendamos igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam.

O PERDÃO JUSTO
Em certa cidade Europeia, um homem ignorante, considerado mal feitor, foi condenado à morte pela forca. O juiz fora severo no julgamento. Afirmava que o infeliz era grande criminoso e que só a pena última podia solucionar-lhe a situação. Alguns dias antes do enforcamento, o magistrado veio ao cárcere, em companhia do filho, jovem alegre e de bom coração que, em se aproximando do velho soldado, pôs-se a examinar-lhe a arma de fogo. Sem que o rapaz pudesse reflectir no perigo do objecto que revirava nas mãos, um tiro escapou, rápido, e com espanto de todos, a bala disparada, alojou-se num dos braços do condenado á morte, que observava a cena, tranquilamente da grade. Banhado em sangue, foi socorrido pelo Juiz e pelos circunstantes e, porque a palavra do magistrado fosse dura e cruel para o filho irreflectido, o prisioneiro lembrou-se de Jesus, ajoelhou-se em lágrimas, afirmando que o jovem não tivera a mínima intenção de magoa-lo.
O Juiz notou a profunda sinceridade da rogativa e, em silencio passou a notar que o condenado era portador de nobre coração e de grande bondade. No dia imediato, promoveu medidas para a revisão do processo que lhe dizia respeito e, em pouco tempo a pena de morte era modificada para somente alguns meses de prisão. Perdoando o rapaz que o ferira, o prisioneiro encontrou o perdão justo para as suas faltas, conseguindo, desse modo, recomeçar a vida, em bases mais sólidas de paz, confiança, trabalho e alegria.

O EFEITO DA CÓLERA
Um velho Judeu de alma torturada por pesados remorsos, chegou certo dia, aos pés de Jesus, e confessou-lhe estranhos pecados. Valendo-se da autoridade que detinha no passado, havia despojado vários amigos de suas terras e bens, arremessando-os à ruína total e reduzindo-lhes as famílias a dolorosos cativeiros.Com maldade premeditada, semeara em muitos corações o desespero, a aflição e a morte. Achava-se desse modo, enfermo aflito e perturbado....Médicos não lhe solucionava os problemas, cujas raízes se perdiam nos profundos labirintos da consciência dilacerada. O mestre Divino, porém, ali mesmo, na casa de Simão Pedro, onde se encontrava, orou pelo doente e, em seguida, lhe disse: Vai em paz e não peques mais. O ancião notou que uma onda de vida nova lhe penetrava o corpo, sentindo-se curado, e saiu, rendendo graças a Deus. Parecia plenamente feliz, quando ao atravessar a extensa fila dos sofredores que esperavam pelo Cristo, um pobre mendigo, sem querer, pisou-lhe um dos calos dos pés. O enfermo restaurado soltou um grito terrível e atacou o mendigo a bengaladas. Estabeleceu-se grande tumulto.
Jesus Veio à apaziguar os ânimos.
Contemplando a vítima em prantos, abeirou-se do ofensor e falou: Depois de receberes o perdão, em nome de Deus, para tantas faltas, não pudestes desculpar a ligeira precipitação de um companheiro mais desventurado que tu? O velho judeu agora muito pálido, pôs as mãos sobre o peito e bradou para Cristo: Mestre, socorre-me!...Sinto-me desfalecer de novo... que será isto? Mas Jesus, apenas respondeu, muito triste: Isto meu irmão é o ódio e a cólera que chamaste outra vez ao próprio coração. E ainda hoje isso acontece a muitos que, por falta de paciência e de amor, adquirem amargura, perturbação e enfermidade.

MÃEZINHA
Quando o Pai Celestial precisou colocar na Terra as primeiras criancinhas, chegou à conclusão de que devia chamar alguém que soubesse perdoar infinitamente.
De alguém que não enxergasse o mal.
Que quisesse ajudar sem exigir pagamento.
Que se dispusesse a guardar os meninos, com paciência e ternura, junto do coração. Que tivesse bastante serenidade para repetir incessantemente as pequeninas lições de cada dia. Que pudesse velar, noites e noites, sem reclamação. Que cantarolasse baixinho, para adormecer os bebes que ainda não podem conversar. Que permanecessem em casa, por amor, amparando os meninos que ainda não podem sair à rua. Que contasse muitas estórias sobre a vida e sobre o mundo. Que abraçasse e beijasse as crianças doentes. Que lhes ensinasse os primeiros passos. Que as conduzisse a escola. Dizem que nosso Pai do Céu permaneceu muito tempo, examinando..... e, em seguida, chamou a mulher, e deu-lhe o titulo de MÂEZINHA e confiou-lhe as crianças. Por esse motivo, nossa mãezinha é a representante do Divino Amor no Mundo, ensinando-nos a ciência do perdão e do carinho, em todos os instantes da vida. Se pudermos imitá-la, nos exemplos de bondade e sacrifício que constantemente nos oferece, por certo seremos na vida preciosos auxiliares de Deus.

O SILÊNCIO
O silêncio ajuda sempre
Quando ouvimos palavras infelizes.
Quando alguém está irritado.
Quando a maledicência nos procura.
Quando a ofenda nos golpeia.
Quando alguém se encoleriza.
Quando a critica nos fere.
Quando escutamos a calúnia.
Quando a ignorância nos acusa.
O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo.

O PERDÃO
O perdão em qualquer tempo
É sempre um traço de luz
Conduzindo a nossa vida
A comunhão com Jesus.

NÃO NOS DEIXE CAIR EM TENTAÇÂO...
A bondade infinita de Deus, não permitirá que venhamos cair sob as tentações, mas para isso, é necessário que nos esforçamos, colaborando, de algum modo, com o auxílio incessante de nosso Pai. Há leis organizadas para benefício de todos, mas se não respeitarmos, como poderemos contar com a protecção delas? Sabemos que o fogo destrói. Por isso mesmo não devemos abusar dele. Não podemos rogar o socorro divino para a imprudência que se repete todos os dias. Se um homem estima a preguiça, não atrairá as bênçãos
Que ajudam aos cultivadores do trabalho.
Se uma pessoa vive atirando espinhos à face dos outros, como esperará sorrisos na face alheia?
É indiscutível que a Providência Divina nos ajudará constantemente, livrando-nos do mal; entretanto, espera encontrar entre nós os valores da boa - vontade. Não ignoramos que o Pai Celestial está sempre connosco, mas muitas vezes somos afastados do Criador por nós mesmos.
Para que não venhamos a sucumbir sob os golpes das tentações, é indispensável saibamos procurar o bem, cultivando-o sem cessar. Não há colheita sem plantação.
Certamente devemos esperar que Deus nos conceda o muito de seu amor, mas não olvidemos que é preciso dar " alguma coisa" do nosso esforço.

O PROBLEMA DA TENTAÇÃO
O educador, em aula, tentava explicar aos meninos que o móvel das tentações, reside em nós mesmos: contudo como os aprendizes mostravam muita dificuldade para compreender, ele se fez acompanhar pelos alunos até o grande pátio do colégio. Aí chegando, mandou trazer uma bela espiga de milho e perguntou aos rapazes:
Qual de vocês desejaria devorar esta espiga tal como está. Os jovens sorriram, com zombaria e um deles exclamou: Ora vejam!... Quem se animaria a comer milho cru? O professor mandou vir um dos cavalos que serviam a escola, instalou alguns obstáculos à frente do animal e colocou a espiga ao dispor dele, sobre pequena mesa. O grande equino saltou, lépido, os impedimentos e avançou guloso para o bocado. O professor benevolente e amigo esclareceu, então, bondosamente ante os alunos surpreendidos As tentações nos procura, segundo os sentimentos que trazemos no campo íntimo. Quando cedemos a alguma fascinação indigna, é que a nossa vontade permanece fraca, diante dos nossos desejos inferiores. As forças que nos tentam correspondem aos nossos próprios impulsos. Não podemos imaginar ou querer aquilo que desconhecemos. Por esse motivo, necessitamos vigiar o cérebro e o coração, a fim de selecionar-mos as sugestões que nos visitam o pensamento. E, terminando afirmou: As situações boas, ou más, fora de nós, são iguais aos propósitos bons ou maus que trazemos connosco.
A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO
No tempo em que não havia a locomoção fácil na Terra, um grande rei simpatizou com um fogoso cavalo de cores claras, da criação de sua casa, mas ao deseja-lo para os serviços do palácio, foi informado pelo chefe das cavalariças: Majestade, este animal é vítima de muitas tentações. Basta que se movimente, de leve, para assustar-se e ocasionar desastres. Uma simples folha seca na estrada, é razão para inúmeros coices. O rei ouviu atencioso, e afirmou que remediaria a situação. No dia seguinte, mandou atrela-lo a enorme carroça de limpeza, onde o cavalo se viu tão preso que não pode fazer outros movimentos além dos necessários.
Depois de algumas semanas o monarca determinou, fizesse ele o duro serviço dos burros, transportando cargas pesadíssimas. A principio o animal se rebelava, escoiceando no ar e relinchando fortemente. Entretanto, foi tantas vezes visitado pelos gritos e pelos chicotes dos peões e tantos fardos suportou que, ao fim de algum tempo, era um modelo de mansidão e de brandura, sendo colocado no serviço real, com grande contentamento para o soberano. Assim acontece conosco na vida. Destinados ao trabalho da Vontade de Deus, se vivemos entregues às tentações do mal, desobedientes e egoístas, determina o senhor que sejamos confiados à luta e à provação, à dificuldade e ao sofrimento, os quais pouco a pouco nos ensinam a humildade e o respeito, a diligencia e a doçura.
Depois de passarmos pelos variados processos de educação indispensável ao nosso burilamento, seremos então aproveitados, com êxito e segurança, nos serviços gerais da bondade de Deus, junto de nossos irmãos.

A TENTAÇÃO DO REPOUSO
Num campo de lavouras, grande quantidade de vermes desejava destruir um velho arado de madeira, muito trabalhador, que lhe perturbavam os planos e, em razão disso, certa ocasião se reuniram ao redor dele e começaram a dizer: Porque não cuidas de ti? Estas doente e cansado.... Afinal, todos nós precisamos de algum repouso.... Liberta-te do jugo terrível do lavrador. Pobre máquina! A quantos martírios te submetes. O arado escutou...escutou... e acabou acreditando. Ele que era tão corajoso, que nem mais sentia o leve incomodo nas mais duras obrigações, começou a queixar-se do frio, da chuva, do calor do sol, da aspereza das pedras e da humidade do chão. Tanto clamou e chorou implorando descanso, que o antigo companheiro concedeu-lhe alguns dia de folga, a um canto do milheiral. Quando os vermes o viram parado, aproximaram-se em massa e atacaram-no sem piedade.
Em poucos dias apodreceram-no, de manchas, feridas e de buracos. O arado gemia e suspirava pelo socorro do lavrador, sonhando com o retorno às antigas tarefas. Mas era tarde....
Quando o prestimoso amigo, voltou para utiliza-lo, era simplesmente um traste inútil.
A história do arado é um aviso para todos nós.
A tentação do repouso é das mais perigosas, porque, depois da ignorância, a preguiça é a fonte escura de todos os males.
Jamais olvidemos que o trabalho é o Dom Divino que Deus nos confiou para a defesa de nossa alegria e para a conservação de nossa própria saúde.

A BENÇÃO DO TRABALHO
É pela bênção do trabalho que podemos esquecer os pensamentos que nos perturbam, que olvidamos os pensamentos amargos, servindo ao próximo, no enriquecimento de nós mesmos. Com o trabalho, melhoramos a nossa casa e engrandecemos o trecho de Terra onde a Providencia Divina nos sitiou. Ocupando a mente, o coração e os braços nas tarefas do bem exemplificamos a verdadeira fraternidade, e adquirimos o tesouro da simpatia, com a qual angariaremos o respeito e a cooperação dos outros. Quem não sabe ser útil não corresponde à bondade do Céu, não atende nos seus justos deveres para com a humanidade, nem contribui na dignidade da Pátria amorosa que lhe serve de Mãe. O TRABALHO È UMA INSTITUIÇÂO DE DEUS.

SENDA DA PERFEIÇÃO
Quem move as mãos no serviço,
Foge a treva e a tentação.
Trabalho de cada dia,
É a senda da perfeição.

LIVRAI-NOS DO MAL PORQUE TEU È O REINO, O PODER E A GLORIA PARA TODO O SEMPRE...ASSIM SEJA.
O Senhor livrar-nos-a do mal; entretanto, é preciso de que desejemos não errar. Que dizer de um homem que pedisse socorro contra um incêndio, lançando gasolina à fogueira? O reino da vida, em todas as suas notas de grandeza, pertence a deus. Todo o Poder e toda a glória do Universo, todos os recursos e todas as possibilidades da existência são a Providencia Divina, mas, em nosso circulo de acção, a vontade é nossa. Se não ligarmos nossos desejos à lei do bem que procede do Céu, representando para nós a vontade Paterna, não podemos aguardar harmonia e contentamento para o nosso coração.
Nas sombras do egoísmo, estaremos sozinhos, aflitos, perturbados e desalentados, porque egoísmo que dizer felicidade somente para nós, contra a felicidade dos outros. Deus permitiu que vontade seja um património nosso, a fim de que possamos adquirir a liberdade e a grandeza, o amor e a sabedoria, por nós mesmos, como filhos da sua infinita bondade. Por isso, se somos escravos das nossas criações que, por vezes, gastamos muito tempo a rectificar, continuamos sempre livres para desejar e imaginar, sabendo que qualquer serviço ou realização começa em nossos sentimentos e nossos pensamentos. Saibamos desse modo, conservar a nossa vontade
À luz da consciência recta, porque, rogando a Deus nos liberte do mal, é preciso, por nossa vez, procurar o caminho do bem.

O EXEMPLO DA FONTE
Um instrutor, disse ao estudante da sabedoria: Veja o exemplo da fonte, que auxilia a todos sem perguntar e que nunca se detém até alcançar a grande comunhão com o oceano. Junto dela Crescem plantas de toda sorte, e em suas águas bebem animais de todos os tipos e feitios.
Enquanto caminhavam, um pequeno atirou duas pedras à corrente do rio e as águas as engoliram em silêncio, prosseguindo para adiante. Reparou?
Disse o mentor amigo, a fonte não se insurgiu contra as pedras. Recebeu-as com paciência e seguiu trabalhando. Mais a frente, viram grosso canal de esgoto, arremessando detritos no corpo alvo das águas, mas a corrente absorvia o lodo escuro, sem reclamações e avançava sempre. O professor, comentou para o aprendiz: A fonte não se revolta com a lama que se lhe atiram à face. Recolhe-a sem gritos e transforma-a em benefícios para a Terra necessitada de adubos.
Adiante ainda, que, enquanto andorinhas se banhavam lépidas, feios sapos, penetravam a corrente e pareciam contentes e alegres em saltitantes mergulhos. As águas amparavam a todos sem a mínima queixa. O bondoso mentor terminou: Assinalemos o exemplo da fonte e aprenderemos a libertar-nos de qualquer cativeiro, porque em verdade, só aqueles que marcham para diante, com o trabalho que Deus lhe confia, sem se ligarem às sugestões do mal, conseguem vencer dignamente na vida, garantindo, em favor de todos, as alegrias da vida.

HISTÓRIA DO LIVRO
O mundo vivia em grandes perturbações. As criaturas andavam empenhadas em conflitos constantes, assemelhando-se a animais ferozes, quando em luta violenta. Os ensinamentos dos homens bons, prudentes e sábios eram rapidamente esquecidos, porque depois da morte deles, ninguém mais lhes lembrava a palavra orientadora e conselheira.
A ciência começava com o esforço de algumas pessoas dedicadas à inteligência; entretanto, rapidamente desaparecia porque lhes faltava continuidade. Era impraticável o prosseguimento das pesquisas louváveis, sem a presença dos iniciadores.
Por isso o povo, como que sem luz, recaía sempre nos grandes erros, dizimados pela ignorância e a miséria. Foi então que o Senhor compadeceu-se dos homens, lhes enviando um tesouro para o verdadeiro progresso. Esse tesouro é o livro. Com ele apareceu a escola, com a escola a educação foi consolidada na Terra, e o povo começou a se livrar do mal, com o conhecimento que a leitura trazia. Muitos homens de cérebro transviado escrevem maus livros, inclinando as almas ao desespero, a ironia, ao desânimo e a crueldade. Mas as páginas desses livros são apressadamente esquecidas, porque o livro é realmente uma dádiva de Deus à humanidade, para que os grandes instrutores possam clarear o nosso caminho, conversando connosco através dos séculos e das civilizações. É pelo livro que recebemos o ensinamento e a orientação, o reajuste mental e a renovação interior. Dificilmente poderíamos conquistar a felicidade sem a boa leitura. O próprio Jesus, a fim de permanecer connosco, legou-nos o seu Evangelho de Amor, que é sem dúvida o livro Divino, em cujas lições podemos encontrar a libertação de todo o mal.

SALVAÇÃO INESPERADA
Num pais europeu, certa tarde, muito chuvosa, um maquinista cheio de fé em Deus, começou a accionar a locomotiva com o trem repleto de passageiros para longa viagem. Fixou o céu escuro e repetiu com muito sentimento, a oração dominical (PAI NOSSO).
O comboio percorreu léguas e léguas, dentro das trevas densas, quando alta noite, ele viu à luz do farol aceso, alguns sinais que lhe pareceram feitos pala sombra de dois braços angustiados a lhe pedirem atenção e socorro. Emocionado, fez o trem parar de repente, e seguido de muitos viajantes, correu pelos trilhos de ferro, procurando verificar se estavam ameaçados de algum perigo. Depois de alguns metros, foram surpreendidos por gigantesca inundação que, invadindo a terra com violência, destruíra a ponte por onde o trem deveria passar. O comboio fora salvo, milagrosamente. Tomados de infinita alegria, o maquinista e os viajantes procuravam a pessoa que lhes fornecera o aviso salvador, mas ninguém aparecia. Intrigados, continuaram na busca, quando encontraram no chão, grande morcego agonizante. O enorme voador, batera as asas a frente do farol, em forma de dois braços agitados, e caíra sobre as engrenagens.
O maquinista retiro-o com cuidado e carinho e mostrou-o aos passageiros assombrados e contou como orara, ardentemente, invocando a protecção de Deus, antes da hora da partida. E, ali mesmo ajoelhando-se, ante o morcego que acabava de morrer, exclamou em alta voz:
Pai-nosso, que estais no Céu,
Santificado seja o teu nome
Venha a nós o vosso reino
Seja feita a vossa vontade
Assim na Terra como no Céu
O pão- nosso de cada dia
Dá-nos hoje
Perdoa as nossas dívidas
Assim como perdoamos aos nossos devedores
Não nos deixe cair em tentações
Livrai-nos do mal
Porque teu é o reino
O poder e a gloria
Para sempre. Assim seja.
Quando acabou de orar, grande quietude reinava na paisagem. Todos os passageiros,crentes e descrentes, estavam também ajoelhados, repetindo a prece com amoroso respeito. Alguns choravam de emoção e reconhecimento, agradecendo ao Pai Celestial, que lhes salvara a vida, por intermédio de um animal que infunde tanto pavor ás criaturas humanas. E até a chuva, parara de cair, como se o Céu silencioso estivesse igualmente acompanhando a oração.

PRECE
Senhor, ensina-nos a oferecer-te o coração puro e o pensamento elevado na oração.
Ajuda-nos a pedir, em Teu Nome, para que a força de nossos desejos não perturbe a execução de tuas leis.
Ampara-nos a fim de que o nosso sentimento se harmonize com a tua vontade e que possamos, cada dia, ser instrumentos vivos e operários da paz e do amor, de aperfeiçoamento e de alegria, de acordo com a tua Lei.
ASSIM SEJA...
FIM